<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252025000300006</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20250041</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Floresta concreta: Juventudes urbanas amazônicas e o racismo ambiental]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriela Alves dos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Instituto Perifa Sustentável  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2025</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2025</year>
</pub-date>
<volume>77</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>34</fpage>
<lpage>39</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252025000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252025000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252025000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O presente artigo analisará a incidência do racismo ambiental com a transversalidade climática nas dinâmicas das cidades brasileiras situadas na Amazônia, em que através das desigualdades sociais apontará o quanto a raça é fundamental para a compreensão da crise ambiental. A partir de uma perspectiva socioambiental crítica, investiga-se principalmente como o papel das juventudes urbanas enquanto protagonistas de práticas regenerativas podem ser um forte aliado às adaptações climáticas nos territórios periféricos. O texto buscará articular debates teóricos com experiências concretas, propondo caminhos para a construção de cidades mais justas e ecologicamente sustentáveis e principalmente antirracistas.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Racismo Ambiental]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Transversalidade Climática]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Cidades Brasileiras]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Juventudes Urbanas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Meio Ambiente]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Mudanças Climáticas]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250041</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Floresta concreta: Juventudes urbanas amaz&ocirc;nicas e o   racismo ambiental</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Gabriela Alves dos Santos<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Diretora e s&oacute;cia-fundadora do Instituto Perifa   Sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente artigo analisar&aacute; a incid&ecirc;ncia do racismo   ambiental com a transversalidade clim&aacute;tica nas din&acirc;micas das cidades   brasileiras situadas na Amaz&ocirc;nia, em que atrav&eacute;s das desigualdades sociais   apontar&aacute; o quanto a ra&ccedil;a &eacute; fundamental para a compreens&atilde;o da crise ambiental. A   partir de uma perspectiva socioambiental cr&iacute;tica, investiga-se principalmente   como o papel das juventudes urbanas enquanto protagonistas de pr&aacute;ticas   regenerativas podem ser um forte aliado &agrave;s adapta&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nos   territ&oacute;rios perif&eacute;ricos. O texto buscar&aacute; articular debates te&oacute;ricos com   experi&ecirc;ncias concretas, propondo caminhos para a constru&ccedil;&atilde;o de cidades mais   justas e ecologicamente sustent&aacute;veis e principalmente antirracistas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>Racismo Ambiental; Transversalidade   Clim&aacute;tica; Cidades Brasileiras; Juventudes Urbanas; Meio Ambiente; Mudan&ccedil;as   Clim&aacute;ticas</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">H&aacute; no imagin&aacute;rio popular, para quem mora em outras regi&otilde;es   fora do Norte, que quando falamos de cidades amaz&ocirc;nicas, falamos somente de   floresta. Por&eacute;m, essas cidades carregam em seus corpos urbanizados a marca de   um Brasil que, enquanto &eacute; profundamente desigual, tamb&eacute;m carrega a criatividade   unida aos saberes tradicionais como resist&ecirc;ncia &agrave; vida.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A atual crise clim&aacute;tica se amplifica em uma urbaniza&ccedil;&atilde;o   predat&oacute;ria e excludente, fazendo com que a din&acirc;mica dessa emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica   n&atilde;o alcance todos da mesma forma. E na ambiguidade da vida social dessas   cidades nortistas, juventudes negras, ind&iacute;genas e perif&eacute;ricas vivenciam   cotidianamente os efeitos do racismo ambiental &#151; uma forma de viol&ecirc;ncia   dimensional e estrutural que territorializa o racismo por meio da degrada&ccedil;&atilde;o   ambiental seletiva.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente artigo parte da hip&oacute;tese de que tais juventudes,   historicamente marginalizadas, desempenham um papel central na reinven&ccedil;&atilde;o de   seus territ&oacute;rios, tensionando a monocultura do urbano e propondo pr&aacute;ticas   regenerativas enraizadas em uma justi&ccedil;a socioambiental e ao direito &agrave; cidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Racismo ambiental nas cidades amaz&ocirc;nicas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Conceitualmente, o Ra-cismo Ambiental &eacute; compreendido como a   exposi&ccedil;&atilde;o desproporcional de popula&ccedil;&otilde;es racializadas a riscos ambientais. <sup>[1,   2]</sup> Elaborado em 1981 pelo l&iacute;der afro-americano e ativista pelos direitos   civis, Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr., em um momento de manifesta&ccedil;&otilde;es do   movimento negro contra injusti&ccedil;as ambientais, ele define como:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>"O racismo ambiental &eacute; a   discrimina&ccedil;&atilde;o racial no desenvolvimento de pol&iacute;ticas ambientais, na aplica&ccedil;&atilde;o   de regulamentos e leis, na segmenta&ccedil;&atilde;o deliberada de comunidades de cor para   instala&ccedil;&otilde;es de res&iacute;duos t&oacute;xicos, na san&ccedil;&atilde;o oficial da presen&ccedil;a de venenos e   poluentes que amea&ccedil;am a vida nas comunidades e na exclus&atilde;o de pessoas negras da   lideran&ccedil;a de movimentos ecol&oacute;gicos." <sup>[3]</sup></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora o conceito tenha sido elaborado e disseminado nos   Estados Unidos, &eacute; fundamental perceber que, mesmo nas particularidades da   viol&ecirc;ncia do racismo nos diversos pa&iacute;ses e territ&oacute;rios, ele se apresenta com a   constru&ccedil;&atilde;o de suas respectivas hist&oacute;rias. No Brasil, por exemplo, o conceito   abrange grupos &eacute;tnicos que, por raz&otilde;es raciais, culturais e pol&iacute;ticas, sofrem   com desigualdades e discrimina&ccedil;&atilde;o em diferentes n&iacute;veis. Deste modo, entende-se   que o racismo ambiental &eacute; uma das consequ&ecirc;ncias do racismo institucional, pois   as desigualdades raciais e sociais s&atilde;o ampliadas na esfera ambiental devido &agrave;   escassez de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que considerem a exist&ecirc;ncia da fragmenta&ccedil;&atilde;o   racial. O racismo ambiental n&atilde;o se refere somente a a&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m inten&ccedil;&atilde;o   racista, mas tamb&eacute;m inclui a&ccedil;&otilde;es com impacto racista, independentemente de sua   inten&ccedil;&atilde;o.<sup>[4]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo dados do Instituto Trata Brasil (2022), apenas 14%   da popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o Norte tem acesso &agrave; rede de esgoto, sendo que em cidades   como Manaus, 75% da popula&ccedil;&atilde;o vive sem esgotamento sanit&aacute;rio adequado. Em   Bel&eacute;m, cerca de 212 mil pessoas n&atilde;o t&ecirc;m acesso regular a saneamento b&aacute;sico &#151;   uma realidade concentrada nos bairros perif&eacute;ricos e favelas urbanas, onde   residem, em sua maioria, popula&ccedil;&otilde;es negras, ind&iacute;genas e ribeirinhas.<sup>[5]</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>A atual crise   clim&aacute;tica se amplifica em uma urbaniza&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria e excludente</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; no campo educacional, a desigualdade tamb&eacute;m se expressa   territorialmente. Jovens das classes mais baixas t&ecirc;m apenas 2% de chance de   ingressar em universidades p&uacute;blicas, contrastando com 40% dos jovens das   fam&iacute;lias mais ricas.<sup>[6]</sup> Os estados da regi&atilde;o Norte &#151; como Par&aacute; e   Amazonas &#151; seguem abaixo da m&eacute;dia nacional no percentual de pessoas com ensino   superior completo, acentuando a exclus&atilde;o da juventude perif&eacute;rica no acesso &agrave;   educa&ccedil;&atilde;o formal.<sup>[7]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Olhando as desigualdades no Brasil como um todo, elas se   manifestam em forma de alagamentos, aus&ecirc;ncia de saneamento b&aacute;sico, polui&ccedil;&atilde;o de   rios e contamina&ccedil;&atilde;o de solos &#151; realidades concentradas nos bairros perif&eacute;ricos   e ocupa&ccedil;&otilde;es informais.<sup>[8]</sup> Cidades como Bel&eacute;m e Manaus, marcadas por   um crescimento acelerado e pol&iacute;ticas urbanas fragmentadas, exemplificam essa   distribui&ccedil;&atilde;o desigual dos impactos ambientais.<sup>[9]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas din&acirc;micas revelam uma geopol&iacute;tica interna que   atravessa a Amaz&ocirc;nia brasileira: ao mesmo tempo que &eacute; representada como "pulm&atilde;o   do mundo", suas cidades s&atilde;o negligenciadas em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas estruturantes.   Essa invisibilidade alimenta uma ecologia pol&iacute;tica da exclus&atilde;o,<sup>[10]</sup> na qual o acesso &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel, moradia digna e mobilidade urbana &eacute;   condicionado por crit&eacute;rios raciais e territoriais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Juventudes como agentes de regenera&ccedil;&atilde;o territorial</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Compreender a juventude &eacute; reconhecer que ela n&atilde;o &eacute; uma   categoria biol&oacute;gica ou homog&ecirc;nea, mas uma constru&ccedil;&atilde;o social e hist&oacute;rica   atravessada por marcadores como classe, ra&ccedil;a, territ&oacute;rio e g&ecirc;nero.<sup>[11]</sup> Mais do que uma fase de transi&ccedil;&atilde;o, a juventude constitui um campo de disputas   simb&oacute;licas e pol&iacute;ticas, onde sujeitos jovens produzem fundamentalmente cultura,   criam redes e lutam por reconhecimento. Para Dayrell (2003),<sup>[12]</sup> as   juventudes devem ser entendidas em sua pluralidade e pot&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o, como   sujeitos hist&oacute;ricos que produzem sentidos e transformam o mundo a partir de   suas realidades concretas. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo o Banco Mundial, a juventude amaz&ocirc;nica est&aacute; entre as   que mais sofrem os impactos da crise socioambiental &#151; seja por desmatamento,   viol&ecirc;ncia, falta de educa&ccedil;&atilde;o ou sa&uacute;de prec&aacute;ria.<sup>[13]</sup> O relat&oacute;rio   destaca que jovens negros nas periferias brasileiras t&ecirc;m taxa de homic&iacute;dio   letal at&eacute; tr&ecirc;s vezes maior do que jovens brancos com o mesmo n&iacute;vel de   escolaridade.<sup>[14]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 2021, o risco de homic&iacute;dio para jovens negros com ensino   superior chegou ao triplo do observado entre jovens brancos do mesmo n&iacute;vel   educacional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se por um lado s&atilde;o os mais atingidos, sempre em risco, por   outro, s&atilde;o tamb&eacute;m os que mais usam a criatividade para elaborar sa&iacute;das. As   juventudes amaz&ocirc;nicas t&ecirc;m protagonizado formas pol&iacute;ticas de resist&ecirc;ncia frente   &agrave; crise clim&aacute;tica. Atrav&eacute;s de coletivos, redes e tecnologias sociais, essas   juventudes operam uma reterritorializa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica e material de suas   comunidades.<sup>[15]</sup> N&atilde;o se   trata apenas de "sobreviv&ecirc;ncia": trata-se da proposi&ccedil;&atilde;o ativa de futuros regenerativos,   orientados por valores de solidariedade e principalmente ancestralidade.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>Olhando as   desigualdades no Brasil como um todo, elas se manifestam em forma de   alagamentos, aus&ecirc;ncia de saneamento b&aacute;sico, polui&ccedil;&atilde;o de rios e contamina&ccedil;&atilde;o de   solos</i>."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">As pr&aacute;ticas juvenis perif&eacute;ricas se inserem, assim, em uma   ecologia dos saberes,<sup>[16]</sup> onde o conhecimento t&eacute;cnico-cient&iacute;fico   dialoga com saberes locais, orais e ancestrais. A partir dessa articula&ccedil;&atilde;o,   surgem hortas comunit&aacute;rias, mutir&otilde;es de limpeza, a&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o ambiental e   lutas por moradia e saneamento. Em um cen&aacute;rio de aus&ecirc;ncia estatal, s&atilde;o essas   juventudes que encarnam, na pr&aacute;tica, o direito &agrave; cidade.<sup>[17]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A COJOVEM (Coopera&ccedil;&atilde;o da Juventude Amaz&ocirc;nida para o   Desenvolvimento Sustent&aacute;vel), por exemplo, atua na Amaz&ocirc;nia urbana promovendo   forma&ccedil;&otilde;es em justi&ccedil;a clim&aacute;tica com jovens de zonas perif&eacute;ricas, estimulando seu   engajamento em processos decis&oacute;rios e de advocacy territorial. Em Bel&eacute;m, o   coletivo Mand&iacute; mobiliza juventudes para atividades de educa&ccedil;&atilde;o ambiental,   reflorestamento e escuta comunit&aacute;ria, utilizando metodologias de sensibiliza&ccedil;&atilde;o   baseadas em arte, cultura e comunica&ccedil;&atilde;o popular. J&aacute; a Rede Jandyras, tamb&eacute;m em   Bel&eacute;m, articula jovens ativistas em uma frente coletiva de cuidado e   regenera&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios urbanos, com foco em g&ecirc;nero, clima e territ&oacute;rio.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>As juventudes   amaz&ocirc;nicas t&ecirc;m protagonizado formas pol&iacute;ticas de resist&ecirc;ncia frente &agrave; crise   clim&aacute;tica</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nas &aacute;reas rurais e ribeirinhas, experi&ecirc;ncias como a da   Associa&ccedil;&atilde;o Vaga Lume v&ecirc;m fortalecendo crian&ccedil;as e jovens por meio da leitura e   da gest&atilde;o de bibliotecas comunit&aacute;rias, formando redes de aprendizagem aut&ocirc;noma   e enraizada na cultura local. Ao mesmo tempo, organiza&ccedil;&otilde;es como o IDESAM e a   FAS fomentam a atua&ccedil;&atilde;o juvenil em projetos de manejo florestal sustent&aacute;vel,   agroecologia, bioeconomia e capacita&ccedil;&atilde;o para empreendimentos comunit&aacute;rios &#151;   incluindo forma&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas voltadas para juventudes ribeirinhas e ind&iacute;genas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; ineg&aacute;vel que h&aacute; uma   estrat&eacute;gia pol&iacute;tica que, por meio da educa&ccedil;&atilde;o, viu-se uma ferramenta de   autonomia diante da crise clim&aacute;tica, demonstrando uma das formas criativas que   a juventude viu em como construir uma cidade antirracista e em harmonia com a   natureza. Muitos desses jovens s&atilde;o filhos   e filhas da gera&ccedil;&atilde;o que acessou &agrave; universidade por meio da pol&iacute;tica de cotas, que   completou 20 anos e transformou o perfil do ensino superior no Brasil. Como   aponta o Banco Mundial:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>"o ingresso de jovens pretos,   pardos e ind&iacute;genas no ensino superior aumentou 20% entre 2016 e 2019. Em 2021,   52,4% dos estudantes universit&aacute;rios de 18 a 24 anos eram pretos, pardos ou   ind&iacute;genas, contra 43,7% em 2012"</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa gera&ccedil;&atilde;o, ao ocupar espa&ccedil;os antes negados, n&atilde;o se   limitou &agrave; educa&ccedil;&atilde;o formal: ela a expandiu. Isso porque o acesso da popula&ccedil;&atilde;o   negra dentro dos espa&ccedil;os que antes eram embranquecidos possibilitou a amplia&ccedil;&atilde;o   da cultura racializada no debate cient&iacute;fico. Juventude essa que n&atilde;o se limitou   na formalidade da educa&ccedil;&atilde;o e pulverizou o conhecimento acad&ecirc;mico em pr&aacute;ticas   informais e comunit&aacute;rias, adjunto com a ancestralidade. Resgatando solu&ccedil;&otilde;es   para adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica que eram executadas: como hortas agroecol&oacute;gicas,   bibliotecas populares, r&aacute;dios comunit&aacute;rias e forma&ccedil;&otilde;es aut&ocirc;nomas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; entre os povos ind&iacute;genas, o protagonismo jovem se   expressa em movimentos como o Movimento dos Estudantes Ind&iacute;genas do Acre e Sul   do Amazonas e o Movimento dos Povos Ind&iacute;genas do Vale do Juru&aacute;, que promovem   mobiliza&ccedil;&otilde;es por acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, defesa dos territ&oacute;rios e reconhecimento das   identidades origin&aacute;rias. Organiza&ccedil;&otilde;es como a Agroextrativista Jaminawa e a   Comunidade Kaxarari tamb&eacute;m v&ecirc;m fortalecendo a transi&ccedil;&atilde;o geracional, conectando   os saberes dos mais velhos com a a&ccedil;&atilde;o dos mais jovens em processos de   regenera&ccedil;&atilde;o cultural e ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse movimento de ascens&atilde;o da juventude ind&iacute;gena pode ser   lido como uma resposta hist&oacute;rica ao processo de silenciamento etnocida que   marcou os s&eacute;culos de coloniza&ccedil;&atilde;o no Brasil. Como escrevi anos atr&aacute;s: "os   aut&oacute;ctones foram colocados na posi&ccedil;&atilde;o de objeto animado […] julgando inferiores   e vazios culturalmente".[vi] Hoje, essa juventude se levanta n&atilde;o apenas para   afirmar sua humanidade, mas para reivindicar protagonismo pol&iacute;tico,   epistemol&oacute;gico e territorial. Trata-se de uma reocupa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica e pr&aacute;tica dos   espa&ccedil;os que lhes foram negados, onde o corpo ind&iacute;gena jovem n&atilde;o &eacute; mais descrito   como "item na paisagem", mas sim como autor de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria &#151; e da   regenera&ccedil;&atilde;o do planeta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Amaz&ocirc;nia urbana e o direito &agrave; cidade clim&aacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas pr&aacute;ticas n&atilde;o apenas respondem &agrave; aus&ecirc;ncia estatal e aos   efeitos da crise clim&aacute;tica, mas produzem uma ecologia de solu&ccedil;&otilde;es onde   juventude, ancestralidade e territ&oacute;rio s&atilde;o insepar&aacute;veis. S&atilde;o elas que operam   uma regenera&ccedil;&atilde;o cotidiana, territorial e simb&oacute;lica, que emerge da Amaz&ocirc;nia   profunda e das margens invisibilizadas das cidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Amaz&ocirc;nia urbana desafia as categorias cl&aacute;ssicas da   urbaniza&ccedil;&atilde;o. Suas cidades s&atilde;o, simultaneamente, rurais, florestais e urbanas. A   presen&ccedil;a de comunidades ribeirinhas, quilombolas e ind&iacute;genas em &aacute;reas   urbanizadas complexifica o entendimento de cidade como espa&ccedil;o exclusivamente   moderno e ocidental.<sup>[18]</sup> Nessa pluralidade de modos de vida, o   direito &agrave; cidade precisa ser reconfigurado para incluir n&atilde;o s&oacute; infraestrutura e   servi&ccedil;os, mas tamb&eacute;m modos de exist&ecirc;ncia m&uacute;ltiplos, que n&atilde;o cabem na l&oacute;gica   colonial do progresso. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">As juventudes dessas cidades, por sua vez, t&ecirc;m articulado   reivindica&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o al&eacute;m da infraestrutura: lutam pelo reconhecimento   simb&oacute;lico e pol&iacute;tico de seus modos de vida. Nesse sentido, os jovens amaz&ocirc;nicos   atuam como guardi&otilde;es de futuros poss&iacute;veis, reconfigurando a cidade a partir de   outras epistemologias e temporalidades &#151; aquelas que Krenak (2019) <sup>[19]</sup> nos convoca a imaginar como formas de adiar o fim do mundo. Como nos lembra   Davi Kopenawa, a floresta sonha &#151; e seus filhos e filhas precisam continuar   sonhando por ela, para n&atilde;o adoecer e morrer em sil&ecirc;ncio.<sup>[20]</sup> Essas   juventudes n&atilde;o s&oacute; protegem os territ&oacute;rios, como tamb&eacute;m protegem os mundos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Este artigo buscou evidenciar como o racismo ambiental nas   cidades amaz&ocirc;nicas estrutura desigualdades territoriais e clim&aacute;ticas que   afetam, principalmente, juventudes racializadas. Ao mesmo tempo, reconheceu o   papel central dessas juventudes como agentes de transforma&ccedil;&atilde;o, regenera&ccedil;&atilde;o e   reinven&ccedil;&atilde;o urbana. Em um contexto de emerg&ecirc;ncia ecol&oacute;gica e esgotamento do   modelo urbano dominante, s&atilde;o elas que apontam caminhos para uma cidade outra:   viva, plural, ecol&oacute;gica e enraizada em justi&ccedil;a social.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Reafirmar o papel das juventudes amaz&ocirc;nicas na luta por   justi&ccedil;a clim&aacute;tica &eacute; tamb&eacute;m um ato de imagina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Como bem nos lembram   os povos origin&aacute;rios, regenerar o territ&oacute;rio &eacute; regenerar o sonho. Como escreve   Julie Dorrico, a juventude ind&iacute;gena escreve para n&atilde;o desaparecer &#151; e ao   escrever, reencanta o mundo a partir das margens. Daniel Munduruku ensina que   educar &eacute; plantar mem&oacute;ria coletiva, e Eliane Potiguara nos lembra que o corpo da   mulher ind&iacute;gena &eacute; o primeiro territ&oacute;rio violado e, por isso mesmo, tamb&eacute;m o   primeiro a florescer resist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Talvez, seja essa a mais potente forma de exist&ecirc;ncia   pol&iacute;tica no s&eacute;culo XXI: sonhar, narrar e reconstruir &#151; mesmo com as m&atilde;os ainda   sujas de barro, tinta, terra e esperan&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[1] BULLARD, Robert D. <i>Dumping in Dixie: Race, Class, and   Environmental Quality</i>. 3. ed. Boulder: Westview Press, 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[2] ACSELRAD, Henri. <i>Justi&ccedil;a ambiental e cidadania</i>.   Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[3] CHAVIS JR., <i>Benjamin Franklin. Racism and the   Environment</i>. United Church of Christ, 1981.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[4] ROBERTS, J. Timmons; TOFFOLON-WEISS, Melissa M. <i>Chronicles   from the Environmental Justice Frontline</i>. Cambridge: Cambridge University   Press, 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[5] INSTITUTO TRATA BRASIL. <i>Regi&atilde;o Norte do Brasil carece   de investimentos em saneamento b&aacute;sico</i>. 2022. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://tratabrasil.org.br/regiao-norte-do-brasil-carece-de-investimentos-em-saneamento-basico/" target="_blank">https://tratabrasil.org.br/regiao-norte-do-brasil-carece-de-investimentos-em-saneamento-basico/</a>.   Acesso em: 18 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[6] INSTITUTO DE PESQUISA ECON&Ocirc;MICA APLICADA (IPEA). <i>Pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas no Brasil: acesso ao ensino superior e desigualdades sociais</i>.   Bras&iacute;lia: IPEA, 2018. p. 245-260. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/livros/181009_politicas_publicas_ no_brasil_cap18.pdf" target="_blank">https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/livros/181009_politicas_publicas_   no_brasil_cap18.pdf</a>. Acesso em: 18 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[7] IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica. <i>PNAD   Cont&iacute;nua - Educa&ccedil;&atilde;o 2022</i>. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.ibge.gov.br/" target="_blank">https://www.ibge.gov.br/</a>. Acesso em: 18 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[8] SILVA, Cristiane Alves da. Racismo ambiental: produ&ccedil;&atilde;o   de desigualdades socioambientais no Brasil. In: OLIVEIRA, L&uacute;cio Fl&aacute;vio de   Almeida (org.). <i>Capitalismo, ambiente e justi&ccedil;a social</i>. S&atilde;o Paulo:   Outras Express&otilde;es, 2022. p. 95-110.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[9] PEREIRA, 2021;&nbsp;RIBEIRO, Gustavo Lins. <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o   e os paradoxos das cidades na Amaz&ocirc;nia</i>. Cadernos IPPUR, Rio de Janeiro, v.   9, n. 1, p. 73-89, 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[10] MILANEZ, Bruno. <i>Justi&ccedil;a ambiental e conflitos   territoriais</i>. Revista Ci&ecirc;ncia &amp; Tr&oacute;pico, Recife, v. 43, n. 2, p.   145-162, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[11] ABRAMOVAY, M.; MARGULIS, M.; URRESTI, M. <i>Juventudes   e exclus&atilde;o social: dilemas da democratiza&ccedil;&atilde;o no Brasil</i>. Bras&iacute;lia: UNESCO,   2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[12] DAYRELL, J. (2003). <i>O jovem como sujeito social</i>.   Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o, 24, 40-52. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.scielo.br/j/rbedu/a/zsHS7SvbPxKYmvcX9gwSDty/" target="_blank">https://www.scielo.br/j/rbedu/a/zsHS7SvbPxKYmvcX9gwSDty/</a>. Acesso em: 18 jul.   2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[13] BANCO MUNDIAL. <i>Juventudes brasileiras: diversidade,   desigualdades e desafios para o desenvolvimento</i>. Washington, DC: Banco   Mundial, 2023. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://documents1.worldbank.org/curated/en/099031125103037423/pdf/P181402-a0c1ec80-38c6-45b 3-aa5d-8759fb47d837.pdf" target="_blank">https://documents1.worldbank.org/curated/en/099031125103037423/pdf/P181402-a0c1ec80-38c6-45b   3-aa5d-8759fb47d837.pdf</a>. Acesso em: 18 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[14] ALVES DOS SANTOS, Gabriela. A viol&ecirc;ncia do   silenciamento. Introdu&ccedil;&atilde;o para a disciplina de Antropologia - ABI Ci&ecirc;ncias   Sociais, UNIFESP, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[15] CASTRO, Edson Silva de. <i>Juventudes e meio ambiente:   pr&aacute;ticas socioambientais em contextos urbanos</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[16] SANTOS, Boaventura de Sousa. <i>A gram&aacute;tica do tempo:   para uma nova cultura pol&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[17] ROLNIK, Raquel. <i>O que &eacute; cidade</i>. 4. ed. S&atilde;o   Paulo: Brasiliense, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[18] CUNHA, Manuela Carneiro da. <i>Sociobiodiversidade e   saberes locais: subs&iacute;dios para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</i>. S&atilde;o Paulo: ISA, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[19] KRENAK, Ailton. <i>Ideias para adiar o fim do mundo</i>.   S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[20] KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. <i>A queda do c&eacute;u:   palavras de um xam&atilde; yanomami</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2015.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BULLARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Robert D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dumping in Dixie: Race, Class, and Environmental Quality]]></source>
<year>2001</year>
<edition>3</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Boulder ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Westview Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ACSELRAD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Henri]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Justiça ambiental e cidadania]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Relume Dumará]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CHAVIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[JR.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Benjamin Franklin. Racism and the Environment]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-name><![CDATA[United Church of Christ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROBERTS]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. Timmons]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[TOFFOLON-WEISS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Melissa M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Chronicles from the Environmental Justice Frontline]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>INSTITUTO TRATA BRASIL</collab>
<source><![CDATA[Região Norte do Brasil carece de investimentos em saneamento básico]]></source>
<year>2022</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA)</collab>
<source><![CDATA[Políticas públicas no Brasil: acesso ao ensino superior e desigualdades sociais]]></source>
<year>2018</year>
<page-range>245-260</page-range><publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IPEA]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística</collab>
<source><![CDATA[PNAD Contínua - Educação 2022]]></source>
<year>2023</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IBGE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Cristiane Alves da]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Racismo ambiental: produção de desigualdades socioambientais no Brasil]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[OLIVEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lúcio Flávio de Almeida]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Capitalismo, ambiente e justiça social]]></source>
<year>2022</year>
<page-range>95-110</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Outras Expressões]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[2021]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RIBEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gustavo Lins]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Globalização e os paradoxos das cidades na Amazônia]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos IPPUR, Rio de Janeiro]]></source>
<year>1995</year>
<volume>9</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>73-89</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MILANEZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bruno]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Justiça ambiental e conflitos territoriais]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Ciência & Trópico, Recife]]></source>
<year>2019</year>
<volume>43</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>145-162</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ABRAMOVAY]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MARGULIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[URRESTI]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Juventudes e exclusão social: dilemas da democratização no Brasil]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UNESCO]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DAYRELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O jovem como sujeito social]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Educação]]></source>
<year></year>
<volume>24</volume>
<page-range>40-52</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>BANCO MUNDIAL</collab>
<source><![CDATA[Juventudes brasileiras: diversidade, desigualdades e desafios para o desenvolvimento]]></source>
<year>2023</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington^eDC DC]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Banco Mundial]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ALVES DOS SANTOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriela]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A violência do silenciamento. Introdução para a disciplina de Antropologia]]></source>
<year>2017</year>
<publisher-name><![CDATA[ABI Ciências Sociais, UNIFESP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Edson Silva de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Juventudes e meio ambiente: práticas socioambientais em contextos urbanos]]></source>
<year>2023</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cortez]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SANTOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Boaventura de Sousa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A gramática do tempo: para uma nova cultura política]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROLNIK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Raquel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O que é cidade]]></source>
<year>2009</year>
<edition>4</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CUNHA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Manuela Carneiro da]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociobiodiversidade e saberes locais: subsídios para políticas públicas]]></source>
<year>2019</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ISA]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KRENAK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ailton]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ideias para adiar o fim do mundo]]></source>
<year>2019</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KOPENAWA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Davi]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ALBERT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bruce]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A queda do céu: palavras de um xamã yanomami]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
