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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><FONT SIZE=5><b>A<small>PRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</small></b></FONT></p>     <p align="center"><FONT SIZE=3><b>Carlos Jos&eacute; Saldanha Machado</b></FONT>  </p>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=5><b>N</b></FONT><FONT SIZE=3>esses tempos de mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas,    induzidas pela vontade de constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade menos injusta,    desigual e mais fraterna, a gest&atilde;o democr&aacute;tica de um bem de uso    comum do povo, a &aacute;gua, est&aacute; no centro de nossas inquieta&ccedil;&otilde;es    e perplexidades diante dos rumos da moderniza&ccedil;&atilde;o brasileira no    cen&aacute;rio de um mundo globalizado. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Recurso natural indispens&aacute;vel &agrave; vida dos homens,    a &aacute;gua transformou-se num bem absolutamente necess&aacute;rio e essencial    para a sobreviv&ecirc;ncia de agrupamentos humanos, comunidades, coletividades,    cidades e na&ccedil;&otilde;es que dela dependem tanto para existir simplesmente    quanto para satisfazer as suas necessidades sociais e econ&ocirc;micas. Decorrentes    das transforma&ccedil;&otilde;es do mundo moderno, esta ou aquela necessidade    tem, entretanto, como principal justificativa &agrave;quilo que se imp&otilde;e    aos homens e &agrave; sociedade como indispens&aacute;vel &agrave; sua pr&oacute;pria    qualidade de vida. Ora, a necessidade de &aacute;gua, em particular de &aacute;gua    pot&aacute;vel, n&atilde;o foge a constru&ccedil;&otilde;es discursivas que    t&ecirc;m colocado o problema da aus&ecirc;ncia ou car&ecirc;ncia de &aacute;gua    como vital para a humanidade. Com efeito, a id&eacute;ia de que a &aacute;gua    &eacute; essencial &agrave; vida, assim como o pr&oacute;prio ar que se respira,    n&atilde;o &eacute; mais um simples enunciado que se refere ao conjunto de propriedades    e qualidades que mant&ecirc;m a vida no nosso planeta. Nos dias de hoje, a &aacute;gua    &eacute; indubitavelmente um dos bens mais preciosos e importantes que se conhece    e que de algum modo se considera imprescind&iacute;vel para as popula&ccedil;&otilde;es.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Contudo, nem sempre aquele entendimento regeu o modo de rela&ccedil;&atilde;o    dos seres humanos com os recursos h&iacute;dricos. Ao longo do &uacute;ltimo    s&eacute;culo, no Brasil, as grandes massas de &aacute;gua foram consideradas    como d&aacute;divas da natureza, reservat&oacute;rios inesgot&aacute;veis, capazes    de fornecer &aacute;gua pura eternamente e de receber e absorver quantidades    ilimitadas de rejeitos provenientes das atividades humanas. Mas, com o crescimento    acelerado da popula&ccedil;&atilde;o, a urbaniza&ccedil;&atilde;o das cidades,    o desenvolvimento industrial e tecnol&oacute;gico e a expans&atilde;o das &aacute;reas    agr&iacute;colas, as poucas fontes dispon&iacute;veis de &aacute;gua est&atilde;o    comprometidas ou correndo risco.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Al&eacute;m disso, os problemas do pa&iacute;s tamb&eacute;m est&atilde;o    relacionados &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o irregular dos recursos h&iacute;dricos    e ao desperd&iacute;cio presente em todos os n&iacute;veis da sociedade. Setenta    por cento da &aacute;gua brasileira est&aacute; na regi&atilde;o Norte, onde    vivem apenas 7% da popula&ccedil;&atilde;o; a regi&atilde;o Sudeste, que tem    a maior concentra&ccedil;&atilde;o populacional (42,63%), disp&otilde;e de apenas    6% dos recursos h&iacute;dricos, e a regi&atilde;o Nordeste que abriga 28,91%    da popula&ccedil;&atilde;o disp&otilde;e apenas de 3,3%. Entre 40% e 60% da    &aacute;gua tratada pela maioria dos servi&ccedil;os estaduais de abastecimento    de &aacute;gua, em m&eacute;dia, &eacute; perdida no percurso entre a capta&ccedil;&atilde;o    e os domic&iacute;lios, em fun&ccedil;&atilde;o de tubula&ccedil;&otilde;es    antigas, vazamentos, desvios clandestinos e tecnologias obsoletas. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Como se n&atilde;o bastasse esse desequil&iacute;brio geogr&aacute;fico,    a &aacute;gua no Brasil est&aacute; tamb&eacute;m amea&ccedil;ada pela polui&ccedil;&atilde;o,    pela eros&atilde;o, pela desertifica&ccedil;&atilde;o e pela contamina&ccedil;&atilde;o    do len&ccedil;ol fre&aacute;tico. Rios, riachos, canais e lagoas foram assoreados,    aterrados e desviados abusivamente, e mesmo canalizados; suas margens foram    ocupadas, as matas ciliares e &aacute;reas de acumula&ccedil;&atilde;o suprimidas.    Regi&otilde;es no passado alagadi&ccedil;as, com p&acirc;ntanos, mangues, brejos    e v&aacute;rzeas foram, primeiro, aterradas e, depois, impermeabilizadas e edificadas.    Imensas quantidades de lixo ou res&iacute;duos s&oacute;lidos acumulam-se dentro    e/ou nas margens de rios, riachos, lagos e baias. Com isso, a drenagem urbana    no Brasil se tem tornado catastr&oacute;fica: a cada ver&atilde;o, a chuva paralisa    as grandes cidades nos dias de maior intensidade de precipita&ccedil;&atilde;o    trazendo, em seu rastro, as epidemias de leptospirose. Quando n&atilde;o &eacute;    enchente, s&atilde;o desmoronamentos de encostas. Para complementar esse quadro    dantesco, a falta de saneamento leva o Brasil a conviver ainda, em vastas regi&otilde;es,    com epidemias e endemias provocadas por agentes patol&oacute;gicos transmitidos    pela &aacute;gua, como a dengue, a esquistossomose e a mal&aacute;ria.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Essa realidade, num pa&iacute;s de dimens&otilde;es continentais,    faz com que a recupera&ccedil;&atilde;o de rios, lagoas, a&ccedil;udes, baias    e praias contaminadas seja um campo de atua&ccedil;&atilde;o vast&iacute;ssimo,    implicando na elabora&ccedil;&atilde;o de programas e projetos que, freq&uuml;entemente,    extrapolam as fronteiras pol&iacute;tico-administrativas. Por exemplo, o Brasil    possui 22% da sua popula&ccedil;&atilde;o concentrada em 398 munic&iacute;pios    costeiros. In&uacute;meros munic&iacute;pios ao longo de rios, que abastecem    a todos, precisam buscar uma a&ccedil;&atilde;o coordenada de despolui&ccedil;&atilde;o    h&iacute;drica, como tratamento de efluentes dom&eacute;sticos e industriais,    reflorestamento das matas ciliares e prote&ccedil;&atilde;o de mananciais.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3>Mas, em n&iacute;vel da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica,    durante seis d&eacute;cadas os recursos h&iacute;dricos no Brasil foram geridos    por seus usu&aacute;rios. Cada um visualizando uma &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o    e um &uacute;nico uso para a &aacute;gua, de acordo com seus interesses e necessidades    (irriga&ccedil;&atilde;o, abastecimento domiciliar, abastecimento industrial,    saneamento, gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica e outros). O resultado    foi sempre uma diversidade de interven&ccedil;&otilde;es desordenadas nos corpos    de &aacute;gua num pa&iacute;s que foi se transformando de rural para urbano    ao longo dos &uacute;ltimos 50 anos. Segundo dados recentes da Funda&ccedil;&atilde;o    Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), apenas 19% da    popula&ccedil;&atilde;o vive no campo, enquanto 81% vivem em centros urbanos,    sendo a zona costeira habitada por 22% da popula&ccedil;&atilde;o que se concentra    em 7% dos munic&iacute;pios brasileiros.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Como resultado de uma urbaniza&ccedil;&atilde;o intensa e concentrada    no tempo e no espa&ccedil;o, mas tamb&eacute;m profundamente desordenada, sem    disciplina efetiva de uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo, e das desigualdades    sociais e regionais, a necessidade de &aacute;gua para o abastecimento das aglomera&ccedil;&otilde;es    urbanas tornou-se um problema t&atilde;o importante quanto o fen&ocirc;meno    econ&ocirc;mico respons&aacute;vel pela concentra&ccedil;&atilde;o cada vez    mais densa de popula&ccedil;&otilde;es nas cidades: a industrializa&ccedil;&atilde;o.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Como se n&atilde;o bastassem todos os impactos da vida urbana    sobre as &aacute;guas, na &aacute;rea rural, os agricultores e pecuaristas utilizam    cada vez mais agrot&oacute;xicos e adubos inorg&acirc;nicos, que s&atilde;o    levados pela chuva para os rios ou se infiltram no solo, contaminando as &aacute;guas;    as faixas de terra que deveriam estar ocupadas por matas ciliares s&atilde;o    utilizadas ilegalmente, quase sempre, por exclu&iacute;dos do campo e produtores    rurais, alterando o regime dos rios e a pr&aacute;tica cada vez mais disseminada    da agricultura irrigada acrescentou um novo elemento na disputa pelo uso da    &aacute;gua em algumas regi&otilde;es. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Tudo isso contribuiu para que se desse in&iacute;cio a uma profunda    revis&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o brasileira sobre uso da &aacute;gua,    atrav&eacute;s da Lei Federal nº 9.433 de 08 de janeiro de 1997, em que a supremacia    de mais de 60 anos do setor el&eacute;trico cedeu lugar &agrave; convic&ccedil;&atilde;o    da necessidade de se gerenciar os recursos h&iacute;dricos a partir de uma vis&atilde;o    de usos m&uacute;ltiplos. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Portanto, h&aacute; seis anos, a gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos    no Brasil vem passando por uma transi&ccedil;&atilde;o institucional. A Lei    no 9.433/97, conhecida como Lei das &Aacute;guas, instituiu a <i>Pol&iacute;tica    Nacional de Recursos H&iacute;dricos</i> e criou o <i>Sistema Nacional de Gerenciamento    de Recursos H&iacute;dricos</i> definindo, para tanto, um conjunto de instrumentos    institucionais voltados para o gerenciamento dos recursos h&iacute;dricos do    pa&iacute;s. A Lei das &Aacute;guas almeja disciplinar o uso das &aacute;guas,    incorporando em seu texto algumas importantes inova&ccedil;&otilde;es conceituais,    jur&iacute;dicas e institucionais que vinham sendo propostas e debatidas nacional    e internacionalmente pelos diversos setores envolvidos com a administra&ccedil;&atilde;o    e o uso dos recursos h&iacute;dricos, assim como com a quest&atilde;o ambiental,    particularmente desde a d&eacute;cada de 1980 no pa&iacute;s e no exterior.    Nesse sentido, com o in&iacute;cio do gerenciamento por meio de Comit&ecirc;s    e Ag&ecirc;ncias de bacias, a atualiza&ccedil;&atilde;o e/ou aprova&ccedil;&atilde;o    e regulamenta&ccedil;&atilde;o das legisla&ccedil;&otilde;es estaduais de recursos    h&iacute;dricos, a privatiza&ccedil;&atilde;o de alguns servi&ccedil;os p&uacute;blicos    de &aacute;gua pot&aacute;vel e saneamento de &aacute;guas servidas e a cria&ccedil;&atilde;o    da Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas (Lei no 9.984/00) o quadro sociopol&iacute;tico    dessa transi&ccedil;&atilde;o tende a transformar-se de modo decisivo. Como    veremos ao longo desse N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, embora essas transforma&ccedil;&otilde;es    reflitam preocupa&ccedil;&otilde;es globais com forte penetra&ccedil;&atilde;o    nas sociedades locais, os processos de mudan&ccedil;as induzidos pela nova pol&iacute;tica    de recursos h&iacute;dricos ocorrem de forma extremamente variada, num pa&iacute;s    de dimens&otilde;es continentais, sendo localmente apropriados e recriados com    nuances infind&aacute;veis.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Trata-se de uma transi&ccedil;&atilde;o institucional que tem    motivado, no campo das ci&ecirc;ncias e das engenharias, o crescimento e forma&ccedil;&atilde;o    de novos grupos e linhas de pesquisas, debates e publica&ccedil;&otilde;es sobre    temas os mais diversos, indo da recarga de aq&uuml;&iacute;feros at&eacute;    a defesa da integra&ccedil;&atilde;o de dispositivos jur&iacute;dicos sobre    a gest&atilde;o das &aacute;guas interiores com &aacute;guas subterr&acirc;neas    e gest&atilde;o das zonas costeiras, passando pela calibra&ccedil;&atilde;o    de t&eacute;cnicas de medi&ccedil;&atilde;o de vaz&atilde;o, de reuso de &aacute;gua,    de modelos de drenagem urbana, al&eacute;m das novas formas de financiamento    de pesquisas t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas sobre recursos h&iacute;dricos,    da articula&ccedil;&atilde;o entre recursos h&iacute;dricos e saneamento ambiental,    indo at&eacute; a defesa de um federalismo cooperativo na gest&atilde;o por    bacias hidrogr&aacute;ficas, entre tantos outros temas.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Para contribuir tamb&eacute;m com este debate, que j&aacute; acumula    um volume consider&aacute;vel de material impresso e digital, os nove artigos    reunidos neste n&uacute;mero de <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> visam, t&atilde;o    somente, apresentar e discutir alguns dos problemas associados ao tema da gest&atilde;o    das &aacute;guas no Brasil atrav&eacute;s do ponto de vista de profissionais    de forma&ccedil;&otilde;es e vincula&ccedil;&otilde;es institucionais as mais    variadas, a fim de que o cientista-cidad&atilde;o, alunos de gradua&ccedil;&atilde;o    e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, pol&iacute;ticos    profissionais e o cidad&atilde;o comum possam dispor de uma vis&atilde;o substantiva    dos problemas em foco.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Nos quatro primeiros artigos, a id&eacute;ia de integra&ccedil;&atilde;o    &eacute; enfatizada como forma de resolver quest&otilde;es espec&iacute;ficas    relacionadas &agrave; gest&atilde;o e planejamento sustent&aacute;vel do uso    das &aacute;guas. Inicialmente, ap&oacute;s uma breve contextualiza&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica sobre a necessidade de se tratar os usos humanos dos recursos    naturais por meio de sua gest&atilde;o, um antrop&oacute;logo apresenta argumentos    em prol da gest&atilde;o integrada na elabora&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o    dos Planos de Recursos H&iacute;dricos por meio da ado&ccedil;&atilde;o de um    estilo de a&ccedil;&atilde;o orientado para a negocia&ccedil;&atilde;o entre    o corpo social e o corpo t&eacute;cnico-cient&iacute;fico, sem julgamentos <i>a    priori</i>, ou seja, orientado por uma nova l&oacute;gica, a l&oacute;gica "socio-t&eacute;cnica".    Em seguida, devido &agrave; sua import&acirc;ncia estrat&eacute;gica para o    Estado brasileiro, um ge&oacute;grafo-ocean&oacute;grafo e sua aluna de gradua&ccedil;&atilde;o,    preocupados com os in&uacute;meros problemas existentes na zona costeira brasileira,    prop&otilde;em tornar compat&iacute;vel as diferentes formas de pensar o processo    de desenvolvimento do gerenciamento costeiro de forma integrada. No terceiro    artigo, um limnologista apresenta e discute a import&acirc;ncia de se estabelecer    a intera&ccedil;&atilde;o entre os conceitos de "ciclo hidrol&oacute;gico"    e "ciclo hidrossocial" para uma efetiva gest&atilde;o integrada. No    quarto artigo, um hidroge&oacute;logo retoma a id&eacute;ia de gest&atilde;o    integrada como a solu&ccedil;&atilde;o menos dispendiosa em termos econ&ocirc;micos,    sociais e de conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos para a quest&atilde;o    da escassez nas regi&otilde;es brasileiras. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>No quinto artigo, a rela&ccedil;&atilde;o entre ciclo hidrol&oacute;gico    e &aacute;reas urbanas &eacute; analisada por um hidr&oacute;logo atrav&eacute;s    do problema espec&iacute;fico da drenagem urbana. Nesse texto &eacute; feita    uma revis&atilde;o de alguns conceitos e s&atilde;o propostas algumas solu&ccedil;&otilde;es    em termos micro e macroestruturais. Da &aacute;rea urbana, mudamos de escala    e coordenadas geogr&aacute;ficas para observar uma regi&atilde;o brasileira    onde, historicamente, a escassez de &aacute;gua doce tem assumido fei&ccedil;&otilde;es    dram&aacute;ticas: o Nordeste semi-&aacute;rido. Nesse artigo, uma soci&oacute;loga    se debru&ccedil;a sobre os desafios da implementa&ccedil;&atilde;o das inova&ccedil;&otilde;es    conceituais trazidas com o novo arcabou&ccedil;o jur&iacute;dico e institucional    dos recursos h&iacute;dricos brasileiros para focar sua aten&ccedil;&atilde;o    sobre os aspectos sociais e pol&iacute;ticos da gest&atilde;o participativa.    Em seguida, uma antrop&oacute;loga discute os desafios enfrentados pelos Comit&ecirc;s    de Bacias Hidrogr&aacute;ficas destacando como quest&otilde;es particularmente    complexas o fato da bacia hidrogr&aacute;fica ser a unidade de gest&atilde;o,    o modelo de descentraliza&ccedil;&atilde;o adotado, e os problemas relacionados    com a participa&ccedil;&atilde;o. No pen&uacute;ltimo artigo, a problem&aacute;tica    da rela&ccedil;&atilde;o entre o que determina a Lei e a forma como ela &eacute;    praticada pelos atores &eacute; desenvolvida por um jurista que analisa a quest&atilde;o    do sistema federativo na gest&atilde;o das &aacute;guas atrav&eacute;s da discuss&atilde;o    do papel que deve desempenhar o Conselho Nacional de Recursos H&iacute;dricos    no respeito do pacto federativo estabelecido na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal    de 1988. Finalmente, este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico de <b>Gest&atilde;o    das &Aacute;guas</b> se encerra com o artigo de um engenheiro civil e de um    hidr&oacute;logo sobre a nova modalidade de financiamento e gest&atilde;o da    pesquisa t&eacute;cnico-cient&iacute;fica no Brasil: os Fundos Setoriais, que    surgem no &acirc;mbito do processo de privatiza&ccedil;&atilde;o e desregulamenta&ccedil;&atilde;o    das atividades de infra-estrutura no pa&iacute;s dos anos 1990. O autor faz    um balan&ccedil;o e apresenta os resultados alcan&ccedil;ados com o Fundo Setorial    de Recursos H&iacute;dricos.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3><i><b>Carlos Jos&eacute; Saldanha Machado</b> &eacute; antrop&oacute;logo,    professor visitante do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia    Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Peamb/Uerj. &Eacute;    representante do F&oacute;rum de Reitores das Universidades do Estado do Rio    de Janeiro e presidente da C&acirc;mara T&eacute;cnica de Sistema de Gest&atilde;o    no Conselho Estadual de Recursos H&iacute;dricos do Rio de Janeiro.</i></FONT></P>      ]]></body>
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