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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><FONT SIZE=3>PONTAL DO PARANAPANEMA</FONT></P>     <P><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img02.gif"></font></P>     <P><FONT SIZE=4><b>Conserva&ccedil;&atilde;o ambiental para um desenvolvimento    sustent&aacute;vel na regi&atilde;o</b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>O debate ambiental no Brasil tem sido incrementado com os resultados    de estudos e a&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas de grupos de pesquisas de fora    do circuito oficial. Al&eacute;m das universidades e centros de pesquisa apoiados    por institui&ccedil;&otilde;es do governo, cientistas de entidades do terceiro    setor t&ecirc;m desenvolvido pesquisas de alta qualidade para entender e sugerir    melhorias na complexa intera&ccedil;&atilde;o do homem com o mundo natural.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>O conservacionista Laury Cullen Jr., coordenador do Instituto    de Pesquisas Ecol&oacute;gicas - Ip&ecirc; &eacute; um deles. Desenvolve h&aacute;    12 anos seu trabalho de pesquisa em conserva&ccedil;&atilde;o ambiental no Pontal    do Paranapanema, oeste de S&atilde;o Paulo, uma regi&atilde;o marcada por conflitos    agr&aacute;rios entre fazendeiros e integrantes do Movimento dos Trabalhadores    Rurais Sem Terra (MST). Mas n&atilde;o &eacute; somente nos conflitos da luta    pela terra que a quest&atilde;o agr&aacute;ria est&aacute; presente no Pontal.    Na paisagem, o agr&aacute;rio tamb&eacute;m se mostra evidente, em ro&ccedil;as    e pastos que cercam os &uacute;ltimos resqu&iacute;cios de Mata Atl&acirc;ntica    da regi&atilde;o. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>A experi&ecirc;ncia da equipe do Ip&ecirc; no Pontal mostra que    a pesquisa conservacionista n&atilde;o pode desconsiderar a interfer&ecirc;ncia    humana. Por este motivo, o Ip&ecirc; passou a integrar a face social em suas    atividades e tem alcan&ccedil;ado resultados positivos em suas a&ccedil;&otilde;es    junto &agrave; unidade rural e em pesquisas cient&iacute;ficas sobre a Mata    Atl&acirc;ntica. Os resultados desse trabalho renderam a Cullen, no ano de 2002,    o <i>Whitley Gold Award</i>, um importante pr&ecirc;mio de conserva&ccedil;&atilde;o    ambiental. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04fig01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>"A participa&ccedil;&atilde;o das comunidades locais na preserva&ccedil;&atilde;o    dos resqu&iacute;cios de Mata Atl&acirc;ntica &eacute; muito importante",    diz Cullen. Ele conta que os conflitos gerados entre os m&uacute;ltiplos usu&aacute;rios    dos recursos naturais da regi&atilde;o tiveram conseq&uuml;&ecirc;ncias negativas    para o que resta de mata, principalmente devido &agrave; pecu&aacute;ria extensiva    e &agrave; agricultura praticada pelos grandes latif&uacute;ndios. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><b>MUDAN&Ccedil;A DE ATITUDE</b> O empenho do Ip&ecirc; para mudar    a atua&ccedil;&atilde;o dos fazendeiros e trabalhadores rurais sobre os resqu&iacute;cios    de florestas em meio a ro&ccedil;as e pastos, &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia    inevit&aacute;vel da complexa realidade s&oacute;cio-econ&ocirc;mica do Pontal,    que j&aacute; existia antes dos conservacionistas se encantarem pelas florestas    da regi&atilde;o. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Localizado na conflu&ecirc;ncia dos rios Paran&aacute; e Paranapanema,    o Pontal &eacute; uma das mais pobres do estado de S&atilde;o Paulo e a regi&atilde;o    paulista com o maior n&uacute;mero de fam&iacute;lias assentadas. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>No passado, a Mata Atl&acirc;ntica cobria &aacute;reas extensas    do Pontal. Hoje, est&aacute; dispersa em manchas verdes isoladas, formando uma    paisagem nada exuberante se comparada &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o original.    A a&ccedil;&atilde;o humana descontrolada reduziu as &aacute;reas de florestas    onde se encontravam animais em risco de extin&ccedil;&atilde;o como o mico-le&atilde;o-preto    (<i>Leonpithecus chrysopygus</i>) e a on&ccedil;a pintada (<i>Panthera onca</i>).    Atualmente, animais e esp&eacute;cies vegetais nativas dividem os cerca de 50    mil hectares de mata que restou no Pontal, divididos entre os 37 mil hectares    do Parque Estadual Morro do Diabo, os 5,5 mil da rec&eacute;m-criada Esta&ccedil;&atilde;o    Ecol&oacute;gica Mico-le&atilde;o-preto, e cerca de 7,5 mil em reservas legais    e &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Cullen conta que atualmente o "abra&ccedil;o" dos assentamentos    rurais em torno dos resqu&iacute;cios de Mata Atl&acirc;ntica na regi&atilde;o    &eacute; um desafio a ser enfrentado pelos pesquisadores e pelos agricultores,    e salienta o empenho do Ip&ecirc; em encontrar um modelo de desenvolvimento    para a regi&atilde;o, "que integre a conserva&ccedil;&atilde;o da mata    com as necessidades dos m&uacute;ltiplos usu&aacute;rios dos recursos locais".    Nesse contexto, diversas a&ccedil;&otilde;es envolvendo pesquisadores do instituto    e trabalhadores rurais t&ecirc;m sido colocadas em pr&aacute;tica.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Uma alternativa &eacute; incentivar o uso de sistemas agroecol&oacute;gicos,    que misturem agricultura com floresta. "Na agroecologia est&atilde;o presentes    tanto conhecimentos tradicionais quanto os da ci&ecirc;ncia moderna". O    pesquisador acrescenta que uma das vantagens do sistema &eacute; que ele funciona    como zona de amortecimento da degrada&ccedil;&atilde;o nas bordas das matas,    causada por ro&ccedil;as e pastagens. Al&eacute;m de proteger a floresta, os    agricultores t&ecirc;m acesso a uma &aacute;rea para produzir culturas diversificadas    e ambientalmente sustent&aacute;veis, al&eacute;m de serem sistemas f&aacute;ceis    de serem implantados, sem muitos gastos. Segundo Cullen, para os sistemas agroflorestais    serem aceitos e beneficiarem os trabalhadores rurais devem estar associados    a pelo menos uma esp&eacute;cie vegetal de valor econ&ocirc;mico, como o caf&eacute;.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Esse tipo de a&ccedil;&atilde;o do Ip&ecirc; tem beneficiado n&atilde;o    apenas a floresta, mas tamb&eacute;m os assentados. Plantando caf&eacute; com    &aacute;rvores de esp&eacute;cies variadas, eles v&ecirc;m modificando a paisagem    dos assentamentos rurais e gerando uma renda extra. O caf&eacute; apresenta    alta qualidade e &eacute; cultivado com t&eacute;cnicas org&acirc;nicas menos    agressivas ao ambiente, que concedem um diferencial importante no mercado ao    produto.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3><b>PESQUISA COM FOCO SOCIAL</b> Para Irma Passoni, do Instituto    de Tecnologia Social (ITS), a preocupa&ccedil;&atilde;o social do Ip&ecirc;    caracteriza as organiza&ccedil;&otilde;es do terceiro setor que fazem pesquisa    no Brasil. "Trata-se de um diferencial importante: a pesquisa de C&amp;T    &eacute; voltada para a sociedade", afirma. "Na hist&oacute;ria do    Brasil, a ci&ecirc;ncia trabalhou muitas vezes distante dos problemas reais    da sociedade. As entidades s&eacute;rias do terceiro setor, por&eacute;m, est&atilde;o    sempre conectadas &agrave;s demandas sociais", considera Irma.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Apesar dos bons resultados, n&atilde;o existem pol&iacute;ticas    governamentais de apoio a essas iniciativas, o que Irma atribui ao pouco reconhecimento    que se tem dos trabalhos. "As organiza&ccedil;&otilde;es do terceiro setor    ainda t&ecirc;m que provar muitas coisas para serem valorizadas. &Eacute; preciso    discutir formas dessas organiza&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m participarem    dos recursos governamentais", afirma.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>"O Ip&ecirc; come&ccedil;ou como Organiza&ccedil;&atilde;o    N&atilde;o-Governamental (ONG) e se tornou uma Organiza&ccedil;&atilde;o da    Sociedade Civil de Interesse P&uacute;blico, o que torna um pouco mais f&aacute;cil    o acesso a alguns fundos para pesquisa, apesar de ainda existirem muitas dificuldades"    conta Cullen, para quem a intera&ccedil;&atilde;o com centros internacionais    &eacute; uma rica experi&ecirc;ncia.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04fig02.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>Alertados pela necessidade de aprofundar as discuss&otilde;es    sobre esse tema, a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) e o ITS promovem,    desde 2001, debates para a elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o    da Pol&iacute;tica Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><FONT SIZE=3><i><b>Juliana Schober</b></i></FONT></P>      ]]></body>

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