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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recursos humanos para uma transição energética justa e ambientalmente sustentável]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250058</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Recursos humanos para uma   transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica justa e   ambientalmente sustent&aacute;vel</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Gilberto de Martino Jannuzzi<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professor   de Sistemas Energ&eacute;ticos da   Faculdade de Engenharia Mec&acirc;nica,   Universidade Estadual de Campinas   (Unicamp) e Pesquisador S&ecirc;nior do   N&uacute;cleo de Planejamento Energ&eacute;tico   NIPE (Unicamp). &Eacute; membro da Coordena&ccedil;&atilde;o   do Programa de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas Globais da FAPESP.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica representa uma transforma&ccedil;&atilde;o estrutural que ultrapassa o setor energ&eacute;tico   tradicional, exigindo planejamento de longo prazo e integra&ccedil;&atilde;o entre dimens&otilde;es sociais,   econ&ocirc;micas e ambientais. No Brasil, os desafios envolvem seguran&ccedil;a e pobreza energ&eacute;ticas, descarboniza&ccedil;&atilde;o   industrial, regula&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de novos profissionais. Essa mudan&ccedil;a demanda   compet&ecirc;ncias interdisciplinares e uso intensivo de tecnologias digitais e intelig&ecirc;ncia artificial,   orientadas &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um sistema energ&eacute;tico neutro em carbono, justo e sustent&aacute;vel, sustentado   pelo conhecimento e pela inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave:</b> Transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica; Sustentabilidade; Capacita&ccedil;&atilde;o profissional; Intelig&ecirc;ncia   artificial</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Num contexto global no   qual a urg&ecirc;ncia de combater   as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e de   promover o desenvolvimento   sustent&aacute;vel domina as agendas   pol&iacute;tica, social e econ&ocirc;mica, a   transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica surge como   uma das principais estrat&eacute;gias   para garantir um futuro mais justo   e ambientalmente equilibrado.   A complexidade dessa mudan&ccedil;a   exige um olhar para al&eacute;m da   discuss&atilde;o sobre recursos prim&aacute;rios   de energia e tecnologias de   convers&atilde;o. &Eacute; uma transforma&ccedil;&atilde;o   que exige um planejamento de   longo prazo com um olhar atento  &agrave;s dimens&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas,   pol&iacute;ticas e ambientais,   uma transforma&ccedil;&atilde;o muito mais   abrangente, que transcende   os limites do setor energ&eacute;tico   convencional.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"O pa&iacute;s enfrenta   desafios   significativos para   garantir a seguran&ccedil;a   energ&eacute;tica,   especialmente   para um sistema   energ&eacute;tico   renov&aacute;vel que   estar&aacute; cada vez   mais dependente   das condi&ccedil;&otilde;es   clim&aacute;ticas."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar da alta participa&ccedil;&atilde;o   de renov&aacute;veis no Brasil   quando comparamos com o   padr&atilde;o internacional, e a busca   de aumentar o papel delas,   o pa&iacute;s enfrenta desafios significativos   para garantir a seguran&ccedil;a   energ&eacute;tica, especialmente   para um sistema energ&eacute;tico   renov&aacute;vel que estar&aacute; cada vez    mais dependente das condi&ccedil;&otilde;es   clim&aacute;ticas. Al&eacute;m disso, a   transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica deve hoje   combater a pobreza energ&eacute;tica e integrar as novas tecnologias   de baixo carbono de forma justa   e equitativa. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a04fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">No passado, as diversas   transi&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas foram   basicamente baseadas em   acr&eacute;scimos de novos recursos   energ&eacute;ticos, de novas e crescentes   demandas por servi&ccedil;os   de energia e novas tecnologias.   J&aacute; n&atilde;o &eacute; mais assim. Se antes   elas foram aditivas, a atual transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica a que nos referimos  &eacute; transformativa, ou seja,   modificaremos profundamente   a infraestrutura de oferta e o   pr&oacute;prio padr&atilde;o de servi&ccedil;os de   energia dispon&iacute;veis.<sup>&#91;1&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em um artigo anterior, publicado   na Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura em   2024,<sup>&#91;2&#93;</sup> discutimos alguns dos   principais desafios e oportunidades   da transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica   no Brasil hoje e exige mais do   que a ado&ccedil;&atilde;o de fontes renov&aacute;veis.   S&atilde;o necess&aacute;rias reformas   regulat&oacute;rias, moderniza&ccedil;&atilde;o da    infraestrutura, forma&ccedil;&atilde;o de   capital humano e o redirecionamento   de investimentos em   Pesquisa, Desenvolvimento e   Inova&ccedil;&atilde;o (PD&amp;I) para longe dos   combust&iacute;veis f&oacute;sseis (ao contr&aacute;rio   do que &eacute; feito atualmente). Substanciais investimentos em   nova infraestrutura ser&atilde;o necess&aacute;rios,    que ultrapassam a capacidade   de serem financiadas   pelo setor p&uacute;blico, e, portanto,   inova&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias dever&atilde;o   surgir para atrair novos recursos   e criar modelos de neg&oacute;cios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O relat&oacute;rio "Neutralidade   de carbono at&eacute; 2050: Cen&aacute;rios   para uma transi&ccedil;&atilde;o eficiente   no Brasil"<sup>&#91;3&#93;</sup> vai nessa dire&ccedil;&atilde;o,   indicando que a descarboniza&ccedil;&atilde;o   no Brasil requer uma   otimiza&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica, considerando   n&atilde;o somente a gera&ccedil;&atilde;o   de energia, mas tamb&eacute;m   a demanda por eletricidade e   combust&iacute;veis l&iacute;quidos. Al&eacute;m   disso, haver&aacute; a necessidade de   compensar emiss&otilde;es em setores   de dif&iacute;cil abatimento (como   transporte a&eacute;reo e mar&iacute;timo),   possivelmente com maior uso   de bioenergia com captura e   armazenamento de carbono   (BECCS). Isso mostra que a   transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica afeta toda   a cadeia produtiva e de consumo   de bens e servi&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ind&uacute;stria de base, por   exemplo, que fornece insumos   para a expans&atilde;o da gera&ccedil;&atilde;o   de energia renov&aacute;vel (cimento   e a&ccedil;o, por exemplo), tamb&eacute;m   precisa ter estrat&eacute;gias   para promover sua descarboniza&ccedil;&atilde;o,   como &eacute; discutido por   Fernandes e colaboradores   (2024)<sup>&#91;4&#93;</sup> em seu relat&oacute;rio para   o BNDES. Isso demonstra a interconex&atilde;o   entre os setores e   a necessidade de uma abordagem   integrada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica   e recursos humanos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No contexto brasileiro,   nosso desafio &eacute; a abordagem   integrada de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, uso da terra, energia,   recursos h&iacute;dricos e desenvolvimento   econ&ocirc;mico com   limitada capacidade de investimento   p&uacute;blico. Isso &eacute; particularmente   relevante devido &agrave; vasta diversidade ecol&oacute;gica,    nossa depend&ecirc;ncia de recursos   naturais, e em particular   bioenergia e hidroeletricidade,   e o prop&oacute;sito de desenvolvimento   econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel.   A complexidade da atual transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica demanda uma   nova gera&ccedil;&atilde;o de profissionais   capacitados para entender os   diversos desafios dessa transforma&ccedil;&atilde;o,   considerando os   atributos de seguran&ccedil;a, investimentos,   acesso e sustentabilidade   em um contexto de mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a04fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica deve   hoje combater a   pobreza energ&eacute;tica   e integrar as novas   tecnologias de   baixo carbono   de forma justa e   equitativa."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A forma&ccedil;&atilde;o de recursos   humanos, portanto, deve   considerar as profundas transforma&ccedil;&otilde;es   da atual transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica. &Eacute; necess&aacute;rio incorporar   ao desenvolvimento   de conhecimentos, habilidades   e atitudes que capacitem   as pessoas a desempenharem   fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas com excel&ecirc;ncia.   No cen&aacute;rio da transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, antecipam-se demandas   crescentes relacionadas   n&atilde;o s&oacute; &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o   tecnol&oacute;gica, bem   como &agrave; gest&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o   de setores inteiros, com   impactos sobre empregos,   processos produtivos e modelos   de neg&oacute;cio. Como mencionado   por Krumdieck (2019),<sup>&#91;5&#93;</sup> a   transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica inclui conhecimentos   das engenharias   e ci&ecirc;ncias exatas, mas tamb&eacute;m   ser&aacute; necess&aacute;rio compreender   os contextos sociais, institucionais,   econ&ocirc;micos e ambientais   relacionados ao fornecimento   de energia e ao seu uso final. Provavelmente, a parte   mais desafiadora da transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica &eacute; a capacidade de   orientar as op&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento   atuais, ao mesmo   tempo em que se projetam solu&ccedil;&otilde;es   para o futuro de longo   prazo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A preocupa&ccedil;&atilde;o com a capacita&ccedil;&atilde;o   de recursos humanos   para o setor de energia no   Brasil existe h&aacute; bastante tempo.   Um bom exemplo disso &eacute;  o Programa de Forma&ccedil;&atilde;o de   Recursos Humanos (PRH) da   Ag&ecirc;ncia Nacional do Petr&oacute;leo,   G&aacute;s Natural e Biocombust&iacute;veis   (ANP), que existe h&aacute; mais de   25 anos e financia alunos e   cursos em v&aacute;rias universidades   do pa&iacute;s. Inicialmente, o PRH   se dedicou exclusivamente ao   tema relacionado a petr&oacute;leo e   g&aacute;s. Com o tempo, come&ccedil;ou   a ampliar seu escopo para incluir   energias renov&aacute;veis e temas   da transi&ccedil;&atilde;o, refletindo o    reconhecimento da multidisciplinaridade.   Entretanto, como   muitas institui&ccedil;&otilde;es globalmente,   o PRH ainda responde principalmente  &agrave;s novas necessidades,   acrescentando novas   disciplinas, em vez de alcan&ccedil;ar   a integra&ccedil;&atilde;o e a interdisciplinaridade   necess&aacute;rias para uma   transi&ccedil;&atilde;o eficaz, especialmente   para aproveitar as oportunidades   espec&iacute;ficas do Brasil em   bioenergia e bioeconomia.<sup>&#91;6&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica   hoje deve ser um movimento   transformador, capaz de redefinir   paradigmas de produ&ccedil;&atilde;o,   consumo e conviv&ecirc;ncia social.   Para que seja justa e ambientalmente   sustent&aacute;vel, &eacute; indispens&aacute;vel   investir na capacita&ccedil;&atilde;o   dos recursos humanos,   promovendo inclus&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o   e responsabilidade. O futuro   energ&eacute;tico depende das pessoas: de seu conhecimento,   sensibilidade e capacidade   de construir solu&ccedil;&otilde;es que respeitem   o planeta e todos que   nele habitam. Ser&aacute; necess&aacute;ria   uma nova gera&ccedil;&atilde;o de profissionais   com uma capacita&ccedil;&atilde;o   muito mais focada em processos   sist&ecirc;micos do que em conte&uacute;dos   espec&iacute;ficos, como tem   sido a &ecirc;nfase at&eacute; agora.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica hoje   deve ser um   movimento   transformador,   capaz de redefinir   paradigmas de   produ&ccedil;&atilde;o, consumo   e conviv&ecirc;ncia   social."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Mudan&ccedil;as   tecnol&oacute;gicas e   intelig&ecirc;ncia artificial</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse novo sistema energ&eacute;tico,   resultante da transi&ccedil;&atilde;o,   dever&aacute; ser muito mais flex&iacute;vel   e din&acirc;mico, capaz de gerenciar   respostas r&aacute;pidas tanto   do lado da oferta quanto da   demanda. Para isso, apoiar&aacute;  cada vez mais suas opera&ccedil;&otilde;es   em sistemas de controle digitais   e em intelig&ecirc;ncia artificial    (IA). Contextos locais &#151; como   disponibilidade de recursos e   condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas &#151; permitir&atilde;o   um planejamento e   uma opera&ccedil;&atilde;o mais customizados   dos sistemas energ&eacute;ticos.   Gera&ccedil;&atilde;o e armazenamento locais   poder&atilde;o se integrar a setores   de consumo (transportes, edifica&ccedil;&otilde;es e ind&uacute;stria), com   interc&acirc;mbios simult&acirc;neos de eletricidade, calor e frio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O processamento de   grandes volumes de informa&ccedil;&atilde;o   t&eacute;cnica e de dados para   otimiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica s&oacute; ser&aacute;  vi&aacute;vel com maior aplica&ccedil;&atilde;o de   tecnologias digitais e baseadas   em IA. Isso exige profissionais   capazes de conceber e liderar   essas novas opera&ccedil;&otilde;es, tanto   no curto prazo &#151; respondendo   a demandas em tempo   real por servi&ccedil;os essenciais de   energia &#151; quanto, principalmente,   no longo prazo, para   o adequado provisionamento   de recursos (oferta e demanda)   e para o desenvolvimento   de infraestrutura de transporte   e armazenamento de energia,   sistemas de CCS/CCUS (ainda   necess&aacute;rios em alguns setores)   e de distribui&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.   Tamb&eacute;m ser&aacute; preciso considerar   pre&ccedil;os, regula&ccedil;&atilde;o de   mercado e a governan&ccedil;a dos   servi&ccedil;os p&uacute;blicos relacionados  &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, comercializa&ccedil;&atilde;o   e uso de energia. O objetivo   subjacente &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o    de um sistema energ&eacute;tico de   emiss&otilde;es neutras no longo prazo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O desafio central dessa   nova capacita&ccedil;&atilde;o &eacute; preparar   profissionais com um conjunto   amplo de compet&ecirc;ncias para   enfrentar os desafios de longo   prazo impostos pela transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica. Essas compet&ecirc;ncias   exigidas devem ser multidisciplinares   e interdisciplinares,   abrangendo as dimens&otilde;es   tecnol&oacute;gica, econ&ocirc;mica, ambiental,   pol&iacute;tica e institucional   associadas &agrave;s metas de transi&ccedil;&atilde;o.   Profissionais capazes de   interagir com a ind&uacute;stria, governos   e consumidores. Suas   atribui&ccedil;&otilde;es chave necess&aacute;rias incluem compet&ecirc;ncias digitais   (an&aacute;lise de dados, IA), compet&ecirc;ncias    sociais e pol&iacute;ticas   (lideran&ccedil;a, negocia&ccedil;&atilde;o, racioc&iacute;nio &eacute;tico) e conhecimento   t&eacute;cnico em &aacute;reas energ&eacute;ticas   emergentes como hidrog&ecirc;nio   e captura de carbono.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Portanto, a transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica &eacute; uma necessidade   motivada pela urg&ecirc;ncia das   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, com foco   em garantir o abastecimento   de energia e reduzir as emiss&otilde;es   de gases de efeito estufa.   Essa transforma&ccedil;&atilde;o envolve   mudan&ccedil;as estruturais, tecnol&oacute;gicas   e institucionais destinadas   a alcan&ccedil;ar uma economia   de baixo carbono por meio da   expans&atilde;o das energias renov&aacute;veis,   da gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da,   da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, do armazenamento   e da integra&ccedil;&atilde;o   digital.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>O presente artigo se baseia   parcialmente em amplo   trabalho de revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica   sobre o tema que est&aacute; sendo   publicado na Annual Review   of Energy and Environment,   intitulado Engineering and   Economics Education for   Energy Transition: shaping up   new human resources (Alves    et al. In press).</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;1&#93; YERGIN, Daniel; ORSZAG, Peter;   ARYA, Atul. The troubled energy   transition. Foreign Affairs, 25   fev. 2025. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.foreignaffairs.com/united-states/troubled-energy-transition-yergin-orszag-arya" target="_blank">https://www.foreignaffairs.com/united-states/troubled-energy-transition-yergin-orszag-arya</a>. Acesso em:   28 out. 2025.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;2&#93; JANNUZZI, Gilberto M. Transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica no Brasil &#150; Revista.   Ci&ecirc;ncia e Cultura, n. 3a, 2024.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=transicao-energetica-no-brasil" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=transicao-energetica-no-brasil</a>. Acesso em: 28 out. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;3&#93; CENTRO BRASILEIRO DE   RELA&Ccedil;&Otilde;ES INTERNACIONAIS   (CEBRI); CENERGIA. Neutralidade   de carbono at&eacute; 2050: cen&aacute;rios para   uma transi&ccedil;&atilde;o eficiente no Brasil.   Programa de Transi&ccedil;&atilde;o Energ&eacute;tica.   Rio de Janeiro: CEBRI, 2023.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-726/PTE_RelatorioFinal_PT_Digital_.pdf" target="_blank">https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-726/PTE_RelatorioFinal_PT_Digital_.pdf</a>. Acesso em: 28 out. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;4&#93; FERNANDES, Patr&iacute;cia Dias;   DIAS, Pedro Paulo; BRAGA, Jo&atilde;o   Paulo Carneiro de Holanda; SOUZA,   Rodrigo Mendes Leal de. Descarboniza&ccedil;&atilde;o   da ind&uacute;stria de base.   Rio de Janeiro: BNDES, 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;5&#93; KRUMDIECK, Susan. Transition   engineering: building a sustainable   future. Boca Raton: CRC Press,   2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1201/9780429343919" target="_blank">https://doi.org/10.1201/9780429343919</a>.   Acesso em: 28 out. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;6&#93; ALVES, Flavia; BOMTEMPO,   Jos&eacute; Vitor; COLOMER, Marcelo;   JANNUZZI, Gilberto; PINTO JR,   Helder Queiroz; OROSKI, Fabio.   Engineering and economics education   for energy transition: shaping   up new human resources. Annual   Review of Energy and the Environment,    in press.    </font></p>     ]]></body>
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