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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Belém no centro do mundo: o que a COP30 revelou sobre a disputa global pelo futuro do clima]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250071</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Bel&eacute;m no centro do mundo: o que   a COP30 revelou sobre a disputa   global pelo futuro do clima</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Chris Bueno<sup>I</sup>; Priscylla Almeida<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Jornalista, escritora,   divulgadora de ci&ecirc;ncias, editora-executiva   da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, e   m&atilde;e apaixonada por escrever (especialmente sobre ci&ecirc;ncia).    <br> <sup>II</sup>Jornalista e produtora   de conte&uacute;do para &aacute;reas de   sa&uacute;de e ci&ecirc;ncia, marketing e publicidade.   Apaixonada por filmes, gatinhos   e pela rotina din&acirc;mica que a comunica&ccedil;&atilde;o   traz: o contato com gente, a   curiosidade de assuntos diversos, a troca.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   deixaram de ser um alerta distante   para se tornarem uma   realidade cotidiana, marcada   por extremos que j&aacute; reconfiguram   sociedades inteiras.   Secas prolongadas, enchentes   devastadoras, ondas de calor   recordes, dissemina&ccedil;&atilde;o de   doen&ccedil;as, crises de abastecimento    e perdas aceleradas de   biodiversidade mostram que a   crise ambiental n&atilde;o &eacute; somente   ambiental &#150; &eacute; humanit&aacute;ria,   econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica. E, diante   desse cen&aacute;rio, o que mais   preocupa cientistas e organiza&ccedil;&otilde;es   internacionais &eacute; a velocidade   insuficiente da resposta   global. Por isso, ao fim da    COP30 em Bel&eacute;m, a sensa&ccedil;&atilde;o   predominante foi de urg&ecirc;ncia:   a ci&ecirc;ncia avan&ccedil;a, os impactos   se intensificam, mas as decis&otilde;es   pol&iacute;ticas ainda caminham   devagar demais para a dimens&atilde;o da emerg&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A confer&ecirc;ncia, encerrada   no dia 22 de novembro,   apresentou um conjunto amplo   de acordos, propostas e   diverg&ecirc;ncias que revelam, ao   mesmo tempo, conquistas e   limita&ccedil;&otilde;es do processo multilateral.   Para a comunidade   cient&iacute;fica, houve avan&ccedil;os importantes  &#150; sobretudo pelo    simbolismo de realizar a COP   pela primeira vez na Amaz&ocirc;nia,   colocando a regi&atilde;o no centro   das negocia&ccedil;&otilde;es. Mas a aus&ecirc;ncia de compromissos   estruturais, como um acordo   para a elimina&ccedil;&atilde;o progressiva   dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis,   gerou frustra&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;ou a   percep&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; um descompasso   entre o ritmo da pol&iacute;tica   e o da crise clim&aacute;tica. "O   problema &eacute; que pa&iacute;ses produtores   de petr&oacute;leo bloquearam   qualquer discuss&atilde;o sobre o   necess&aacute;rio fim da explora&ccedil;&atilde;o   e do uso dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis",   afirmou Paulo Artaxo,   professor do Instituto de F&iacute;sica   e coordenador do Centro de   Estudos Amaz&ocirc;nia Sustent&aacute;vel   da USP, al&eacute;m de membro do   Painel Intergovernamental de   Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC).   Ainda assim, ele reconhece   avan&ccedil;os: "Entre os pontos altos,   podemos citar claramente   a discuss&atilde;o sobre adapta&ccedil;&atilde;o   ao novo clima e o avan&ccedil;o significativo   no debate sobre financiamento clim&aacute;tico".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"O interesse   de algumas   pouqu&iacute;ssimas   companhias se   sobrep&ocirc;s ao   de 8 bilh&otilde;es de   pessoas que j&aacute;  sofrem os impactos   das mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A presid&ecirc;ncia brasileira   aprovou 29 documentos por   unanimidade entre os 195 pa&iacute;ses,   consolidando o chamado  "Pacote de Bel&eacute;m". Mesmo   assim, temas centrais &#150; transi&ccedil;&atilde;o   energ&eacute;tica, combate ao   desmatamento e financiamento   clim&aacute;tico &#150; n&atilde;o avan&ccedil;aram com a velocidade necess&aacute;ria.    Redes cient&iacute;ficas e organiza&ccedil;&otilde;es   socioambientais destacaram   que o texto final n&atilde;o   incorpora a proposta brasileira   de um roteiro gradual para   substitui&ccedil;&atilde;o dos combust&iacute;veis   f&oacute;sseis, cedendo &agrave; press&atilde;o de pa&iacute;ses petroleiros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Um consenso   amplo, mas ainda   insuficiente</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os 29 documentos aprovados   refor&ccedil;am medidas de   adapta&ccedil;&atilde;o, transpar&ecirc;ncia, financiamento   e coopera&ccedil;&atilde;o.   Um dos principais resultados   foi a apresenta&ccedil;&atilde;o de 59 indicadores   globais de adapta&ccedil;&atilde;o,   cobrindo &aacute;gua, alimentos, sa&uacute;de,   ecossistemas, infraestrutura   e meios de subsist&ecirc;ncia. J&aacute;    o an&uacute;ncio de US$ 120 bilh&otilde;es   at&eacute; 2035 para adapta&ccedil;&atilde;o foi   visto como um passo importante,   embora considerado   pouco ambicioso diante do tamanho   do desafio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro avan&ccedil;o simb&oacute;lico   foi a inclus&atilde;o in&eacute;dita do termo  "afrodescendentes" em   quatro documentos, al&eacute;m do   fortalecimento das pautas de   g&ecirc;nero, com maior protagonismo   das mulheres. Houve   ainda consenso sobre sistemas   de monitoramento da vulnerabilidade   clim&aacute;tica e sobre a    necessidade de m&eacute;tricas mais   robustas para medir resili&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A maior controv&eacute;rsia ficou   por conta da exclus&atilde;o do   Mapa do Caminho para elimina&ccedil;&atilde;o   gradual dos combust&iacute;veis   f&oacute;sseis. A proposta tinha   apoio de 80 pa&iacute;ses, mas n&atilde;o   houve unanimidade. O governo   brasileiro afirmou que   continuar&aacute; impulsionando o debate. O primeiro bloco    do Pacote re&uacute;ne o "Mutir&atilde;o   Global", um texto que articula   financiamento, transpar&ecirc;ncia   e responsabilidades na implementa&ccedil;&atilde;o   das Contribui&ccedil;&otilde;es   Nacionalmente Determinadas   (Nationally Determined   Contributions &#150; NDCs). No total,   122 pa&iacute;ses apresentaram metas atualizadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Um impasse decisivo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Mapa do Caminho brasileiro  &#150; voltado &agrave; transi&ccedil;&atilde;o   justa dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis  &#150; acabou bloqueado por   grandes produtores de petr&oacute;leo.  "Infelizmente, o lobby da   ind&uacute;stria do petr&oacute;leo prevaleceu.   O interesse de algumas   pouqu&iacute;ssimas companhias se   sobrep&ocirc;s ao de 8 bilh&otilde;es de    pessoas que j&aacute; sofrem os impactos   das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas", afirmou Paulo Artaxo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em meio &agrave;s disputas,   o "Pavilh&atilde;o da Ci&ecirc;ncia   Planet&aacute;ria" se tornou um dos   marcos da COP30. Instalado   na Zona Azul, o espa&ccedil;o reuniu   cientistas para apresentar   evid&ecirc;ncias e dialogar diretamente   com negociadores. Dali   saiu uma carta contundente:  "For&ccedil;as contr&aacute;rias bloquearam   o acordo. Parece que ignoram   que, ao contr&aacute;rio dos pavilh&otilde;es   da COP, n&atilde;o podemos evacuar   o planeta Terra quando desastres   acontecem". A Sociedade   Brasileira para o Progresso da   Ci&ecirc;ncia (SBPC) endossou o documento.   (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a17fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar dos impasses,   houve tamb&eacute;m avan&ccedil;os pol&iacute;ticos,   como a cria&ccedil;&atilde;o do   Mecanismo de A&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m   (BAM), que amplia a participa&ccedil;&atilde;o   de povos ind&iacute;genas, mulheres,   comunidades locais e grupos vulnerabilizados nas   decis&otilde;es sobre transi&ccedil;&atilde;o justa.   O texto final refor&ccedil;a direitos    humanos, direitos dos trabalhadores   e acesso &agrave; energia   limpa &#150; especialmente para   cozinhar, uma das principais   fontes de emiss&otilde;es dom&eacute;sticas em pa&iacute;ses pobres.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Promessas grandes,   compromissos   pequenos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O financiamento clim&aacute;tico   voltou a ser uma das &aacute;reas   de maior tens&atilde;o. Mesmo com   avan&ccedil;os, persistem promessas   vagas dos pa&iacute;ses desenvolvidos,   metas imprecisas e   aus&ecirc;ncia de responsabiliza&ccedil;&atilde;o   clara dos maiores emissores   hist&oacute;ricos. A discrep&acirc;ncia entre   necessidade e oferta continua   profunda. Como explica   Francisco Assis da Costa,   pesquisador e professor do   Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o   em Desenvolvimento   Sustent&aacute;vel do Tr&oacute;pico &Uacute;mido   do N&uacute;cleo de Altos Estudos Amaz&ocirc;nicos (NAEA) da   Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA): "Chegamos a n&uacute;meros   que deixavam todos atordoados:   a necessidade &eacute; de 3   trilh&otilde;es de d&oacute;lares anuais. Por   outro lado, a disposi&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima   que se conseguiu chegar   foi de 300 bilh&otilde;es. Ent&atilde;o fica   uma lacuna gigantesca. Isso   aponta para uma insufici&ecirc;ncia   das a&ccedil;&otilde;es".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A geopol&iacute;tica agravou   o cen&aacute;rio. Segundo Paulo   Artaxo, conflitos e crises regionais   travaram compromissos   mais ambiciosos: "Este ano   tivemos duas grandes guerras   e v&aacute;rias crises pol&iacute;ticas. Os   pa&iacute;ses estavam muito mais reticentes   em se comprometer   a reduzir emiss&otilde;es, fornecer    recursos ou apoiar pa&iacute;ses em   desenvolvimento. A geopol&iacute;tica   tornou esta COP muito mais   dif&iacute;cil que as anteriores".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A participa&ccedil;&atilde;o   da sociedade civil   foi extraordin&aacute;ria.   Grupos ind&iacute;genas,   quilombolas,   ONGs. Todos   perceberam o vigor   da sociedade civil   brasileira."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os avan&ccedil;os concretos,   o Fundo Florestas Tropicais   para Sempre (TFFF) foi um dos   destaques. Com apoio inicial   de 63 pa&iacute;ses e US$ 6,7 bilh&otilde;es   mobilizados, o mecanismo promete financiar a preserva&ccedil;&atilde;o   de florestas tropicais e promover   desenvolvimento sustent&aacute;vel.    Para Francisco Assis   da Costa, o fundo representa   um "sucesso estrat&eacute;gico": "Foram arrecadados cerca de   6 bilh&otilde;es de d&oacute;lares j&aacute; durante   a COP30. &Eacute; um mecanismo extremamente   importante para   preservar florestas que est&atilde;o   em p&eacute;".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Justi&ccedil;a clim&aacute;tica   ainda distante</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os pa&iacute;ses historicamente   respons&aacute;veis pela maior parte   das emiss&otilde;es &#150; e que mais   lucram com combust&iacute;veis f&oacute;sseis  &#150; bloquearam medidas estruturais   e resistem a financiar   pa&iacute;ses vulner&aacute;veis. Essa postura   aprofunda desigualdades   j&aacute; antigas e limita a capacidade   global de adapta&ccedil;&atilde;o, num   momento em que os impactos   clim&aacute;ticos se intensificam rapidamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas   e a desigualdade social   caminham juntas: quem menos   contribui para o aquecimento   global &eacute; justamente   quem mais sofre seus efeitos.   Popula&ccedil;&otilde;es pobres, com menor   acesso &agrave; infraestrutura e prote&ccedil;&atilde;o social, enfrentam   secas, enchentes e calor extremo   de forma desproporcional,   enquanto os pa&iacute;ses ricos &#150; maiores emissores hist&oacute;ricos &#150; seguem se beneficiando economicamente   dos f&oacute;sseis. Esse   desequil&iacute;brio cria um ciclo persistente   de injusti&ccedil;a clim&aacute;tica   que atinge sobretudo mulheres,   crian&ccedil;as e minorias. Por   isso, lutar por justi&ccedil;a clim&aacute;tica &eacute; um imperativo &eacute;tico, social   e pol&iacute;tico: trata-se de garantir   que os custos e benef&iacute;cios da   transi&ccedil;&atilde;o sejam distribu&iacute;dos de   forma mais equitativa. Mesmo   com o tema presente nas discuss&otilde;es   da COP30 em Bel&eacute;m,   as negocia&ccedil;&otilde;es ficaram distantes   de medidas concretas e transformadoras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como sintetizou Paulo   Artaxo: "Pa&iacute;ses desenvolvidos   n&atilde;o est&atilde;o dispostos a ajudar   os pa&iacute;ses em desenvolvimento.   Isso agrava desigualdades   econ&ocirc;micas j&aacute; vergonhosas e   traz mais instabilidade social e   pol&iacute;tica".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Mobiliza&ccedil;&atilde;o   hist&oacute;rica fora dos   sal&otilde;es da ONU</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Enquanto as negocia&ccedil;&otilde;es   formais enfrentavam bloqueios,   Bel&eacute;m viveu uma COP   vibrante fora da Zona Azul. A   C&uacute;pula dos Povos, realizada na   UFPA, reuniu 25 mil pessoas e   mais de mil organiza&ccedil;&otilde;es, com   forte presen&ccedil;a ind&iacute;gena &#150; cerca   de 3 mil representantes. A   Marcha Global pelo Clima levou   70 mil pessoas &agrave;s ruas. "Foi   uma COP diferente das &uacute;ltimas   10", avaliou Paulo Artaxo. "A   participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil   foi extraordin&aacute;ria. Grupos ind&iacute;genas,   quilombolas, ONGs. Todos perceberam o vigor da sociedade civil brasileira." (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a17fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A ci&ecirc;ncia continua   avaliando os   resultados das   negocia&ccedil;&otilde;es e   entrega no pr&oacute;ximo   ano seu legado.   Isso &eacute; muito novo   e muito importante   para todos."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Francisco Assis da Costa   destacou a abertura mais ampla   da <i>green zone</i>, que intensificou   o di&aacute;logo entre sociedade   civil, ativistas e diplomatas.  "Foi uma coisa muito mais viva   e empolgante. Os atores mais   organizados da sociedade pol&iacute;tica   estiveram presentes e a   participa&ccedil;&atilde;o foi real".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para a presidente da   SBPC, Francilene Garcia, a   ci&ecirc;ncia segue sendo um eixo   de orienta&ccedil;&atilde;o moral e pol&iacute;tica: "Em Bel&eacute;m, os cientistas lembraram   ao mundo que n&atilde;o   existe rota de fuga para um   planeta em colapso. O que   emergiu foi um realinhamento   moral: pa&iacute;ses dispostos a liderar,    sociedades mobilizadas,   juventudes vigilantes e uma   Ci&ecirc;ncia que oferece um caminho   de coragem e coer&ecirc;ncia".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A ci&ecirc;ncia tem papel decisivo   para orientar pol&iacute;ticas   eficazes, desenvolvendo tecnologias   limpas, subsidiando   decis&otilde;es p&uacute;blicas com dados   robustos e apontando caminhos   como o combate ao   desmatamento, a restaura&ccedil;&atilde;o   florestal e pr&aacute;ticas agroecol&oacute;gicas.   A participa&ccedil;&atilde;o ativa de    pesquisadores &#150; aliada &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o   social &#150; &eacute; essencial para   o conhecimento ser traduzido   em pol&iacute;ticas concretas. O   Pavilh&atilde;o da Ci&ecirc;ncia Planet&aacute;ria   foi um avan&ccedil;o nesse sentido,   mesmo que suas recomenda&ccedil;&otilde;es,   como o cumprimento da   meta de 1,5&deg;C, n&atilde;o tenham   sido incorporadas ao texto final.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda assim, Francisco   Assis da Costa lembra que a   avalia&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua da ci&ecirc;ncia   cria um mecanismo in&eacute;dito de   responsabilidade: "A ci&ecirc;ncia   continua avaliando os resultados   das negocia&ccedil;&otilde;es e entrega   no pr&oacute;ximo ano seu legado.   Isso &eacute; muito novo e muito importante   para todos".</font></p>      ]]></body>
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