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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a29fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <P><FONT SIZE=4><b>Resenha</b></FONT></P>     <P><FONT SIZE=5><b>A <small>TRAJET&Oacute;RIA DA DISCRIMINA&Ccedil;&Atilde;O DAS MULHERES</small></b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>A Academia de Ci&ecirc;ncias do Terceiro Mundo chama a aten&ccedil;&atilde;o    para a necessidade dos pa&iacute;ses em desenvolvimento usarem todo o potencial    intelectual dispon&iacute;vel - homens e mulheres - para o seu avan&ccedil;o    s&oacute;cio-econ&ocirc;mico. A advert&ecirc;ncia parece &oacute;bvia, mas milhares    de mulheres brasileiras n&atilde;o t&ecirc;m a oportunidade de usar sua intelig&ecirc;ncia    e compet&ecirc;ncia na &aacute;rea cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>A baixa participa&ccedil;&atilde;o feminina na ci&ecirc;ncia &eacute;    abordada no livro <i>O laborat&oacute;rio de Pandora: estudos sobre a ci&ecirc;ncia    no feminino</i>, de Fanny Tabak, editado pela Garamond . A autora fundou o primeiro    n&uacute;cleo de estudos da mulher no Brasil, impulsionando outros projetos    na &aacute;rea. Pesquisadora pioneira, seus estudos t&ecirc;m ajudado na formula&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o    das mulheres nessa &aacute;rea. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Em seu livro, Fanny mostra que a baixa participa&ccedil;&atilde;o    feminina na ci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; exclusividade brasileira. Essa    escassa atua&ccedil;&atilde;o foi notificada h&aacute; dez anos na I Confer&ecirc;ncia    da TWOWS-Third World Organization for Women in Science, uma organiza&ccedil;&atilde;o    de est&iacute;mulo &agrave; atua&ccedil;&atilde;o feminina nas &aacute;reas    de C&amp;T nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Na &eacute;poca, cientistas    brasileiras apontaram uma realidade pessimista quanto ao <i>status</i> da mulher    na pesquisa do Brasil. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Outras cientistas da Am&eacute;rica Latina e Caribe relataram    dificuldades na dedica&ccedil;&atilde;o integral &agrave;s atividades cient&iacute;ficas,    por causa da pouca disponibilidade de tempo, por serem respons&aacute;veis,    tamb&eacute;m, pelas tarefas dom&eacute;sticas. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Na mesma confer&ecirc;ncia, dados apresentados por cientistas    colombianas mostraram que a realidade dos pa&iacute;ses latino-americanos se    assemelha &agrave; brasileira. Alicia Reichel, da Academia de Ci&ecirc;ncia    e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Col&ocirc;mbia, mostrou que o machismo    e a estrutura familiar s&atilde;o fatores determinantes que dificultam o acesso    das mulheres colombianas &agrave;s carreiras cient&iacute;ficas.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3>H&aacute; mais de 10 anos dessa primeira confer&ecirc;ncia, ainda    persistem estere&oacute;tipos sexuais na educa&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o    social que induzem jovens brasileiras, ao conclu&iacute;rem o ensino m&eacute;dio,    a escolher carreiras tradicionalmente femininas, diz Fanny. Outras publica&ccedil;&otilde;es    refor&ccedil;am o seu argumento. &Eacute; o caso de <i>O martelo das feiticeiras:'Malleus    Maleficarum'</i>, escrito pelos inquisidores Heinrich Kramer e Fames Sprenger,    em 1484, que foi o manual usado na Inquisi&ccedil;&atilde;o. Na introdu&ccedil;&atilde;o    da edi&ccedil;&atilde;o moderna do livro, Rose Marie Muraro escreve que os grupos    primitivos, hoje representados por poucos povos ainda existentes, sobreviviam    da coleta dos frutos, pequena ca&ccedil;a e pesca. Sem divis&atilde;o de trabalho    entre os sexos, a mulher era considerada sagrada por dar a vida. Quando os homens    come&ccedil;aram a ca&ccedil;ar grandes animais, a for&ccedil;a f&iacute;sica    tornou-se importante e a supremacia masculina se estabeleceu.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Ao dominar a sua fun&ccedil;&atilde;o reprodutora, o homem passou    a controlar a sexualidade feminina e a mulher passa a ser sua propriedade, tendo    como &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o reconhecida, a reprodu&ccedil;&atilde;o.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Do fim do s&eacute;culo XIV at&eacute; meados do s&eacute;culo    XVIII, tidos como s&eacute;culos de "ca&ccedil;a &agrave;s bruxas"    as mulheres foram duramente reprimidas e morreram aos milhares. Era perigoso    ser mulher: qualquer uma poderia ser julgada como bruxa e submetida &agrave;s    regras cru&eacute;is do <i>Malleus Maleficarum</i>. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Amea&ccedil;as e discrimina&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o    acabaram. Fanny escreveu <i>O laborat&oacute;rio de Pandora</i> para denunciar    a condi&ccedil;&atilde;o das mulheres brasileiras na ci&ecirc;ncia. Pode-se    at&eacute; dizer que, por suas m&atilde;os e de outras mulheres revolucion&aacute;rias    -"bruxas do terceiro mil&ecirc;nio" - as bruxas da Idade M&eacute;dia    come&ccedil;am a ser vingadas.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><FONT SIZE=3><i><b>Juliana Schober</b></i></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a29fig02.gif"></P>      ]]></body>
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