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<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20250055</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crise climática e COP30: ciência, política e ação]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250055</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Crise clim&aacute;tica e COP30:    ci&ecirc;ncia, pol&iacute;tica e a&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Paulo Artaxo<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professor do Departamento   de F&iacute;sica Aplicada do Instituto   de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo   (USP). &Eacute; membro titular da Academia   Mundial de Ci&ecirc;ncias (TWAS), do   INCT Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, do Painel   Intergovernamental de Mudan&ccedil;as   Clim&aacute;ticas (IPCC). &Eacute; coordenador do   Centro de Estudos Amaz&ocirc;nia Sustent&aacute;vel   da Universidade de S&atilde;o Paulo (CEAS-USP).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Com a COP30, sendo    realizada em novembro, em   Bel&eacute;m, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   entraram com for&ccedil;a na   pauta da sociedade brasileira.   Observamos uma mobiliza&ccedil;&atilde;o   importante em v&aacute;rios setores   econ&ocirc;micos e na sociedade   em geral.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Atualmente, o principal    desafio enfrentado pela humanidade  &eacute;, sem d&uacute;vida, o das   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. De acordo   com o F&oacute;rum Econ&ocirc;mico   Mundial, cinco dos dez maiores   riscos para a economia   global est&atilde;o associados &agrave;s   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o   ambiental. Ou seja,   a urg&ecirc;ncia clim&aacute;tica n&atilde;o &eacute;  mais um debate distante, mas   um chamado direto &agrave; a&ccedil;&atilde;o em  &aacute;reas estrat&eacute;gicas. A mudan&ccedil;a   clim&aacute;tica j&aacute; chegou com toda   a sua for&ccedil;a, especialmente   por meio do aumento da frequ&ecirc;ncia   e da intensidade dos eventos clim&aacute;ticos extremos. E   os impactos econ&ocirc;micos e sociais   s&atilde;o significativos em muitas &aacute;reas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A COP-30 representa um   momento crucial para o enfrentamento   da crise clim&aacute;tica.   Nesse contexto, a converg&ecirc;ncia   entre a ci&ecirc;ncia clim&aacute;tica e   as transforma&ccedil;&otilde;es das sociedades   e economias ganha destaque   como eixo estrat&eacute;gico   para avan&ccedil;ar nas solu&ccedil;&otilde;es de   que o planeta urgentemente    necessita. J&aacute; aquecemos o   planeta em 1,55 graus Celsius.   O aumento da frequ&ecirc;ncia e da   intensidade dos eventos clim&aacute;ticos   extremos pode ser facilmente   observado em todo o   planeta.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A urg&ecirc;ncia   clim&aacute;tica n&atilde;o &eacute; mais   um debate distante,   mas um chamado   direto &agrave; a&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas estrat&eacute;gicas."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Brasil, com sua vasta   biodiversidade e uma economia   fortemente dependente do   clima, tem vulnerabilidades importantes  &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.   Os impactos clim&aacute;ticos afetam intensamente a produtividade   da agropecu&aacute;ria e a   produ&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade,   aumentando o pre&ccedil;o de    alimentos e energia e penalizando   especialmente a popula&ccedil;&atilde;o   mais pobre do pa&iacute;s.   A infraestrutura brasileira, incluindo   sistemas de suporte &agrave; sa&uacute;de, cidades e transporte, &eacute; bastante vulner&aacute;vel a eventos   clim&aacute;ticos extremos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 2024, as atividades   econ&ocirc;micas em nosso planeta   foram respons&aacute;veis pela   emiss&atilde;o de 57 bilh&otilde;es de toneladas de gases de efeito   estufa (GEE<sub>e</sub>). Os dados s&atilde;o   claros: mesmo com os 15 anos   do Acordo de Paris e as 29   COPs realizadas at&eacute; o momento,   as emiss&otilde;es continuam aumentando   significativamente a   cada ano. Os principais gases   de efeito estufa s&atilde;o o di&oacute;xido   de carbono (CO<sub>2</sub>), o metano   (CH<sub>4</sub>) e o &oacute;xido nitroso (N<sub>2</sub>O).   Al&eacute;m disso, h&aacute; contribui&ccedil;&otilde;es   clim&aacute;ticas significativas do   oz&ocirc;nio (O3) e do material particulado   na forma de aeross&oacute;is.   Estes &uacute;ltimos s&atilde;o tamb&eacute;m   poluentes atmosf&eacute;ricos que   impactam a sa&uacute;de de bilh&otilde;es   de pessoas, e cuja redu&ccedil;&atilde;o de   emiss&otilde;es traz co-benef&iacute;cios importantes   na redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade   pela redu&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o   do ar.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"O Brasil, com sua   vasta biodiversidade   e uma economia   fortemente   dependente   do clima, tem   vulnerabilidades   importantes  &agrave;s mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dois maiores setores   respons&aacute;veis pelas emiss&otilde;es   de GEE s&atilde;o a extra&ccedil;&atilde;o e o uso   de combust&iacute;veis f&oacute;sseis (petr&oacute;leo,   carv&atilde;o e g&aacute;s natural) e   o desmatamento de florestas.   Atualmente, cerca de 92% das   emiss&otilde;es est&atilde;o associadas aos   combust&iacute;veis f&oacute;sseis e 8% ao   desmatamento. Os setores   econ&ocirc;micos que se destacam   s&atilde;o a gera&ccedil;&atilde;o de energia, o setor de transportes e a produ&ccedil;&atilde;o   de alimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A temperatura m&eacute;dia do   planeta j&aacute; aumentou cerca de   1,55&deg;C acima dos n&iacute;veis pr&eacute;-industriais.   Em &aacute;reas continentais,   o aumento m&eacute;dio da temperatura   j&aacute; alcan&ccedil;ou cerca de   2,1&deg;C, com algumas regi&otilde;es   brasileiras registrando um aumento   de 2,4&deg;C, como o Vale   do Rio S&atilde;o Francisco e a regi&atilde;o   leste da Amaz&ocirc;nia. Portanto, a   meta do Acordo de Paris de   limitar o aquecimento m&eacute;dio   global em 1,5&deg;C est&aacute; certamente   sob risco.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E quanto aos cen&aacute;rios futuros?   Com os compromissos   atuais do Acordo de Paris, as   simula&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas do IPCC   apontam para um aumento da   temperatura m&eacute;dia do planeta   em cerca de 2,8&deg;C em rela&ccedil;&atilde;o   aos valores pr&eacute;-industriais ao   longo deste s&eacute;culo. No caso do   Brasil, as temperaturas aumentar&atilde;o   cerca de 4&deg;C. &Eacute; ineg&aacute;vel   que o aquecimento exacerbado   ter&aacute; efeitos profundos sobre   o clima, o meio ambiente,   as economias e a popula&ccedil;&atilde;o. A   vida e as atividades econ&ocirc;micas   em cidades como Palmas,   Cuiab&aacute;, Manaus, Teresina ou   Bras&iacute;lia, com temperaturas m&eacute;dias   4 graus mais altas, v&atilde;o ser   muito dif&iacute;ceis. Em todo o planeta,   o aumento das temperaturas   est&aacute; associado a uma   maior frequ&ecirc;ncia e intensidade   de eventos clim&aacute;ticos extremos,   como ondas de calor, secas   duradouras, tempestades   e inunda&ccedil;&otilde;es. Esses eventos   extremos se tornar&atilde;o 39 vezes   mais frequentes e aumentar&atilde;o   sua intensidade em um fator de   5. N&atilde;o resta d&uacute;vida de que tais   cen&aacute;rios ter&atilde;o impactos significativos   sobre a agricultura, a   gera&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade, a infraestrutura, a sa&uacute;de das   popula&ccedil;&otilde;es e a vida cotidiana    no Brasil e em todo o planeta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A COP-30 tem uma miss&atilde;o   nobre: contribuir para a   humanidade enfrentar um dos   principais desafios do nosso   tempo: a mudan&ccedil;a do clima e   seus efeitos. Entre os muitos   temas em pauta est&atilde;o a prote&ccedil;&atilde;o   das florestas, das popula&ccedil;&otilde;es   tradicionais, a adapta&ccedil;&atilde;o  &agrave;s mudan&ccedil;as do clima, e o financiamento   clim&aacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; importante salientar   que, sem enfrentar a principal   causa da crise clim&aacute;tica, que  &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o e a queima de   combust&iacute;veis f&oacute;sseis, qualquer   avan&ccedil;o nas demais &aacute;reas torna-se insuficiente. A chamada   transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica justa busca   descarbonizar a economia   e promover o uso de fontes    renov&aacute;veis de energia, como   a solar, a e&oacute;lica e a hidrel&eacute;trica,   de forma equilibrada,   inclusiva, justa e sustent&aacute;vel.   Certamente tamb&eacute;m precisamos   zerar o desmatamento de   florestas tropicais at&eacute; 2030.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A sobreviv&ecirc;ncia da   Amaz&ocirc;nia &#151; e de seus ecossistemas   associados &#151; depende   diretamente da conten&ccedil;&atilde;o da   mudan&ccedil;a do clima, o que s&oacute;  ser&aacute; poss&iacute;vel com a redu&ccedil;&atilde;o   dr&aacute;stica da queima de combust&iacute;veis   f&oacute;sseis e o comprometimento   real com a descarboniza&ccedil;&atilde;o   planet&aacute;ria. &Eacute; urgente    repensar o modelo de desenvolvimento   da Amaz&ocirc;nia, substituindo   pr&aacute;ticas predat&oacute;rias   por uma economia de base   florestal, que valorize a preserva&ccedil;&atilde;o   ambiental, gere renda   local e beneficie as comunidades que vivem na regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A COP-30 constitui uma   oportunidade crucial para   reorientar o curso da crise clim&aacute;tica, mediante a estrutura&ccedil;&atilde;o   de uma agenda de a&ccedil;&atilde;o   global de descarboniza&ccedil;&atilde;o   que abranja todos os setores   das economias. A COP30 traz   uma oportunidade &uacute;nica para   o Brasil liderar essa agenda,    com a possibilidade de articular   ci&ecirc;ncia, pol&iacute;tica e economia   em prol de uma transforma&ccedil;&atilde;o   sist&ecirc;mica. Esta transforma&ccedil;&atilde;o   est&aacute; condicionada a uma   transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica justa,   fundamentada na gera&ccedil;&atilde;o de   energia de baixo carbono e na substitui&ccedil;&atilde;o gradual, contudo    urgente, dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis.   A elimina&ccedil;&atilde;o progressiva   do uso de combust&iacute;veis f&oacute;sseis &eacute; fundamental para garantir   um futuro sustent&aacute;vel,   com clima est&aacute;vel e condi&ccedil;&otilde;es   para o mundo atingir os 17   Objetivos de Desenvolvimento   Sustent&aacute;vel (ODS), construindo   uma sociedade mais justa   e resiliente &agrave;s mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"&Eacute; ineg&aacute;vel que   o aquecimento   exacerbado ter&aacute;  efeitos profundos   sobre o clima, o   meio ambiente,   as economias e a   popula&ccedil;&atilde;o."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O sucesso da constru&ccedil;&atilde;o   de uma sociedade mais justa e   resiliente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   depender&aacute; da capacidade   dos atores globais de superar   discursos vazios e avan&ccedil;ar em   compromissos firmes, monitor&aacute;veis   e baseados em coopera&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica e financeira internacional.   Temos que fazer a   COP30 ser realmente a COP da   virada, da implementa&ccedil;&atilde;o de   medidas que levem o planeta  &agrave; sustentabilidade e &agrave; maior   resili&ecirc;ncia. Ci&ecirc;ncia &eacute; crucial neste caminho. Que Bel&eacute;m   seja n&atilde;o somente palco de negocia&ccedil;&otilde;es   diplom&aacute;ticas, mas   s&iacute;mbolo de um novo come&ccedil;o,   em que ci&ecirc;ncia, respeito &agrave;s   sociedades tradicionais, coragem   pol&iacute;tica e a&ccedil;&atilde;o coletiva se   unam para construir um futuro   poss&iacute;vel para todas as formas   de vida na Terra. A Sociedade   Brasileira para o Progresso da   Ci&ecirc;ncia (SBPC) tem um papel   importante fomentando ci&ecirc;ncia   na dire&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento   sustent&aacute;vel.</font></p>      ]]></body>
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