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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cidades sob pressão: políticas ambientais devem estar na linha de frente do desenvolvimento urbano]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250072</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Cidades sob press&atilde;o: pol&iacute;ticas   ambientais devem estar na linha de   frente do desenvolvimento urbano</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Rafael Revadam<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Jornalista da Sociedade   Brasileira para o Progresso   da Ci&ecirc;ncia (SBPC), mestre em Divulga&ccedil;&atilde;o   Cient&iacute;fica e Cultural e doutorando   em Pol&iacute;tica Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica   pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Mais de 2.800 munic&iacute;pios   brasileiros &#150; o equivalente  &agrave; metade do pa&iacute;s &#150; j&aacute;  vivem em situa&ccedil;&atilde;o de alta ou   muito alta vulnerabilidade   clim&aacute;tica, segundo a plataforma   Adapta Brasil. O dado   integra o relat&oacute;rio Cidades   Verdes-Azuis Resilientes, lan&ccedil;ado   pelo Centro de S&iacute;ntese   em Mudan&ccedil;as Ambientais e   Clim&aacute;ticas (Simaclim), que   re&uacute;ne evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas   e tecnol&oacute;gicas para apoiar   governos, empresas e a sociedade   na constru&ccedil;&atilde;o de centros   urbanos mais preparados diante da crise clim&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As cidades est&atilde;o hoje no   epicentro das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas  &#150; simultaneamente como   parte do problema e da solu&ccedil;&atilde;o.   Embora ocupem menos   de 2% da superf&iacute;cie terrestre,   concentram mais de 70% das   emiss&otilde;es globais de gases de   efeito estufa (GEE), impulsionadas   sobretudo pela gera&ccedil;&atilde;o   de energia, pelo transporte   motorizado e pela constru&ccedil;&atilde;o   civil. A queima de combust&iacute;veis   f&oacute;sseis nesses espa&ccedil;os libera   n&atilde;o apenas di&oacute;xido de carbono   (CO<sub>2</sub>), mas tamb&eacute;m poluentes   como mon&oacute;xido de carbono   (CO), &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio   (NOx) e compostos org&acirc;nicos   vol&aacute;teis (COVs), que agravam   o aquecimento global e afetam   diretamente a sa&uacute;de da   popula&ccedil;&atilde;o. Com cerca de 80%   do Produto Interno Bruto (PIB) mundial concentrado nos centros   urbanos, a press&atilde;o sobre   ecossistemas urbanos e periurbanos &eacute; intensa &#150; e tende   a crescer, aprofundando riscos sociais, ambientais e sanit&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A realiza&ccedil;&atilde;o da 30&ordf;  Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas sobre Mudan&ccedil;a do   Clima, a COP30, em Bel&eacute;m,   colocou representantes de   mais de 190 pa&iacute;ses em contato   direto com o territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico.   Ao longo do evento, delega&ccedil;&otilde;es   vivenciaram no cotidiano   os efeitos da emerg&ecirc;ncia   clim&aacute;tica, como calor extremo,   chuvas intensas e desigualdades   estruturais. A escolha da   cidade trouxe um significado   adicional &agrave; Confer&ecirc;ncia: o que   a experi&ecirc;ncia concreta de viver   com enchentes, ondas de calor   e vulnerabilidade urbana pode   ensinar ao mundo sobre adapta&ccedil;&atilde;o   clim&aacute;tica?</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A experi&ecirc;ncia   brasileira,   sobretudo nas   cidades altamente   vulner&aacute;veis   e expostas   que convivem   recorrentemente   com enchentes,   secas e ondas de   calor, mostra que   adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o  &eacute; apenas uma   quest&atilde;o t&eacute;cnica:  &eacute; uma quest&atilde;o   socioecon&ocirc;mica."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Lincoln Alves, pesquisador   do Instituto Nacional de   Pesquisas Espaciais (INPE),   que atua no Minist&eacute;rio do Meio   Ambiente (MMA) coordenando   agendas relacionadas &agrave; resili&ecirc;ncia   e &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o, afirma   que a COP30 evidenciou realidades   que o Brasil pode compartilhar   com a comunidade   internacional. "A experi&ecirc;ncia   brasileira, sobretudo nas cidades   altamente vulner&aacute;veis e expostas   que convivem recorrentemente   com enchentes, secas   e ondas de calor, mostra que   adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas uma   quest&atilde;o t&eacute;cnica: &eacute; uma quest&atilde;o   socioecon&ocirc;mica", afirma.    Segundo ele, pa&iacute;ses como o   Brasil t&ecirc;m demonstrado, especialmente   ao Norte Global,   que a vulnerabilidade clim&aacute;tica  &eacute; distribu&iacute;da de forma desigual   e que respostas eficazes   exigem a integra&ccedil;&atilde;o entre planejamento urbano, pol&iacute;ticas   habitacionais, sa&uacute;de p&uacute;blica   e redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades.    "Em outras palavras, adaptar   cidades n&atilde;o significa apenas   construir infraestrutura; significa   reduzir risco onde ele &eacute; produzido: nas periferias, nos   assentamentos informais e nos territ&oacute;rios historicamente invisibilizados   pelo planejamento   urbano tradicional." (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a18fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Para Lincoln Alves, pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas de adapta&ccedil;&atilde;o   clim&aacute;tica precisam reconhecer   que os territ&oacute;rios n&atilde;o se resumem   a infraestruturas f&iacute;sicas,   mas s&atilde;o tamb&eacute;m espa&ccedil;os de   identidade, mem&oacute;ria e modos   de vida. "No Brasil, essa dimens&atilde;o  &eacute; ainda mais relevante   porque a rela&ccedil;&atilde;o com o territ&oacute;rio  &eacute; profundamente marcada   por saberes tradicionais, v&iacute;nculos   culturais e desigualdades   hist&oacute;ricas, como se observa   na Amaz&ocirc;nia e no Semi&aacute;rido   nordestino." Ele defende uma   mudan&ccedil;a de paradigma: sair   de modelos tecnocr&aacute;ticos e   lineares e avan&ccedil;ar para uma   governan&ccedil;a multin&iacute;vel, multissetorial   e participativa, que   incorpore diferentes formas de   conhecimento e coloque ci&ecirc;ncia,   evid&ecirc;ncias e justi&ccedil;a social   no centro das decis&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Desigualdade   e preven&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">"O que n&oacute;s temos que   olhar cada vez mais &eacute; para a antecipa&ccedil;&atilde;o, para evitar que   esses problemas aconte&ccedil;am,   para prevenir &#150; porque a palavra   mais certa &eacute; prevenir", afirma   Pedro Jacobi, professor do   Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o   em Ci&ecirc;ncia Ambiental da   Universidade de S&atilde;o Paulo    (USP) e coordenador do Grupo   de Estudos do Meio Ambiente   e Sociedade no Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados (IEA-USP).</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Adaptar n&atilde;o &eacute;  apenas construir   obras: &eacute; reduzir   desigualdades   hist&oacute;ricas e proteger   modos de vida."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Pedro Jacobi,   h&aacute; dois atores centrais nesse   processo. De um lado, o poder   p&uacute;blico, respons&aacute;vel por   pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o, como   desassoreamento de rios e   manuten&ccedil;&atilde;o da drenagem urbana.   De outro, no p&oacute;s-desastre,   a Defesa Civil, frequentemente   sobrecarregada diante    da magnitude dos impactos.  "Boa parte das cidades do planeta   n&atilde;o est&aacute; preparada para   a transforma&ccedil;&atilde;o em curso relacionada   aos eventos extremos.   Quando chove 200 ou 300 mil&iacute;metros,   como tem ocorrido   em v&aacute;rias cidades brasileiras,   entramos no pior cen&aacute;rio poss&iacute;vel,   porque os sistemas de   drenagem simplesmente n&atilde;o   d&atilde;o conta", alerta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para avan&ccedil;ar em pol&iacute;ticas   adequadas, Lincoln Alves destaca   a centralidade da justi&ccedil;a   clim&aacute;tica, conceito que assume   contornos distintos conforme   o territ&oacute;rio. "Em uma   cidade amaz&ocirc;nica, justi&ccedil;a clim&aacute;tica   significa garantir que quem menos contribuiu para   a crise clim&aacute;tica &#150; povos ind&iacute;genas,   ribeirinhos, quilombolas   e popula&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas &#150; n&atilde;o seja quem mais sofre seus   impactos. Isso envolve acesso   equitativo &agrave; infraestrutura, prote&ccedil;&atilde;o   de direitos territoriais,   participa&ccedil;&atilde;o real nas decis&otilde;es   e valoriza&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos   locais. Adaptar, nesse contexto,    n&atilde;o &eacute; apenas construir   obras: &eacute; reduzir desigualdades   hist&oacute;ricas e proteger modos de vida", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar dos desafios,   experi&ecirc;ncias comunit&aacute;rias e   iniciativas locais j&aacute; oferecem   caminhos poss&iacute;veis. "Em algumas   cidades amaz&ocirc;nicas,   observamos uma combina&ccedil;&atilde;o   de iniciativas formais e pr&aacute;ticas   comunit&aacute;rias que v&ecirc;m se   consolidando como refer&ecirc;ncias   em adapta&ccedil;&atilde;o urbana", explica    Lincoln Alves. Entre elas est&atilde;o   parques de inunda&ccedil;&atilde;o, solu&ccedil;&otilde;es   de drenagem urbana baseadas   na natureza e a restaura&ccedil;&atilde;o   de manguezais para lidar   com os ciclos hidrol&oacute;gicos, especialmente   em cidades como   Bel&eacute;m, Manaus e Santar&eacute;m.   Ele destaca ainda o papel da   Iniciativa AdaptaCidades, que   busca fortalecer capacidades   locais, apoiar diagn&oacute;sticos de   risco, desenvolver ferramentas   de planejamento e promover   governan&ccedil;a multin&iacute;vel para integrar   a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas municipais e estaduais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Pedro Jacobi refor&ccedil;a que   o problema urbano brasileiro   est&aacute; profundamente ligado &agrave;  desigualdade. "&Eacute; uma ocupa&ccedil;&atilde;o   desigual e desordenada,   muitas vezes em &aacute;reas   onde n&atilde;o deveria ocorrer. Por   omiss&atilde;o ou populismo, o poder   p&uacute;blico deixa de investir   adequadamente em moradia, empurrando a popula&ccedil;&atilde;o para   condi&ccedil;&otilde;es extremamente prec&aacute;rias   e vulner&aacute;veis &agrave;s intemp&eacute;ries." Para ele, a ci&ecirc;ncia tem   cumprido seu papel, com pesquisas   p&uacute;blicas, projetos de   extens&atilde;o universit&aacute;ria e di&aacute;logo   com gestores. "O que observamos,   no entanto, &eacute; que   muitas propostas consolidadas   pela ci&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o incorporadas&agrave; gest&atilde;o p&uacute;blica."</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Da floresta &agrave;s chuvas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os debates sobre pol&iacute;ticas   urbanas e ambientais n&atilde;o   se restringem &agrave; Amaz&ocirc;nia. Em   Porto Alegre, ap&oacute;s a grande   inunda&ccedil;&atilde;o de 2024, a prefeitura   anunciou a revis&atilde;o do   Plano Diretor do munic&iacute;pio.   Especialistas apontam problemas   na proposta, como a redu&ccedil;&atilde;o   de espa&ccedil;os democr&aacute;ticos    de participa&ccedil;&atilde;o e altera&ccedil;&otilde;es   nos limites urban&iacute;sticos sem   considerar a emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica.   Entre os exemplos mais   controversos est&aacute; a autoriza&ccedil;&atilde;o   para edif&iacute;cios de at&eacute; 130 metros em &aacute;reas inund&aacute;veis &#150; hoje, o limite &eacute; de 52 metros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">"Precisamos ser proativos,   pois a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica  &eacute; um processo de acelera&ccedil;&atilde;o   e agravamento, com muitas   novidades pela frente. No   caso de Porto Alegre, por&eacute;m,   vejo quase nenhuma resposta   proativa. Edifica&ccedil;&otilde;es, bairros   e equipamentos urbanos   precisam ser repensados, n&atilde;o    apenas recuperados. N&atilde;o   vejo isso acontecendo", avalia   Demetrio Luis Guadagnin,   professor do Departamento   de Ecologia da Universidade   Federal do Rio Grande do Sul   (UFRGS). (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n4/a18fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Demetrio Guadagnin   destaca que o conceito de   resili&ecirc;ncia &eacute; frequentemente   usado de forma vaga. "Em geral,   as a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais de resist&ecirc;ncia   do que de resili&ecirc;ncia."  Segundo ele, resist&ecirc;ncia significa   tentar evitar danos &#150; como   refor&ccedil;ar sistemas de prote&ccedil;&atilde;o   contra cheias. J&aacute; a resili&ecirc;ncia    envolve imaginar solu&ccedil;&otilde;es   para que a cidade se recupere   rapidamente de novos eventos   extremos, reposicionando ou   reconfigurando equipamentos,   infraestrutura, mobili&aacute;rio   e servi&ccedil;os. "Isso &eacute; raro de ver.   Adapta&ccedil;&atilde;o &eacute; um passo al&eacute;m da   resist&ecirc;ncia e da resili&ecirc;ncia, e &eacute;  ainda menos considerada na   experi&ecirc;ncia de Porto Alegre.   Precisamos adaptar nossas cidades   para um cen&aacute;rio clim&aacute;tico   que continuar&aacute; se agravando,   mesmo que os esfor&ccedil;os de mitiga&ccedil;&atilde;o avancem", alerta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>E a COP?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A COP30 deixou um balan&ccedil;o   marcado por contrastes.   Houve avan&ccedil;os relevantes em temas como justi&ccedil;a racial e de   g&ecirc;nero, amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o   social e institucionaliza&ccedil;&atilde;o   da transi&ccedil;&atilde;o justa. Ao   mesmo tempo, os resultados   ficaram aqu&eacute;m da urg&ecirc;ncia   imposta pela crise clim&aacute;tica,    especialmente no que diz respeito &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o dos combust&iacute;veis   f&oacute;sseis, ao combate   ao desmatamento e ao financiamento   clim&aacute;tico. As divis&otilde;es   geopol&iacute;ticas tornaram-se   expl&iacute;citas, limitando consensos   e travando decis&otilde;es mais   ambiciosas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">"A COP30 mobilizou   um debate importante sobre   adapta&ccedil;&atilde;o. Pela primeira vez,   especialmente em contextos   urbanos, a adapta&ccedil;&atilde;o ganhou   centralidade pol&iacute;tica e visibilidade   internacional", avalia   Lincoln Alves. Segundo ele,   al&eacute;m de decis&otilde;es formais &#150;  como os indicadores globais do    Objetivo Global de Adapta&ccedil;&atilde;o   (GGA, na sigla em ingl&ecirc;s) e os   avan&ccedil;os nos Planos Nacionais   de Adapta&ccedil;&atilde;o (NAPs) &#150; houve   uma mobiliza&ccedil;&atilde;o social,   cient&iacute;fica e institucional que consolidou a compreens&atilde;o   de que adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma   agenda futura, mas uma urg&ecirc;ncia   do presente. "A COP30 n&atilde;o   resolveu todos os desafios, especialmente   no financiamento,   mas elevou o tema, conectou   atores e acelerou uma mudan&ccedil;a   de percep&ccedil;&atilde;o: adapta&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o &eacute; mais um cap&iacute;tulo secund&aacute;rio, &eacute; um pilar essencial da   a&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica global, ao lado da mitiga&ccedil;&atilde;o", conclui.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A COP30   mobilizou um   debate importante   sobre adapta&ccedil;&atilde;o.   Pela primeira vez,   especialmente em   contextos urbanos,   a adapta&ccedil;&atilde;o ganhou   centralidade pol&iacute;tica   e visibilidade   internacional."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Pedro Jacobi destaca   que, sob a perspectiva da   adapta&ccedil;&atilde;o, os acordos da   COP30 refor&ccedil;am um ponto   central: o financiamento clim&aacute;tico.  "&Eacute; fundamental pensar   o financiamento numa l&oacute;gica   de antecipa&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o."  Para ele, outro desafio  &eacute; a implementa&ccedil;&atilde;o efetiva das   respostas, com prazos mais   claros e compromissos concretos,   inclusive no &acirc;mbito das   Contribui&ccedil;&otilde;es Nacionalmente   Determinadas (NDCs). "O clima   n&atilde;o &eacute; um problema restrito   aos territ&oacute;rios impactados. Ele   precisa ser interpretado de forma   global. Todos os atores internacionais   devem convergir para uma agenda comum: controlar   as emiss&otilde;es", alerta.</font></p>      ]]></body>
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