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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/mundo.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a10img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">ENTREVISTA</font>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n3/linha_bk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Coopera&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a para conservar    a Amaz&ocirc;nia </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Cada vez mais globalizado, o mundo come&ccedil;a a abarcar iniciativas    multinacionais tamb&eacute;m no meio ambiente, afinal, a natureza n&atilde;o    respeita as fronteiras criadas pelo homem. Entre elas est&aacute; o modelo de    conserva&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a que prev&ecirc; coopera&ccedil;&otilde;es    entre as na&ccedil;&otilde;es ou regi&otilde;es que det&ecirc;m determinado    ecossistema (terra, mar, montanha etc), para garantir a prote&ccedil;&atilde;o    e a manuten&ccedil;&atilde;o da diversidade biol&oacute;gica e os recursos naturais    e culturais associados a ela. Charles Besan&ccedil;on, chefe do Programa de    &Aacute;reas Protegidas do Programa de Meio Ambiente das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas (Pnuma) e co-l&iacute;der da for&ccedil;a-tarefa de conserva&ccedil;&atilde;o    transfronteiri&ccedil;a da Uni&atilde;o Internacional para a Conserva&ccedil;&atilde;o    da Natureza (IUCN, na sigla em ingl&ecirc;s), falou &agrave; <i>Ci&ecirc;ncia    e Cultura</i> sobre os desafios e as possibilidades de conservar os quase 7,6    milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados da maior floresta tropical do    mundo: a Amaz&ocirc;nia. A floresta est&aacute;, sobretudo, presente no Brasil    (66%), mas tamb&eacute;m em outros oito pa&iacute;ses (Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia,    Venezuela, Equador, Peru, Suriname, Guiana Francesa e Guiana). "A Amaz&ocirc;nia    &eacute; um local no mundo de tamanha import&acirc;ncia biol&oacute;gica e cultural    que somos obrigados, como cidad&atilde;os globais, a tomar uma atitude",    afirmou, adicionando que cada um deve estar ciente do seu papel para diminuir    as press&otilde;es sobre a floresta mais megadiversa do planeta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b><i>Quais s&atilde;o os principais entraves para a preserva&ccedil;&atilde;o    da Amaz&ocirc;nia?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3"><b>CHARLES BESAN&Ccedil;ON:</b> O caso da Amaz&ocirc;nia, infelizmente,    no que diz respeito a &aacute;reas protegidas e conflitos, n&atilde;o &eacute;    &uacute;nico no mundo. Ao redor do mundo existem exemplos de comunidades locais,    freq&uuml;entemente pobres, cuja sobreviv&ecirc;ncia depende de sua liga&ccedil;&atilde;o    ao meio ambiente e, em muitos casos, a cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas    protegidas pode restringir o acesso a estas &aacute;reas vitais. Isto &eacute;    particularmente verdadeiro em per&iacute;odos de estresse ambiental, quando    h&aacute; seca, fome ou algum tipo de desastre natural. Para complicar as quest&otilde;es    que listei, h&aacute; o fato da Amaz&ocirc;nia cruzar a fronteira de nove pa&iacute;ses,    o que dificulta a prote&ccedil;&atilde;o excessiva, uma vez que existem literalmente    d&uacute;zias de unidades administrativas respons&aacute;veis por diferentes    aspectos de prote&ccedil;&atilde;o. O &uacute;nico meio aceit&aacute;vel de    se proteger efetivamente a Amaz&ocirc;nia &eacute; atrav&eacute;s do envolvimento    completo das popula&ccedil;&otilde;es locais nos processos de decis&atilde;o    e do uso de conserva&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="3"><i><b>Como a prote&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas transfronteiri&ccedil;as    deve lidar com perfis complexos como o da Amaz&ocirc;nia?</b></i></FONT></p>     <p><font size="3">N&atilde;o existe "uma" estrat&eacute;gia de conserva&ccedil;&atilde;o    que funcionar&aacute; na Amaz&ocirc;nia. A complexidade da Amaz&ocirc;nia requer,    primeiramente, a prioriza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas-chave de biodiversidade    nas quais as amea&ccedil;as s&atilde;o maiores que o desenvolvimento de estrat&eacute;gias    padr&atilde;o. Onde existe a conflu&ecirc;ncia de fronteiras internacionais,    &eacute; imperativo reunir as v&aacute;rias constitui&ccedil;&otilde;es para    juntos decidirem a melhor forma de cooperar para alcan&ccedil;ar objetivos acordados    mutuamente. Em alguns casos, faz sentido assinar tratados bi ou tri nacionais.    Em outros, as autoridades de &aacute;reas protegidas que confluem nas fronteiras    podem desejar planejar conjuntamente projetos ou se reunir para conduzir um    planejamento ou treinamento de administradores em conjunto. Em outros casos,    ainda, pode ser suficiente aos administradores de &aacute;reas protegidas simplesmente    trocar contatos para comunicarem-se mais facilmente. A chave aqui &eacute; compreender    a situa&ccedil;&atilde;o completamente antes de se tentar qualquer interven&ccedil;&atilde;o    de conserva&ccedil;&atilde;o ou desenvolvimento para se economizar tempo e dinheiro.    Mas os maiores desafios incluem a complexidade dos parceiros institucionais    que trabalham na regi&atilde;o e seus m&uacute;ltiplos objetivos, al&eacute;m    dos altos custos de se trabalhar nas grandes dist&acirc;ncias da Amaz&ocirc;nia,    as dificuldades (e, novamente, os custos) de se trabalhar em um ambiente com    tantas l&iacute;nguas diferentes e por &uacute;ltimo, e talvez mais importante,    os desafios enfrentados pelas na&ccedil;&otilde;es do mundo em desenvolvimento,    ao que se refere a sua <i>capacidade</i> para administrar &aacute;reas de conserva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a10img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>&Eacute; poss&iacute;vel proteger &aacute;reas vastas    como a Amaz&ocirc;nia sem recursos de na&ccedil;&otilde;es desenvolvidas? Em    outras palavras, &aacute;reas transfronteiri&ccedil;as demandam recursos transfronteiri&ccedil;os?</b></i></FONT></p>     <p><font size="3">Na minha experi&ecirc;ncia, uma das formas mais usuais de engajar    conservacionistas e as comunidades locais em um contexto transfronteiri&ccedil;o    &eacute; atrav&eacute;s de encontros regulares em diferentes localidades que    tratem de diferentes t&oacute;picos de interesse m&uacute;tuo, nos quais os    m&uacute;ltiplos parceiros possam aprender uns com os outros. No caso da Amaz&ocirc;nia,    os custos desses encontros seriam extremamente elevados devido &agrave; vasta    dist&acirc;ncia e falta de uma infra-estrutura de transportes s&oacute;lida    na maior parte da regi&atilde;o que &eacute; subdesenvolvida. Em fun&ccedil;&atilde;o    dos custos muito altos dos encontros e para se fazer qualquer outro tipo de    programa de conserva&ccedil;&atilde;o regional – al&eacute;m da pobreza que    muitos pa&iacute;ses enfrentam – recorrer a fontes internacionais de financiamento    seria crucial para o sucesso. </font></p>     <p><font size="3"><b><i>Uma das maiores pol&ecirc;micas &eacute; a "internacionaliza&ccedil;&atilde;o"    da Amaz&ocirc;nia. Em sua opini&atilde;o, a floresta deve ser gerida e preservada    pelos pa&iacute;ses a que pertence ou, por ser um patrim&ocirc;nio internacional    da biodiversidade e clima globais, ela deve ser administrada por meio de uma    coopera&ccedil;&atilde;o multinacional?</i></b></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os programas de conserva&ccedil;&atilde;o nunca funcionam quando    se imp&otilde;em sobre os direitos das popula&ccedil;&otilde;es locais ou sobre    a soberania dos pa&iacute;ses. Nenhum pa&iacute;s ir&aacute; permitir que uma    entidade externa tire seus direitos sobre recursos naturais que lhe pertencem.    No entanto, considero que a Amaz&ocirc;nia &eacute; de tamanha import&acirc;ncia    biol&oacute;gica e cultural que somos obrigados, como cidad&atilde;os globais,    a tomar uma atitude. Acredito que essa a&ccedil;&atilde;o deve ser na forma    de doa&ccedil;&otilde;es monet&aacute;rias para organiza&ccedil;&otilde;es de    conserva&ccedil;&atilde;o ativas na regi&atilde;o e atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es    em nossos pa&iacute;ses para diminuir as press&otilde;es sobre a Amaz&ocirc;nia.    Por exemplo, atrav&eacute;s da compra de caf&eacute; que &eacute; conhecido    por financiar a sobreviv&ecirc;ncia de povos locais, o chamado caf&eacute; <i>fair    trade</i>, e dando suporte a outros produtos e planos de investimento que permitam    a exist&ecirc;ncia da floresta e da biodiversidade.</font></p>     <p><font size="3"><b><i>&Eacute; poss&iacute;vel afirmar que o modelo transfronteiri&ccedil;o    &eacute; a tend&ecirc;ncia futura da conserva&ccedil;&atilde;o ambiental?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">N&atilde;o diria que a conserva&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a    representa "o futuro" da conserva&ccedil;&atilde;o. Esse modelo representa    uma estrat&eacute;gia, entre muitas, que tem tido algum sucesso. &Eacute; importante    compreender os diferentes contextos em que h&aacute; sucesso e que fatores est&atilde;o    circunscritos nele. O que a conserva&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;as    faz, no entanto, &eacute; oferecer uma alternativa para que a humanidade solucione    algumas das quest&otilde;es ambientais de uma forma passiva e cooperativa. Trata-se    de um conceito realmente simples compreendido pela maioria das pessoas e ensinado    por nossos parentes: que a melhor maneira de se alcan&ccedil;ar nossos objetivos    &eacute; trabalhando em conjunto e respeitando um ao outro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Germana Barata</b></i></font></p>      ]]></body>
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