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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a10img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>SPINTR&Ocirc;NICA</FONT></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img02.gif"></P>     <P><FONT SIZE=4><b>Descri&ccedil;&atilde;o da magnetoresist&ecirc;ncia faz 15    anos</b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>Comemora-se em 2003 o 15º anivers&aacute;rio de um <a name="tx"></a>famoso    artigo<a href="#nt">*</a> publicado na revista <i>Physical Review Letters</i>,    onde o fen&ocirc;meno da magnetoresist&ecirc;ncia gigante foi descoberto e descrito.    Em 1988, a descoberta sacudiu os meios acad&ecirc;micos e tecnol&oacute;gicos:    usando estruturas formadas por sandu&iacute;ches de ferro "recheados"    com uma camada de tr&ecirc;s &aacute;tomos de cromo, os pesquisadores mediram    a resist&ecirc;ncia el&eacute;trica do sistema, para diferentes campos magn&eacute;ticos    aplicados. Quando as camadas de fora do sandu&iacute;che est&atilde;o com alinhamento    magn&eacute;tico contr&aacute;rio um ao outro, o dispositivo tem resist&ecirc;ncia    el&eacute;trica alta. Entretanto, quando o alinhamento &eacute; paralelo (gerado    pelo campo magn&eacute;tico externo), a resist&ecirc;ncia &eacute; menor, da    ordem da metade da configura&ccedil;&atilde;o anterior (50%). </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>A surpresa residia no fato de que, at&eacute; ent&atilde;o, uma    varia&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de cerca de 3% era conhecida e, portanto,    o fen&ocirc;meno ganhou o adjetivo "gigante". Apesar de ser uma descoberta    de apenas 15 anos, hoje em dia o fen&ocirc;meno j&aacute; &eacute; utilizado    na enorme maioria dos cabe&ccedil;otes de leitura dos discos r&iacute;gidos    de computadores. Toda uma nova &aacute;rea da f&iacute;sica, conhecida como    eletr&ocirc;nica de <i>spin</i>, ou spintr&ocirc;nica, tem se desenvolvido a    partir dessa descoberta. Al&eacute;m disso, o artigo original &eacute; um dos    dez artigos mais citados da prestigiosa revista <i>Physical Review Letters</i>.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><b>GRAVA&Ccedil;&Atilde;O MAGN&Eacute;TICA</b> O princ&iacute;pio    da grava&ccedil;&atilde;o e leitura magn&eacute;tica &eacute; relativamente    simples. Na grava&ccedil;&atilde;o convencional, um cabe&ccedil;ote magn&eacute;tico    indutivo &eacute; usado para "escrever" a informa&ccedil;&atilde;o    em um meio de grava&ccedil;&atilde;o como fita ou disco. Esse meio se move com    rela&ccedil;&atilde;o ao cabe&ccedil;ote e assim os <i>bits</i> (transi&ccedil;&otilde;es    entre regi&otilde;es magnetizadas em sentidos opostos) s&atilde;o gravados ao    aplicar pulsos de correntes positivas ou negativas &agrave; bobina. O mesmo    cabe&ccedil;ote pode ser utilizado para ler a informa&ccedil;&atilde;o, pois    o movimento do cabe&ccedil;ote em rela&ccedil;&atilde;o ao meio magn&eacute;tico    induz pequen&iacute;ssimas correntes na bobina sensora, que s&atilde;o detectadas    ap&oacute;s uma cuidadosa amplifica&ccedil;&atilde;o e processamento. O sinal    obtido est&aacute; diretamente relacionado com a velocidade relativa do cabe&ccedil;ote    e com o tamanho do <i>bit</i>.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3>Hoje em dia, discos magn&eacute;ticos comerciais podem guardar    mais de cinquenta <i>megabits</i> por cent&iacute;metro quadrado (Mbits/cm<SUP>2</sup>),    e espera-se muito brevemente atingir densidades de at&eacute; mais um <i>gigabit</i>    por cent&iacute;metro quadrado. A tecnologia envolvida nesse desenvolvimento    &eacute; muito delicada.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>A descoberta da magnetoresist&ecirc;ncia gigante entusiasmou a    ind&uacute;stria da inform&aacute;tica, que vive de ler campos magn&eacute;ticos    muito pequenos nos discos r&iacute;gidos ou flex&iacute;veis. Assim, ap&oacute;s    essa descoberta uma nova tecnologia tem crescido nos &uacute;ltimos anos: os    chamados cabe&ccedil;otes ativos, quase sempre baseados no fen&ocirc;meno da    magnetoresist&ecirc;ncia. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Al&eacute;m dos avan&ccedil;os na tecnologia relacionada com a    leitura e grava&ccedil;&atilde;o magn&eacute;tica, um campo novo surgiu nos    &uacute;ltimos anos e promete revolucionar o conceito de armazenamento e leitura    de dados no computador. At&eacute; ent&atilde;o, os componentes eletr&ocirc;nicos    usavam apenas uma propriedade dos el&eacute;trons, a sua carga. Mesmo assim,    maravilhas como o transistor foram criadas. Mas, com a magnetoresist&ecirc;ncia    gigante vislumbrou-se a possibilidade de poder controlar outra propriedade eletr&ocirc;nica,    o <i>spin</i>. O que gerou uma s&eacute;rie de id&eacute;ias e prot&oacute;tipos    que usam as incr&iacute;veis propriedades de correntes el&eacute;tricas com    el&eacute;trons com apenas uma dire&ccedil;&atilde;o de <i>spin</i> bem definida,    atualmente bem controlados. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><b>SPINTR&Ocirc;NICA</b> Essa nova &aacute;rea de tecnologia de    ponta &eacute; conhecida como spintr&ocirc;nica. J&aacute; existem prot&oacute;tipos    de transistores de <i>spin</i> e at&eacute; mem&oacute;rias comerciais n&atilde;o-vol&aacute;teis    que utilizam essa tecnologia.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Ningu&eacute;m sabe ao certo aonde essas pesquisas ir&atilde;o    levar; mas, certamente, ir&atilde;o revolucionar o futuro da eletr&ocirc;nica    e da inform&aacute;tica. </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><FONT SIZE=3><b><i>Marcelo Knobel e M&aacute;rio N. Baibich</i></b>    </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3><a name="nt"></a><a href="#tx">*</a> O trabalho, realizado no    laborat&oacute;rio de Albert Fert, em Orsay, Fran&ccedil;a, teve a colabora&ccedil;&atilde;o    de um pesquisador brasileiro, M&aacute;rio N. Baibich, que tamb&eacute;m assina    este artigo.</FONT></P>     ]]></body>
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