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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a22img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>B<SMALL>IODIVERSIDADE COMO FONTE DE MEDICAMENTOS</SMALL></font></b></p>     <p><b><font size="3">Jo&atilde;o B. Calixto</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O</b> <font size="3">Brasil possui a maior biodiversidade    do mundo, estimada em cerca de 20% do n&uacute;mero total de esp&eacute;cies    do planeta. Esse imenso patrim&ocirc;nio gen&eacute;tico, j&aacute; escasso    nos pa&iacute;ses desenvolvidos, tem na atualidade valor econ&ocirc;mico-estrat&eacute;gico    inestim&aacute;vel em v&aacute;rias atividades, mas &eacute; no campo do desenvolvimento    de novos medicamentos onde reside sua maior potencialidade A raz&atilde;o dessa    afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; facilmente comprovada quando se analisa o n&uacute;mero    de medicamentos obtidos direta ou indiretamente a partir de produtos naturais    (1,2,3,4,5,6) (<a href="#tab01"><b>Tabela 1</b></a>). Para ter uma no&ccedil;&atilde;o    do impacto desses medicamentos no mercado mundial, somente as estatinas foram    respons&aacute;veis por um mercado de US$ 19 bilh&otilde;es em 2002 (7). A terap&ecirc;utica    moderna, composta por medicamentos com a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas    sobre receptores, enzimas e canais i&ocirc;nicos, n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel    sem a contribui&ccedil;&atilde;o dos produtos naturais, notadamente das plantas    superiores, das toxinas animais e dos microrganismos. </font></p>     <p><a name="tab01" id="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a22tab01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O mercado mundial desse grupo de drogas atinge v&aacute;rios    bilh&otilde;es de d&oacute;lares. Estima-se que 40% dos medicamentos dispon&iacute;veis    na terap&ecirc;utica atual foram desenvolvidos de fontes naturais: 25% de plantas,    13% de microrganismos e 3% de animais. Somente no per&iacute;odo entre 1983-1994,    das 520 novas drogas aprovadas pela ag&ecirc;ncia americana de controle de medicamentos    e alimentos (FDA), 220 (39%) foram desenvolvidas a partir de produtos naturais    (2,4). Al&eacute;m disso, um ter&ccedil;o dos medicamentos mais prescritos e    vendidos no mundo foram desenvolvidos a partir de produtos naturais. No caso    das drogas anticancer&iacute;genas e dos antibi&oacute;ticos, por exemplo, esse    percentual atinge cerca de 70% (2,8). Embora apenas cerca de 10% da biodiversidade    mundial tenha sido estudada, 140 mil metab&oacute;litos intermedi&aacute;rios,    oriundos, sobretudo de plantas superiores e de microrganismos, foram isolados    e caracterizados, mas ainda n&atilde;o foram avaliados biologicamente (3). O    interesse pela biodiversidade para a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos    aumentou sensivelmente com a conclus&atilde;o do genoma humano, uma vez que    o n&uacute;mero de poss&iacute;veis alvos terap&ecirc;uticos aumentou de cerca    de 500 para mais de 6 mil. </font></p>     <p><font size="3">Gra&ccedil;as aos produtos naturais, incluindo as toxinas extra&iacute;das    de animais, de bact&eacute;rias, de fungos ou de plantas, os cientistas puderam    compreender fen&ocirc;menos complexos relacionados &agrave; biologia celular    e molecular e &agrave; eletrofisiologia, permitindo que enzimas, receptores,    canais i&ocirc;nicos e outras estruturas biol&oacute;gicas fossem identificados,    isolados e clonados. Isso possibilitou &agrave; ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica    desenhar drogas dotadas de maior seletividade e tamb&eacute;m mais eficazes    contra v&aacute;rias patologias de maior complexidade. Al&eacute;m disso, os    produtos naturais s&atilde;o usados como mat&eacute;ria-prima na s&iacute;ntese    de mol&eacute;culas complexas de interesse farmacol&oacute;gico. Atualmente,    as maiores ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas mundiais possuem programas    de pesquisa na &aacute;rea de produtos naturais, pois oferecem, entre outras,    as seguintes vantagens: grande quantidade de estruturas qu&iacute;micas, muitas    delas, complexas; muitas classes de estruturas hom&oacute;logas; estruturas    qu&iacute;micas di e tridimensionais; possibilidade de utiliza&ccedil;&atilde;o    como banco de mol&eacute;culas para ensaios de alta velocidade; economia de    tempo e recursos; fonte de pequenas mol&eacute;culas para alvos moleculares    complexos e, mais importante, capazes de serem absorvidas e metabolizadas pelo    organismo (4). </font></p>     <p><font size="3">Existem, todavia, problemas que dificultam o aproveitamento    da biodiversidade para o desenvolvimento de novos medicamentos. O que inclui:    1) falta de leis espec&iacute;ficas para o acesso a biodiversidade; 2) grande    complexidade das mol&eacute;culas isoladas a partir de produtos naturais, que    &agrave;s vezes dificulta sua s&iacute;ntese; 3) o tempo necess&aacute;rio para    o descobrimento de mol&eacute;culas l&iacute;deres &agrave;s vezes &eacute;    longo; 4) a descoberta pode ser dispendiosa; 5) poucas bibliotecas de compostos    naturais est&atilde;o dispon&iacute;veis; 6) existem poucas informa&ccedil;&otilde;es    com rela&ccedil;&atilde;o a estrutura-atividade desses compostos; 7) freq&uuml;entemente,    mol&eacute;culas j&aacute; conhecidas com pouco interesse, s&atilde;o isoladas    de produtos naturais; 8) os qu&iacute;micos sint&eacute;ticos muitas vezes s&atilde;o    relutantes em trabalhar com produtos naturais (9).</font></p>     <p><font size="3">Em virtude da alta tecnologia, dos elevados custos e dos riscos    inerentes para o desenvolvimento de um novo medicamento, alguns poucos pa&iacute;ses    desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos e alguns pa&iacute;ses europeus,    det&ecirc;m as maiores ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas mundiais que dominam    as modernas tecnologias na &aacute;rea farmac&ecirc;utica. Somente para exemplificar    esses investimentos e riscos, as estat&iacute;sticas mostram que de cada 30    mil compostos sintetizados pelas ind&uacute;strias, 20 mil (6,7%) entram nos    estudos pr&eacute;-cl&iacute;nicos; desses, 200 (0,67%) atingem a fase cl&iacute;nica    I; 40 (0,13%) passam para a fase cl&iacute;nica II; e 12 (0,004%) chegam a fase    cl&iacute;nica III. Apenas oito deles (0,027%) s&atilde;o aprovados e em geral    um (0,003%) consegue obter mercado satisfat&oacute;rio. </font></p>     <p><font size="3">Outro emprego importante da biodiversidade refere-se a produ&ccedil;&atilde;o    dos fitomedicamentos, tamb&eacute;m conhecidos como fitoter&aacute;picos. Esses    medicamentos constituem-se em prepara&ccedil;&otilde;es contendo extratos padronizadas    de uma ou mais plantas, hoje amplamente comercializados em pa&iacute;ses pobres    ou ricos. De acordo com a defini&ccedil;&atilde;o proposta pela OMS, os fitomedicamentos    s&atilde;o subst&acirc;ncias ativas presentes na planta como um todo, ou em    parte dela, na forma de extrato total ou processado. Os constituintes respons&aacute;veis    pela atividade farmacol&oacute;gica s&atilde;o, em geral, pouco conhecidos e    se acredita que a a&ccedil;&atilde;o farmacol&oacute;gica desses produtos envolva    a intera&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meras mol&eacute;culas presentes no extrato    (10). </font></p>     <p><font size="3">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, houve um aumento expressivo    no mercado mundial dos fitomedicamentos, especialmente nos pa&iacute;ses industrializados,    cujo mercado mundial atinge mais de US$ 20 bilh&otilde;es anuais. Os pa&iacute;ses    europeus, especialmente a Alemanha, os pa&iacute;ses asi&aacute;ticos e os Estados    Unidos, possuem os principais mercados consumidores desses medicamentos (10,    11). O mercado brasileiro de fitomedicamentos atingiu, em 2001, cerca de US$    270 milh&otilde;es correspondendo a 5.9 % do mercado brasileiro de medicamentos,    maior, portanto, que a comercializa&ccedil;&atilde;o dos medicamentos gen&eacute;ricos    que foi de R$ 226 milh&otilde;es (5% do mercado global brasileiro). Diversas    empresas – tais como Barrene, BYK, Canonne, Infabra, Fontovit, Hebron, Herb&aacute;rio,    Knol, Laborat&oacute;rio Catarinense, Marjan, Milet-Roux - comercializam somas    expressivas na &aacute;rea de fitomedicamentos. Mais recentemente, empresas    farmac&ecirc;uticas nacionais de maior porte - como Ach&eacute;, Biossint&eacute;tica,    Eurofarma, Flora Medicinal (Natura) etc - est&atilde;o interessadas na comercializa&ccedil;&atilde;o    dos fitomedicamentos. Em conseq&uuml;&ecirc;ncia do crescimento do mercado mundial    dos fitomedicamentos, as maiores ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas multinacionais    (muitas delas norte-americanas), passaram a se interessar por esse mercado,    at&eacute; ent&atilde;o formado predominantemente por pequenas empresas europ&eacute;ias    e asi&aacute;ticas. Tais fatos resultaram em mudan&ccedil;as no perfil do mercado    dos fitomedicamentos, com a aquisi&ccedil;&atilde;o das pequenas ind&uacute;strias    pelas grandes empresas farmac&ecirc;uticas, e tamb&eacute;m pela uni&atilde;o    de muitas companhias que atuavam no setor (11, 12). </font></p>     <p><font size="3">Com a aprova&ccedil;&atilde;o e a entrada em vigor da lei de    propriedade industrial no Brasil no final da d&eacute;cada de 90, v&aacute;rias    ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas nacionais estabeleceram parcerias com    o setor acad&ecirc;mico, visando o desenvolvimento de fitomedicamentos, tendo    por base a Resolu&ccedil;&atilde;o RDC n&uacute;mero 17 de 24/02/2000 da Anvisa,    que estabelece as normas para o registro e a comercializa&ccedil;&atilde;o desses    medicamentos. No Brasil, o registro de um fitomedicamento necessita de estudos    cient&iacute;ficos para a comprova&ccedil;&atilde;o da qualidade, da efic&aacute;cia    e da seguran&ccedil;a de uso. Uma das poucas iniciativas por parte do governo    federal, visando estimular o uso da biodiversidade brasileira para a produ&ccedil;&atilde;o    de medicamentos, foi o programa de pesquisa em plantas medicinais idealizado    e financiado pela Central de Medicamentos (Ceme), que teve seu in&iacute;cio    na d&eacute;cada de 80. Contudo, com a extin&ccedil;&atilde;o da Ceme, ocorrida    no final dos anos 90, praticamente pouco restou dessa iniciativa pioneira em    nosso pa&iacute;s que, sem d&uacute;vida, deveria ter continuado. Entretanto,    o programa permitiu o surgimento de v&aacute;rios grupos de pesquisas, especialmente    nas &aacute;reas de farmacologia pr&eacute;-cl&iacute;nica, toxicologia e de    farmacologia cl&iacute;nica, interessados no estudo das plantas brasileiras.    Comparado ao desenvolvimento de um novo medicamento sint&eacute;tico, que envolve    vultosas somas de recursos (cerca de US$ 350 milh&otilde;es a US$ 800 milh&otilde;es    e cerca de 10 a 15 anos de pesquisa), o desenvolvimento de um fitomedicamento    requer muito menos recursos, e tamb&eacute;m menor tempo de pesquisa. Com base    no vasto conhecimento popular j&aacute; existente para o uso de muitas plantas    medicinais, estima-se que os custos para o desenvolvimento de um fitomedicamento    n&atilde;o devem ultrapassar 2 a 3 % daquele previsto para o desenvolvimento    de um novo medicamento sint&eacute;tico. Esses valores s&atilde;o compat&iacute;veis    com o atual est&aacute;gio de desenvolvimento das ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas    nacionais. </font></p>     <p><font size="3">O grande desafio para o aproveitamento racional da biodiversidade    brasileira visando a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos &eacute;, sem d&uacute;vida,    como transformar um imenso patrim&ocirc;nio gen&eacute;tico natural em riquezas,    criando ind&uacute;strias de base tecnol&oacute;gica e gerando empregos qualificados.    Em fun&ccedil;&atilde;o dos est&iacute;mulos havidos no Brasil para formar recursos    humanos, atrav&eacute;s dos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o nas    &aacute;reas relacionadas ao desenvolvimento de medicamentos, os cientistas    brasileiros de muitas universidades e institutos de pesquisas adquiriram prest&iacute;gio    internacional, atestado pelo grande n&uacute;mero de trabalhos publicados nas    principais revistas cient&iacute;ficas em todo mundo. Todavia, a forma&ccedil;&atilde;o    de novos cientistas precisa ser estimulada, sobretudo em &aacute;reas ainda    carentes, como &eacute; o caso da toxicologia, farmacologia cl&iacute;nica,    tecnologia farmac&ecirc;utica, propriedade intelectual, entre outras. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a22img02.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A quest&atilde;o da propriedade industrial deve merecer especial    aten&ccedil;&atilde;o tendo em vista a pouca experi&ecirc;ncia do Brasil na    &aacute;rea. No entanto, uma busca junto ao Inpi revelou que nos &uacute;ltimos    cinco anos os pesquisadores e as industrias farmac&ecirc;uticas nacionais depositaram    mais de 15 patentes na &aacute;rea de plantas medicinais e de fitomedicamentos.    Embora nos &uacute;ltimos anos tenham surgido no Brasil ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas    nacionais modernas, a maioria n&atilde;o possui experi&ecirc;ncia em pesquisa    e desenvolvimento de novos medicamentos, mantendo-se ainda muito dependentes    de tecnologias desenvolvidas em pa&iacute;ses industrializados. A situa&ccedil;&atilde;o    tende a agravar-se e poder&aacute; levar a uma desnacionaliza&ccedil;&atilde;o    ainda maior do setor, pois os reflexos da lei de patente (que proibiu a c&oacute;pia    de similares desenvolvidos nos pa&iacute;ses avan&ccedil;ados) e o processo    de globaliza&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m cada vez mais impedindo o crescimento    das empresas farmac&ecirc;uticas nacionais. Assim, &eacute; imperativo que o    governo federal estabele&ccedil;a um programa duradouro, com a participa&ccedil;&atilde;o    dos minist&eacute;rios da Sa&uacute;de, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e Meio Ambiente,    em parceria com as funda&ccedil;&otilde;es estaduais de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia,    comunidade cient&iacute;fica e os laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos estatais    e privados, para permitir o aproveitamento racional da nossa biodiversidade    visando a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos. </font></p>     <p><font size="3">A ci&ecirc;ncia brasileira, quando convidada a participar do    processo de desenvolvimento nacional, soube dar sua parcela de contribui&ccedil;&atilde;o.    Afinal, a contribui&ccedil;&atilde;o dos cientistas brasileiros foi decisiva    para o desenvolvimento de tecnologia de ponta para retirar petr&oacute;leo de    &aacute;guas profundas, para transformar e multiplicar a produ&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola com o emprego de t&eacute;cnicas modernas, e para o desenvolvimento    de tecnologia de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea espacial    e de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Mais recentemente, pesquisadores brasileiros    destacaram-se internacionalmente na biologia molecular na &aacute;rea de seq&uuml;enciamento    gen&eacute;tico. Parece n&atilde;o haver muitas d&uacute;vidas de que temos    condi&ccedil;&otilde;es de desenvolver com sucesso um programa voltado para    o desenvolvimento de medicamentos a partir da nossa biodiversidade, empregando    tecnologia genuinamente nacional. Um programa dessa natureza tornaria o pa&iacute;s    menos dependente do mercado internacional, em uma &aacute;rea realmente estrat&eacute;gica,    e por que n&atilde;o dizer de seguran&ccedil;a nacional para o Brasil, e evitaria    os constrangimentos de recorrer a tecnologias muitas vezes de baixa qualidade    desenvolvidas em pa&iacute;ses com menos tradi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    e tecnol&oacute;gica que o Brasil, ou &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de medicamentos    de qualidade duvidosa no exterior. Assim, resta saber se o atual governo brasileiro    est&aacute; interessado em estabelecer um programa de longo prazo com recursos    suficientes para estimular a intera&ccedil;&atilde;o universidade-ind&uacute;stria    na &aacute;rea de desenvolvimento de medicamentos, a exemplo do que ocorreu    em alguns pa&iacute;ses em desenvolvimento como a &Iacute;ndia, China e Cor&eacute;ia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><font size="3">J<b>o&atilde;o B. Calixto </b>&eacute; professor titular    de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina, pesquisador do CNPq    e membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias</font></i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Pandey, R.C. Prospecting for potentially new pharmaceuticals    from natural sources. <i>Med. Res. Rev</i>., 18: 333-346, 1998. </font><!-- ref --><p><font size="3">2. Cragg, G.M., Newman, D.J. &amp; Snader, K.M. Natural products    in drug discovery and development. <i>Journal of Natural Products</i>, 60:52-60,    1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Verpoorte, R. Exploration of nature's chemodiversity: the    role of secondary metabolites as leads in drug development. <i>Drug Discovery    Today</i>, 3:232-238, 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Shu, Y.Z. Recent natural products based drug development:    A pharmaceutical industry perspective. <i>Journal of Natural Products</i>, 61:    1053-1071, 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Harvey, A. Strategies for the discovering drugs from previously    unexplored natural products. <i>Drug Discovery Today</i>, 5:294-300, 2000</font><!-- ref --><p><font size="3">6. De Smet, P.A.G.M.. The role of plant-derived drugs and herbal    medicines in healthcare. <i>Drugs</i>, 54: 801-840, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Downton, C. &amp; Clark, I. Satins- the heart of the matter.    <i>Nature Reviews Drug Discovery</i> 2: 343-344, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Cragg, G.M. &amp; Newman, D.J. Discovery and development    of antineoplastic agents from natural sources. <i>Cancer Investigation</i> 17:    153-163, 1999</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Strobl, W.R. The role of natural products in a modern drug    discovery program. <i>Drug Discovery Today</i>, 5:29- 41, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Calixto, J.B. Efficacy, quality control, marketing and regulatory    guidelines for herbal medicines (phytotherapeutics agents). <i>Brazilian Journal    of Medical and Biological Research</i>, 33: 179-189, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Gr&uuml;nwald, J. (1995). The European Phytomedicines Market:    Figures, Trends, Analysis. <i>HerbalGram</i>, 34: 60-65.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Blumenthal, M. Herb industry sees mergers, acquisitions,    and entry by pharmaceutical giants in 1998,<i> HerbalGram</i>, 45: 67-68, 1999.</font> ]]></body><back>
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