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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a10img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a10img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">PESQUISA DE OPINI&Atilde;O</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n1/lineblk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>O que os italianos pensam da nanotecnologia? </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Nanoci&ecirc;ncia e nanotecnologia s&atilde;o &aacute;reas emergentes    que est&atilde;o crescendo em ritmo acelerado. Fundos milion&aacute;rios s&atilde;o    destinados por empresas e governos ao estudo e manipula&ccedil;&atilde;o da    mat&eacute;ria nessa escala diminuta: da ordem de um bilh&atilde;o de vezes    menor que o metro. E por que tanta fascina&ccedil;&atilde;o com o muito pequeno?    A novidade &eacute; que nessa escala a mat&eacute;ria apresenta propriedades    diferentes e oferece possibilidades de criar novos materiais, o que leva a sonhar    com uma nova revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Assim o <i>mundo nano</i> vem crescendo cheio de promessas e    expectativas. Por&eacute;m, vozes de alerta, riscos e incertezas sobre a incorpora&ccedil;&atilde;o    ao dia-a-dia de novas part&iacute;culas diminutas t&ecirc;m se levantado, especialmente    no Canad&aacute; e em pa&iacute;ses da Europa. Imbu&iacute;dos pela conflitante    experi&ecirc;ncia com as biotecnologias, especialmente com os transg&ecirc;nicos,    o desenvolvimento das "nano" j&aacute; est&aacute; sendo alvo de pesquisas    como a que conduziu na It&aacute;lia o soci&oacute;logo Federico Neresini, que    tentam entender como a popula&ccedil;&atilde;o incorpora essas novas tecnologias.    As motiva&ccedil;&otilde;es para tais pesquisas podem ser bem variadas, desde    o interesse acad&ecirc;mico em entender as rela&ccedil;&otilde;es ci&ecirc;ncia-tecnologia-sociedade,    ou um genu&iacute;no interesse em provocar participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica    na tomada de decis&otilde;es, at&eacute; preocupa&ccedil;&otilde;es em encontrar    as estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o mais apropriadas para evitar    rejei&ccedil;&otilde;es sociais futuras.</font></p>     <p><font size="3">Neresini tentou reconstruir a representa&ccedil;&atilde;o social    das nanotecnologias no seu pa&iacute;s baseado em 12 grupos focais e em uma    amostra de mil enquetes. O pesquisador, que trabalha na Universit&agrave; di    Padova, conseguiu apurar a opini&atilde;o de pessoas de diversas faixas et&aacute;rias    e forma&ccedil;&atilde;o de todo o pa&iacute;s. Tal como &eacute; de se esperar    para uma &aacute;rea em recente desenvolvimento, a grande maioria n&atilde;o    reconhecia o termo nanotecnologia. De 14,5% do total que reconheciam a palavra,    a maioria achava que as suas fontes de informa&ccedil;&atilde;o tinham sido    – em ordem decrescente de import&acirc;ncia – a TV (72,5%), as revistas (59,6%)    e jornais (50,8%:). O destaque dado &agrave; televis&atilde;o chamou a aten&ccedil;&atilde;o    de Neresini, j&aacute; que nos &uacute;ltimos meses a televis&atilde;o n&atilde;o    tinha abordado a tem&aacute;tica, por&eacute;m indica o papel informativo que    o p&uacute;blico outorga a essa m&iacute;dia. </font></p>     <p><font size="3">A pesquisa buscou, tamb&eacute;m, entender quais modelos as    pessoas utilizam para construir uma concep&ccedil;&atilde;o sobre algo que ainda    n&atilde;o conhecem. Assim, tentou identificar tanto as associa&ccedil;&otilde;es    livres com a palavra nanotecnologia, quanto como as pessoas reagiam depois de    receber algumas informa&ccedil;&otilde;es sobre o tema por meio de material    audiovisual de divulga&ccedil;&atilde;o produzido pela Comunidade Europ&eacute;ia.</font></p>     <p><font size="3"><b>ESPERAN&Ccedil;A DE CURAS</b> O resultado mais evidente &eacute;    que h&aacute; uma boa recep&ccedil;&atilde;o da nanotecnologia, em particular    no que se refere a poss&iacute;veis aplica&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas.    A esperan&ccedil;a de cura de doen&ccedil;as como c&acirc;ncer ou aids aparece    depositada em solu&ccedil;&otilde;es que a nanotecnologia poderia vir a oferecer.    Por outro lado, utilizando uma escala de 1 a 10, a pesquisa italiana mostrou    que a nanotecnologia &eacute; vista como "boa", "&uacute;til"    e "positiva" em valores em torno de 7-8 sendo que esses valores decrescem    um ponto ao avaliar a "seguran&ccedil;a" e o "controle"    no uso da nova tecnologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a10img03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A percep&ccedil;&atilde;o que se tem da ci&ecirc;ncia e da tecnologia    em geral tamb&eacute;m aparece na recep&ccedil;&atilde;o dessa nova &aacute;rea.    Aparecem assim alguns temores ligados &agrave; id&eacute;ia de que o que n&atilde;o    se pode ver pode ficar incontrol&aacute;vel. Nesse n&iacute;vel, a diferen&ccedil;a    entre o mundo micro e o nano parece desaparecer para se unir num mesmo questionamento:    como controlar o que n&atilde;o se v&ecirc;? E a&iacute; uma nova preocupa&ccedil;&atilde;o:    de quem &eacute; a responsabilidade sobre o controle de uso dessa inova&ccedil;&atilde;o?    Neresini destaca que o problema central que se pode ler na sua pesquisa &eacute;    o questionamento &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es e aos processos, colocando    no centro do debate um tema controverso e urgente: a governan&ccedil;a da tecnologia.    </font></p>     <p><font size="3">No Brasil n&atilde;o h&aacute; ainda uma pesquisa dessa amplitude,    mas j&aacute; se sabe um pouco como as pessoas se aproximam dessa nova tecnoci&ecirc;ncia,    a partir da experi&ecirc;ncia da NanoAventura, exposi&ccedil;&atilde;o itinerante    sobre nanotecnologia, desenvolvida pelo Museu Explorat&oacute;rio de Ci&ecirc;ncias    da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). At&eacute; o momento as pesquisas    realizadas com esse projeto indicam resultados que se aproximam aos de Neresini:    uma boa recep&ccedil;&atilde;o para uma tecnologia ainda desconhecida. Por&eacute;m    a discuss&atilde;o sobre a governan&ccedil;a parece ainda distante. Ser&aacute;    que o p&uacute;blico se sente com direito a opinar sobre o assunto? Ainda faltam    pesquisas para responder a essa pergunta. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i>Sandra Muriello</i></font></p>      ]]></body>
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