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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/noticias.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">LINGUAGEM    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n3/linha_bk.gif"> </font></p>     <p><font size="4"><b>Museu exp&otilde;e multiplicidade e hist&oacute;ria da l&iacute;ngua    portuguesa </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A visita ao primeiro museu do mundo inteiramente dedicado &agrave;    l&iacute;ngua portuguesa, instalado na hist&oacute;rica Esta&ccedil;&atilde;o    da Luz na capital paulista, come&ccedil;a com vis&atilde;o de uma imensa &aacute;rvore    geneal&oacute;gica representada pela <i>&Aacute;rvore de palavras</i> – escultura    de 16 metros de altura criada pelo artista Rafic Farah. Em suas ra&iacute;zes    est&atilde;o palavras supostamente faladas h&aacute; seis mil anos, pertencentes    ao indoeuropeu, l&iacute;ngua original hipot&eacute;tica de uma ampla fam&iacute;lia    ling&uuml;&iacute;stica que teve como frutos l&iacute;nguas asi&aacute;ticas,    como o s&acirc;nscrito, e l&iacute;nguas europ&eacute;ias, como o grego e o    latim, que deram origem &agrave;s l&iacute;nguas rom&acirc;nicas, como franc&ecirc;s,    italiano, espanhol e portugu&ecirc;s. Um jogo de luz e sombras sobre a &aacute;rvore    sugere a id&eacute;ia de movimento, j&aacute; que a l&iacute;ngua &eacute; algo    vivo e as palavras se modificam com o tempo. Incorporando recursos multim&iacute;dia,    junto &agrave; escultura se ouve o mantra <i>L&iacute;ngua palavra</i>, com    esses dois termos cantados em v&aacute;rios idiomas, em uma parceria do cantor    e compositor Arnaldo Antunes com o poeta e antrop&oacute;logo baiano Ant&ocirc;nio    Ris&eacute;rio, um dos diversos pesquisadores cujos trabalhos serviram de base    para a concep&ccedil;&atilde;o do museu.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a03img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Ris&eacute;rio, &eacute; tamb&eacute;m respons&aacute;vel pelo    roteiro do curta-metragem de 10 minutos sobre a origem da linguagem, dirigido    por Tadeu Jungle e exibido no audit&oacute;rio do 3ª pavimento do museu. Ap&oacute;s    a exibi&ccedil;&atilde;o do filme, o tel&atilde;o do audit&oacute;rio se abre,    como uma grande porta, para o ambiente seguinte da mostra. </font></p>     <p><font size="3"><b>AUDI&Ccedil;&Atilde;O LITER&Aacute;RIA</b> Nessa visita conduzida    se chega, ent&atilde;o, &agrave; "Pra&ccedil;a da l&iacute;ngua",    amplo sal&atilde;o com piso de vidro e um teto que lembra um planet&aacute;rio,    onde as palavras tomam o lugar dos astros e estrelas. As palavras projetadas    no teto s&atilde;o acompanhadas por imagens criadas por Marcello Dantas, por    trilha sonora produzida por Cac&aacute; Machado, com narra&ccedil;&atilde;o    de Chico Buarque, Maria Beth&acirc;nia, Paulo Jos&eacute; e Juca de Oliveira,    entre outros, de trechos da obra de poetas portugueses (Fernando Pessoa, Cam&otilde;es)    e brasileiros (Drummond, Bandeira), romancistas (Machado de Assis, Euclides    da Cunha) e letristas de m&uacute;sica (Noel Rosa, Vin&iacute;cius de Moraes),    selecionados por Jos&eacute; Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski.</font></p>     <p><font size="3">Ap&oacute;s essa audi&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, o visitante    entra na "Grande galeria" e v&ecirc; toda a extens&atilde;o do edif&iacute;cio,    como se fosse um t&uacute;nel da antiga esta&ccedil;&atilde;o de trem, ser cortada    por um gigantesco tel&atilde;o de 106 metros, onde predominam os depoimentos    de intelectuais portugueses. Na parede, s&atilde;o projetados, simultaneamente,    11 filmes de seis minutos cada, sobre aspectos culturais que influenciaram o    idioma no Brasil, como as festas, a culin&aacute;ria, o futebol e o carnaval.    A antrop&oacute;loga Manuela Carneiro da Cunha, da Universidade de Chicago,    foi uma das autoras dos textos que serviram de base para os roteiros. De passagem    pelo Brasil, ela fez quest&atilde;o de ir ao museu e se disse impressionada    com a qualidade dos filmes sobre aspectos culturais como comida e religi&atilde;o.    "Achei-os muito interessantes e informativos, com imagens fortes e esteticamente    sedutoras", avalia. Para Manuela, o museu conseguiu mostrar o dinamismo    e a variedade da l&iacute;ngua, o que j&aacute; &eacute; uma mudan&ccedil;a    no preconceito ling&uuml;&iacute;stico de que a l&iacute;ngua seria apenas a    norma culta.</font></p>     <p><font size="3"><b>TOTEM CA&Ccedil;A-PALAVRAS</b> A hist&oacute;ria da l&iacute;ngua    prossegue no espa&ccedil;o "Linha do tempo", onde est&atilde;o os    resultados da pesquisa de Ataliba de Castilho sobre a origem e a evolu&ccedil;&atilde;o    do portugu&ecirc;s, onde est&aacute;, tamb&eacute;m, um grande painel com parte    da hist&oacute;ria das l&iacute;nguas ind&iacute;genas e africanas que formaram    o portugu&ecirc;s do Brasil. No final desse espa&ccedil;o, h&aacute; o "Mapa    dos falares", que refor&ccedil;a a id&eacute;ia de variedade j&aacute;    presente na Grande galeria. A pr&oacute;xima etapa da visita &eacute; o setor    chamado "Palavras cruzadas", que amplia essa id&eacute;ia da forma&ccedil;&atilde;o    do portugu&ecirc;s brasileiro e apresenta oito totens dedicados &agrave;s l&iacute;nguas    ind&iacute;genas, &agrave;s africanas, &agrave;s dos imigrantes, ao espanhol,    ao ingl&ecirc;s, ao franc&ecirc;s e ao portugu&ecirc;s falado em outros pa&iacute;ses.    Em cada totem, h&aacute; um monitor interativo onde o visitante pode aprender    quais palavras usadas por n&oacute;s t&ecirc;m origem nessas l&iacute;nguas.    A interatividade tamb&eacute;m aparece no "Beco das palavras", onde    o visitante brinca, juntando radicais, prefixos e sufixos, em um jogo de forma&ccedil;&atilde;o    morfol&oacute;gica das palavras criado por Marcelo Tas, com o apoio do etimologista    M&aacute;rio Vi&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="3">Para Manuela Cunha, "o desafio &eacute; associar a palavra    ‘museu’, que evoca uma cole&ccedil;&atilde;o de artefatos prontos, didaticamente    exibidos, com um tema – a linguagem – que se faz e refaz no uso. De certa forma,    o museu faz com o espa&ccedil;o o que ele pretende mostrar que fazemos com a    l&iacute;ngua: uma reinven&ccedil;&atilde;o", diz a antrop&oacute;loga.</font></p>     <p><font size="3"><b>UMA OU QUANTAS L&Iacute;NGUAS?</b> O ling&uuml;ista Aryon    Rodrigues, do Laborat&oacute;rio de L&iacute;nguas Ind&iacute;genas da UnB,    um dos consultores para o desenvolvimento de conte&uacute;do das telas multim&iacute;dia,    revela que a palavra "museu" surgiu durante o processo de concep&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o, que desde a sua origem j&aacute; mostrava o foco no portugu&ecirc;s,    em detrimento das l&iacute;nguas minorit&aacute;rias faladas no Brasil. Na opini&atilde;o    do ling&uuml;ista, &eacute; preciso que o novo museu esteja aberto para reajustes    e revis&otilde;es peri&oacute;dicas, para continuar mostrando integradamente    a realidade ling&uuml;&iacute;stica e cultural do Brasil. "Pode ser que,    aproveitando a experi&ecirc;ncia formid&aacute;vel dessa realiza&ccedil;&atilde;o,    venha a ser concebido um Museu das L&iacute;nguas do Brasil, com maior espa&ccedil;o    para as numerosas l&iacute;nguas ind&iacute;genas, para mais informa&ccedil;&otilde;es    sobre as l&iacute;nguas africanas e sobre as mais de vinte l&iacute;nguas de    minorias europ&eacute;ias e asi&aacute;ticas", completa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i><b>Rodrigo Cunha</b></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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