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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Oásis urbanos para adaptação ao calor: a emergência silenciosa]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Adaptação Climática]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mudanças Climáticas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250043</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>O&aacute;sis urbanos para adapta&ccedil;&atilde;o ao calor: a   emerg&ecirc;ncia silenciosa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Denise Duarte<sup>I</sup>; Luiza Sobhie   Mu&ntilde;oz<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professora   Titular na FAUUSP, atualmente Presidente da Comiss&atilde;o de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o.   Desenvolve pesquisas para a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a do clima em cidades e   edif&iacute;cios.    <br>   <sup>II</sup>Arquiteta e Urbanista, doutoranda no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em   Arquitetura e Urbanismo da FAU-USP, bolsista FAPESP</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O calor extremo &eacute;, cada vez mais, uma   emerg&ecirc;ncia silenciosa. Os anos de 2024 e 2023 foram os mais quentes desde a era   pr&eacute;-industrial, respectivamente. Abril de 2025 foi o 21º m&ecirc;s, dentre os &uacute;ltimos   22 at&eacute; ent&atilde;o, com temperaturas acima de 1,5°C em rela&ccedil;&atilde;o   aos n&iacute;veis pr&eacute;-industriais, com evid&ecirc;ncias cada vez mais robustas de morbidade   e mortalidade decorrentes do calor nos estudos de atribui&ccedil;&atilde;o. No Brasil, nove   ondas de calor foram registradas em 2023 e outras nove em 2024. Com 87% da popula&ccedil;&atilde;o   vivendo em &aacute;reas urbanizadas, profundamente marcadas por desigualdades, o pa&iacute;s   tarda em definir e colocar em pr&aacute;tica medidas estruturais de adapta&ccedil;&atilde;o ligadas   &agrave;s necessidades da vida di&aacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o, especialmente dos mais vulner&aacute;veis   e mais expostos ao risco. Como uma primeira medida de adapta&ccedil;&atilde;o ao calor,   prop&otilde;e-se uma rede de o&aacute;sis urbanos nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, prioritariamente ao   longo dos eixos de mobilidade do transporte coletivo e de mobilidade ativa, nas   escolas, nos espa&ccedil;os esportivos e de lazer e nos centros comunit&aacute;rios, formais   e informais. O prop&oacute;sito da rede &eacute; criar espa&ccedil;os de resfriamento ou ref&uacute;gios   clim&aacute;ticos com solu&ccedil;&otilde;es baseadas na natureza e outras estrat&eacute;gias de desenho   urbano e desenho dos edif&iacute;cios, ligando as evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas do aquecimento   urbano, de forma territorializada, &agrave; vida na cidade. Localmente, em S&atilde;o Paulo,   prop&otilde;e-se esta rede como uma medida estruturante a ser incorporada &agrave; revis&atilde;o do   plano de a&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, PlanclimaSP, em curso.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> Adapta&ccedil;&atilde;o Clim&aacute;tica; Ref&uacute;gios Clim&aacute;ticos; O&aacute;sis Urbanos; Infraestrutura Verde;   Solu&ccedil;&otilde;es Baseadas na Natureza; Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 2018, 55% da popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; vivia em cidades,   propor&ccedil;&atilde;o que deve aumentar para 68% em 2050. As proje&ccedil;&otilde;es mostram que a   urbaniza&ccedil;&atilde;o, combinada com o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o mundial, pode adicionar   outros 2,5 bilh&otilde;es de pessoas em &aacute;reas urbanas at&eacute; 2050, principalmente na &Aacute;sia   e na &Aacute;frica.<sup>[1]</sup> No Brasil, atingimos 87% de popula&ccedil;&atilde;o urbana em   2022.<sup>[2]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Globalmente, os &uacute;ltimos dez anos foram os mais   quentes j&aacute; registrados. 2024 foi o ano mais quente j&aacute; registrado &#151; seguido por   2023 &#151; e o primeiro ano-calend&aacute;rio com temperatura m&eacute;dia de 1,5 °C acima dos   n&iacute;veis pr&eacute;-industriais.<sup>[3]</sup> No Brasil, o ano de 2024 foi o mais   quente desde 1961; a m&eacute;dia das temperaturas do ano no pa&iacute;s ficou de 0,79°C   acima da m&eacute;dia hist&oacute;rica 1991-2020.<sup>[4]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em paralelo, como uma das decorr&ecirc;ncias das   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais em curso, &eacute; not&oacute;rio o aumento da frequ&ecirc;ncia, da   dura&ccedil;&atilde;o e da intensidade das ondas de calor, agravando diferentes fen&ocirc;menos de   aquecimento urbano que aumentam o desconforto, o stress t&eacute;rmico, a mortalidade   e a demanda por energia para resfriamento. Segundo o Instituto Nacional de   Meteorologia,<sup>[4]</sup> no Brasil, foram 9 ondas de calor em 2023 e outras   9 em 2024.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>O   calor extremo vem sendo chamado de emerg&ecirc;ncia silenciosa, de emerg&ecirc;ncia de   sa&uacute;de global e, at&eacute; mesmo, de assassino silencioso</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em S&atilde;o Paulo, quarta maior aglomera&ccedil;&atilde;o urbana   do mundo, dados clim&aacute;ticos medidos revelam um padr&atilde;o claro de aquecimento;   desde o in&iacute;cio das medi&ccedil;&otilde;es em 1933, houve um aumento de cerca de 4°C na m&eacute;dia anual da temperatura m&aacute;xima do ar. A temperatura m&aacute;xima   registrada no mesmo per&iacute;odo ocorreu em novembro de 2023 e foi equivalente a   38,3 °C.<sup>[5]</sup> Esses eventos, globais e locais, mostram que os extremos   de calor v&ecirc;m acontecendo em um novo patamar. Os extremos de calor mudam   linearmente com o aquecimento global, em uma frequ&ecirc;ncia que praticamente dobra   a cada d&eacute;cada, desde 1979. Isso torna o clima de uma d&eacute;cada atr&aacute;s n&atilde;o   representativo do clima atual.<sup>[6]</sup> Muitas vezes, os eventos extremos   acontecem tamb&eacute;m de forma composta ou em cascata.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O calor extremo vem sendo chamado de   emerg&ecirc;ncia silenciosa, de emerg&ecirc;ncia de sa&uacute;de global e, at&eacute; mesmo, de assassino   silencioso. Essa invisibilidade &eacute; mais um desafio a ser enfrentado, porque n&atilde;o   enxergamos, diretamente, os efeitos do calor, ao contr&aacute;rio do que acontece com   eventos de chuvas extremas, inunda&ccedil;&otilde;es, deslizamentos de terra e inc&ecirc;ndios   florestais, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em todo o mundo, estudos de atribui&ccedil;&atilde;o de   mortes pelo calor demandam um certo tempo para serem consolidados. Em muitos   casos, a causa da morte &eacute; atribu&iacute;da a outros fatores. As evid&ecirc;ncias est&atilde;o no   aumento do n&uacute;mero de chamados de ambul&acirc;ncia, atendimentos em unidades de sa&uacute;de,   admiss&otilde;es hospitalares e, finalmente, aumento do n&uacute;mero de mortes excedentes,   que podem ser coincidentes ou imediatamente posteriores a eventos com   temperaturas elevadas, assim como acontece com eventos extremos de polui&ccedil;&atilde;o   atmosf&eacute;rica. Segundo Paulo Saldiva,<sup>[7]</sup> nos dias mais quentes, h&aacute; um   aumento de 50% no n&uacute;mero de mortes em S&atilde;o Paulo. As pessoas podem ter um   mal-estar s&uacute;bito devido &agrave;s altas temperaturas, acompanhadas &agrave;s vezes de baixa   umidade e quase sempre de altas doses de polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Am&eacute;rica do Sul, particularmente o Brasil,   carece de pesquisas sobre os impactos dos extremos de temperatura na sa&uacute;de,   especialmente sobre o papel desempenhado por fatores socioecon&ocirc;micos no risco   de doen&ccedil;as relacionadas ao calor. Uma an&aacute;lise abrangente dos efeitos das ondas   de calor nas taxas de mortalidade nas 14 &aacute;reas urbanas mais populosas,   compreendendo aproximadamente 35% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, mostra que eventos   extremos de calor s&atilde;o um desastre negligenciado no Brasil. No entanto, mais de   48.000 mortes foram relacionadas ao aumento da ocorr&ecirc;ncia de ondas de calor de   2000 a 2018, o que significa que as ondas de calor mataram 20 vezes mais do que   os deslizamentos de terra no mesmo per&iacute;odo.<sup>[8]</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A ci&ecirc;ncia da adapta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo o climatologista Carlos Nobre, a   ci&ecirc;ncia da adapta&ccedil;&atilde;o, de forma geral, &eacute; uma ci&ecirc;ncia ainda desassistida que, por   muito tempo, foi deixada em segundo plano (informa&ccedil;&atilde;o obtida verbalmente).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dentre os riscos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o   risco ao calor tamb&eacute;m foi negligenciado, talvez pela falta de dados e pela   falta de percep&ccedil;&atilde;o de que o calor mata, mais ainda em contextos socioecon&ocirc;micos   mais fr&aacute;gil, em todo o mundo. Uma revis&atilde;o da literatura investigando os riscos   globais relacionados ao clima em assentamentos informais nos &uacute;ltimos 23 anos   revelou uma tend&ecirc;ncia crescente de artigos publicados sobre riscos relacionados   &agrave; mudan&ccedil;a do clima, particularmente nos &uacute;ltimos seis anos; no entanto, apesar   da preval&ecirc;ncia de altas temperaturas, os estudos que abordam os riscos   relacionados ao calor s&atilde;o pouco explorados.<sup>[9]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Independente do est&aacute;gio de desenvolvimento   local, os esfor&ccedil;os empreendidos, principalmente os esfor&ccedil;os pol&iacute;ticos, s&atilde;o   feitos, com muito mais frequ&ecirc;ncia, para a mitiga&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o de emiss&atilde;o   de gases de efeito estufa. Essa &eacute; uma m&eacute;trica mais f&aacute;cil de se quantificar, de   se monitorar, e os invent&aacute;rios de emiss&otilde;es s&atilde;o feitos com certa regularidade   por governos e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, tornando os dados quantitativos   mais vis&iacute;veis &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica, al&eacute;m de serem parte dos acordos internacionais.   A ci&ecirc;ncia da mitiga&ccedil;&atilde;o &eacute; uma ci&ecirc;ncia muito mais estabelecida e que,   politicamente, causa mais impacto por ser mais quantitativa, enquanto os   efeitos da adapta&ccedil;&atilde;o, ambientais e socioecon&ocirc;micos, ainda s&atilde;o insuficientemente   medidos, monitorados e, portanto, muito invisibilizados. Para reverter esse   quadro, a ci&ecirc;ncia precisa de dados voltados &agrave;s estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o, da&iacute; a   import&acirc;ncia do monitoramento das a&ccedil;&otilde;es com base em indicadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A falta de dados nas cidades brasileiras   decorre, de in&iacute;cio, da falta de uma rede de monitoramento clim&aacute;tico na &aacute;rea   urbanizada, em diferentes morfologias urbanas, que revelem os contrastes entre   diferentes &aacute;reas da cidade e tamb&eacute;m monitorem os resultados das a&ccedil;&otilde;es de   adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica ao longo do tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es ao longo   do tempo poderiam prover, por exemplo, evid&ecirc;ncias do efeito microclim&aacute;tico do   sombreamento e evapotranspira&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o, da efic&aacute;cia da infraestrutura   cinza e verde/azul, para saber se e como as obras de engenharia e as solu&ccedil;&otilde;es   baseadas na natureza est&atilde;o funcionando, e em que medida. Al&eacute;m de saber quanto   chove e onde, precisamos saber quanto infiltra, quanto escoa, para se avaliar a   estrat&eacute;gia ao longo do tempo e planejar a manuten&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Adapta&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas urbanizadas na escala do   planejamento e do desenho urbano</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os modelos clim&aacute;ticos globais e regionais s&atilde;o   de grande escala e a pesquisa interdisciplinar entre meteorologia e arquitetura   e urbanismo busca fazer esse <i>downscaling</i> para escalas menores,   principalmente em &aacute;reas urbanizadas, trazendo os dados microclim&aacute;ticos, os   cen&aacute;rios e a discuss&atilde;o para as escalas do planejamento, do desenho urbano e dos   edif&iacute;cios. Em &aacute;reas urbanizadas, os padr&otilde;es de uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo e as emiss&otilde;es   de calor antropog&ecirc;nico podem ser mais impactantes nas tend&ecirc;ncias de aquecimento   local do que as emiss&otilde;es de gases de efeito estufa, o que significa que o   desenho, nas v&aacute;rias escalas da arquitetura e urbanismo, importa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma sistematiza&ccedil;&atilde;o de planos de adapta&ccedil;&atilde;o   clim&aacute;tica vigentes no Brasil e no mundo mapeou iniciativas em todos os   continentes, a partir de 153 planos selecionados, dos quais 12 prov&ecirc;m da   &Aacute;frica, 86 das Am&eacute;ricas, 26 da &Aacute;sia, 25 da Europa e 4 da Oceania. Os planos   foram sistematizados geogr&aacute;fica e temporalmente, bem como foram elencadas as   estrat&eacute;gias mais adotadas e as melhores pr&aacute;ticas. Al&eacute;m da predomin&acirc;ncia de   a&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o ligadas &agrave; infraestrutura verde, encontradas em 74% dos   planos, destacam-se as respostas &agrave;s ondas de calor e a provis&atilde;o de locais de   resfriamento, mencionados em 44% e 33% dos documentos analisados,   respectivamente.<sup>[10]</sup> Localmente, em S&atilde;o Paulo, os resultados   evidenciam a urg&ecirc;ncia de medidas estruturantes de adapta&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m de   medidas pontuais e emergenciais, como a Opera&ccedil;&atilde;o Altas Temperaturas (OAT), uma   a&ccedil;&atilde;o intersecretarial da Prefeitura Municipal de S&atilde;o Paulo que entrou em vigor   em setembro de 2023, em meio a uma sucess&atilde;o de ondas de calor, que ocorreram   mesmo no inverno, naquele ano.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na escala urbana, as infraestruturas verde e   azul podem ser estrat&eacute;gias eficazes, com uma s&eacute;rie de cobenef&iacute;cios, para a   regula&ccedil;&atilde;o do clima na microescala e para a economia de energia, principalmente   pelo sombreamento e pela evapotranspira&ccedil;&atilde;o promovida pela vegeta&ccedil;&atilde;o arb&oacute;rea,   aliada &agrave; necess&aacute;ria disponibilidade de &aacute;gua no solo. O sombreamento em   diferentes graus nos espa&ccedil;os abertos, por elementos arquitet&ocirc;nicos e   paisag&iacute;sticos, aliado ao adequado tratamento das superf&iacute;cies urbanas, s&atilde;o   igualmente relevantes para o balan&ccedil;o de energia nas &aacute;reas urbanas. Juntos,   esses elementos do desenho urbano fazem toda a diferen&ccedil;a, apoiando   principalmente as estrat&eacute;gias de mobilidade ativa e o uso dos espa&ccedil;os abertos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Quantificando e espacializando o risco ao   calor em S&atilde;o Paulo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo o IPCC, risco &eacute; fun&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s   determinantes: perigo, vulnerabilidade e exposi&ccedil;&atilde;o.<sup>[11]</sup> O perigo   est&aacute; diretamente conectado &agrave;s quest&otilde;es ambientais,<sup>[12]</sup> vulnerabilidade &agrave;s susceptibilidades, fraquezas e predisposi&ccedil;&otilde;es &#151; bem como &agrave;   sensibilidade e capacidade adaptativa dos indiv&iacute;duos &#151; e exposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es   de uma &aacute;rea espec&iacute;fica. A forma como as pessoas s&atilde;o afetadas pelas temperaturas   extremas est&aacute; conectada &agrave; realidade em que vivem.<sup>[13]</sup> Portanto, a   espacializa&ccedil;&atilde;o do risco ao calor, que considera as especificidades dos   territ&oacute;rios urbanos, &eacute; importante medida de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica e potencial   ferramenta de planejamento urbano, estabelecendo prioridades de atua&ccedil;&atilde;o e   melhor aloca&ccedil;&atilde;o dos recursos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em S&atilde;o Paulo, o risco ao calor foi mapeado a   partir de dados ambientais e socioecon&ocirc;micos, e os resultados evidenciaram uma   forte rela&ccedil;&atilde;o com os aspectos socioecon&ocirc;micos. O mapa foi desenvolvido na   escala do setor censit&aacute;rio, utilizando dados p&uacute;blicos e a opini&atilde;o de   especialistas. Al&eacute;m de suprir uma lacuna sobre o tema em cidades subtropicais,   o m&eacute;todo incluiu par&acirc;metros in&eacute;ditos, como o tipo de habita&ccedil;&atilde;o, a morfologia   urbana e a proximidade com a vegeta&ccedil;&atilde;o. Uma vez desenvolvido na escala do setor   censit&aacute;rio, pode ser adaptado e replicado para qualquer cidade brasileira.<sup>[14]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O mapa de risco ao calor (<a href="#fig01">Figura 1</a>) captura a   intera&ccedil;&atilde;o entre aspectos socioecon&ocirc;micos e ambientais, e mostrou que os setores   censit&aacute;rios classificados como &aacute;reas de risco "alto" ou "extremamente alto"   est&atilde;o localizados principalmente nas &aacute;reas perif&eacute;ricas. Neles, as pessoas s&atilde;o   mais vulner&aacute;veis &#151; s&atilde;o mais sens&iacute;veis ao calor e possuem menor capacidade   adaptativa &#151;, mais suscet&iacute;veis aos perigos &#151; especialmente &agrave;s altas   temperaturas e falta de espa&ccedil;os verdes, em &aacute;reas caracterizadas por superf&iacute;cies   imperme&aacute;veis &#151; e est&atilde;o mais expostas ao calor &#151; vivendo em habita&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias   em meio a aglomerados populacionais. Ainda, &eacute; clara a sobreposi&ccedil;&atilde;o de favelas e   alta densidade populacional, o que eleva ainda mais os n&iacute;veis de exposi&ccedil;&atilde;o ao   calor.<sup>[14]</sup> O risco ao calor &eacute; parte de uma cadeia de diferentes   aspectos da desigualdade. Popula&ccedil;&otilde;es de baixa renda, que t&ecirc;m menos acesso a   &aacute;reas verdes adequadas e que vivem em &aacute;reas urbanas prec&aacute;rias e densamente   habitadas, compostas principalmente por favelas ou moradias em m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es,   s&atilde;o os mesmos que, com menor capacidade adaptativa, precisam enfrentar n&iacute;veis   altos ou extremamente altos de risco ao calor em S&atilde;o Paulo.<sup>[14]</sup> Para   al&eacute;m das quest&otilde;es clim&aacute;ticas, essa mesma popula&ccedil;&atilde;o enfrenta outros desafios,   como o menor acesso ao lazer &#151; mais facilmente acessado por modos privados de   transporte <sup>[15]</sup> &#151; e aos equipamentos culturais.<sup>[16]</sup> Muitos trabalham sob condi&ccedil;&otilde;es que aumentam a sua exposi&ccedil;&atilde;o ao calor, como   vendedores ambulantes, oper&aacute;rios na constru&ccedil;&atilde;o civil e outros. Ap&oacute;s um dia de   trabalho sob exposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s altas temperaturas, essas pessoas continuam expostas   em suas casas e seu alto n&iacute;vel de vulnerabilidade faz com que a recupera&ccedil;&atilde;o do   corpo e o descanso se tornem grandes desafios.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Se os formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas   quiserem reduzir o risco ao calor, o caminho mais eficaz &eacute; a melhoria das   condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas da popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel, exposta aos perigos e   aos maiores n&iacute;veis de risco. A capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos elementos-chave   no enfrentamento ao calor extremo, e depende de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de   governan&ccedil;a. Uma vez melhoradas as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas, a vulnerabilidade   e a exposi&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o reduzidas e, por conseguinte, a sua capacidade adaptativa   ser&aacute; melhorada.<sup>[14]</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>A   forma como as pessoas s&atilde;o afetadas pelas temperaturas extremas est&aacute; conectada &agrave;   realidade em que vivem</i>."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A falta do verde e a falta de espa&ccedil;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo abriga   aproximadamente 11,5 milh&otilde;es de habitantes em seus quase 1500 km<sup>2</sup> de   territ&oacute;rio, inserido em uma regi&atilde;o metropolitana de 22 milh&otilde;es de habitantes. A   densidade populacional m&eacute;dia do munic&iacute;pio &eacute; de 75,3 hab/ha, com varia&ccedil;&otilde;es   significativas entre os diferentes distritos.<sup>[17]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No munic&iacute;pio, a distribui&ccedil;&atilde;o do verde &eacute;   claramente desigual. De modo geral, &aacute;reas perif&eacute;ricas, mais vulner&aacute;veis e   densamente populosas, tendem a ser mais impermeabilizadas, mais distantes de   &aacute;reas verdes qualificadas e com menor taxa de cobertura vegetal, em especial,   arb&oacute;rea. Esse cen&aacute;rio &aacute;rido &eacute; um dos reflexos dos padr&otilde;es de urbaniza&ccedil;&atilde;o   t&iacute;picos de S&atilde;o Paulo e da maioria das cidades brasileiras, pautados pela   supress&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o para dar lugar &agrave;s superf&iacute;cies imperme&aacute;veis. Se, por um   lado, &eacute; imprescind&iacute;vel pensar em estrat&eacute;gias de desenho urbano e pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas de incremento do verde para novos territ&oacute;rios, &eacute; ainda mais urgente e   desafiador pensar sobre os espa&ccedil;os urbanos consolidados. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o surge   do paradoxo entre a falta do verde, medida essencial de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica e   enfrentamento dos extremos de temperatura, e a falta de espa&ccedil;o livre para a   vegeta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com o intuito de entender como essa quest&atilde;o   vem sendo abordada e resolvida em outras cidades, uma sistematiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es   de planejamento urbano e de instrumentos urban&iacute;sticos voltados para o   incremento do verde em espa&ccedil;os urbanos consolidados e p&uacute;blicos foi realizada a   partir da literatura cient&iacute;fica e da literatura cinza. Uma busca em bases   cient&iacute;ficas e nas p&aacute;ginas oficiais dos munic&iacute;pios resultou em uma amostra de   126 estrat&eacute;gias distribu&iacute;das em 73 documentos, de 22 pa&iacute;ses e 46 munic&iacute;pios, de   todos os continentes (<a href="#fig02">Figura 2</a>), sistematizadas de acordo com seu foco:   redesenho de ruas, aproveitamento de espa&ccedil;os ociosos, sejam eles subutilizados   ou abandonados, despavimenta&ccedil;&atilde;o e acesso p&uacute;blico &#151; com diferentes n&iacute;veis de   acesso e controle &#151; a &aacute;reas verdes privadas. As melhores pr&aacute;ticas incluem desde   as solu&ccedil;&otilde;es mais simples e menos custosas &#151; como a simples transforma&ccedil;&atilde;o de uma   superf&iacute;cie imperme&aacute;vel em perme&aacute;vel &#151; at&eacute; outras mais complexas &#151; como o   redesenho completo de partes do sistema vi&aacute;rio a partir da supress&atilde;o de faixas   destinadas aos autom&oacute;veis e alargamento das cal&ccedil;adas. Essa sistematiza&ccedil;&atilde;o traz   evid&ecirc;ncias de que o incremento da vegeta&ccedil;&atilde;o em todo o tecido urbano consolidado   &eacute; um grande desafio, mas, definitivamente, poss&iacute;vel.<sup>[18]</sup></font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Proposi&ccedil;&atilde;o da rede de o&aacute;sis urbanos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os centros de resfriamento ou ref&uacute;gios   clim&aacute;ticos podem configurar uma rede de o&aacute;sis urbanos nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos,   prioritariamente ao longo dos eixos de mobilidade do transporte coletivo e de   mobilidade ativa, nas escolas, nos espa&ccedil;os esportivos e de lazer e nos centros   comunit&aacute;rios, formais e informais, aproveitando a infraestrutura existente, e   estejam minimamente dispon&iacute;veis para a popula&ccedil;&atilde;o, em car&aacute;ter permanente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esses espa&ccedil;os s&atilde;o locais de amenidade   clim&aacute;tica em espa&ccedil;os abertos, de transi&ccedil;&atilde;o e em edifica&ccedil;&otilde;es, sejam elas   p&uacute;blicas, privadas ou privadas, com acesso p&uacute;blico permitido, distribu&iacute;dos pelo   tecido urbano e preparados para oferecer um ref&uacute;gio durante os per&iacute;odos   extremos de calor. Al&eacute;m da cobertura vegetal no solo e arb&oacute;rea, esta &uacute;ltima   essencial para a provis&atilde;o de &aacute;reas sombreadas, esses espa&ccedil;os devem oferecer   outros elementos essenciais para o enfrentamento das altas temperaturas, como   fontes de &aacute;gua pot&aacute;vel, al&eacute;m de &aacute;gua para a promo&ccedil;&atilde;o de resfriamento   evaporativo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Essas estrat&eacute;gias s&atilde;o comuns em cidades como   Paris e Barcelona. Em Paris, o bem-sucedido programa Oasis transforma &aacute;reas   comuns abertas das escolas em espa&ccedil;os de resfriamento, distribu&iacute;dos por toda a   cidade. Em Barcelona, mais de 200 ref&uacute;gios clim&aacute;ticos est&atilde;o espalhados na   cidade em forma de pra&ccedil;as, parques e &aacute;reas livres em meio aos quarteir&otilde;es, e   servem como um exemplo emblem&aacute;tico de que esses espa&ccedil;os emergentes est&atilde;o   atendendo &agrave;s necessidades, expectativas e experi&ecirc;ncias cotidianas dos moradores   mais vulner&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mesmo em um pa&iacute;s desenvolvido como a Espanha,   em Barcelona, a inadequa&ccedil;&atilde;o habitacional e a pobreza energ&eacute;tica experimentadas   por residentes de baixa renda e origin&aacute;rios de pa&iacute;ses do Sul Global os tornaram   os mais afetados e menos capazes de lidar com temperaturas extremas. Esse   contexto demanda infraestruturas de ref&uacute;gio que atendam &agrave;s necessidades sociais   e clim&aacute;ticas dos residentes que mais precisam delas. A distribui&ccedil;&atilde;o espacial no   territ&oacute;rio &eacute; particularmente desafiadora em bairros densamente ocupados, ao   exigir abordagens mais criativas e engenhosas que podem envolver a utiliza&ccedil;&atilde;o   de espa&ccedil;os existentes de propriedade privada ou operados pela comunidade como   centros comunit&aacute;rios, centros esportivos, escolas, estabelecimentos de   alimentos e bebidas e hortas urbanas locais. Al&eacute;m disso, o bairro poderia se   beneficiar de iniciativas de urbanismo t&aacute;tico em espa&ccedil;os p&uacute;blicos mais   limitados.<sup>[19]</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>Uma   vez melhoradas as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas, a vulnerabilidade e a exposi&ccedil;&atilde;o   ser&atilde;o reduzidas e, por conseguinte, a sua capacidade adaptativa ser&aacute; melhorada</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dentre os pa&iacute;ses em desenvolvimento destaca-se   o pioneirismo de Ahmedabad, &Iacute;ndia, que lan&ccedil;ou, ainda em 2013 (&uacute;ltima   atualiza&ccedil;&atilde;o em 2019), o primeiro plano na escala municipal no sul asi&aacute;tico   voltado &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o ao calor extremo, que traz medidas condizentes com o   contexto ambiental, cultural e socioecon&ocirc;mico local. As medidas incluem ativar   locais de resfriamento em templos religiosos, edif&iacute;cios p&uacute;blicos, shoppings e   abrigos noturnos tempor&aacute;rios para aqueles sem acesso &agrave; &aacute;gua e/ou eletricidade,   alertas em diferentes meios de comunica&ccedil;&atilde;o populares, pausas para trabalhadores   ao ar livre e salas dedicadas ao atendimento de insola&ccedil;&atilde;o em hospitais.<sup>[20]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na Am&eacute;rica Latina, Buenos Aires disp&otilde;e de uma   rede de 64 ref&uacute;gios clim&aacute;ticos, a maioria deles em espa&ccedil;os p&uacute;blicos, abertos ou   fechados, com ou sem condicionamento artificial.<sup>[21]</sup> A localiza&ccedil;&atilde;o   dos ref&uacute;gios e dos pontos de &aacute;gua pot&aacute;vel &eacute; disponibilizada nas p&aacute;ginas da   administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e no Google Maps, com uma descri&ccedil;&atilde;o da infraestrutura   existente.<sup>[22]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As oportunidades de adapta&ccedil;&atilde;o precisam estar   onde as pessoas est&atilde;o. Para al&eacute;m de locais priorit&aacute;rios como escolas, espa&ccedil;os   esportivos e de lazer e centros comunit&aacute;rios, a adapta&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria para   aqueles que se deslocam durante horas entre casa e trabalho, e que tem a sa&uacute;de   agravada pelo calor extremo na sua jornada, para al&eacute;m da inadequa&ccedil;&atilde;o da moradia   ou do pr&oacute;prio trabalho formal, ou informal a c&eacute;u aberto, e que vivenciam uma   sobreposi&ccedil;&atilde;o de riscos na sua vida di&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; imprescind&iacute;vel prover espa&ccedil;os de resfriamento para   aqueles que utilizam o transporte p&uacute;blico e a mobilidade ativa e est&atilde;o suscet&iacute;veis &agrave;s altas temperaturas, a come&ccedil;ar pela disponibilidade de   fontes de &aacute;gua   pot&aacute;vel, locais de descanso e sombra de qualidade nos terminais, nos pontos de   transporte, nas ciclovias e caminhos para pedestres. Ref&uacute;gios mais estruturados   e com maior capacidade podem estar justamente nos terminais de transporte, com   medidas de suporte para adapta&ccedil;&atilde;o ao calor, incluindo atendimento de sa&uacute;de,   durante as ondas de calor. Aplicativos para telefonia m&oacute;vel podem auxiliar com   o georreferenciamento dos espa&ccedil;os de resfriamento e pontos de &aacute;gua pot&aacute;vel, al&eacute;m das rotas e da disponibilidade dos meios   de transporte p&uacute;blico para se chegar at&eacute; l&aacute;, servi&ccedil;o este sendo gratuito, em muitas localidades, durante as ondas   de calor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As a&ccedil;&otilde;es locais para adapta&ccedil;&atilde;o ao calor em   curso podem ser potencializadas com a ado&ccedil;&atilde;o de medidas estruturantes, para   al&eacute;m de a&ccedil;&otilde;es emergenciais, como a Opera&ccedil;&atilde;o Altas Temperaturas da Prefeitura   Municipal de S&atilde;o Paulo, que n&atilde;o se alinha a outras quest&otilde;es ambientais e que   n&atilde;o atende &agrave; escala do problema. Nesse sentido, o mapa de risco ao calor <sup>[14]</sup> pode contribuir para a revis&atilde;o do PlanClimaSP em curso em 2025, agregando   outros par&acirc;metros, especialmente aqueles que s&atilde;o pass&iacute;veis de regula&ccedil;&atilde;o   urban&iacute;stica (como morfologia urbana e infraestrutura verde) e devem ser   incorporados pelo marco regulat&oacute;rio urbano. Tamb&eacute;m pode orientar o   desenvolvimento de medidas de adapta&ccedil;&atilde;o conforme o grau de risco em toda a   cidade ou mesmo a implementa&ccedil;&atilde;o da rede de o&aacute;sis urbanos aqui proposta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Essas s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es de planejamento e de desenho   urbano que podem ser inclu&iacute;das nos planos de a&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, idealmente   acompanhadas de monitoramento microclim&aacute;tico, de avalia&ccedil;&atilde;o da efic&aacute;cia dessas   medidas ao longo do tempo para conforto e sa&uacute;de, de dados do fluxo de usu&aacute;rios   nos pontos de atendimento, nos parques, pra&ccedil;as e rotas de mobilidade ativa,   levando as oportunidades de adapta&ccedil;&atilde;o para onde as pessoas mais expostas ao   risco est&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse trabalho foi realizado com apoio da   Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (FAPESP), Brasil,   processos n° 2021/04751-7, 2023/03279-8, 2022/08401-3, 2021/11762-5 e   2020/06694-8, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico   (CNPq), processo n° 312592/2021-3, e da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de   Pessoal de N&iacute;vel Superior (CAPES), processo n° 88881.688962/2022-01.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[1] United Nations, Department of Economic and   Social Affairs, Population Division - UN/DESA. <i>World Urbanization Prospects   2018: Highlights (ST/ESA/SER.A/421)</i>. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[2] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E   ESTAT&Iacute;STICA (IBGE). <i>Principais Resultados</i>. Censo Demogr&aacute;fico, 2025.   Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/22827-censo-demografico-2022.html?=&t=destaques" target="_blank">https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/22827-censo-demografico-2022.html?=&amp;t=destaques</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[3] COPERNICUS. <i>News</i>, 2025. Dispon&iacute;vel   em: <a href="https://climate.copernicus.eu/" target="_blank">https://climate.copernicus.eu/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[4] Instituto Nacional de Meteorologia   (INMET). <i>Ano de 2024 &eacute; o mais quente no Brasil desde 1961</i>, 2025.   Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://portal.inmet.gov.br/noticias/2024-%C3%A9-o-ano-mais-quente-da-s%C3%A9rie-hist%C3%B3rica-no-brasil#:~:text=Em%202024%2C%20a%20m%C3%A9dia%20das,anos%20mais%20quentes%20no%20Pa%C3%ADs" target="_blank">https://portal.inmet.gov.br/noticias/2024-%C3%A9-o-ano-mais-quente-da-s%C3%A9rie-hist%C3%B3rica-no-brasil#:~:text=Em%202024%2C%20a%20m%C3%A9dia%20das,anos%20mais%20quentes%20no%20Pa%C3%ADs</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[5] IAG/USP, 2025. <i>Boletim Climatol&oacute;gico   Anual da Esta&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica do IAG/USP - 2024</i>. S&atilde;o Paulo, 2025, 36.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://estacao.iag.usp.br/Boletins/2024.pdf" target="_blank">https://estacao.iag.usp.br/Boletins/2024.pdf</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[6] VAUTARD <i>et al</i>. Heat extremes   linearly shift with global warming, with frequency doubling per decade since   1979. <i>Environ. Res. Lett</i>., v. 19, 094033, 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[7] PIVETTA, MARCOS. Varia&ccedil;&otilde;es de temperaturas   podem provocar 5 milh&otilde;es de mortes por ano. <i>Revista FAPESP</i>, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[8] MONTEIRO DOS SANTOS <i>et al</i>.   Twenty-first-century demographic and social inequalities of heat-related deaths   in Brazilian urban areas. <i>PLoS One</i>, v. 19, n. 1, e0295766, 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[9] TAVARES et al. A global (South) collective   burden: A systematic review of the current state of climate-related hazards in   informal settlements. <i>International Journal of Disaster Risk Reduction</i>,   v. 114, 104940, 2024.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[10] SOUZA, BRUNA. <i>O&aacute;sis urbanos para a   adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</i>: O desafio das cidades no enfrentamento &agrave;s   ondas de calor. 2024. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) -   Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o   Paulo,2024. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.13140/RG.2.2.31395.26403" target="_blank">http://dx.doi.org/10.13140/RG.2.2.31395.26403</a>. Acesso em: 19   ago. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[11] CARDONA <i>et al. Determinants of   risk: exposure and vulnerability</i>. In FIELD <i>et al</i>. (Eds.), Managing   the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation   (pp. 65-108). Cambridge University Press: Cambridge e New York, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[12] REISINGER <i>et al. The Concept of   Risk in the IPCC Sixth Assessment Report: A Summary of Cross-Working Group   Discussions</i>, p. 15, 2020.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[13] NAYAK <i>et al</i>. Development of a heat   vulnerability index for New York State. <i>Public Health</i>, v. 161, p.   127-137, 2018.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[14] MU&Ntilde;OZ, Luiza Sobhie; DUARTE, Denise   Helena Silva; EMMANUEL, Rohinton. Heat risk in the city of S&atilde;o Paulo:   Interactions between SUHI and social inequality. <i>Urban Climate</i>, v. 63,   102568, 2025.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[15] TOMASIELLO, Diego Bogado; GIANOTTI,   Mariana. Unfolding time, race and class inequalities to access leisure. <i>Environ.   Plann. B: Urban Anal. City Sci</i>., v. 50, n. 4, p. 927-941, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[16] SIQUEIRA-GAY, Juliana; GIANOTTI, Mariana;   SESTER, Monika. Learning about spatial inequalities: capturing the   heterogeneity in the urban environment. <i>J. Clean. Prod</i>., v. 237, 117732,   2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[17] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E   ESTAT&Iacute;STICA (IBGE). <i>Cidades e Estados</i>, 2025. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/sp/sao-paulo.html" target="_blank">https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/sp/sao-paulo.html</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[18] MU&Ntilde;OZ, Luiza Sobhie; DUARTE, Denise   Helena Silva. Green infrastructure as a planning tool: A comprehensive   systematization of urban redesign strategies to increase vegetation within   public places. <i>Cities</i>, v. 156, 105551, 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[19] AMORIM-MAIA et al. Seeking refuge? The   potential of urban climate shelters to address intersecting vulnerabilities. <i>Landscape   and Urban Planning</i>, v. 238, 104836, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[20] AHMEDABAD MUNICIPAL CORPORATION. <i>Ahmedabad   Action Plan: Guide to extreme heat planning in Ahmedabad, India</i>. 2019.   Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.nrdc.org/sites/default/files/ahmedabad-heat-action-plan-2019-update.pdf" target="_blank">https://www.nrdc.org/sites/default/files/ahmedabad-heat-action-plan-2019-update.pdf</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[21] BUENOS AIRES CIUDAD. <i>La Red de   Refugios Clim&aacute;ticos est&aacute; en las 15 comunas para descansar de las altas   temperaturas</i>, 2025. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://buenosaires.gob.ar/noticias/la-red-de-refugios-climaticos-esta-en-las-15-comunas-para-descansar-de-las-altas" target="_blank">https://buenosaires.gob.ar/noticias/la-red-de-refugios-climaticos-esta-en-las-15-comunas-para-descansar-de-las-altas</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[22] SECRETARIA MUNICIPAL DO VERDE E DO MEIO   AMBIENTE; UNI&Atilde;O DAS CIDADES CAPITAIS IBERO-AMERICANAS. <i>Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e   calor nas cidades: experi&ecirc;ncias de Bogot&aacute;, Buenos Aires, Lisboa e S&atilde;o Paulo S&atilde;o   Paulo</i>: [s.n.], 2024. 95 p.    </font></p>      ]]></body><back>
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