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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A pesca e os recursos pesqueiros na Amazônia Ocidental]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a12img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A PESCA E OS RECURSOS PESQUEIROS NA AMAZ&Ocirc;NIA OCIDENTAL    </b></font></p>     <p><font size="3"><b>Carlos Edwar de Carvalho Freitas    <br>   Alexandre Almir Ferreira Rivas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"> <b><font size=5>A</font></b> complexidade da pesca amaz&ocirc;nica    &eacute; muito alta. O predom&iacute;nio de procedimentos artesanais na detec&ccedil;&atilde;o    dos cardumes e nas opera&ccedil;&otilde;es de captura &eacute; refletido na    variedade de apetrechos e estrat&eacute;gias de pesca. Ao mesmo tempo, fatores    ambientais e mercadol&oacute;gicos propiciam oferta e demanda para uma elevada    diversidade de esp&eacute;cies, incomum em pescarias comerciais. Um fator adicional    de complexidade na pesca dessa regi&atilde;o s&atilde;o os diferentes tipos    de usu&aacute;rios dos recursos pesqueiros, com diferentes estrat&eacute;gias    de pesca e diferentes comportamentos frente aos recursos e ao ambiente.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">Coexistem seis modalidades de pesca na bacia amaz&ocirc;nica:    uma pesca predominantemente de subsist&ecirc;ncia, praticada por grupos familiares,    pequenas comunidades, subestruturas &eacute;tnicas e outras estruturas de pequeno    porte que buscam a sobreviv&ecirc;ncia f&iacute;sica (1); uma pescaria comercial    multiespec&iacute;fica, destinada ao abastecimento dos centros urbanos regionais    e praticada, em geral, por pescadores residentes nesses centros (2); uma pescaria    comercial monoespec&iacute;fica, voltada para a exporta&ccedil;&atilde;o e dirigida    principalmente &agrave; captura de bagres como a piramutaba <i>Brachyplatystoma    vailantii</i> e o surubim <i>Pseudoplatystoma filamentosum</i> (3); uma pesca    em reservat&oacute;rios, resultante da constru&ccedil;&atilde;o de grandes represas    para gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica, como Tucuru&iacute; e    Balbina, que vem sendo desenvolvida por uma nova categoria de pescadores denominados    "barrageiros" (4); uma pesca esportiva, que tem como esp&eacute;cie    alvo o tucunar&eacute; <i>Cichla sp</i>. e vem sendo praticada principalmente    em rios de &aacute;guas pretas; e, uma pescaria de esp&eacute;cies ornamentais    destinadas, principalmente, &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o e realizada predominantemente    no rio Negro e em seus afluentes (5).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Neste artigo, fazemos uma breve revis&atilde;o das modalidades    de pesca que ocorrem na bacia amaz&ocirc;nica, relatando os principais recursos    explotados em cada uma delas e uma an&aacute;lise preliminar do estado de sustentabilidade    do processo de explota&ccedil;&atilde;o. Ao final, tecemos algumas considera&ccedil;&otilde;es    sobre estrat&eacute;gias de manejo, as quais consideramos promissoras para a    pesca amaz&ocirc;nica.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>A PESCA DE SUBSIST&Ecirc;NCIA</b> Essa modalidade de pesca    &eacute; uma atividade difusa, praticada pelas popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas    de toda a Amaz&ocirc;nia, sem local espec&iacute;fico para desembarque. O elevado    consumo de pescado, cerca de 550 g/per capita.dia na Amaz&ocirc;nia Central    (6) fornece uma id&eacute;ia da import&acirc;ncia social dessa pescaria, que    pode representar at&eacute; 60% de todo o pescado capturado anualmente na regi&atilde;o    (7). O apetrecho de pesca predominante &eacute; a malhadeira (6), em face da    facilidade de uso por uma &uacute;nica pessoa e pela possibilidade de desenvolver    outras atividades como a agricultura, enquanto a rede permanece armada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">Explora uma grande diversidade de esp&eacute;cies, com predomin&acirc;ncia    de esp&eacute;cies que habitam os lagos de v&aacute;rzea. A diversidade das    capturas &eacute; maior nas &eacute;pocas de cheia e vazante do que nas &eacute;pocas    de seca e enchente, provavelmente devido a maior disponibilidade de h&aacute;bitats    para os peixes que passam a explorar as matas alagadas, al&eacute;m da &aacute;rea    aberta do lago (8). A profunda intera&ccedil;&atilde;o dos ribeirinhos com o    ecossistema aqu&aacute;tico amaz&ocirc;nico &eacute; refletida no processo de    explora&ccedil;&atilde;o dos recursos pesqueiros, sendo poss&iacute;vel identificar    padr&otilde;es sazonais em seu uso, na explora&ccedil;&atilde;o de ambientes    e na escolha dos apetrechos de pesca (8).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>A PESCA COMERCIAL MULTIESPEC&Iacute;FICA</b> Essa pesca explota    principalmente estoques de Characiformes migradores como jaraquis <i>Semaprochilodus    insignis</i> e <i>S. taenirus</i>, matrinx&atilde; <i>Brycon amazonicus</i>,    pacus <i>Myleus sp</i>., <i>Methynis sp</i>. e <i>Mylossoma sp</i>, tambaqui    <i>Colossoma macropomum</i> e curimat&atilde; <i>Prochilodus nigricans</i>.    Os desembarques s&atilde;o bastante influenciados pelo ciclo hidrol&oacute;gico,    principal for&ccedil;a reguladora de todo o ecossistema (9), que influencia    diretamente no sucesso das capturas e resulta em picos sazonais nos desembarques    de pescado em Manaus (Figura 1) e nos outros centros urbanos da regi&atilde;o.    Um pico de produ&ccedil;&atilde;o ocorre no primeiro semestre do ano, geralmente    entre os meses de abril e junho, per&iacute;odo de enchente-cheia, coincidente    com a migra&ccedil;&atilde;o de algumas esp&eacute;cies de Characiformes, como    jaraquis, matrinx&atilde;, pacus e curimat&atilde;. O segundo aumento nos desembarques    coincide com o per&iacute;odo de vazante, no segundo semestre, e decorre do    aumento da produtividade das pescarias nos lagos.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">A maior parte do pescado &eacute; capturado no rio Solim&otilde;es    e em seus tribut&aacute;rios, com destaque para o rio Purus (2). De 1976 a 1998,    a participa&ccedil;&atilde;o deste rio nos desembarques em Manaus, capital do    estado do Amazonas, triplicou, passando de 15,7% para 49,3% (10)</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Estudos de avalia&ccedil;&atilde;o dos estoques indicam que    apenas o tambaqui encontra-se em regime de sobre-pesca (11; 12). Entretanto,    considerando-se a elevada intensidade de explota&ccedil;&atilde;o dos jaraquis    e da curimat&atilde; recomenda-se a manuten&ccedil;&atilde;o de um cont&iacute;nuo    monitoramento do estado dos estoques dessas esp&eacute;cies e, provavelmente,    de estrat&eacute;gias pr&oacute;-ativas de manejo pesqueiro. Possivelmente,    as caracter&iacute;sticas de estrategistas dessas esp&eacute;cies, com ciclo    de vida curto, v&ecirc;m compensando a forte explota&ccedil;&atilde;o, mas &eacute;    imposs&iacute;vel determinar seu limite sustent&aacute;vel.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>A PESCA COMERCIAL MULTIESPEC&Iacute;FICA </b>As esp&eacute;cies-alvo    dessa pescaria s&atilde;o Siluriformes de m&eacute;dio e grande porte como piramutama    <i>Brachyplatystoma vailantii</i>, dourada <i>B. rousseauxii</i>, pira&iacute;ba    <i>B. filamentousum</i>, surubim <i>Pseudoplatystoma fasciatum</i>, caparari    <i>P. tigrinum</i>, pirarara <i>Phractocephalus hemilipterus</i> e mapar&aacute;    <i>Hypophthalmus marginatus</i>. A maior parte da captura &eacute; exportada    para outros estados brasileiros e para o exterior.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A pesca das esp&eacute;cies desse grupo assume caracter&iacute;sticas    industriais na foz do rio Amazonas e artesanais no interior da bacia hidrogr&aacute;fica,    principalmente ao longo do eixo Solim&otilde;es-Amazonas. Estudos realizados    sugerem que a piramutaba e a dourada realizam longas migra&ccedil;&otilde;es,    mais de 3 mil km, para completar seu ciclo de vida. O processo reprodutivo ocorre    nas cabeceiras de v&aacute;rios afluentes dos rios Solim&otilde;es-Amazonas.    As larvas planct&ocirc;nicas descem o rio at&eacute; o estu&aacute;rio, que    &eacute; a &aacute;rea de alimenta&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento dos juvenis.    Em algum momento, entre o est&aacute;gio de juvenil e adulto, os peixes migram    rio acima e continuam sua fase de crescimento na Amaz&ocirc;nia Central. Finalmente,    no momento da reprodu&ccedil;&atilde;o, os peixes tornam a migrar em dire&ccedil;&atilde;o    &agrave;s cabeceiras dos afluentes de origem para completar o ciclo (13).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Um crescente problema nessa pescaria &eacute; a exporta&ccedil;&atilde;o    ilegal para os pa&iacute;ses da fronteira oeste do estado do Amazonas, em particular    para Col&ocirc;mbia e Peru. As capturas realizadas nos trechos m&eacute;dio    e superior do rio Solim&otilde;es s&atilde;o comercializadas com pequenos frigor&iacute;ficos    flutuantes, denominados <i>bodegas</i>, que remetem a produ&ccedil;&atilde;o    para cidades fronteiri&ccedil;as colombianas e peruanas. Um estudo recente mostrou    que os pescadores amazonenses dos munic&iacute;pios do alto Solim&otilde;es    dependem dos propriet&aacute;rios de frigor&iacute;ficos colombianos para a    obten&ccedil;&atilde;o de insumos, como gelo e combust&iacute;vel (14). </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>A PESCA DE RESERVAT&Oacute;RIOS</b> Essa modalidade de pesca    surge na Amaz&ocirc;nia a partir da forma&ccedil;&atilde;o de grandes reservat&oacute;rios    para gera&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade, em particular os reservat&oacute;rios    de Tucuru&iacute;, no rio Tocantins, e Balbina, no rio Uatum&atilde;. Entretanto,    a sustentabilidade dessas pescarias vem sendo discutida, uma vez que a alta    produtividade dos anos imediatamente ap&oacute;s a forma&ccedil;&atilde;o da    barragem &eacute;, em geral, substitu&iacute;da por valores situados em um patamar    inferior ao observado antes do fechamento da represa. A redu&ccedil;&atilde;o    nos desembarques da pesca comercial e o crescimento de uma ind&uacute;stria    de pesca esportiva t&ecirc;m levado os pescadores do reservat&oacute;rio da    UHE Balbina, na Amaz&ocirc;nia Central, a considerar a op&ccedil;&atilde;o de    passarem de pescadores a guias de pescadores esportivos, hip&oacute;tese que    foi analisada em pesquisa realizada em 2003 (15).</font></p>     <p><FONT SIZE="3">No reservat&oacute;rio de Tucuru&iacute;, as pescarias no trecho    l&oacute;tico, situado acima do reservat&oacute;rio, aumentaram ap&oacute;s    o fechamento da barragem, sendo que a curimat&atilde; (<i>Prochilodus scrofa</i>)    era a principal esp&eacute;cie capturada. No interior do reservat&oacute;rio,    as pescarias de tucunar&eacute; (<i>Cichla sp</i>.) e pescada (<i>Plagiosciom    sp</i>.) eram as mais produtivas, contribuindo com 57% e 21%, respectivamente,    de toda a biomassa desembarcada de outubro de 1987 a setembro de 1988 (16).    </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>A PESCA ESPORTIVA</b> O crescimento dessa atividade est&aacute;    diretamente relacionado &agrave; presen&ccedil;a de grandes exemplares de tucunar&eacute;s    <i>Cichla sp</i>. em rios de &aacute;guas pretas da bacia. O comportamento agressivo    das esp&eacute;cies desse grupo vem atraindo aficionados pela pesca esportiva    de todo o mundo. Atualmente, o principal local de explora&ccedil;&atilde;o &eacute;    a regi&atilde;o que abrange o m&eacute;dio rio Negro e seus afluentes, com destaque    para os rios Jurubaxi, Arac&aacute;, Demeni, Cuiuni, Caur&eacute;s, Paduairi    e Unini.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">&Eacute; uma atividade com grande potencial de crescimento e    os pacotes vendidos no exterior para um per&iacute;odo de sete dias oscilam    em torno de US$ 3 mil durante a temporada, que se estende, em geral, de outubro    a mar&ccedil;o, coincidindo com o n&iacute;vel baixo das &aacute;guas. A modalidade    predominante &eacute; a pesca-e-solta.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Novos conflitos pelo uso dos recursos pesqueiros surgiram com    o crescimento dessa modalidade de pesca. Em rios de &aacute;guas pretas, como    o Negro, operadores de pesca esportiva estabeleceram uma situa&ccedil;&atilde;o    de conflito com pescadores de subsist&ecirc;ncia, pescadores de esp&eacute;cies    ornamentais e, principalmente, pescadores comerciais. O conflito entre os pescadores    de subsist&ecirc;ncia e os de peixes ornamentais, nativos da regi&atilde;o,    &eacute; de menor intensidade e decorre, na maioria das vezes, da sobreposi&ccedil;&atilde;o    espacial das atividades. Vem sendo minimizado pelo envolvimento dos pescadores    nativos em atividades de pesca esportiva, na forma de guias e pilotos de botes.    O conflito com os pescadores comerciais &eacute; causado pela forma diferenciada    que os dois grupos de pescadores compreendem a esp&eacute;cie-alvo, o tucunar&eacute;    <i>Cichla sp</i>. Os pescadores esportivos v&ecirc;em um tucunar&eacute; de    dez quilos como um trof&eacute;u a ser fotografado e devolvido ao rio, pelo    qual est&atilde;o dispostos a pagar at&eacute; US$ 3, mil por um pacote de uma    semana. Por outro lado, os pescadores comerciais consideram o mesmo peixe apenas    pelo seu valor de venda no mercado consumidor mais pr&oacute;ximo, a um pre&ccedil;o    vari&aacute;vel entre R$ 1,50 e R$ 2,50 o quilo. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>A PESCA DE ESP&Eacute;CIES ORNAMENTAIS</b> &Eacute; uma modalidade    de pesca voltada para a captura de pequenos peixes usados em aquariofilia. As    esp&eacute;cies mais capturadas s&atilde;o: cardinal <i>Paracheirodon axelroldi</i>,    n&eacute;on tetra <i>Paracheirodon innesi</i>, rosac&eacute;u <i>Hyphessobrycon    erythrostigma</i>, rod&oacute;stomo <i>Hemigramus blehery</i>, borboleta <i>Carnegiella    strigata</i> e coridora <i>Corydoras adolfoi</i>, al&eacute;m de algumas arraias    da fam&iacute;lia Potamotrygonidae. Os munic&iacute;pios de Barcelos e Santa    Isabel do Rio Negro, localizados ao longo da bacia do rio Negro, s&atilde;o    considerados os principais postos de com&eacute;rcio de peixes ornamentais.    Para ilustrar a import&acirc;ncia dessa atividade na regi&atilde;o basta citar    que, somente no munic&iacute;pio de Barcelos, a pesca ornamental contribui com    mais de 60% na renda da cidade (17). </font></p>     <p><FONT SIZE="3">A pesca ornamental &eacute; de car&aacute;ter artesanal, sendo    desenvolvida a partir do profundo conhecimento emp&iacute;rico dos pescadores,    localmente denominados de <i>piabeiros</i>. A explota&ccedil;&atilde;o destes    peixes de pequeno porte &eacute; realizada nos afluentes do rio Negro, predominantemente    em pequenos igarap&eacute;s e igap&oacute;s. Os principais apetrechos da pesca    ornamental s&atilde;o o rapich&eacute;, o cacur&iacute; e a armadilha, sendo    que o primeiro &eacute; utilizado com maior freq&uuml;&ecirc;ncia pelos <i>piabeiros</i>    (17). Em geral, estes pescadores instalam seus acampamentos nos arredores desses    igarap&eacute;s ou igap&oacute;s, onde constroem pequenos tanques-redes feitos    de tela de n&aacute;ilon, esquadrejada numa balsa de corti&ccedil;a, fixados    na praia mais pr&oacute;xima. Esse &eacute; o local usado para armazenamento    provis&oacute;rio dos peixes capturados, onde ser&atilde;o alimentados e separados    por categoria. A alimenta&ccedil;&atilde;o pode ser: peda&ccedil;os de peixe,    ovos cozidos e ralados ou ra&ccedil;&atilde;o fornecida pelas firmas exportadoras.    O tempo de perman&ecirc;ncia nesse local varia de 7 a 21 dias.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>MANEJO DA PESCA E DOS RECURSOS PESQUEIROS</b> Algumas considera&ccedil;&otilde;es    especiais devem ser levadas em conta no manejo de pescarias fluviais (10), particularmente    porque:</font></p>     <p><FONT SIZE="3">1.As assembl&eacute;ias de peixes s&atilde;o bastante complexas,    sendo o n&uacute;mero de esp&eacute;cies fortemente correlacionado com a &aacute;rea    da bacia;    <br>   2.As pescarias s&atilde;o bastante complexas, envolvendo uma grande diversidade    de apetrechos e de estrat&eacute;gias;    <br>   3.As popula&ccedil;&otilde;es de peixes flutuam amplamente em resposta &agrave;s    varia&ccedil;&otilde;es anuais de precipita&ccedil;&atilde;o e inunda&ccedil;&atilde;o.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Desenvolver estrat&eacute;gias visando assegurar a sustentabilidade    dos recursos pesqueiros amaz&ocirc;nicos e das pr&oacute;prias pescarias, que    envolvem um grande n&uacute;mero de pessoas, revestindo-se de enorme import&acirc;ncia    social e econ&ocirc;mica, tem sido um objetivo de cientistas e gerentes de recursos    nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Existem, preliminarmente, quatro estrat&eacute;gias de manejo    poss&iacute;veis (7): (i) proibir permanentemente a pesca comercial; (ii) manejar    visando &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da diversidade da captura atual; (iii)    gerenciar a pesca tendo como objetivo priorit&aacute;rio a maximiza&ccedil;&atilde;o    da produ&ccedil;&atilde;o pesqueira; e, (iv) manter o status quo. Alguns autores    (5) ressaltam a necessidade de estrat&eacute;gias de manejo determinadas pelas    caracter&iacute;sticas ecol&oacute;gicas do grupo de esp&eacute;cies-alvo de    cada pescaria. Segundo esses autores, o manejo da pesca de esp&eacute;cies sedent&aacute;rias,    que habitam os lagos e as &aacute;reas sazonalmente alagadas dos rios de &aacute;guas    brancas e pretas deve ter como principal objetivo a minimiza&ccedil;&atilde;o    dos conflitos entre os diferentes tipos de usu&aacute;rios, uma vez que esses    estoques constituem a principal fonte de prote&iacute;na animal da popula&ccedil;&atilde;o    ribeirinha. Por outro lado, a estrat&eacute;gia de manejo da pesca das esp&eacute;cies    migradoras deve compreender uma complexa combina&ccedil;&atilde;o de restri&ccedil;&otilde;es    que conciliem a explota&ccedil;&atilde;o dos estoques com os movimentos migrat&oacute;rios,    reconhecendo a import&acirc;ncia destes no ciclo de vida dessas esp&eacute;cies.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">Alguns resultados positivos de estrat&eacute;gias de co-manejo    pesqueiro, atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia de responsabilidade pela elabora&ccedil;&atilde;o,    implementa&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico    para a sociedade civil, principalmente na forma de acordos de pesca, nos levam    a acreditar que esse &eacute; um caminho promissor. Em particular por reconhecer    que a pesca amaz&ocirc;nica requer estrat&eacute;gias de manejo com m&uacute;ltiplos    objetivos, que atuem simultaneamente ao n&iacute;vel do recurso e da pr&oacute;pria    pesca. Al&eacute;m do que, permite o desenvolvimento de estrat&eacute;gias em    n&iacute;vel local, reconhecendo a heterogeneidade ambiental, das modalidades    de pesca e dos conflitos pelo uso dos recursos pesqueiros ao longo da bacia.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Al&eacute;m das estrat&eacute;gias descritas anteriormente,    &eacute; importante considerar a possibilidade de utiliza&ccedil;&atilde;o de    instrumentos econ&ocirc;micos na gest&atilde;o da pesca. H&aacute; algumas possibilidades    j&aacute; testadas em v&aacute;rias partes do planeta como o sistema de quotas,    mas que ainda s&atilde;o incipientes na regi&atilde;o. Devido ao fracasso de    v&aacute;rias dessas tentativas, quase sempre pela concentra&ccedil;&atilde;o    final das quotas nos usu&aacute;rios com maior poder econ&ocirc;mico, h&aacute;    certa resist&ecirc;ncia quanto ao seu uso. Novas possibilidades, por&eacute;m,    levam em conta a utiliza&ccedil;&atilde;o de instrumentos mistos compostos por    mecanismos do tipo comando-e-controle e econ&ocirc;micos. Uma possibilidade    seria a implanta&ccedil;&atilde;o de quotas negoci&aacute;veis de pesca em que    o Estado permanece como propriet&aacute;rio e as cede por per&iacute;odos pr&eacute;-estabelecidos,    tornando seu com&eacute;rcio direto uma pr&aacute;tica invi&aacute;vel.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Carlos E.C. Freitas</b> &eacute; professor titular da    Universidade Federal do Amazonas (Ufam). &Eacute; coordenador da rede de projetos    Bases para a Sustentabilidade da Pesca na Amaz&ocirc;nia, financiado pelo CNPq    e l&iacute;der do Grupo de Pesquisa Ecologia e Manejo da Pesca na Amaz&ocirc;nia    – Empa. &Eacute; bolsista do CNPq. </i></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Alexandre A.F. Rivas</b> &eacute; professor titular da    Ufam. Coordena o projeto Monitoramento das Atividades de Explora&ccedil;&atilde;o    e Transporte de Petr&oacute;leo e G&aacute;s Natural no Estado do Amazonas –    Piatam, financiado pela Finep e pela Petrobras.</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><B>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</B></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">1. Muth, R.M. "Subsistence and artisanal fisheries policy:    an international assessment". <i>In</i> Meyer, R.M.; Zhang, C.; Windsor,    M.L.; McCay, B.J.; Hujak, L.J. &amp; Muth, R.M. &#91;eds.&#93; <i>Fisheries utilization    and policy</i>. Proceedings of the World Fisheries Congress, Theme 2, New Delhi:    Oxford &amp; IBH Publishing, Pvt. Ltd. 76-82. 1996.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">2. Petrere Jr. M. (1985) "A pesca comercial no rio Solim&otilde;es-Amazonas    e seus afluentes: an&aacute;lise dos informes do pescado desembarcado no Mercado    Municipal de Manaus (1976-1978)". <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, 12, 1987-1999.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">3. Barthem, R.B. &amp; Petrere Jr., M. Fisheries and population    dynamics of <i>Brachyplatystoma vailantii</i> (Pimelodidae) in the amazon estuary".    <i>In</i> Armantrout &#91;ed.&#93; Condition of the World’s Aquatic Habitat. <i>Proceedings    of the World Fisheries Congress</i>. Theme 1. Oxford and IBH Publishing Co.    Pvt., New Delhy, 329-340. 1995.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">4. Petrere Jr., M. "Fisheries in large tropical reservoirs    in South America". <i>Lakes &amp; Reservoirs: research and management</i>,    2:111-133. 1996.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">5. Barthem, R.B.; Petrere Jr., M.; Isaac, V.J.; Ribeiro, M.C.L.B.;    McGrath, D.G.; Vieira, I.J.A.; Barco, M.V. "A pesca na Amaz&ocirc;nia:    problemas e perspectivas para seu manejo". <i>In</i>: Valladares-Padua,    C.; Bodmer, R.E.; Cullen Jr., L. (org.). <i>Manejo e conserva&ccedil;&atilde;o    de vida silvestre no Brasil</i>. Sociedade Civil Mamirau&aacute;. MCT-CNPq.    p. 173-185. 1997.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">6. Batista, V.S.; Inhamuns, A.J.; Freitas, C.E.C. &amp; Freire-Brasil,    D. "Characterisation of the fishery in riverine communities in the Low-Solim&otilde;es/High-Amazon    region". <i>Fisheries Management and Ecology</i>, 5:101-117. 1998.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">7. Bayley, P.B.; Petrere Jr., M. "Amazon fisheries: assessment    methods, current status and management points". <i>In</i>: Dodge, D.P.    (ed.). Proceedings of the International Large River Symposium. <i>Canadian Special    Publication of Fisheries and Aquatic Sciences</i>, 106: 385-398. 1989.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">8. Freitas, C.E.C.; Batista, V.S. &amp; Inhamuns, A.J. "Strategies    of small-scale fisheries on the Central Amazon floodplain". <i>In Acta    Amazonica</i>, 32(1):1-7. 2002.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">9. Junk. W.J.; Bayley, P. B.; Sparks, R. E. "The flood    pulse concept in river floodplain systems". <i>Special Publication of the    Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Science</i>, 106:110-127p. 1989.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">10. Soares, M.G.M. &amp; Junk, W.J. "Commercial fishery    and fish culture of the State of Amazonas: status and perspectives". <i>In</i>    Junk, W.J.; Ohly, J.J.; Piedade, M.T.F. &amp; Soares, M.G.M. &#91;eds.&#93; <i>The central    amazon floodplains: actual use and options for a sustainable management</i>.    Backhuys Publishers, Leiden, The Netherlands, 433-461. 2000.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">11. Petrere Jr., M. "Yield per recruit of the tambaqui,    <i>Colossoma macropomum</i> Cuvier, in Amazonas State, Brazil". <i>J. Fish    Biol</i>., 22: 133-144. 1983.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">12. Freitas, C.E.C.; Nascimento, F.S. &amp; Siqueira-Souza,    F.K. "Levantamento do estado de explota&ccedil;&atilde;o dos estoques de    curimat&atilde;, jaraqui, surubim e tambaqui". <i>In</i> Ruffino, M.L.    &#91;eds.&#93; O setor pesqueiro na Amaz&ocirc;nia: an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o    atual e tend&ecirc;ncias do desenvolvimento da pesca. <i>Documentos T&eacute;cnicos:    Estudos Estrat&eacute;gicos</i>, Prov&aacute;rzea, Ibama. 2006.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">13. Barthem, R.B. &amp; Goulding, M. <i>The catfish connection.    Biology and resource management in the tropics series</i>. New York: Columbia    University Press. 145p. 1997.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">14. Freitas, C.E.C.; Ara&uacute;jo, L.M.S.; Souza, L.A.; Nascimento,    F.A. &amp; Costa, E.L. <i>Cadeia produtiva da pesca artesanal e da piscicultura    familiar</i>. Relat&oacute;rio t&eacute;cnico UGD/Seplan/Banco Mundial. 135p.    2005.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">15. Freitas, C.E.C.; Rivas, A.A.F.; Nascimento, F.A. &amp; Siqueira-Souza,    F.K. "The effects of sport fishing growth on behavior of commercial fishermen    in Balbina reservoir", Amazon, Brazil. <i>Environment, Sustainability and    Development</i>. 2006.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">16. Ribeiro, M.C.L.B. &amp; Petrere Jr., M. "Ecological    integrity and fisheries ecology of the Araguaia-Tocantins river basin, Brazil".    <i>Regulated Rivers: Research and Management</i>, 11:325-350. 1995.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">17. Leite, R.G. &amp; Zuanon, J.A.S. "Peixes ornamentais    – aspectos da comercializa&ccedil;&atilde;o, ecologia, legisla&ccedil;&atilde;o    e propostas de a&ccedil;&atilde;o para um melhor aproveitamento". <i>In</i>    Val, A.L. &amp; Feldberg, E. &#91;eds.&#93; <i>Bases cient&iacute;ficas para estrat&eacute;gias    de preserva&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da Amaz&ocirc;nia: fatos e perspectivas</i>.    Manaus, 327-330. 1991.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">18. Welcomme, R. L. "Principles and approaches for river    fisheries management". <i>In</i> Cowx, I.G. (ed.) <i>Management and ecology    of river fisheries</i>. Fishing News Books. Blackwell Science. 2000.</FONT></p>      ]]></body>
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