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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250056</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Amaz&ocirc;nia socioambiental: O   desafio brasileiro na COP30</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Ima C&eacute;lia Guimar&atilde;es Vieira<sup>I</sup>; Roberto Ara&uacute;jo<sup>II</sup>; Tatiana Deane de Abreu S&aacute;<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Pesquisadora   do Museu Paraense Emilio   Goeldi (MPEG/MCTI) e assessora da   Presid&ecirc;ncia da Financiadora de Estudos   e Projetos- FINEP. Foi diretora do   MPEG na gest&atilde;o 2005-2009 e Conselheira   da Sociedade Brasileira para o   Progresso da Ci&ecirc;ncia - SBPC. &Eacute; membro   titular da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias-ABC.    <br> <sup>II</sup>Pesquisador titular   do Museu Paraense Emilio Goeldi,   ex-pesquisador do INPE. Atua em   Antropologia, focando nos temas de   ocupa&ccedil;&atilde;o humana da Amaz&ocirc;nia, antropologia   rural, institui&ccedil;&otilde;es e conflitos   sociais. Coordena projetos sobre   dimens&otilde;es humanas das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas no programa GEOMA/MCTI.    <br> <sup>III</sup>Pesquisadora   da Empresa Brasileira de   Pesquisa Agropecu&aacute;ria, Embrapa, no   Centro da Amaz&ocirc;nia Oriental, onde   ocupou a chefia de 2003 a 2005. Foi   diretora- executiva da Embrapa entre   2005 e 2011. &Eacute; professora colaboradora   no Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o   em Agriculturas Amaz&ocirc;nicas da UFPA.  &Eacute; membro do Conselho Estadual de   Desenvolvimento Rural Sustent&aacute;vel do Par&aacute; (CEDRS-PA).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Trinta e tr&ecirc;s anos ap&oacute;s a Rio'92, a COP30 em Bel&eacute;m em novembro de 2025 marca momento   crucial na governan&ccedil;a clim&aacute;tica global. A escolha da Amaz&ocirc;nia como sede n&atilde;o &eacute; casual: a regi&atilde;o   constitui componente fundamental para a estabilidade clim&aacute;tica planet&aacute;ria, mas enfrenta press&otilde;es    sem precedentes de desmatamento, queimadas e perda de biodiversidade. A confer&ecirc;ncia   ocorre quando as emiss&otilde;es globais deveriam come&ccedil;ar a declinar aceleradamente, tornando cr&iacute;tica   a necessidade de solu&ccedil;&otilde;es adaptadas &agrave;s realidades regionais. A COP30 suscita diversas xpectativas    em diferentes escalas, por parte dos poderes p&uacute;blicos, mas tamb&eacute;m do mercado. Trata-se   na maior parte do tempo de fazer investimentos para converter e/ou diminuir as emiss&otilde;es de   CO2 nas atividades mais impactantes para o Meio Ambiente, bem como garantir no plano geopol&iacute;tico    vantagens oriundas do sucesso dessas iniciativas. As in&uacute;meras popula&ccedil;&otilde;es amaz&ocirc;nicas, que   historicamente se reproduzem e contribuem economicamente usando os recursos da biodiversidade   com impacto negligenci&aacute;vel sobre as emiss&otilde;es, esperam que a COP30 seja um momento   de reconhecimento de sua contribui&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de projetos de desenvolvimento sustent&aacute;vel que   garantam seus territ&oacute;rios e a manuten&ccedil;&atilde;o de seus modos de vida, bem como melhores condi&ccedil;&otilde;es   para uma economia fundada na diversidade de produtos e em tecnologias sociais. A sustentabilidade   amaz&ocirc;nica n&atilde;o pode ser alcan&ccedil;ada atrav&eacute;s de mecanismos de mercado que excluam os   povos que criaram e mantiveram a diversidade ecol&oacute;gica regional. A ci&ecirc;ncia amaz&ocirc;nica, apesar   de receber menos de 10% dos recursos nacionais de pesquisa, possui potencial transformador   se adequadamente fortalecida, especialmente atrav&eacute;s da integra&ccedil;&atilde;o entre conhecimento acad&ecirc;mico   e saberes tradicionais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras Chaves: </b>Amaz&ocirc;nia; Governan&ccedil;a clim&aacute;tica; Sustentabilidade; Saberes tradicionais</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O desafio brasileiro   na COP30</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Trinta e tr&ecirc;s anos ap&oacute;s a   C&uacute;pula da Terra Rio'92, que   estabeleceu as bases para a   a&ccedil;&atilde;o internacional organizada   sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas,<sup>&#91;1&#93;</sup> a Am&eacute;rica do Sul volta a ocupar   o centro das discuss&otilde;es   ambientais globais. Em 2025,   a COP30 ser&aacute; realizada em   Bel&eacute;m do Par&aacute;, e representa   muito mais que uma escolha   geogr&aacute;fica simb&oacute;lica, ela pode   marcar "uma nova d&eacute;cada de   inflex&atilde;o na luta clim&aacute;tica global",   como nos afirma o presidente   da COP30, Embaixador   Andr&eacute; Corr&ecirc;a do Lago, em sua   Primeira Carta.<sup>&#91;2&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A escolha da Amaz&ocirc;nia   como sede n&atilde;o &eacute; casual e possui   um forte apelo simb&oacute;lico. A   regi&atilde;o constitui n&atilde;o somente   o maior ecossistema florestal   tropical mundial, mas tamb&eacute;m   um componente fundamental   para a estabilidade clim&aacute;tica   planet&aacute;ria e um territ&oacute;rio de   excepcional riqueza biol&oacute;gica   e cultural. Para al&eacute;m dessas dimens&otilde;es   de relev&acirc;ncia global,   a Amaz&ocirc;nia apresenta significativa   import&acirc;ncia sociocultural,   oferecendo diversos produtos   e servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos essenciais   para as comunidades   regionais. Simultaneamente,   enfrenta press&otilde;es sem precedentes:    taxas alarmantes de   desmatamento, queimadas   de grande extens&atilde;o, perda   acelerada de biodiversidade   e explora&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria de   recursos naturais que comprometem   sua integridade e fun&ccedil;&atilde;o   clim&aacute;tica global.<sup>&#91;3&#93;</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A COP30 acontece em   um contexto de desafios globais   complexos que refletem   as contradi&ccedil;&otilde;es e limita&ccedil;&otilde;es do sistema internacional de   governan&ccedil;a clim&aacute;tica. A persistente   lacuna entre compromissos   assumidos e a&ccedil;&otilde;es   efetivamente implementadas   constitui o principal obst&aacute;culo    a ser superado. D&eacute;cadas de   confer&ecirc;ncias clim&aacute;ticas produziram   uma quantidade significativa   de acordos e declara&ccedil;&otilde;es,   mas o mundo ainda   est&aacute; longe de uma trajet&oacute;ria   compat&iacute;vel com a limita&ccedil;&atilde;o do   aquecimento a 1,5 &deg;C.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Amaz&ocirc;nia   apresenta   significativa   import&acirc;ncia   sociocultural,   oferecendo diversos   produtos e servi&ccedil;os   ecossist&ecirc;micos   essenciais para   as comunidades   regionais."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A urg&ecirc;ncia temporal   adiciona press&atilde;o &agrave;s negocia&ccedil;&otilde;es.   As evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas   mais recentes do Painel   Intergovernamental sobre   Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC)   confirmam que o mundo precisa   atingir o pico das emiss&otilde;es   de gases de efeito estufa at&eacute;  2025 e reduzi-las pela metade    at&eacute; 2030.<sup>&#91;4&#93;</sup> Isso significa que a   COP30 acontece no momento   exato em que as emiss&otilde;es   globais deveriam come&ccedil;ar a   declinar de forma acelerada,   tornando ainda mais cr&iacute;tica   a necessidade de solu&ccedil;&otilde;es   adaptadas a diferentes realidades   regionais e nacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como anfitri&atilde;o, o Brasil   assume responsabilidades espec&iacute;ficas que podem definir   seu posicionamento nas discuss&otilde;es   clim&aacute;ticas globais das   pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. A principal   responsabilidade consiste na   conclus&atilde;o exitosa do trabalho   sobre transi&ccedil;&atilde;o justa, assegurando   que as pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas   n&atilde;o penalizem desproporcionalmente   comunidades   vulner&aacute;veis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>COP30: Entre   territ&oacute;rios de vida   e a mercantiliza&ccedil;&atilde;o   da natureza</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As expectativas geradas   pela COP30 possuem m&uacute;ltiplas   dimens&otilde;es, refletindo tanto   aspira&ccedil;&otilde;es globais quanto   demandas regionais espec&iacute;ficas,   mas, sem d&uacute;vida, o financiamento   clim&aacute;tico e a redu&ccedil;&atilde;o   da injusti&ccedil;a clim&aacute;tica constituem   expectativas centrais. A   COP30 deve estabelecer mecanismos   que assegurem que   as comunidades amaz&ocirc;nicas,   que contribu&iacute;ram minimamente   para as emiss&otilde;es hist&oacute;ricas,   recebam apoio adequado para   enfrentar os impactos das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas.<sup>&#91;5&#93;</sup> (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a02fig01.jpg"></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">No entanto, como nos   alerta Bruno Malheiros em sua   reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre soberania   nacional,<sup>&#91;6&#93;</sup> esta confer&ecirc;ncia   acontece em um contexto de   profundas contradi&ccedil;&otilde;es entre   os discursos de prote&ccedil;&atilde;o ambiental   e a persistente l&oacute;gica   de mercantiliza&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios   amaz&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A l&oacute;gica da mercantiliza&ccedil;&atilde;o   da natureza desconsidera   que a conserva&ccedil;&atilde;o da   Amaz&ocirc;nia n&atilde;o &eacute; resultado de   mercados ou tecnologias, mas   de mil&ecirc;nios de coevolu&ccedil;&atilde;o entre povos e naturezas. A regi&atilde;o   que conhecemos &eacute; resultado   de manejo milenar das   popula&ccedil;&otilde;es amer&iacute;ndias, produ&ccedil;&atilde;o    de solos de terra preta e   diversos outros ind&iacute;cios que demonstram   que "a Amaz&ocirc;nia &eacute; uma produ&ccedil;&atilde;o sociobiocultural   dos seus povos".<sup>&#91;7&#93;</sup> Justamente   por isso, n&atilde;o surpreende que   o IPCC reconhe&ccedil;a a import&acirc;ncia   dos "saberes locais" para a   ado&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias adaptativas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.<sup>&#91;8&#93;</sup></font></p> A valora&ccedil;&atilde;o dos "saberes   locais" comporta, no entanto,   um vi&eacute;s importante que conv&eacute;m   ressaltar. O conhecimento  "moderno" e o "saber local"  s&atilde;o colocados em patamares   hier&aacute;rquicos distintos: quando   o primeiro "incorpora" o segundo,   o objetivo &eacute; produzir   estrat&eacute;gias adaptativas baseadas   em an&aacute;lises de custo-benef&iacute;cio.   Essa "moderniza&ccedil;&atilde;o"  opera dentro do mesmo sistema   econ&ocirc;mico gerador das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas, buscando   apenas uma melhor integra&ccedil;&atilde;o "adaptativa" ao modelo vigente,    sem question&aacute;-lo.     <p><font size="2" face="verdana">Essa valora&ccedil;&atilde;o fundamenta-se na transforma&ccedil;&atilde;o de  "trabalho abstrato" em "valor   agregado" &#151; princ&iacute;pio central   da produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias,   sejam elas "sustent&aacute;veis" ou   n&atilde;o.<sup>&#91;9&#93;</sup> Um exemplo ilustrativo &eacute;  o uso de taxonomias bot&acirc;nicas   locais para descoberta de mol&eacute;culas   pela grande ind&uacute;stria   farmac&ecirc;utica, frequentemente   apresentado como "bioeconomia"  e solu&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel para popula&ccedil;&otilde;es locais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para compreender melhor   essa apropria&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso   examinar os diferentes   significados atribu&iacute;dos &agrave; bioeconomia.<sup>&#91;10&#93;</sup> Destacamos aqui   dois deles, que chamaremos   de "significados": 1) um significado   de bioeconomia relativo   a biotecnologias obtidas   atrav&eacute;s da pesquisa para inova&ccedil;&otilde;es   em processos de base   biol&oacute;gica, pass&iacute;veis de apropria&ccedil;&atilde;o   em diferentes setores   da economia; 2) um significado de bioeconomia como identifica&ccedil;&atilde;o   de biorrecursos para   desenvolver produtos a partir   de mat&eacute;rias-primas biol&oacute;gicas,   substituindo insumos industriais    de fontes n&atilde;o renov&aacute;veis   por derivados de recursos biol&oacute;gicos   renov&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nestas acep&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o   resta d&uacute;vida de que o desenvolvimento   de biotecnologias  &#151; e os extraordin&aacute;rios investimentos   que v&ecirc;m obtendo  &#151; inscrevem-se num movimento   de captura da no&ccedil;&atilde;o de   desenvolvimento sustent&aacute;vel   pelas economias especulativas,   na promo&ccedil;&atilde;o de commodities    emergentes. Ignorando   a especificidade dos sujeitos   numa "fuga para adiante",   pretende-se resolver os problemas   suscitados pelo uso   de paradigmas tecnol&oacute;gicos   pouco adequados &agrave;s realidades   socioambientais da regi&atilde;o,   atrav&eacute;s de tecnologias intensivas   em capital (reflorestamento    por empresas), baseadas   na utiliza&ccedil;&atilde;o de qu&iacute;micos, na   mec&acirc;nica (agroneg&oacute;cio) ou em   melhorias gen&eacute;ticas (pecu&aacute;ria   intensiva); ou ainda na cria&ccedil;&atilde;o   de ativos financeiros, como o mercado de carbono.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esta perspectiva, &uacute;til   quando se trata dos debates   globais com os mercados sobre   a quest&atilde;o clim&aacute;tica, desafia   fundamentalmente a l&oacute;gica   de reprodu&ccedil;&atilde;o das economias   dom&eacute;sticas, intensivas em m&atilde;o   de obra e baseadas na diversifica&ccedil;&atilde;o  &#151; e n&atilde;o no aumento   de produtividade &#151; de cadeias   produtivas &uacute;nicas. Como nos   casos do a&ccedil;a&iacute; e do cacau,<sup>&#91;11&#93;</sup> a   mercantiliza&ccedil;&atilde;o dependente   de especializa&ccedil;&atilde;o e intensiva   em capital pode impor tens&otilde;es   disruptivas &agrave;s forma&ccedil;&otilde;es   sociais que j&aacute; contribuem com seu modo de ser &agrave; prote&ccedil;&atilde;o   da floresta e da biodiversidade,   em lugar de contribuir com   os aperfei&ccedil;oamentos t&eacute;cnicos,   mas tamb&eacute;m (e sobretudo) log&iacute;sticos   de que realmente carecem.   Juntamente com o "caos   fundi&aacute;rio" e mecanismos como   a grilagem e a viol&ecirc;ncia,<sup>&#91;12, 13&#93;</sup> isso amea&ccedil;a fragmentar territ&oacute;rios   e modos de vida, &agrave;s vezes levando ao &ecirc;xodo rural ou &agrave; proletariza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A COP30 acontece   em um contexto   de desafios   globais complexos   que refletem as   contradi&ccedil;&otilde;es   e limita&ccedil;&otilde;es   do sistema   internacional   de governan&ccedil;a   clim&aacute;tica."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A "sustentabilidade" da   Amaz&ocirc;nia n&atilde;o pode ser alcan&ccedil;ada,   portanto, atrav&eacute;s de   mecanismos de mercado que   excluem justamente aqueles   povos que criaram e mantiveram   a diversidade ecol&oacute;gica da   regi&atilde;o. Como defendem as organiza&ccedil;&otilde;es   ind&iacute;genas em mobiliza&ccedil;&atilde;o   para a COP30, elas  "n&atilde;o s&atilde;o respons&aacute;veis pela crise   clim&aacute;tica, s&atilde;o a solu&ccedil;&atilde;o",<sup>&#91;14&#93;</sup> mas continuam sendo sistematicamente   exclu&iacute;das dos processos   decis&oacute;rios sobre seus   pr&oacute;prios territ&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, entendemos que   a COP30 pode representar   uma oportunidade hist&oacute;rica de   reconhecimento do protagonismo   dos povos amaz&ocirc;nicos,   mas tamb&eacute;m corre o risco de legitimar novas formas de viol&ecirc;ncia   territorial atrav&eacute;s dos"mercados verdes". A confer&ecirc;ncia   ter&aacute; sucesso apenas se    conseguir ir al&eacute;m dos interesses   dos mercados financeiros   e das grandes corpora&ccedil;&otilde;es   para abra&ccedil;ar genuinamente os   saberes e pr&aacute;ticas dos povos   que manejam e conservam a   Amaz&ocirc;nia. Isso significa reconhecer   que qualquer solu&ccedil;&atilde;o   genu&iacute;na para a crise clim&aacute;tica   deve partir do fortalecimento   dos territ&oacute;rios de vida e das   cosmologias que sustentaram   a diversidade ecol&oacute;gica amaz&ocirc;nica   por mil&ecirc;nios. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a02fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A ci&ecirc;ncia amaz&ocirc;nica   na COP30: potencial   transformador</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">N&atilde;o podemos deixar de   mencionar o papel dos cientistas   amaz&ocirc;nidas, que t&ecirc;m   um legado consider&aacute;vel de conhecimento   acumulado, mas   enfrentam desafios estruturais   que limitam seu potencial de contribui&ccedil;&atilde;o para as discuss&otilde;es   clim&aacute;ticas globais.   Atualmente, a Amaz&ocirc;nia brasileira    recebe menos de 10% dos   recursos nacionais destinados &agrave; pesquisa cient&iacute;fica no Brasil e   participa de menos de 1% das   colabora&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas internacionais   que chegam ao pa&iacute;s.   Este subfinanciamento cr&ocirc;nico   contrasta drasticamente com a   import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da regi&atilde;o   para a estabilidade clim&aacute;tica   global.</font></p> A confer&ecirc;ncia representa   uma oportunidade para transformar   esse cen&aacute;rio atrav&eacute;s   do incremento substancial nos   investimentos destinados &agrave;  pesquisa cient&iacute;fica amaz&ocirc;nica.   Com mais recursos, pessoal   qualificado e programas estrat&eacute;gicos,   a ci&ecirc;ncia regional   pode avan&ccedil;ar significativamente   na compreens&atilde;o de processos   ecol&oacute;gicos fundamentais   e sua intera&ccedil;&atilde;o com aspectos   sociais, podendo assim contribuir   para abordar aspectos relacionados  &agrave; resili&ecirc;ncia socioecol&oacute;gica   frente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, desenvolvimento   de um arcabou&ccedil;o conceitual    integrado, articulando sistematicamente   indicadores de   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, limiares   ecol&oacute;gicos cr&iacute;ticos e solu&ccedil;&otilde;es   contextualizadas &agrave;s realidades   territoriais espec&iacute;ficas, pode   constituir contribui&ccedil;&atilde;o fundamental   da ci&ecirc;ncia amaz&ocirc;nica   para as negocia&ccedil;&otilde;es.     <p><font size="2" face="verdana">Este conhecimento pode   orientar pol&iacute;ticas e acordos   que estejam efetivamente alinhados  &agrave;s necessidades da   regi&atilde;o e &agrave; urg&ecirc;ncia da crise   clim&aacute;tica global. A coopera&ccedil;&atilde;o   internacional pode ser significativamente   fortalecida atrav&eacute;s   do interc&acirc;mbio de metodologias   inovadoras, ferramentas    e tecnologias avan&ccedil;adas para   investiga&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas amaz&ocirc;nicas   ainda insuficientemente   compreendidas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Particularmente relevante,   a intensifica&ccedil;&atilde;o da colabora&ccedil;&atilde;o   entre pa&iacute;ses da Pan   Amaz&ocirc;nia poderia garantir   avan&ccedil;os significativos em atividades   de pesquisa, forma&ccedil;&atilde;o,   interc&acirc;mbio de experi&ecirc;ncias,   produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento   e a&ccedil;&otilde;es transnacionais, ampliando   e acelerando a oferta    de contribui&ccedil;&otilde;es geradas na   Amaz&ocirc;nia. Parcerias estrat&eacute;gicas   estabelecidas durante a   COP30 podem catalisar colabora&ccedil;&otilde;es   de longo prazo que   beneficiem tanto a ci&ecirc;ncia regional   quanto os esfor&ccedil;os globais   de compreens&atilde;o dos sistemas   clim&aacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O reconhecimento efetivo   da integra&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia   acad&ecirc;mica e conhecimento   tradicional tamb&eacute;m nos &eacute; muito   caro. Comunidades ind&iacute;genas   e ribeirinhas, que convivem   com a floresta h&aacute; s&eacute;culos,   al&eacute;m de comprovadamente contribu&iacute;rem para a mitiga&ccedil;&atilde;o   das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas,    desenvolveram saberes sofisticados   sobre adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s   mudan&ccedil;as ambientais, manejo   sustent&aacute;vel de recursos naturais   e conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade   fundamentais para   estrat&eacute;gias clim&aacute;ticas eficazes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esta integra&ccedil;&atilde;o deve superar   abordagens que meramente   mencionam a import&acirc;ncia   dos saberes tradicionais   sem criar mecanismos efetivos   de incorpora&ccedil;&atilde;o desses conhecimentos   nas pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas.   A COP30 pode estabelecer   marcos para metodologias   de pesquisa colaborativa que   reconhe&ccedil;am as diferentes epistemologias   e criem pontes efetivas   entre diferentes formas   de conhecimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">"O fortalecimento   das vozes ind&iacute;genas   e das comunidades   tradicionais no   contexto da   confer&ecirc;ncia   pode enriquecer   substantivamente   o debate e   os resultados   sobre solu&ccedil;&otilde;es   clim&aacute;ticas."</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O fortalecimento das vozes   ind&iacute;genas e das comunidades   tradicionais no contexto   da confer&ecirc;ncia pode enriquecer   substantivamente o debate   e os resultados sobre solu&ccedil;&otilde;es   clim&aacute;ticas. Essas comunidades   possuem experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica   em conviver sustentavelmente   com ecossistemas florestais e podem contribuir para o desenvolvimento   de estrat&eacute;gias   de mitiga&ccedil;&atilde;o e de adapta&ccedil;&atilde;o   baseadas em pr&aacute;ticas milenares   de manejo ambiental.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Por uma Amaz&ocirc;nia   socioambiental</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Cabe reconhecer que a   Amaz&ocirc;nia se encontra em uma   encruzilhada decisiva. De um   lado, persistem press&otilde;es de   um modelo de desenvolvimento   predat&oacute;rio, baseado na expans&atilde;o   agropecu&aacute;ria extensiva,   extra&ccedil;&atilde;o madeireira ilegal,   garimpo e grandes projetos de   infraestrutura que desconsideram   as din&acirc;micas socioambientais   da regi&atilde;o. De outro lado,   existem experi&ecirc;ncias concretas   que demonstram a viabilidade   de um modelo socioambiental,   fundamentado na valoriza&ccedil;&atilde;o   da floresta em p&eacute;, no reconhecimento   dos direitos territoriais   e no protagonismo das popula&ccedil;&otilde;es   locais como guardi&atilde;s e   gestoras da biodiversidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esta n&atilde;o &eacute; somente uma   disputa entre vis&otilde;es econ&ocirc;micas   distintas, mas um embate   sobre o futuro clim&aacute;tico do   planeta e sobre qual sociedade   queremos construir. A   Amaz&ocirc;nia desempenha papel   insubstitu&iacute;vel na regula&ccedil;&atilde;o do   clima global, atrav&eacute;s da ciclagem   de &aacute;gua, do armazenamento   de carbono e da manuten&ccedil;&atilde;o   dos regimes de chuvas   que beneficiam toda a Am&eacute;rica   do Sul. Paradoxalmente, o modelo   predat&oacute;rio que tem avan&ccedil;ado   sobre a regi&atilde;o amea&ccedil;a   justamente os mecanismos   ecol&oacute;gicos que sustentam   tanto a vida local quanto a    estabilidade clim&aacute;tica planet&aacute;ria,   empurrando a floresta perigosamente pr&oacute;xima de   pontos de n&atilde;o-retorno. Ao   mesmo tempo, o desenvolvimento   predat&oacute;rio empurra &agrave; anomia diversas forma&ccedil;&otilde;es   dom&eacute;sticas da regi&atilde;o, levando   ao &ecirc;xodo rural e a um tecido   urbano fragmentado, marcado    pelo desemprego, pela viol&ecirc;ncia   e pelo individualismo selvagem   das fac&ccedil;&otilde;es criminosas   entre os jovens.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O fortalecimento de um   modelo socioambiental de desenvolvimento   n&atilde;o representa   uma alternativa rom&acirc;ntica ou   ut&oacute;pica, mas uma necessidade   estrat&eacute;gica para a agenda   clim&aacute;tica brasileira e global.   Este modelo reconhece que a   conserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia n&atilde;o   ocorre apesar de suas popula&ccedil;&otilde;es,   mas precisamente por   causa delas. Povos ind&iacute;genas,   comunidades tradicionais, ribeirinhos   e quilombolas t&ecirc;m   demonstrado, ao longo de gera&ccedil;&otilde;es,   capacidade de manter   a integridade florestal enquanto   produzem renda, alimento   e bem-estar. Seus territ&oacute;rios   apresentam taxas de desmatamento   significativamente   menores do que &aacute;reas desprotegidas,   evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica   robusta de que direitos territoriais   e conserva&ccedil;&atilde;o ambiental   caminham juntos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Contudo, a transi&ccedil;&atilde;o do   modelo predat&oacute;rio para o socioambiental   exige mais do   que reconhecimento ret&oacute;rico.   Demanda reestrutura&ccedil;&atilde;o profunda   de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, redirecionamento   de investimentos,   reforma nos sistemas de   cr&eacute;dito rural, combate efetivo   ao crime ambiental organizado   e, fundamentalmente, inser&ccedil;&atilde;o   da justi&ccedil;a clim&aacute;tica como   princ&iacute;pio inegoci&aacute;vel. Justi&ccedil;a   clim&aacute;tica significa reconhecer   que as popula&ccedil;&otilde;es amaz&ocirc;nicas  &#151; que menos contribu&iacute;ram   para a crise clim&aacute;tica &#151; n&atilde;o   podem arcar sozinhas com os   custos da conserva&ccedil;&atilde;o nem serem    novamente prejudicadas   por falsas solu&ccedil;&otilde;es que reproduzam exclus&atilde;o social.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ci&ecirc;ncia tem papel estrat&eacute;gico   nesta transi&ccedil;&atilde;o, mas   precisa reorientar suas perguntas   e metodologias. N&atilde;o basta   quantificar quanto carbono a   floresta armazena; &eacute; necess&aacute;rio   demonstrar como cadeias produtivas   da sociobiodiversidade   podem gerar renda superior   ao desmatamento, como a   bioeconomia pode ser escalonada   sem perder seu car&aacute;ter   distributivo, e como a transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica pode chegar aos   territ&oacute;rios mais remotos sem   repetir os erros das grandes hidrel&eacute;tricas. A integra&ccedil;&atilde;o entre   conhecimento cient&iacute;fico e   saberes tradicionais n&atilde;o &eacute; cortesia    metodol&oacute;gica, mas condi&ccedil;&atilde;o   para solu&ccedil;&otilde;es efetivas e   duradouras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;1&#93; ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES   UNIDAS. <i>Agenda 21: Confer&ecirc;ncia   das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio   Ambiente e Desenvolvimento</i>. Rio   de Janeiro: ONU, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;2&#93; LAGO, Andr&eacute; Corr&ecirc;a do.   <i>Primeira Carta da Presid&ecirc;ncia   Brasileira da COP30</i>. Dispon&iacute;vel   em: <a href="https://cop30.br/pt-br/presidencia-da-cop30/cartas-dapresidencia/carta-da-presidenciabrasileira" target="_blank">https://cop30.br/pt-br/presidencia-da-cop30/cartas-dapresidencia/carta-da-presidenciabrasileira</a>.   Acesso em: 10 out. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;3&#93; VIEIRA, I. C. G. <i>Desafios para o   enfrentamento da crise ambiental   da Amaz&ocirc;nia</i>. Ci&ecirc;ncia e Cultura,   S&atilde;o Paulo, v. 75, n. 4, p. 1-7, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;4&#93; INTERGOVERNMENTAL PANEL   ON CLIMATE CHANGE. <i>Climate   Change 2023: Synthesis Report</i>.   Geneva: IPCC, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;5&#93; INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL.   <i>COP 30: financiamento clim&aacute;tico   precisa consultar povos ind&iacute;genas   e tradicionais</i>. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/cop-30-financiamento-climatico-precisaconsultar-povos-indigenas-e" target="_blank">https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/cop-30-financiamento-climatico-precisaconsultar-povos-indigenas-e</a>.   Acesso em: 10 out. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;6&#93; MALHEIROS, B. <i>A Amaz&ocirc;nia   e a Soberania Nacional: um guia   de leitura cr&iacute;tica</i>. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://mst.org.br/2025/09/13/aamazonia-e-a-soberania-nacionalum-guia-de-leitura-critica/" target="_blank">https://mst.org.br/2025/09/13/aamazonia-e-a-soberania-nacionalum-guia-de-leitura-critica/</a>. Acesso   em: 10 out. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;7&#93; NEVES, Eduardo Goes. <i>Sob os   tempos do equin&oacute;cio: oito mil anos   de hist&oacute;ria na Amaz&ocirc;nia Central</i>.   S&atilde;o Paulo: EDUSP/UBU, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;8&#93; INTERGOVERNMENTAL PANEL   ON CLIMATE CHANGE. <i>Climate   Change 2007: Impacts</i>, Adaptation   and Vulnerability. Contribution of   Working Group II to the Fourth   Assessment Report. Cambridge:   Cambridge University Press, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;9&#93; KURZ, Robert. <i>La substance du   capital</i>. Paris: L'Echapp&eacute;e, 2019.   285 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;10&#93; FOLHES, Ricardo;   FERNANDES, Danilo. <i>A   domin&acirc;ncia do paradigma   tecnol&oacute;gico mec&acirc;nico-qu&iacute;micogen&eacute;tico   nas pol&iacute;ticas para o   desenvolvimento da bioeconomia   na Amaz&ocirc;nia</i>. Papers do NAEA,   Bel&eacute;m, v. 31, n. 1, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;11&#93; VIEIRA, I. C. G.; FERNANDES,   D. A.; ARAUJO, R.; FREITAS, M.   A. B.; BRAND&Atilde;O, F. <i>Scaling up   sociobioeconomy in the Amazon:   Opportunities and risks</i>. One Earth,   &#91;s. l.&#93;, v. 7, n. 11, p. 1908-1912,   2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;12&#93; ARAUJO, R.; VIEIRA, I.   <i>Desmatamento e as ideologias   da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola:   o caso das cr&iacute;ticas ao sistema   de monitoramento da floresta   amaz&ocirc;nica</i>. Sustainability in   Debate, Bras&iacute;lia, v. 10, n. 3, p. 366-378, dez. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;13&#93; COSTA, F.; LARREA, C.;   ARAUJO, R.; BENATTI, J. <i>et al.   Land Markets and Illegalities:   The deep roots of deforestation   in the Amazon</i>. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:US:680a6d61-4846-4a44-807a-215eff2127b2" target="_blank">https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:US:680a6d61-4846-4a44-807a-215eff2127b2</a>. Acesso   em: 10 out. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;14&#93; COORDENA&Ccedil;&Atilde;O DAS   ORGANIZA&Ccedil;&Otilde;ES IND&Iacute;GENAS   DA AMAZ&Ocirc;NIA BRASILEIRA. <i>A   resposta somos n&oacute;s</i>. Dispon&iacute;vel   em: <a href="https://coiab.org.br/wpcontent/uploads/2024/10/ARESPOSTA-SOMOS-NOS.pdf" target="_blank">https://coiab.org.br/wpcontent/uploads/2024/10/ARESPOSTA-SOMOS-NOS.pdf</a>.   Acesso em: 10 out. 2025.    </font></p>      ]]></body><back>
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<collab>COORDENAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA</collab>
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