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</front><body><![CDATA[ <p><FONT size="4"><b>NOVAS PRODU&Ccedil;&Otilde;ES</b></FONT></p>     <p><font size=5> <b>R<SMALL>OTEIROS FOCALIZAM BIOGRAFIAS DE PERSONAGENS DE SUCESSO</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a26fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A vida de personalidades marcantes no universo da m&uacute;sica,    da pol&iacute;tica e do futebol est&aacute; retratada nas telas do cinema brasileiro    em sua fase de retomada, a partir dos anos 1990. As biografias homenageiam personagens    famosos vivos, como Pel&eacute; e a dupla sertaneja Zez&eacute; Di Camargo &amp;    Luciano, e principalmente aqueles que j&aacute; se foram mas comp&otilde;em    o imagin&aacute;rio popular, como Cazuza, Villa-Lobos, Mau&aacute;, Olga e Garrincha.    Suas vidas inspiraram roteiros de alguns filmes premiados, a maioria com grande    sucesso de bilheteria.</font></p>     <p><font size="3">O destaque mais recente &eacute; o filme de Breno Silveira,    <i>2 filhos de Francisco</i>, indicado em setembro passado, por um j&uacute;ri    formado pelo Minist&eacute;rio da Cultura, para ser o filme brasileiro a concorrer    ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme conta a hist&oacute;ria do sonho    de um humilde agricultor do interior de Goi&aacute;s de transformar seus filhos    em uma dupla sertaneja famosa. Os percal&ccedil;os e sofrimentos da fam&iacute;lia    de seu Francisco at&eacute; a conquista do sucesso por Zez&eacute; Di Camargo    &amp; Luciano comp&otilde;em uma hist&oacute;ria envolvente que atrai ao cinema    n&atilde;o apenas os admiradores da dupla ou pessoas que gostam de m&uacute;sica    sertaneja: em meados de outubro, o filme de Silveira j&aacute; havia superado    a marca de 4,6 milh&otilde;es de espectadores, atingida por <i>Carandiru</i>,    de Hector Babenco, em 2003, tornando-se o filme nacional mais visto no pa&iacute;s    desde 1990 e a quinta maior renda no Brasil em todos os tempos, segundo a Columbia,    distribuidora do filme, atr&aacute;s apenas de quatro superprodu&ccedil;&otilde;es    hollywoodianas.</font></p>     <p><font size="3">Outro personagem famoso – talvez o brasileiro mais conhecido    no planeta – que j&aacute; havia sido tema de um document&aacute;rio de Eduardo    Escorel e Luiz Carlos Barreto na d&eacute;cada de 1970, tamb&eacute;m protagonizou    uma recente produ&ccedil;&atilde;o premiada do cinema brasileiro. O document&aacute;rio    <i>Pel&eacute; eterno</i>, dirigido por An&iacute;bal Massaini Neto e com roteiro    original de Jos&eacute; Roberto Torero, foi premiado no 58º Festival de Cannes    com o trof&eacute;u Citt&agrave; di Roma-Arcobaleno Latino, uma iniciativa do    Instituto Internacional de Cinema e &Aacute;udio Visual dos Pa&iacute;ses Europeus    e Latinos patrocinada pela prefeitura de Roma e pela Roma Film Comission. A    produ&ccedil;&atilde;o, que custou os mesmos R$ 6 milh&otilde;es gastos em <i>2    filhos de Francisco</i>, consumiu quase cinco anos de pesquisa em arquivos audiovisuais    de v&aacute;rios pa&iacute;ses, para contar a trajet&oacute;ria do Rei do Futebol    – que tamb&eacute;m recebeu o t&iacute;tulo de Atleta do S&eacute;culo – nos    gramados do Brasil e do mundo. O filme de Massaini, al&eacute;m de depoimentos    de pessoas pr&oacute;ximas ao atleta, traz incont&aacute;veis lances de Pel&eacute;    em jogos do Santos e da sele&ccedil;&atilde;o, reavivando a mem&oacute;ria dos    que o viram em campo e encantando as gera&ccedil;&otilde;es mais recentes de    amantes do futebol.</font></p>     <p><font size="3">&quot;Esses filmes tendem a passar mais a imagem do pa&iacute;s    feliz, do brasileiro que deu certo. Da&iacute; o sucesso e a identifica&ccedil;&atilde;o    do p&uacute;blico&quot;, comenta Josette Maria de Souza Manzani, do grupo de    pesquisa em Cinema e Comunica&ccedil;&atilde;o, da Universidade Federal de S&atilde;o    Carlos (UFSCar). Ela acredita que a origem pobre desses personagens ilustres,    que os caracteriza, a princ&iacute;pio, como brasileiros comuns, pode estar    entre os fatores que levam a essa identifica&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico    com a imagem de brasileiro retratada no cinema. Mas, segundo a pesquisadora,    em filmes como <i>2 filhos de Francisco</i>, os brasileiros das telas estariam    mais pr&oacute;ximos de personagens de folhetim. &quot;A forma e o enredo s&atilde;o    romanceados, apesar dos roteiros serem calcados na hist&oacute;ria ver&iacute;dica&quot;,    observa.</font></p>     <p><font size="3">Nem toda produ&ccedil;&atilde;o recente, no entanto, optou por    essa f&oacute;rmula de retratar o sofrimento e as dificuldades de &quot;brasileiros    comuns&quot; na busca de um sonho. Um dos 11 filmes que disputaram com <i>2    filhos de Francisco</i> a indica&ccedil;&atilde;o para concorrer ao Oscar &eacute;    um exemplo disso. <i>Garrincha – estrela solit&aacute;ria</i>, dirigido por    Milton Alencar e com roteiro de Rodrigo Campos, baseado no livro hom&ocirc;nimo    de Ruy Castro, narra a hist&oacute;ria dram&aacute;tica do jogador, marcada    pelo v&iacute;cio &agrave; bebida, a partir de lembran&ccedil;as de pessoas    pr&oacute;ximas a ele, como seu companheiro de Botafogo e sele&ccedil;&atilde;o    Nilton Santos, e sua mulher, a cantora Elza Soares. <i>Garrincha</i> n&atilde;o    &eacute; recheado com jogadas geniais de Man&eacute; pelos campos de futebol,    como <i>Pel&eacute; eterno</i> – e como poderiam esperar os aficcionados pelo    esporte e por sua hist&oacute;ria –, mas tem cenas de momentos de gl&oacute;ria    e trag&eacute;dia. Um dos destaques do filme &eacute; a interpreta&ccedil;&atilde;o    de Ta&iacute;s Ara&uacute;jo no papel de Elza Soares, que lhe rendeu o pr&ecirc;mio    Lente de Cristal de melhor atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.    Antes de estrear no circuito comercial brasileiro, <i>Garrincha</i> – primeira    co-produ&ccedil;&atilde;o Brasil / Chile – foi assistido nas telas do Chile,    onde se passa parte do enredo e o craque botafoguense das pernas tortas viveu    seu apogeu como jogador da sele&ccedil;&atilde;o no bicampeonato conquistado    em 1962.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>IDENTIDADE NACIONAL</b> Em 2004, uma outra biografia que    entrela&ccedil;a momentos de intensa euforia com grandes tens&otilde;es e conflitos    e termina com o fim tr&aacute;gico do protagonista levou &agrave;s salas de    cinema do pa&iacute;s mais de 3 milh&otilde;es de pessoas. <i>Cazuza – O tempo    n&atilde;o p&aacute;ra</i> foi dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho,    a partir do roteiro de Fernando Bonassi e Victor Navas baseado na biografia    do cantor e compositor escrita por sua m&atilde;e, Lucinha Ara&uacute;jo. Grande    parte dos espectadores era de adolescentes que sequer conheceram Cazuza em vida,    mas que se identificam com a sua rebeldia e o seu jeito libert&aacute;rio de    lidar com os padr&otilde;es da sociedade. Falecido h&aacute; quinze anos, v&iacute;tima    de Aids, Cazuza protagoniza uma hist&oacute;ria que trata abertamente de quest&otilde;es    que s&atilde;o sempre atuais entre os jovens: drogas, sexualidade, rela&ccedil;&atilde;o    com os pais e liberdade de escolhas. Mas <i>Cazuza</i> agrada n&atilde;o apenas    a adolescentes: quem j&aacute; passou dos 30 tamb&eacute;m p&ocirc;de reviver,    com esse filme, um pouco da efervesc&ecirc;ncia do rock nacional dos anos 1980    e se espantar com a surpreendente semelhan&ccedil;a do ator Daniel de Oliveira    com o personagem principal que ele interpreta no filme.</font></p>     <p><font size="3">M&ocirc;nica Kornis, doutora em ci&ecirc;ncias da comunica&ccedil;&atilde;o    e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Documenta&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria    Contempor&acirc;nea do Brasil (CPDOC), da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio    Vargas, considera que h&aacute; nesses filmes biogr&aacute;ficos uma evidente    constru&ccedil;&atilde;o de identidade nacional, ainda que eles tenham uma certa    tend&ecirc;ncia para o melodrama. Segundo ela, a fic&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    &eacute; um mero retrato da vida desses personagens famosos, mas uma representa&ccedil;&atilde;o.    &quot;Os documentos hist&oacute;ricos, tanto na forma escrita quanto visual,    cont&ecirc;m um ponto de vista que interpreta a evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica.    Nesse sentido, o filme e o programa de televis&atilde;o interpretam os fatos    hist&oacute;ricos, cuja representa&ccedil;&atilde;o se constr&oacute;i pela    forma que a narrativa assume e se insere numa linguagem visual e num g&ecirc;nero    est&eacute;tico&quot;, avalia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a26fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>OBRA LITER&Aacute;RIA VEIO DEPOIS</b> No caminho inverso    de hist&oacute;rias como a de Cazuza e Garrincha, adaptadas para o cinema ap&oacute;s    o sucesso de vendas nas livrarias, o filme <i>2 filhos de Francisco</i> desencadeou    duas obras liter&aacute;rias. Uma com tiragem inicial restrita a patrocinadores,    conta os bastidores da filmagem, e a segunda, com lan&ccedil;amento previsto    para a Bienal de S&atilde;o Paulo, em mar&ccedil;o, se chama <i>10 filhos de    Helena</i>, e conta hist&oacute;rias da fam&iacute;lia Camargo que n&atilde;o    entraram no filme. Tanto no cinema quanto nas livrarias, o interesse do p&uacute;blico    por hist&oacute;rias de vida de pessoas ilustres &eacute; grande. &quot;A ind&uacute;stria    editorial j&aacute; mostrou que a biografia &eacute; um bom fil&atilde;o de    mercado&quot;, conclui a pesquisadora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Rodrigo Cunha</i></font></p>      ]]></body>
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