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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As dimensões humanas das mudanças climáticas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250059</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>As dimens&otilde;es humanas das   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Gabriela Di Giulio<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Doutora em Ambiente   e Sociedade e professora associada   no Departamento de Sa&uacute;de Ambiental,   Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica, USP.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Uma d&eacute;cada ap&oacute;s o Acordo de Paris, a crise clim&aacute;tica se intensifica, agravando desigualdades   e interagindo com outras emerg&ecirc;ncias globais. O relat&oacute;rio "10 New Insights" (2025/2026) destaca   que enfrent&aacute;-la exige governan&ccedil;a robusta e pol&iacute;ticas adaptadas. As Confer&ecirc;ncias do Clima    (COPs), como a COP30 no Brasil, evidenciam as complexas disputas pol&iacute;ticas e a necessidade crucial   de integrar as dimens&otilde;es humanas e a coprodu&ccedil;&atilde;o de conhecimento nas estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave: </b>Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; justi&ccedil;a clim&aacute;tica; COP 30; Sustentabilidade</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recordes de temperatura,   n&iacute;veis cada vez mais altos   de concentra&ccedil;&otilde;es de gases de   efeito estufa, eventos extremos   mais frequentes e de maior intensidade,   e popula&ccedil;&otilde;es afetadas   em todo o globo. Dez   anos depois da proposi&ccedil;&atilde;o do   Acordo de Paris, considerado   um marco no processo multilateral   sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   justamente por se tratar   de um acordo internacional juridicamente   vinculante<sup>&#91;1&#93;</sup> e mais   de tr&ecirc;s d&eacute;cadas desde a cria&ccedil;&atilde;o   de importantes tratados   firmados para o enfrentamento   dos problemas ambientais,   incluindo a Conven&ccedil;&atilde;o das   Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, chegamos   a um momento cr&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m da acelera&ccedil;&atilde;o do   aquecimento global e dos   seus impactos sobre seguran&ccedil;a   h&iacute;drica e alimentar, sa&uacute;de humana,   meios de subsist&ecirc;ncia e   produtividade,<sup>&#91;2&#93;</sup> e das intera&ccedil;&otilde;es   com as outras crises em curso &#150; como perda de biodiversidade,   polui&ccedil;&atilde;o, degrada&ccedil;&atilde;o   ambiental e emerg&ecirc;ncias   sanit&aacute;rias &#150; a crise clim&aacute;tica   interage, amplifica e agrava   outras importantes contradi&ccedil;&otilde;es   das sociedades contempor&acirc;neas,   como as iniquidades   socioecon&ocirc;micas e a garantia   de direitos humanos. Seu enfrentamento,   como endossa   o relat&oacute;rio rec&eacute;m-publicado   <i>10 New Insights in Climate    Science 2025/2026</i><sup>&#91;3&#93;</sup> &#150; resultado   de um esfor&ccedil;o anual de   s&iacute;ntese da comunidade cient&iacute;fica   acerca das pesquisas sobre   as mudan&ccedil;as do clima &#150; passa   pela necessidade de estruturas   de governan&ccedil;a robustas e   pela combina&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e   a&ccedil;&otilde;es adaptadas a contextos e capacidades institucionais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Reconhecer que as mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas s&atilde;o revestidas   de um car&aacute;ter pol&iacute;tico   e social e est&atilde;o colocadas no   centro de um debate cient&iacute;fico   e pol&iacute;tico polarizado, envolvendo   uma multiplicidade   de atores, interesses e disputas,  &eacute; fundamental &#150; tanto na   compreens&atilde;o sobre os principais    drivers da crise clim&aacute;tica,   como na elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias   que t&ecirc;m sido postuladas   (e adiadas) para o seu enfrentamento.   Esses elementos   ficam evidentes, sobretudo,   em momentos estrat&eacute;gicos de   negocia&ccedil;&otilde;es e decis&otilde;es, como   a realiza&ccedil;&atilde;o das Confer&ecirc;ncias das Partes (COP).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em sua 30&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, realizada   em Bel&eacute;m, em novembro   de 2025, a COP 30 mostra   com clareza &#151; nos bastidores,   reuni&otilde;es preparat&oacute;rias, expectativas   postuladas e especula&ccedil;&otilde;es   compartilhadas &#151; como   as disputas se realizam nesse   processo de buscar garantir o   alinhamento entre as partes e estabelecer pol&iacute;ticas que sejam   refer&ecirc;ncia para o desenvolvimento   de estrat&eacute;gias nacionais   e subnacionais quanto ao enfrentamento   das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.   Particularmente nesta   COP sediada no Brasil, reconstruir   a arquitetura da coopera&ccedil;&atilde;o   internacional sobre o   clima, avan&ccedil;ar concretamente   em dire&ccedil;&atilde;o ao financiamento   clim&aacute;tico &#151; o valor postulado   e de onde vir&aacute; o recurso &#151; e   estabelecer metas e m&eacute;tricas   concretas d&atilde;o o tom desses tensionamentos.<sup>&#91;4&#93;</sup> (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a05fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Contudo, outros aspectos   que circundam as mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas tamb&eacute;m ganham   maior visibilidade nas   reuni&otilde;es da COP, mostrando   que estes momentos estrat&eacute;gicos   tamb&eacute;m constituem   l&oacute;cus importante para as chamadas  "dimens&otilde;es humanas   das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas" &#151;    termo que, embora usualmente   adotado pela comunidade   cient&iacute;fica, n&atilde;o define por si s&oacute;  a amplitude das disciplinas,   campos e contribui&ccedil;&otilde;es das Humanidades &agrave; tem&aacute;tica.<sup>&#91;5&#93;</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"As contribui&ccedil;&otilde;es   das Ci&ecirc;ncias Sociais   e Humanas t&ecirc;m   sido fundamentais   para a no&ccedil;&atilde;o   atual de que as   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   constituem uma   condi&ccedil;&atilde;o da   atualidade."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De fato, as contribui&ccedil;&otilde;es   das Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, a partir dos seus   diferentes campos de conhecimento,   integra&ccedil;&otilde;es com   outras &aacute;reas e diversidades   te&oacute;rico-anal&iacute;ticas e metodol&oacute;gicas,   t&ecirc;m sido fundamentais   para a no&ccedil;&atilde;o atual de que as   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas constituem    uma condi&ccedil;&atilde;o da atualidade,<sup>&#91;6&#93;</sup> atravessando todas as   dimens&otilde;es das nossas vidas.   T&ecirc;m sido importantes tamb&eacute;m   no fortalecimento do debate   atual sobre como as a&ccedil;&otilde;es preventivas   e as respostas postuladas   devem ser &eacute;ticas, justas   e contribuir para a melhora   do bem-estar social, lan&ccedil;ando luz &agrave;s an&aacute;lises cr&iacute;ticas sobre   interseccionalidades, justi&ccedil;a e   sustentabilidade. As contribui&ccedil;&otilde;es   s&atilde;o balizadoras, ainda,   para o reconhecimento do engajamento   necess&aacute;rio das pesquisas   sobre o que se constitui,   de fato, a mudan&ccedil;a do clima, j&aacute; que ela atravessa e reconstr&oacute;i    as intera&ccedil;&otilde;es entre sociedade   e natureza, criando novas possibilidades   de pol&iacute;tica e a&ccedil;&atilde;o.<sup>&#91;6&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No conjunto de perspectivas   anal&iacute;ticas das dimens&otilde;es   humanas das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas,   destaco neste breve artigo   duas delas que t&ecirc;m sido   objetos de interesse nos nossos   estudos sobre governan&ccedil;a   clim&aacute;tica, capacidade adaptativa   e estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o.   A primeira reflete sobre    a conforma&ccedil;&atilde;o da agenda, a   compreens&atilde;o p&uacute;blica e os aspectos   que moldam as percep&ccedil;&otilde;es   sobre a crise clim&aacute;tica e   seus riscos. A segunda aborda   as interfaces entre ci&ecirc;ncia   e pol&iacute;tica, e a necessidade de   participa&ccedil;&atilde;o e coprodu&ccedil;&atilde;o de   conhecimento, com articula&ccedil;&atilde;o   entre diferentes atores e   saberes para avan&ccedil;ar coletivamente.   Essas perspectivas   apresentadas neste artigo tensionam   as intera&ccedil;&otilde;es entre a   crise clim&aacute;tica e os contextos   socioculturais, e como estas se   expressam nas pr&aacute;ticas sociais,   nos conflitos e nos processos   decis&oacute;rios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Da conforma&ccedil;&atilde;o   da agenda do clima  &agrave; emerg&ecirc;ncia   clim&aacute;tica</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Embora a compreens&atilde;o   da comunidade cient&iacute;fica   acerca das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   envolva um longo processo   de aprendizado coletivo, a emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica &#151; termo   que tem ganhado significativa   ader&ecirc;ncia sobretudo a partir   da iniciativa do jornal brit&acirc;nico   The Guardian, em 2019, de    denominar a mudan&ccedil;a do clima   como crise, emerg&ecirc;ncia e   colapso &#151; adentrou com mais   for&ccedil;a na agenda p&uacute;blica e pol&iacute;tica   somente nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.   A conforma&ccedil;&atilde;o do Painel   Intergovernamental sobre   Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC),   no final da d&eacute;cada de 1980,   e a divulga&ccedil;&atilde;o do primeiro   relat&oacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o assinado   pelos cientistas, em 1990,   certamente tiveram peso para   a quest&atilde;o clim&aacute;tica ganhar a   aten&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. O primeiro   relat&oacute;rio apontou a necessidade   de desacelera&ccedil;&atilde;o do processo   de aquecimento global,   com o emprego de um esfor&ccedil;o   pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico mundial   urgente por meio de uma conven&ccedil;&atilde;o-quadro sobre mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas que agisse tanto   na conten&ccedil;&atilde;o e na redu&ccedil;&atilde;o   de emiss&otilde;es desses poluentes,   com a ado&ccedil;&atilde;o de medidas de   mitiga&ccedil;&atilde;o, como na implementa&ccedil;&atilde;o   de estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A rea&ccedil;&atilde;o ao tema das   mudan&ccedil;as do clima ganhou   adensamento pol&iacute;tico em   1992, quando, na ocasi&atilde;o   da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas sobre o Meio Ambiente   e Desenvolvimento, no Rio   de Janeiro, foi estabelecida a   Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas   sobre Mudan&ccedil;a do Clima    (UNFCCC &#151; United Nations   Framework Convention on   Climate Change) como resultado   dos esfor&ccedil;os diretos do IPCC. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a05fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Das reuni&otilde;es anuais das   COP, aos embates em torno   dos tratados propostos &#151;  como o Protocolo de Quioto,   lan&ccedil;ado em 1997, e o Acordo   de Paris, em 2015 &#151; em meio   aos avan&ccedil;os cient&iacute;ficos e &agrave;s discuss&otilde;es   pol&iacute;ticas e acad&ecirc;micas   sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas,   os sucessivos relat&oacute;rios publicados   pelos IPCC e outras publica&ccedil;&otilde;es   de impacto seguem   refor&ccedil;ando a gravidade da   crise clim&aacute;tica &#151; considerada   inclusive pela OMS como a   maior amea&ccedil;a &agrave; sa&uacute;de global do s&eacute;culo XXI.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No mesmo ano em que   o jornal brit&acirc;nico justificou sua op&ccedil;&atilde;o por adotar o termo   emerg&ecirc;ncia ou crise clim&aacute;tica   para tratar de mudan&ccedil;as   do clima, sinalizando nas   palavras da sua editora-chefe   Katharine Viner a necessidade   de "garantir que estamos sendo   cientificamente precisos, ao    mesmo tempo em que nos comunicamos   claramente com os   leitores sobre esse assunto t&atilde;o   importante" (tradu&ccedil;&atilde;o do original   em ingl&ecirc;s), um relat&oacute;rio   produzido pelo Human Rights   Council<sup>&#91;7&#93;</sup> chamou a aten&ccedil;&atilde;o   para o apartheid clim&aacute;tico.   Segundo o documento, as mudan&ccedil;as    clim&aacute;ticas, compreendidas   como uma "emerg&ecirc;ncia   sem precedente", e as falhas   dos Estados em protegerem   suas popula&ccedil;&otilde;es, particularmente   as mais vulner&aacute;veis,   dos impactos negativos desse   fen&ocirc;meno, amea&ccedil;am o futuro   dos direitos humanos e ampliam   os abismos j&aacute; existentes    entre pa&iacute;ses, comunidades e   grupos sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Contudo, apesar do enquadramento   das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas enquanto uma emerg&ecirc;ncia   tiver ampla repercuss&atilde;o   global, inclusive no Brasil, colaborando   para maior sensibiliza&ccedil;&atilde;o   da opini&atilde;o p&uacute;blica, h&aacute;  ainda pouca evid&ecirc;ncia de que   tal enquadramento esteja desencadeando   a&ccedil;&otilde;es urgentes   em resposta aos desafios postos.<sup>&#91;8&#93;</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A crise clim&aacute;tica   exemplifica, em   particular, como as   disputas de poder e   novas centralidades   t&ecirc;m papel central   na cria&ccedil;&atilde;o ou   valoriza&ccedil;&atilde;o   de tem&aacute;ticas   socioambientais."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A crise clim&aacute;tica exemplifica,   em particular, como   as disputas de poder e novas   centralidades t&ecirc;m papel central   na cria&ccedil;&atilde;o ou valoriza&ccedil;&atilde;o   de tem&aacute;ticas socioambientais.   A visibilidade e relev&acirc;ncia desse  "fen&ocirc;meno" nesta dobra   entre os s&eacute;culos 20 e 21 foram   (e continuam a ser) moldadas   por um conjunto de elementos   que se conectam e interagem simultaneamente. Dentre esses   elementos, est&atilde;o inclu&iacute;dos,   por exemplo, o pr&oacute;prio avan&ccedil;o   da climatologia, impulsionado,   sobretudo, com a corrida espacial   durante a Guerra Fria;<sup>&#91;9&#93;</sup> envolvimento de organiza&ccedil;&otilde;es    importantes nos debates ambientais,   como a Organiza&ccedil;&atilde;o   das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) com   maior destaque a partir da cria&ccedil;&atilde;o   do Programa das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas para o Meio Ambiente   (United Nations Environment   Program), em 1972, refor&ccedil;ada   com a publica&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio   Nosso Futuro Comum, em   1987, e mais recentemente   com a publica&ccedil;&atilde;o da Agenda   2030;<sup>&#91;10&#93;</sup> as s&eacute;ries de eventos   clim&aacute;ticos extremos registradas   em diversas localidades   do planeta, como as ondas de   calor registradas em Chicago   (1995) com 465 mortes, na   Fran&ccedil;a (2003) com quase 15    mil &oacute;bitos e nos &uacute;ltimos anos   cada vez mais frequentes em   diversos pa&iacute;ses, inclusive no   Brasil;<sup>&#91;11&#93;</sup> a pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o do   IPCC e a divulga&ccedil;&atilde;o de seus   relat&oacute;rios peri&oacute;dicos;<sup>&#91;12&#93;</sup> e os   incentivos &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de   pesquisas nesta tem&aacute;tica, por   meio de editais propostos pelas   ag&ecirc;ncias de fomento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se a mudan&ccedil;a do clima   atingiu o status de configurar   como uma das quest&otilde;es mais   importantes que governos e   popula&ccedil;&otilde;es enfrentam, colocando-se como uma condi&ccedil;&atilde;o   das sociedades contempor&acirc;neas,<sup>&#91;6&#93;</sup> &eacute; necess&aacute;rio ter em   mente que tal status e condi&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o emergiriam aleatoriamente.   Ao contr&aacute;rio, s&atilde;o resultados   de um processo marcado   por disputas cient&iacute;ficas, econ&ocirc;micas   e pol&iacute;ticas, mediadas   por valores, atitudes, cren&ccedil;as,   enquadramentos midi&aacute;ticos,   movimentos sociais, entre outros   importantes elementos   que circundam a constru&ccedil;&atilde;o    de problemas socioambientais   e dos pr&oacute;prios riscos.<sup>&#91;13&#93;</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Dos riscos &agrave;s   percep&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda que as discuss&otilde;es   sobre referenciais ontol&oacute;gicos   e epistemol&oacute;gicos acerca do   termo risco sejam not&oacute;rias na   literatura nacional e internacional   e evidenciem importantes   diferen&ccedil;as e disputas entre  &aacute;reas de conhecimento,<sup>&#91;14&#93;</sup> na perspectiva sociol&oacute;gica e   construtivista, compartilhamos   a compreens&atilde;o de risco enquanto   um fen&ocirc;meno contextual,   constru&iacute;do socialmente,   que existe tanto no plano perceptivo   como no plano experiencial;   e enquanto uma categoria   importante para analisar   a sociedade contempor&acirc;nea.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Da primeira perspectiva   (risco como fen&ocirc;meno contextual),   sem negar a exist&ecirc;ncia   de uma realidade objetiva nem   o poder causal independente   dos fen&ocirc;menos naturais, h&aacute;  uma tentativa de compreender   os processos de negocia&ccedil;&atilde;o   sobre como os riscos s&atilde;o definidos   e enfrentados. H&aacute; uma tentativa de dar visibilidade   aos fatores socioculturais significativos   para as resist&ecirc;ncias e   controv&eacute;rsias existentes sobre   os riscos e para a conforma&ccedil;&atilde;o   das percep&ccedil;&otilde;es que os indiv&iacute;duos   e grupos sociais t&ecirc;m   sobre eles. &Eacute; nesta linha argumentativa,   por exemplo, que   o soci&oacute;logo alem&atilde;o Orwtin   Renn,<sup>&#91;15&#93;</sup> em suas an&aacute;lises sobre   risco e governan&ccedil;a, sustenta   que risco representa aquilo   que as pessoas observam e   experienciam. Esta rela&ccedil;&atilde;o entre   conceito e realidade, para   o autor, &eacute; bastante complexa e   se d&aacute; atrav&eacute;s de experi&ecirc;ncias   de preju&iacute;zos reais, que incluem    desde impactos na sa&uacute;de, no   ambiente ou at&eacute; mesmo perdas   de vidas humanas. Essas   interconex&otilde;es entre conceito   e realidade s&atilde;o moldadas, na   pr&aacute;tica, por rela&ccedil;&otilde;es sociais,   rela&ccedil;&otilde;es de poder e hierarquia,   cren&ccedil;as culturais, confian&ccedil;a   nas institui&ccedil;&otilde;es, conhecimento   cient&iacute;fico, experi&ecirc;ncias, emo&ccedil;&otilde;es,   discursos, pr&aacute;ticas e mem&oacute;rias   coletivas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Da segunda perspectiva   (risco enquanto importante categoria   para analisar a sociedade   contempor&acirc;nea), riscos s&atilde;o   apreendidos enquanto incertezas   fabricadas, as quais s&atilde;o   produzidas de forma industrial,   exteriorizadas economicamente,   individualizadas no plano   jur&iacute;dico, legitimadas no plano   das ci&ecirc;ncias e minimizadas   no plano pol&iacute;tico.<sup>&#91;16&#93;</sup> Enquanto   efeitos colaterais latentes dos   processos de industrializa&ccedil;&atilde;o,   modernidade e desenvolvimento   cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico,   os riscos contempor&acirc;neos,   manufaturados, presumem   uma reorienta&ccedil;&atilde;o de valores   e de estrat&eacute;gias para prosseguir,<sup>&#91;17&#93;</sup> assumindo, assim, um significado decisivo nos debates   sociais e pol&iacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esses dois entendimentos   sobre risco apresentados   s&atilde;o pertinentes no debate sobre   mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. O   primeiro, especialmente, para   compreender como o fen&ocirc;meno   e seus riscos s&atilde;o percebidos   pelos indiv&iacute;duos e como estas   percep&ccedil;&otilde;es v&atilde;o sendo constru&iacute;das.   O segundo, sobretudo,   para compreender como as   mudan&ccedil;as do clima performam   no centro de debates sociais,   econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos, e por   que entendimentos e negocia&ccedil;&otilde;es   sobre causas, efeitos e   a&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o/adapta&ccedil;&atilde;o   s&atilde;o complexos, demandando   novas formas de engajamento    e de participa&ccedil;&atilde;o, e um novo   tipo de solidariedade para seu   enfrentamento (como ser&aacute; discutido   no t&oacute;pico a seguir).</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A crise clim&aacute;tica   reflete quest&otilde;es   mais profundas   de direitos,   responsabilidades,   cidadania e   reconstru&ccedil;&atilde;o   de normas   constitucionais   em torno de   uma amea&ccedil;a   que perpassa   os pr&oacute;prios   fundamentos   das sociedades   civilizadas."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudos sobre percep&ccedil;&otilde;es   de risco e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   t&ecirc;m mostrado, em geral, que as percep&ccedil;&otilde;es dos   indiv&iacute;duos sobre riscos associados &agrave;s mudan&ccedil;as do clima v&atilde;o   sendo constru&iacute;das em meio a   um processo de associa&ccedil;&atilde;o e   de afetividade, baseado nas informa&ccedil;&otilde;es   que as pessoas t&ecirc;m,   na aten&ccedil;&atilde;o que dispensam ao   assunto e na confian&ccedil;a nos dados   divulgados.<sup>&#91;18&#93;</sup> O processo   sobre como os indiv&iacute;duos conectam   eventos clim&aacute;ticos extremos &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   depende, ainda, das experi&ecirc;ncias   pessoais vividas ao longo   do tempo e de outros aspectos    cr&iacute;ticos, como contextos   sociais e pol&iacute;ticos. Estruturas   institucionais e aspectos afetivos   modulam tamb&eacute;m como   os indiv&iacute;duos percebem o fen&ocirc;meno   e seus riscos e como   os conectam &agrave;s suas escolhas,   atitudes e &agrave;s suas pr&oacute;prias vulnerabilidades.<sup>&#91;14&#93;</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Das interfaces entre   ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica &agrave; coprodu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento   cient&iacute;fico sobre   as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas segue   avan&ccedil;ando substancialmente,   as a&ccedil;&otilde;es concretas, por outro   lado, seguem lentas e ainda   limitadas. A acad&ecirc;mica Sheila   Jasanoff<sup>&#91;19&#93;</sup> lembra que se, de   um lado, novos produtos e   processos desenvolvidos pela   ci&ecirc;ncia transformam estruturas   sociais e comportamentos;   de outro, a dissemina&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o   e apreens&atilde;o do conhecimento   cient&iacute;fico produzido   dependem da intera&ccedil;&atilde;o de   diversos fatores como pol&iacute;ticas   econ&ocirc;micas e sociais, institui&ccedil;&otilde;es   sociais envolvidas, m&iacute;dia,   costumes locais, mas tamb&eacute;m,   numa perspectiva mais individual,   valores, sentimentos, mem&oacute;rias. Na quest&atilde;o clim&aacute;tica,   em particular, &eacute; importante   situar que a ci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico meio atrav&eacute;s do qual os   indiv&iacute;duos experienciam a crise   clim&aacute;tica e seus efeitos.<sup>&#91;20&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Neste entendimento, estudos das dimens&otilde;es humanas   das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas tamb&eacute;m   t&ecirc;m se debru&ccedil;ado sobre   as limita&ccedil;&otilde;es do chamado modelo   de conhecimento unidirecional   ou de transfer&ecirc;ncia   nas intera&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia e   pol&iacute;tica e buscado elucidar os   desafios imbricados acerca da   chamada pol&iacute;tica baseada em   evid&ecirc;ncias (evidence-based   policy). Morgan e Di Giulio,<sup>&#91;21&#93;</sup> ao fazerem uma revis&atilde;o da literatura   sobre o tema, argumentam   que a sele&ccedil;&atilde;o das   evid&ecirc;ncias dispon&iacute;veis para a   formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas nem   sempre &eacute; feita de forma equilibrada;   em geral, s&atilde;o refor&ccedil;adas   e ganham proje&ccedil;&atilde;o as evid&ecirc;ncias   que apoiam posi&ccedil;&otilde;es   pol&iacute;ticas j&aacute; existentes. Pela   pr&oacute;pria politiza&ccedil;&atilde;o e incertezas   envolvidas nas quest&otilde;es clim&aacute;ticas,   o conhecimento cient&iacute;fico   tende, muitas vezes, a ser   ignorado, colocado em xeque   ou usado para justificar uma   s&eacute;rie de agendas pol&iacute;ticas j&aacute;  previamente arregimentadas.   A aceitabilidade de determinadas   narrativas cient&iacute;ficas pelos   atores pol&iacute;ticos depende da   extens&atilde;o com que elas concordam   com suas cren&ccedil;as compartilhadas   e motiva&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas  &#151; perspectiva evidenciada na   an&aacute;lise de Viglio et al.<sup>&#91;22&#93;</sup> sobre   as pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas no Brasil e a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; a partir desse entendimento,   que reconhece que as   intera&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica   n&atilde;o s&atilde;o lineares nem unidirecionais,   e na aposta de que   a coprodu&ccedil;&atilde;o pode contribuir para acelerar as transi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias   para a sustentabilidade,   ao trazer mudan&ccedil;as aos   arranjos institucionais que governam   as rela&ccedil;&otilde;es entre conhecimento   e poder, ci&ecirc;ncia   e sociedade, e Estado e cidad&atilde;os,<sup>&#91;23&#93;</sup> que as interfaces entre   ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica t&ecirc;m sido   discutidas no &acirc;mbito da crise   clim&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudos emp&iacute;ricos no   Brasil, com interfaces importantes   na quest&atilde;o clim&aacute;tica,   confirmam que processos que   unem iterativamente formas   de conhecer e agir &#151; incluindo   ideias, normas, pr&aacute;ticas e   discursos &#151; envolvendo uma   diversidade de participantes   (e.g. cientistas, atores institucionais   governamentais, atores   da sociedade civil), alcan&ccedil;am   m&uacute;ltiplos benef&iacute;cios. Fomento   a estrat&eacute;gias e solu&ccedil;&otilde;es criativas   para os problemas postulados,   maior usabilidade do conhecimento   coproduzido em   processos decis&oacute;rios, encorajamento  &agrave; reflexividade entre    os atores sociais participantes   de projetos transdisciplinares   e redistribui&ccedil;&atilde;o de poder s&atilde;o   alguns desses potenciais benef&iacute;cios.<sup>&#91;24,25,26,27&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na chamada "ci&ecirc;ncia da   sustentabilidade",<sup>&#91;28&#93;</sup> na qual a   crise clim&aacute;tica &eacute; enfoque importante,   a coprodu&ccedil;&atilde;o forneceria   uma estrutura para   repensar a ci&ecirc;ncia e sua conex&atilde;o   com a sociedade e, desde   uma perspectiva mais pr&aacute;tica,   seria um instrumento, uma forma   de interven&ccedil;&atilde;o, com potencial   para enfrentar grandes   desafios sociais.<sup>&#91;23&#93;</sup> J&aacute; no campo   dos estudos de Ci&ecirc;ncia,   Tecnologia e Sociedade (CTS),   a coprodu&ccedil;&atilde;o &eacute; compreendida   como uma lente te&oacute;rica por   meio da qual se analisam as   rela&ccedil;&otilde;es complexas existentes entre ci&ecirc;ncia e governan&ccedil;a,    potencializando formas de interpretar   e explicar fen&ocirc;menos   complexos, endossando a premissa   de que o conhecimento &eacute; tanto produto quanto produtor   dos sistemas socioecol&oacute;gicos   nos quais ele emerge.<sup>&#91;19&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em comum, como sinalizam   Miller e Wyborn,<sup>&#91;29&#93;</sup> ao   fazerem uma revis&atilde;o cr&iacute;tica   sobre coprodu&ccedil;&atilde;o de conhecimento   a partir da sua mobiliza&ccedil;&atilde;o   em diferentes campos,   a coprodu&ccedil;&atilde;o &eacute; potente se: (i)   for inclusiva na diversidade de   participantes, no poder concedido   a eles e nos processos e   objetivos pretendidos &#151; coprodu&ccedil;&atilde;o,   assim, seria alicer&ccedil;ada   na responsabilidade, credibilidade   e legitimidade; (ii)   propiciar um processo de reconfigura&ccedil;&atilde;o   da ci&ecirc;ncia e sua   autoridade social, possibilitando   que os participantes sejam   reflexivos sobre a natureza inerentemente   pol&iacute;tica da produ&ccedil;&atilde;o   de conhecimento a servi&ccedil;o   da mudan&ccedil;a da ordem social   em escalas locais e globais; (iii)   reconhecer que o engajamento   p&uacute;blico, a delibera&ccedil;&atilde;o e o   debate moldam o conte&uacute;do e   a relev&acirc;ncia do conhecimento   e sua capacidade de apoio &agrave;  constru&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o de   institui&ccedil;&otilde;es para facilitar a transi&ccedil;&atilde;o para sustentabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Particularmente na quest&atilde;o   clim&aacute;tica, a coprodu&ccedil;&atilde;o   tem sido reconhecida tamb&eacute;m   por seu papel frente aos   diferentes tipos de incerteza   que se fazem presentes<sup>&#91;30&#93;</sup> e   que, muitas vezes, s&atilde;o usados   para justificar a falta de   a&ccedil;&otilde;es concretas e urgentes.   A primeira &eacute; a incerteza epist&ecirc;mica,    que se origina do conhecimento   incompleto dos   processos que influenciam os   eventos clim&aacute;ticos. A segunda est&aacute; diretamente relacionada &agrave; natureza ca&oacute;tica do pr&oacute;prio   sistema clim&aacute;tico. Mas &eacute;, sobretudo,   sobre o terceiro tipo   de incerteza que a coprodu&ccedil;&atilde;o   vislumbra suas maiores    potencialidades: a incerteza   referente &agrave; pr&oacute;pria reflexividade   humana, que reflete diretamente   os dilemas colocados&agrave; sociedade atual, sendo   parte do problema e parte da solu&ccedil;&atilde;o. Sem d&uacute;vida, a crise   clim&aacute;tica, como fica evidente   na COP 30, reflete quest&otilde;es   mais profundas de direitos,    responsabilidades, cidadania   e reconstru&ccedil;&atilde;o de normas   constitucionais em torno de   uma amea&ccedil;a que perpassa os   pr&oacute;prios fundamentos das sociedades   civilizadas.<sup>&#91;20&#93;</sup> Avan&ccedil;ar   concretamente em trilhas colaborativas,   fundamentadas na coopera&ccedil;&atilde;o, integra&ccedil;&atilde;o de saberes    e experi&ecirc;ncias, e na solidariedade,   nos parece o caminho   mais promissor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;1&#93; UNFCCC. <i>The Paris Agreement</i>.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://unfccc.int/process-and-meetings/the-parisagreement" target="_blank">https://unfccc.int/process-and-meetings/the-parisagreement</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;2&#93; IPCC. <i>Climate Change 2023</i>:   Synthesis Report. Summary for   Policymakers. Contribution of   Working Groups I, II and III to   the Sixth Assessment Report of   the Intergovernmental Panel on   Climate Change. Geneva: IPCC,   2023. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ipcc.ch/report/ar6/syr/" target="_blank">https://www.ipcc.ch/report/ar6/syr/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;3&#93; OSPINA <i>et al</i>. (under review) <i>Ten   New Insights in Climate Science   2025</i>. Global Sustainability. doi:   10.5281/zenodo.17457864</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;4&#93; JACOBI, P.R.; SILVA, J.I.; DI   GIULIO, G.M. 2025. <i>COP 30</i>:   avan&ccedil;ar numa transi&ccedil;&atilde;o justa e na   implementa&ccedil;&atilde;o de uma agenda   clim&aacute;tica. Nexo Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas.   <a href="https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2025/08/28/cop-30-avancar-numa-transicao-justa-e-naimplementacao-de-uma-agendaclimatica" target="_blank">https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2025/08/28/cop-30-avancar-numa-transicao-justa-e-naimplementacao-de-uma-agendaclimatica</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;5&#93; LEMOS, M. C. <i>et al. Social   Sciences, weather and climate   change</i>. Metor. Monogr. 2019</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;6&#93; BULKELEY, H. <i>Navigating   climate's human geographies</i>:   Exploring the whereabouts of   climate politics. Dialogues in   Human Geography, v. 9, n. 1, p.   3-17, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;7&#93; Dispon&iacute;vel em: <a href="https://docs.un.org/en/A/HRC/res/41/21" target="_blank">https://docs.un.org/en/A/HRC/res/41/21</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;8&#93; MCHUGH, L.H.; LEMOS, M.C.;   MORRISON, T.H. 2021. <i>Risk?   Crisis? Emergency? Implications   of the new climate emergency   framing for governance and policy</i>.   Wires Climate Change. <a href="https://doi.org/10.1002/wcc.736" target="_blank">https://doi.org/10.1002/wcc.736</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;9&#93; LEITE, J. C. <i>Controv&eacute;rsias   na climatologia</i>: o IPCC   e o aquecimento global   antropog&ecirc;nico. Scienti&aelig; Studia,   S&atilde;o Paulo, 13(3), 643-677, 2015.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> &#91;10&#93; ARA&Uacute;JO, A.; DI GIULIO,   G.M. 2020. <i>Desenvolvimento   sustent&aacute;vel: uma estrat&eacute;gia   narc&iacute;sica para enfrentar a crise   ambiental?</i> Ambient. soc. 23 &bull; 2020  &bull; <a href="https://doi.org/10.1590/1809-4422asoc20190050r3vu2020L6AO" target="_blank">https://doi.org/10.1590/1809-4422asoc20190050r3vu2020L6AO</a></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;11&#93; FERREIRA, L.S.; DI GIULIO,   G. 2025. <i>Caminhos poss&iacute;veis para   fortalecer os nexos entre clima,   natureza e sa&uacute;de nas cidades</i>.   Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura. Dispon&iacute;vel em:   <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=caminhos-possiveispara-fortalecer-os-nexos-entreclima- natureza-e-saude-nas-cidades" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=caminhos-possiveispara-fortalecer-os-nexos-entreclima-    natureza-e-saude-nas-cidades</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;12&#93; ARTAXO NETTO, A. P. F.   <i>O futuro da Terra: discursos   inconvenientes</i>. Tese (Doutorado   em Lingu&iacute;stica) &#150; Universidade   Estadual de Campinas. Campinas,   2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;13&#93; HANNIGAN, J. A.   <i>Environmental sociology &#150; a social   construction perspective</i>. London:   Routledge, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;14&#93; DI GIULIO, G. M.;   VASCONCELLOS, M. P.;   G&Uuml;NTHER, W. M. R.; RIBEIRO,   H.; ASSUN&Ccedil;&Atilde;O, J. V. <i>Percep&ccedil;&atilde;o   de risco: um campo de interesse   para a interface ambiente, sa&uacute;de   e sustentabilidade</i>. Sa&uacute;de e   Sociedade, 24(4), 1217-1231, 2015.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;15&#93; RENN, O. <i>Risk governance:   coping with uncertainty in a   complex world</i>. London: Earthscan,   2008. 368 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;16&#93; BECK, U. <i>Sociedade de risco   rumo a uma outra modernidade</i>.   Tradu&ccedil;&atilde;o de Sebasti&atilde;o   Nascimento. 2. ed. S&atilde;o Paulo:   Editora 34, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;17&#93; GIDDENS, A. <i>Risk and   responsibility</i>. Modern Law Review,   Hoboken, v. 62, n.1, p. 1-10, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;18&#93; WEBER, E. U. <i>What shape   perceptions of climate change?</i> Wires Climate Change, v.1, p.332-42, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;19&#93; JASANOFF, S. <i>Ordering   knowledge, ordering society</i>.   In: JASANOFF, S. (Ed.) States of   Knowledge: The Coproduction of   Science and Social Order. London/New York: Routledge, Taylor and   Francis Group, p. 13-45, 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;20&#93; JASANOFF, S. <i>Testing Time   for Climate Science</i>. Science 328   (5979):695-696, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;21&#93; MORGAN, E.; DI GIULIO,   G. Science and Evidence-Based Climate Change Policy:   Collaborative Approaches to   Improve the Science&#150;Policy   Interface. In: SERRAO-NEUMANN   et al. (Org.) <i>Communicating   Climate Change Information   for Decision-Making</i>. Springer    International Publishing, p. 13-28, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;22&#93; VIGLIO, J.E. et al. 2019.   <i>Narrativas cient&iacute;ficas sobre petr&oacute;leo   e mudan&ccedil;as do clima e suas   reverbera&ccedil;&otilde;es na pol&iacute;tica clim&aacute;tica   brasileira</i>. Sociologias 21 (51)   <a href="https://doi.org/10.1590/15174522-0215105" target="_blank">https://doi.org/10.1590/15174522-0215105</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;23&#93; WYBORN, Carina <i>et al.   Co-Producing Sustainability:   Reordering the Governance of   Science, Policy, and Practice</i>.   Annual Review of Environment and   Resources, v. 44, p. 319&#150;346, 2019. <a href="https://doi.org/10.1146/annurevenviron-101718-033103" target="_blank">https://doi.org/10.1146/annurevenviron-101718-033103</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;24&#93; SCHMIDT, L. <i>et al.   Understanding the sciencepolicy   interface in urban climate   governance from a co-production   perspective</i>: Insights from the   cases of Hamburg and S&atilde;o Paulo.   Environmental Science &amp; Policy, v.   156, p. 103750, 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;25&#93; METZGER, J. P. <i>et al. Guiding   transdisciplinary synthesis   processes for social-ecological   policy decisions</i>. Perspectives   in Ecology and Conservation, v. 1, p. 1&#150;13, 2024. <a href="https://doi.org/10.1016/j.pecon.2024.11.004" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.pecon.2024.11.004</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;26&#93; MONTEIRO, M. <i>et al</i>. Critical   notes on co-production: Empirical   analyses on sustainable mining   co-design in Northern Brazil. In:   GRECO, C. (Ed.). <i>Politics and   Practices of the Ethnographies of   Biomedicine and STEM</i>. Springer,   2024. <a href="https://doi.org/10.1007/978-3-031-65797-9_6" target="_blank">https://doi.org/10.1007/978-3-031-65797-9_6</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;27&#93; SERRAO-NEUMANN, S.;   MOREIRA, F.A.; DALLA FONTANA,   M.; TORRES, R.R.; LAPOLA,   D.M.; NUNES, L.H.; MARENGO,   J.A.; DI GIULIO, G.M. <i>Advancing   transdisciplinary adaptation   research practice</i>. Nature Climate   Change, v. 12, p. 1-3, 2021</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;28&#93; LANG, Daniel J. <i>et al.   Transdisciplinary research in   sustainability science</i>: Practice,   principles, and challenges.   Sustainability Science, v. 7, n. 1, p. 25&#150;43, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;29&#93; MILLER, Clark A.; WYBORN,   Carina. <i>Co-production in global   sustainability: Histories and   theories</i>. Environmental Science   and Policy, v. 113, p. 88&#150;95, 2020. <a href="https://doi.org/10.1016/j.envsci.2018.01.016" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.envsci.2018.01.016</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;30&#93; PATT, A.; Dessai, S. 2005.   <i>Communicating uncertainty</i>:   lessons learned and suggestions   for climate change assessment.   Comptes Rendus Geoscience.   <a href="https://doi.org/10.1016/j.crte.2004.10.004" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.crte.2004.10.004</a></font> ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
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<collab>IPCC</collab>
<source><![CDATA[Climate Change 2023: Synthesis Report. Summary for Policymakers. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change]]></source>
<year>2023</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IPCC]]></publisher-name>
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