<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252007000100005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aprovação de leis para bioprospecção evidencia influência da mídia nas decisões]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[di Giulio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriela]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<volume>59</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>10</fpage>
<lpage>11</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252007000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252007000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252007000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a03img01.gif"> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">PERCEP&Ccedil;&Atilde;O P&Uacute;BLICA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n1/lineblk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Aprova&ccedil;&atilde;o de leis para bioprospec&ccedil;&atilde;o    evidencia influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia nas decis&otilde;es </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Num cen&aacute;rio em que a m&iacute;dia domina o debate pol&iacute;tico    e a tomada de decis&atilde;o, assim como comportamentos sociais, h&aacute; interesse    da academia em descobrir at&eacute; que ponto, ao expor controv&eacute;rsias    e pol&ecirc;micas sobre determinado assunto, os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o    influenciam a tomada de decis&atilde;o de um governo. Tendo como pano de fundo    essa reflex&atilde;o, a pesquisadora S&iacute;lvia Fujiyoshi realizou estudo    de caso sobre um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o internacional para bioprospec&ccedil;&atilde;o    que n&atilde;o deu certo. O trabalho foi realizado no Departamento de Pol&iacute;tica    Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica da Unicamp e teve como base a cria&ccedil;&atilde;o    de um contrato entre a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira para o Uso Sustent&aacute;vel    da Biodiversidade da Amaz&ocirc;nia – uma organiza&ccedil;&atilde;o social que    ficou conhecida como Bioamaz&ocirc;nia – e a empresa multinacional su&iacute;&ccedil;a    Novartis Pharma AG. </font></p>     <p><font size="3">Proposto em 2000, o acordo para coleta e identifica&ccedil;&atilde;o    de bact&eacute;rias e fungos na Amaz&ocirc;nia, produ&ccedil;&atilde;o de extratos    e realiza&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lises para identificar subst&acirc;ncias    de interesse farmac&ecirc;utico n&atilde;o prosperou e as pol&ecirc;micas criadas    em torno dele foram resolvidas, apenas em 2005, no Superior Tribunal de Justi&ccedil;a.    Mais do que ter trazido &agrave; tona quest&otilde;es relacionadas &agrave;    pr&aacute;tica da bioprospec&ccedil;&atilde;o no Brasil, o acordo Bioamaz&ocirc;nia/Novartis    e sua divulga&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia tiveram uma rela&ccedil;&atilde;o    direta com a edi&ccedil;&atilde;o de uma Medida Provis&oacute;ria e a cria&ccedil;&atilde;o    do Conselho de Gest&atilde;o do Patrim&ocirc;nio Gen&eacute;tico (CGen) que,    na opini&atilde;o de especialistas da &aacute;rea, t&ecirc;m gerado uma s&eacute;rie    de restri&ccedil;&otilde;es sobre o acesso aos recursos gen&eacute;ticos brasileiros.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a05img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A pesquisa envolveu uma an&aacute;lise jornal&iacute;stica,    contemplando 45 mat&eacute;rias publicadas entre junho e agosto de 2000, em    cinco jornais brasileiros. "Foi nesse per&iacute;odo que as discuss&otilde;es    sobre vantagens e desvantagens do acordo entre a Bioamaz&ocirc;nia e a Novartis,    a aprova&ccedil;&atilde;o da regulamenta&ccedil;&atilde;o da lei de acesso aos    recursos gen&eacute;ticos no Brasil e a edi&ccedil;&atilde;o da Medida Provis&oacute;ria    sobre o tema estavam em pleno curso", explica S&iacute;lvia. </font></p>     <p><font size="3"><b>COBERTURA PARCIAL</b> O estudo mostrou que a <i>Folha de    S. Paulo</i> e o jornal <i>A Cr&iacute;tica</i>, do Amazonas, foram os ve&iacute;culos,    dos cinco analisados, que publicaram a maior quantidade de mat&eacute;rias sobre    o tema durante os meses de junho, julho e agosto de 2000. A pesquisadora mostra    que o material jornal&iacute;stico analisado, em sua maioria, est&aacute; classificado    na categoria informativa, com textos noticiosos e factuais. "Foram poucas    as pe&ccedil;as jornal&iacute;sticas de car&aacute;ter interpretativo, com conte&uacute;do    resultante de reflex&otilde;es e cruzamento de informa&ccedil;&otilde;es, foram    tamb&eacute;m restritas as mat&eacute;rias opinativas, com a emiss&atilde;o    do ponto de vista dos pr&oacute;prios jornais ou formadores de opini&atilde;o,    sobre o caso", explica. </font></p>     <p><font size="3">Mesmo assim, a an&aacute;lise de S&iacute;lvia mostra diversos    exemplos de quanto a cobertura jornal&iacute;stica influenciou a tomada de decis&atilde;o,    destacando t&iacute;tulos e subt&iacute;tulos das mat&eacute;rias, como: "Biopirataria    oficial na Amaz&ocirc;nia" e "Minist&eacute;rio denuncia contrato    que d&aacute; &agrave; multinacional o poder de explorar, sem controle, a biodiversidade    da floresta", publicados no <i>Correio Braziliense</i>, do Distrito Federal;    "Acordo amea&ccedil;a patrim&ocirc;nio gen&eacute;tico", veiculado    no jornal <i>O Liberal</i>, do Par&aacute;; "Pesquisadores recha&ccedil;am    acordo", t&iacute;tulo de mat&eacute;ria do jornal <i>A Cr&iacute;tica</i>;    e "Acordo Bioamaz&ocirc;nia-Novartis enfrenta a oposi&ccedil;&atilde;o    de cientistas", publicado no <i>Jornal da Ci&ecirc;ncia</i>. </font></p>     <p>A partir das mat&eacute;rias sobre o tema publicadas na <i>Folha</i>, por exemplo,    a pesquisadora acredita que &eacute; poss&iacute;vel visualizar como a arena    da rede de constru&ccedil;&atilde;o da pol&ecirc;mica Bioamaz&ocirc;nia/Novartis    se estendeu e como um assunto, aparentemente isolado, ganhou influ&ecirc;ncia    e incutiu novo ritmo e rumo &agrave;s discuss&otilde;es sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o    do acesso aos recursos gen&eacute;ticos no pa&iacute;s. "Exatamente no    mesmo per&iacute;odo, quatro projetos de lei para regulamentar o acesso aos    recursos gen&eacute;ticos eram discutidos no Congresso Nacional", compara.</font></p>     <p><font size="3"><b>PASSO A PASSO</b> Para realizar o estudo, a pesquisadora    optou pelo jornal <i>Folha de S. Paulo</i>, por representar a cobertura de alcance    nacional; o <i>Correio Braziliense</i>, por estar localizado em Bras&iacute;lia,    onde se concentraram as negocia&ccedil;&otilde;es sobre o acordo; os jornais    <i>O Liberal e A Cr&iacute;tica</i>, dos estados do Par&aacute; e do Amazonas,    respectivamente, por representarem a cobertura de reconhecimento regional, e    o <i>Jornal da Ci&ecirc;ncia</i>, uma publica&ccedil;&atilde;o especializada    da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), destinada    ao p&uacute;blico de cientistas do Brasil, por representar a opini&atilde;o    de uma categoria que seria impactada diretamente pelas decis&otilde;es em discuss&atilde;o.    </font></p>     <p><font size="3">S&iacute;lvia entrevistou pesquisadores ligados &agrave; Bioamaz&ocirc;nia    e jornalistas. Nenhum representante da multinacional Novartis se pronunciou,    apesar das v&aacute;rias tentativas nesse sentido, conta a pesquisadora. Para    a maioria dos entrevistados, a pol&ecirc;mica instaurada, e divulgada pela m&iacute;dia,    colaborou para mudar a legisla&ccedil;&atilde;o relacionada &agrave; bioprospec&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font size="3"><b>REPERCUSS&Atilde;O</b> O marco regulat&oacute;rio brasileiro    atual, que define os tr&acirc;mites relacionados ao acesso aos recursos gen&eacute;ticos,    &agrave; prote&ccedil;&atilde;o ao conhecimento tradicional e &agrave; reparti&ccedil;&atilde;o    de benef&iacute;cios obtidos com o uso desses recursos, &eacute; considerado    muito r&iacute;gido por grande parte dos pesquisadores que trabalham direta    e indiretamente com a bioprospec&ccedil;&atilde;o. Para alguns especialistas,    isso pode possibilitar e facilitar a biopirataria. </font></p>     <p><font size="3">"Com a complexidade de processos que envolvem atores sociais    variados, interesses diversos, conceitos que t&ecirc;m significados diferentes    para cada um dos atores, &eacute; muito dif&iacute;cil um marco regulat&oacute;rio    dar conta de toda essa complexidade de maneira que todos os atores sintam que    seus direitos est&atilde;o sendo observados", afirma a pesquisadora da    Unicamp, Lea Velho, coordenadora do projeto Natureza e Impacto de Parcerias    Norte-Sul na Produ&ccedil;&atilde;o e Utiliza&ccedil;&atilde;o de Conhecimento    em Bioprospec&ccedil;&atilde;o (Parbio), onde se insere a pesquisa que inclui,    al&eacute;m do Brasil, estudos na Col&ocirc;mbia, Peru e Suriname, por sua biodiversidade.    Para atender a essa variedade de interesses, a lei &eacute; r&iacute;gida e    os processos de an&aacute;lise s&atilde;o demorados. "Nessa demora, evidentemente,    as coletas de material biol&oacute;gico n&atilde;o param de fato, o que acaba,    indiretamente, estimulando a biopirataria", conclui a pesquisadora.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"> <i>Gabriela di Giulio</i></font></p>      ]]></body>
</article>
