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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Luteria: entre a ciência, a técnica e a arte]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Paraná Programa de Pós-Graduação em Física ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317&#45;6660.20260002</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Luteria:   entre a ci&ecirc;ncia, a t&eacute;cnica e a arte</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Thiago Corr&ecirc;a de Freitas<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>F&iacute;sico, Bacharel, Mestre e Doutor pelo Programa de   P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em F&iacute;sica da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR), onde atua   como Professor Associado no Setor de Educa&ccedil;&atilde;o Profissional e Tecnol&oacute;gica. Atuou   na coordena&ccedil;&atilde;o do curso de Luteria (vice&#45;coordenador 2010&#151;2015; coordenador   2022&#151;2024), foi presidente do Comit&ecirc; Setorial de Pesquisa (2014&#151;2018) e   coordenador acad&ecirc;mico (2016&#151;2017). Desenvolve pesquisas em F&iacute;sica At&ocirc;mica e   Molecular, com &ecirc;nfase em colis&atilde;o de el&eacute;trons com mol&eacute;culas, e em Ac&uacute;stica,   funcionamento de instrumentos musicais, materiais e hist&oacute;ria dos instrumentos   musicais no Paran&aacute;. Coordena o projeto de extens&atilde;o Resgate dos Instrumentos de   Tecla de Outrora &#151; RITO (2024&#151;2028), promovendo a manuten&ccedil;&atilde;o e revitaliza&ccedil;&atilde;o de   &oacute;rg&atilde;os, cravos e harm&ocirc;nios, e dirige o n&uacute;cleo   de Luteria da Oficina de M&uacute;sica de Curitiba (desde 2023), promovendo a   integra&ccedil;&atilde;o entre instrumentistas e luthiers. Al&eacute;m de suas atividades   acad&ecirc;micas, pesquisa e extens&atilde;o, toca violino como pr&aacute;tica cultural e de lazer.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A   luteria &eacute; uma atividade situada na conflu&ecirc;ncia entre ci&ecirc;ncia, t&eacute;cnica e arte,   dedicada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, ao reparo e &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de instrumentos musicais.   Historicamente associada aos instrumentos de cordas e caracterizada pelo   trabalho minucioso e predominantemente manual, sua origem remete &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o   europeia ligada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do violino. No contexto brasileiro, entretanto, o   termo foi ampliado, passando a designar pr&aacute;ticas construtivas relativas a   diferentes fam&iacute;lias de instrumentos. Nesse campo, a escolha dos materiais, em   especial da madeira, assume papel central, n&atilde;o apenas por suas propriedades   f&iacute;sicas e ac&uacute;sticas, mas tamb&eacute;m pelas implica&ccedil;ões hist&oacute;ricas, ambientais e   econ&ocirc;micas decorrentes de seu uso. Certas esp&eacute;cies consolidaram&#45;se como   refer&ecirc;ncias ao longo do desenvolvimento dessas pr&aacute;ticas construtivas; contudo,   a redu&ccedil;&atilde;o de sua disponibilidade e o avan&ccedil;o das restri&ccedil;ões legais impõem   desafios &agrave; continuidade do of&iacute;cio. O instrumento musical, compreendido como   ferramenta de trabalho do m&uacute;sico, carrega marcas est&eacute;ticas, t&eacute;cnicas e   conceituais de seu construtor, configurando&#45;se como objeto art&iacute;stico e   testemunho hist&oacute;rico da &eacute;poca em que foi constru&iacute;do. Observa&#45;se a perman&ecirc;ncia   de modelos construtivos consagrados, continuamente reinterpretados por meio de   processos de adapta&ccedil;&atilde;o, experimenta&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o autoral. No Brasil, a luteria   desenvolveu&#45;se a partir de influ&ecirc;ncias europeias e foi profundamente moldada,   ao longo do s&eacute;culo XX, por processos migrat&oacute;rios, pela transmiss&atilde;o direta do   saber artesanal e por tentativas de institucionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino. Nesse   contexto, a consolida&ccedil;&atilde;o do ensino superior em luteria integra pr&aacute;tica t&eacute;cnica,   reflex&atilde;o acad&ecirc;mica e dimens&atilde;o cultural, afirmando a luteria como campo   privilegiado de articula&ccedil;&atilde;o entre conhecimento cient&iacute;fico, pr&aacute;tica artesanal e   patrim&ocirc;nio cultural.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras&#45;chave:</b> Luteria; constru&ccedil;&atilde;o de   instrumentos; saber artesanal; ensino superior.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para situar o   leitor, &eacute; preciso inicialmente definir do que trata essa atividade   relativamente conhecida dos instrumentistas, por&eacute;m, um pouco menos conhecida do   p&uacute;blico em geral. A luteria designa a atividade de construir, reparar e   realizar manuten&ccedil;&atilde;o em instrumentos musicais primariamente de cordas.<sup>&#91;1&#93;</sup> Sua origem &eacute; a palavra francesa <i>luth</i> que significa ala&uacute;de, um   instrumento de cordas dedilhadas e corpo em formato de pera. Historicamente   designou principalmente os construtores de violino, por&eacute;m, hoje no Brasil   luteria &eacute; utilizada tamb&eacute;m para outros instrumentos, como os el&eacute;tricos, os de   sopro, algumas percussões e, alguns instrumentos de teclas como o caso do   cravo. A l&iacute;ngua portuguesa no Brasil n&atilde;o possui em seu vocabul&aacute;rio palavra   pr&oacute;pria para denominar o profissional que atua   na &aacute;rea, sendo comum o uso dos termos franceses <i>luthier</i> e<i> luthi&egrave;re</i>.   Alguns autores, como Roque, incluem na defini&ccedil;&atilde;o de luteria o destaque de que &eacute;   a atividade de construir, reparar e realizar manuten&ccedil;&atilde;o em instrumentos   musicais de maneira minuciosa e predominantemente manual,<sup>&#91;2&#93;</sup> para   dar o devido contraste com a produ&ccedil;&atilde;o seriada de instrumentos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A luteria   j&aacute; foi concebida como instrumento de inclus&atilde;o social, valoriza&ccedil;&atilde;o do saber   manual e fortalecimento de identidades culturais locais."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De maneira   geral, o instrumento de luthier ser&aacute; aquele onde a&ccedil;ões como a escolha da   madeira, dimensões, acess&oacute;rios e est&eacute;tica podem ser pensadas tanto pelo   construtor quanto em conjunto com o instrumentista que o utilizar&aacute; para fazer   m&uacute;sica. Instrumentos de f&aacute;brica, em geral, seguem um padr&atilde;o j&aacute; existente e   podem n&atilde;o ser constru&iacute;dos com tanta min&uacute;cia na sele&ccedil;&atilde;o de materiais e outros   detalhes, havendo, entretanto, algumas fam&iacute;lias de instrumentos onde a produ&ccedil;&atilde;o   seriada atinge o n&iacute;vel de uso profissional. A produ&ccedil;&atilde;o serial e a luteria podem   inicialmente parecer antag&ocirc;nicas; por&eacute;m, de certa forma caminham juntas, uma   vez que a produ&ccedil;&atilde;o seriada permite o acesso a instrumentos musicais a valores   mais acess&iacute;veis e, os luthiers podem realizar ajustes em tais instrumentos para   otimiz&aacute;&#45;los para o instrumentista, tendo a&iacute; um campo de trabalho. Ao leitor que   pretende comprar um instrumento musical, habitualmente, este vem montado, o que   &eacute; diferente de estar devidamente regulado. Sugere&#45;se verificar no local de compra   se o servi&ccedil;o de ajustes &eacute; oferecido ou, procurar um luthier recomendado por   profissionais daquele instrumento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A madeira,   material org&acirc;nico obtido do corte de &aacute;rvores, em sua variedade de cores,   texturas, densidades e resist&ecirc;ncia tem sido utilizada h&aacute; s&eacute;culos na constru&ccedil;&atilde;o   de v&aacute;rios instrumentos musicais e, ainda &eacute; um componente b&aacute;sico e estrutural   dos mesmos.<sup>&#91;1&#93;</sup> Durante o desenvolvimento hist&oacute;rico dos instrumentos   musicais, certas madeiras, em fun&ccedil;&atilde;o das suas propriedades, estabeleceram&#45;se   como padrões dentro da constru&ccedil;&atilde;o de certos instrumentos. Por&eacute;m, com o passar   do tempo, a diminui&ccedil;&atilde;o de sua abund&acirc;ncia e, legisla&ccedil;&atilde;o mais restrita ao seu   uso, tem colocado em xeque a sua utiliza&ccedil;&atilde;o. Temos como caso relevante, o   pau&#45;brasil (<i>Paubrasilia echinata</i>) (<a href="#fig01">Figura 1</a>), cuja madeira &eacute; utilizada   na confec&ccedil;&atilde;o de arcos para instrumentos da fam&iacute;lia do violino.<sup>&#91;3&#93;</sup> Atualmente existe uma discuss&atilde;o a respeito de aumentar as restri&ccedil;ões &agrave; sua   circula&ccedil;&atilde;o, o que afetaria tanto a constru&ccedil;&atilde;o de novos arcos quanto a   circula&ccedil;&atilde;o de arcos j&aacute; existentes que n&atilde;o possuem documenta&ccedil;&atilde;o de origem   certificada. O abeto de sitka ou espruce de sitka (<i>Picea sitchensis</i>) utilizado na fabrica&ccedil;&atilde;o do tampo harm&ocirc;nio ou t&aacute;bua harm&ocirc;nica do piano, parte   que irradia como som a vibra&ccedil;&atilde;o das cordas, tamb&eacute;m est&aacute; sujeito a restri&ccedil;ões em   seu corte.<sup>&#91;4&#93;</sup> Isto causa preocupa&ccedil;ões que v&atilde;o desde a busca por uma   madeira substituta ao aumento do custo de produ&ccedil;&atilde;o do instrumento. Conv&eacute;m   esclarecer que n&atilde;o basta ser tal ou qual madeira para essa utiliza&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de   detalhes de orienta&ccedil;&atilde;o do seu corte, sempre se faz necess&aacute;ria uma sele&ccedil;&atilde;o   refinada para encontrar os troncos, t&aacute;buas ou varetas de maior potencial para a   utiliza&ccedil;&atilde;o nas partes dos instrumentos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a02fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Para o   m&uacute;sico, o instrumento musical &eacute; uma ferramenta de trabalho, a qual pode   carregar em si expressões art&iacute;sticas do seu construtor. A maioria dos   instrumentos da fam&iacute;lia do violino que encontramos s&atilde;o c&oacute;pias de instrumentos italianos dos s&eacute;cs.   XVII e XVIII, no sentido de que   majoritariamente instrumentos de f&aacute;brica seguem essa est&eacute;tica e, parte dos   luthiers tamb&eacute;m as utiliza como refer&ecirc;ncia. Cabe ressaltar que existem luthiers   que no aperfei&ccedil;oamento do seu trabalho desenvolveram modelos pr&oacute;prios de instrumentos.   Pinturas, ornamentos e detalhes desde muito fizeram os instrumentos musicais   obras de arte que v&atilde;o al&eacute;m da ferramenta para fazer m&uacute;sica, mostrando o elevado   n&iacute;vel art&iacute;stico de alguns luthiers,<sup>&#91;5&#93;</sup> como o detalhe de um violino   na <a href="#fig02">Figura 2</a>.</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a02fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"No   recorte brasileiro, a universidade p&uacute;blica afirma&#45;se como eixo central para a   transforma&ccedil;&atilde;o e a democratiza&ccedil;&atilde;o da luteria, ao oferecer um espa&ccedil;o   institucional est&aacute;vel para a forma&ccedil;&atilde;o, a pesquisa e a pr&aacute;tica artesanal."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Luteria   brasileira</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A forma&ccedil;&atilde;o da   luteria brasileira ainda carece de mais estudos,   por&eacute;m, alguns aspectos interessantes podem ser apresentados de forma breve. A   influ&ecirc;ncia portuguesa surge devido a coloniza&ccedil;&atilde;o. A vinda da fam&iacute;lia real em   1808 traz consigo um conjunto de instrumentos da fam&iacute;lia das violas, cordofones   dedilhados de cordas duplas, que posteriormente deram origem a um instrumento   com caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, a viola brasileira ou viola caipira <sup>&#91;7&#93;</sup> como &eacute; mais conhecida em alguns meios. Coube tamb&eacute;m aos portugueses a   influ&ecirc;ncias inicial na luteria de violinos, como &eacute; o caso de Pedro Jos&eacute; Gomes   Braga (1814? &#45;1863/64) e de Jo&atilde;o dos Santos Couceiro (1848&#45;1905), ambos com   relevante atua&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de instrumentos musicais.<sup>&#91;8&#93;</sup> Couceiro teve um destino infeliz em fun&ccedil;&atilde;o da reurbaniza&ccedil;&atilde;o da cidade do Rio de   Janeiro no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, tendo cometido suic&iacute;dio ao ter sua loja   expropriada pela prefeitura.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A luteria   configura&#45;se como um campo din&acirc;mico de interse&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia, t&eacute;cnica e   arte, no qual a tradi&ccedil;&atilde;o artesanal convive com processos industriais e pr&aacute;ticas   acad&ecirc;micas."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O s&eacute;culo XX   acaba moldando a luteria brasileira como a conhecemos, a influ&ecirc;ncia portuguesa   &eacute; suplantada pela imigra&ccedil;&atilde;o italiana, na qual houve migra&ccedil;&atilde;o de profissionais   com &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o relacionadas &agrave;s atividades culturais, como os   construtores de instrumentos. O leitor pode puxar pela mem&oacute;ria ou fazer uma   consulta aos nomes das empresas mais populares na constru&ccedil;&atilde;o de violões, para   observar a origem italiana dos nomes. A presen&ccedil;a de luthiers formados na   tradi&ccedil;&atilde;o italiana, bem como de seus descendentes e aprendizes, permitiu a   adapta&ccedil;&atilde;o de modelos cl&aacute;ssicos &agrave;s condi&ccedil;ões locais, tanto no uso de materiais   quanto nas solu&ccedil;ões t&eacute;cnicas e est&eacute;ticas. Esse conhecimento foi transmitido   principalmente pela rela&ccedil;&atilde;o direta entre mestres e disc&iacute;pulos, muitas vezes de   forma oral e pouco documentada, o que explica as lacunas ainda existentes nessa   hist&oacute;ria. Ainda assim, os instrumentos remanescentes, os registros esparsos e   as iniciativas de ensino demonstram a import&acirc;ncia desses artes&atilde;os na forma&ccedil;&atilde;o   de uma tradi&ccedil;&atilde;o brasileira de luteria, marcada pela continuidade do saber   manual, pela experimenta&ccedil;&atilde;o e pela inser&ccedil;&atilde;o progressiva do Brasil no panorama   internacional da constru&ccedil;&atilde;o de violinos.<sup>&#91;9&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Destaca&#45;se   Luiz Bellini, que nasceu em 1935 no interior de S&atilde;o Paulo e, ap&oacute;s forma&ccedil;&atilde;o   inicial como entalhador de madeira no Brasil, tendo aprendido luteria com &iacute;talo&#45;brasileiro Guido   Pascoli, transferiu&#45;se para Nova Iorque em 1960 para aprofundar sua pr&aacute;tica com   Simone Fernando Sacconi, passando pelos ateli&ecirc;s de Rembert Wurlitzer e Jacques   Fran&ccedil;ais antes de abrir seu pr&oacute;prio ateli&ecirc;. Atuando fora do Brasil, tornou&#45;se   reconhecido internacionalmente por c&oacute;pias rigorosas de instrumentos cl&aacute;ssicos   de Stradivari e Guarneri, com destaque para a c&oacute;pia do violino "Lord Wilton",   utilizada em concertos por Ruggiero Ricci e posteriormente incorporada ao   acervo do Smithsonian Institution. Sua reputa&ccedil;&atilde;o consolidou&#45;se tamb&eacute;m pelo   atendimento a grandes nomes do violino do s&eacute;culo XX, entre eles Yehudi Menuhin,   Gidon Kremer e Ruggiero Ricci, situando Bellini como um dos mais relevantes   luthiers brasileiros de proje&ccedil;&atilde;o internacional.<sup>&#91;10&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O caso da   luteria da guitarra el&eacute;trica no Brasil ilustra a transi&ccedil;&atilde;o entre tradi&ccedil;&atilde;o   artesanal e l&oacute;gica industrial. Ao longo do s&eacute;culo XX, o instrumento foi   introduzido sob influ&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas dedilhadas, como viol&atilde;o e bandolim, e do   contato com a cultura estadunidense e o rock'n'roll. A familiaridade com   t&eacute;cnicas locais facilitou a adapta&ccedil;&atilde;o a instrumentos amplificados, tendo como   marco inicial a cria&ccedil;&atilde;o do "pau el&eacute;trico", em 1942, por Adolfo Nascimento   (Dod&ocirc;) e Osmar Mac&ecirc;do, precursor do trio el&eacute;trico de Salvador. A ind&uacute;stria   nacional de guitarras, inspirada em modelos estadunidenses, consolidou&#45;se na   d&eacute;cada de 1950, motivada pela crescente demanda e restri&ccedil;ões &agrave; importa&ccedil;&atilde;o. A   produ&ccedil;&atilde;o desenvolveu&#45;se em duas frentes: empresas j&aacute; consolidadas, que ajustaram   processos industriais ao contexto local, e novas oficinas artesanais, criadas   especificamente para construir guitarras, combinando saberes de marcenaria,   eletr&ocirc;nica e luteria. As limita&ccedil;ões do mercado interno estimularam criatividade   e adapta&ccedil;&atilde;o, com processos gradualmente mecanizados, mas mantendo elementos   manuais essenciais. Assim, a guitarra el&eacute;trica no Brasil emergiu do equil&iacute;brio   entre refer&ecirc;ncias externas e solu&ccedil;ões inventivas locais.<sup>&#91;11&#93;</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Institucionaliza&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao longo do   s&eacute;culo XX, a luteria no Brasil passou por tentativas recorrentes de   institucionaliza&ccedil;&atilde;o e de ensino sistem&aacute;tico, geralmente vinculadas a   conservat&oacute;rios musicais, projetos culturais e iniciativas estatais voltadas &agrave;   forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e art&iacute;stica. Essas experi&ecirc;ncias buscaram n&atilde;o apenas qualificar   a constru&ccedil;&atilde;o e a manuten&ccedil;&atilde;o de instrumentos, mas tamb&eacute;m ampliar o acesso ao   of&iacute;cio, integrando jovens de diferentes origens sociais a uma pr&aacute;tica artesanal   especializada, capaz de articular trabalho, cultura e educa&ccedil;&atilde;o. Em diversos   contextos, a luteria j&aacute; foi concebida como instrumento de inclus&atilde;o social,   valoriza&ccedil;&atilde;o do saber manual e fortalecimento de identidades culturais locais,   sobretudo quando associada a pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de cultura e educa&ccedil;&atilde;o. Contudo,   grande parte dessas iniciativas foi marcada pela descontinuidade, decorrente de   mudan&ccedil;as administrativas, instabilidade de financiamento e aus&ecirc;ncia de   reconhecimento institucional duradouro.<sup>&#91;12&#93;</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Como   contraponto a esse cen&aacute;rio, destaca&#45;se a cria&ccedil;&atilde;o do curso superior de Luteria   da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR), institucionalizado no &acirc;mbito   universit&aacute;rio, com estrutura acad&ecirc;mica pr&oacute;pria e perman&ecirc;ncia assegurada pela   universidade, independentemente de gestões tempor&aacute;rias ou de verbas externas.   No recorte brasileiro, a universidade p&uacute;blica afirma&#45;se como eixo central para   a transforma&ccedil;&atilde;o e a democratiza&ccedil;&atilde;o da luteria, ao oferecer um espa&ccedil;o   institucional est&aacute;vel para a forma&ccedil;&atilde;o, a pesquisa e a pr&aacute;tica artesanal.   Diferentemente dos modelos tradicionais baseados na transmiss&atilde;o privada e   hier&aacute;rquica do saber, o curso universit&aacute;rio de luteria possibilita acesso   ampliado &agrave; forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, incorpora debates contempor&acirc;neos sobre g&ecirc;nero,   sustentabilidade e materialidade, e promove abordagens coletivas e cr&iacute;ticas da   constru&ccedil;&atilde;o de instrumentos, consolidando a luteria como campo de produ&ccedil;&atilde;o de   conhecimento, inclus&atilde;o social e inova&ccedil;&atilde;o cultural.<sup>&#91;13&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m da forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e cr&iacute;tica de luthiers, iniciativas   universit&aacute;rias e de extens&atilde;o t&ecirc;m se voltado para setores tradicionalmente   negligenciados, como o restauro e a manuten&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os de tubos (<a href="#fig03">Figura 3</a>) e   de outros instrumentos hist&oacute;ricos, ampliando o alcance social, educativo e   cultural das pr&aacute;ticas artesanais ligadas &agrave; m&uacute;sica. No contexto brasileiro,   essas a&ccedil;ões se materializam em projetos de extens&atilde;o vinculados ao curso de   Luteria da Universidade Federal do Paran&aacute;, que articulam ensino, pesquisa e   atua&ccedil;&atilde;o direta sobre o patrim&ocirc;nio musical. Exemplo emblem&aacute;tico dessa dimens&atilde;o   s&atilde;o os document&aacute;rios <i>Z mi&#322;o&#347;ci do organ&oacute;w</i> ("Por amor aos   &oacute;rg&atilde;os"), exibido pela TVP Polonia,<sup>&#91;14&#93;</sup> e os v&iacute;deos disponibilizados   no Globoplay, que evidenciam o trabalho de restaura&ccedil;&atilde;o, a import&acirc;ncia simb&oacute;lica   e patrimonial desses instrumentos e a rela&ccedil;&atilde;o entre saber t&eacute;cnico   especializado, mem&oacute;ria cultural e envolvimento comunit&aacute;rio.<sup>&#91;15, 16&#93;</sup> Essas produ&ccedil;ões ilustram a necessidade de forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica qualificada e de   pol&iacute;ticas institucionais est&aacute;veis que integrem tanto a constru&ccedil;&atilde;o quanto a   preserva&ccedil;&atilde;o de instrumentos relevantes para a identidade cultural, refor&ccedil;ando o   papel dos projetos de extens&atilde;o universit&aacute;ria no campo da luteria e do restauro   instrumental.</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a02fig03.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Em suma, a   luteria configura&#45;se como um campo din&acirc;mico de interse&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia,   t&eacute;cnica e arte, no qual a tradi&ccedil;&atilde;o artesanal convive com processos industriais   e pr&aacute;ticas acad&ecirc;micas. A constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de instrumentos musicais n&atilde;o   se restringem &agrave; funcionalidade, mas incorporam dimensões est&eacute;ticas, hist&oacute;ricas   e culturais, refletindo escolhas materiais, t&eacute;cnicas e criativas do construtor,   do local e da &eacute;poca em quest&atilde;o. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino superior em   luteria, aliada a projetos de pesquisa e extens&atilde;o, contribui para a preserva&ccedil;&atilde;o   do patrim&ocirc;nio instrumental brasileiro, para a democratiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento e   para a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais capazes de articular inova&ccedil;&atilde;o, rigor t&eacute;cnico e   sensibilidade art&iacute;stica. Assim, a luteria permanece como um espa&ccedil;o de mem&oacute;ria   cultural, experimenta&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, refor&ccedil;ando seu papel   central na valoriza&ccedil;&atilde;o do fazer m&uacute;sica e da cultura material, contribuindo para   o progresso da arte e da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;1&#93;   PEREIRA, Rodrigo Mateus. Luteria: colet&acirc;nea de termos t&eacute;cnicos. Curitiba: Ed.   UFPR, 2019. 179 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143171&pid=S0009-6725202600010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;2&#93;   ROQUE, Carlos. Luthiers: artes&atilde;os musicais brasileiros. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&atilde;o do   Autor, 2003. 104 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143173&pid=S0009-6725202600010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;3&#93;   DOURADO, Henrique Autran. O arco dos instrumentos de corda. 2. ed. S&atilde;o Paulo:   Edicon, 1999. 133 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143175&pid=S0009-6725202600010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;4&#93;   ZOLTNER, Rudolf. Sitka spruce shortage: a silent threat to piano making. Piano   Industry Magazine, 25 ago. 2025. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://pianoindustryportal.com/sitka&#45;spruce&#45;shortage&#45;a&#45;silent&#45;threat&#45;to&#45;piano&#45;making/" target="_blank">https://pianoindustryportal.com/sitka&#45;spruce&#45;shortage&#45;a&#45;silent&#45;threat&#45;to&#45;piano&#45;making/</a>.   Acesso em: 1 jan. 2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143177&pid=S0009-6725202600010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;5&#93;   GLOGOWSKI, M&aacute;rcia. Aleijadinho, o violoncelo: a luteria de Dantas&#45;Barreto. S&atilde;o   Paulo: Ala&uacute;de, 2010. 88 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143179&pid=S0009-6725202600010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;6&#93;   CORR&Ecirc;A, Roberto Nunes. Viola caipira: das pr&aacute;ticas populares &agrave; escritura da   arte (o avivamento no Brasil). S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&atilde;o do Autor, 2018. 206 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143181&pid=S0009-6725202600010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;7&#93;   VILELA, Ivan. Cantando a pr&oacute;pria hist&oacute;ria: m&uacute;sica caipira e enraizamento. S&atilde;o   Paulo: Edusp, 2015. 328 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143183&pid=S0009-6725202600010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;8&#93;   DANTAS&#45;BARRETO, Saulo. Violinos imperiais: luteria brasileira no s&eacute;culo XIX.   2020. 1 recurso online (143 p.). Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em M&uacute;sica) &#151;   Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Artes, Campinas, 2020.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://hdl.handle.net/20.500.12733/1640821" target="_blank">https://hdl.handle.net/20.500.12733/1640821</a>. Acesso em: 1 jan.   2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143185&pid=S0009-6725202600010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;9&#93;   SCHMITZ, Marcos; GUIMAR&Atilde;ES, Ivan. Luteria &iacute;talo&#45;brasileira: tra&ccedil;os do passado.   Caf&eacute; com Luteria, Curitiba, n. 7, p. 5–10, set. 2021.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143187&pid=S0009-6725202600010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;10&#93;   PRICE, Jason. The legacy of New York violin maker Luiz Bellini. Tarisio – Cozio   Archive, 15 mai. 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://tarisio.com/cozio&#45;archive/cozio&#45;carteggio/the&#45;legacy&#45;of&#45;new&#45;york&#45;violin&#45;maker&#45;luiz&#45;bellini/" target="_blank">https://tarisio.com/cozio&#45;archive/cozio&#45;carteggio/the&#45;legacy&#45;of&#45;new&#45;york&#45;violin&#45;maker&#45;luiz&#45;bellini/</a>.   Acesso em: 2 jan. 2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143189&pid=S0009-6725202600010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;11&#93;   MAYER, Matheus Henrique Stolarsky; PEREIRA, Rodrigo Mateus; PINTO, Geraldo   Augusto. Uma perspectiva hist&oacute;rica sobre a produ&ccedil;&atilde;o artesanal de guitarras.   Arcos Design, Rio de Janeiro, v. 18, n. 2, p. 421&#45;442, jul. 2025.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.e&#45;publicacoes.uerj.br/arcosdesign/article/view/88503" target="_blank">https://www.e&#45;publicacoes.uerj.br/arcosdesign/article/view/88503</a>. Acesso em: 3   jan. 2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143191&pid=S0009-6725202600010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;12&#93;   DE LA CORTE, Rubens. Empowering Change: Innovative Public Education Models for   Inclusive, Equitable, and Sustainable Lutherie Practices in Argentina and   Brazil. CUNY Graduate Center. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cuny.manifoldapp.org/read/empowering&#45;change&#45;innovative&#45;public&#45;education&#45;models&#45;for&#45;inclusive&#45;equitable&#45;and&#45;sustainable&#45;lutherie&#45;practices&#45;in&#45;argentina&#45;and&#45;brazil&#45;by&#45;rubens&#45;de&#45;la&#45;corte&#45;cuny&#45;graduate&#45;center/" target="_blank">https://cuny.manifoldapp.org/read/empowering&#45;change&#45;innovative&#45;public&#45;education&#45;models&#45;for&#45;inclusive&#45;equitable&#45;and&#45;sustainable&#45;lutherie&#45;practices&#45;in&#45;argentina&#45;and&#45;brazil&#45;by&#45;rubens&#45;de&#45;la&#45;corte&#45;cuny&#45;graduate&#45;center/</a>.   Acesso em: 2 jan. 2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143193&pid=S0009-6725202600010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;13&#93;   DE LA CORTE, Rubens. Defying the Fetish: Gender Transformations and Material   Culture Economy in the Lutherie Industry of Argentina and Brazil. Rising Voices   in Ethnomusicology, &#91;S. l.&#93;, 2023. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://risingvoicesjournal.com/211&#45;de&#45;la&#45;corte" target="_blank">https://risingvoicesjournal.com/211&#45;de&#45;la&#45;corte</a>. Acesso em: 2 jan. 2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143195&pid=S0009-6725202600010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;14&#93;   Z MI&#321;O&#346;CI DO ORGAN&Oacute;W. Ola Polonia, 2025. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://olapolonia.tvp.pl/87395705/z&#45;milosci&#45;do&#45;organow" target="_blank">https://olapolonia.tvp.pl/87395705/z&#45;milosci&#45;do&#45;organow</a>. Acesso em: 3 jan.   2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143197&pid=S0009-6725202600010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;15&#93;   &Oacute;RG&Atilde;O HIST&Oacute;RICO DA IGREJA SANTO ANT&Ocirc;NIO &Eacute; RESTAURADO. Meio&#45;dia Paran&aacute;, 2026.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://globoplay.globo.com/v/13983075/" target="_blank">https://globoplay.globo.com/v/13983075/</a>. Acesso em: 3 jan. 2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143199&pid=S0009-6725202600010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;16&#93;   PROJETO RESTAURA INSTRUMENTOS MUSICAIS DE MUSEU CLARETIANO. Meio&#45;dia Paran&aacute;,   2025. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://globoplay.globo.com/v/14142450/" target="_blank">https://globoplay.globo.com/v/14142450/</a>. Acesso em: 3 jan.   2026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143201&pid=S0009-6725202600010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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