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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cidades e Sustentabilidade: a relevância do ambiente urbano no futuro da agenda climática]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250047</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Cidades e Sustentabilidade: a relev&acirc;ncia do ambiente   urbano no futuro da agenda clim&aacute;tica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Rodrigo Corradi<sup>I</sup>; Pedro Jacobi<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Diretor do escrit&oacute;rio ICLEI Brasil (Governos   Locais pela Sustentabilidade), al&eacute;m de Secret&aacute;rio Executivo Adjunto do ICLEI   Am&eacute;rica do Sul.    <br>   <sup>II</sup>Professor titular s&ecirc;nior do Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia   Ambiental (PROCAM/IEE/USP) da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e Coordenador do   grupo de Estudos de Meio Ambiente e Sociedade do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados   da USP.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A agenda de sustentabilidade apresenta-se como uma pe&ccedil;a em   v&aacute;rios atos. Dentro dessa grande pe&ccedil;a, a biodiversidade e o clima seriam as   personagens principais dessa produ&ccedil;&atilde;o. Cada uma delas, como grandes estrelas do   espet&aacute;culo, possui luz pr&oacute;pria para ter suas hist&oacute;rias contadas, mas faz mais   sentido quando pensadas juntas. Suas crises existenciais podem ser vistas em   separado, mas s&atilde;o todos componentes de uma mesma hist&oacute;ria que se desenvolveu   pela hist&oacute;ria humana, uma de explora&ccedil;&atilde;o e consequ&ecirc;ncias. Esse cen&aacute;rio, todavia,   se imagina como estabelecido nas florestas e nos centros de produ&ccedil;&atilde;o: mata e   ind&uacute;stria como cerne dessa conversa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O que se imaginaria se a centralidade dessas crises se   apresentasse no ambiente urbano, que nas cidades estivessem alguns dos motivos   e, necessariamente, o futuro para tratarmos dessas crises?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa &eacute; a proposta da presente reflex&atilde;o: como as cidades se   tornaram partes da agenda ambiental, principalmente de suas grandes crises:   perda da biodiversidade e a emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica. Ao fazermos uma digress&atilde;o   hist&oacute;rica, &eacute; relevante entender o quanto o espa&ccedil;o das cidades, como espa&ccedil;o de   implementa&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es internacionais, mudou em pouco tempo. Desde o Tratado de   Westfalia, acordo internacional que, ao finalizar um dos mais sangrentos   conflitos europeus at&eacute; ent&atilde;o, assentou as regras do que chamamos de ordem   internacional baseada nos Estados-Na&ccedil;&atilde;o. Essa ideia de que territ&oacute;rios extensos   que tivessem o monop&oacute;lio do uso da for&ccedil;a, &uacute;nica moeda e leis &uacute;nicas sendo   aplicadas seriam a regra do ator do espa&ccedil;o internacional n&atilde;o era a regra at&eacute;   ent&atilde;o, mas foi a forma mais bem adaptada para a realidade do ambiente de   press&atilde;o internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se as cidades-estados europeias, assim como pequenos   principados que tinham sua centralidade em cidades muradas ao longo da Idade   M&eacute;dia europeia, perderam seu espa&ccedil;o, esse se deu por motivos pr&aacute;ticos claros   para a &eacute;poca. Ao consolidar o espa&ccedil;o territorial, os novos Estados estariam   garantindo maior territ&oacute;rio para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e maior popula&ccedil;&atilde;o para   produzir e lutar em suas guerras. Isso porque a popula&ccedil;&atilde;o global estava, em sua   grande maioria, vivendo no campo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao longo do tempo, em especial pelas necessidades de   concentra&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o industrial, mais f&aacute;cil de ser operada   em centros urbanos, essa tend&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o campo versus   cidade come&ccedil;a a se inverter no ambiente dom&eacute;stico dos pa&iacute;ses. Ocorreu o aumento   da popula&ccedil;&atilde;o nas cidades, assim como a concentra&ccedil;&atilde;o de renda dos pa&iacute;ses nos   centros urbanos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>As cidades n&atilde;o   s&atilde;o apenas v&iacute;timas da crise clim&aacute;tica: s&atilde;o tamb&eacute;m parte da solu&ccedil;&atilde;o</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Justamente com o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o, motor dos   movimentos clim&aacute;ticos que hoje nos colocam frente &agrave; emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica e &agrave;s   explora&ccedil;&otilde;es que aceleraram a perda global de biodiversidade, as cidades   come&ccedil;aram seu renascimento como centros pol&iacute;ticos. Nos pa&iacute;ses do Norte global,   onde a industrializa&ccedil;&atilde;o se acelerou em primeiro lugar, a centraliza&ccedil;&atilde;o de   popula&ccedil;&atilde;o e capital j&aacute; inseriu os ambientes urbanos nessa &oacute;rbita de   centralidade pol&iacute;tica ao longo do s&eacute;culo XX. Essa situa&ccedil;&atilde;o foi se expandindo   globalmente, com especial men&ccedil;&atilde;o para a Am&eacute;rica Latina, que alcan&ccedil;ou o posto de   continente mais urbanizado do mundo ao fim desse mesmo s&eacute;culo.<sup>[1]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, ao longo de um s&eacute;culo com duas grandes guerras e   uma grande instabilidade internacional com a Guerra Fria, assim como no   processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o, a regra foi de um regime internacional focado na   securitiza&ccedil;&atilde;o. Somente no in&iacute;cio dos anos 1990, com um sistema que se afastava   desses elementos de instabilidade, diversos temas n&atilde;o securit&aacute;rios puderam se   fazer presentes no cen&aacute;rio internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dessa forma, os anos 1990 se tornaram a "d&eacute;cada das   confer&ecirc;ncias", uma esp&eacute;cie de desbloqueio do sistema internacional para tratar   temas relevantes que estavam sendo bloqueados por d&eacute;cadas de pautas focadas na   ina&ccedil;&atilde;o das duas grandes pot&ecirc;ncias e um sistema internacional que era utilizado   para criar uma estabilidade controlada de grandes conflitos armados, mas que   n&atilde;o avan&ccedil;ava em temas mais que relevantes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Um desses temas consiste na sustentabilidade e o meio   ambiente. A 2ª Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio Ambiente e   Desenvolvimento, a Rio 92, foi um marco desse novo ciclo de agendas   internacionais. Essa confer&ecirc;ncia apontou o reconhecimento dos governos   subnacionais, atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o de governos locais e regionais, como   parte dos grupos reconhecidos (<i>constituencies</i>, na sua express&atilde;o em   ingl&ecirc;s) que representam atores relevantes como partes do processo de negocia&ccedil;&atilde;o   continuada das Confer&ecirc;ncias do Rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Desse momento em diante, com a sequ&ecirc;ncia de uma lista cada   vez maior de entidades para representar esses governos subnacionais na pauta da   sustentabilidade (e.g., ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade, C40) ou   para implementar projetos com governos locais (e.g., WRI), os governos   subnacionais, especialmente as cidades, chegaram ao final do s&eacute;culo XX com   maior visibilidade como parte do ecossistema internacional que promove o debate   e o engajamento com os temas da sustentabilidade (esfera pol&iacute;tica) e no espa&ccedil;o   de testar solu&ccedil;&otilde;es (esfera da implementa&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesses pouco mais de 30 anos, contudo, da mesma forma com a   qual os avan&ccedil;os em todas as frentes de promo&ccedil;&atilde;o de uma agenda de   sustentabilidade mais efetiva tiveram poucos avan&ccedil;os, a presen&ccedil;a das cidades   nesse processo tamb&eacute;m deixou a desejar, tanto na esfera pol&iacute;tica quanto na   implementa&ccedil;&atilde;o. Muito se deve &agrave;s dificuldades da agenda internacional, que,   depois de alguns anos de liberalismo internacionalizante, teve suas ordens de   prioridade (combate ao terrorismo internacional, crise econ&ocirc;mica e recrudescimento   de conflitos internacionais) reposicionadas, afastando-se de pautas de   integra&ccedil;&atilde;o internacional.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>A centralidade   urbana revela que biodiversidade e clima n&atilde;o podem mais ser pensados como   quest&otilde;es distantes do cotidiano</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro ponto deve-se a uma certa incompreens&atilde;o da   centralidade das cidades como espa&ccedil;o de solu&ccedil;&atilde;o dos problemas das duas grandes   crises ambientais. Agora desenvolveremos mais esse t&oacute;pico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>As crises e suas conex&otilde;es urbanas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se a conex&atilde;o entre as crises e o urbano &eacute; clara, por muito   tempo a vis&atilde;o brasileira n&atilde;o promoveu essa conex&atilde;o. No Brasil, existe um espa&ccedil;o   de reflex&atilde;o que indica que as emiss&otilde;es brasileiras, pesadamente alocadas pelo   desmatamento e demais modifica&ccedil;&otilde;es do uso do solo (AFOLU, em sua sigla em   ingl&ecirc;s), s&atilde;o centradas no processo de expans&atilde;o da agricultura e pecu&aacute;ria nos   &uacute;ltimos 40 anos no pa&iacute;s. De igual forma, a degrada&ccedil;&atilde;o do bioma brasileiro mais   deteriorado, a Mata Atl&acirc;ntica, tamb&eacute;m aponta para o processo de expans&atilde;o da   agricultura e extrativismo na regi&atilde;o costeira brasileira nos primeiros tr&ecirc;s   s&eacute;culos de ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todas as informa&ccedil;&otilde;es acima s&atilde;o corretas. Entretanto, o   afastamento do espa&ccedil;o urbano como central nas quest&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica e   perda da biodiversidade surge, em nossa avalia&ccedil;&atilde;o, como uma limita&ccedil;&atilde;o, qui&ccedil;&aacute; um   equ&iacute;voco com graves consequ&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Perceber que as cidades n&atilde;o est&atilde;o conectadas com o   desmatamento e a extens&atilde;o da fronteira rural improdutiva no Brasil assenta-se no   pensamento de que os vetores de produ&ccedil;&atilde;o utilizam pessoas que est&atilde;o no ambiente   rural para assim implementar seus atos predat&oacute;rios. Contudo, mais de 70% da   popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, assim como 87% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira como um   todo, vive em cidades. Se alternativas de trabalho e renda, assim como uma rede   social que condicione o suporte e aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s fam&iacute;lias a pr&aacute;ticas de efetivo   manejo sustent&aacute;vel, podem e devem cumprir um papel fundamental para que a&ccedil;&otilde;es   de conviv&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos com a natureza n&atilde;o sejam somente calcadas em   fiscaliza&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o. Convivemos no Brasil por per&iacute;odos de efetiva   fiscaliza&ccedil;&atilde;o, campanhas e engajamento do Estado contra as a&ccedil;&otilde;es mais   respons&aacute;veis pelas emiss&otilde;es brasileiras,<sup>[2]</sup> aquelas que colocam o   pa&iacute;s entre os maiores emissores globais de gases de efeito estufa. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">De igual forma, passamos por per&iacute;odos nos quais governos   estaduais e federais foram omissos e negligenciaram seu papel de fiscaliza&ccedil;&atilde;o.   Quando essa posi&ccedil;&atilde;o do Estado falha, ocorre um verdadeiro incentivo para a   devasta&ccedil;&atilde;o florestal. Esse movimento de estrangulamento espor&aacute;dico do Estado   n&atilde;o garante a sustentabilidade de pol&iacute;ticas t&atilde;o vitais para a realidade da   crise que vivemos. As pessoas tornam-se partes desses processos de explora&ccedil;&atilde;o   pelo simples fato de que n&atilde;o possuem alternativas consequentes de trabalho e   renda. Considerando que essas pessoas, mesmo quando engajadas com a&ccedil;&otilde;es em   territ&oacute;rios florestais, vivem e possuem conex&atilde;o com cidades, as solu&ccedil;&otilde;es devem   aportar para melhora da condi&ccedil;&atilde;o de vida dessas pessoas nas cidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E, explorando mais o tema da mitiga&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es, se o   Brasil conseguir realmente abrandar as emiss&otilde;es por AFOLU, as categorias de   emiss&otilde;es mais significativas (energia e res&iacute;duos) est&atilde;o profundamente   conectadas com as cidades e a maneira de gerir e planejar o espa&ccedil;o urbano.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A perda da biodiversidade em pa&iacute;ses como o Brasil tamb&eacute;m   est&aacute; pesadamente conectada com o espa&ccedil;o urbano. A concentra&ccedil;&atilde;o populacional nos   centros urbanos da costa brasileira ocasionou, ao longo dos quinhentos anos de   ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro, a devasta&ccedil;&atilde;o do bioma da Mata Atl&acirc;ntica, com   apenas 10% de sua cobertura original ainda sendo preservada ou recuperada.<sup>[3]</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>As crises e seu futuro urbano</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se os temas conectados com a mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica e a perda   da biodiversidade n&atilde;o fossem suficientes para alocar as cidades como parte da   solu&ccedil;&atilde;o para os motivos das crises as quais a humanidade est&aacute; enfrentando, os   extremos que a humanidade j&aacute; est&aacute; vivendo apontam que cidades possuem um dever   de estarem no centro dos processos de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>Governar as   crises ambientais exige transformar cidades em espa&ccedil;os de inova&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e   justi&ccedil;a socioambiental</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se falarmos sobre as expectativas que cientistas do IPCC   possu&iacute;am quando da Rio 92 e seus anos iniciais de implementa&ccedil;&atilde;o, poder&iacute;amos   pensar que estar&iacute;amos enfrentando uma grande agenda internacional de mitiga&ccedil;&atilde;o   &agrave;s causas de um "aquecimento global" que tentar&iacute;amos evitar. Esse futuro n&atilde;o   teria suas mudan&ccedil;as em nossas vidas antes de meados do s&eacute;culo, e nosso   trabalho, como civiliza&ccedil;&atilde;o, seria impedir seus efeitos mais nefastos. Com esse   fracasso j&aacute; devemos saber conviver, pois, os efeitos que n&atilde;o dever&iacute;amos ver em   nosso tempo de vida j&aacute; acometem o planeta inteiro.<sup>[4]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Modifica&ccedil;&atilde;o do regime de chuvas, com estiagens mais longas e   chuvas mais intensas; constitui&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos clim&aacute;ticos extremos em locais   que nunca os haviam registrado; zoonoses at&iacute;picas, devidas &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o do   padr&atilde;o h&iacute;drico, das temperaturas e da perda da biodiversidade; ilhas, zonas e   ondas de calor... A lista de riscos clim&aacute;ticos &eacute; extensa e provida de tons   apocal&iacute;pticos.<sup>[5]</sup> (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; esse ponto que refor&ccedil;a cada   vez mais o argumento da centralidade das cidades na pauta das crises globais:   as pessoas sentem esses extremos onde elas vivem, e nosso mundo est&aacute; cada vez mais urbano. Desde que o mundo passou a ter a   maioria da sua popula&ccedil;&atilde;o nas cidades, em 1998,<sup>[6]</sup> essa tend&ecirc;ncia   somente aumenta, com a taxa global sendo atualmente de 55%, com proje&ccedil;&otilde;es de   que a popula&ccedil;&atilde;o urbana deve ser de aproximadamente 70% em 2050.<sup>[7]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em pa&iacute;ses do Norte global, existe uma crescente necessidade   de adaptar as infraestruturas urbanas para fornecerem condi&ccedil;&otilde;es mais adaptadas   para os extremos que j&aacute; acometem essas cidades. O ponto mais complexo em   cidades do Sul global consiste em que essas j&aacute; n&atilde;o possu&iacute;am uma infraestrutura   adequada e s&atilde;o pressionadas a se adaptarem com uma base mais fr&aacute;gil. Cria-se a   necessidade de avan&ccedil;ar r&aacute;pido e de maneira mais inovadora nesses espa&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Provavelmente, ser&atilde;o as cidades um foco n&atilde;o somente   relevante, como necess&aacute;rio nesse momento no qual nos encontramos na   implementa&ccedil;&atilde;o da agenda internacional das crises clim&aacute;tica e de perda da   biodiversidade. Isso porque o sistema internacional com o qual temos convivido   nos &uacute;ltimos 80 anos est&aacute; em complexa instabilidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A guerra na Ucr&acirc;nia, o massacre em Gaza, diversos conflitos   em todo o mundo, todos demonstram uma eros&atilde;o da capacidade internacional de   converter princ&iacute;pios em a&ccedil;&atilde;o. Soma-se a um espa&ccedil;o econ&ocirc;mico que ainda n&atilde;o se   recuperou da pandemia da COVID-19 e a instabilidade que o maior garantidor da   atual ordem internacional, os Estados Unidos, est&aacute; agregando a esse sistema,   podemos concluir que vivemos em um momento complexo para enfrentar a crise que   estamos vivendo, e viveremos pelas pr&oacute;ximas v&aacute;rias d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Claramente, precisaremos usar o combate a essas crises,   globais em efeitos e em escala de extens&atilde;o, para direcionar inst&acirc;ncias   internacionais capazes de congregar esfor&ccedil;os internacionais. Entretanto, ser&aacute;   fundamental ter em cidades um ponto mais seguro de implementa&ccedil;&atilde;o continuada.   Onde o pragmatismo dos atores que tratam com a vida do seu concidad&atilde;o de forma   mais pr&oacute;xima pode auxiliar um sistema, necessariamente internacional em   recursos e esfor&ccedil;os, a entregar as a&ccedil;&otilde;es que precisam ser realizadas nos territ&oacute;rios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[1] PERPETUO, Rodrigo de Oliveira. <i>As redes   internacionais de cidades e o mundo em transforma&ccedil;&atilde;o: uma an&aacute;lise do   ICLEI-governos locais pela sustentabilidade e a sua influ&ecirc;ncia no Acordo de   Paris (2015)</i>. 2024. 200 f. Tese (Doutorado em Ci&ecirc;ncia Ambiental) - Programa   de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia Ambiental, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo,   2024.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[2] OBSERVAT&Oacute;RIO DO CLIMA. <i>Brasil perdeu 111,7 milh&otilde;es de   hectares de &aacute;reas naturais em 40 anos, aponta Mapbiomas</i>. 2025. Dispon&iacute;vel   em:   <a href="https://www.oc.eco.br/brasil-perdeu-1117-milhoes-de-hectares-de-areas-naturais-emm-40-anos-aponta-mapbiomas/" target="_blank">https://www.oc.eco.br/brasil-perdeu-1117-milhoes-de-hectares-de-areas-naturais-emm-40-anos-aponta-mapbiomas/</a>.   Acesso em: 20 ago. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[3] REVISTA PESQUISA FAPESP. <i>Mata Atl&acirc;ntica perde &aacute;rea de   floresta madura maior que a cidade de S&atilde;o Paulo</i>. 2025. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/mata-atlantica-perde-area-de-floresta-madura-maior-que-a-cidade-de-sao-paulo/" target="_blank">https://revistapesquisa.fapesp.br/mata-atlantica-perde-area-de-floresta-madura-maior-que-a-cidade-de-sao-paulo/</a>.   Acesso em: 5 ago. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[4] COHEN, Simone Cynamon; MINAYO, Maria Cec&iacute;lia de Souza.   Desastres socioambientais de origem geoclim&aacute;tica na Am&eacute;rica do Sul: uma revis&atilde;o   integrativa da literatura. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva</i>, Rio de Janeiro,   v. 26, n. 1, p. 261-274, jan. 2021. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.scielo.br/j/csc/a/m8Xb6F9bWjP79tFfPjYJkLm/?lang=pt" target="_blank">https://www.scielo.br/j/csc/a/m8Xb6F9bWjP79tFfPjYJkLm/?lang=pt</a>. Acesso em: 6   abr. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[5] INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). <i>N&uacute;mero   de dias com ondas de calor passou de 7 para 52 em 30 anos</i>. Bras&iacute;lia, 13   nov. 2023. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2023/11/numeros-de-dias-com-ondas-de-calor-passaram-de-7-para-52-em-30-anos" target="_blank">https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2023/11/numeros-de-dias-com-ondas-de-calor-passaram-de-7-para-52-em-30-anos</a>.   Acesso em: 6 abr. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[6] WORLD BANK. World  <i>Development Report 1999</i>.   Washington, D.C., 1999. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://openknowledge.worldbank.org/entities/publication/8f545f96-93e5-59fa-b0d5-3dc359fefd25" target="_blank">https://openknowledge.worldbank.org/entities/publication/8f545f96-93e5-59fa-b0d5-3dc359fefd25</a>.   Acesso em: 10 abr. 2025.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">[7] WORLD BANK. <i>World Development Report 2024</i>.   Washington, D.C., 2024. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.worldbank.org/en/publication/wdr2024" target="_blank">https://www.worldbank.org/en/publication/wdr2024</a>. Acesso em: 2 mar. 2025.</font></p>      ]]></body>
</article>
