<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252006000300022</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conto de escritor paulista pode virar filme na Espanha]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Suppia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alfredo Luiz Paes de Oliveira]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>58</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>58</fpage>
<lpage>59</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252006000300022&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252006000300022&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252006000300022&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>ADAPTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="4"><b>CONTO DE ESCRITOR PAULISTA PODE VIRAR FILME NA ESPANHA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Por volta de 1960, o escritor Andr&eacute; Carneiro cobria os    olhos com algod&atilde;o e &oacute;culos escuros para melhor entender o universo    de quem n&atilde;o v&ecirc;. "Depois disso, olhava as teclas da m&aacute;quina    de escrever mas, quando parava para pensar, estava sempre de olhos fechados",    comenta Carneiro. A experi&ecirc;ncia fazia parte de sua pesquisa para escrever    "Escurid&atilde;o", seu conto mais publicado no exterior e que atraiu    a aten&ccedil;&atilde;o de produtores de cinema nos EUA e Europa. </font></p>     <p><font size="3">Essa hist&oacute;ria foi publicada pela primeira vez em 1963,    pela Edart, na colet&acirc;nea <i>Di&aacute;rio da nave perdida</i>, reunindo    outros contos do escritor. Desde ent&atilde;o, foi republicada em mais de 12    pa&iacute;ses – Jap&atilde;o, Gr&eacute;cia, Alemanha e B&eacute;lgica, entre    outros. Em 2003, "Escurid&atilde;o" integrou a antologia <i>P&aacute;ginas    de sombra: contos fant&aacute;sticos brasileiros</i>, organizada por Br&aacute;ulio    Tavares, para a editora carioca Casa da Palavra. </font></p>     <p><font size="3">Em abril passado, Andr&eacute; Carneiro assinou contrato de    venda de "Escurid&atilde;o" para a realiza&ccedil;&atilde;o de um    roteiro cinematogr&aacute;fico. As negocia&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram    alguns meses antes, quando Carneiro foi contatado pelo espanhol Jos&eacute;    Manuel C. Hern&aacute;ndez. O escritor conta que Hern&aacute;ndez escreveu-lhe    porque gostava muito de "Escurid&atilde;o", mas julgava que a obra    j&aacute; tinha sido adaptada para o cinema. H&aacute; v&aacute;rios anos a    hist&oacute;ria despertou o interesse de americanos e esteve em vias de virar    filme. Carneiro lembra que seu agente liter&aacute;rio e tradutor nos Estados    Unidos, Leo Barrow, tamb&eacute;m professor de literatura na Universidade do    Arizona, em Tucson, pediu-lhe licen&ccedil;a para escrever um roteiro cinematogr&aacute;fico    baseado na hist&oacute;ria, por ele traduzida. "O roteiro interessou um    diretor mexicano que j&aacute; dirigira filmes em Hollywood. A inten&ccedil;&atilde;o    de Barrow era encaminhar o roteiro a um grande produtor, seu amigo. Mas esse    diretor acabou cometendo um crime passional, o que interrompeu definitivamente    todo o processo", conta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a22img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>HIST&Oacute;RIA DAS TREVAS</b> O conto se passa em local    e tempo indeterminado, quando a humanidade est&aacute; &agrave;s v&eacute;speras    de viver fen&ocirc;meno semelhante a um eclipse, por&eacute;m muito mais poderoso    e catastr&oacute;fico: n&atilde;o &eacute; apenas a luz solar que est&aacute;    prestes a desaparecer, mas toda e qualquer forma de luz, da emitida pelo fogo    &agrave; da l&acirc;mpada el&eacute;trica. F&oacute;sforos ou lanternas s&atilde;o    in&uacute;teis. O planeta mergulha numa escurid&atilde;o absoluta e a civiliza&ccedil;&atilde;o    entra em colapso. Saques, viol&ecirc;ncia, fome e doen&ccedil;a. Wladas, o solit&aacute;rio    narrador-personagem, enfrenta sucessivas prova&ccedil;&otilde;es e, ao assumir    a responsabilidade por uma fr&aacute;gil fam&iacute;lia vizinha, acaba sendo    ajudado por cegos de nascen&ccedil;a, os mais aptos a lidar com as trevas absolutas.    Semanas depois, a luz retorna gradativamente, as sociedades se reorganizam,    mas nessa trajet&oacute;ria a humanidade nunca mais seria a mesma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>AVENTURA BRASILEIRA </b>N&atilde;o&eacute; a primeira vez    que o escritor se envolve com cinema. Carneiro j&aacute; escreveu roteiro sobre    Meneghetti, o c&eacute;lebre ladr&atilde;o dos anos 1920 em S&atilde;o Paulo,    por encomenda do produtor italiano Carlo Ponti, e dirigiu um curta-metragem    de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica com Regina Shakti e Rudolf Peper no    elenco, aproveitando como cen&aacute;rio o r&aacute;dio-telesc&oacute;pio de    Atibaia no interior paulista. </font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o custa lembrar que um texto do brasileiro Jorge Luiz    Calife inspirou Arthur C. Clarke a escrever uma sequ&ecirc;ncia de <i>2001:    uma odiss&eacute;ia no espa&ccedil;o</i> (1968), de Stanley Kubrick, e que resultou    no filme <i>2010: o ano em que faremos contato</i> (1984), dirigido por Peter    Hyams. Em 1975, Calife escreveu o conto "2002", continua&ccedil;&atilde;o    do filme <i>2001</i>, e em 1977 enviou um resumo do texto para Clarke, que pediu    permiss&atilde;o para usar as id&eacute;ias. "O livro do Clarke, <i>2010:    odiss&eacute;ia 2</i>, saiu por volta de 1980, com um agradecimento &agrave;s    minhas sugest&otilde;es no final. A revista <i>Manchete</i> publicou ent&atilde;o    como encarte o conto original, que tinha inspirado Clarke", lembra o autor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia</i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a22img02.jpg"></p>      ]]></body>
</article>
