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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250042</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Catadores de materiais recicl&aacute;veis e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Sonia Maria Dias<sup>I</sup>; Juliana Teixeira Gon&ccedil;alves<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>PhD em Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas (UFMG) e Especialista   Global em Res&iacute;duos da WIEGO e Coordenadora da C&acirc;mara Tem&aacute;tica de Economia   Circular do F&oacute;rum Brasileiro de Mudan&ccedil;a do Clima.    <br>   <sup>II</sup>PhD. em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o (UFMG) e bacharel em Ci&ecirc;ncias   Socioambientais (UFMG e atua como Assistente de Pesquisa da WIEGO.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas intensificam desafios socioambientais   nas cidades e afetam diretamente trabalhadores em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade,   como os catadores de materiais recicl&aacute;veis. Apesar da import&acirc;ncia desse grupo   para a gest&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos, sua atua&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; pouco   reconhecida nas estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica. Este artigo   analisa a rela&ccedil;&atilde;o entre o trabalho dos catadores e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas,   considerando vulnerabilidade, adapta&ccedil;&atilde;o e a mitiga&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de gases de   efeito estufa, tra&ccedil;ando um panorama da agenda de pesquisa e documenta&ccedil;&atilde;o da   WIEGO na pauta clim&aacute;tica, desde a sua pesquisa nacional publicada em 2023 aos   trabalhos mais recentes que usam base de dados p&uacute;blica sobre vulnerabilidade   clim&aacute;tica nos territ&oacute;rios analisando sua correla&ccedil;&atilde;o com os espa&ccedil;os de trabalho   de cooperativas da cidade de Belo Horizonte, &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o da calculadora   ambiental da WIEGO que identificou a contribui&ccedil;&atilde;o das cooperativas do sistema   municipal de coleta seletiva na mitiga&ccedil;&atilde;o de gases de efeito estufa. O artigo   argumenta pela necessidade urgente de integrar o trabalho dos catadores de   materiais recicl&aacute;veis &agrave;s estrat&eacute;gias de enfrentamento da crise clim&aacute;tica, tanto   sob a &oacute;tica da adapta&ccedil;&atilde;o quanto da mitiga&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>Catadores; Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas;   Adapta&ccedil;&atilde;o; Resili&ecirc;ncia: Transi&ccedil;&atilde;o Justa</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">H&aacute; evid&ecirc;ncias crescentes, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, de que os   centros urbanos estar&atilde;o na linha de frente dos impactos das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas.<sup>[1]</sup> Desde seu Primeiro Relat&oacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o, em 1990, o   Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC, em ingl&ecirc;s) tem   aumentado gradualmente seu foco nas cidades, reconhecendo a necessidade de   aten&ccedil;&atilde;o a esses espa&ccedil;os, dado o r&aacute;pido processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido,   o Painel aponta que as cidades enfrentar&atilde;o muitos riscos f&iacute;sicos, como ondas de   calor, inunda&ccedil;&otilde;es repentinas, entre outros, devido &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Considerando que mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial vive   atualmente em &aacute;reas urbanas &#151; e muitos desses moradores vivem e trabalham em   condi&ccedil;&otilde;es de informalidade, especialmente no Sul Global &#151; os trabalhadores da   economia informal e os residentes de assentamentos informais est&atilde;o entre os   grupos mais propensos a serem afetados pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Os catadores   s&atilde;o um desses grupos diretamente expostos aos efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.   Em todo o mundo, esses trabalhadores prestam servi&ccedil;os ambientais essenciais que   fortalecem a resili&ecirc;ncia dos territ&oacute;rios urbanos frente aos impactos   clim&aacute;ticos. Al&eacute;m disso, seu trabalho contribui para economias verdes e   circulares, ampliam a vida &uacute;til dos aterros sanit&aacute;rios e cooperam na redu&ccedil;&atilde;o   das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa (GEE).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Contudo, os catadores tamb&eacute;m est&atilde;o mais suscet&iacute;veis a   vivenciar os efeitos diretos e indiretos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nas &aacute;reas   urbanas &#151; como ondas de calor, inunda&ccedil;&otilde;es repentinas, interrup&ccedil;&otilde;es nas cadeias   de abastecimento de alimentos, eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar, inseguran&ccedil;a h&iacute;drica e   dissemina&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as. Apesar dessa exposi&ccedil;&atilde;o acentuada, seu papel na   mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e os impactos que enfrentam devido a eventos   clim&aacute;ticos extremos ainda recebem pouca aten&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Este trabalho busca contribuir para esse debate analisando a   rela&ccedil;&atilde;o entre o trabalho dos catadores e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a partir das   perspectivas de vulnerabilidade, adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o. O objetivo do artigo &eacute;   apresentar um panorama das a&ccedil;&otilde;es de pesquisa-a&ccedil;&atilde;o desenvolvidas pela rede   global Mulheres no Trabalho Informal Globalizando e Organizando (WIEGO sigla em   ingl&ecirc;s), com destaque para elementos distintivos desse trabalho na cidade de   Belo Horizonte. Pretende-se tamb&eacute;m identificar e articular aspectos que ajudem   a compreender como as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas afetam o cotidiano desses   trabalhadores, identificar suas estrat&eacute;gias de enfrentamento e adapta&ccedil;&atilde;o e, por   fim, evidenciar como a an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade clim&aacute;tica nos   territ&oacute;rios onde os catadores atuam pode ser uma ferramenta importante na   adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na primeira parte, argumentamos sobre a invisibilidade do   tema relacionado ao trabalho de catadores e &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e discutimos   a natureza multifacetada da vulnerabilidade clim&aacute;tica. Destacamos a import&acirc;ncia   do mapeamento dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e da identifica&ccedil;&atilde;o das   vulnerabilidades clim&aacute;ticas nos territ&oacute;rios. Inserir catadores nas agendas de   pesquisa e nas estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica &eacute; fundamental para a resili&ecirc;ncia   urbana.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>Esses   trabalhadores prestam servi&ccedil;os ambientais essenciais que fortalecem a   resili&ecirc;ncia dos territ&oacute;rios urbanos frente aos impactos clim&aacute;ticos</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na segunda parte do artigo, tra&ccedil;amos um panorama da agenda   de pesquisa e documenta&ccedil;&atilde;o da WIEGO na pauta clim&aacute;tica &#151; desde a pesquisa   nacional publicada em 2023 at&eacute; os trabalhos mais recentes, que usam bases de   dados p&uacute;blicas sobre vulnerabilidade clim&aacute;tica nos territ&oacute;rios, analisando sua   correla&ccedil;&atilde;o com os espa&ccedil;os de trabalho de catadores da cidade de Belo Horizonte.   Tamb&eacute;m abordamos a aplica&ccedil;&atilde;o da calculadora de emiss&otilde;es de gases de GEE da   WIEGO que identificou a contribui&ccedil;&atilde;o das cooperativas do sistema municipal de   coleta seletiva em Belo Horizonte (MG) na mitiga&ccedil;&atilde;o desses gases.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por fim, na &uacute;ltima parte, argumentamos que fortalecer a   resili&ecirc;ncia dos catadores frente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas contribui para a   resili&ecirc;ncia de toda a cidade. A experi&ecirc;ncia vivida e o conhecimento acumulado   por esses trabalhadores j&aacute; moldam respostas cruciais &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas,   mas o avan&ccedil;o nessa dire&ccedil;&atilde;o requer a&ccedil;&otilde;es coordenadas dos principais atores   urbanos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Catadores e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Catadores &#151; pessoas que coletam, separam e revalorizam   materiais recicl&aacute;veis &#151; desempenham um papel fundamental na gest&atilde;o de res&iacute;duos   s&oacute;lidos (GRS) nos pa&iacute;ses do Sul Global. Eles coletam recicl&aacute;veis nas ruas,   lixeiras, pontos de entrega volunt&aacute;ria e lix&otilde;es a c&eacute;u aberto. Ao contribuir na   limpeza urbana desviando materiais que seriam aterrados, eles contribuem para o   prolongamento da vida &uacute;til dos aterros e abastecem a ind&uacute;stria com recicl&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os catadores j&aacute; sofrem diretamente os impactos das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas, mas isso ainda n&atilde;o &eacute; amplamente documentado, com algumas exce&ccedil;&otilde;es   identificadas na literatura.<sup>[1, 2]</sup> Ao mesmo tempo, os catadores   desenvolvem tarefas essenciais que contribuem tanto para a redu&ccedil;&atilde;o da   vulnerabilidade dos espa&ccedil;os urbanos aos impactos clim&aacute;ticos quanto para a   mitiga&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es clim&aacute;ticas. Por exemplo, o trabalho dos catadores pode   facilitar ganhos de efici&ecirc;ncia na gest&atilde;o de res&iacute;duos sem aumentar as emiss&otilde;es   de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, al&eacute;m de apoiar a economia circular.<sup>[3]</sup> As   fun&ccedil;&otilde;es de limpeza desempenhadas pelos catadores tamb&eacute;m s&atilde;o essenciais para   prevenir enchentes, facilitar a circula&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, preservar espa&ccedil;os urbanos   verdes que podem reduzir o efeito de ilhas de calor ao realizar uma s&eacute;rie de   micro interven&ccedil;&otilde;es no ambiente urbano promovendo tanto a sustentabilidade   quanto a resili&ecirc;ncia nas cidades.<sup>[4]</sup> (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a07fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Existe um vasto corpo da literatura sobre os aspectos   relacionados &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, como mitiga&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o de desastres,   resili&ecirc;ncia urbana, adapta&ccedil;&atilde;o e vulnerabilidade clim&aacute;tica. Uma parte   significativa dessa literatura documenta a vulnerabilidade clim&aacute;tica, que pode   ser espacial, socioecon&ocirc;mica e pol&iacute;tica.<sup>[5, 6]</sup> Nesse sentido, a   pobreza &eacute; o principal indicador que determina a vulnerabilidade clim&aacute;tica nos   territ&oacute;rios.<sup>[7, 8]</sup> Al&eacute;m disso, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas amplificam   vulnerabilidades estruturais e econ&ocirc;micas pr&eacute;-existentes dos grupos sociais.   Elas agravam os processos sociais, econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos que produzem pobreza   e desigualdade.<sup>[10, 11, 12]</sup> E muitos estudiosos investigam a rela&ccedil;&atilde;o   entre vulnerabilidade &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e pobreza.<sup>[12, 13]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A capacidade de tornar-se resiliente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   &eacute; afetada por processos de desigualdade e exclus&atilde;o social &#151; como etnia, g&ecirc;nero   e classe &#151; que frequentemente "<i>levam ao aumento da exposi&ccedil;&atilde;o a riscos e   impedem certos grupos de acessar os recursos necess&aacute;rios para se protegerem e   se recuperarem dos choques</i>".<sup>[5]</sup> Dias <i>et al</i>. (2024)[4]   acrescentam para o debate apontando que a resili&ecirc;ncia tamb&eacute;m &eacute; afetada por   d&eacute;ficits de infraestrutura nos locais de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Sverdlik (2021)<sup>[14]</sup> tematiza trabalhadores   informais ao discutir os desafios das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas enfrentados por   vendedores ambulantes e catadores, como calor, enchentes, polui&ccedil;&atilde;o e seca, e   como estes trabalhadores s&atilde;o geralmente ignorados nas estrat&eacute;gias clim&aacute;ticas. Como   afirma a autora, as solu&ccedil;&otilde;es para esses desafios devem abordar a resili&ecirc;ncia da   sa&uacute;de e os impactos no local de trabalho, como o estresse t&eacute;rmico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se vulnerabilidades pr&eacute;-existentes amplificam impactos de   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, &eacute; preciso reconhecer que a justi&ccedil;a clim&aacute;tica passa pelo   reconhecimento da precariedade econ&ocirc;mica.<sup>[15]</sup> Dessa forma, o   enfrentamento da precariedade econ&ocirc;mica contribui na resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica.   Nessa linha, Agarwal <i>et al</i>. (2022)<sup>[16]</sup> apontam que a   diversifica&ccedil;&atilde;o dos meios de subsist&ecirc;ncia dos trabalhadores informais e o   fortalecimento de seus ativos s&atilde;o cruciais para enfrentar os riscos clim&aacute;ticos   e suas experi&ecirc;ncias vividas validadas no desenho de estrat&eacute;gias adaptativas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os res&iacute;duos desempenham um papel significativo nas mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas e nas emiss&otilde;es globais de gases de GEE <sup>[17, 18]</sup> e autores   como King &amp; Gutberlet (2013)<sup>[19]</sup> examinam as contribui&ccedil;&otilde;es dos   catadores na mitiga&ccedil;&atilde;o de gases de efeito estufa e argumentam pelo   reconhecimento do papel de cooperativas na mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica e por seu acesso   ao mercado de cr&eacute;ditos de carbono. Vergara <i>et al</i>. (2016)<sup>[20]</sup> tamb&eacute;m quantificaram as redu&ccedil;&otilde;es de gases de efeito estufa no contexto da   reciclagem informal em Bogot&aacute;, na Col&ocirc;mbia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Enquanto a maior parte da literatura foca nos impactos das   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre popula&ccedil;&otilde;es urbanas vulner&aacute;veis, o foco tem sido   assentamentos informais e raramente trabalho informal. Esse foi um achado   crucial que ajudou a moldar nossa pesquisa e documenta&ccedil;&atilde;o, centrada no   mapeamento dos impactos no local de trabalho, para lan&ccedil;ar luz sobre como   fatores de vulnerabilidade pr&eacute;-existentes relacionados &agrave; infraestrutura de   trabalho &#151; como espa&ccedil;os de triagem deteriorados em galp&otilde;es de reciclagem &#151;   agravam os impactos de eventos clim&aacute;ticos extremos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse artigo busca contribuir nesse sentido e argumenta pela   relev&acirc;ncia do mapeamento de impactos de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e da   vulnerabilidade clim&aacute;tica nos territ&oacute;rios, bem como sobre a import&acirc;ncia de se   registrar as formas de enfrentamento desenvolvidas por esses atores para as   estrat&eacute;gias adaptativas serem baseadas em evid&ecirc;ncias e na escuta atenta das   vozes e do conhecimento dos catadores, o que exploraremos na pr&oacute;xima sess&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>O trabalho dos   catadores pode facilitar ganhos de efici&ecirc;ncia na gest&atilde;o de res&iacute;duos sem   aumentar as emiss&otilde;es de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, al&eacute;m de apoiar a economia   circular</i>."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Centralizando catadores na pesquisa, documenta&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o   clim&aacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A WIEGO vem implementando uma agenda de pesquisa-a&ccedil;&atilde;o   ancorada nos desafios de mapear e documentar impactos de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   nos catadores, aplicar ferramentas de an&aacute;lise de vulnerabilidade e de   identifica&ccedil;&atilde;o da contribui&ccedil;&atilde;o desses atores na mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, ampliar a   participa&ccedil;&atilde;o de catadores na governan&ccedil;a clim&aacute;tica e, ao mesmo tempo, contribuir   no letramento clim&aacute;tico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Pesquisa Impactos das Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas e Estrat&eacute;gias   de Adapta&ccedil;&atilde;o com Catadores no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre 2022 e 2023, a WIEGO, em parceria com a Universidade   de Sheffield, realizou uma pesquisa qualitativa-quantitativa de car&aacute;ter   explorat&oacute;rio no Brasil, que documentou as percep&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias da   categoria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que nos propiciou os elementos para   a atual agenda de pesquisa e a&ccedil;&atilde;o. Essa pesquisa envolveu um <i>survey</i> com   93 catadores (s&oacute;cios cooperados e aut&ocirc;nomos) em todo o pa&iacute;s, grupos focais   participativos em Belo Horizonte e regi&atilde;o metropolitana e entrevistas com   informantes-chave com lideran&ccedil;as nacionais dos catadores. Essa pesquisa se   prop&ocirc;s a compreender as perspectivas dos catadores sobre as mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas, mapear os impactos nos rendimentos, nas rotinas de trabalho e na   sa&uacute;de dos trabalhadores, mas tamb&eacute;m identificar as estrat&eacute;gias de enfrentamento   e adapta&ccedil;&atilde;o. A pesquisa explorou, tamb&eacute;m, a exist&ecirc;ncia de apoio recebido pelos   catadores no enfrentamento de impactos e identificou medidas necess&aacute;rias para   lidar com o aumento dos impactos. Essa pesquisa tamb&eacute;m envolveu uma an&aacute;lise dos   impactos diferenciados das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em tr&ecirc;s cidades brasileiras:   Manaus, Salvador e Belo Horizonte. No que se segue, destacamos alguns dos   achados relevantes dessa pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dos nossos achados do survey, destacam-se que dos catadores   pesquisados, 58% eram mulheres; e, destes, 84% pertenciam a uma cooperativa,   56% trabalhavam regularmente coletando materiais na rua e 27% relataram morar   em &aacute;reas de risco. Os galp&otilde;es de triagem eram o principal local de trabalho   para 66%, embora muitos alternem esse trabalho com o trabalho em casa e nas   ruas. Os catadores aut&ocirc;nomos relataram taxas mais altas de moradia em &aacute;reas de   risco (40%) e taxas significativamente mais altas (80%) desse grupo coletando   recicl&aacute;veis nas ruas. A grande maioria dos catadores entrevistados (91%) havia   vivenciado um ou mais eventos relacionados &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas no &uacute;ltimo ano   &#151; com 85% experimentando calor anormal ou ondas de calor, e 39% relatando ter   sido expostos a inunda&ccedil;&otilde;es repentinas. Mais da metade afirmou que as inunda&ccedil;&otilde;es   reduziram sua capacidade de se locomover pela cidade. Uma l&iacute;der catadora do   estado da Bahia descreveu os efeitos do calor excessivo: "<i>O calor &agrave;s vezes &eacute;   insuport&aacute;vel. Estar dentro de um galp&atilde;o, que tem um telhado de zinco, afeta a   todos. Aqueles que t&ecirc;m press&atilde;o alta ou baixa, o impacto &eacute; mais imediato. Eles   come&ccedil;am a suar e ficam tontos... n&atilde;o h&aacute; &aacute;gua que reduza esse calor</i>".<sup>[21]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nossos achados demonstram que os catadores acreditam que   fatores como g&ecirc;nero, idade, estado de sa&uacute;de, local de trabalho e integra&ccedil;&atilde;o nas   redes de apoio existentes influenciam sua vulnerabilidade. No entanto, divergem   na identifica&ccedil;&atilde;o de qual desses fatores &eacute; mais importante. Na pesquisa, 31% dos   entrevistados reportaram que os trabalhadores aut&ocirc;nomos e catadores de rua s&atilde;o   os mais afetados, enquanto 23% se preocuparam com os catadores mais velhos e   18% com as mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os achados sobre o enfrentamento das ondas de calor, sugerem   a predomin&acirc;ncia de estrat&eacute;gias individuais tais como aumento de ingest&atilde;o de   &aacute;gua (41%), uso de protetor solar (14%) e roupas mais leves (12%) e o uso de   ventiladores e mudan&ccedil;a de hor&aacute;rio de trabalho foram mencionadas por 21% dos   entrevistados. Poucas estrat&eacute;gias coletivas foram mencionadas e, quando o   foram, as mesmas tendem a ser reativas e pontuais, com impacto limitado sobre   os fatores de vulnerabilidade, como pobreza, servi&ccedil;os prec&aacute;rios e infraestrutura   deteriorada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os achados dos grupos focais lan&ccedil;am luz sobre os impactos de   ondas de calor e enchentes repentinas sobre os catadores organizados, incluindo   efeitos sobre o bem-estar f&iacute;sico, a din&acirc;mica de trabalho individual e coletiva   e os ativos produtivos coletivos. Os catadores que trabalham ao ar livre est&atilde;o   expostos a todas as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e sofrem diretamente com os impactos   das enchentes e do calor. Os catadores que trabalham em ambientes fechados ou   cooperativas sofrem com a m&aacute; circula&ccedil;&atilde;o e qualidade do ar, superaquecimento e   falta de conforto t&eacute;rmico, al&eacute;m de maior exposi&ccedil;&atilde;o a organismos patog&ecirc;nicos. Os   achados dos grupos focais evidenciaram como as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas agravam os   desafios preexistentes relacionados &agrave; infraestrutura do local de trabalho. Nas   entrevistas em grupo focal, os catadores descreveram as mudan&ccedil;as necess&aacute;rias   para tornar os galp&otilde;es de triagem &agrave; prova do clima. A infraestrutura e os   equipamentos adequados no local de trabalho determinam o grau em que as   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas impactam a sa&uacute;de, o bem-estar, a produtividade e os   rendimentos dos catadores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Sumariando, essa pesquisa evidenciou como os catadores est&atilde;o   sendo impactados por eventos extremos nos espa&ccedil;os de trabalho, na sa&uacute;de e como   est&atilde;o reagindo aos mesmos, revelando tamb&eacute;m desigualdades significativas entre   os catadores organizados e os aut&ocirc;nomos. Os catadores aut&ocirc;nomos relataram   maiores n&iacute;veis de exposi&ccedil;&atilde;o a enchentes e calor, bem como maiores dificuldades   para acessar formas de apoio institucional. Essa diferen&ccedil;a evidencia a   import&acirc;ncia das redes coletivas para a constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica no   setor, al&eacute;m de destacar a fragilidade dos trabalhadores que atuam &agrave; margem das   estruturas organizativas formais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A pesquisa explorat&oacute;ria de 2023 apontou as lacunas no papel   das municipalidades e da ind&uacute;stria no que tange ao fortalecimento da capacidade   adaptativa e no equacionamento das quest&otilde;es tanto de d&eacute;ficits de infraestrutura   de trabalho pr&eacute;-existentes quanto de infraestrutura sens&iacute;vel ao clima, bem como   forneceu elementos para o desdobramento do trabalho de pesquisa, documenta&ccedil;&atilde;o e   a&ccedil;&atilde;o da WIEGO, em geral e em especial em Belo Horizonte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Belo Horizonte: Adapta&ccedil;&atilde;o, vulnerabilidade clim&aacute;tica e   catadores como agentes na mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica global tem efeitos localizados e   desiguais nas cidades. Em Belo Horizonte, a rela&ccedil;&atilde;o entre vulnerabilidade   clim&aacute;tica e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos catadores &eacute; uma realidade pouco   visibilizada, mas de crescente import&acirc;ncia. A exposi&ccedil;&atilde;o a eventos extremos,   como ondas de calor, enchentes e a prolifera&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as como a dengue, afeta   diretamente os galp&otilde;es de triagem, revelando a sobreposi&ccedil;&atilde;o de riscos   ambientais, socioecon&ocirc;micos e estruturais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Numa colabora&ccedil;&atilde;o entre WIEGO, ICLEI e usando base de dados   da Secretaria Municipal do Meio Ambiente da Prefeitura de Belo Horizonte,   WayCarbon e do pr&oacute;prio ICLEI foi realizado o cruzamento da localiza&ccedil;&atilde;o dos   galp&otilde;es de triagem das cooperativas de Belo Horizonte com os &iacute;ndices municipais   de vulnerabilidade a tr&ecirc;s tipos de eventos clim&aacute;ticos: ondas de calor,   inunda&ccedil;&otilde;es e dengue.<sup>[21]</sup> Os resultados revelam que diversas   cooperativas atuam em territ&oacute;rios de alta ou muito alta vulnerabilidade. &Eacute; o   caso da Coopesol Leste, localizada em &aacute;rea com alto risco de calor extremo e   dengue; da Coopemar, em zona cr&iacute;tica de exposi&ccedil;&atilde;o; e da Associrecicle, que   apresenta n&iacute;veis elevados de risco para os tr&ecirc;s indicadores avaliados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#fig02">Figura 2</a> apresenta os mapas de vulnerabilidade clim&aacute;tica   da cidade, com destaque para a distribui&ccedil;&atilde;o dos galp&otilde;es de triagem das   cooperativas e associa&ccedil;&otilde;es de catadores sobre as zonas de risco. As   visualiza&ccedil;&otilde;es permitem compreender com maior precis&atilde;o a espacializa&ccedil;&atilde;o das   desigualdades ambientais que incidem sobre esses trabalhadores.</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a07fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas vulnerabilidades s&atilde;o determinadas por m&uacute;ltiplos   fatores: densidade populacional, baixa arboriza&ccedil;&atilde;o, infraestrutura urbana   deficit&aacute;ria, presen&ccedil;a de &aacute;reas imperme&aacute;veis e aus&ecirc;ncia de mecanismos adequados   de drenagem. Regi&otilde;es como Nordeste, Venda Nova e Leste concentram os maiores   &iacute;ndices de risco, enquanto regi&otilde;es como Centro-Sul e Pampulha, mais arborizadas   e com maior renda, apresentam menor exposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise tamb&eacute;m destaca que os galp&otilde;es de triagem muitas   vezes n&atilde;o disp&otilde;em de estrutura apropriada para lidar com os eventos clim&aacute;ticos.   O calor excessivo, por exemplo, tende a ser agravado por telhados met&aacute;licos e   ambientes sem ventila&ccedil;&atilde;o cruzada, enquanto a aus&ecirc;ncia de sistemas de escoamento   exp&otilde;e os recicl&aacute;veis e equipamentos a danos frequentes em per&iacute;odos de chuva   intensa. O risco sanit&aacute;rio &eacute; ampliado pela presen&ccedil;a de vetores como o mosquito   da dengue, favorecido pelo ac&uacute;mulo de res&iacute;duos e &aacute;gua parada em &aacute;reas mal   manejadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esses elementos revelam que os catadores que atuam nos   galp&otilde;es das cooperativas, ainda que formalizados e vinculados a pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas municipais, continuam operando em condi&ccedil;&otilde;es de elevada exposi&ccedil;&atilde;o   clim&aacute;tica. Por isso, o estudo recomenda que os planos de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica da   cidade incorporem os espa&ccedil;os de trabalho dos catadores, tanto f&iacute;sicos (galp&otilde;es)   quanto m&oacute;veis (pontos de coleta e triagem em ruas e feiras), como componentes   estrat&eacute;gicos da resili&ecirc;ncia urbana. <sup>[21]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse sentido, a vulnerabilidade clim&aacute;tica deve ser   entendida n&atilde;o somente como risco ambiental, mas como express&atilde;o de uma   desigualdade estrutural. Garantir infraestrutura adequada e inser&ccedil;&atilde;o dos   catadores nas pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas n&atilde;o &eacute; apenas uma medida t&eacute;cnica, mas uma   forma de fortalecer a resili&ecirc;ncia dos catadores e, consequentemente, das   pr&oacute;prias cidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 2018, a WIEGO desenvolveu uma calculadora de emiss&otilde;es de   GEE que permite a medi&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es evitadas por meio dos seguintes   m&eacute;todos de tratamento de res&iacute;duos: desvio de res&iacute;duos da decomposi&ccedil;&atilde;o em   aterros sanit&aacute;rios e lix&otilde;es; reciclagem e elimina&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas;   triagem e transporte manuais e com menor consumo de combust&iacute;vel; e elimina&ccedil;&atilde;o   da queima a c&eacute;u aberto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ferramenta foi aplicada em Belo Horizonte em 2024 no   &acirc;mbito de um trabalho colaborativo entre organiza&ccedil;&otilde;es integrantes do F&oacute;rum   Municipal Lixo e Cidadania (FMLC). A aplica&ccedil;&atilde;o da ferramenta, com base nos   dados fornecidos pela SLU e validados pelos pr&oacute;prios catadores, permitiu   estimar que, em 2023, as cooperativas e associa&ccedil;&otilde;es integradas ao programa   p&uacute;blico de coleta seletiva da cidade evitaram a emiss&atilde;o de 6.308,88 toneladas   de CO<sub>2</sub> equivalente.<sup>[22]</sup> Esse volume corresponde &agrave;   mitiga&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 950 kg de CO<sub>2</sub> e por tonelada de   material reciclado, indicador que pode ser aplicado para estimativas futuras e   compara&ccedil;&otilde;es com outras cidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar da relev&acirc;ncia do dado, &eacute; importante ressaltar que o   c&aacute;lculo n&atilde;o contempla dados do recolhimento de recicl&aacute;veis realizado de forma   aut&ocirc;noma e informal por catadores aut&ocirc;nomos. Ainda assim, o levantamento dos   dados constitui um avan&ccedil;o metodol&oacute;gico crucial ao estabelecer uma base emp&iacute;rica   para reconhecer o papel dos catadores na mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por fim, &eacute; relevante abordar o tema da governan&ccedil;a clim&aacute;tica   participativa. Catadores est&atilde;o na linha de frente dos impactos das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas, mas ainda s&atilde;o raras as ocasi&otilde;es em que s&atilde;o efetivamente consultados   e, quando o s&atilde;o, com frequ&ecirc;ncia suas contribui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o ignoradas. A quest&atilde;o da   governan&ccedil;a clim&aacute;tica participativa se apresenta como crucial para mudar   narrativas e pr&aacute;ticas em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; coprodu&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias adaptativas que   possam fortalecer a capacidade de resili&ecirc;ncia desses atores. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, o   trabalho da WIEGO facilita a participa&ccedil;&atilde;o de catadores na C&acirc;mara Tem&aacute;tica de   Economia Circular do F&oacute;rum Brasileiro de Mudan&ccedil;a do Clima, de &acirc;mbito nacional,   e no Comit&ecirc; de Ecoefici&ecirc;ncia e Adapta&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio de Belo Horizonte. A   amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o dos catadores em espa&ccedil;os mais diretamente ligados &agrave;   quest&atilde;o clim&aacute;tica contribui na incid&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m na capacita&ccedil;&atilde;o dos   mesmos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>As mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas amplificam vulnerabilidades estruturais e econ&ocirc;micas pr&eacute;-existentes   dos grupos sociais</i>."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Neste artigo trouxemos dados de pesquisa e mapeamentos que   evidenciam a urg&ecirc;ncia de integrar o trabalho dos catadores &agrave;s estrat&eacute;gias de   enfrentamento da crise clim&aacute;tica, tanto sob a &oacute;tica da adapta&ccedil;&atilde;o quanto da   mitiga&ccedil;&atilde;o. Em Belo Horizonte, como demonstrado, os impactos das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas sobre esse grupo revelam n&atilde;o somente a precariedade das condi&ccedil;&otilde;es de   trabalho, mas tamb&eacute;m a invisibiliza&ccedil;&atilde;o estrutural de suas contribui&ccedil;&otilde;es &agrave;   sustentabilidade urbana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como discutido na literatura, a rela&ccedil;&atilde;o entre mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas, pobreza, vulnerabilidade social e desigualdade se caracteriza por   um ciclo vicioso perverso onde as vulnerabilidades pr&eacute;-existentes conformam a   natureza do impacto sofrido por eventos extremos exacerbando-os &#151; seja no   espa&ccedil;o da casa, do espa&ccedil;o urbano ou do trabalho. Por sua vez, impactos de   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas contribuem para o aprofundamento das desigualdades e   vulnerabilidade social desses grupos e comunidades, afetando seus meios de subsist&ecirc;ncia.   O projeto recente da WIEGO &#151; Monitoramento de Eventos Clim&aacute;ticos Extremos e   Impactos no Trabalho de Catadores &#151; em cooperativas de seis cidades do Brasil   (Belo Horizonte, Bel&eacute;m, Bras&iacute;lia, Florian&oacute;polis, Salvador e Manaus) continuar&aacute;   a documentar (2024-2026) impactos na estrutura f&iacute;sica dos galp&otilde;es,   equipamentos, rotinas de trabalho, renda e sa&uacute;de e poder&aacute; oferecer uma   radiografia mais detalhada para o desenho de pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas baseadas em   evid&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Argumentamos neste artigo que a constru&ccedil;&atilde;o da resili&ecirc;ncia   dos catadores &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; um caminho para aumentar a resili&ecirc;ncia   das cidades. Reconhecemos que resili&ecirc;ncia &eacute; um termo contestado. Algumas   cr&iacute;ticas giram em torno de como o termo despolitiza a an&aacute;lise de risco e a   responsabilidade do sistema econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico. Trundle (2020),<sup>[23]</sup> por exemplo, aponta que poucos moradores de assentamentos informais afirmam   espontaneamente que s&atilde;o resilientes &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, mesmo que   frequentemente superem eventos clim&aacute;ticos extremos, entre outros m&uacute;ltiplos   desafios. Apesar das cr&iacute;ticas, o termo resili&ecirc;ncia, pelo menos para os   contextos urbanos, &eacute; muito prevalente, na pr&aacute;tica e no discurso pol&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica &eacute; a capacidade de um sistema absorver   as tens&otilde;es impostas pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, preparar-se para elas, responder   a elas, recuperar-se dos impactos e desenvolver-se em sistemas mais   sustent&aacute;veis e robustos. Nossos achados de pesquisa e   documenta&ccedil;&atilde;o, apontam para a relev&acirc;ncia da incorpora&ccedil;&atilde;o da resili&ecirc;ncia   clim&aacute;tica em projetos e atividades de gest&atilde;o de res&iacute;duos em geral e na   reciclagem inclusiva, pois isso pode contribuir para minimizar riscos e perdas   para os catadores e apoi&aacute;-los na r&aacute;pida recupera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dado este contexto, na constru&ccedil;&atilde;o da resili&ecirc;ncia urbana &eacute;   importante: reconhecer as experi&ecirc;ncias vividas e o conhecimento dos catadores   que j&aacute; est&atilde;o moldando como eles est&atilde;o respondendo aos eventos extremos; avan&ccedil;ar   na conscientiza&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o das principais quest&otilde;es e linguagem de   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas para catadores, a fim de ajud&aacute;-los a coestruturar um   roteiro de transi&ccedil;&atilde;o justa; pesquisar e documentar os impactos de eventos   extremos e suas estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o como crucial para a compreens&atilde;o da adapta&ccedil;&atilde;o:   o que funciona, em que medida, onde, porque e para quem; investir em   infraestrutura de trabalho sens&iacute;vel &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e um conjunto de   medidas de prote&ccedil;&atilde;o social para alavancar a resili&ecirc;ncia dos catadores aos   impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diante do exposto, o combate &agrave; emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica requer,   assim, a combina&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas estrat&eacute;gias a diferentes n&iacute;veis, envolvendo de   forma transformativa m&uacute;ltiplos atores. Nesse sentido, a agenda de pesquisa e   a&ccedil;&atilde;o busca incidir no tema de forma multifacetada e interligando frentes   diversas que v&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o e pesquisa &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em f&oacute;runs e comit&ecirc;s   (nacional-subnacional-local), do apoio aos catadores na incid&ecirc;ncia em pol&iacute;ticas   governamentais e da ind&uacute;stria ao apoio na sensibiliza&ccedil;&atilde;o, capacita&ccedil;&atilde;o e   letramento clim&aacute;tico desses trabalhadores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mas &eacute; preciso cautela, j&aacute; que uma dupla opera&ccedil;&atilde;o &eacute;   necess&aacute;ria: por um lado, &eacute; fundamental centralizar as vozes dos catadores   capturando sua experi&ecirc;ncia vivida dos impactos, identificar suas estrat&eacute;gias   adaptativas e "<i>modos de resili&ecirc;ncia end&oacute;gena</i>",[23] que operam fora das   estruturas de governan&ccedil;a formal. Por outro lado, &eacute; tamb&eacute;m importante promover   um di&aacute;logo e intera&ccedil;&atilde;o com o sistema de governan&ccedil;a clim&aacute;tica formal, mas para   desmontar as abordagens "<i>top-down</i>", &eacute; preciso&nbsp;faz&ecirc;-lo de   forma cr&iacute;tica e reflexiva, para que solu&ccedil;&otilde;es tecnicistas n&atilde;o acabem   minando e destruindo essa resili&ecirc;ncia end&oacute;gena.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[1] DODMAN, D.; ARCHER, D.; SATTERTHWAITE, D. Editorial:   responding to climate change in contexts of urban poverty and informality. <i>Environment   and Urbanization</i>, v. 31, n. 1, p. 3-12, 2019. DOI:   <a href="https://doi.org/10.1177/0956247819830004" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0956247819830004</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[2] DIAS, S. M.; OGANDO, A. C.; BROTO, V. C.; CYPRIANO, B.;   GON&Ccedil;ALVES, J. <i>Impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o:   experi&ecirc;ncias de catadoras e catadores de materiais recicl&aacute;veis do Brasil</i>.   Nota pol&iacute;tica da WIEGO, n. 29, 2023. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.wiego.org/research-library-publications/impactos-das-mudancas-climaticas-e-estrategias-de-adaptacao-experiencias-de-catadoras/" target="_blank">https://www.wiego.org/research-library-publications/impactos-das-mudancas-climaticas-e-estrategias-de-adaptacao-experiencias-de-catadoras/</a>.   Acesso em: 5 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[3] DIAS, S. M.; SAMSON, M. <i>Informal Economy Monitoring   Study Sector Report: Waste Pickers</i>. Manchester: WIEGO, 2016. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.wiego.org/research-library-publications/informal-economy-monitoring-study-sector-report-waste-pickers/" target="_blank">https://www.wiego.org/research-library-publications/informal-economy-monitoring-study-sector-report-waste-pickers/</a>.   Acesso em: 5 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[4] DIAS, S. M.; CAST&Aacute;N BROTO, V.; CYPRIANO, B.; OGANDO, A.   C.; GON&Ccedil;ALVES, J. The case for a climate bonus: waste pickers' perceptions of   climate change in Minas Gerais. <i>Environment &amp; Urbanization</i>, v. 36,   n. 1, p. 93-111, 2024. DOI: <a href="https://doi.org/10.1177/09562478241230813" target="_blank">https://doi.org/10.1177/09562478241230813</a>.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[5] RECKIEN, D.; LUDI, E.; ROCHA, M.; LANGERWISCH, F.;   SCHAEFFER, M.; HARE, B. <i>Turn down the heat: confronting the new climate   normal</i>. Washington, DC: International Bank for Reconstruction and   Development / The World Bank, 2014. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.academia.edu/18378159/Turn_Down_the_Heat_Confronting_the_New_Climate_Normal" target="_blank">https://www.academia.edu/18378159/Turn_Down_the_Heat_Confronting_the_New_Climate_Normal</a>.   Acesso em: 5 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[6] SALLEH, K. O. Climate insecurity in Southeast Asia:   designing policies to reduce vulnerabilities. <i>Henry L. Stimson Center</i>,   2009. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.academia.edu/33820870/Climate_Insecurity_in_Southeast_Asia_Designing_Policies_to_Reduce_Vulnerabilities" target="_blank">https://www.academia.edu/33820870/Climate_Insecurity_in_Southeast_Asia_Designing_Policies_to_Reduce_Vulnerabilities</a>.   Acesso em: 5 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[7] GREY, S. Gender-responsive climate change adaptation:   ensuring effectiveness and sustainability. <i>International Bank for   Reconstruction and Development / The World Bank</i>, 2012. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.academia.edu/2286751/Gender_Responsive_Climate_Change_Adaptation_Ensuring_Effectiveness_and_Sustainability" target="_blank">https://www.academia.edu/2286751/Gender_Responsive_Climate_Change_Adaptation_Ensuring_Effectiveness_and_Sustainability</a>.   Acesso em: 5 jul. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[8] RASCH, R. J. Assessing urban vulnerability to flood   hazard in Brazilian municipalities. <i>Environment and Urbanization</i>, v. 28,   n. 1, p. 145-168, 2016. DOI: <a href="https://doi.org/10.1177/0956247815620961" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0956247815620961</a>.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[9] COHEN, D. A. Water crisis and eco-apartheid in S&atilde;o   Paulo: beyond naive optimism about climate-linked disasters - Spotlight on   Parched Cities, Parched Citizens. <i>International Journal of Urban and   Regional Research (IJURR)</i>, 2018. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.ijurr.org/spotlight-on/parched-cities-parched-citizens/water-crisis-and-eco-apartheid-in-sao-paulo-beyond-naive-optimism-about-climate-linked-disasters/" target="_blank">https://www.ijurr.org/spotlight-on/parched-cities-parched-citizens/water-crisis-and-eco-apartheid-in-sao-paulo-beyond-naive-optimism-about-climate-linked-disasters/</a>.   Acesso em: 5 jul. 2025.    </font></p>     ]]></body>
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