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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/nt_bra.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">PATRIM&Ocirc;NIO</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n4/linhapt.gif"></P>     <p><font size="4"><b>Condepacc pretende preservar o ciclo do caf&eacute; em fazendas    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Resqu&iacute;cios do ciclo do caf&eacute;, que deu &agrave;    regi&atilde;o paulista de Campinas proje&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e    econ&ocirc;mica em n&iacute;vel nacional, dever&atilde;o ser tombados pelo Conselho    de Defesa do Patrim&ocirc;nio Art&iacute;stico e Cultural de Campinas (Condepacc).    Eles se encontram em 38 &aacute;reas — 35 fazendas e 3 microusinas hidrel&eacute;tricas    — estudadas por t&eacute;cnicos da prefeitura nos distritos de Sousas e Joaquim    Eg&iacute;dio e na Administra&ccedil;&atilde;o Regional 14.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/a03fig01.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Juntamente com outras fazendas da regi&atilde;o e dos estados    de S&atilde;o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, as &aacute;reas a serem    tombadas em Campinas recontam parte da hist&oacute;ria do Brasil e ajudam a    preservar a identidade rural de sua popula&ccedil;&atilde;o. Em sua maioria,    encontram-se inseridas na &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o ambiental (APA)    municipal, regulamentada por lei em 2001. "A id&eacute;ia &eacute; conjugar    a prote&ccedil;&atilde;o ambiental com a preserva&ccedil;&atilde;o dos bens    culturais e patrimoniais", afirma Sandra Maria Geral de Milne-Watson, arquiteta    da Coordenadoria Setorial do Patrim&ocirc;nio Cultural (CSPC), &oacute;rg&atilde;o    da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas de apoio t&eacute;cnico ao Condepacc.    "Afinal, a lei que cria a APA n&atilde;o visa somente &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o    do patrim&ocirc;nio natural, mas tamb&eacute;m &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o    do patrim&ocirc;nio cultural e arquitet&ocirc;nico".</font></P>     <p><font size="3">S&atilde;o poucas as &aacute;reas que n&atilde;o sofreram descaracteriza&ccedil;&otilde;es    em maior ou menor grau. Constru&ccedil;&otilde;es &iacute;ntegras s&atilde;o    menos freq&uuml;entes que vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos. S&atilde;o    casas-sede constru&iacute;das com taipa de pil&atilde;o ou pau-a-pique, casas    de colonos, terreiros de caf&eacute;, port&otilde;es, que remetem &agrave; segunda    metade do s&eacute;culo XIX. "Escolhemos o ciclo cafeeiro devido &agrave;    sua import&acirc;ncia para Campinas e regi&atilde;o", afirma Milne-Watson.    "Como metade (51%) do territ&oacute;rio campineiro ainda &eacute; rural,    essa identidade n&atilde;o pode se perder, pois grande parte dela se formou    nessas fazendas". </font></P>     <p><font size="3">A fazenda S&atilde;o Joaquim merece destaque por ter sido uma    das mais importantes produtoras da regi&atilde;o, chegando a cultivar 188 mil    p&eacute;s de caf&eacute;. Outras, por&eacute;m, s&atilde;o ainda mais antigas.    &Eacute; o caso da fazenda Palmeiras, por exemplo, cujas terras pertenciam a    Joaquim Eg&iacute;dio de Souza Aranha, o "Marquesinho", e lhe foram    concedidas, sob a forma de sesmaria, pelo imperador D. Pedro I. </font></P>     <p><font size="3">As sesmarias nas campinas do caminho dos Goiazes (ou Guaianazes)    come&ccedil;aram a ser requeridas por volta de 1720, e o n&uacute;mero de requerimentos    foi aumentando ao longo do s&eacute;culo XVIII. Entre 1770 e 1780, a cultura    de cana-de-a&ccedil;&uacute;car foi introduzida na regi&atilde;o. Campinas ainda    era uma cidade colonial – o estatuto de cidade, ali&aacute;s, s&oacute; foi    adquirido em 1842. Engenhos de a&ccedil;&uacute;car em n&uacute;mero consider&aacute;vel,    tocados por escravos, possibilitaram o ingresso da elite da cidade no circuito    internacional. Os senhores de engenho, ou "engenheiros", chegaram    a acumular pequenas fortunas, mas formavam uma elite aristocr&aacute;tica ainda    sem refinamento nem desenvoltura. Por volta de 1850, houve uma transi&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida da economia a&ccedil;ucareira para a economia cafeeira. </font></P>     <p><font size="3">A sociedade local se tornou senhorial e enriqueceu rapidamente.    Uma demanda crescente do produto nos mercados estrangeiros fez com que os pre&ccedil;os    fossem subindo, incentivando aqueles que tinham condi&ccedil;&otilde;es de transformar    seus canaviais em cafezais. A economia continuou a ser baseada no trabalho escravo.    A cidade, por&eacute;m, deixou de ter fei&ccedil;&otilde;es coloniais. E os    fazendeiros passaram a ser os "bar&otilde;es do caf&eacute;". Campinas    se tornou a capital agr&iacute;cola da prov&iacute;ncia, rivalizando com a cidade    de S&atilde;o Paulo. </font></P>     <p><font size="3">A transforma&ccedil;&atilde;o de canaviais em planta&ccedil;&otilde;es    de caf&eacute;, em 1850, implicava claros benef&iacute;cios financeiros aos    propriet&aacute;rios das fazendas, respondendo a uma demanda crescente do mercado.    J&aacute; o tombamento dos remanescentes desse momento da hist&oacute;ria de    Campinas, nos dias de hoje, ainda n&atilde;o conta com mecanismos efetivos de    incentivo econ&ocirc;mico aos fazendeiros interessados. "O Condepacc deseja,    h&aacute; muito tempo, preservar os bens rurais atrav&eacute;s do mecanismo    de tombamento", afirma Milne-Watson. Desde a d&eacute;cada de 1940, pesquisadores    buscam incluir, nos "livros de tombo", exemplares da arquitetura rural    paulista dos s&eacute;culos XVII e XVIII considerados amea&ccedil;ados pela    expans&atilde;o das cidades. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/a03fig02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A necessidade de direcionar parte dos esfor&ccedil;os de tombamento    aos dom&iacute;nios rurais foi reconhecida por Rodrigo Melo Franco de Andrade,    fundador do Iphan – &agrave; &eacute;poca Sphan –, em 1955, num artigo para    a revista <i>M&oacute;dulo</i>. Na d&eacute;cada de 1960, as fazendas Resgate    e Pau d’Alho, no Vale do Para&iacute;ba, tiveram suas respectivas casas grandes    tombadas pelo Iphan, e mais tarde, em 1982, tamb&eacute;m pelo Condephaat, &oacute;rg&atilde;o    paulista do instituto. A Pau d’Alho, juntamente com outra fazenda, a Boa Vista,    ilustra um selo postal da s&eacute;rie dedicada &agrave;s fazendas hist&oacute;ricas,    e &eacute; considerada uma fazenda monocultora de caf&eacute; t&iacute;pica    do per&iacute;odo, tendo a casa-grande, a tulha (dep&oacute;sito), as m&aacute;quinas    e as &aacute;reas para beneficiamento organizadas em torno do terreiro de caf&eacute;.    No entanto, ainda hoje &eacute; preciso encontrar meios de incentivar financeiramente    os propriet&aacute;rios rurais a pedir o tombamento de suas fazendas. </font></P>     <p><font size="3">Interesse existe. Em janeiro, alguns dos propriet&aacute;rios    procuraram a prefeitura a fim de se informar sobre o processo de tombamento.    E foram convidados a colaborar com os t&eacute;cnicos nos estudos. Por ora,    a ades&atilde;o ainda pode ser considerada baixa. Apenas nove representantes    de fazendas compareceram &agrave; reuni&atilde;o com os t&eacute;cnicos da CSPC,    mas deve aumentar &agrave; medida que os propriet&aacute;rios se conven&ccedil;am    dos benef&iacute;cios potenciais do tombamento, como a explora&ccedil;&atilde;o    de visitas tur&iacute;sticas.</font></P>     <p><font size="3"><b>TURISMO CULTURAL</b> A explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica    de atividades tur&iacute;sticas vem sendo realizada com sucesso em diversas    fazendas do Brasil. Na regi&atilde;o de Limeira, cinco pontos se abriram &agrave;    visita&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-tur&iacute;stica: Morro Azul, Quilombo,    Itapema, Ibicaba e Santa Gertrudes. Nesta, de acordo com Lu&iacute;s Filipe    Botelho, s&oacute;cio-gerente, a principal atividade atual &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o    de cana-de-a&ccedil;&uacute;car, da qual se extraem os recursos necess&aacute;rios    para a manuten&ccedil;&atilde;o de toda a fazenda. "O turismo n&atilde;o    paga a manuten&ccedil;&atilde;o, mas a motiva, e confere utilidade &agrave;    estrutura de produ&ccedil;&atilde;o do caf&eacute;, hoje obsoleta". A Santa    Gertrudes recebe, h&aacute; cinco anos, uma m&eacute;dia de 2500 visitantes    por ano, e eles podem ver como era processado o caf&eacute; na &eacute;poca,    quando a produ&ccedil;&atilde;o chegou a atingir a marca de 2 milh&otilde;es    de p&eacute;s de caf&eacute; e havia cerca de 2 mil empregados em atividade.    A fazenda tamb&eacute;m serve de loca&ccedil;&atilde;o para novelas, como ocorreu    com <i>Esperan&ccedil;a</i>, da Rede Globo, e <i>A escrava Isaura</i>, da Rede    Record.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Fl&aacute;via Nat&eacute;rcia</b></i></font></p>      ]]></body>
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