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<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20260015</article-id>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317&#45;6660.20260015</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Bioac&uacute;stica   e a sa&uacute;de dos ecossistemas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Bianca Bosso<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Especialista em Jornalismo   Cient&iacute;fico e Bacharela em Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas (Unicamp). Iniciou sua trajet&oacute;ria   na Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica no ano de 2018. J&aacute; desenvolveu pautas para revistas   como Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, ComCi&ecirc;ncia e Ci&ecirc;ncia Hoje, al&eacute;m de sites como   Ag&ecirc;ncia Bori, Jornal da Unicamp, Portal Campinas Inovadora e blog Ci&ecirc;ncia na Rua.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em meio &agrave;s mais diversas paisagens, vozes, passos e zumbidos, sensores e   microfones de alta precis&atilde;o captam uma sinfonia natural que escapa mesmo aos   olhares mais atentos. Essa trilha sonora &eacute; a mat&eacute;ria&#45;prima da bioac&uacute;stica – um   campo de estudos que transforma sons produzidos por seres vivos em dados   cient&iacute;ficos capazes de revelar a diversidade de esp&eacute;cies, suas intera&ccedil;ões e at&eacute;   entregar pistas sobre a sa&uacute;de dos ecossistemas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Lu&iacute;s Felipe   Toledo, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e   curador da Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV),   uma das cinco maiores fonotecas do mundo e a maior da Am&eacute;rica Latina, afirma   que todos os animais produzem sons: "desde aranhas, escorpiões e insetos, como   as formigas, at&eacute; grandes mam&iacute;feros, como macacos e baleias". Esses sinais t&ecirc;m   papel central na comunica&ccedil;&atilde;o: permitem identificar a esp&eacute;cie e o sexo, defender   territ&oacute;rio, coordenar intera&ccedil;ões sociais em grupo e at&eacute; sinalizar condi&ccedil;ões   fisiol&oacute;gicas ou a presen&ccedil;a de doen&ccedil;as. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a15fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo   Simone Dena, tamb&eacute;m pesquisadora na Unicamp e na FNJV, os animais n&atilde;o s&atilde;o os   &uacute;nicos organismos que participam da composi&ccedil;&atilde;o. "As plantas produzem sons   ultrass&ocirc;nicos que nossos ouvidos n&atilde;o conseguem captar. Quando est&atilde;o muito   ressecadas, sofrem danos mec&acirc;nicos ou s&atilde;o atacadas por insetos, por exemplo,   emitem ru&iacute;dos que podem ser registrados e interpretados por sensores   espec&iacute;ficos", descreve. Ela acrescenta que estudos recentes tamb&eacute;m v&ecirc;m   apontando para a produ&ccedil;&atilde;o de sons por fungos. "H&aacute; pesquisas mostrando que   cogumelos emitem sinais el&eacute;tricos que podem ser traduzidos em sons", destaca.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao direcionar microfones para determinados indiv&iacute;duos ou para ambientes   inteiros, pesquisadores conseguem investigar desde comportamentos particulares   at&eacute; padrões coletivos. "Duas esp&eacute;cies podem ser muito semelhantes do ponto de   vista morfol&oacute;gico, mas produzir sinais ac&uacute;sticos completamente distintos",   explica Lu&iacute;s Felipe Toledo. "&Eacute; poss&iacute;vel analisar como um animal atrai   parceiros, como a f&ecirc;mea responde aos chamados do macho, como essas vocaliza&ccedil;ões   se modificam ao longo do tempo ou at&eacute; diferenciar esp&eacute;cies visualmente   parecidas", acrescenta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise   integrada das chamadas paisagens sonoras amplia essa perspectiva ao permitir a   compreens&atilde;o do funcionamento do ecossistema como um todo. "Em uma lagoa, por   exemplo, &eacute; comum encontrar v&aacute;rias esp&eacute;cies de sapos vocalizando   simultaneamente, al&eacute;m de cigarras, aves e outros organismos", relata o   pesquisador. Esse tipo de abordagem possibilita avaliar, ao longo do tempo, os   efeitos de pressões antr&oacute;picas, como polui&ccedil;&atilde;o sonora, urbaniza&ccedil;&atilde;o e   fragmenta&ccedil;&atilde;o florestal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Sons   podem indicar sa&uacute;de &#45; ou colapso &#45; de ecossistemas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando o som   de motosserras, correntes e caminhões se mescla com a paisagem sonora natural,   as altera&ccedil;ões na sinfonia podem se estender no tempo e no espa&ccedil;o. "A introdu&ccedil;&atilde;o   desses ru&iacute;dos e os desequil&iacute;brios causados por essas atividades podem causar   mudan&ccedil;as no comportamento das esp&eacute;cies e acarretar uma redu&ccedil;&atilde;o na diversidade",   alerta Simone Dena. Para Tom&aacute;s Rostirolla, presidente da Sociedade   Brasileira de Bioac&uacute;stica (SBBa), a diversidade sonora &eacute; um   indicador&#45;chave da sa&uacute;de ambiental: "quando essa diversidade se quebra, &eacute;   poss&iacute;vel inferir que o ambiente est&aacute; comprometido".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outros   processos de degrada&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m deixam marcas aud&iacute;veis. Inc&ecirc;ndios florestais e   queimadas produzem assinaturas ac&uacute;sticas espec&iacute;ficas que permitem sua detec&ccedil;&atilde;o   e monitoramento. Carolline Zatta Fieker, integrante do grupo de pesquisa Computational Bioacoustics Research Unit (CO.BRA),   da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), explica que   estalos e bramidos caracter&iacute;sticos das chamas consumindo a biomassa podem,   inclusive, gerar alertas quando integrados a sistemas autom&aacute;ticos. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a15fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Em casos de desmatamento ou queimadas, &eacute; comum observar um per&iacute;odo de silenciamento."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ap&oacute;s   perturba&ccedil;ões ambientais como essas, uma das consequ&ecirc;ncias mais evidentes &eacute; o   sil&ecirc;ncio. "Em casos de desmatamento ou queimadas, &eacute; comum observar um per&iacute;odo   de silenciamento", relata Simone Dena. Com o retorno gradual das esp&eacute;cies, os   sons reaparecem, mas revelam um cen&aacute;rio ac&uacute;stico diferente, resultado de   processos de fuga ou interrup&ccedil;&atilde;o de ciclos reprodutivos, por exemplo. "Os   indiv&iacute;duos precisam de um per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o ao novo contexto", relata.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Bioac&uacute;stica   como aliada para a conserva&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A bioac&uacute;stica   tem se consolidado como uma ferramenta estrat&eacute;gica para a conserva&ccedil;&atilde;o de   esp&eacute;cies e ecossistemas. "Uma das coisas mais importantes para elaborar planos   de conserva&ccedil;&atilde;o &eacute; saber quais esp&eacute;cies est&atilde;o presentes, como interagem e de que   forma ocupam o espa&ccedil;o", explica Simone Dena.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em ambientes   como o cerrado, registros ac&uacute;sticos permitem identificar per&iacute;odos espec&iacute;ficos   de reprodu&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o essencial para orientar o manejo do territ&oacute;rio.   "Conhecer at&eacute; onde as esp&eacute;cies v&atilde;o e quando est&atilde;o ativas ajuda a definir &aacute;reas   priorit&aacute;rias de conserva&ccedil;&atilde;o e a evitar interven&ccedil;ões inadequadas, como queimadas   em fases sens&iacute;veis", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados   ac&uacute;sticos tamb&eacute;m podem ser empregados na detec&ccedil;&atilde;o de atividades ilegais em   &aacute;reas protegidas, como ca&ccedil;a, extra&ccedil;&atilde;o de madeira ou presen&ccedil;a humana n&atilde;o   autorizada. Carolline Zatta Fieker destaca que trabalhos conduzidos pelo grupo   CO.BRA demonstram que sensores ac&uacute;sticos s&atilde;o capazes de identificar assinaturas   sonoras associadas at&eacute; mesmo &agrave; presen&ccedil;a de gado. "Esses registros funcionam   como uma ferramenta adicional de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o ambiental em &aacute;reas onde   a presen&ccedil;a de gado &eacute; proibida ou restrita", pontua.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Lu&iacute;s   Felipe Toledo, o monitoramento ac&uacute;stico da fauna j&aacute; vem sendo incorporado a   processos de licenciamento ambiental e avalia&ccedil;&atilde;o de impactos. "Monitoramentos   de fauna hoje, para empreendimentos e licenciamento ambiental, podem ser feitos   com base no estudo desses sons", afirma.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ferramentas,   tecnologias e o uso da Intelig&ecirc;ncia Artificial</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m dos   gravadores de m&atilde;o, o monitoramento ac&uacute;stico passivo &eacute; uma das principais   ferramentas da bioac&uacute;stica atual. Nesse m&eacute;todo, gravadores aut&ocirc;nomos s&atilde;o   instalados em campo para registrar sons continuamente por dias ou semanas,   permitindo amostragens padronizadas e de longo prazo, com menor interfer&ecirc;ncia   humana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A   identifica&ccedil;&atilde;o dos sons depende de acervos especializados, como as fonotecas,   onde os registros s&atilde;o catalogados e comparados. "Essas cole&ccedil;ões s&atilde;o refer&ecirc;ncias   cient&iacute;ficas que apoiam estudos de taxonomia, varia&ccedil;ões de vocaliza&ccedil;&atilde;o e   evolu&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies", explica Simone Dena. Em algumas cole&ccedil;ões, como a   Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV), os registros sonoros podem ser   acompanhados por v&iacute;deos e imagens, o que amplia o potencial de an&aacute;lise e   contextualiza&ccedil;&atilde;o dos dados. Segundo a pesquisadora, os dados mantidos nos   acervos podem subsidiar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, contribuir para a avalia&ccedil;&atilde;o de   impactos ambientais, orientar estrat&eacute;gias de conserva&ccedil;&atilde;o e servir de base para   o treinamento de ferramentas de IA, cada vez mais utilizadas na an&aacute;lise   automatizada de sons da natureza.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Monitoramentos   de fauna hoje, para empreendimentos e licenciamento ambiental, podem ser feitos com base no estudo desses sons."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Ver&ocirc;nica   Sales, tesoureira da SBBa, pontua que as ferramentas de IA, quando alimentadas   por conjuntos extensos e bem estruturados de dados ac&uacute;sticos, podem impulsionar   avan&ccedil;os significativos nesse campo. "Entre os usos, est&atilde;o a identifica&ccedil;&atilde;o de   esp&eacute;cies, seja focando em esp&eacute;cies end&ecirc;micas ou chaves para monitoramento do   ambiente ou tentando identificar esp&eacute;cies invasivas", diz. Entre as vantagens,   est&atilde;o a possibilidade de an&aacute;lises mais r&aacute;pidas, em larga escala, e a   identifica&ccedil;&atilde;o de padrões ac&uacute;sticos dif&iacute;ceis de perceber manualmente. A   pesquisadora alerta, no entanto, para a necessidade de cautela. "O uso precisa   ser devidamente estudado para garantir uma aplica&ccedil;&atilde;o que seja, de fato,   eficaz", defende.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Fonotecas:   um recorte no tempo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As fonotecas funcionam como c&aacute;psulas do tempo para os ecossistemas e para   as esp&eacute;cies. "O som captura um recorte do tempo que pode ser armazenado, em   teoria, para sempre", pontua Simone Dena. Ela argumenta que, ao ouvir hoje uma   grava&ccedil;&atilde;o feita na d&eacute;cada de 1960, por exemplo, &eacute; poss&iacute;vel "se transportar para   aquele per&iacute;odo" e compreender como era exatamente aquela esp&eacute;cie, como cantava   e como interagia com outras esp&eacute;cies presentes no ambiente. "Isso representa um   tipo de registro &uacute;nico da diversidade, o que torna essas cole&ccedil;ões extremamente   importantes", diz.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A   bioac&uacute;stica &eacute; capaz de gerar dados robustos para embasar decis&otilde;es e pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas. A incorpora&ccedil;&atilde;o dos resultados das pesquisas &eacute; vi&aacute;vel, tanto pela qualidade quanto pela aplicabilidade dos dados produzidos."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Lu&iacute;s Felipe   Toledo exemplifica o potencial desses acervos. "Quando temos a grava&ccedil;&atilde;o do som   de uma esp&eacute;cie em um determinado local, sabemos que aquele bicho existiu   naquele lugar e naquela data. Possu&iacute;mos registros sonoros de animais que j&aacute;   foram at&eacute; extintos", explica. Simone Dena complementa: "s&atilde;o vozes que nunca   mais ser&atilde;o ouvidas na natureza. Ainda assim, as grava&ccedil;ões permitem conhecer   como essas esp&eacute;cies soavam".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Desafios   para o presente e o futuro da bioac&uacute;stica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora grande   parte dos registros mais recentes j&aacute; chegue &agrave;s cole&ccedil;ões em formato digital, os   pesquisadores ainda precisam lidar com acervos hist&oacute;ricos armazenados em   diferentes m&iacute;dias, como fitas de rolo e CDs, que demandam processos cuidadosos   de digitaliza&ccedil;&atilde;o. Os dados ainda precisam ser catalogados, padronizados e   incorporados &agrave;s cole&ccedil;ões, al&eacute;m de exigirem um trabalho cont&iacute;nuo de curadoria,   atualiza&ccedil;&atilde;o, controle de acesso e integra&ccedil;&atilde;o com bases de dados de outras   institui&ccedil;ões. "Manter essas cole&ccedil;ões exige trabalho permanente, equipamentos   adequados, profissionais qualificados e financiamento cont&iacute;nuo", explica Simone   Dena.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ver&ocirc;nica   Sales concorda que, apesar do enorme potencial da bioac&uacute;stica, limita&ccedil;ões de   financiamento e infraestrutura configuram entraves relevantes para o avan&ccedil;o da   &aacute;rea. "As universidades p&uacute;blicas concentram a maior parte da produ&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica do pa&iacute;s, mas, recentemente, tivemos a not&iacute;cia de um corte enorme no   or&ccedil;amento da Capes e do CNPq &#91;as principais ag&ecirc;ncias brasileiras de fomento &agrave;   pesquisa&#93; previsto para 2026", alerta. Esse cen&aacute;rio compromete tanto a   manuten&ccedil;&atilde;o dos acervos quanto o desenvolvimento de novas pesquisas e   tecnologias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Ainda assim,   a pesquisadora defende que, nos pr&oacute;ximos anos, a bioac&uacute;stica tende a se tornar   cada vez mais estrat&eacute;gica na formula&ccedil;&atilde;o de planos e pol&iacute;ticas de conserva&ccedil;&atilde;o.   "A bioac&uacute;stica &eacute; capaz de gerar dados robustos para embasar decisões e   pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. A incorpora&ccedil;&atilde;o dos resultados das pesquisas &eacute; vi&aacute;vel, tanto   pela qualidade quanto pela aplicabilidade dos dados produzidos", afirma. No   entanto, ela pondera que a produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, por si s&oacute;, n&atilde;o garante   impacto direto na legisla&ccedil;&atilde;o. "Mesmo com dados s&oacute;lidos sobre impactos   ambientais, a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de conserva&ccedil;&atilde;o depende de interesses   econ&ocirc;micos, prioridades governamentais, valores culturais e da percep&ccedil;&atilde;o da   popula&ccedil;&atilde;o sobre as medidas propostas", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tom&aacute;s   Rostirolla tamb&eacute;m destaca a necessidade de mudan&ccedil;as estruturais e pol&iacute;ticas   para que o potencial da bioac&uacute;stica seja plenamente aproveitado. "Estamos   apenas no in&iacute;cio da revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica que a bioac&uacute;stica pode abra&ccedil;ar, mas,   sem uma mudan&ccedil;a de mentalidade sobre a import&acirc;ncia da conserva&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o ser&aacute;   poss&iacute;vel reverter o cen&aacute;rio que se desenha para o futuro da biodiversidade",   afirma. Para ele, n&atilde;o basta desenvolver tecnologias sofisticadas se n&atilde;o houver   compromisso com sua aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica. "N&atilde;o adianta criar o melhor gravador do   mundo se n&atilde;o houver cobran&ccedil;a para que ele seja usado no monitoramento   ambiental", diz. O pesquisador aponta caminhos claros, como o monitoramento em   tempo real, o registro de esp&eacute;cies raras, a amplia&ccedil;&atilde;o dos repert&oacute;rios ac&uacute;sticos   conhecidos, o uso da IA e o fortalecimento da educa&ccedil;&atilde;o ambiental. "Mas nada   disso ter&aacute; efeito se continuarmos assistindo ao desmonte das universidades   p&uacute;blicas, os principais centros de pesquisa no Brasil, e ao enfraquecimento das   leis que regem o licenciamento ambiental, o monitoramento e a gest&atilde;o de   unidades de conserva&ccedil;&atilde;o", conclui.</font></p>      ]]></body>

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