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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250068</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>COP30 e o real protagonismo das   lideran&ccedil;as femininas na floresta</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Priscylla Almeida<sup>I</sup>; Jo&atilde;o F. F. Nogueira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Jornalista e produtora   de conte&uacute;do para &aacute;reas de   sa&uacute;de e ci&ecirc;ncia, marketing e publicidade.   Apaixonada por filmes, gatinhos   e pela rotina din&acirc;mica que a comunica&ccedil;&atilde;o   traz: o contato com gente, a   curiosidade de assuntos diversos, a troca.    <br> <sup>II</sup>Desenvolvedor   de software, professor e pesquisador.   Transita por diversos temas, das   ci&ecirc;ncias humanas &agrave;s exatas, sempre   estudando algo novo. Adora jogar videogame quando n&atilde;o est&aacute; viajando.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A COP30, marcada   para novembro de 2025 em   Bel&eacute;m (PA), ser&aacute; a primeira   Confer&ecirc;ncia do Clima sediada   na Amaz&ocirc;nia e simboliza a   centralidade dos ecossistemas   tropicais na agenda clim&aacute;tica.   Como uma confer&ecirc;ncia de   povos e cidades, ela representa   uma oportunidade para    o Brasil mostrar lideran&ccedil;a ambiental   e propor pol&iacute;ticas de   transi&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, trazendo &agrave;  tona as vozes de quem a habita   e protege a regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Debates sobre justi&ccedil;a   clim&aacute;tica, conserva&ccedil;&atilde;o das   florestas, direitos dos povos   ind&iacute;genas e desenvolvimento   sustent&aacute;vel nunca foram t&atilde;o   urgentes. "Ao abordar a crise   ecol&oacute;gica planet&aacute;ria, a perspectiva   hist&oacute;rica possibilita   destacar que um dos problemas   fundamentais consiste no    questionamento das formas   jur&iacute;dicas, pol&iacute;ticas, socioecon&ocirc;micas   e culturais de apropria&ccedil;&atilde;o   e uso de seus componentes   ao longo da hist&oacute;ria,   refletida em a&ccedil;&otilde;es naturais e humanas. Nesse sentido, os   povos tradicionais continuaram   a ser interpretados e tratados   como 'exce&ccedil;&otilde;es' e em    processo de extin&ccedil;&atilde;o", explica   Leila Mour&atilde;o Miranda,   professora do Instituto de   Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas   da Universidade Federal do   Par&aacute; (UFPA).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Acirc;ngela Amanakwa   Kaxuyana, lideran&ccedil;a ind&iacute;gena   do povo Kaxuyana, residente   na Terra Ind&iacute;gena Kaxuyana-Tunayana, pontua: "Para as   mulheres ind&iacute;genas, a luta &eacute; moldada pela necessidade de   resist&ecirc;ncia como povos ind&iacute;genas,   enfrentando exclus&atilde;o,   preconceito e racismo. O fato    de nascerem como povos ind&iacute;genas   j&aacute; &eacute; um processo que   molda a luta. Al&eacute;m disso, a luta   pelo territ&oacute;rio &eacute; fundamental,   pois est&aacute; interligada &agrave; necessidade   de reafirmar o direito   territorial e o reconhecimento   do estado para acessar direitos   b&aacute;sicos". (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a14fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Viol&ecirc;ncia e   vulnerabilidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse contexto torna a   Amaz&ocirc;nia um espa&ccedil;o estrat&eacute;gico   para alertar sobre os   m&uacute;ltiplos riscos (f&iacute;sicos e institucionais)   enfrentados por lideran&ccedil;as   femininas que vivem e   protegem a floresta, principalmente   os decorrentes de viol&ecirc;ncias   de g&ecirc;nero e dos conflitos   socioambientais ligados    &agrave; defesa territorial. Segundo   o Instituto Igarap&eacute;, entre 2012   e 2022, foram registrados 765 ataques contra mulheres defensoras   da Amaz&ocirc;nia no Brasil &#150; incluindo amea&ccedil;as, pris&atilde;o e   tentativas de assassinato &#150; dos   quais 36 casos resultaram em morte.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Esses riscos s&atilde;o especialmente   elevados na Amaz&ocirc;nia:   somente em 2022, foram   12.211 casos de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica   contra mulheres, o equivalente   a 33 por dia, segundo   dados da Amaz&ocirc;nia Legal. As   taxas de viol&ecirc;ncia sexual cresceram   34% em cinco anos, e   o feminic&iacute;dio na regi&atilde;o &eacute; 30%   superior &agrave; m&eacute;dia nacional, segundo   o Instituto Igarap&eacute; e a   Rede Eclesial Pan-Amaz&ocirc;nica   (REPAM). "A experi&ecirc;ncia de   ser mulher nesse territ&oacute;rio   me atravessa m&uacute;ltiplas quest&otilde;es",   diz Jacqueline Gir&atilde;o,   pesquisadora da Faculdade   de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade   Federal do Rio de Janeiro   (UFRJ) e ativista. "Vivemos a   vulnerabilidade diante da presen&ccedil;a   da minera&ccedil;&atilde;o, que avan&ccedil;a   sobre os rios e os corpos   das mulheres. S&atilde;o incont&aacute;veis   os casos de estupro e de prostitui&ccedil;&atilde;o   de jovens, muitas menores   de idade. Al&eacute;m disso,   o garimpo coopta seus filhos   e companheiros, envenena os   rios e destr&oacute;i suas ro&ccedil;as, al&eacute;m   das secas, doen&ccedil;as, a fome e   a aus&ecirc;ncia do Estado. Nesse   cen&aacute;rio, as principais lideran&ccedil;as   s&atilde;o mulheres, j&aacute; que a   luta pela floresta &eacute;, sobretudo,   uma luta contra o patriarcado   capitalista".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Para as mulheres   ind&iacute;genas, a luta  &eacute; moldada pela   necessidade de   resist&ecirc;ncia como   povos ind&iacute;genas,   enfrentando   exclus&atilde;o,   preconceito e   racismo."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Fatores estruturais como   isolamento geogr&aacute;fico (comunidades   distantes com pouco   acesso a delegacias e redes de   apoio) e a falta de infraestrutura   estatal dificultam a prote&ccedil;&atilde;o   ou o acompanhamento dos   casos e ampliam a vulnerabilidade   das mulheres defensoras   da floresta. Ao denunciar danos   ambientais ou invas&otilde;es, as   mulheres se tornam alvos vis&iacute;veis   de grupos que dependem   do avan&ccedil;o ilegal. Somados ao   patriarcado e discrimina&ccedil;&atilde;o, o   fato de serem mulheres j&aacute; as   posiciona em desvantagem   frente &agrave;s estruturas locais de   poder, somados &agrave; impunidade   hist&oacute;rica, em que poucos casos   s&atilde;o investigados ou punidos."Para uma mulher ind&iacute;gena da Amaz&ocirc;nia, do Par&aacute;, que tem   um hist&oacute;rico de nega&ccedil;&atilde;o de   direitos e onde o estado mais   contesta territ&oacute;rios ind&iacute;genas,   a luta &eacute; ainda mais intensa, vindo   de um processo de retomada   de territ&oacute;rio origin&aacute;rio ap&oacute;s   viol&ecirc;ncia", enfatiza &Acirc;ngela   Amanakwa Kaxuyana. "A necessidade   de lutar pela demarca&ccedil;&atilde;o   e reafirmar a exist&ecirc;ncia a   partir do reconhecimento territorial&eacute; o principal motivador   para estar &agrave; frente das organiza&ccedil;&otilde;es   e furar as bolhas colonialistas   que as submetem.   Nos territ&oacute;rios e aldeias, as   mulheres s&atilde;o quem decidem,   mandam e lideram, segurando   toda a parte de resist&ecirc;ncia."</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resist&ecirc;ncia que   vem das margens</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A luta das mulheres ind&iacute;genas,   ribeirinhas e quilombolas   da Amaz&ocirc;nia &eacute;, antes de   tudo, uma luta pela vida &#150; a   delas, de seus povos e da floresta.   Durante as d&eacute;cadas de   1980 e 1990 e como coordenadora   do Projeto e Programa   de Interioriza&ccedil;&atilde;o do Ensino   Superior da Universidade    Federal do Par&aacute;, Leila Mour&atilde;o   Miranda acompanhou a expans&atilde;o   de grupos femininos   reivindicat&oacute;rios de diferentes   segmentos sociais. "Em Serra   Pelada, por exemplo, havia   uma proibi&ccedil;&atilde;o de entrada de   mulheres imposta pelo famigerado  'major Curi&oacute;'. A mobiliza&ccedil;&atilde;o   e a divulga&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia   repercutiram nacionalmente   e elas obtiveram direitos para   entrar e trabalhar naquela e em   outras minera&ccedil;&otilde;es. Em todo   interior da Amaz&ocirc;nia, conheci   e vivenciei m&uacute;ltiplas realidades   urbanas, rurais e florestais, onde as mulheres atuavam em   diversas frentes, consolidando    experi&ecirc;ncias, sugerindo   mudan&ccedil;as, adequando-se aos   ambientes e &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es sazonais,   incorporando ideias e   comportamentos relacionados   ao processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o vivido no pa&iacute;s", relata.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A necessidade   de lutar pela   demarca&ccedil;&atilde;o   e reafirmar a   exist&ecirc;ncia a partir   do reconhecimento   territorial &eacute; o   principal motivador   para estar &agrave; frente   das organiza&ccedil;&otilde;es   e furar as bolhas   colonialistas."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A resist&ecirc;ncia continua.   Exemplos como o de Patricia   Gualinga, lideran&ccedil;a Kichwa de   Sarayaku, no Equador, tornaram-se s&iacute;mbolo internacional   ao expulsar uma petroleira   do territ&oacute;rio de seu povo e &eacute;  uma das vozes origin&aacute;rias mais   respeitadas no mundo. Juma   Xipaia, cacica do povo Xipaya,   no M&eacute;dio Xingu, sobreviveu a   seis tentativas de assassinato   e protagoniza o document&aacute;rio  "Yanuni", produzido por   Leonardo DiCaprio, sobre a urg&ecirc;ncia   clim&aacute;tica na Amaz&ocirc;nia.  "Tenho acompanhado de   perto a luta de quilombolas e   ribeirinhos da regi&atilde;o do baixo   Tocantins (PA) contra a hidrovia   Tocantins-Araguaia,   que visa escoar min&eacute;rios e   gr&atilde;os pelos portos do Par&aacute; e, surpreendentemente, acaba   de ser aprovada pelo Instituto   Brasileiro do Meio Ambiente   (IBAMA). Essa hidrovia vai causar   graves problemas ambientais   e sociais: os ribeirinhos    ficar&atilde;o sem seu meio de sobreviv&ecirc;ncia   (o rio) devido &agrave; dinamita&ccedil;&atilde;o   do pedral do Louren&ccedil;o &#150; onde muitas esp&eacute;cies desovam &#150; e as secas ser&atilde;o mais   severas. &Agrave; frente dessa luta est&atilde;o   mulheres do quilombo do   Tamba&iacute;-A&ccedil;u (Camet&aacute;, PA), dentre   as quais se destaca a professora    Ellen Miranda, minha   amiga", declara Jacqueline   Gir&atilde;o. "Imposs&iacute;vel n&atilde;o mencionar,   tamb&eacute;m, Alessandra   Korap Munduruku, ativista ind&iacute;gena   e coordenadora da   Associa&ccedil;&atilde;o Ind&iacute;gena Pariri, que   denunciou a precariedade das   escolas destinadas aos povos   tradicionais no Par&aacute; e criticou    as tentativas do governo estadual,   por meio da Secretaria   de Educa&ccedil;&atilde;o, de substituir   professores por televisores na   rede p&uacute;blica de ensino. Sua   defesa do territ&oacute;rio e do ambiente n&atilde;o &eacute; s&oacute; resist&ecirc;ncia: &eacute; uma forma de vida".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ecofeminismo: o   corpo e o territ&oacute;rio</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A luta ambiental das mulheres   ind&iacute;genas, ribeirinhas e   quilombolas da Amaz&ocirc;nia &eacute;,   ao mesmo tempo, uma luta   feminista e anticolonial. Esse   protagonismo expressa o que   muitas chamam de ecofeminismo:   um movimento social,   pol&iacute;tico e filos&oacute;fico cuja perspectiva   une corpo e territ&oacute;rio,    denunciando que a viol&ecirc;ncia   contra as mulheres e a natureza   s&atilde;o duas faces do mesmo sistema   de explora&ccedil;&atilde;o patriarcal. "O ecofeminismo parte da   compreens&atilde;o de que, no capitalismo,   g&ecirc;nero, ra&ccedil;a, classe   e ambiente s&atilde;o consequ&ecirc;ncias   dessa forma de pensar e organizar   a sociedade que explora,   expropria, oprime e reduz a   natureza a lucros e mercadorias",   explica Jacqueline Gir&atilde;o."Somos n&oacute;s, mulheres &#150; sobretudo   negras, ind&iacute;genas e   perif&eacute;ricas &#150; as mais atingidas   pelas cat&aacute;strofes ambientais e   clim&aacute;ticas, pois acumulamos   jornadas duplas ou triplas e   cuidados com crian&ccedil;as, idosos,   pessoas com defici&ecirc;ncia, alimenta&ccedil;&atilde;o   e outras tarefas que   o patriarcado naturalizou como   nossas obriga&ccedil;&otilde;es", refor&ccedil;a. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a14fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Este feminismo das florestas   nasce do cotidiano da   sobreviv&ecirc;ncia: de quem cultiva,   pesca, cuida da &aacute;gua e das   sementes. Nesses contextos,   as mulheres s&atilde;o guardi&atilde;s da   biodiversidade e da mem&oacute;ria   cultural, transformando pr&aacute;ticas   ancestrais em resist&ecirc;ncia   pol&iacute;tica. Elas compreendem    que a destrui&ccedil;&atilde;o da floresta &eacute; a continua&ccedil;&atilde;o da mesma l&oacute;gica   patriarcal e capitalista que   oprime seus corpos e comunidades.   Assim, a defesa do territ&oacute;rio &eacute; insepar&aacute;vel da defesa   da vida, do cuidado, da autonomia   e da dignidade feminina."A luta das mulheres, a luta   feminina, sempre foi invisibilizada   na perspectiva do colonialismo.   Criou-se um cacicado   exclusivamente masculino,   pois os homens sempre foram   suscet&iacute;veis &agrave; vulnerabilidade   e procurados, o que acabou   moldando e invisibilizando a   participa&ccedil;&atilde;o das mulheres. As   mulheres sempre participaram   e estiveram no processo de   tomada de decis&atilde;o, mas essa   participa&ccedil;&atilde;o e empoderamento   foram invisibilizados, e elas   foram marginalizadas, colocadas   na margem. Muitos espa&ccedil;os   de constru&ccedil;&atilde;o onde participavam   as colocavam como   secret&aacute;rias ou em segundo plano,   nunca reconhecidas como    espa&ccedil;os de poder, decis&atilde;o,   voz ativa e opini&atilde;o. Essa invisibilidade   reflete na perman&ecirc;ncia   e exist&ecirc;ncia dos territ&oacute;rios e na resist&ecirc;ncia das mulheres",   declara &Acirc;ngela Amanakwa   Kaxuyana.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A luta das   mulheres, a luta   feminina, sempre   foi invisibilizada   na perspectiva do   colonialismo."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Desafios e   visibilidade   na COP30</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na prepara&ccedil;&atilde;o para a   COP30, diversas iniciativas   buscam traduzir o ecofeminismo   em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e pr&aacute;ticas   concretas. O Minist&eacute;rio   das Mulheres lan&ccedil;ou recentemente   (2025) o Plano de A&ccedil;&otilde;es   Integradas Mulheres e Clima,   com dez medidas estrat&eacute;gicas   para integrar g&ecirc;nero e justi&ccedil;a   clim&aacute;tica. Entre elas, est&atilde;o   a cria&ccedil;&atilde;o de um protocolo de   aten&ccedil;&atilde;o a mulheres em emerg&ecirc;ncias   clim&aacute;ticas, a&ccedil;&otilde;es de   preven&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero   e apoio social e econ&ocirc;mico   durante desastres ambientais.   O plano tamb&eacute;m prop&otilde;e   indicadores globais de g&ecirc;nero   e clima, incluindo ra&ccedil;a, idade e   defici&ecirc;ncia, e a vincula&ccedil;&atilde;o de   financiamento clim&aacute;tico as metas   de cuidado e equidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m disso, foi criado o   curso "Diplomacia Popular:   Emerg&ecirc;ncia Clim&aacute;tica,   Territ&oacute;rios e G&ecirc;nero", promovido   pelos minist&eacute;rios das   Mulheres e do Meio Ambiente,   em parceria com a Universidade   de Bras&iacute;lia (UnB). O objetivo &eacute; fortalecer o protagonismo das mulheres e de povos e comunidades   tradicionais nas negocia&ccedil;&otilde;es   clim&aacute;ticas, valorizando   seus saberes locais, uma maneira   de promover que mais   mulheres amaz&ocirc;nicas atuem   como interlocutoras e negociadoras   no espa&ccedil;o clim&aacute;tico   global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O futuro tem ra&iacute;zes</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Equilibrar o peso da tradi&ccedil;&atilde;o   comunit&aacute;ria com as press&otilde;es   contempor&acirc;neas da crise   clim&aacute;tica e da explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica  &eacute;, hoje, um dos principais   desafios da Amaz&ocirc;nia. As   pr&aacute;ticas ancestrais das mulheres   ind&iacute;genas, ribeirinhas e quilombolas   n&atilde;o s&atilde;o vest&iacute;gios de   um passado imut&aacute;vel, mas tecnologias   vivas de resist&ecirc;ncia   e adapta&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo,   essas comunidades vivem sob uma dupla press&atilde;o: de um   lado, o colapso ambiental global,   que altera os regimes de   chuva, as secas e as colheitas;   de outro, as for&ccedil;as econ&ocirc;micas   que tentam transformar a floresta    em mercadoria.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diante disso, o equil&iacute;brio   poss&iacute;vel n&atilde;o est&aacute; em escolher   entre tradi&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento,   mas em redefinir o   pr&oacute;prio conceito de progresso:   um progresso que respeite   territ&oacute;rios, culturas e o direito   de existir em harmonia com a   natureza. "A necessidade de   equilibrar todo o sistema de    conhecimento dos povos ind&iacute;genas   com as novas tecnologias   e informa&ccedil;&otilde;es de luta &eacute;  um desafio. Nem sempre essa   concilia&ccedil;&atilde;o &eacute; inclu&iacute;da como   parte fundamental do processo",   refor&ccedil;a &Acirc;ngela Kaxuyana.   Ao transformar o cuidado, o plantio e o conv&iacute;vio em atos   pol&iacute;ticos, elas provam que tradi&ccedil;&atilde;o   e inova&ccedil;&atilde;o podem caminhar   juntas. A floresta, quando   deixada nas m&atilde;os de quem a   conhece, ensina que preservar &eacute; tamb&eacute;m resistir, e resistir &eacute; reinventar o futuro.</font></p>      ]]></body>
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