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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/linguabr.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="5"><b>A L&Iacute;NGUA PORTUGUESA NO BRASIL</b></font></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>Eduardo Guimar&atilde;es </b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><font size=5><b>A</b></font> l&iacute;ngua portuguesa formou-se    como l&iacute;ngua espec&iacute;fica, na Europa, pela diferencia&ccedil;&atilde;o    que o latim sofreu na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica durante o processo de    contatos entre povos e l&iacute;nguas que se deram a partir da chegada dos romanos    no s&eacute;culo II a.C., por ocasi&atilde;o da segunda Guerra P&uacute;nica,    no ano de 218 a.C(1). Na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica o latim entrou em contato    com l&iacute;nguas j&aacute; ali existentes. Depois houve o contato do latim    j&aacute; transformado com as l&iacute;nguas germ&acirc;nicas, no per&iacute;odo    de presen&ccedil;a desses povos na pen&iacute;nsula (de 409 a 711 d.C). Em seguida,    com a invas&atilde;o mul&ccedil;umana (&aacute;rabes e berberes), esse latim    modificado e j&aacute; em processo de divis&atilde;o entra em contato com o    &aacute;rabe. Na primeira fase do processo de reconquista da Pen&iacute;nsula    Ib&eacute;rica pelos crist&atilde;os, que tinham resistido no norte, os romances    (latim modificado por anos de contato com outros povos e l&iacute;nguas) tomaram    uma fei&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica no oeste da pen&iacute;nsula, formando    o galego-portugu&ecirc;s e em seguida o portugu&ecirc;s. Formou-se paralelamente    o Condado Portugalense e, a partir dele, um novo pa&iacute;s, Portugal. Toma-se    como data de independ&ecirc;ncia do condado do reino de Castela e Le&atilde;o    a batalha de S&atilde;o Mamede em 1128.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Essa nova l&iacute;ngua, depois de um longo per&iacute;odo de    mudan&ccedil;as correspondente a todo o final da chamada Idade M&eacute;dia,    &eacute; transportada para o Brasil, assim como para outros continentes, no    momento das grandes navega&ccedil;&otilde;es do final do s&eacute;culo XV e    do s&eacute;culo XVI.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>PORTUGU&Ecirc;S: L&Iacute;NGUA OFICIAL E NACIONAL DO BRASIL</b>    Com o in&iacute;cio efetivo da coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa em 1532,    a l&iacute;ngua portuguesa come&ccedil;a a ser transportada para o Brasil. Aqui    ela entra em rela&ccedil;&atilde;o, num novo espa&ccedil;o-tempo, com povos    que falavam outras l&iacute;nguas, as l&iacute;nguas ind&iacute;genas, e acaba    por tornar-se, nessa nova geografia, a l&iacute;ngua oficial e nacional do Brasil.    Podemos estabelecer para esta hist&oacute;ria quatro per&iacute;odos distintos,    se consideramos como elemento definidor o modo de rela&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua    portuguesa com as demais l&iacute;nguas praticadas no Brasil (2) deste 1532    (3). </font></P>     <P><FONT SIZE="3">O primeiro momento come&ccedil;a com o in&iacute;cio da coloniza&ccedil;&atilde;o    e vai at&eacute; a sa&iacute;da dos holandeses do Brasil, em 1654. Nesse per&iacute;odo    o portugu&ecirc;s convive, no territ&oacute;rio que &eacute; hoje o Brasil,    com as l&iacute;nguas ind&iacute;genas, com as <i>l&iacute;nguas gerais</i>    e com o holand&ecirc;s, esta &uacute;ltima a l&iacute;ngua de um pa&iacute;s    europeu e tamb&eacute;m colonizador. As l&iacute;nguas gerais eram l&iacute;nguas    tupi faladas pela maioria da popula&ccedil;&atilde;o. Eram as l&iacute;nguas    do contato entre &iacute;ndios de diferentes tribos, entre &iacute;ndios e portugueses    e seus descendentes, assim como entre portugueses e seus descendentes. A l&iacute;ngua    geral era assim uma <i>l&iacute;ngua franca</i>. O portugu&ecirc;s, como <i>l&iacute;ngua    oficial</i> do Estado portugu&ecirc;s, era a l&iacute;ngua empregada em documentos    oficiais e praticada por aqueles que estavam ligados &agrave; administra&ccedil;&atilde;o    da col&ocirc;nia. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O segundo per&iacute;odo come&ccedil;a com a sa&iacute;da dos    holandeses do Brasil e vai at&eacute; a chegada da fam&iacute;lia real portuguesa    no Rio de Janeiro, em 1808. A sa&iacute;da dos holandeses muda o quadro de rela&ccedil;&otilde;es    entre l&iacute;nguas no Brasil na medida em que o portugu&ecirc;s n&atilde;o    tem mais a concorr&ecirc;ncia de uma outra l&iacute;ngua de Estado (o holand&ecirc;s).    A rela&ccedil;&atilde;o passa a ser, fundamentalmente, entre o portugu&ecirc;s,    as l&iacute;nguas ind&iacute;genas, especialmente as l&iacute;nguas gerais,    e as l&iacute;nguas africanas dos escravos. Esse per&iacute;odo caracteriza-se    por ser aquele em que Portugal, dando andamento mais espec&iacute;fico ao processo    de coloniza&ccedil;&atilde;o, toma tamb&eacute;m medidas diretas e indiretas    que levam ao decl&iacute;nio das l&iacute;nguas gerais. A popula&ccedil;&atilde;o    do Brasil, que era predominantemente de &iacute;ndios, passa a receber um n&uacute;mero    crescente de portugueses assim como de negros que vinham para o Brasil como    escravos. Para se ter uma id&eacute;ia, no s&eacute;culo XVI foram trazidos    para o Brasil 100 mil negros. Este n&uacute;mero salta para 600 mil no s&eacute;culo    XVII e 1,3 milh&atilde;o no s&eacute;culo XVIII. O espa&ccedil;o de l&iacute;nguas    do Brasil passa a incluir tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o das l&iacute;nguas    africanas dos escravos e o portugu&ecirc;s. Com o maior n&uacute;mero de portugueses    cresce tamb&eacute;m o n&uacute;mero de falantes espec&iacute;ficos do portugu&ecirc;s.    E isto tem uma outra caracter&iacute;stica: os portugueses que v&ecirc;m para    o Brasil n&atilde;o v&ecirc;m da mesma regi&atilde;o de Portugal. Desse modo,    passam a conviver no Brasil, num mesmo espa&ccedil;o e tempo, divis&otilde;es    do portugu&ecirc;s que, em Portugal, conviviam como dialetos de regi&otilde;es    diferentes.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Nesse per&iacute;odo, ainda, h&aacute; dois fatos de extrema    import&acirc;ncia. O primeiro deles &eacute; a a&ccedil;&atilde;o direta do    imp&eacute;rio portugu&ecirc;s que age para impedir o uso da l&iacute;ngua geral    nas escolas. Esta a&ccedil;&atilde;o &eacute; uma atitude direta de pol&iacute;tica    de l&iacute;nguas de Portugal para tornar o portugu&ecirc;s a l&iacute;ngua    mais falada do Brasil. Uma dessas a&ccedil;&otilde;es mais conhecidas &eacute;    o estabelecimento do Diret&oacute;rio dos &Iacute;ndios (1757), por iniciativa    do Marqu&ecirc;s de Pombal, ministro de Dom Jos&eacute; I, que proibia o uso    da l&iacute;ngua geral na col&ocirc;nia. Assim, os &iacute;ndios n&atilde;o    poderiam mais usar nenhuma outra l&iacute;ngua que n&atilde;o a portuguesa.    Essa a&ccedil;&atilde;o, junto com o aumento da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa    no Brasil, ter&aacute; um efeito espec&iacute;fico que ajuda a levar ao decl&iacute;nio    definitivo da l&iacute;ngua geral no pa&iacute;s (4). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O portugu&ecirc;s que j&aacute; era a l&iacute;ngua oficial    do Estado passa a ser a l&iacute;ngua mais falada no Brasil.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"> O terceiro momento do portugu&ecirc;s no Brasil come&ccedil;a    com a vinda da fam&iacute;lia real em 1808, como conseq&uuml;&ecirc;ncia da    guerra com a Fran&ccedil;a, e termina com a independ&ecirc;ncia. Poder&iacute;amos    utilizar, como data final desse per&iacute;odo, 1826, pois &eacute; nesse ano    que se formula a quest&atilde;o da l&iacute;ngua nacional do Brasil no parlamento    brasileiro.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A vinda da fam&iacute;lia real ter&aacute; dois efeitos importantes.    O primeiro deles &eacute; um aumento, em curto espa&ccedil;o de tempo, da popula&ccedil;&atilde;o    portuguesa no Brasil. Chegaram ao Rio de Janeiro em torno de 15 mil portugueses.    O segundo &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro em capital    do Imp&eacute;rio que traz novos aspectos para as rela&ccedil;&otilde;es sociais    em territ&oacute;rio brasileiro, e isto inclui tamb&eacute;m a quest&atilde;o    da l&iacute;ngua. Logo de in&iacute;cio Dom Jo&atilde;o VI criou a imprensa    no Brasil e fundou a Biblioteca Nacional, mudando o quadro da vida cultural    brasileira, e dando &agrave; l&iacute;ngua portuguesa aqui um instrumento direto    de circula&ccedil;&atilde;o, a imprensa. Esses fatos produzem um certo efeito    de unidade do portugu&ecirc;s para o Brasil, enquanto l&iacute;ngua do rei e    da corte.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O quarto per&iacute;odo come&ccedil;a em 1826. Nesse ano o deputado    Jos&eacute; Clemente prop&ocirc;s que os diplomas dos m&eacute;dicos no Brasil    fossem redigidos em "linguagem brasileira". Em 1827 houve um grande    n&uacute;mero de discuss&otilde;es sobre o fato de que os professores deveriam    ensinar a ler e a escrever utilizando a gram&aacute;tica da l&iacute;ngua nacional.    Ou seja, a quest&atilde;o da l&iacute;ngua portuguesa no Brasil, que j&aacute;    era l&iacute;ngua oficial do Estado, se p&otilde;e agora como uma forma de transform&aacute;-la    de l&iacute;ngua do colonizador em l&iacute;ngua da na&ccedil;&atilde;o brasileira.    Temos a&iacute; constitu&iacute;da a sobreposi&ccedil;&atilde;o da <i>l&iacute;ngua    oficial</i> e da <i>l&iacute;ngua nacional</i>.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Essas quest&otilde;es tomam espa&ccedil;os importantes tanto    na literatura quanto na constitui&ccedil;&atilde;o de um conhecimento brasileiro    sobre o portugu&ecirc;s no Brasil. &Eacute; dessa &eacute;poca a literatura    de Jos&eacute; de Alencar (5) que tem debates importantes com escritores portugueses    que n&atilde;o aceitavam o modo como ele escrevia. &Eacute; tamb&eacute;m dessa    &eacute;poca o processo pelo qual os brasileiros tiveram legitimadas suas gram&aacute;ticas    para o ensino de portugu&ecirc;s e seus dicion&aacute;rios (6). Dessa maneira    cria-se historicamente no Brasil o sentido de apropria&ccedil;&atilde;o do portugu&ecirc;s    enquanto uma l&iacute;ngua que tem as marcas de sua rela&ccedil;&atilde;o com    as condi&ccedil;&otilde;es brasileiras. Pela hist&oacute;ria de suas rela&ccedil;&otilde;es    com outro espa&ccedil;o de l&iacute;nguas, o portugu&ecirc;s, ao funcionar em    novas condi&ccedil;&otilde;es e nelas se relacionar com l&iacute;nguas ind&iacute;genas,    l&iacute;ngua geral, l&iacute;nguas africanas, se modificou de modo espec&iacute;fico    e os gram&aacute;ticos e lexic&oacute;grafos brasileiros do final do s&eacute;culo    XIX, junto com nossos escritores, trabalham o "sentimento" do portugu&ecirc;s    como l&iacute;ngua nacional do Brasil (7). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Esse quarto per&iacute;odo, no qual o portugu&ecirc;s j&aacute;    se definira como l&iacute;ngua oficial e nacional do Brasil, trar&aacute; uma    outra novidade, o in&iacute;cio das rela&ccedil;&otilde;es entre o portugu&ecirc;s    e as l&iacute;nguas de imigrantes. Come&ccedil;a em 1818/1820 o processo de    imigra&ccedil;&atilde;o para o Brasil, com a vinda de alem&atilde;es para Ilh&eacute;us    (1818) e Nova Friburgo (1820). Esse processo de imigra&ccedil;&atilde;o ter&aacute;    um momento muito particular na passagem do s&eacute;culo XIX para o XX (1880-1930).    A partir desse momento entraram no Brasil, por exemplo, falantes de alem&atilde;o,    italiano, japon&ecirc;s, coreano, holand&ecirc;s, ingl&ecirc;s. Deste modo o    espa&ccedil;o de enuncia&ccedil;&atilde;o do Brasil passa a ter, em torno da    l&iacute;ngua oficial e nacional, duas rela&ccedil;&otilde;es significativamente    distintas: de um lado as l&iacute;nguas ind&iacute;genas (e num certo sentido    as l&iacute;nguas africanas dos descendentes de escravos) e de outro as l&iacute;nguas    de imigra&ccedil;&atilde;o. </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a11img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Essa diferen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; simplesmente uma diferen&ccedil;a    emp&iacute;rica do tipo: as l&iacute;nguas ind&iacute;genas e seus falantes    j&aacute; existiam no Brasil quando da chegada dos portugueses e as l&iacute;nguas    de imigra&ccedil;&atilde;o vieram depois. A diferen&ccedil;a &eacute; de modo    de rela&ccedil;&atilde;o. As l&iacute;nguas ind&iacute;genas e africanas entram    na rela&ccedil;&atilde;o como l&iacute;nguas de povos considerados primitivos    a serem ou civilizados (no caso dos &iacute;ndios) ou escravizados (no caso    dos negros). Ou seja, n&atilde;o h&aacute; lugar para essas l&iacute;nguas e    seus falantes. No caso da imigra&ccedil;&atilde;o, as l&iacute;nguas e seus    falantes entram no Brasil por uma a&ccedil;&atilde;o de governo que procurava    coopera&ccedil;&atilde;o para desenvolver o pa&iacute;s. E as l&iacute;nguas    que v&ecirc;m com os imigrantes eram, de algum modo, l&iacute;nguas nacionais    ou oficiais nos pa&iacute;ses de origem dos imigrantes. Essas l&iacute;nguas    s&atilde;o l&iacute;nguas legitimadas no conjunto global das rela&ccedil;&otilde;es    de l&iacute;nguas, diferentemente das l&iacute;nguas ind&iacute;genas e africanas.    As l&iacute;nguas dos imigrantes eram l&iacute;nguas de povos considerados civilizados,    em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s l&iacute;nguas ind&iacute;genas e africanas.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Enquanto l&iacute;ngua oficial e l&iacute;ngua nacional do Brasil,    o portugu&ecirc;s &eacute; uma l&iacute;ngua de uso em todo o territ&oacute;rio    brasileiro, sendo tamb&eacute;m a l&iacute;ngua dos atos oficiais, da lei, a    l&iacute;ngua da escola e que convive, na extens&atilde;o do territ&oacute;rio    brasileiro, com um grande conjunto de outras l&iacute;nguas (de um lado as l&iacute;nguas    ind&iacute;genas e de outro as l&iacute;nguas de imigrantes). Por outro lado,    enquanto l&iacute;ngua nacional, o portugu&ecirc;s &eacute; significado como    a l&iacute;ngua materna de todos os brasileiros, mesmo que um bom n&uacute;mero    de brasileiros tenham como l&iacute;ngua materna outras l&iacute;nguas, ou ind&iacute;genas    ou de imigrantes.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>CARACTER&Iacute;STICAS DO PORTUGU&Ecirc;S DO BRASIL </b>A    vinda da l&iacute;ngua portuguesa para o Brasil n&atilde;o se deu, como vimos,    em um s&oacute; momento. Ela se deu durante todo o per&iacute;odo de coloniza&ccedil;&atilde;o    entrando em rela&ccedil;&atilde;o constante com outras l&iacute;nguas. Por outro    lado, o povoamento do Brasil se fez com a vinda de portugueses de todas regi&otilde;es    de Portugal. Desse modo, sua vinda para o Brasil traz para esse novo espa&ccedil;o    as diversas variedades do portugu&ecirc;s de Portugal. Estas variedades se instalar&atilde;o    em lugares diferentes do Brasil mas, em muitos casos, elas convivem num mesmo    espa&ccedil;o, como no Rio de Janeiro, por exemplo.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">O portugu&ecirc;s do Brasil vai, com o tempo, apresentar um    conjunto de caracter&iacute;sticas n&atilde;o encontr&aacute;veis, em geral,    no portugu&ecirc;s de Portugal, da mesma maneira que o portugu&ecirc;s, em diversas    outras regi&otilde;es do mundo, ter&aacute; caracter&iacute;sticas tamb&eacute;m    espec&iacute;ficas, em virtude das condi&ccedil;&otilde;es novas em que a l&iacute;ngua    passou a funcionar. H&aacute; que se considerar que, se levamos em conta a l&iacute;ngua    escrita, vamos encontrar uma maior proximidade entre o portugu&ecirc;s do Brasil,    assim como o de outras regi&otilde;es do mundo, com o portugu&ecirc;s de Portugal,    j&aacute; que a l&iacute;ngua escrita est&aacute; mais sujeita &agrave; normatiza&ccedil;&atilde;o    da l&iacute;ngua efetivada atrav&eacute;s das gram&aacute;ticas normativas,    dicion&aacute;rios e outros instrumentos reguladores da l&iacute;ngua. Na l&iacute;ngua    oral o processo de incorpora&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas    se faz de modo mais r&aacute;pido.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Meu objetivo n&atilde;o &eacute;, neste texto, discutir essas    diferen&ccedil;as internas, mas mostrar como o portugu&ecirc;s do Brasil apresenta    um conjunto importante de caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas. A seguir,    vou apresentar um conjunto destas caracter&iacute;sticas encontr&aacute;veis    no portugu&ecirc;s do Brasil. Vou me limitar a apresentar aqui o que chamarei    de diferen&ccedil;as gramaticais e lexicais (de vocabul&aacute;rio). Evidentemente    que a caracteriza&ccedil;&atilde;o do portugu&ecirc;s do Brasil envolve a considera&ccedil;&atilde;o    efetiva das diversas divis&otilde;es a que a l&iacute;ngua portuguesa est&aacute;    sujeita no Brasil, tanto regionais quanto sociais e hist&oacute;ricas (tal como    mostram o artigo "Variedades do portugu&ecirc;s no mundo e no Brasil"    de Em&iacute;lio Pagotto, para a quest&atilde;o das diferen&ccedil;as na l&iacute;ngua,    e o artigo "L&iacute;ngua brasileira" de Eni Orlandi, sobre os aspectos    discursivos envolvidos nessa quest&atilde;o).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Nas caracter&iacute;sticas gramaticais podemos distinguir dois    conjuntos de caracter&iacute;sticas: o das caracter&iacute;sticas fon&eacute;tico-fonol&oacute;gicas,    o das caracter&iacute;sticas morfol&oacute;gicas e sint&aacute;ticas.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>CARACTER&Iacute;STICAS FON&Eacute;TICO-FONOL&Oacute;GICAS</b>    Neste n&iacute;vel, a grande especificidade do portugu&ecirc;s do Brasil, se    comparado ao de Portugal, considerando o que Pagotto nos mostra no seu texto,    &eacute; seu sistema de vogais. Para observar esse aspecto &eacute; necess&aacute;rio    distinguir, tal como nos mostrou C&acirc;mara (1953, 1970) a vogal na posi&ccedil;&atilde;o    t&ocirc;nica (da s&iacute;laba com acento de intensidade), a vogal na posi&ccedil;&atilde;o    &aacute;tona final (como o /a/ de fuga), e a vogal na posi&ccedil;&atilde;o    pret&ocirc;nica (como o /a/ de at&eacute;).</font></P>     <P><FONT SIZE="3">a) Na posi&ccedil;&atilde;o t&ocirc;nica, o portugu&ecirc;s    do Brasil apresenta 7 vogais: /a/ (entrada); /&eacute;/ (deve), /&ecirc;/ (medo),    /i/ (viga); /&oacute;/ (av&oacute;), /&ocirc;/ (av&ocirc;), /u/ (urubu). Note-se    que a vogal /a/ &eacute; pronunciada, com timbre aberto, com a l&iacute;ngua    em repouso embaixo, na boca; que as vogais /&eacute;/, /&ecirc;/, /i/ s&atilde;o    anteriores, elas s&atilde;o pronunciadas com um movimento da l&iacute;ngua para    frente; e as vogais /&oacute;/, /&ocirc;/, /u/ s&atilde;o posteriores, pronunciadas    com um movimento da l&iacute;ngua para tr&aacute;s. Em Portugal (8), al&eacute;m    dessas vogais, h&aacute; tamb&eacute;m um /&auml;/, que n&atilde;o &eacute;    aberto como o /a/. Este /&auml;/ &eacute; pronunciado com uma certa eleva&ccedil;&atilde;o    da l&iacute;ngua, diferentemente do /a/ aberto pronunciado com l&iacute;ngua    em repouso, embaixo na boca. Assim &eacute; que, na l&iacute;ngua falada, se    distingue /fal&auml;mos/, presente do indicativo, de /falamos/ passado perfeito    (9).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">b) Na posi&ccedil;&atilde;o &aacute;tona final, no portugu&ecirc;s    do Brasil, de modo geral, h&aacute; tr&ecirc;s vogais /a/ (casa), /i/ (barbante,    pronunciado &#91;barb&atilde;ti&#93;), /u/ (menino, pronunciado &#91;meninu&#93; e mesmo &#91;mininu&#93;).    Em Portugal s&atilde;o tamb&eacute;m tr&ecirc;s vogais, /&auml;/, /&euml;/ e    /u/. Assim diferentemente do Brasil, /&auml;/ &eacute; pronunciado com a l&iacute;ngua    mais alta, com timbre mais fechado, /&euml;/ &eacute; pronunciado fechado, mas    numa posi&ccedil;&atilde;o mais posterior do que o /&ecirc;/ do Brasil. O /u/    tem as mesmas caracter&iacute;sticas fon&eacute;ticas do /u/ brasileiro.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">c) Na posi&ccedil;&atilde;o pret&ocirc;nica, h&aacute; no portugu&ecirc;s    do Brasil, em geral, 5 vogais, /a/, /&ecirc;/, /i/, /&ocirc;/, /u/, enquanto    que em Portugal mant&ecirc;m-se as 8 vogais da posi&ccedil;&atilde;o t&ocirc;nica,    com a diferen&ccedil;a de que o /&ecirc;/ passa a /&euml;/, numa pron&uacute;ncia    mais central: /a/, /&auml;/; /&eacute;/, /&euml;/, /i/; /&oacute;/, /&ocirc;/,    e /u/.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3"><b>CARACTER&Iacute;STICAS MORFOL&Oacute;GICAS E SINT&Aacute;TICAS</b>    No n&iacute;vel sint&aacute;tico, uma primeira caracter&iacute;stica geral do    portugu&ecirc;s do Brasil &eacute; que ele, no que toca ao funcionamento dos    pronomes &aacute;tonos (me, te, se, lhe, o, a, etc) tem uma coloca&ccedil;&atilde;o    mais procl&iacute;tica, n&atilde;o sendo encontr&aacute;vel em Portugal, por    exemplo, <i>Jo&atilde;o se levantou</i>, t&atilde;o comum no Brasil. Isto faz    com que toda a coloca&ccedil;&atilde;o de pronomes &aacute;tonos no Brasil seja    bastante diferente da de Portugal. Este tipo de diferen&ccedil;a tem muito a    ver com o fato de que as diferen&ccedil;as fon&eacute;tico-fonol&oacute;gicas,    apontadas antes, levam a um outro ritmo da frase, assim como uma diferen&ccedil;a    de tonicidade nesses pronomes. Isto resulta em um outro modo de coloc&aacute;-los    na frase, tal como j&aacute; nos mostrou Ali (1908).</font></P>     <P><FONT SIZE="3">No Brasil &eacute; tamb&eacute;m comum constru&ccedil;&otilde;es    como <i>est&aacute; escrevendo</i>, com estar + ger&uacute;ndio, n&atilde;o    comum em Portugal, onde se encontram express&otilde;es como <i>est&aacute; a    escrever</i>, com <i>estar a + infinitivo</i>. &Eacute; tamb&eacute;m comum    no Brasil express&otilde;es com a preposi&ccedil;&atilde;o <i>em</i>, que em    Portugal s&atilde;o com a preposi&ccedil;&atilde;o <i>a</i>. Tem-se, comumente    no Brasil, <i>est&aacute; na janela, chegou no Brasil</i>, quando em Portugal    se tem <i>est&aacute; &agrave; janela, chegou ao Brasil</i>.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Segundo Galves (2002), a principal caracter&iacute;stica sint&aacute;tica    do portugu&ecirc;s do Brasil, &eacute; que ele &eacute; uma l&iacute;ngua de    t&oacute;pico, diferentemente do portugu&ecirc;s de Portugal e das demais l&iacute;nguas    latinas (10). Esta posi&ccedil;&atilde;o se desenvolve a partir de uma formula&ccedil;&atilde;o    de Pontes (1987) que mostrou como muitas constru&ccedil;&otilde;es do portugu&ecirc;s    no Brasil precisam ser entendidas como constru&ccedil;&otilde;es com t&oacute;pico.    Para apresentar a formula&ccedil;&atilde;o de Galves usaremos as abrevia&ccedil;&otilde;es    SN e V que significam sintagma nominal e verbo. Um sintagma &eacute; um elemento    ling&uuml;&iacute;stico de n&iacute;vel inferior ao da frase e que possui na    sua forma elementos ling&uuml;&iacute;sticos de n&iacute;vel sint&aacute;tico    ainda mais baixo, em geral ele combina pelo menos dois elementos. No caso do    SN (sintagma nominal), o sintagma &eacute; constitu&iacute;do pelo menos por    um nome e tem geralmente pelo menos um determinante para este nome, como em    <i>o menino</i>, onde <i>menino</i> &eacute; o nome e <i>o</i> &eacute; o determinante    e <i>o menino</i> &eacute; o SN. A no&ccedil;&atilde;o de verbo, para o que    aqui nos interessa, &eacute; a que usualmente conhecemos.Dito isto, para Galves,    a frase do portugu&ecirc;s do Brasil tem como estrutura SN &#91;SN V (SN), diferentemente    do portugu&ecirc;s de Portugal e as l&iacute;nguas latinas em geral, que t&ecirc;m    como estrutura da frase SN &#91;V (SN). O colchete separa o que se apresenta como    o que se diz do primeiro SN.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Para entender essa diferen&ccedil;a, consideremos duas frases:    <i>Jo&atilde;o fez o trabalho e Jo&atilde;o, ele fez o trabalho</i>. Na primeira,    com a palavra <i>Jo&atilde;o</i> refere-se a algu&eacute;m (Jo&atilde;o) e predica-se    dele algo, <i>fez o trabalho</i>. Neste caso, <i>Jo&atilde;o</i> que faz a refer&ecirc;ncia    a uma pessoa &eacute; tamb&eacute;m o sujeito da frase. Na segunda frase, <i>Jo&atilde;o</i>    refere algu&eacute;m, depois tem-se como sujeito o pronome <i>ele</i>, que retoma    <i>Jo&atilde;o</i> (anaforiza <i>Jo&atilde;o</i>) do qual se predica <i>fez    o trabalho</i>. Deste modo a seq&uuml;&ecirc;ncia sujeito+predicado (ele fez    o trabalho) aparece no conjunto como dizendo algo de Jo&atilde;o, referido pela    palavra <i>Jo&atilde;o</i>. Nesta segunda frase, <i>Jo&atilde;o</i> &eacute;    o t&oacute;pico, aquilo sobre o que se vai dizer algo. Diferentemente, na primeira    frase, aquilo sobre o que se vai dizer algo &eacute; diretamente o sujeito da    frase. A tese de Galves &eacute; que a estrutura sint&aacute;tica do portugu&ecirc;s    &eacute; do tipo da segunda frase que aqui usamos como exemplo: <i>Jo&atilde;o,    ele fez o trabalho.</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Segundo a autora &eacute; esta caracter&iacute;stica que explica    um conjunto importante de aspectos pr&oacute;prios do portugu&ecirc;s brasileiro,    tal como os que seguem.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">a)uso do pronome <i>ele</i> como objeto</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Em Portugal esta &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o inexistente.    &Eacute; comum no Brasil frases como <i>Encontrei ele ontem; esse rapaz, eu    conheci ele no trem; esse rapaz a&iacute; que eu encontrei ele no trem.</i>    Nestas frases <i>ele</i> &eacute; complemento da frase, diferentemente de Portugal    onde esta constru&ccedil;&atilde;o, normalmente, n&atilde;o aparece.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">b)<i>ele</i> como sujeito</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O funcionamento do ele como sujeito &eacute; diferente em Portugal    e no Brasil. No Brasil temos, por exemplo, <i>eu tinha uma empregada que ela    respondia ao telefone e dizia</i>..., enquanto em Portugal o que se encontra    &eacute; somente algo como <i>eu tinha uma empregada que respondia ao telefone    e dizia</i>... Para Galves esta diferen&ccedil;a diz respeito a que no portugu&ecirc;s    do Brasil o <i>ele</i> aparece preferencialmente ao sujeito nulo (que na escola    conhecemos como sujeito oculto), diferentemente do portugu&ecirc;s de Portugal,    onde aparece preferencialmente o sujeito nulo e em que o <i>ele</i> aparece    quando &eacute; necess&aacute;rio marcar a concord&acirc;ncia, j&aacute; que    a termina&ccedil;&atilde;o verbal &eacute; a mesma entre a primeira e a terceira    pessoa, ou para estabelecer um contraste.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">c)<i>ele</i> como objeto de preposi&ccedil;&atilde;o</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">No Brasil &eacute; comum frases como o <i>Andr&eacute;, que    eu gosto dele, &eacute; mais bonito</i>, enquanto em Portugal s&oacute; se encontram    frases como o <i>Andr&eacute; de quem eu gosto</i>. Este aspecto est&aacute;    diretamente relacionado com o funcionamento das relativas no portugu&ecirc;s    brasileiro. Tal funcionamento no Brasil se caracteriza por ter uma predomin&acirc;ncia    de relativas com este pronome que retoma um nome da principal (chamado pronome    lembrete, o <i>ele</i> (dele) do primeiro exemplo acima), e &eacute; predominante    quando a retomada est&aacute; em sintagma preposicional, conforme mostrou Tarallo    (1996). Este funcionamento predominante no Brasil &eacute; oposto ao predominante    em Portugal, onde o mais comum &eacute; o de constru&ccedil;&otilde;es como    <i>O Andr&eacute;, de quem eu gosto, &eacute; mais bonito</i>.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Este aspecto est&aacute; ligado ao crescimento no portugu&ecirc;s    do Brasil de um outro funcionamento da relativa que se chama de relativa cortadora,    como em <i>&Eacute; uma pessoa que essas besteiras que a gente fica se preocupando,    ela n&atilde;o fica esquentando a cabe&ccedil;a</i>. Em Portugal a constru&ccedil;&atilde;o    encontr&aacute;vel seria <i>&Eacute; uma pessoa que n&atilde;o fica esquentando    a cabe&ccedil;a com estas besteiras que nos preocupam</i>. No portugu&ecirc;s    do Brasil hoje h&aacute; a predomin&acirc;ncia das constru&ccedil;&otilde;es    relativas com pronome lembrete e relativas cortadoras. As an&aacute;lises de    Tarallo (idem) mostram que essa diferen&ccedil;a entre o funcionamento do portugu&ecirc;s    do Brasil e de Portugal j&aacute; est&aacute; instalada claramente em 1880 e    se aprofunda a partir de ent&atilde;o. Assim hoje &eacute; predominante o que    no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX (1825, por exemplo) era o menos comum.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Ao lado desses aspectos, Galves tamb&eacute;m considera uma    outra caracter&iacute;stica muito interessante do portugu&ecirc;s do Brasil:    O funcionamento do pronome <i>se</i>. Para a autora, no portugu&ecirc;s brasileiro    o <i>se</i> pode n&atilde;o aparecer em frases com tempo (o verbo nas formas    finitas), diferentemente do portugu&ecirc;s europeu. No Brasil h&aacute; frases    como <i>Nos nossos dias, n&atilde;o usa mais saia; Esta camisa lava facilmente;    Joana n&atilde;o matriculou ainda; Maria fez a lista dos convidados mas esqueceu    de incluir ela; &Eacute; imposs&iacute;vel se achar lugar aqui</i>, enquanto    em Portugal s&oacute; h&aacute; frases como <i>N&atilde;o se usa mais saia;    Esta camisa lava-se facilmente; Joana n&atilde;o se matriculou ainda; Maria    fez a lista dos convidados mas esqueceu de se incluir</i>. Interessante para    a ling&uuml;ista &eacute; que, em contrapartida, em frases com infinitivo, no    Brasil, aparece consistentemente a forma <i>se</i> para indeterminar, em oposi&ccedil;&atilde;o    a Portugal onde este <i>se</i> n&atilde;o aparece da mesma maneira. Tem-se no    Brasil <i>&Eacute; imposs&iacute;vel se achar lugar aqui</i>, enquanto em Portugal    haveria somente <i>&Eacute; imposs&iacute;vel achar lugar aqui</i>.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O que &eacute; interessante nessa an&aacute;lise de Galves &eacute;    que ela n&atilde;o s&oacute; registra a exist&ecirc;ncia de constru&ccedil;&otilde;es    diferentes, que poderiam ser atribu&iacute;das a uma mera diferen&ccedil;a de    uso de uma ou outra pessoa, em uma ou outra situa&ccedil;&atilde;o, como mostra    que essa diferen&ccedil;a nas frases diz respeito a uma especificidade na estrutura    mesma da sintaxe do portugu&ecirc;s do Brasil, ter a estrutura SN &#91;SN V (SN).    Ser, portanto, uma l&iacute;ngua de t&oacute;pico.Ligada a essa diferen&ccedil;a    na estrutura sint&aacute;tica da frase, Galves nos mostra como ela est&aacute;    ligada a um aspecto sem&acirc;ntico fundamental, o modo como o portugu&ecirc;s    do Brasil faz refer&ecirc;ncia &agrave;s coisas sobre &agrave;s quais se fala.    Observe que se tomamos a frase do portugu&ecirc;s do Brasil <i>Eu tinha uma    empregada que ela respondia ao telefone e dizia</i>... vemos que o <i>ela</i>    retoma diretamente <i>empregada</i>, desfazendo o car&aacute;ter anaf&oacute;rico    do que (relativo), diferentemente de, por exemplo, <i>Eu tinha uma empregada    que atendia o telefone e dizia</i>..., na qual o <i>que</i> mant&eacute;m seu    car&aacute;ter anaf&oacute;rico. Em cada caso o modo de referir &agrave; empregada    &eacute; um.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Ou seja, o fato de o portugu&ecirc;s ter uma estrutura de t&oacute;pico    para suas frases diz respeito ao modo como no Brasil se faz refer&ecirc;ncia    &agrave;s coisas, ou seja, diz respeito a como, num acontecimento enunciativo    espec&iacute;fico, refere-se a algo. Em outras palavras, esta caracter&iacute;stica    de estrutura da frase est&aacute; diretamente articulada a um modo de funcionamento    sem&acirc;ntico-enunciativo, outros diriam sem&acirc;ntico-pragm&aacute;tico,    do portugu&ecirc;s no Brasil. Enfim, Galves nos mostra que o portugu&ecirc;s    do Brasil tem uma estrutura e funcionamento diversos do portugu&ecirc;s de Portugal    e das outras l&iacute;nguas latinas. E esta n&atilde;o deixa de ser uma quest&atilde;o    a ser estudada no quadro do multiling&uuml;ismo brasileiro.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>CARACTER&Iacute;STICAS DO L&Eacute;XICO</b> Desde o in&iacute;cio    do s&eacute;culo XIX, com o Marqu&ecirc;s de Pedra Branca, se usa o estudo do    l&eacute;xico para mostrar diferen&ccedil;as entre o portugu&ecirc;s do Brasil    e o portugu&ecirc;s de Portugal (11). Essas diferen&ccedil;as dizem respeito    ao fato de que, no Brasil, muitas palavras tomaram outros sentidos ou foram    incorporadas ao portugu&ecirc;s a partir das l&iacute;nguas ind&iacute;genas    e africanas, com as quais o portugu&ecirc;s esteve e est&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o.    Podemos observar palavras que t&ecirc;m um sentido em Portugal e outro no Brasil,    a partir de exemplos retirados de Teyssier (1997)</font></P> <table width="50%" border="0" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0">   <tr>     <td width="50%"><FONT SIZE="3">PORTUGAL</font></td>     <td width="50%"><FONT SIZE="3">BRASIL</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">comboio</font></td>     <td><FONT SIZE="3">trem</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">autocarro</font></td>     <td><FONT SIZE="3">&ocirc;nibus</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">el&eacute;ctrico</font></td>     <td><FONT SIZE="3">bonde</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">hospedeira</font></td>     <td><FONT SIZE="3">aeromo&ccedil;a</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">caneta de tinta permanente</font></td>     <td><FONT SIZE="3">caneta-tinteiro</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">corta-papeles</font></td>     <td><FONT SIZE="3">p&aacute;tula</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">fato</font></td>     <td><FONT SIZE="3">terno</font></td>   </tr>   <tr>     <td><FONT SIZE="3">metro</font></td>     <td><FONT SIZE="3">metr&ocirc;</font></td>   </tr> </table>     <P><FONT SIZE="3">Por outro lado, h&aacute; no Brasil um conjunto importante de    palavras de origem ind&iacute;gena, comumente o tupi, assim como de origem africana,    os exemplos s&atilde;o tamb&eacute;m tirados de Teyssier (idem).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Exemplos de palavras de origem ind&iacute;gena: capim, cupim,    caatinga, curumim, guri, buriti, carna&uacute;ba, mandacaru, capivara, curi&oacute;,    sucuri, piranha, urubu, mingau, moqueca, abacaxi, caju, Tijuca, etc. S&atilde;o,    em geral, palavras relativas &agrave; designa&ccedil;&atilde;o da flora, da    fauna, de alimentos, assim como de lugares.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Exemplos de palavras de origem africana: ca&ccedil;ula, cafun&eacute;,    molambo, moleque; orix&aacute;, vatap&aacute;, abar&aacute;, acaraj&eacute;;    bang&uuml;&ecirc;; senzala, mocambo, maxixe, samba. S&atilde;o, em geral, palavras    que designam elementos do candombl&eacute;, da cozinha de influ&ecirc;ncia africana,    do universo das planta&ccedil;&otilde;es de cana, do universo de vida dos escravos,    e mesmo outros de aspecto mais geral. Grandes listas de palavras dessas l&iacute;nguas    que se incorporaram ao portugu&ecirc;s podem ser encontradas em diversos livros    de ling&uuml;&iacute;stica hist&oacute;rica do portugu&ecirc;s como Silva Neto    (1950), Bueno (1946, 1950) e Coutinho (1936).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> V&aacute;rias outras    caracter&iacute;sticas podem ser atribu&iacute;das ao portugu&ecirc;s do Brasil,    mas a melhor forma de tratar disso &eacute; observar o modo como o portugu&ecirc;s    se divide em falares regionais espec&iacute;ficos ou registros distintos de    acordo com situa&ccedil;&otilde;es particulares do funcionamento da l&iacute;ngua,    como o formal ou o coloquial, o &iacute;ntimo e o p&uacute;blico, etc.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Por outro lado, fica claro que o estudo do portugu&ecirc;s do    Brasil indica para a necessidade de se aprofundarem pesquisas hist&oacute;ricas    que d&ecirc;em mais relevo &agrave; quest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    do portugu&ecirc;s num espa&ccedil;o multil&iacute;ng&uuml;e muito particular.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>NOTAS</b></FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">1. Gerras P&uacute;nicas foram as tr&ecirc;s guerras entre    Roma e Cartago (os fen&iacute;cios) que se deram entre 246 e 146 a.C.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">2. Esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica e constitui espa&ccedil;os de enuncia&ccedil;&atilde;o (Guimar&atilde;es    2002). Estes espa&ccedil;os se caracterizam por distribu&iacute;rem as l&iacute;nguas    para seus falantes. Nesta medida o falante &eacute; uma categoria social e pol&iacute;tica    determinada por estes espa&ccedil;os de enuncia&ccedil;&atilde;o.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">3. A hist&oacute;ria do portugu&ecirc;s no Brasil tem sido    objeto de bom n&uacute;mero de trabalhos. Um texto de refer&ecirc;ncia sobre    esse aspecto tem sido <i>Introdu&ccedil;&atilde;o ao estudo da l&iacute;ngua    portuguesa no Brasil</i> (Silva Neto, 1950).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">4. Sobre esta quest&atilde;o ver Mariani (2001) e Mariani    (2004).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">5. Jos&eacute; de Alencar (1829-1877) teve um debate particular    com Pinheiro Chagas sobre aspectos de l&iacute;ngua a prop&oacute;sito do livro    Iracema (1865).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">6. Sobre a autoria brasileira de gram&aacute;tica ver Orlandi    (2000).</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">7. Uma discuss&atilde;o mais detalhada destses aspectos pode    ser encontrada em Orlandi e Guimar&atilde;es (1998), Guimar&atilde;es (2004),    Orlandi (2002) e Orlandi – (org. 2001).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">8. Ver a este respeito Teyssier (1967, p. 68-77).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">9. Interessante notar que esta distin&ccedil;&atilde;o se    d&aacute;, tamb&eacute;m, em algumas regi&otilde;es do Brasil.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">10. As l&iacute;nguas latinas (ou rom&acirc;nicas) s&atilde;o    as que t&ecirc;m como origem a l&iacute;ngua latina: portugu&ecirc;s, espanhol,    catal&atilde;o, franc&ecirc;s, italiano, r&eacute;tico, sardo, romeno.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">11. Este aspecto do texto do marqu&ecirc;s pode ser encontrado    em Pinto (1978). Sobre o l&eacute;xico brasileiro ver Nunes e Petter (orgs.    2002).</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>BIBLIOGRAFIA CITADA</b></FONT></P>     <!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Ali, M. S. (1908) <i>Dificuldades da l&iacute;ngua portuguesa</i>.    Rio de Janeiro, Acad&ecirc;mica. 1966</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">C&acirc;mara Jr., J.M. <i>Para o estudo da fon&ecirc;mica portuguesa</i>.    Rio de Janeiro, Sim&otilde;es. 1953.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">C&acirc;mara Jr., J.M. <i>Estrutura da l&iacute;ngua portuguesa</i>.    Rio de Janeiro, Vozes. 1970. </FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Galves, Ch. <i>Ensaios sobre as gram&aacute;ticas do portugu&ecirc;s</i>.    Campinas, Editora da Unicamp. 2001.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Guimar&atilde;es, E. <i>Hist&oacute;ria da sem&acirc;ntica.    Sujeito, sentido e gram&aacute;tica no Brasil.</i> Campinas, Pontes. 2004.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Mariani, B. "A Institucionaliza&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua,    hist&oacute;ria e cidadania no Brasil do s&eacute;culo XVIII: o papel das academias    liter&aacute;rias e da pol&iacute;tica do Marqu&ecirc;s de Pombal", <i>in</i>    Orlandi, 2001.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Mariani, B. <i>Coloniza&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica</i>.    Campinas, Pontes. 2004.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Nunes, J.H. e Petter, M. (orgs.) <i>Hist&oacute;ria do saber    lexical e constitui&ccedil;&atilde;o de um l&eacute;xico brasileiro.</i> S&atilde;o    Paulo, Humanitas/Pontes. 2002.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Orlandi, E.P. "O Estado, a gram&aacute;tica, a autoria.    L&iacute;ngua e conhecimento ling&uuml;&iacute;stico".<i> L&iacute;nguas    e instrumentos ling&uuml;&iacute;sticos, 4/5</i>. Campinas, Pontes. 2000.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Orlandi, E.P. (org.) <i>Hist&oacute;ria das id&eacute;ias ling&uuml;&iacute;sticas    no Brasil</i>. Campinas, Unemat Editora/Pontes. 2001.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Orlandi, E P. e Guimar&atilde;es, E. "La formation d'un    espace de production linguistique. La grammaire au Br&eacute;sil". <i>Langages,    130</i>. Paris, Larousse. 1998.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Pontes, E. <i>T&oacute;pico no portugu&ecirc;s do Brasil</i>.    Campinas, Pontes.1987.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Pinto, E. P. <i>O portugu&ecirc;s do Brasil: textos cr&iacute;ticos    e te&oacute;ricos</i>. Rio de Janeiro, Livro T&eacute;cnico. 1978.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Tarallo, F. "Diagnosticando uma gram&aacute;tica brasileira:    o portugu&ecirc;s d'aqu&eacute;m e d'al&eacute;m mar ao final do s&eacute;culo    XIX". <i>L&iacute;ngua e cidadania.</i> Campinas, Pontes. 1996.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Teyssier, P. <i>Hist&oacute;ria da l&iacute;ngua portuguesa</i>.    S&atilde;o Paulo, Martins Fontes. 1997.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Silva Neto, S. da. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o ao estudo da    l&iacute;ngua portuguesa no Brasil</i>. Rio de Janeiro, Presen&ccedil;a/MEC.    1950.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Silva Neto, S. da. <i>Hist&oacute;ria da l&iacute;ngua portuguesa</i>.    Rio de Janeiro, Livros de Portugal. 1952.</FONT> ]]></body><back>
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