<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252006000300017</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Formação e fixação de recursos humanos: ações essenciais para a Amazônia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Val]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adalberto Luis]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>58</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>41</fpage>
<lpage>44</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252006000300017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252006000300017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252006000300017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a12img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>FORMA&Ccedil;&Atilde;O E FIXA&Ccedil;&Atilde;O DE RECURSOS    HUMANOS – A&Ccedil;&Otilde;ES ESSENCIAIS PARA A AMAZ&Ocirc;NIA</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Adalberto Luis Val</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>DA HIST&Oacute;RIA DISTAL AOS NOSSOS DIAS</b> A necessidade    de recursos humanos qualificados para o desenvolvimento da Amaz&ocirc;nia se    faz sentir desde os tempos coloniais. Ainda no reinado portugu&ecirc;s de D.    Jos&eacute; I (1750-1777), Marques de Pombal deixava clara a import&acirc;ncia    estrat&eacute;gica de atrair capitais para o desenvolvimento de atividades econ&ocirc;micas    no extenso territ&oacute;rio que o Tratado de Tordesilhas havia consagrado &agrave;    Espanha, mas que Portugal aos poucos e pacificamente foi incorporando aos seus    dom&iacute;nios. Sabiam todos os governantes da &eacute;poca que n&atilde;o    bastava demarcar os novos limites consagrados por meio do novo Tratado de Madri    (13 de janeiro de 1750) que reconhecia, ent&atilde;o, a soberania lusitana nesse    imenso e cobi&ccedil;ado mundo anf&iacute;bio, a Amaz&ocirc;nia: era preciso    vencer dist&acirc;ncias e se fazer presente para melhor aproveitar as riquezas    da regi&atilde;o. &Eacute; preciso ter em conta que os pa&iacute;ses europeus    eram &aacute;vidos por produtos tropicais, ali&aacute;s, como ainda o s&atilde;o.    Hoje, mais do que os produtos, ao mundo interessam informa&ccedil;&otilde;es    acerca da complexa rela&ccedil;&atilde;o que permite a exist&ecirc;ncia da pr&oacute;pria    Amaz&ocirc;nia, nos seus mais diversos matizes.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">Contudo, a avidez europ&eacute;ia pelos produtos da regi&atilde;o    tropical n&atilde;o foi compensada por a&ccedil;&otilde;es que possibilitassem    o seu desenvolvimento. E assim tem sido. Com a subordina&ccedil;&atilde;o das    duas principais capitanias, Gr&atilde;o-Par&aacute; e S&atilde;o Jos&eacute;    do Rio Negro, ao Imp&eacute;rio do Brasil em 1823, a destina&ccedil;&atilde;o    das riquezas do Norte passou a ser o Sul do Brasil: pirarucu seco, salsaparrilha,    tabaco, caf&eacute;, cacau, castanha, manteiga de tartaruga, entre outras. No    per&iacute;odo de 1844 a 1889, a contribui&ccedil;&atilde;o do Norte para a    receita imperial era de 35%, mas as despesas brutas eram de 16% no Norte e 68,8%    no Sul, sendo que 15% das receitas eram repassadas a Londres a t&iacute;tulo    de pagamento da d&iacute;vida externa (1). No per&iacute;odo seguinte, a exporta&ccedil;&atilde;o    de borracha cresceu de forma estupenda. Por exemplo, entre os anos de 1890 e    1895, as receitas or&ccedil;ament&aacute;rias do Amazonas apresentaram crescimento    maior que 350% o que possibilitou, &agrave; &eacute;poca, arrojados projetos    urban&iacute;sticos (2). Em 10 de outubro de 1940, o presidente Vargas ressaltava    em seu Discurso do Rio Amazonas: "Todo o Brasil tem os olhos voltados para    o Norte, com o desejo patri&oacute;tico de auxiliar o surto do seu desenvolvimento".    Mais uma vez, os investimentos n&atilde;o contemplaram fundamentos para o desenvolvimento    cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico. A regi&atilde;o continuou contribuindo    mais como um almoxarifado do que como uma oportunidade de desenvolvimento cal&ccedil;ado    no conhecimento da sua gente, da sua flora e da sua fauna.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A constitui&ccedil;&atilde;o de 1946, em seu artigo 199, define    que "Na execu&ccedil;&atilde;o do Plano de Valoriza&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica    da Amaz&ocirc;nia, a Uni&atilde;o aplicar&aacute;, durante pelo menos vinte    anos consecutivos, quantia n&atilde;o inferior a tr&ecirc;s por cento de sua    renda tribut&aacute;ria". A execu&ccedil;&atilde;o desse plano esteve a    cargo da SPVEA (Superintend&ecirc;ncia do Plano de Valoriza&ccedil;&atilde;o    Econ&ocirc;mica da Amaz&ocirc;nia) e n&atilde;o foi capaz de romper com o abandono    pelo qual a regi&atilde;o passava e nem mesmo propor solu&ccedil;&otilde;es    para superar as dificuldades impostas pela falta de op&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica    e de com&eacute;rcio nacional e internacional para nossos produtos. A SPVEA,    sem pessoal qualificado e sem recursos suficientes, se transformou em mais um    &oacute;rg&atilde;o burocratizado e inoperante (3). Saliente-se que a quantia    constitucional "n&atilde;o inferior a tr&ecirc;s por cento" jamais    foi empregada na reativa&ccedil;&atilde;o da economia regional, finalidade prec&iacute;pua    da SPVEA. Com outra finalidade, nessa mesma &eacute;poca, &eacute; criado o    Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa), uma resposta do governo    brasileiro de Get&uacute;lio Vargas &agrave; tentativa de se instalar em Manaus    um instituto internacional de pesquisa, denominado Instituto Internacional da    Hil&eacute;ia Amaz&ocirc;nica, originada na Unesco. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">O Decreto 31.672 de 29 de outubro de 1952 criou o Inpa e sinalizou    a preocupa&ccedil;&atilde;o do estado brasileiro com o homem, a ci&ecirc;ncia    e a seguran&ccedil;a nacional. Esse decreto definiu como finalidade do Inpa    "o estudo cient&iacute;fico do meio f&iacute;sico e das condi&ccedil;&otilde;es    de vida da regi&atilde;o, tendo em vista o bem estar humano e os reclamos da    cultura, da economia e da seguran&ccedil;a nacional". Esse texto claramente    ressalta a import&acirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o para a seguran&ccedil;a    nacional, isto &eacute;, para a soberania nacional na perspectiva mais moderna.    Contudo, a regi&atilde;o ainda vivia imersa no subdesenvolvimento. Em 1960,    a SPVEA foi remodelada e reinaugurada com o nome de Sudam (Superintend&ecirc;ncia    de Desenvolvimento da Amaz&ocirc;nia) e, praticamente em conjunto, nasceram    projetos desenvolvimentistas como a constru&ccedil;&atilde;o de rodovias (Transamaz&ocirc;nica,    Bel&eacute;m-Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia-Acre e Perimetral Norte) e usinas    hidrel&eacute;tricas (Tucuru&iacute;, Samuel e Balbina), bem como programas    voltados para o desenvolvimento da pesquisa (Programa do Tr&oacute;pico &Uacute;mido    e P&oacute;lo Noroeste). A cidade de Humboldt, ao lado da cachoeira de Dardanelos,    no munic&iacute;pio de Aripuan&atilde;, noroeste do estado do Mato Grosso, tamb&eacute;m    foi uma iniciativa dessa &eacute;poca. A id&eacute;ia era ver a floresta transformada    no "Eldorado" sustent&aacute;vel. Como faltava gente, foram firmados    conv&ecirc;nios com universidades e institutos de outras regi&otilde;es do pa&iacute;s    que idealizaram, a partir de suas bases, sem conhecer a realidade, uma cidade    modelar amaz&ocirc;nica auto-sustent&aacute;vel. Ap&oacute;s consumir uma significativa    quantidade de recursos, a utopia acabou engolida pela realidade e o projeto    que tinha suporte financeiro do CNPq e da Sudam foi repassado para o governo    do estado do Mato Grosso. V&aacute;rias rodovias que nasceram nessa &eacute;poca    tiveram o mesmo destino de Humboldt.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Ainda nessa d&eacute;cada de 1960, dois projetos foram importantes:    a cria&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Amazonas que, a rigor, nasceu    bem antes, e a cria&ccedil;&atilde;o da Suframa (Zona Franca de Manaus), com    a finalidade de formar recursos humanos e de dar uma op&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica    para a banda oeste da Amaz&ocirc;nia legal. Contudo, enquanto os recursos foram    generosos para a Zona Franca, foram sempre acanhados para as universidades e    institutos de pesquisa da regi&atilde;o. </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">A Declara&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia, de 11 de dezembro    de 1966, feita em conjunto pelo governo federal, pelos governos dos estados    amaz&ocirc;nicos, pelas confedera&ccedil;&otilde;es nacionais da ind&uacute;stria    e da agricultura, evidencia claramente o desejo de todos na "mobiliza&ccedil;&atilde;o    de todas as for&ccedil;as vivas da na&ccedil;&atilde;o visando atrair para a    Amaz&ocirc;nia empreendimentos de qualquer natureza, indispens&aacute;veis &agrave;    sua valoriza&ccedil;&atilde;o". Al&eacute;m disso, nessa declara&ccedil;&atilde;o    &eacute; manifesto o desejo de que "a Amaz&ocirc;nia contribua, atrav&eacute;s    de sua perfeita e adequada incorpora&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade brasileira    sob sua soberania inalien&aacute;vel, para a solu&ccedil;&atilde;o dos grandes    problemas da humanidade" (4). Contudo, os recursos para formar e fixar    pessoal qualificado para a consecu&ccedil;&atilde;o dos m&uacute;ltiplos desejos    explicitados no &acirc;mbito dessa infinidade de iniciativas foram sempre insuficientes.    </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Como podemos depreender a partir desses diferentes momentos,    a forma&ccedil;&atilde;o e a fixa&ccedil;&atilde;o de recursos humanos na Amaz&ocirc;nia    sempre fez parte da pauta de inten&ccedil;&otilde;es para com a regi&atilde;o,    mas nunca ocorreu de fato. Se no passado, pessoal capacitado era necess&aacute;rio    em n&uacute;mero reduzido, hoje a sociedade do conhecimento est&aacute; em plena    atividade e envolve uma forte intera&ccedil;&atilde;o entre novas tecnologias    e capital humano, ambos s&oacute; poss&iacute;veis a partir de um elevado grau    de educa&ccedil;&atilde;o (5). A amplia&ccedil;&atilde;o das oportunidades de    renda e emprego associada a um uso adequado do meio ambiente, &agrave; melhoria    da produtividade de empresas, ao uso de novas tecnologias para o aproveitamento    dos recursos naturais da regi&atilde;o e &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o das    desigualdades sociais, entre outros, dependem em larga escala de educa&ccedil;&atilde;o    de alto n&iacute;vel. Na Amaz&ocirc;nia, al&eacute;m dos desafios nacionais,    h&aacute; aqueles decorrentes das condi&ccedil;&otilde;es singulares do ambiente    amaz&ocirc;nico e da situa&ccedil;&atilde;o imposta &agrave; regi&atilde;o ao    longo dos tempos.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>DESAFIOS AMPLIADOS</b> O sistema educacional na Amaz&ocirc;nia,    em particular a educa&ccedil;&atilde;o superior, al&eacute;m da reestrutura&ccedil;&atilde;o    e consolida&ccedil;&atilde;o requeridas pelo sistema educacional brasileiro    como um todo, precisa expandir-se de forma acentuada. Somada a um investimento    maci&ccedil;o nas universidades existentes para que suas curvas de crescimento    se descolem das previs&otilde;es talhadas a partir de equa&ccedil;&otilde;es    que t&ecirc;m como base os seus &iacute;ndices hist&oacute;ricos, a expans&atilde;o    do sistema dever&aacute; ser realizada por meio da cria&ccedil;&atilde;o de    novas universidades federais e estaduais na regi&atilde;o. &Eacute; preciso    que a mesma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que tem resultado na cria&ccedil;&atilde;o    de v&aacute;rias novas universidades no pa&iacute;s se volte para a Amaz&ocirc;nia,    n&atilde;o como benesse, mas como resultado da convic&ccedil;&atilde;o de que    &eacute; preciso dotar a Amaz&ocirc;nia de condi&ccedil;&otilde;es infra-estruturais    para que ela possa integrar-se &agrave; sociedade do conhecimento. H&aacute;    na Amaz&ocirc;nia dez universidades federais (duas no estado do Par&aacute;    e uma em cada um dos outros estados amaz&ocirc;nicos), n&uacute;mero que contrasta    fortemente com o de outros estados: em Minas Gerais, por exemplo, temos onze    universidades federais – UFV, Unifal, Unifei, UFJF, Ufla, UFMG, Ufop, UFSJ,    UFU, UFTM, UFVJM (6).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a17img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3">Mais desafiador ainda, entretanto, &eacute; ampliar o n&uacute;mero    de doutores nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa da Amaz&ocirc;nia.    Recente levantamento, por meio dos grupos de pesquisa e corpo docente e t&eacute;cnico    das IES da Amaz&ocirc;nia, indica uma contagem de pouco mais de 1,3 mil doutores,    fixados na regi&atilde;o. Desses, apenas 931 estavam envolvidos com atividades    docentes em n&iacute;vel de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no final de 2004.    Esse n&uacute;mero contrasta fortemente com o perfil das outras quatro regi&otilde;es    do Brasil que, conjuntamente, somam 33.936 docentes atuando na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    (7). Nesse mesmo portal da Capes, consta que no final do ano de 2004 havia na    regi&atilde;o Norte apenas 65 programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    17 em n&iacute;vel de doutorado, ou seja, apenas 3,4% dos 1.898 programas existentes    no pa&iacute;s. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Contudo, h&aacute; uma "luz no fim do t&uacute;nel":    novos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m sendo instalados    na Amaz&ocirc;nia. A aprova&ccedil;&atilde;o do programa de mestrado em desenvolvimento    regional da Universidade Federal do Amap&aacute;, com o apoio do programa Acelera    Amaz&ocirc;nia, apaga do nosso mapa uma &uacute;ltima exce&ccedil;&atilde;o    no que se refere &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    – a partir da Portaria 679 de 15/03/2006 do CNE, todos os estados brasileiros    passam a ter pelo menos um programa voltado &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    p&oacute;s-graduada (8). Por&eacute;m, estamos muito longe da base ideal para    a forma&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-graduada na Amaz&ocirc;nia. Em recente semin&aacute;rio    na Universidade do Estado do Amazonas, o professor Luiz Antonio Barreto de Castro    demonstrou claramente que o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia    tem conhecimento do enorme fosso que separa a Amaz&ocirc;nia das outras regi&otilde;es    do pa&iacute;s – h&aacute; na regi&atilde;o cerca de 350 grupos de pesquisas    que somados aos que existem no Nordeste brasileiro perfazem apenas 18% do total    existente no pa&iacute;s. Esses n&uacute;meros, segundo Castro, est&atilde;o    de acordo com o PIB dessa parte do pa&iacute;s (9). Enfatize-se que em praticamente    todas as an&aacute;lises, mundo afora, o PIB est&aacute; fortemente correlacionado    com o n&uacute;mero de doutores, vari&aacute;vel independente, atuando na regi&atilde;o    considerada; isto &eacute;, a riqueza e a qualidade de vida est&atilde;o na    raz&atilde;o direta do n&uacute;mero de pessoas qualificadas que, a cada momento,    ajudam a pensar e conceber estrat&eacute;gias s&oacute;lidas para o desenvolvimento    sustentado.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">&Eacute; evidente que, com essa base instalada, n&atilde;o h&aacute;    como acelerar o processo de capacita&ccedil;&atilde;o de pessoal em n&iacute;vel    de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o na e para a Amaz&ocirc;nia. &Eacute; preciso    mais do que o discurso que vem ocorrendo ao longo dos tempos. S&atilde;o necess&aacute;rias    pol&iacute;ticas para al&eacute;m do aqui e agora. S&atilde;o necess&aacute;rias    pol&iacute;ticas de Estado, duradouras, que tragam no seu seio a preocupa&ccedil;&atilde;o    com a soberania do pa&iacute;s sobre a regi&atilde;o e da regi&atilde;o para    com ela mesma. Ressalte-se que a concep&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas    deve considerar as fei&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias da regi&atilde;o –    n&atilde;o h&aacute; como conceb&ecirc;-las de fora para dentro, como a subordinar    a periferia ao centro. Na Amaz&ocirc;nia vive uma popula&ccedil;&atilde;o de    20 milh&otilde;es de pessoas, metade delas sem acesso ou com acesso prec&aacute;rio    &agrave; energia el&eacute;trica. Essa popula&ccedil;&atilde;o inclui cerca    de 180 povos ind&iacute;genas, algumas centenas de quilombolas e um sem n&uacute;mero    de comunidades de ribeirinhos que atuam em diversos setores da economia regional.    Al&eacute;m disso, ainda que alguns setores da economia tenham atingido um bom    grau de desenvolvimento, este est&aacute; centrado em Manaus e Bel&eacute;m,    o que limita a&ccedil;&otilde;es mais amplas e leva a um c&iacute;rculo vicioso    que acentua ainda mais os desequil&iacute;brios internos: &eacute; preciso investimentos    maci&ccedil;os tamb&eacute;m nos demais estados para que possam pensar seus    pr&oacute;prios caminhos.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Como o exerc&iacute;cio da pesquisa requer intera&ccedil;&atilde;o    entre os pares, as dist&acirc;ncias que separam as diferentes institui&ccedil;&otilde;es    instaladas na regi&atilde;o e estas de suas parceiras nas demais regi&otilde;es    do pa&iacute;s representam um desafio adicional. O custo dos deslocamentos internos    torna o exerc&iacute;cio pleno da intera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica    proibitiva a tal ponto de tornar vulner&aacute;vel a j&aacute; reduzida comunidade    cient&iacute;fica da Amaz&ocirc;nia face &agrave; demanda l&iacute;cita da sociedade    brasileira, e em particular aquela da sociedade local, e face &agrave;s press&otilde;es    internacionais de todas as ordens. A t&iacute;tulo de exemplo, contaram-se mais    de uma centena de expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas estrangeiras na    Amaz&ocirc;nia na d&eacute;cada de 1990 a 1999 (10). Contudo, a falta de pessoal    qualificado afigura-se mais e mais preocupante quando percebemos que n&atilde;o    estamos conseguindo sequer nos apropriarmos das informa&ccedil;&otilde;es que    v&ecirc;m sendo geradas acerca da Amaz&ocirc;nia em outros pa&iacute;ses que,    enfatize-se, n&atilde;o &eacute; desprez&iacute;vel. Uma r&aacute;pida consulta    ao Portal de Peri&oacute;dicos da Capes revela que cerca de 2/3 dos trabalhos    publicados, em todas as &aacute;reas do conhecimento, que envolviam assuntos    relacionados &agrave; Amaz&ocirc;nia, n&atilde;o tinham autores brasileiros    (11). </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b>UMA CONVERG&Ecirc;NCIA DESEJ&Aacute;VEL</b> Ap&oacute;s d&eacute;cadas    buscando um novo momento para a Amaz&ocirc;nia, presencia-se hoje uma converg&ecirc;ncia    pol&iacute;tica com vistas a essa finalidade. As principais ag&ecirc;ncias federais    alinham-se com a demanda social por uma Amaz&ocirc;nia capaz de se pensar. Os    representantes da sociedade da regi&atilde;o procuram articular o apoio nacional    necess&aacute;rio para a concep&ccedil;&atilde;o de uma agenda para a Amaz&ocirc;nia.    Os governos locais, com destaque para o estado do Amazonas, instalam e dotam    de recursos suas funda&ccedil;&otilde;es estaduais de amparo &agrave; pesquisa.    A reforma universit&aacute;ria proposta imp&otilde;e a necessidade das IES,    p&uacute;blicas e privadas, inclu&iacute;rem pessoal graduado em n&iacute;vel    de doutorado em seus quadros, bem como oferecer cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    stricto sensu. A sociedade do conhecimento requer educa&ccedil;&atilde;o e a    transforma num produto de alto valor n&atilde;o s&oacute; social, mas econ&ocirc;mico,    como mencionado acima. Al&eacute;m disso, no &acirc;mbito das institui&ccedil;&otilde;es    que produzem informa&ccedil;&otilde;es, mais e mais est&aacute; claro que o    apoio &agrave; pesquisa est&aacute; relacionado &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o    da capacidade de forma&ccedil;&atilde;o de pessoal p&oacute;s-graduado (12).    </font></p>     <p><FONT SIZE="3">Considerando que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para imposi&ccedil;&otilde;es    acerca dos rumos que a Amaz&ocirc;nia deve tomar e que esses rumos precisam    ser concebidos pela pr&oacute;pria regi&atilde;o, &eacute; preciso rapidamente    dot&aacute;-la de uma capacidade de reflex&atilde;o ampliada. A amplia&ccedil;&atilde;o    dessa capacidade passa efetivamente pela fixa&ccedil;&atilde;o de recursos humanos    qualificados. Para isso, n&atilde;o h&aacute; perspectivas evidentes no curto    prazo. Por isso, precisamos de pronto trabalhar com o que temos e, nesse aspecto,    h&aacute; um amplo contingente de professores e t&eacute;cnicos j&aacute; contratados    e fixados nas principais universidades federais e institutos de pesquisas da    regi&atilde;o: em m&eacute;dia por volta de 20% dos quadros docentes das dez    universidades federais da Amaz&ocirc;nia t&ecirc;m doutorado; ou seja, potencialmente    quatro em cada cinco docentes dessas institui&ccedil;&otilde;es estariam aptos    a receber treinamento em n&iacute;vel doutoral. A mesma perspectiva h&aacute;    para as institui&ccedil;&otilde;es de pesquisas da regi&atilde;o. &Eacute; preciso    que as novas contrata&ccedil;&otilde;es busquem doutores para grupos de pesquisa.    Aqui cabe destacar a recente a&ccedil;&atilde;o adotada pela Capes: o programa    Acelera. Esse programa busca apoiar a amplia&ccedil;&atilde;o dos grupos de    pesquisas na regi&atilde;o e, por conseg&uuml;inte, a capacidade de forma&ccedil;&atilde;o    de pessoal em n&iacute;vel de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e a concep&ccedil;&atilde;o    de um amplo programa para a mobilidade entre os cientistas das diferentes regi&otilde;es    do pa&iacute;s. Enfatize-se que tal a&ccedil;&atilde;o foi concebida a partir    de uma ampla discuss&atilde;o com as IES, funda&ccedil;&otilde;es e institutos    da regi&atilde;o, o que est&aacute; permitindo uma a&ccedil;&atilde;o coordenada    conjunta. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">O sucesso de programas de fixa&ccedil;&atilde;o estar&aacute;,    contudo, na raz&atilde;o direta do envolvimento das v&aacute;rias inst&acirc;ncias    da sociedade para a abertura de concursos p&uacute;blicos para a contrata&ccedil;&atilde;o    definitiva de pessoal. Bolsas de estudo para os diversos n&iacute;veis se constituem    num instrumento de vital import&acirc;ncia para uma a&ccedil;&atilde;o imediata,    mas n&atilde;o conduzem, em longo prazo, na consolida&ccedil;&atilde;o de grupos    permanentes de pesquisa na regi&atilde;o. H&aacute;, mesmo neste quesito, uma    luz no fim do t&uacute;nel. A converg&ecirc;ncia de esfor&ccedil;os resultou,    recentemente, no envolvimento mais efetivo da SBPC na articula&ccedil;&atilde;o    de uma agenda para a Amaz&ocirc;nia que prev&ecirc;, entre outros, esfor&ccedil;os    efetivos para a fixa&ccedil;&atilde;o de pessoal qualificado (13, 14). Sabemos    todos, que o fundamento para o exerc&iacute;cio da pesquisa cient&iacute;fica    recai, sem d&uacute;vida, numa duradoura capacidade de reflex&atilde;o.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>UMA &Uacute;LTIMA MENSAGEM </b> N&oacute;s temos hoje a op&ccedil;&atilde;o    de continuar tendo uma Amaz&ocirc;nia verde, que ao longo do tempo se vem esmaecendo    por falta de oportunidades para sua gente, ou ajudar a construir um momento    em que as m&uacute;ltiplas cores escondidas no verde se desabrochem e permitam    uma desconcentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica de fato, com eixos articulados    de desenvolvimento para a regi&atilde;o. Sem d&uacute;vida, a ci&ecirc;ncia,    a tecnologia e a inova&ccedil;&atilde;o est&atilde;o na base deste momento e    a forma&ccedil;&atilde;o e a fixa&ccedil;&atilde;o de pessoal na regi&atilde;o    s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es para o seu pleno exerc&iacute;cio. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Adalberto Luis Val</b> &eacute; diretor do Instituto Nacional    de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa) e professor da Universidade do Estado    do Amazonas – UEA</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <p><FONT SIZE="3">1. Villela, A. <i>apud</i> Mello, E.C. "Ra&iacute;zes da    desigualdade". <i>Folha de S. Paulo</i>, 3 de abril de 2005, Caderno Mais,    p 3. 2005.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">2. Garcia, E. <i>Zona Franca de Manaus: hist&oacute;ria, conquistas    e desafios</i>. Norma Editora. Suframa. Manaus, AM. 2004.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">3. Fonseca, O.J.M. &amp; Val, A.L. (s/d) Recursos para pesquisa    e desenvolvimento. Inpa. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">4. Declara&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia de 11 de dezembro    de 1966.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">5. Guedes, P. <i>Revista &Eacute;poca</i> de 20 de mar&ccedil;o    de 2006. p. 30</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">6. Portal do MEC, 07 de Abril de 2006</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">7. Portal da Capes, 07 de Abril de 2006</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">8 .Val &amp; Guimar&atilde;es "Novo momento para a pesquisa    e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia". <i>Jornal da Ci&ecirc;ncia</i>,    561. 2006.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">9. Castro, L.A.B. "Os avan&ccedil;os da biologia diante    dos grandes desafios do novo mil&ecirc;nio". Semin&aacute;rio apresentado    na Universidade do Estado do Amazonas em 31 de mar&ccedil;o de 2006.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">10. Fujiyoshi. <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i> 56 (1): 9-11.    2004.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">11. Val, A.L. Amaz&ocirc;nia. III Confer&ecirc;ncia Nacional    de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o. Bras&iacute;lia, DF.2005.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">12. CNPq Relat&oacute;rio t&eacute;cnico anual. 2005.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">13. Abreu S&aacute;, T.D. "Mudar a Amaz&ocirc;nia &eacute;    mudar o Brasil". <i>Jornal da Ci&ecirc;ncia</i>, 570. 2006.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">14. An&ocirc;nimo Carta de Manaus: Itens e essenciais. <i>Jornal    da Ci&ecirc;ncia</i>. 2006</FONT></p>      ]]></body>
</article>
