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<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20250044</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os desafios da reconstrução no Rio Grande do Sul: entre a crise climática e a governança em disputa]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Adaptação às Mudanças Climáticas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Enchentes no Rio Grande do Sul]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Governança Climática]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Injustiça Ambiental]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250044</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Os desafios da reconstru&ccedil;&atilde;o no Rio Grande do Sul: entre a   crise clim&aacute;tica e a governan&ccedil;a em disputa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Lorena C&acirc;ndido Fleury<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professora do Departamento de Sociologia da   Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e dos Programas de P&oacute;s- Gradua&ccedil;&atilde;o em   Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS) e P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia (PPGS/UFRGS)   da mesma universidade. Coordenadora do Grupo de Pesquisa TEMAS - Tecnologia,   Meio Ambiente e Sociedade. Bolsista Produtividade CNPq.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este trabalho analisa os desafios da reconstru&ccedil;&atilde;o do Rio   Grande do Sul diante da cat&aacute;strofe clim&aacute;tica de abril e maio de 2024, quando   enchentes hist&oacute;ricas afetaram 471 munic&iacute;pios, colapsaram servi&ccedil;os b&aacute;sicos e   expuseram vulnerabilidades sociais preexistentes. A partir da experi&ecirc;ncia da   capital Porto Alegre e de outras cidades, evidencia-se como o desastre n&atilde;o se   distribuiu de maneira homog&ecirc;nea, mas foi atravessado por marcadores de classe,   ra&ccedil;a e g&ecirc;nero, caracterizando processos de injusti&ccedil;a ambiental. O estudo   examina a formula&ccedil;&atilde;o e a governan&ccedil;a do Plano Rio Grande, principal pol&iacute;tica   p&uacute;blica de reconstru&ccedil;&atilde;o, que se estrutura em a&ccedil;&otilde;es emergenciais, de m&eacute;dio e de   longo prazo, mas enfrenta cr&iacute;ticas quanto &agrave; centraliza&ccedil;&atilde;o decis&oacute;ria, &agrave; captura   de espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o e &agrave; prioriza&ccedil;&atilde;o de interesses privados. A an&aacute;lise   aponta para tens&otilde;es entre diferentes diagn&oacute;sticos e atores &#151; governo estadual,   consultorias internacionais, cientistas locais, movimentos sociais e   organiza&ccedil;&otilde;es internacionais &#151; que disputam narrativas e estrat&eacute;gias para a   reconstru&ccedil;&atilde;o. Conclui-se que a experi&ecirc;ncia ga&uacute;cha revela a necessidade urgente   de pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas integradas, participa&ccedil;&atilde;o social efetiva e   fortalecimento das capacidades p&uacute;blicas de governan&ccedil;a para enfrentar crises   socioambientais cada vez mais recorrentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> Adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas;   Enchentes no Rio Grande do Sul; Governan&ccedil;a Clim&aacute;tica; Injusti&ccedil;a Ambiental</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estamos diante de uma emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica. A comunidade   cient&iacute;fica tem sido bastante eloquente a esse respeito: o sexto relat&oacute;rio do   Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC), publicado em 2022,   j&aacute; afirmava que &eacute; inequ&iacute;voco que a influ&ecirc;ncia humana aqueceu a atmosfera, os   oceanos e a superf&iacute;cie terrestre. Os relat&oacute;rios apontam que as emiss&otilde;es de   gases de efeito estufa do passado j&aacute; tornaram irrevers&iacute;veis algumas   consequ&ecirc;ncias do aquecimento global e eventos catastr&oacute;ficos n&atilde;o podem ser descartados;   contudo, ainda h&aacute; margem para a&ccedil;&atilde;o global.<sup>[1]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse contexto, o aumento da frequ&ecirc;ncia e da intensidade de   eventos clim&aacute;ticos extremos est&aacute; for&ccedil;ando cidades globalmente a reavaliar suas   estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o. No cen&aacute;rio da atua&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, a m&aacute;xima "o pior   desastre ainda est&aacute; por vir e temos que estar preparados para ele" ressoa como   um alerta constante, enfatizando a necessidade premente de desenvolver uma   cultura de risco e preven&ccedil;&atilde;o, com foco em planos diretores bem estruturados. No   entanto, a experi&ecirc;ncia recente do Rio Grande do Sul revela um contraste   marcante entre essa urg&ecirc;ncia e a realidade da gest&atilde;o p&uacute;blica.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>O aumento da   frequ&ecirc;ncia e da intensidade de eventos clim&aacute;ticos extremos est&aacute; for&ccedil;ando   cidades globalmente a reavaliar suas estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o</i>."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>A cat&aacute;strofe das enchentes de abril e maio de 2024 em   Porto Alegre e no Rio Grande do Sul</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Rio Grande do Sul, e em particular sua capital, Porto   Alegre, enfrentou entre abril e maio de 2024 uma das maiores enchentes de sua   hist&oacute;ria, resultado de um volume de chuvas sem precedentes em todo o registro   hist&oacute;rico. No m&ecirc;s de maio de 2024, foram registrados 513,6 mil&iacute;metros de chuva,   tornando-o o mais chuvoso da capital, cuja m&eacute;dia hist&oacute;rica entre 1911 e 2020   era de somente 112,8&nbsp;mm. Este volume extraordin&aacute;rio de chuvas afetou   centenas de outras cidades ga&uacute;chas, culminando no aumento recorde do n&iacute;vel dos   rios que des&aacute;guam no rio Gua&iacute;ba, &agrave;s margens do qual Porto Alegre foi erguida. O   extravasamento do rio Gua&iacute;ba submergiu grande parte da cidade por semanas,   levando ao colapso de servi&ccedil;os b&aacute;sicos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As consequ&ecirc;ncias foram devastadoras: todo o sistema h&iacute;drico   da capital entrou em colapso, resultando em alagamentos generalizados,   desabastecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel, transbordamento das redes pluvial e de   esgotos, e falta de energia el&eacute;trica. Este evento catastr&oacute;fico n&atilde;o s&oacute; causou   perdas humanas e materiais significativas, mas tamb&eacute;m exp&ocirc;s graves falhas na   capacidade da cidade de lidar com emerg&ecirc;ncias clim&aacute;ticas. A crise atravessou a   cidade por completo, interrompendo servi&ccedil;os essenciais e fechando estradas,   rodovi&aacute;ria, aeroporto, hospitais e escolas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O desastre atingiu 471 munic&iacute;pios do estado. Cerca de 6,9%   da popula&ccedil;&atilde;o ga&uacute;cha, ou 751.030 pessoas, foram diretamente afetadas, sendo que   40% delas (299.156 pessoas) j&aacute; estavam inscritas no Cadastro &Uacute;nico, indicando   uma vulnerabilidade pr&eacute;-existente ao desastre. Munic&iacute;pios como Eldorado do Sul,   Mu&ccedil;um, Igrejinha, Canoas, Colinas, Roca Sales, Marques de Souza, S&atilde;o Sebasti&atilde;o   do Ca&iacute;, S&atilde;o Leopoldo e Travesseiro tiveram mais de 40% de suas popula&ccedil;&otilde;es   atingidas. Em termos absolutos, Canoas registrou 152.852 pessoas afetadas,   Porto Alegre 121.925 e S&atilde;o Leopoldo 88.608.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diante da magnitude desse evento, poderia se supor uma certa   universalidade do desastre clim&aacute;tico, isto &eacute;, que haveria a demonstra&ccedil;&atilde;o de que   o desastre clim&aacute;tico atinge a todas as pessoas, sobrepondo-se a clivagens de   classe social, g&ecirc;nero e ra&ccedil;a. Contudo, quando analisamos de forma   pormenorizada, podemos observar que, ainda que praticamente toda a popula&ccedil;&atilde;o do   Rio Grande do Sul tenha sofrido consequ&ecirc;ncias diretas ou indiretas do evento   extremo, os modos como se vivencia o desastre clim&aacute;tico s&atilde;o atravessados por   injusti&ccedil;as ambientais. Acselrad; Mello e Bezerra <sup>[2]</sup> usam o termo   injusti&ccedil;a ambiental para designar o fen&ocirc;meno de imposi&ccedil;&atilde;o desproporcional dos   riscos e danos ambientais &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es menos dotadas de recursos financeiros,   pol&iacute;ticos ou informacionais.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>Os mais   atingidos t&ecirc;m ra&ccedil;a, classe e g&ecirc;nero bem marcados, e isso deve pautar a agenda   de enfrentamento &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No caso do desastre de enchentes no Rio Grande do Sul, a   injusti&ccedil;a ambiental pode ser identificada a partir de estudos que demonstraram   que as &aacute;reas mais alagadas em Porto Alegre e sua regi&atilde;o metropolitana s&atilde;o &aacute;reas   que concentram principalmente popula&ccedil;&otilde;es de baixa renda. Al&eacute;m disso, conforme   demonstram os mapeamentos conduzidos pelo N&uacute;cleo Porto Alegre do INCT   Observat&oacute;rio das Metr&oacute;poles, as &aacute;reas que mais sofreram com as enchentes   apresentam uma concentra&ccedil;&atilde;o expressiva de popula&ccedil;&atilde;o negra, geralmente acima da   m&eacute;dia dos munic&iacute;pios. &Eacute; o caso dos bairros Humait&aacute;, Sarandi e Rubem Berta, em   Porto Alegre, e o bairro Mathias Velho, em Canoas. A mesma situa&ccedil;&atilde;o se repetiu   no Vale do Sinos, nos munic&iacute;pios de S&atilde;o Leopoldo e Novo Hamburgo.<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>[i]</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foi poss&iacute;vel observar tamb&eacute;m que as mulheres foram   desproporcionalmente atingidas, seja em fun&ccedil;&atilde;o da sobrecarga do trabalho de   cuidado a que foram submetidas, ao tornarem-se majoritariamente respons&aacute;veis   por gerenciar abrigos volunt&aacute;rios, certificar-se da seguran&ccedil;a de crian&ccedil;as,   pessoas idosas e pessoas com defici&ecirc;ncia em meio &agrave;s enchentes e administrar a   vida dom&eacute;stica em situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade;<sup>[3]</sup> seja devido ao   aumento de casos de viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, denunciadas nos abrigos provis&oacute;rios   onde as pessoas deslocadas pela enchente passaram a habitar.<sup>[4]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Constata-se, ainda, que o tempo de resposta para a tomada de   medidas de reconstru&ccedil;&atilde;o atua tamb&eacute;m como um indicador da segrega&ccedil;&atilde;o social:   enquanto bairros mais nobres na capital ga&uacute;cha receberam atendimento   priorit&aacute;rio para o restabelecimento do fornecimento de &aacute;gua, luz e bombeamento   das vias alagadas, bairros perif&eacute;ricos como o bairro Sarandi, em Porto Alegre,   mantiveram-se desassistidos por mais de 40 dias ap&oacute;s o in&iacute;cio da inunda&ccedil;&atilde;o. Em   algumas comunidades quilombolas situadas em distintas regi&otilde;es do estado, por   sua vez, passado mais de um ano do evento extremo, h&aacute; pessoas morando em   abrigos provis&oacute;rios, como escolas da comunidade, visto que suas comunidades   seguem sem apoio para reconstru&ccedil;&atilde;o das moradias.<sup>[5]</sup> (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Desse modo, pode-se constatar que o desastre &eacute; vivenciado de   forma bastante desigual: os mais atingidos t&ecirc;m ra&ccedil;a, classe e g&ecirc;nero bem   marcados, e isso deve pautar a agenda de enfrentamento &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.   Contudo, o quanto essa tem sido a baliza para a reconstru&ccedil;&atilde;o do estado do Rio   Grande do Sul? Essa pergunta pode ser respondida a partir de an&aacute;lise conduzida   no escopo do INCT Participa,<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>[ii]</sup></a> conforme discutido a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O Plano Rio Grande: estrutura, a&ccedil;&otilde;es e controv&eacute;rsias na   reconstru&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O principal instrumento de pol&iacute;tica p&uacute;blica formulado pelo   governo do Rio Grande do Sul &eacute; o chamado Plano Rio Grande, institu&iacute;do pela Lei   16.134, de 24 de maio de 2024, e regulamentado pelo Decreto n.º 57.647, de 3 de   junho de 2024. Este programa de Reconstru&ccedil;&atilde;o, Adapta&ccedil;&atilde;o e Resili&ecirc;ncia Clim&aacute;tica   do estado visa propor medidas para atenuar os impactos das enchentes. O plano   prev&ecirc; a&ccedil;&otilde;es em tr&ecirc;s temporalidades:</font></p> <ul>       <li><font size="2" face="verdana">Emergenciais (curto prazo, 3 a 7 meses): focadas no     restabelecimento de servi&ccedil;os e direitos essenciais, como acesso &agrave; &aacute;gua e     moradia, desobstru&ccedil;&atilde;o de vias e acolhimento de desalojados.</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Reconstru&ccedil;&atilde;o (m&eacute;dio prazo): com investimentos em projetos     de habita&ccedil;&atilde;o (incluindo interesse social), infraestrutura (escolas, postos     de sa&uacute;de, vias) e recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, buscando a reconvers&atilde;o econ&ocirc;mica     atrav&eacute;s do hidrog&ecirc;nio verde e da agricultura de baixo carbono.</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Estruturais (longo prazo), sob a etiqueta "Rio Grande do     Sul do Futuro": para o desenho e implementa&ccedil;&atilde;o de medidas de resili&ecirc;ncia     clim&aacute;tica.</font></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p><font size="2" face="verdana">A execu&ccedil;&atilde;o do Plano Rio Grande est&aacute; a cargo da Secretaria da   Reconstru&ccedil;&atilde;o Ga&uacute;cha (SERG), criada pela Lei 16.136, de 3 de junho de 2024, e   cujo secret&aacute;rio &eacute; Pedro Capeluppi. A governan&ccedil;a do Plano Rio Grande &eacute; complexa,   composta por:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">1. Comit&ecirc; Gestor do Plano Rio     Grande: possui atribui&ccedil;&otilde;es deliberativas restritas ao executivo, composto     exclusivamente por membros do governo estadual, como o Governador,     Vice-Governador e Secret&aacute;rios de diversas pastas. O Governador e o     Vice-Governador s&atilde;o os atores centrais das medidas reestruturantes.</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">2. Conselho do Plano Rio Grande:     presidido pelo vice-governador, conta com um plen&aacute;rio que inclui representantes     da sociedade (m&iacute;nimo de 50%), designados pelo governador. Atualmente, o     conselho &eacute; composto por 59 representantes do poder p&uacute;blico, sociedade civil e     pessoas atingidas, incluindo entidades privadas como Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias     do Rio Grande do Sul (FIERGS), FECOMERCIO-RS, Federa&ccedil;&atilde;o da Agricultura do     estado do Rio Grande do Sul (FARSUL), bem como ONGs e OSCs como o Movimento dos     Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra     (MST), al&eacute;m de ex-governadores e empres&aacute;rios. O fluxo de trabalho envolve a     entrada de demandas, an&aacute;lise nas c&acirc;maras tem&aacute;ticas, destina&ccedil;&atilde;o pelo Comit&ecirc;     Executivo e monitoramento.</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">3. C&acirc;maras Tem&aacute;ticas: S&atilde;o 13     c&acirc;maras (como Desenvolvimento Social, Agricultura, Meio Ambiente,     Infraestrutura, etc.) coordenadas por secret&aacute;rios estaduais e o     vice-governador, sendo consideradas uma arena central para a compreens&atilde;o das     expectativas e delineamentos priorit&aacute;rios do estado p&oacute;s-evento extremo.</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">4. Comit&ecirc; Cient&iacute;fico de Adapta&ccedil;&atilde;o     e Resili&ecirc;ncia Clim&aacute;tica: possui atribui&ccedil;&otilde;es consultivas e propositivas, com 43     membros designados pelo governador.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">5. Fundo Plano Rio Grande   (FUNRIGS): um fundo p&uacute;blico or&ccedil;ament&aacute;rio para a reconstru&ccedil;&atilde;o, que contabilizava   um saldo de R$ 2.657.013.322,21 em mar&ccedil;o de 2025. Seu Comit&ecirc; Gestor &eacute; integrado   por cinco secret&aacute;rios de estado. O conselho do FUNRIGS reserva um ter&ccedil;o de sua   composi&ccedil;&atilde;o para universidades, sindicatos, setor produtivo e ambientalistas,   contando com 16 representa&ccedil;&otilde;es privadas e 5 p&uacute;blicas, incluindo institui&ccedil;&otilde;es   como a Universidade Federal do rio Grande (FURG), o Conselho Estadual do Meio   Ambiente (CONSEMA), Federa&ccedil;&atilde;o das Associa&ccedil;&otilde;es de Munic&iacute;pios do Rio Grande do   Sul (FAMURS), Federa&ccedil;&atilde;o Sindical dos Servidores do Rio Grande do Sul   (FESSERGS), centrais sindicais (CUT-RS, CTB-RS), e diversas entidades   empresariais e associa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>A atua&ccedil;&atilde;o da   gest&atilde;o p&uacute;blica incide significativamente para que as cat&aacute;strofes n&atilde;o sejam   evitadas ou para que seus impactos sejam amplificados</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A governan&ccedil;a do Plano Rio Grande tem sido objeto de diversas   cr&iacute;ticas. Uma das principais &eacute; a centraliza&ccedil;&atilde;o do poder decis&oacute;rio no executivo   e em atores do setor privado, configurando uma "captura" dos espa&ccedil;os de   participa&ccedil;&atilde;o social e cient&iacute;fica. Esta estrutura orienta medidas estruturantes   de grande impacto, como a constru&ccedil;&atilde;o de diques e casas de bombas, e pol&iacute;ticas   de Parcerias P&uacute;blico-Privadas (PPPs) na gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos,   levantando quest&otilde;es sobre a prioriza&ccedil;&atilde;o de interesses espec&iacute;ficos em detrimento   do bem comum.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A participa&ccedil;&atilde;o social &eacute; considerada limitada e condicionada,   sendo a opacidade das informa&ccedil;&otilde;es sobre o plano um fator agravante. A escassez   de dados nos canais oficiais dificulta uma compreens&atilde;o abrangente das a&ccedil;&otilde;es e   dos atores envolvidos. As c&acirc;maras tem&aacute;ticas, embora importantes, carecem de   transpar&ecirc;ncia sobre sua composi&ccedil;&atilde;o e funcionamento, sugerindo um acesso   restrito a atores com rela&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-estabelecidas com o Estado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro ponto de conflito &eacute; a prefer&ecirc;ncia do estado e do   munic&iacute;pio por empresas de consultoria internacionais, em detrimento da   expertise das universidades e cientistas locais. Essa abordagem tem sido   criticada por focar em diagn&oacute;sticos gen&eacute;ricos e n&atilde;o trabalhar especificamente   com as vulnerabilidades sociais das comunidades atingidas, criando uma lacuna   para as ci&ecirc;ncias humanas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A sub-representa&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais e grupos mais   vulner&aacute;veis nas c&acirc;maras tem&aacute;ticas &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o, limitando a diversidade de   perspectivas na formula&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es justas. Paralelamente, a Frente Popular   de Enfrentamento &agrave;s Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, juntamente com movimentos sociais como   o MST e o MAB, tem buscado mobilizar controv&eacute;rsias e pressionar por uma   reconstru&ccedil;&atilde;o que atenda &agrave;s vulnerabilidades sociais, inclusive atrav&eacute;s de   miss&otilde;es com a Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para denunciar   viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. H&aacute; uma clara disputa pela responsabiliza&ccedil;&atilde;o e   direcionamento das a&ccedil;&otilde;es de reconstru&ccedil;&atilde;o: de um lado, o diagn&oacute;stico centrado   nos cientistas (apoiado pelo governo federal), e de outro, o diagn&oacute;stico   centrado em consultores (preferido pelo estado e munic&iacute;pio), com a reconstru&ccedil;&atilde;o   via mercado confrontando a reconstru&ccedil;&atilde;o via atendimento &agrave;s vulnerabilidades   sociais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Desafios da gest&atilde;o p&uacute;blica e suas consequ&ecirc;ncias</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O cen&aacute;rio da reconstru&ccedil;&atilde;o no Rio Grande do Sul, evidenciado   pela an&aacute;lise do Plano Rio Grande e das discuss&otilde;es que o cercam, revela que a   atua&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o p&uacute;blica incide significativamente para que as cat&aacute;strofes n&atilde;o   sejam evitadas ou para que seus impactos sejam amplificados. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a09fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">H&aacute; instrumentos de pol&iacute;tica p&uacute;blica voltados para a quest&atilde;o   clim&aacute;tica, mas eles n&atilde;o s&atilde;o tratados com a centralidade que o tema exige. Ao   contr&aacute;rio, prevalece uma setorializa&ccedil;&atilde;o que dissocia a pol&iacute;tica clim&aacute;tica das   pol&iacute;ticas ambientais. A implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas &eacute; frequentemente   prejudicada pela falta de coordena&ccedil;&atilde;o e pela prioriza&ccedil;&atilde;o de interesses   imediatos em detrimento da resili&ecirc;ncia a longo prazo. A integra&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es   clim&aacute;ticas como uma agenda transversal em todos os aspectos da administra&ccedil;&atilde;o   p&uacute;blica ainda &eacute; um desafio. A falta de di&aacute;logo entre os diversos setores da   administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e as universidades agrava essa situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m disso, o impacto da cat&aacute;strofe de 2024 demonstrou que,   quando algumas &aacute;reas da cidade apresentam vulnerabilidade, a cidade como um   todo se encontra exposta, podendo levar a um colapso sist&ecirc;mico. As   desigualdades sociais acentuam como a crise &eacute; vivenciada, com popula&ccedil;&otilde;es   marginalizadas enfrentando condi&ccedil;&otilde;es extremas de desalojamento e neglig&ecirc;ncia,   mesmo em um colapso abrangente. Ignorar esses marcadores de desigualdade pode   resultar em solu&ccedil;&otilde;es que perpetuam a injusti&ccedil;a e a vulnerabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em suma, a experi&ecirc;ncia do Rio Grande do Sul serve como um   alerta crucial: a urg&ecirc;ncia de uma abordagem integrada e proativa na adapta&ccedil;&atilde;o   urbana &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; imperativa. A centralidade das pol&iacute;ticas   clim&aacute;ticas, a coordena&ccedil;&atilde;o eficaz entre os diferentes n&iacute;veis de governo, e a   mobiliza&ccedil;&atilde;o social e participa&ccedil;&atilde;o ativa da comunidade e dos especialistas s&atilde;o   fundamentais para construir cidades mais resilientes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[1] IPCC. <i>Climate Change 2022: Impacts, Adaptation, and   Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report</i>.   In: P&Ouml;RTNER, H.-O.; ROBERTS, D. C.; TIGNOR, M.; POLOCZANSKA, E. S.; MINTENBECK,   K.; ALEGR&Iacute;A, A.; CRAIG, M.; LANGSDORF, S.; L&Ouml;SCHKE, S.; M&Ouml;LLER, V.; OKEM, A.;   RAMA, B. (eds.). Cambridge: Cambridge University Press, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[2] ACSELRAD, Henri; MELLO, Cecilia Campello do Amaral;   BEZERRA, Gustavo das Neves. <i>O que &eacute; justi&ccedil;a ambiental</i>. Rio de Janeiro:   Garamond, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[3] ROSA, Luana da<i>. O que o vento sopra: mulheres em meio   a eventos clim&aacute;ticos extremos no Rio Grande do Sul</i>. 2025. 273 f. Tese   (Doutorado em Desenvolvimento Rural) - Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em   Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,   2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[4] STOCHERO, Luciane; PACHECO, Deylaine Louren&ccedil;o; PINTO,   Liana Wernersbach. Trag&eacute;dias sobrepostas: enchente e viol&ecirc;ncia sexual contra   mulheres e crian&ccedil;as em abrigos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 12.,   2024, Rio de Janeiro. <i>Anais</i>.... Rio de Janeiro: Galo&aacute;, 2024. v. 3.   Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://proceedings.science/epi-2024/trabalhos/tragedias-sobrepostas-enchente-e-violencia-sexual-contra-mulheres-e-criancas-em?lang=pt-br" target="_blank">https://proceedings.science/epi-2024/trabalhos/tragedias-sobrepostas-enchente-e-violencia-sexual-contra-mulheres-e-criancas-em?lang=pt-br</a>.   Acesso em: 9 set. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[5] SANTOS, Vanessa Flores dos. <i>Os sentidos de justi&ccedil;a   socioambiental: uma etnografia sobre as lutas e a&ccedil;&otilde;es estatais em territ&oacute;rios   quilombolas atingidos pela enchente de 2024 no Vale do Taquari/RS</i>. 2025. 97   f. Projeto de qualifica&ccedil;&atilde;o (Doutorado em Antropologia) - Programa de   P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Antropologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto   Alegre, 2025.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">[i]</a> Dados dispon&iacute;veis em   <a href="https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/nucleo-porto-alegre-analisa-os-impactos-das-enchentes-na-populacao-pobre-e-negra-do-rio-grande-do-sul/?utm_source=Boletim&utm_medium=E-mail&utm_campaign=835&utm_content=N%C3%BAcleo+Porto+Alegre+analisa+os+impactos+das+enchentes+na+popula%C3%A7%C3%A3o+pobre+e+negra+do+Rio+Grande+do+Sul" target="_blank">https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/nucleo-porto-alegre-analisa-os-impactos-das-enchentes-na-populacao-pobre-e-negra-do-rio-grande-do-sul/?utm_source=Boletim&amp;utm_medium=E-mail&amp;utm_campaign=835&amp;utm_content=N%C3%BAcleo+Porto+Alegre+analisa+os+impactos+das+enchentes+na+popula%C3%A7%C3%A3o+pobre+e+negra+do+Rio+Grande+do+Sul</a>    <br>   <a name="nt02"></a><a href="#tx02">[ii]</a> A an&aacute;lise do Para saber mais a respeito, visite   <a href="https://inctparticipa.org/site/index.php/pt/" target="_blank">https://inctparticipa.org/site/index.php/pt/</a></font></p>      ]]></body><back>
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