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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Elementos para o desenvolvimento sustentável na Amazônia: Caminhos para um modelo de desenvolvimento que una conservação, justiça social e economia de baixo carbono]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250061</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Elementos para o desenvolvimento   sustent&aacute;vel na Amaz&ocirc;nia: Caminhos para um modelo de desenvolvimento que una   conserva&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a social e economia de baixo carbono</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">  <b>Paulo Moutinho<sup>I</sup>; Andr&eacute; Guimar&atilde;es<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Doutor em ecologia,   atuou por v&aacute;rios anos como professor   da Universidade Federal do Par&aacute; e foi cofundador do IPAM, do qual, no momento,  &eacute; pesquisador s&ecirc;nior.    <br> <sup> II</sup>Agr&ocirc;nomo, atuou   como vice-presidente de Desenvolvimento   da Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional (CI) da divis&atilde;o Am&eacute;ricas e, no momento,&eacute; Diretor Executivo do IPAM.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A Amaz&ocirc;nia &eacute; um componente essencial para a manuten&ccedil;&atilde;o da vida no planeta, desempenhando   um papel decisivo na regula&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica global e regional, na conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e na   gera&ccedil;&atilde;o de chuvas que sustentam a agricultura em grande parte da Am&eacute;rica do Sul. Suas florestas   armazenam cerca de 100 bilh&otilde;es de toneladas de carbono, funcionando como um "ar-condicionado   planet&aacute;rio". Apesar dessa import&acirc;ncia, a regi&atilde;o enfrenta uma hist&oacute;ria de desmatamento   persistente, ocupa&ccedil;&atilde;o desordenada e desigualdade social, resultado de modelos de desenvolvimento   baseados na explora&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria dos recursos naturais. Entre 2005 e 2012, pol&iacute;ticas   de comando e controle, a cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas protegidas e a valoriza&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios ind&iacute;genas   reduziram significativamente o desmatamento, demonstrando ser poss&iacute;vel conciliar conserva&ccedil;&atilde;o   e desenvolvimento. No entanto, a manuten&ccedil;&atilde;o dessa tend&ecirc;ncia a longo prazo exige um novo   modelo econ&ocirc;mico que seja sustentado por tr&ecirc;s pilares: conserva&ccedil;&atilde;o e restaura&ccedil;&atilde;o florestal, uso   eficiente de &aacute;reas j&aacute; degradadas e valoriza&ccedil;&atilde;o dos direitos e saberes das popula&ccedil;&otilde;es locais. Mais   especificamente, prop&otilde;e-se, neste trabalho, destinar as chamadas florestas p&uacute;blicas n&atilde;o destinadas   para conserva&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel, incentivar a agricultura familiar por meio de assist&ecirc;ncia   t&eacute;cnica e de cr&eacute;dito e promover a intensifica&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria. Al&eacute;m   disso, pol&iacute;ticas fiscais e programas internacionais podem financiar a transi&ccedil;&atilde;o para uma economia   de baixo carbono. A substitui&ccedil;&atilde;o gradual da depend&ecirc;ncia de combust&iacute;veis f&oacute;sseis e de royalties   do petr&oacute;leo &eacute; vista como crucial para o futuro da regi&atilde;o. Neste trabalho, apresentamos algumas   estrat&eacute;gias que possam contribuir para o desenvolvimento sustent&aacute;vel amaz&ocirc;nico, visando &agrave; prote&ccedil;&atilde;o   ambiental, ao bem-estar de sua popula&ccedil;&atilde;o, seja ele de cunho econ&ocirc;mico ou social.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave: </b>Amaz&ocirc;nia; Conserva&ccedil;&atilde;o; Agricultura; Bioeconomia; Petr&oacute;leo</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Amaz&ocirc;nia &eacute; chave para   manter o planeta minimamente   habit&aacute;vel num futuro n&atilde;o   muito distante. Considerada o   ber&ccedil;o da diversidade biol&oacute;gica,   j&aacute; que re&uacute;ne 20% das esp&eacute;cies   conhecidas da ci&ecirc;ncia,<sup>&#91;1&#93;</sup> tem sido tamb&eacute;m reconhecida   como um importante regulador   do regime clim&aacute;tico, tanto   regional quanto global. Suas   florestas desempenham fun&ccedil;&otilde;es   ecol&oacute;gicas fundamentais   para a manuten&ccedil;&atilde;o dos ciclos   de chuva, formadas por bilh&otilde;es   de &aacute;rvores que lan&ccedil;am,   cada uma, cerca de 500 litros   de &aacute;gua diariamente na atmosfera.   Trata-se de um gigantesco   sistema natural de irriga&ccedil;&atilde;o,   vital para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos   muito al&eacute;m das fronteiras   amaz&ocirc;nicas.<sup>&#91;2&#93;</sup> Al&eacute;m de   sua import&acirc;ncia hidrol&oacute;gica, a   Amaz&ocirc;nia representa um dos   principais armaz&eacute;ns de carbono   do planeta, com cerca de   100 bilh&otilde;es de toneladas estocadas  &#151; o equivalente a uma d&eacute;cada de emiss&otilde;es globais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A destrui&ccedil;&atilde;o dessa imensa   massa florestal aumentaria   significativamente as emiss&otilde;es   de gases de efeito estufa, agravando   a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica   global. A remo&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o   reduziria ainda mais o efeito   de "ar-condicionado planet&aacute;rio"  exercido pela floresta,   o que elevaria a temperatura   m&eacute;dia da atmosfera em v&aacute;rios   graus Celsius. Paralelamente, a   regi&atilde;o abriga in&uacute;meras comunidades   tradicionais e povos   ind&iacute;genas, detentores de um   conhecimento milenar, considerado   chave para o futuro da   regi&atilde;o e do planeta.<sup>&#91;3&#93;</sup> Neste   trabalho, apresentamos, brevemente   e com base nos estudos desenvolvidos pelo Instituto   de Pesquisa Ambiental da   Amaz&ocirc;nia (IPAM Amaz&ocirc;nia), as   estrat&eacute;gias que entendemos   fundamentais para garantir o   desenvolvimento sustent&aacute;vel   amaz&ocirc;nico, visando a prote&ccedil;&atilde;o   ambiental e florestal e o bem-estar de sua popula&ccedil;&atilde;o, seja   ele econ&ocirc;mico ou social. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, expomos, brevemente,   como a manuten&ccedil;&atilde;o   da integridade socioambiental   da Amaz&ocirc;nia pode resultar   em benef&iacute;cios para o pa&iacute;s e   para o planeta em tempos de   emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica em meio   o eminente avan&ccedil;o da explora&ccedil;&atilde;o   de petr&oacute;leo na regi&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Desafios hist&oacute;ricos   e futuros</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar do valor inestim&aacute;vel   da regi&atilde;o para o pa&iacute;s e o   planeta, em especial em meio  &agrave; crise clim&aacute;tica, o desenvolvimento   da Amaz&ocirc;nia tem sido   historicamente marcado por   conflitos sociais, ocupa&ccedil;&atilde;o   desordenada e violenta, al&eacute;m   de megaprojetos de infraestrutura   que causaram grandes    impactos socioambientais e   clim&aacute;ticos.<sup>&#91;4&#93;</sup> O resultado foi   um padr&atilde;o de desmatamento   persistente, que alimenta uma   economia de baixo desempenho   e demanda cont&iacute;nua por   novas terras desflorestadas.   Trata-se de uma economia   com baixa capacidade de distribuir   renda, frequentemente   insuficiente para atender &agrave;s   necessidades da popula&ccedil;&atilde;o   local.<sup>&#91;5&#93;</sup> Modificar esse cen&aacute;rio   exige um conjunto de medidas   estruturantes capazes de colocar   o desenvolvimento regional   assentado sobre tr&ecirc;s pilares   b&aacute;sicos: (1) conserva&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o das florestas nativas;    (2) uso mais eficiente das&aacute;reas j&aacute; antropizadas; (3) prote&ccedil;&atilde;o   dos direitos fundamentais   da popula&ccedil;&atilde;o residente, aliada&agrave; distribui&ccedil;&atilde;o e ao aumento   da renda, sem expans&atilde;o do   desmatamento.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A Amaz&ocirc;nia   representa um dos   maiores armaz&eacute;ns   de carbono do   planeta, com cerca   de 100 bilh&otilde;es de   toneladas estocadas  &#150; o equivalente a   uma d&eacute;cada de emiss&otilde;es globais."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A trajet&oacute;ria amaz&ocirc;nica,   apesar de suas v&aacute;rias mazelas,   tamb&eacute;m mostra que &eacute; poss&iacute;vel   alinhar estes tr&ecirc;s pilares mencionados   acima em prol de benef&iacute;cios   socioambientais. Por   exemplo, entre 2005 e 2012, o   Brasil conseguiu reduzir drasticamente   o desmatamento na   regi&atilde;o.<sup>&#91;6&#93;</sup> Essa conquista resultou   de um conjunto de medidas   de comando e controle, da   expans&atilde;o de &aacute;reas protegidas e   do reconhecimento de territ&oacute;rios   ind&iacute;genas.<sup>&#91;7, 8&#93;</sup> Atualmente,   cerca de 54% da Amaz&ocirc;nia   brasileira &#151; aproximadamente   230 milh&otilde;es de hectares &#151;  est&aacute; sob algum tipo de prote&ccedil;&atilde;o.<sup>&#91;9&#93;</sup> Outros fatores tamb&eacute;m   contribu&iacute;ram para a queda do   desmatamento naquele per&iacute;odo.   Entre eles, o baixo pre&ccedil;o   das commodities, &agrave; &eacute;poca,   al&eacute;m da restri&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;dito   a desmatadores, os embargos   e san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, e a implementa&ccedil;&atilde;o da morat&oacute;ria da soja.<sup>&#91;6&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A cria&ccedil;&atilde;o do Sistema de   Detec&ccedil;&atilde;o de Desmatamento   em Tempo Real (DETER), em   2007,<sup>&#91;10&#93;</sup> refor&ccedil;ou a capacidade   de monitoramento e controle,   somando-se a avan&ccedil;os em   mecanismos de pagamento   por servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos e   em REDD+. Este conjunto de   medidas resultou na queda de   cerca de 80% do desmatamento,   sem que a produ&ccedil;&atilde;o de   carne e gr&atilde;os fosse fortemente   afetada.<sup>&#91;11&#93;</sup> Essa experi&ecirc;ncia   de desacoplamento da produ&ccedil;&atilde;o   do desmatamento, mesmo   que por um tempo restrito, demonstrou   que o pa&iacute;s possui instrumentos   eficazes de combate    ao desmatamento, geralmente   associado &agrave; viol&ecirc;ncia no campo,  &agrave;s desigualdades sociais e   de renda e &agrave; perda de direitos   fundamentais das popula&ccedil;&otilde;es   locais. Soma-se a isto o fato do   povo amaz&ocirc;nico mostrar-se resistente   e resiliente diante das   amea&ccedil;as que enfrenta. E &eacute; sobre   ele que repousa qualquer   possibilidade real de construir   um futuro mais sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Neste contexto, pode-se   afirmar que h&aacute;, no pa&iacute;s e na regi&atilde;o   amaz&ocirc;nica, todas as condi&ccedil;&otilde;es   para romper com a rela&ccedil;&atilde;o  &iacute;ntima e hist&oacute;rica entre o   crescimento econ&ocirc;mico, a desigualdade   social e a degrada&ccedil;&atilde;o   socioambiental. Para tanto,   reproduzimos aqui algumas   estrat&eacute;gias citadas por Stabile   et al. (2020),<sup>&#91;12&#93;</sup> que envolvem:   (1) manter a integridade das  &aacute;reas protegidas e expandi-las; (2) reduzir o desmatamento   em propriedades privadas;   (3) intensificar a produ&ccedil;&atilde;o em   fazendas de m&eacute;dio e grande   porte; (4) fortalecer a pequena   produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, ofertando assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica   diferenciada para produtores   familiares.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>As quatro   estrat&eacute;gias</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Estrat&eacute;gia 1: prote&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o   das &aacute;reas florestais</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; essencial proteger os   230 milh&otilde;es de hectares j&aacute;  conservados, mas tamb&eacute;m  &eacute; urgente ampliar essa prote&ccedil;&atilde;o.   Atualmente, h&aacute; cerca   de 80 milh&otilde;es de hectares de   florestas adicionais, entre p&uacute;blicas   e privadas, que podem   ser protegidos<sup>&#91;9&#93;</sup>. S&oacute; assim ser&aacute;  poss&iacute;vel interromper, de vez, a    continuidade do desmatamento.   Particularmente, esta expans&atilde;o   da prote&ccedil;&atilde;o pode ser   viabilizada por meio da aloca&ccedil;&atilde;o   de cerca de 50 milh&otilde;es de   hectares de florestas p&uacute;blicas   n&atilde;o destinadas (<a href="#fig01">Figura 1</a>), uma  &aacute;rea equivalente a duas vezes   a do Estado da Bahia, para o uso sustent&aacute;vel de recursos ou   para a prote&ccedil;&atilde;o.<sup>&#91;13&#93;</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a07fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas florestas p&uacute;blicas   sem destina&ccedil;&atilde;o abrigam densas   matas e armazenam entre   8 Gton de carbono.<sup>&#91;14&#93;</sup> Por   ainda aguardarem destina&ccedil;&atilde;o   de uso, pelos governos nacionais   e estaduais, permanecem   vulner&aacute;veis &agrave; grilagem, ao   garimpo ilegal e a inc&ecirc;ndios   florestais.<sup>&#91;13&#93;</sup> Atualmente, cerca   de 30% do desmatamento   anual na Amaz&ocirc;nia brasileira   ocorre nestas florestas sem   destina&ccedil;&atilde;o. Transform&aacute;-las em   parques, reservas, territ&oacute;rios   ind&iacute;genas e concess&otilde;es sustent&aacute;veis   pode garantir prote&ccedil;&atilde;o   duradoura e gerar oportunidades   econ&ocirc;micas, seja por   meio do uso sustentado de   madeira certificada, do ecoturismo   e dos pagamentos por   servi&ccedil;os ambientais e por iniciativas   sociobioeconomicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Adicionalmente, se o pa&iacute;s   quiser avan&ccedil;ar ainda mais na   expans&atilde;o da &aacute;rea protegida na Amaz&ocirc;nia, ser&aacute; preciso reduzir   o desmatamento legal.   Hoje, h&aacute; pelo menos 10 milh&otilde;es   de hectares de florestas   intactas em grandes e m&eacute;dias   propriedades privadas na regi&atilde;o,   suscet&iacute;veis ao desmatamento   legal, conforme previsto   no C&oacute;digo Florestal.<sup>&#91;16&#93;</sup> Isto   se deve ao fato de que estas   propriedades apresentam excedentes   de reserva legal. A   reserva legal &eacute; a propor&ccedil;&atilde;o de   cada propriedade que, por lei,   deve ser mantida com floresta.   Na Amaz&ocirc;nia esta propor&ccedil;&atilde;o &eacute;    de 80%. Assim, um dos meios   promissores de manter este   excedente &eacute; compensar financeiramente   os propriet&aacute;rios   que renunciarem ao direito legal   de desmatar. Tal experi&ecirc;ncia   tem revelado sucesso por   meio do projeto CONSERV,<sup>&#91;16&#93;</sup> desenvolvido pelo Instituto   de Pesquisa Ambiental da   Amaz&ocirc;nia (IPAM Amaz&ocirc;nia). O   projeto remunera propriet&aacute;rios que t&ecirc;m excedente de reserva   legal, isto &eacute;, conservam florestas   para al&eacute;m do que exige a   lei. J&aacute; s&atilde;o mais de 30 mil hectares   preservados em diferentes   propriedades na Amaz&ocirc;nia   Legal. Toda esta expans&atilde;o de   prote&ccedil;&atilde;o florestal gera in&uacute;meros   benef&iacute;cios sociais, econ&ocirc;micos   e ambientais. Entre eles,   os benef&iacute;cios voltados &agrave; seguran&ccedil;a   alimentar s&atilde;o emblem&aacute;ticos.   Mais florestas protegidas   implicam mais produ&ccedil;&atilde;o de   alimentos, j&aacute; que a vegeta&ccedil;&atilde;o   preservada funciona como um   regador gigante da lavoura,   por meio dos chamados rios   voadores. Um servi&ccedil;o essencial   num pa&iacute;s em que mais de 90%   da agricultura brasileira n&atilde;o &eacute; irrigada e, portanto, depende   da chuva.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"O   desenvolvimento   da Amaz&ocirc;nia tem   sido historicamente   marcado por   conflitos sociais,   ocupa&ccedil;&atilde;o   desordenada e   violenta, al&eacute;m   de megaprojetos   de infraestrutura   que causaram   grandes impactos   socioambientais e   clim&aacute;ticos."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Estrat&eacute;gia 2 - fomento &agrave; agricultura   familiar com assist&ecirc;ncia   t&eacute;cnica</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m dos esfor&ccedil;os de   destina&ccedil;&atilde;o das florestas p&uacute;blicas   sem destina&ccedil;&atilde;o, a expans&atilde;o   da prote&ccedil;&atilde;o florestal pode   avan&ccedil;ar nos assentamentos   rurais da regi&atilde;o. Hoje existem   milh&otilde;es de hectares de floresta   nas m&atilde;os de pequenos produtores   que ocupam dezenas   de assentamentos rurais. Dar   apoio a estes produtores para   intensificarem a produ&ccedil;&atilde;o, por   meio de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica   diferenciada, cr&eacute;dito e compensa&ccedil;&otilde;es   ambientais, poder&aacute;  gerar prote&ccedil;&atilde;o adicional de 15   a 20 milh&otilde;es de hectares.<sup>&#91;9&#93;</sup> E,   mais, poder&aacute; tamb&eacute;m resultar   em um aumento expressivo   da renda familiar e na redu&ccedil;&atilde;o   concomitante do desmatamento.   Tal resultado de aumento   de renda e queda de desmate   foi demonstrado em um estudo   envolvendo 2700 fam&iacute;lias de pequenos produtores de   tr&ecirc;s assentamentos rurais no   Estado do Par&aacute;,<sup>&#91;15&#93;</sup> o qual &eacute; detalhado   mais adiante. Como    j&aacute; mencionado, os pequenos   produtores ocupam cerca de   77 milh&otilde;es de hectares em   assentamentos oficiais, com   boa parte (ca. 15-20 milh&otilde;es   de hectares) ainda coberta por   florestas. O n&uacute;mero de assentados   chega a dois milh&otilde;es de   pessoas, <sup>&#91;17, 15&#93;</sup> as quais sofrem   com falta de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica,   acesso &agrave; tecnologia e a   mercados e continuam amea&ccedil;adas   por invasores e grileiros.   Apesar das intemp&eacute;ries, estes   produtores contribuem com   uma fatia significativa da produ&ccedil;&atilde;o   de alimentos do pa&iacute;s.   Alimentos que chegam diariamente &agrave; mesa dos brasileiros.   (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a07fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Iniciativas recentes demonstram   que investimentos   na intensifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o   destes produtores, associados   ao pagamento por servi&ccedil;os   ambientais prestados pela   prote&ccedil;&atilde;o ativa da floresta nos   assentamentos, t&ecirc;m potencial   transformador para a prote&ccedil;&atilde;o   da floresta, a redu&ccedil;&atilde;o do desmatamento   e o aumento de   renda. Por exemplo, as experi&ecirc;ncias   geradas pelo Projeto   Assentamentos Sustent&aacute;veis  &#150; PAS<sup>&#91;17&#93;</sup> indicam que, ao longo   de tr&ecirc;s anos, a renda m&eacute;dia   familiar dos assentados   aumentou de US$ 42 para US$   103 por hectare, enquanto as   taxas de desmatamento na regi&atilde;o   diminu&iacute;ram cerca de 70%.   <sup>&#91;17, 15&#93;</sup> Assim, o investimento inovador   na pequena produ&ccedil;&atilde;o,   al&eacute;m de aumentar a produ&ccedil;&atilde;o   de alimentos, garantindo   a seguran&ccedil;a alimentar regional   e, por que n&atilde;o, a do pa&iacute;s,   contribui para a preserva&ccedil;&atilde;o de imensas &aacute;reas de floresta.   Elemento-chave para o equil&iacute;brio   clim&aacute;tico da regi&atilde;o, do pa&iacute;s e do planeta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Estrat&eacute;gia 3 - aumento da produtividade   em grandes propriedades   rurais</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; ineg&aacute;vel o valor da   grande agricultura, ou do denominado   agroneg&oacute;cio, para   o desempenho econ&ocirc;mico do   pa&iacute;s. Cerca de 25% do PIB nacional  &eacute; sustentado por este   setor. Contudo, h&aacute; uma demanda   incans&aacute;vel por expans&atilde;o   da produ&ccedil;&atilde;o, baseada no   avan&ccedil;o de novas fronteiras,    que quase sempre resulta em   desmatamento e impactos sociais   negativos. &Eacute; preciso, portanto,   investir no aumento da   produtividade agr&iacute;cola. Algo   que vem acontecendo, mas   ainda a passos lentos, considerando   a emerg&ecirc;ncia ambiental   e clim&aacute;tica que vivemos. A   base destes investimentos tem   sido o "Plano Safra". O plano   oferece, em m&eacute;dia, R$ 236,3 bilh&otilde;es em cr&eacute;dito rural para   o ciclo 2020/21, sem qualquer   exig&ecirc;ncia ambiental. Em contrapartida,   iniciativas como   o Plano Agricultura de Baixo   Carbono (Plano ABC) re&uacute;nem   somas que rondam R$ 17,9 bilh&otilde;es   para o mesmo per&iacute;odo.   Como estrat&eacute;gia, uma mera invers&atilde;o   de valores entre o Plano   Safra e o Plano ABC ensejaria   uma revolu&ccedil;&atilde;o nos moldes dos   incentivos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola   mais sustent&aacute;vel, n&atilde;o dependente   de novos desmatamentos   e com retornos econ&ocirc;micos   satisfat&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Estrat&eacute;gia 4 - Royalties verdes   para prote&ccedil;&atilde;o florestal</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; certo que o futuro do   clima do planeta depende da   elimina&ccedil;&atilde;o completa do uso de   combust&iacute;veis f&oacute;sseis e de seus   royalties. E &eacute; cada vez mais   certo que n&atilde;o h&aacute; futuro florestal   ou agr&iacute;cola na Amaz&ocirc;nia   sob a doutrina da expans&atilde;o da   explora&ccedil;&atilde;o de &oacute;leo na regi&atilde;o.   Sob a batuta dos royalties de &oacute;leo, que movem motores pol&iacute;ticos   e alimentam a cont&iacute;nua   prefer&ecirc;ncia pela energia f&oacute;ssil,   ser&aacute; fundamental propor alternativas   a este cen&aacute;rio. Caso   contr&aacute;rio, o avan&ccedil;o das emiss&otilde;es   de combust&iacute;veis f&oacute;sseis   ser&aacute; a senten&ccedil;a de morte para   a Amaz&ocirc;nia e para a agricultura    do pa&iacute;s. A dificuldade de avan&ccedil;ar   com esta pauta relativa aos   f&oacute;sseis atravessa d&eacute;cadas de   di&aacute;logo mundial, capitaneado   pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e   pela Conven&ccedil;&atilde;o Quadro sobre   Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (UNFCCC).   Embora a diplomacia global   reconhe&ccedil;a a necessidade de    transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, acordos   recentes &#151; como os firmados   nas &uacute;ltimas Confer&ecirc;ncias das   Partes (COP) &#151; ainda evitam   a express&atilde;o "elimina&ccedil;&atilde;o gradual" dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis,   optando por termos mais brandos,   como "transi&ccedil;&atilde;o". Nem   mesmo a COP 30, realizada no    Brasil, em Bel&eacute;m, conseguiu,   apesar de todo o esfor&ccedil;o do   governo brasileiro e de mais de   80 pa&iacute;ses, avan&ccedil;ar na transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica que preconizasse o   fim das energias f&oacute;sseis. Cabe   a todos buscar alternativas aos   combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Uma delas   foi recentemente lan&ccedil;ada e    refere-se ao avan&ccedil;o das proposi&ccedil;&otilde;es   para a abertura de novos   po&ccedil;os de petr&oacute;leo na foz   do Amazonas.&#91;18&#93; Batizada de"royalties verdes", a ideia seria   a cria&ccedil;&atilde;o de um fundo fiduci&aacute;rio,   destinado &agrave; prote&ccedil;&atilde;o da   floresta amaz&ocirc;nica, que fosse   abastecido com recursos p&uacute;blicos    de pa&iacute;ses, incluindo o   Brasil, de modo a gerar royalties   que cobrissem, na mesma   monta, os valores que os estados   e munic&iacute;pios receberiam   caso a explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo   na regi&atilde;o seguisse seu curso. Independentemente da capacidade   ou n&atilde;o de implementar   um fundo como tal, torna-se vital   que alternativas ao petr&oacute;leo   sejam colocadas de modo honesto   e urgente sobre a mesa   de negocia&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; mudan&ccedil;a do clima global.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Em tempos   de COP 30, em   territ&oacute;rio brasileiro,   o desafio do   desenvolvimento   sustent&aacute;vel para   a Amaz&ocirc;nia   ainda esbarra em   gargalos pol&iacute;ticos e   estruturais."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em tempos de COP   30, contudo, o desafio do desenvolvimento sustent&aacute;vel   para a Amaz&ocirc;nia ainda esbarra   em gargalos pol&iacute;ticos e estruturais.   Alinhar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas,   incentivos econ&ocirc;micos e   participa&ccedil;&atilde;o social em torno   de um novo modelo de prosperidade   verde, capaz de garantir    bem-estar &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es   amaz&ocirc;nicas e estabilidade clim&aacute;tica   ao pa&iacute;s e ao planeta,   certamente &eacute; um dos principais   desafios das pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es   de brasileiros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> "Esse trabalho foi realizado com   apoio da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo  &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o   Paulo (FAPESP), Brasil, processos   n&deg; 2021/04751-7, 2023/03279&#8209;8,   2022/08401-3, 2021/11762-5 e   2020/06694-8, do Conselho   Nacional de Desenvolvimento   Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq),   processo n&deg; 312592/2021&#8209;3, e   da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento   de Pessoal de N&iacute;vel   Superior (CAPES), processo   n&deg; 88881.688962/2022-01."</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;1&#93; STEEGE, T. H. <i>et al</i>.   Hyperdominance in the Amazonian   tree flora. <i>Science</i>, v. 342, n.   6156, 2013. 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Dispon&iacute;vel em:    <a href="https://censo2022.ibge.gov.br/noticias-por-estado/37565-brasiltem-1-7-milhao-de-indigenas-emais-da-metade-deles-vive-naamazonia-legal" target="_blank">https://censo2022.ibge.gov.br/noticias-por-estado/37565-brasiltem-1-7-milhao-de-indigenas-emais-da-metade-deles-vive-naamazonia-legal</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;4&#93; GOLV&Ecirc;A, C. T. O processo de   ocupa&ccedil;&atilde;o humana da Amaz&ocirc;nia   Brasileira e suas consequ&ecirc;ncias.   <i>Revista (RE)DEFINI&Ccedil;&Otilde;ES das   Fronteiras</i>, &#91;s. l.&#93;, v. 2, n. 6, p. 98&#150;121, 2024. DOI: 10.59731/rdf.v2i6.90. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://journal.idesf.org.br/index.php/redfront/article/view/90" target="_blank">https://journal.idesf.org.br/index.php/redfront/article/view/90</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;5&#93; BRAGA DE ALMEIDA-GABRIEL,   F.; RIBEIRO, M. L.; FERREIRA DA   LUZ, J. 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Responding to climate change   and the global land crisis: REDD+,   market transformation and lowemissions   rural development.   <i>Philosophical Transactions of   the Royal Society B: Biological   Sciences</i>, v. 368, n. 1619, 2013.   DOI: 10.1098/rstb.2012.0167.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;12&#93; STABILE, M. C. C. <i>et al</i>. Solving   Brazil's land use puzzle: Increasing   production and slowing Amazon   deforestation. <i>Land Use Policy</i>, v.   91, maio 2020. DOI: 10.1016/j.landusepol.2019.104362.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;13&#93; MOUTINHO, P.; AZEVEDORAMOS,   C. Untitled public   forestlands threaten Amazon   conservation. <i>Nature   Communications</i>, v. 14, n. 1, p.   1152, 2023. DOI: 10.1038/s41467-023-36427-x.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;14&#93; KRUID, S. <i>et al</i>. 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DOI: 10.3389/ffgc.2021.635638.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;17&#93; ALENCAR, A. <i>et al</i>.   Desmatamento nos Assentamentos   da Amaz&ocirc;nia: hist&oacute;rico, tend&ecirc;ncias   e oportunidades. Bras&iacute;lia: IPAM &#150;  Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz&ocirc;nia, 2016. 93 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> &#91;18&#93; GUIMAR&Atilde;ES, A. L. <i>et al</i>.   Green royalties: Keeping offshore   Amazon free of oil. <i>Perspectives in   Ecology and Conservation</i>, v. 23,   p. 70-76, 2025. DOI: 10.1016/j.pecon.2025.03.003.    </font></p>      ]]></body><back>
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