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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">CI&Ecirc;NCIAS SOCIAIS</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n1/lineblk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>O esquecimento da pol&iacute;tica e as muta&ccedil;&otilde;es    no mundo das id&eacute;ias</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">As incertezas e profundas transforma&ccedil;&otilde;es nas v&aacute;rias    esferas da vida humana comp&otilde;em um panorama em que a pol&iacute;tica &eacute;    um dos objetos privilegiados de esquecimento. Esse mote foi um dos principais    eixos do ciclo de confer&ecirc;ncias "O esquecimento da pol&iacute;tica,    cultura e pensamento em tempos de incerteza", organizado pelo fil&oacute;sofo    e jornalista Adauto Novaes, no segundo semestre de 2006 em Curitiba, Belo Horizonte,    S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro. O evento &eacute; parte de uma trilogia inaugurada    com "O sil&ecirc;ncio dos intelectuais", em 2005. Neste ano, al&eacute;m    do lan&ccedil;amento do livro com os artigos de "O esquecimento da pol&iacute;tica",    ocorrer&aacute; o terceiro e &uacute;ltimo ciclo da trilogia, que ter&aacute;    como nome "Muta&ccedil;&otilde;es".</font></p>     <p><font size="3">Para Adauto Novaes, tanto o "Sil&ecirc;ncio dos intelectuais"    quanto "O esquecimento da pol&iacute;tica" fazem parte de uma id&eacute;ia    geral de discutir n&atilde;o a crise da civiliza&ccedil;&atilde;o, que &eacute;    algo que vem sendo constantemente retomado, mas sim uma mudan&ccedil;a nos par&acirc;metros    da pr&oacute;pria id&eacute;ia de civiliza&ccedil;&atilde;o no ocidente. "N&atilde;o    existe nenhuma &aacute;rea da atividade humana que n&atilde;o esteja passando    por uma mudan&ccedil;a radical. A pr&oacute;pria id&eacute;ia de intelectual    cl&aacute;ssico ou engajado, que tem como figura emblem&aacute;tica Jean Paul    Sartre, tende a desaparecer sendo que ainda n&atilde;o est&aacute; muito bem    definido o novo intelectual, ou qual sua fun&ccedil;&atilde;o", diz Novaes.</font></p>     <p><font size="3">Seguindo um questionamento semelhante, o segundo ciclo guiou-se    pelas modifica&ccedil;&otilde;es da no&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica.    "O que substituiu a pol&iacute;tica, o que tende a ser hegem&ocirc;nico    na sociedade hoje?" pergunta Novaes, e responde: "a privatiza&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o p&uacute;blico, daquilo que seria o social. Nota-se a&iacute;    a substitui&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica pela economia, mas ela ainda    &eacute; substitu&iacute;da pela moralidade, por quest&otilde;es &eacute;ticas,    e algumas vezes a religi&atilde;o tamb&eacute;m tende a substitu&iacute;-la".    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Al&eacute;m desse eixo, "O esquecimento da pol&iacute;tica"    tamb&eacute;m foi direcionado por aquilo que Novaes afirma ser uma crise dos    ideais republicanos, nascidos com as revolu&ccedil;&otilde;es inglesa, francesa    e americana. Segundo o organizador dos eventos, a rep&uacute;blica nasce num    embate entre a defesa das quest&otilde;es sociais e a quest&atilde;o individual.    "Isso &eacute; constitutivo da pr&oacute;pria id&eacute;ia de rep&uacute;blica.    Mas existe hoje uma crise desses ideais na medida em que o individual est&aacute;    dominando a cena cultural e pol&iacute;tica, na grande maioria dos pa&iacute;ses"    diz ele.</font></p>     <p><font size="3">Novaes ap&oacute;ia-se em v&aacute;rios te&oacute;ricos, dentre    eles Jacques Ranci&egrave;re, e seu recente livro <i>La haine de la d&eacute;mocratie</i>,    para dizer que a ideologia dominante confunde ideais republicanos com liberalismo,    o qual define a pol&iacute;tica como consenso. </font></p>     <p><font size="3"><b>MUTA&Ccedil;&Otilde;ES</b> O terceiro eixo do ciclo de confer&ecirc;ncias,    que &eacute; a outra forma de esquecimento da pol&iacute;tica, foi discutido    por meio da id&eacute;ia de servid&atilde;o volunt&aacute;ria de Etienne de    La Bo&eacute;tie – escritor franc&ecirc;s do s&eacute;culo XVI. De acordo com    Novaes, os dominadores recorrem a v&aacute;rias formas de subjugar as multid&otilde;es    e a mais forte delas, como mostra La Bo&eacute;tie, consiste em transformar    os dominados em artes&atilde;os ativos de sua pr&oacute;pria domina&ccedil;&atilde;o.    Por&eacute;m, mais do que evidenciar o lado passivo do povo, Novaes considera    a obra como fundamental para compreender os homens como seres destinados &agrave;    liberdade.</font></p>     <p><font size="3">Se perpetuar o debate instigado pelos ciclos anteriores, o ciclo    Muta&ccedil;&otilde;es de 2007 promete. "Temos tratado a quest&atilde;o    das mudan&ccedil;as de forma indireta, e pela primeira vez vamos discutir diretamente    o conceito de muta&ccedil;&atilde;o nas v&aacute;rias &aacute;reas. As grandes    mudan&ccedil;as t&ecirc;m sido trazidas pela tecnoci&ecirc;ncia ou pela pr&aacute;tica    da ci&ecirc;ncia por meio das t&eacute;cnicas. Vamos montar um ciclo baseado    em Nietzsche, para observar o que est&aacute; acontecendo na biologia, na f&iacute;sica,    nas artes, na pol&iacute;tica, nas mentalidades, na sensibilidade". O pr&oacute;ximo    ciclo dever&aacute; ocorrer entre agosto e setembro de 2007.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Marta Kanashiro</i></font></p>      ]]></body>
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