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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/noticias.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a08img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">TURISMO    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n3/linha_bk.gif"> </font></p>     <p><font size="4"><b>Comunidades locais s&atilde;o pouco beneficiadas com megaprojetos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O desejo de f&eacute;rias em uma praia paradis&iacute;aca move    a maioria dos turistas brasileiros e estrangeiros e, no Brasil, esse &eacute;    um mercado em expans&atilde;o. O desembarque de passageiros dom&eacute;sticos    aumentou quase 18% em 2005, em rela&ccedil;&atilde;o ao ano anterior. A entrada    de mais de 43 milh&otilde;es de turistas no Brasil &eacute; o principal propulsor    dos grandes empreendimentos em &aacute;reas at&eacute; bem pouco tempo sem qualquer    infra-estrutura de desenvolvimento. Em casos como esses, especialmente no litoral    nordestino, a popula&ccedil;&atilde;o local acaba desapropriada de seu espa&ccedil;o,    convertida em m&atilde;o-de-obra barata, uma vez que, por conta da defici&ecirc;ncia    de ensino e forma&ccedil;&atilde;o profissional, acabam longe das oportunidades    que o luxo e o conforto desses hot&eacute;is e resorts oferecem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ao abandonar atividades tradicionais como a agricultura, o artesanato    e a pesca, pela ocupa&ccedil;&atilde;o desordenada dessas regi&otilde;es, os    residentes acabam em profunda desvantagem nessa troca. &Eacute; o que identifica    a pesquisadora de geografia humana da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP),    Ana Maria Marcelino. Os cargos mais bem remunerados como chefe de cozinha e    administrador de hot&eacute;is – ficam para quem vem de fora. "Falava-se    que o turismo era a galinha dos ovos de ouro, mas ele n&atilde;o implica em    tantos benef&iacute;cios &agrave; popula&ccedil;&atilde;o local", afirma.    </font></p>     <p><font size="3">O turismo atrai investimentos em infra-estrutura, como saneamento    b&aacute;sico, recupera&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico    e prote&ccedil;&atilde;o ambiental. No entanto, os atuais empreendimentos fara&ocirc;nicos    transnacionais no Nordeste (portugueses, espanh&oacute;is e americanos, principalmente),    s&atilde;o realizados sem levar em conta os interesses da popula&ccedil;&atilde;o,    pondera outra ge&oacute;grafa da USP, Adyr Balastreri Rodrigues. Os impostos    cobrados da comunidade acabam direcionados a obras de infra-estrutura para os    turistas em vez de serem empregados em benef&iacute;cio social para a popula&ccedil;&atilde;o    nativa, acrescenta. </font></p>     <p><font size="3"><b>NA BAHIA</b> A constru&ccedil;&atilde;o de grandes hot&eacute;is    no litoral baiano tem provocado uma queda-de-bra&ccedil;o entre a popula&ccedil;&atilde;o    local e os empres&aacute;rios. No empreendimento Costa do Sau&iacute;pe – cujo    principal acionista &eacute; a Caixa de Previd&ecirc;ncia dos Funcion&aacute;rios    do Banco do Brasil (Previ) – est&atilde;o em constru&ccedil;&atilde;o 62 hot&eacute;is    e 60 pousadas. Cinco deles j&aacute; est&atilde;o prontos na fazenda de um &uacute;nico    propriet&aacute;rio que apresenta em sua paisagem dunas, restingas, mangues    e trechos da Mata Atl&acirc;ntica. A constru&ccedil;&atilde;o da rodovia Linha    Verde – ligando a praia do Forte ao povoado de Mangue Seco – j&aacute; significou    um impacto na &Aacute;rea de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental (APA) do litoral    norte, de onde a popula&ccedil;&atilde;o retirava sua fonte de renda, como palha    de pia&ccedil;ava, material utilizado para o artesanato feito principalmente    pelas mulheres. A propriedade foi fechada e as artes&atilde;s tiveram seu acesso    &agrave; mata dificultado, assim como frustou-se a expectativa de gera&ccedil;&atilde;o    de empregos, que acabou n&atilde;o ocorrendo. </font></p>     <p><font size="3">O pesquisador da Escola de Administra&ccedil;&atilde;o da Universidade    Federal da Bahia (UFBA), C&eacute;lio Andrade, chama esse modelo de ex&oacute;geno,    que n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o as especificidades e opini&otilde;es    dos residentes. Ele analisou o programa social sustent&aacute;vel do empreendimento    da Costa do Sau&iacute;pe (Berimbau) voltado a atenuar os conflitos do local.    "O que se constatou &eacute; que os complexos tur&iacute;sticos est&atilde;o    na era p&oacute;s-industrial e a popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; no per&iacute;odo    pr&eacute;-industrial", compara. </font></p>     <p><font size="3">Houve a expuls&atilde;o de moradores pr&eacute;-existentes de    locais privilegiados como perto de mar ou rios e os espa&ccedil;os naturais    v&atilde;o sendo ocupados pela estrutura tur&iacute;stica. O empreendimento    voltado para as classes A e B teve problemas j&aacute; com o recrutamento de    funcion&aacute;rios. No local, o &iacute;ndice m&eacute;dio de analfabetismo    fica em torno de 22%, chegando a mais da metade em algumas vilas. H&aacute;    tentativas de contornar a situa&ccedil;&atilde;o com o fortalecimento das cadeias    produtivas, tais como a pesca e o artesanato, pois, como Andrade observa, os    hot&eacute;is perceberam que o turista tamb&eacute;m quer interagir com a popula&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font size="3"><b>FRAGILIDADE</b> Constru&ccedil;&otilde;es de grande porte    sobre ecossistemas fr&aacute;geis como dunas e restingas tamb&eacute;m podem    ser encontrados nos estados do Rio Grande do Norte, da Para&iacute;ba, de Pernambuco    e de Alagoas. Em contrapartida, tamb&eacute;m na regi&atilde;o Nordeste, h&aacute;    locais como a Prainha do Canto Verde, onde a comunidade participa da gest&atilde;o    do turismo. Por&eacute;m, trata-se de uma comunidade bem pequena, com um outro    modelo tur&iacute;stico, ressalta Adyr Rodrigues.</font></p>     <p><font size="3"><b>PROGRAMAS OFICIAIS</b> Apesar de esfor&ccedil;os governamentais    e institucionais para a integra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    com o turismo, ainda n&atilde;o se pode aliar a atividade ao desenvolvimento    sustent&aacute;vel, na opini&atilde;o da pesquisadora. No Nordeste, as iniciativas    como o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur I e II),    financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco do Nordeste,    t&ecirc;m como meta melhorar a qualidade do turismo e de vida dos residentes    nas &aacute;reas exploradas. Mas esses programas – que movimentaram recursos    da ordem de US$ 670 milh&otilde;es (Fase I) e US$ 400 milh&otilde;es (Fase II)    – tendem a excluir a popula&ccedil;&atilde;o residente porque est&atilde;o moldados    em projetos de grande porte. "A situa&ccedil;&atilde;o pode melhorar quando    a popula&ccedil;&atilde;o estiver organizada, assim ter&aacute; mais chance    de reivindicar participa&ccedil;&atilde;o", conclui .</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Paula Soyama</i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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