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<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20250057</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Biodiversidade, sociobiodiversidade e mudanças climáticas: O link indissolúvel]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas  ]]></institution>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Diversidade Biológica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Socioambiental]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Povos Indígenas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Populações Tradicionais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250057</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Biodiversidade, sociobiodiversidade e   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas: O link indissol&uacute;vel</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Carlos Alfredo Joly<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professor em&eacute;rito   da Universidade Estadual de   Campinas (UNICAMP) e coordenador   da Plataforma Brasileira de Biodiversidade   e Servi&ccedil;os Ecossist&ecirc;micos (BPBES).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As crises do clima, da biodiversidade e da sociobiodiversidade est&atilde;o interligadas e devem ser   tratadas de forma integrada. A sociobiodiversidade, entendida como a coevolu&ccedil;&atilde;o entre a diversidade   biol&oacute;gica e os modos de vida, saberes e pr&aacute;ticas tradicionais, constitui um elemento   central para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, a seguran&ccedil;a alimentar e a resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica. A perda   simult&acirc;nea de esp&eacute;cies e de conhecimentos associados enfraquece fun&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas vitais &#151;  como a regula&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, a poliniza&ccedil;&atilde;o e a manuten&ccedil;&atilde;o da fertilidade do solo &#151; e reduz a   capacidade adaptativa das comunidades humanas. Embora legados antropog&ecirc;nicos nas florestas   neotropicais revelem intera&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas entre sociedades e ecossistemas, a excepcional   riqueza biol&oacute;gica dessas florestas tamb&eacute;m resulta de processos evolutivos e ecol&oacute;gicos de longa   dura&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o devem ser negligenciados. A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica intensifica o colapso desses   sistemas, afetando ecossistemas e popula&ccedil;&otilde;es tradicionais. Em contrapartida, pr&aacute;ticas de manejo   sustent&aacute;vel, sistemas agroflorestais e cadeias produtivas da sociobiodiversidade demonstram   potencial para mitigar emiss&otilde;es e promover adapta&ccedil;&atilde;o local. Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas eficazes devem   reconhecer os direitos territoriais dos povos ind&iacute;genas e das comunidades tradicionais, integrar   seus saberes &agrave; governan&ccedil;a ambiental e estimular a coprodu&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico e tradicional.   Somente uma abordagem que integre justi&ccedil;a clim&aacute;tica, conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade   e valoriza&ccedil;&atilde;o da sociobiodiversidade permitir&aacute; construir um futuro mais resiliente e equitativo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave:</b> Diversidade Biol&oacute;gica; Socioambiental; Povos Ind&iacute;genas; Popula&ccedil;&otilde;es Tradicionais</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vivemos numa era em que   os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica   se manifestam com clareza crescente,   seja pelas temperaturas   extremas, pelo n&iacute;vel do mar em   eleva&ccedil;&atilde;o ou pela frequ&ecirc;ncia   de eventos clim&aacute;ticos severos.   <sup>&#91;1&#93;</sup> Entretanto, esse fen&ocirc;meno &eacute;  apenas um dos componentes   de um quadro mais amplo &#151; a   cont&iacute;nua perda de biodiversidade   e a r&aacute;pida eros&atilde;o da sociobiodiversidade,   que abrange   n&atilde;o apenas a diversidade biol&oacute;gica,   mas tamb&eacute;m os modos   de vida, conhecimentos tradicionais,   inova&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de   uso sustent&aacute;vel desenvolvidos   historicamente por povos ind&iacute;genas,   comunidades tradicionais e agricultores familiares.<sup>&#91;2, 3&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A sociobiodiversidade representa,   portanto, a coevolu&ccedil;&atilde;o   entre a diversidade cultural   humana e os ecossistemas em   que est&aacute; inserida, sendo crucial   para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza,   a seguran&ccedil;a alimentar   e a resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica. O v&iacute;nculo   entre essas crises globais  &#151; clim&aacute;tica, biodiversidade e   sociodiversidade &#151; &eacute; profundo   e multifacetado: mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas impactam ecossistemas   e comunidades humanas,   enquanto a perda de biodiversidade   e a eros&atilde;o da sociobiodiversidade   enfraquecem nossa   capacidade de responder &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es ambientais.<sup>&#91;3&#93;</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Biodiversidade e   sociobiodiversidade   como mecanismos   reguladores</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Seguro, adapt&aacute;vel e resiliente  &#151; assim se comporta um   sistema ecol&oacute;gico biodiverso, especialmente quando gerido   de forma socialmente inclusiva.<sup>&#91;4&#93;</sup> Esp&eacute;cies diferentes desempenham   pap&eacute;is complementares   em um ecossistema, desde   polinizadores at&eacute; predadores   e decompositores. Essa complexidade   funcional, aliada aos   conhecimentos tradicionais de   povos ind&iacute;genas, comunidades   quilombolas e agricultores   familiares, permite regular o   clima local e global: florestas   tropicais sequestram carbono,   solos vivos armazenam nutrientes   e &aacute;gua, e ecossistemas   manejados por comunidades   tradicionais mant&ecirc;m estoques de carbono e servi&ccedil;os ambientais.<sup>&#91;5&#93;</sup> (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a03fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Com a perda da sociobiodiversidade,   essas fun&ccedil;&otilde;es   enfraquecem. A perda de esp&eacute;cies-chave ou de pr&aacute;ticas   tradicionais de manejo pode   desencadear efeitos em cascata  &#151; processos dif&iacute;ceis de   reverter, que comprometem   tanto o equil&iacute;brio clim&aacute;tico   quanto a seguran&ccedil;a alimentar e cultural.<sup>&#91;6&#93;</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Solos saud&aacute;veis   e biodiversos,   estocados com   saberes locais, t&ecirc;m   maior capacidade   de armazenar   carbono e de   manter a umidade."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora pesquisas recentes   tenham demonstrado   que as atividades humanas de   longo prazo deixaram legados   detect&aacute;veis nas florestas neotropicais  &#151; como o enriquecimento   local de esp&eacute;cies domesticadas   ou &uacute;teis perto de   s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos &#151; deve-se evitar enfatizar excessivamente   o papel explicativo da   sociobiodiversidade na compreens&atilde;o   da riqueza excepcional   destas florestas. A biodiversidade   neotropical &eacute; resultado   de uma combina&ccedil;&atilde;o de profunda   hist&oacute;ria evolutiva, gradientes   ambientais em larga escala e regimes de perturba&ccedil;&atilde;o    natural que se estendem   al&eacute;m da influ&ecirc;ncia humana.<sup>&#91;7&#93;</sup> Mesmo estudos que destacam   legados antropog&ecirc;nicos <sup>&#91;8, 9&#93;</sup> reconhecem,   por exemplo, que   as paisagens domesticadas e   os solos antropog&ecirc;nicos f&eacute;rteis   ocupam somente uma parte   limitada da regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica   e que a influ&ecirc;ncia humana &eacute; espacialmente heterog&ecirc;nea.   Assim, &eacute; preciso reconhecer   que as contribui&ccedil;&otilde;es humanas   devem complementar &#151; e   n&atilde;o substituir &#151; as explica&ccedil;&otilde;es   ecol&oacute;gicas e biogeogr&aacute;ficas   multicausais para a origem e   conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade das florestas neotropicais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas aceleram   o decl&iacute;nio da   biodiversidade e da   sociobiodiversidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica atua   como catalisador de crises ecol&oacute;gicas   e sociais.<sup>&#91;10&#93;</sup> O aumento   da temperatura m&eacute;dia global   altera padr&otilde;es de precipita&ccedil;&atilde;o,   intensifica secas, inunda&ccedil;&otilde;es e   inc&ecirc;ndios, e provoca, entre outras   consequ&ecirc;ncias:</font></p> <ul>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Migra&ccedil;&atilde;o ou extin&ccedil;&atilde;o local     de esp&eacute;cies</b> incapazes de     se adaptar rapidamente.<sup>&#91;11&#93;</sup></font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Eros&atilde;o das intera&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas     e socioecol&oacute;gicas</b>, como a poliniza&ccedil;&atilde;o e o extrativismo     de frutos nativos.     <sup>&#91;12&#93;</sup></font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos</b>,     que afeta comunidades     costeiras dependentes da     pesca.<sup>&#91;13&#93;</sup></font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Deslocamento e vulnerabiliza&ccedil;&atilde;o     de popula&ccedil;&otilde;es     tradicionais</b>, cujas pr&aacute;ticas     de manejo dependem de     ciclos clim&aacute;ticos est&aacute;veis.<sup>&#91;3&#93;</sup></font></li>     </ul>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"&Agrave; medida   que perdemos   biodiversidade,   perdemos tamb&eacute;m   o conhecimento   associado a ela."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Consequentemente, o   colapso da biodiversidade e a   eros&atilde;o da sociobiodiversidade   caminham lado a lado, criando   rapidamente zonas de vulnerabilidade   ambiental e social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Biodiversidade e   sociobiodiversidade   como solu&ccedil;&otilde;es   para a resili&ecirc;ncia   clim&aacute;tica</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Contr&aacute;rio ao que muitos   imaginam, a biodiversidade   e a sociobiodiversidade n&atilde;o   s&atilde;o apenas partes do problema  &#151; s&atilde;o pe&ccedil;as fundamentais   da solu&ccedil;&atilde;o.<sup>&#91;4&#93;</sup> Solos saud&aacute;veis   e biodiversos, estocados com   saberes locais, t&ecirc;m maior capacidade   de armazenar carbono   e de manter a umidade.   Sistemas agroflorestais   tradicionais, como os quintais   amaz&ocirc;nicos ou os sistemas de   coivara manejados de forma   sustent&aacute;vel, s&atilde;o exemplos de   como o conhecimento sociocultural   contribui para a adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica.<sup>&#91;14&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Zonas &uacute;midas, como as   Florestas de V&aacute;rzea, o Pantanal   e os manguezais restaurados   com a participa&ccedil;&atilde;o de comunidades   locais, reduzem os impactos   de cheias e tempestades.<sup>&#91;5&#93;</sup> Al&eacute;m disso, unidades de conserva&ccedil;&atilde;o e terras ind&iacute;genas   funcionam como ref&uacute;gios clim&aacute;ticos   e socioculturais, preservando   esp&eacute;cies e modos de   vida.<sup>&#91;15&#93;</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O c&iacute;rculo vicioso   da destrui&ccedil;&atilde;o   ambiental</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Agrave; medida que perdemos   biodiversidade, perdemos   tamb&eacute;m o conhecimento associado   a ela.<sup>&#91;16&#93;</sup> Saberes tradicionais   desaparecem junto com   esp&eacute;cies e paisagens, enfraquecendo   estrat&eacute;gias comunit&aacute;rias   de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o.   Sem sistemas naturais   robustos e governan&ccedil;a participativa,   aumentam as emiss&otilde;es   de gases de efeito estufa &#151;  seja pela libera&ccedil;&atilde;o de carbono   em florestas degradadas, seja   pela substitui&ccedil;&atilde;o de sistemas   agroextrativistas por monocultivos intensivos.<sup>&#91;17&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O resultado &eacute; um c&iacute;rculo   vicioso: mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   aceleram a perda da sociobiodiversidade,   e essa perda reduz   a capacidade de resposta   clim&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Conserva&ccedil;&atilde;o   integrada e   valoriza&ccedil;&atilde;o da   sociobiodiversidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a&ccedil;&otilde;es   cidad&atilde;s precisam caminhar   juntas para proteger tanto a   biodiversidade quanto os saberes   e as pr&aacute;ticas sociais que   dela dependem.<sup>&#91;18&#93;</sup> Algumas   diretrizes incluem:</font></p> <ul>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Prote&ccedil;&atilde;o e restaura&ccedil;&atilde;o     de ecossistemas-chave</b>,     envolvendo comunidades locais desde a concep&ccedil;&atilde;o     dos projetos;</font></li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li><font size="2" face="verdana"><b>Fortalecimento de cadeias     produtivas da sociobiodiversidade</b>,     como castanha--do-brasil, a&ccedil;a&iacute; e pirarucu</font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Conectividade ecol&oacute;gica e     cultural</b>, que permita fluxos     gen&eacute;ticos e o fortalecimento     de redes de troca de sementes     e conhecimentos.<sup>&#91;19&#93;</sup></font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Apoio a sistemas agr&iacute;colas     regenerativos e tradicionais</b>,     valorizando o manejo     sustent&aacute;vel e a economia     de base comunit&aacute;ria;</font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Pol&iacute;ticas de Pagamento     por Servi&ccedil;os Ambientais     (PSA)</b> que reconhe&ccedil;am e     remunere os guardi&otilde;es da     biodiversidade.</font></li>     </ul>     <p><font size="2" face="verdana">Excelentes exemplos j&aacute;  existem: projetos de manejo   participativo do pirarucu na   Amaz&ocirc;nia, cadeias de mel de   abelhas nativas no Cerrado e o   extrativismo comunit&aacute;rio do l&aacute;tex   no Acre demonstram que a   sociobiodiversidade &eacute; uma ferramenta   estrat&eacute;gica de mitiga&ccedil;&atilde;o   e adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica.<sup>&#91;3, 4&#93;</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Justi&ccedil;a clim&aacute;tica,   direitos territoriais e   sociobiodiversidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As comunidades tradicionais  &#151; ind&iacute;genas, ribeirinhas,   quilombolas, seringueiros e   agricultores familiares &#151; est&atilde;o   na linha de frente tanto da   conserva&ccedil;&atilde;o quanto da vulnerabilidade   clim&aacute;tica.<sup>&#91;3&#93;</sup> Quando   a biodiversidade se degrada   e o clima se altera, suas bases   materiais e culturais s&atilde;o diretamente afetadas. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a03fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Pol&iacute;ticas eficazes precisam   incluir:</font></p> <ul>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Reconhecimento de direitos     territoriais</b>, garantindo seguran&ccedil;a fundi&aacute;ria e acesso     a recursos;</font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Participa&ccedil;&atilde;o ativa na governan&ccedil;a     ambiental</b>, n&atilde;o     apenas como benefici&aacute;rios,     mas como co-decisores<sup>&#91;16&#93;</sup>;</font></li>       <li><font size="2" face="verdana"><b>Valoriza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas     ancestrais</b>, muitas vezes     mais sustent&aacute;veis do que     os modelos industrializados.<sup>&#91;20&#93;</sup> Sem justi&ccedil;a clim&aacute;tica,     a transi&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica corre     o risco de reproduzir desigualdades     hist&oacute;ricas.</font></li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O papel da ci&ecirc;ncia,   da educa&ccedil;&atilde;o e da   coprodu&ccedil;&atilde;o do   conhecimento</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Conectar biodiversidade,   sociobiodiversidade e mudan&ccedil;a   clim&aacute;tica requer ci&ecirc;ncia   aberta, interdisciplinar e dial&oacute;gica.<sup>&#91;4&#93;</sup> Pesquisas recentes evidenciam   que a coprodu&ccedil;&atilde;o de   conhecimento &#151; integrando   cientistas, comunidades locais   e tomadores de decis&atilde;o &#151; resulta   em solu&ccedil;&otilde;es mais eficazes e socialmente legitimadas.<sup>&#91;17, 19&#93;</sup> Educa&ccedil;&atilde;o ambiental, comunica&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica e valoriza&ccedil;&atilde;o   dos idiomas e cosmologias tradicionais   s&atilde;o igualmente centrais.   As popula&ccedil;&otilde;es urbanas,   cada vez mais distantes da natureza,   precisam compreender   que a sociobiodiversidade &eacute; t&atilde;o estrat&eacute;gica quanto as tecnologias   limpas para atingir as metas clim&aacute;ticas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Sem justi&ccedil;a   clim&aacute;tica, a   transi&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica   corre o risco   de reproduzir   desigualdades   hist&oacute;ricas."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Biodiversidade, sociobiodiversidade   e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   n&atilde;o s&atilde;o crises separadas  &#151; s&atilde;o faces de uma mesma   equa&ccedil;&atilde;o ambiental e social. De um lado, ecossistemas e   comunidades perdem capacidade   de resistir e regular o clima;   do outro, a a&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica   se torna ineficaz se ignora a diversidade   biol&oacute;gica e cultural   que sustenta a resili&ecirc;ncia do   planeta. Enfrentar esse cen&aacute;rio   exige vis&atilde;o sist&ecirc;mica, integrada   e justa. Ao reconhecermos   que a natureza n&atilde;o &eacute; somente   v&iacute;tima, mas aliada &#151; e que   as comunidades tradicionais   s&atilde;o parceiras estrat&eacute;gicas,   n&atilde;o obst&aacute;culos &#151; passamos   da cultura da prote&ccedil;&atilde;o para a   da regenera&ccedil;&atilde;o.<sup>&#91;3, 16&#93;</sup> E, nessa   mudan&ccedil;a de paradigma, reside   nossa esperan&ccedil;a: um futuro   em que clima, biodiversidade   e sociobiodiversidade coexistam   em equil&iacute;brio &#151; um futuro   mais saud&aacute;vel, sustent&aacute;vel e justo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;1&#93; IPCC Summary for Policymakers.   In: <i>Climate Change 2023</i>: Synthesis   Report. Contribution of Working   Groups I, II and III to the Sixth   Assessment Report of the Intergovernmental   Panel on Climate   Change, H. LEE, H. ROMERO, J.   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