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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/noticias.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">SA&Uacute;DE    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n3/linha_bk.gif"> </font></p>     <p><font size="4"><b>Cresce o n&uacute;mero de den&uacute;ncias contra conduta    m&eacute;dica em S&atilde;o Paulo </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O n&uacute;mero de den&uacute;ncias contra m&eacute;dicos no    estado de S&atilde;o Paulo cresceu 130% em dez anos e a m&eacute;dia di&aacute;ria    de queixas s&oacute; fez aumentar no ano passado. Segundo pesquisa realizada    por Krikor Boyaciyan, diretor do Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremesp),    em sua tese de doutorado defendida na Escola Paulista de Medicina da Universidade    Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), o aumento ocorreu entre 1994 e 2004,    passando de 4 para mais de 9 den&uacute;ncias di&aacute;rias; em 2005, a m&eacute;dia    de queixas cresceu ainda mais: 12 por dia. </FONT></p>     <p><font size="3">Com base em tais dados, em seu trabalho Boyaciyan mostra que    pouco mais de 16% das quase 24 mil den&uacute;ncias registradas culminou em    processo legal e, dessas, 12% eram ligadas &agrave;s &aacute;reas de ginecologia    e obstetr&iacute;cia. Entre as causas para esse crescimento, o pesquisador enumera    algumas quest&otilde;es conjunturais da pr&aacute;tica e da forma&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica, assim como um maior acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    por parte dos pacientes, o que os t&ecirc;m tornados mais questionadores e conscientes    de seus direitos.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a07img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>GINECOLOGIA E OBSTETR&Iacute;CIA </b>A pesquisa de Boyaciyan    centrou-se nas den&uacute;ncias contra 781 profissionais, em sua maioria homens    de 31 a 45 anos, com at&eacute; 20 anos de carreira, formados em escolas privadas    e que n&atilde;o passaram por resid&ecirc;ncia m&eacute;dica nem obtiveram t&iacute;tulo    de especialista. Um dos fatores atribu&iacute;dos &agrave; conduta questionada    pelos pacientes &eacute; a quantidade elevada de horas trabalhadas por m&eacute;dicos    em in&iacute;cio de carreira, aliada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es hospitalares    nem sempre adequadas. "O m&eacute;dico jovem se sujeita a muitas horas    de plant&atilde;o, em diferentes lugares, o que leva a um estresse cont&iacute;nuo    e maior chance de neglig&ecirc;ncia e erro", argumenta.</font></p>     <p><font size="3">Outra evid&ecirc;ncia apurada no estudo &eacute; a falta de    rigor dos m&eacute;dicos no preenchimento dos prontu&aacute;rios dos pacientes.    Apenas 6% desses documentos estavam preenchidos corretamente: "esses profissionais    se esquecem que o prontu&aacute;rio do paciente &eacute; a maior defesa do m&eacute;dico,    a prova documental de seus procedimentos". Boyaciyan acrescenta que 70%    das den&uacute;ncias foram relacionadas a &oacute;bito materno ou fetal durante    o parto. "A gravidez gera uma expectativa positiva de vida e, quando isso    n&atilde;o se concretiza, a fam&iacute;lia tende a culpar o m&eacute;dico",    argumenta.</FONT></p>     <p><font size="3"><b>NEGLIG&Ecirc;NCIA</b> Pode parecer que atualmente existe    mais incompet&ecirc;ncia dos m&eacute;dicos, ou falhas na sua forma&ccedil;&atilde;o    e na infra-estrutura das cl&iacute;nicas e hospitais, mas o cardiologista Elcio    Rodrigues da Silva, perito do Instituto de Medicina Social e Criminologia do    Estado de S&atilde;o Paulo (Imesc) h&aacute; mais de 20 anos, atribui &agrave;    neglig&ecirc;ncia o papel principal nessa quest&atilde;o dos erros m&eacute;dicos.</font></p>     <p><font size="3">Para a disserta&ccedil;&atilde;o de seu mestrado, em andamento,    Silva analisou 119 processos judiciais que discutiam a pr&aacute;tica m&eacute;dica,    entre 2001 e 2003, e adianta que em quase 60% deles o m&eacute;dico n&atilde;o    executou procedimentos b&aacute;sicos. "Muitas vezes, a necessidade de    ser &aacute;gil, devido &agrave; quantidade de trabalho, &eacute; incompat&iacute;vel    com a boa pr&aacute;tica m&eacute;dica." afirma. </FONT></p>     <p><font size="3">Em contrapartida, o conselheiro e corregedor do Conselho Federal    de Medicina (CFM) Roberto Luiz D’avila, considera que &eacute; preciso evitar    mal-entendidos e falsas expectativas diante de um tratamento. "No Brasil,    estamos pr&oacute;ximos do exagero visto no denuncismo, onde tudo &eacute; erro    m&eacute;dico. Os m&eacute;dicos n&atilde;o t&ecirc;m obriga&ccedil;&atilde;o    ou compromisso de cura e sim de acompanhamento e cuidado", diz.</FONT></p>     <p><font size="3">Mesmo com o crescimento no n&uacute;mero de den&uacute;ncias,    uma pesquisa do Ibope de agosto de 2005 mostra que &eacute; nesses profissionais    de sa&uacute;de que o brasileiro mais confia. Os m&eacute;dicos receberam voto    de confian&ccedil;a de 81% dos 2.002 eleitores consultados em 143 munic&iacute;pios,    &iacute;ndice acima de institui&ccedil;&otilde;es como a igreja cat&oacute;lica,    que obteve 71% da confian&ccedil;a dos entrevistados e as for&ccedil;as armadas,    com 69%. </FONT></p>     <p><font size="3">Outro aspecto importante nesse cen&aacute;rio &eacute; o maior    acesso a informa&ccedil;&otilde;es, que aumenta a capacidade de duvidar e contestar    os atos m&eacute;dicos por parte dos pacientes. Aliado a isso, est&atilde;o    os mecanismos facilitadores criados por universidades e grupos sociais ligados    ao sistema judici&aacute;rio, que prestam assist&ecirc;ncia gratuita &agrave;    popula&ccedil;&atilde;o carente, para que requeiram seus direitos diante das    falhas desses profissionais. </FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i><b>Mariella Oliveira</b></i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a07img02.gif"></p>      ]]></body>
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