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<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20260018</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sons em transformação: Como os formatos de áudio moldaram a forma de produzir, ouvir e compartilhar música ao longo de mais de um século]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317&#45;6660.20260018</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Sons   em transforma&ccedil;&atilde;o: Como os formatos de &aacute;udio moldaram a forma de produzir,   ouvir e compartilhar m&uacute;sica ao longo de mais de um s&eacute;culo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Chris Bueno<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Jornalista, escritora, divulgadora de ci&ecirc;ncias, editora&#45;executiva da   revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, e m&atilde;e apaixonada por escrever (especialmente sobre ci&ecirc;ncia).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Nunca se   produziu tanta m&uacute;sica quanto hoje. Estimativas baseadas em relat&oacute;rios da Luminate (antiga Nielsen Music) indicam que   mais de 120 mil faixas finalizadas s&atilde;o enviadas diariamente para a plataforma   Spotify. Esse n&uacute;mero representa apenas o resultado de um processo muito mais   amplo: antes de chegar ao p&uacute;blico, cada m&uacute;sica passa por diversas etapas &#151;   demos, <i>pr&eacute;&#45;masters, stems</i> e revisões &#151; envolvendo artistas,   t&eacute;cnicos de som, produtores, gravadoras e equipes de divulga&ccedil;&atilde;o. No conjunto,   isso significa milhões de arquivos de &aacute;udio circulando diariamente entre   est&uacute;dios, computadores e plataformas digitais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A hist&oacute;ria   desses arquivos acompanha a pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica da m&uacute;sica gravada. Em   termos gerais, um formato de &aacute;udio &eacute; o meio utilizado para registrar e   reproduzir sons, seja em suportes f&iacute;sicos, seja em arquivos digitais. Ao longo   do tempo, diferentes tecnologias buscaram tornar o som mais port&aacute;til, acess&iacute;vel   e f&aacute;cil de distribuir.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A gente   n&atilde;o tem apenas um outro equipamento ou uma outra tecnologia. A gente tamb&eacute;m tem uma outra viv&ecirc;ncia."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Parte dessa   evolu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m esteve ligada aos interesses da ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica. "Boa   parte da hist&oacute;ria da ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica &eacute; esse controle sobre as m&uacute;sicas e,   ao mesmo tempo, controle sobre a forma pela qual essa m&uacute;sica &eacute; gravada,   prensada e distribu&iacute;da. Ent&atilde;o, dentro da ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica, depois de   d&eacute;cadas com os discos de 78 rpm, nos anos 40 &eacute; lan&ccedil;ado o LP – e nos anos 60 a   fita cassete, nos anos 80 o CD. Ent&atilde;o &eacute; a ind&uacute;stria que tem esse controle sobre   essa troca de formatos e vai sempre vender esses objetos que cont&ecirc;m as m&uacute;sicas   sobre as quais ela tamb&eacute;m tem a propriedade", afirma Eduardo Vicente, professor   da Escola de Comunica&ccedil;ões e Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo (ECA&#45;USP).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos &uacute;ltimos   150 anos, avan&ccedil;os cient&iacute;ficos transformaram radicalmente as formas de registrar   o som. No in&iacute;cio, o processo baseava&#45;se na f&iacute;sica mec&acirc;nica, gravando vibra&ccedil;ões   em sulcos de discos. "A primeira grande mudan&ccedil;a se deu com o lan&ccedil;amento   comercial de grava&ccedil;ões, por volta da entrada do s&eacute;culo XX. Escutar m&uacute;sica   passou a n&atilde;o mais depender de uma performance ao vivo no mesmo espa&ccedil;o do   ouvinte, e tornou&#45;se uma experi&ecirc;ncia essencialmente auditiva", explica Sergio   Freire, professor da Escola de M&uacute;sica da Universidade Federal de Minas Gerais   (UFMG) e coordenador do Laborat&oacute;rio de Performance com Sistemas Interativos   (LaPIS).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A eletr&ocirc;nica,   posteriormente, permitiu converter o som em sinais el&eacute;tricos e amplific&aacute;&#45;los.   As fitas magn&eacute;ticas ampliaram as possibilidades de edi&ccedil;&atilde;o e manipula&ccedil;&atilde;o,   enquanto a era digital passou a tratar o &aacute;udio como dados processados por   computadores. Nesse processo, n&atilde;o mudam apenas os equipamentos, mas tamb&eacute;m a   experi&ecirc;ncia de escuta. "A gente n&atilde;o tem apenas um outro equipamento ou uma   outra tecnologia. A gente tamb&eacute;m tem uma outra viv&ecirc;ncia", observa Jalver   Beth&ocirc;nico, professor da Escola de Belas Artes da Universidade   Federal de Minas Gerais (UFMG).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para Sergio   Freire, a converg&ecirc;ncia de tecnologias mec&acirc;nicas, el&eacute;tricas e eletr&ocirc;nicas tamb&eacute;m   criou aparelhos muito interessantes e eficientes. "No campo do &aacute;udio, acredito   que a palavra&#45;chave ainda seja transdu&ccedil;&atilde;o (que de certa maneira pressupõe   sinais anal&oacute;gicos ac&uacute;sticos, el&eacute;tricos ou magn&eacute;ticos, dentre outros), presente   tanto nas etapas que captam os sons quanto nas etapas que 'reproduzem' o   conte&uacute;do presente nos diferentes formatos por meio de alto&#45;falantes", afirma o   pesquisador.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Do   cilindro ao disco</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Durante s&eacute;culos, a m&uacute;sica s&oacute; existia como experi&ecirc;ncia ao vivo. A cria&ccedil;&atilde;o   da partitura, no s&eacute;culo XV, permitiu preservar composi&ccedil;ões, mas ainda dependia   de int&eacute;rpretes. A tentativa de registrar o pr&oacute;prio som come&ccedil;ou no s&eacute;culo XIX,   com o fonoaut&oacute;grafo, criado em 1857 pelo inventor franc&ecirc;s &Eacute;douard&#45;L&eacute;on Scott de   Martinville, capaz de registrar visualmente ondas sonoras, mas n&atilde;o as   reproduzir.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A virada ocorreu em 1877, quando Thomas Edison apresentou o fon&oacute;grafo,   primeiro dispositivo capaz de gravar e reproduzir &aacute;udio. O aparelho registrava   vibra&ccedil;ões sonoras em cilindros rotativos por meio de uma agulha conectada a uma   membrana. Os primeiros cilindros, feitos de folha de estanho, eram fr&aacute;geis e   podiam ser reproduzidos apenas algumas vezes, mas inauguraram a possibilidade   de ouvir novamente um som gravado. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a18fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Mais do que   um avan&ccedil;o t&eacute;cnico, o fon&oacute;grafo transformou a experi&ecirc;ncia sonora. "Quando Thomas   Edison cria o fon&oacute;grafo, ele inaugura algo que &eacute; a portabilidade do som. O som   transcende a sua execu&ccedil;&atilde;o, ele transcende no tempo e no espa&ccedil;o. E &eacute; muito   engra&ccedil;ado esse surgimento: um dos primeiros an&uacute;ncios do Edison coloca dez   vantagens do fon&oacute;grafo – s&oacute; a d&eacute;cima &eacute; ouvir m&uacute;sica. Todas as outras s&atilde;o algo   bem pr&oacute;ximo a um &aacute;lbum de fotografia da fam&iacute;lia, passar recado para secret&aacute;ria,   escrever ou transcrever as &uacute;ltimas palavras do morto", explica Jalver   Beth&ocirc;nico. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a18fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Poucos anos   depois, em 1887, o inventor alem&atilde;o Emile Berliner apresentou o gramofone, que   substituiu os cilindros por discos planos, formato que se tornaria dominante na   ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O   reinado do vinil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1948, a   ind&uacute;stria musical passou por uma nova transforma&ccedil;&atilde;o com o lan&ccedil;amento do LP   (long play) pela Columbia Records. Produzido em policloreto de vinila, o novo   disco substituiu materiais mais fr&aacute;geis, como a goma&#45;laca usada nos discos de   78 rpm.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com sulcos   microsc&oacute;picos gravados em espiral, o vinil permitia armazenar v&aacute;rias faixas em   um &uacute;nico disco, consolidando o conceito de &aacute;lbum musical. A tecnologia tamb&eacute;m   introduziu a grava&ccedil;&atilde;o em microssulcos, ampliando o tempo de reprodu&ccedil;&atilde;o. "Com o   vinil voc&ecirc; tem o surgimento do LP. Antes disso, os discos 78 rpm tinham apenas   uma m&uacute;sica de cada lado; no in&iacute;cio, inclusive, o disco s&oacute; tinha um lado. Ent&atilde;o   &eacute; atrav&eacute;s do vinil que voc&ecirc; vai poder vender todo um conjunto de m&uacute;sicas do   mesmo artista, e n&atilde;o apenas uma m&uacute;sica isolada", explica Eduardo Vicente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mesmo ap&oacute;s   d&eacute;cadas, o vinil continua a atrair colecionadores e entusiastas interessados na   est&eacute;tica do formato f&iacute;sico e no som anal&oacute;gico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A   revolu&ccedil;&atilde;o das fitas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A tecnologia   de grava&ccedil;&atilde;o em fita magn&eacute;tica come&ccedil;ou a se consolidar no final dos anos 1940,   quando o engenheiro John T. Mullin apresentou o sistema nos Estados Unidos. Um   dos principais apoiadores foi o cantor e ator Bing Crosby, que passou a   utiliz&aacute;&#45;lo para gravar previamente seu programa de r&aacute;dio. "A fita magn&eacute;tica   port&aacute;til (cassete) foi um formato lan&ccedil;ado nos anos 60 que, al&eacute;m de permitir a   realiza&ccedil;&atilde;o de grava&ccedil;ões caseiras e de copiar discos, tornou poss&iacute;vel carregar a   m&uacute;sica dos LPs para a rua e para os ve&iacute;culos", diz Sergio Freire. (<a href="#fig03">Figura 3</a>)</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a18fig03.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Para os   ouvintes n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas que a distribui&ccedil;&atilde;o digital de m&uacute;sicas representa um   avan&ccedil;o muito grande, quando comparada aos modelos anteriores.&quot;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apresentada   em 1963 pela Philips, a fita cassete tornou&#45;se um fen&ocirc;meno global entre as   d&eacute;cadas de 1970 e 1990. Al&eacute;m da portabilidade, o formato trouxe novas   possibilidades de uso dom&eacute;stico. "Uma mudan&ccedil;a muito grande do cassete foi a   portabilidade e, al&eacute;m disso, foi a possibilidade de editar o pr&oacute;prio material.   Isso foi muito legal: eu podia fazer a minha pr&oacute;pria colet&acirc;nea, podia gravar do   r&aacute;dio", explica Jalver Beth&ocirc;nico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As fitas   tamb&eacute;m ampliaram a circula&ccedil;&atilde;o da m&uacute;sica independente. "Distribuir m&uacute;sica,   gravar e prensar vinis n&atilde;o era barato. Ent&atilde;o, a partir da&iacute; tamb&eacute;m foi poss&iacute;vel   para um artista independente distribuir seus trabalhos nessas fitas, que eram   colocadas em consigna&ccedil;&atilde;o em lojas de disco e livrarias. Ela se tornou um outro   espa&ccedil;o de distribui&ccedil;&atilde;o no meio urbano para pessoas que n&atilde;o estavam nas   gravadoras", afirma Eduardo Vicente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A era   digital do CD</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A   digitaliza&ccedil;&atilde;o da m&uacute;sica ganhou for&ccedil;a no in&iacute;cio dos anos 1980 com o <i>compact   disc </i>(CD), desenvolvido pela Sony e pela Philips e lan&ccedil;ado comercialmente   em 1982. Capaz de armazenar cerca de 70 minutos de &aacute;udio, o novo formato   substituiu gradualmente o vinil e as fitas cassete.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diferentemente   dos suportes anal&oacute;gicos, o CD armazena o som como dados digitais, convertendo o   sinal sonoro em sequ&ecirc;ncias de n&uacute;meros bin&aacute;rios. Durante a reprodu&ccedil;&atilde;o, um laser   l&ecirc; pequenas depressões microsc&oacute;picas no disco, transformando essas informa&ccedil;ões   novamente em som. A praticidade do formato impulsionou sua r&aacute;pida ado&ccedil;&atilde;o   mundial. Nos anos 1990 e in&iacute;cio dos anos 2000, os CDs dominaram o mercado,   consolidando o que muitos especialistas descrevem como uma verdadeira "ditadura   do CD".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>M&uacute;sica   em fluxo: o <i>streaming</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A partir do   final do s&eacute;culo XX, o avan&ccedil;o da internet abriu caminho para uma nova   transforma&ccedil;&atilde;o na forma de ouvir m&uacute;sica. O <i>streaming</i> &#151; modelo que permite   acessar conte&uacute;do online sem <i>download </i>&#151; come&ccedil;ou a se desenvolver nos anos   1990 e ganhou for&ccedil;a nas d&eacute;cadas seguintes, impulsionado pela expans&atilde;o da banda   larga e dos dispositivos m&oacute;veis.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Em termos   de futuro, gostaria mesmo &eacute; de pensar em uma ci&ecirc;ncia e uma arte que escapem, ao   menos parcialmente, da l&oacute;gica da mercadoria e da concentra&ccedil;&atilde;o de recursos em cada vez menos m&atilde;os.&quot;&nbsp;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">"Para os   ouvintes n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas que a distribui&ccedil;&atilde;o digital de m&uacute;sicas representa um   avan&ccedil;o muito grande, quando comparada aos modelos anteriores (discos, fitas,   r&aacute;dio etc.). Isto se insere em um contexto muito mais amplo de representa&ccedil;&atilde;o e   difus&atilde;o digital de boa parte das atividades humanas, que compartilham as mesmas   redes", pontua Sergio Freire.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um marco   dessa transi&ccedil;&atilde;o foi o formato MP3, que permitiu comprimir arquivos de &aacute;udio e   facilitar seu compartilhamento online. Com isso, a m&uacute;sica deixou de estar   necessariamente associada a um suporte f&iacute;sico e passou a circular como   informa&ccedil;&atilde;o digital entre diferentes dispositivos. "Na entrada do s&eacute;culo XXI, as   plataformas de streaming transformam o conceito de formato de &aacute;udio, at&eacute; ent&atilde;o   ligado a um objeto f&iacute;sico palp&aacute;vel, para diferentes tipos de arquivos digitais.   O crescimento de pequenos est&uacute;dios, viabilizado pela tecnologia digital, tamb&eacute;m   afeta o modo de produ&ccedil;&atilde;o musical at&eacute; ent&atilde;o predominante", afirma Sergio Freire.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao mesmo   tempo, esse cen&aacute;rio traz novos desafios. "H&aacute; uma perda de aten&ccedil;&atilde;o, uma perda da   informa&ccedil;&atilde;o de escuta no streaming, que conta um pouco com isso. N&oacute;s nos   tornamos piores ouvintes", observa Jalver Beth&ocirc;nico. Ainda assim, o pesquisador   destaca o potencial criativo da tecnologia: "A digitaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental: o   poder de manipula&ccedil;&atilde;o do som que adquirimos a baixo custo pela digitaliza&ccedil;&atilde;o &eacute;   fenomenal."</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O futuro dos   formatos de &aacute;udio, no entanto, pode n&atilde;o depender apenas de novas tecnologias,   mas tamb&eacute;m de novos modos de circula&ccedil;&atilde;o cultural. "Em termos de futuro,   gostaria mesmo &eacute; de pensar em uma ci&ecirc;ncia e uma arte que escapem, ao menos   parcialmente, da l&oacute;gica da mercadoria e da concentra&ccedil;&atilde;o de recursos em cada vez   menos m&atilde;os. Talvez a 'm&uacute;sica ao vivo' possa oferecer subs&iacute;dios para novos   formatos de &aacute;udio com um maior aproveitamento de recursos locais e com menos   elementos culturais ultraprocessados", conclui Sergio Freire.</font></p>      ]]></body>

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