<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252005000200003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O poder da síntese do humor: traços sutis, conteúdos marcantes]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castelfranchi]]></surname>
<given-names><![CDATA[Yurij]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<volume>57</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>6</fpage>
<lpage>7</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252005000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252005000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252005000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/nt_bra.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <table width="63%" border="0" cellspacing="0" cellpadding="5">   <tr>      <td rowspan="3"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a03img01.gif"></td>     <td><font size="3">SAL&Atilde;O INTERNACIONAL</font></td>   </tr>   <tr>      <td><img src="/img/revistas/cic/v57n2/linhapt.gif"></td>   </tr>   <tr>      <td valign="top"><font size="4"><b>O poder da s&iacute;ntese do humor: tra&ccedil;os        sutis, conte&uacute;dos marcantes </b></font></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A cada ano, dos &uacute;ltimos 31, o Sal&atilde;o Internacional    de Humor de Piracicaba, no interior paulista, celebra a habilidade do desenhista    em dizer muito em poucos tra&ccedil;os de uma caricatura, charge ou cartum.    Em precisas pinceladas, monocrom&aacute;ticas ou coloridas, um mundo de significados    e sentidos emerge no branco da p&aacute;gina. Nos 45 dias em que dura o sal&atilde;o,    a colet&acirc;nea de obras nacionais e estrangeiras expostas constitui uma oportunidade    de buscar entender a capacidade de s&iacute;ntese e de empatia que o desenho    de humor consegue com seu p&uacute;blico.</font></p>     <p><font size="3"> A iniciativa, que reuniu na edi&ccedil;&atilde;o passada 286    obras (cartuns, charges, caricaturas e tiras escolhidos entre 1, 5 mil trabalhos    vindos de 32 pa&iacute;ses), ganhou visibilidade internacional h&aacute; 25    anos e hoje, no universo das artes gr&aacute;ficas e das hist&oacute;rias em    quadrinhos, goza fama mundial. Merecida. Nas obras dos 163 artistas selecionados    &eacute; poss&iacute;vel enxergar toda a riqueza e a variedade do mundo do humor    gr&aacute;fico: habilidade art&iacute;stica e fantasia s&atilde;o aliadas para    construir sonhos e risadas, melancolia e cr&iacute;tica social. </font></p>     <p><font size="3">Em charges, cartuns, tiras e caricaturas, encontramos bichos    com defeitos e fraquezas demasiado humanas (como a "anta de t&ecirc;nis"    do Jaguar), ou pessoas que se parecem com bestas. N&oacute;s rimos de deuses    que parecem pessoas, e nos indignamos com pessoas que se acham deuses. Cenas    <i>non-sense</i>, como uma lesma apaixonando-se por uma "@", estimulam    uma ironia sutil. T&eacute;cnicas de registro quase irreal, como utilizar um    clipe met&aacute;lico para tra&ccedil;ar a <i>silouette</i> de uma noiva casando,    juntam-se a charges c&ocirc;micas de marco on&iacute;rico, como retratar um    supermercado em forma de labirinto, desenhar um <i>mouse</i> de computador ao    lado de garfo e faca numa mesa de jantar, ou substituindo o crucifixo no peito    de um padre, levam a refletir sobre aspectos problem&aacute;ticos da sociedade    contempor&acirc;nea. Tra&ccedil;os duros nos levam – em micro-cenas de extraordin&aacute;ria,    amarga, for&ccedil;a gr&aacute;fica – a um sentimento de indigna&ccedil;&atilde;o    e revolta: cartuchos que, ao sair de um fuzil disparando, se tornam moedas para    os senhores da guerra; uma crian&ccedil;a &aacute;rabe sendo reprovada por um    adulto porque, se n&atilde;o estudar, jamais ser&aacute; uma bomba inteligente;    a Est&aacute;tua da Liberdade, s&iacute;mbolo de Nova Iorque, armada com metralhadora,    ou a pomba da paz amea&ccedil;ada por Ariel Sharon e for&ccedil;ada a carregar    tijolos para construir o muro que separa os palestinos do resto da comunidade    em Israel. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a03img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Como os artistas conseguem evocar sentimentos e pensamentos    complexos com signos m&iacute;nimos, acompanhados de pouco ou nenhum texto,    &eacute; tema de debate para semi&oacute;logos, ling&uuml;istas, te&oacute;ricos    da m&iacute;dia e psicanalistas. Hist&oacute;rias em quadrinhos, cartuns e caricaturas    s&atilde;o baseados em linguagens e discursos de natureza el&iacute;ptica: pouco    dizem explicitamente, muito deixam &agrave; fantasia do observador e &agrave;    sua capacidade de re-construir e inferir a parte de texto que falta, seu contexto,    suas conota&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas e at&eacute; sua temporalidade.    As imagens de HQ e de cartuns s&atilde;o, dizem alguns, "espa&ccedil;os    que adquirem uma dimens&atilde;o de temporalidade". </font></p>     <p><font size="3">O ingl&ecirc;s Scott McCloud analisou os processos psicanal&iacute;ticos    que jogam papel importante na "leitura" ativa que o espectador efetua,    por exemplo, ao assistir a uma obra cinematogr&aacute;fica. Referindo-se a cinema,    o estudioso fala de uma capacidade de "fechamento" que pode ser aplicada    tamb&eacute;m ao caso de cartuns, charges e quadrinhos: cabe ao espectador a    tarefa de costurar, completar e dar significado &agrave;s imagens estilizadas    que aparecem no desenho, de maneira parecida ao que acontece com um leitor que    se depara, no interior de um texto liter&aacute;rio, com a figura ret&oacute;rica    da sin&eacute;doque, quando uma parte &eacute; explicitada com a fun&ccedil;&atilde;o    de evocar o todo. </font></p>     <p><font size="3">O acervo do Sal&atilde;o Internacional de Humor de Piracicaba    &eacute; acess&iacute;vel na internet, no endere&ccedil;o –    <i><a href="http://www.salaodehumordepiracicaba.com.br" target="_blank">http://www.salaodehumordepiracicaba.com.br</a></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="RIGHT"><FONT SIZE="3"><b><i>Yurij Castelfranchi</i></b></FONT></p>      ]]></body>
</article>
