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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="5"><b>AS CI&Ecirc;NICAS DA MENTE E A CR&Iacute;TICA GEN&Eacute;TICA</b>    </FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>Philippe Willemart</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <font size=5><b>M</b></font>anuscritos e disquetes do escritor,    esbo&ccedil;os e croquis do artista testemunham de uma maneira privilegiada    o trabalho da mente. Poucas publica&ccedil;&otilde;es relacionam as ci&ecirc;ncias    da mente com a cr&iacute;tica gen&eacute;tica. No entanto, a incid&ecirc;ncia    dos significantes «pensamento» e «processo de cria&ccedil;&atilde;o» nas revistas    <i>Manuscr&iacute;tica</i> da Associa&ccedil;&atilde;o dos Pesquisadores do    Manuscrito Liter&aacute;rio (1990) e <i>G&ecirc;nesis</i> (1992) do Instituto    de Manuscritos Modernos do CNRS (Fran&ccedil;a), nas obras e teses citadas na    bibliografia deste dossi&ecirc;, indica que a cr&iacute;tica gen&eacute;tica    se preocupa indiretamente com o trabalho sutil do pensamento e se interroga    implicitamente sobre as ci&ecirc;ncias da mente.</font></p>     <p><font size="3">Como funciona a mente ? Quem domina o outro? O c&eacute;rebro    e sua base biol&oacute;gica ou a estrutura ps&iacute;quica ? Um c&acirc;ncer    &eacute; provocado por uma desregula&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas ou    pela morte de um ente querido ? Qual &eacute; a causa real e original ? Esse    dilema &eacute; objeto de debates acirrados entre cientistas, psiquiatras, psic&oacute;logos    e psicanalistas. Todos, de qualquer modo, reconhecem as numerosas interfer&ecirc;ncias    entre corpo e psique, mas se repartem mesmo assim entre dualistas, que como    Descartes sustentam a separa&ccedil;&atilde;o do corpo e da alma ou do esp&iacute;rito,    e monistas, que defendem a uni&atilde;o estreita do corpo com a mente. Esses    &uacute;ltimos, cada vez mais numerosos, n&atilde;o apostam numa separa&ccedil;&atilde;o    estanque nem atribuem mais influ&ecirc;ncia a uma parte do que a outra: "Se    a mente n&atilde;o &eacute; outra coisa do que o corpo em movimento", n&atilde;o    h&aacute; porque separar o c&eacute;rebro da mente, salienta o cognitivista    Varela(1). Merleau-Ponty dizia o mesmo: "nosso corpo n&atilde;o &eacute;    um objeto para um 'eu penso': ele &eacute; um conjunto de significa&ccedil;&otilde;es    vividas que caminha para seu equil&iacute;brio" (2). </font></p>     <p><font size="3">Para entender o funcionamento da mente ligado ao surgimento    da palavra ou da escrita, h&aacute; pelo menos tr&ecirc;s pistas: a psican&aacute;lise,    as ci&ecirc;ncias cognitivas e o estudo do manuscrito ou dos esbo&ccedil;os    de qualquer artista. </font></p>     <p><font size="3"><b>A PSICAN&Aacute;LISE</b> A escuta psicanal&iacute;tica no    div&atilde; &eacute; a primeira e sup&otilde;e um n&atilde;o pensamento identificado    ao inconsciente como origem do pensamento(3). Embora n&atilde;o trate explicitamente    dessa pista aqui, n&atilde;o deixarei de mencion&aacute;-la nas entrelinhas,    j&aacute; que tem muito a ver com o nascimento da escritura(4).</font></p>     <p><font size="3"><b>AS CI&Ecirc;NCIAS COGNITIVAS</b> O estudo do c&eacute;rebro    elaborado por cognitivistas e neuroling&uuml;istas &eacute; a segunda pista.    Entretanto, as abordagens dessa ci&ecirc;ncia s&atilde;o v&aacute;rias e &agrave;s    vezes antag&ocirc;nicas. Os progressos da ci&ecirc;ncia na descri&ccedil;&atilde;o    do c&eacute;rebro por v&aacute;rias t&eacute;cnicas e a possibilidade de testar    os efeitos de um rem&eacute;dio em uma defici&ecirc;ncia localizada (5) levaram    alguns cientistas a achar que assim chegar&atilde;o &agrave; origem do pensamento.    Mas, apesar das t&eacute;cnicas de medida ou de capta&ccedil;&atilde;o bastante    fina dos movimentos do c&eacute;rebro ou das tentativas de identifica&ccedil;&atilde;o    de um neur&ocirc;nio a uma imagem, a complexidade do c&eacute;rebro &eacute;    tanta que a passagem do neural ao mental continua um mist&eacute;rio. O estudo    por imagens confirma o funcionamento hol&iacute;stico do c&eacute;rebro e permitiu    aos cientistas um distanciamento da localiza&ccedil;&atilde;o e da identifica&ccedil;&atilde;o    entre uma zona do c&eacute;rebro e uma atividade humana, como acreditavam estudiosos    do s&eacute;culo XIX como Broca (1859) e outros. Mas, se o c&eacute;rebro &eacute;    cada vez mais conhecido, como mostram estudos recentes (6), nenhum aparelho    pode at&eacute; hoje nos dizer como funciona o pensamento (7).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">N&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m assimilando "o c&eacute;rebro    &agrave; caixa preta da primeira cibern&eacute;tica de Norbert Wiener"    (8) nem a um computador ou a uma rede de computadores (9) que entenderemos o    pensamento. </font></p>     <p><font size="3">A corrente do cognitivismo sintetizada por Jean Petitot e Francisco    Varela defende a naturalizar&atilde;o da fenomenologia (10). Partem da hip&oacute;tese    de que a filosofia desenvolvida por Husserl tem uma base natural e biol&oacute;gica.    &Eacute; a <i>embodied cognition</i> ou a "cogni&ccedil;&atilde;o enactiva"    (11) ou encarnada. As v&aacute;rias camadas que constituem o ser humano, desde    o ps&iacute;quico at&eacute; o biol&oacute;gico, interagem umas com as outras    (12) e se auto-organizam nos dois sentidos, ascendente e descendente. A cogni&ccedil;&atilde;o    enactiva n&atilde;o se choca necessariamente com a teoria psicanal&iacute;tica,    j&aacute; que admite o n&atilde;o pensamento ou o inconsciente que inclui o    corpo de puls&otilde;es como uma das camadas que, como as outras, interferem    constantemente no conjunto. Em segundo lugar, esse novo saber n&atilde;o procura    uma equival&ecirc;ncia biol&oacute;gica com uma a&ccedil;&atilde;o cognitiva    determinada, j&aacute; que admite "uma infinidade potencial de representa&ccedil;&otilde;es"    para um elemento biol&oacute;gico e acentua seu n&iacute;vel metaf&oacute;rico    e meton&iacute;mico. Assim, "o problema filos&oacute;fico tradicional da    rela&ccedil;&atilde;o entre o esp&iacute;rito e o corpo &eacute; transformado    em um problema cientificamente sol&uacute;vel: a chave da rela&ccedil;&atilde;o    reside precisamente nos processos que d&atilde;o nascimento ao mental, qualquer    que seja a mat&eacute;ria com a qual se prefere conceb&ecirc;-los" (13).</font></p>     <p><font size="3"><b>O MANUSCRITO</b> Essa &uacute;ltima vertente do cognitivismo    ajuda a entender indiretamente o que se passa nas manifesta&ccedil;&otilde;es    da mente vis&iacute;veis no manuscrito, na inser&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a    na l&iacute;ngua ou na aprendizagem de uma l&iacute;ngua estrangeira, que constituem    a terceira pista (14). Al&eacute;m de n&atilde;o supor uma equival&ecirc;ncia    entre uma localiza&ccedil;&atilde;o no c&eacute;rebro detect&aacute;vel pelos    m&eacute;todos mencionados acima e uma atividade cognitiva, o conexionismo encarnado    sustenta que qualquer atividade engloba as v&aacute;rias regi&otilde;es da mente.    </font></p>     <p><font size="3"><b>TR&Ecirc;S HIP&Oacute;TESES LITER&Aacute;RIAS</b> Antes de    abordar a cr&iacute;tica gen&eacute;tica, devo lembrar tr&ecirc;s hip&oacute;teses    n&atilde;o mais cognitivas, mas liter&aacute;rias, a respeito do trabalho da    mente. </font></p>     <p><font size="3">A primeira &eacute; dos surrealistas, que acharam ter descoberto    o funcionamento do pensamento na escritura autom&aacute;tica, mas seus manuscritos    curiosamente revelam rasuras e uma submiss&atilde;o &agrave; sintaxe.</font></p>     <p><font size="3">A segunda &eacute; da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop.    Ela assimilava a mente a um universo no qual se posicionavam corredores, galerias    sussurrantes e trilhas que sup&otilde;em um espa&ccedil;o ordenado misturado    com outros, sem arquiteturas aparentes (15), universo que n&atilde;o est&aacute;    longe dos m&oacute;dulos e dos n&atilde;o-m&oacute;dulos de Fodor (16).</font></p>     <p><font size="3">A terceira &eacute; de Celina Borges Teixeira. Estudando os    rascunhos de <i>L'Ange</i> de Val&eacute;ry (17), ela sugeriu que as vers&otilde;es    se olhavam, se falavam na mente do escritor como as pe&ccedil;as dos m&oacute;biles    de Calder empurradas pelo vento. Esses movimentos teriam criado vers&otilde;es    intermedi&aacute;rias n&atilde;o transcritas, o que teria perturbado os arquivistas    que n&atilde;o podiam estabelecer uma liga&ccedil;&atilde;o entre duas vers&otilde;es    A e C, por exemplo, ignorando a vers&atilde;o B n&atilde;o transcrita. </font></p>     <p><font size="3"><b>UMA ARTICULA&Ccedil;&Atilde;O DE CONCEITOS</b> Enquanto as    rea&ccedil;&otilde;es do c&eacute;rebro podem ser visualizadas, os caminhos    do pensamento se revelam at&eacute; hoje misteriosos. S&oacute; nos resta criar    um arsenal simb&oacute;lico ou um quadro de conceitos, o que torna mais intelig&iacute;vel    o trabalho do pensamento. Embora muito pobre em rela&ccedil;&atilde;o ao que    se passa realmente (18), este enquadramento do pensamento pelos conceitos, facilita    a compreens&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">&Agrave; pergunta sobre a origem da escritura ou o que desencadeia    o trabalho da cria&ccedil;&atilde;o, Proust sugere uma pista no <i>Caminho de    Swann</i> (19). Encantado com a pequena frase de Vinteuil ligada a seu amor    por sua amante Odette, Swann ouvia al&eacute;m dessa felicidade moment&acirc;nea,    um Outro, ele mesmo no passado, que gozava (&eacute; o "<i>j’ouis jouir</i>"    de Lacan), mas n&atilde;o queria saber desse gozo que lembrava um sofrimento    do passado. </font></p>     <p><font size="3">A atitude de Swann leva a pensar que toda atividade humana &eacute;    baseada no bin&ocirc;mio gozo/sofrimento dos quais poucos querem saber por que    d&oacute;i. Por que n&atilde;o elaborar um conceito que define a rela&ccedil;&atilde;o    necess&aacute;ria entre o gozo e o fazer art&iacute;stico particularmente ?    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Todo romance, poesia, drama ou obra em geral &eacute; acionado    por um peda&ccedil;o ou um gr&atilde;o de gozo que inclui a dor. O manuscrito    exibe esse movimento. &Agrave; medida que o texto se constr&oacute;i e se desfaz    pelas rasuras, as supress&otilde;es e os acr&eacute;scimos, ele passa pela representa&ccedil;&atilde;o    e pelo gr&atilde;o de gozo. Chamei esse movimento texto m&oacute;vel, a mobilidade    sendo ligada ao texto inst&aacute;vel que se faz e o texto se referindo ao mesmo    tempo ao gr&atilde;o de gozo est&aacute;vel e &agrave; escritura parada enquanto    n&atilde;o revista pelo autor. Nessa conceitua&ccedil;&atilde;o, suponho um    gr&atilde;o de gozo id&ecirc;ntico durante a escritura da obra, que desaparece    na entrega ao editor porque n&atilde;o excita mais o escritor. </font></p>     <p><font size="3">O gr&atilde;o de gozo ou o peda&ccedil;o de Real como dir&aacute;    Lacan, conduz o jogo levando o escritor a se dizer, a desubjectivar-se para    renascer como autor.</font></p>     <p><font size="3">Em outras palavras, bloqueado pelo «texto m&oacute;vel» – conjunto    de impress&otilde;es, de sensa&ccedil;&otilde;es aliado &agrave;s chamadas do    grande Outro – um convite, a press&atilde;o dos amigos, a tradi&ccedil;&atilde;o    liter&aacute;ria e cr&iacute;tica, etc., o desejo do escritor d&aacute; partida    &agrave; «puls&atilde;o de escrever». Rascunhando p&aacute;ginas e p&aacute;ginas,    o escritor encontra novas solicita&ccedil;&otilde;es que surgem nos sil&ecirc;ncios,    nas rasuras e na inven&ccedil;&atilde;o da escritura. Ele se torna ent&atilde;o    «<i>scriptor</i>» ou instrumento dessas chamadas e solicita&ccedil;&otilde;es    e, em seguida, «leitor» de sua escritura. Assim, ele constr&oacute;i «a mem&oacute;ria    da escritura». </font></p>     <p><font size="3">O escritor Flaubert de <i>S&atilde;o-Juli&atilde;o</i> n&atilde;o    &eacute; exatamente o de <i>Um cora&ccedil;&atilde;o simples</i> ou de <i>Herodias</i>.    N&atilde;o porque faz ressurgir elementos recalcados como reza a teoria freudiana,    mas porque pela escritura, faz significar elementos que, antes, n&atilde;o tinham    a menor import&acirc;ncia, ou ainda, porque inclui no mundo, elementos at&eacute;    ent&atilde;o ignorados. As personagens-chave de Guimar&atilde;es Rosa s&atilde;o    exemplos desse acr&eacute;scimo ao conhecimento universal e assim, para todos    os grandes autores. O aporte da literatura e das artes &agrave; compreens&atilde;o    do ser humano, reconhecido por Freud desde o in&iacute;cio, &eacute; ineg&aacute;vel.    </font></p>     <p><font size="3">Num &uacute;ltimo movimento, de <i>scriptor</i> e leitor, o    escritor se torna autor na mesma p&aacute;gina rasurada quando n&atilde;o volta    mais atr&aacute;s e passa ao par&aacute;grafo ou &agrave; p&aacute;gina seguinte.    Ele v&ecirc; emergir assim, aos poucos, um texto novo, original e significativo    que tem a vantagem de trabalhar a rela&ccedil;&atilde;o com o seu inconsciente    e com o de seus leitores. </font></p>     <p><font size="3">O conceito de texto m&oacute;vel escapa &agrave;s coa&ccedil;&otilde;es    kantianas do tempo e do espa&ccedil;o, demais dependentes da geometria euclidiana.    O gozo de Swann &eacute; extratemporal e n&atilde;o se situa em algum lugar    sen&atilde;o nas dobras da l&iacute;ngua. Da mesma maneira, o gr&atilde;o de    gozo que desencadeia a escritura, lembra algo de min&uacute;sculo compar&aacute;vel    &agrave; corda dos f&iacute;sicos, infinitamente pequena com mais de quatro    dimens&otilde;es (20).</font></p>     <p><font size="3">Isolado e esquecido, o texto-corda esconde suas riquezas como    o gr&atilde;o de gozo. Mas, uma vez agarrado pelo escritor atento ao que lhe    vem pela m&atilde;o e ao que se escreve – o «se» pronominal indicando o instrumento    que ele se tornou, um <i>scriptor</i> –, «o texto m&oacute;vel» que inclui o    texto-corda e seu gozo, desenrola suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es, lineares    e n&atilde;o-lineares, ca&oacute;ticas ou n&atilde;o, e gera a escritura nos    manuscrito (21).</font></p>     <p><font size="3">O texto m&oacute;vel aliado ao desejo do escritor desencadeia    a constitui&ccedil;&atilde;o da «mem&oacute;ria da escritura» de determinado    conto, romance ou poema. Como surge o primeiro momento da constitui&ccedil;&atilde;o    da mem&oacute;ria da escritura ou do ba&uacute; de determinado conto, romance    ou poema? </font></p>     <p><font size="3">Jean Starobinsky falava de "<i>uma origem tr&aacute;gica    anterior ao poema</i>" a respeito de Pierre-Jean Jouve (22) e Paul Ricoeur,    da « <i>obra de arte (que) &#91;…&#93; na sua origem n&atilde;o &eacute; o produto do    artes&atilde;o das palavras,(mas que) nos antecede (e que) deve ser descoberta</i>;    (e, retomando Proust, escreve:) "<i>nesse n&iacute;vel, criar, &eacute;    traduzir</i> » (23) . Gilles Deleuze dizia mais ou menos a mesma coisa a respeito    do mesmo autor: "<i>Precisa em primeiro lugar experimentar o efeito violento    de um signo e que o pensamento esteja for&ccedil;ado a procurar o sentido do    signo</i>" (24). Val&eacute;ry acrescenta que "todo um trabalho se    faz em n&oacute;s sem nosso conhecimento /…/ nosso estado consciente &eacute;    um quarto que arrumam em nossa aus&ecirc;ncia" (25). Henry Bauchau fala    de obriga&ccedil;&atilde;o interna: "eu me choco com uma recusa interior    categ&oacute;rica de continuar o romance. Sou obrigado a abandon&aacute;-lo    e, durante esse ver&atilde;o e os anos que se seguiram, senti-me incitado ou    talvez for&ccedil;ado a escrever poemas da colet&acirc;nea <i>Les deux Antigones</i>"    (26).</font></p>     <p><font size="3">Essas declara&ccedil;&otilde;es manifestam claramente a unidade    intr&iacute;nseca da mente com o corpo e as atividades de escritura. A biologia    interfere na psique continuamente e vice-versa, como j&aacute; pensavam os fil&oacute;sofos    sensualistas que, de Locke a Peirce passando por Condillac e Maine de Biran    foram retomados por Freud, Proust, Lacan, Petitot e muitos outros. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A mem&oacute;ria da escritura n&atilde;o ser&aacute; definitivamente    composta e continuar&aacute; a juntar informa&ccedil;&otilde;es que, entrando    no mesmo espa&ccedil;o e se auto-organizando nos dois sentidos, ascendente e    descendente, como j&aacute; sublinhei (27), transformar&atilde;o o escritor    em instrumento de sua escritura, ou seja, em <i>scriptor</i>. O ac&uacute;mulo    de informa&ccedil;&otilde;es durar&aacute; at&eacute; a &uacute;ltima rasura    e &agrave;s vezes transbordar&aacute; o romance, o conto ou o poema do momento.    Uma vez na mem&oacute;ria, a informa&ccedil;&atilde;o entra no sistema &agrave;    procura de outras pr&oacute;ximas, por caminhos desconhecidos do escritor que,    atento a esse jogo, traduz ou transp&otilde;e o que lhe conv&eacute;m na p&aacute;gina.    </font></p>     <p><font size="3">A mem&oacute;ria da escritura pode ser comparada a um universo    no qual a din&acirc;mica das part&iacute;culas consegue construir tal ou tal    conto ou romance e n&atilde;o tal outro. Esse universo seria, portanto, constitu&iacute;do    de milhares de ondas-part&iacute;culas reais ou virtuais, isto &eacute;, observ&aacute;veis    ou n&atilde;o, que formam um campo energ&eacute;tico bastante poderoso para    resistir &agrave; morte ou ao esquecimento, atravessar a m&atilde;o do escritor    (28) segundo a for&ccedil;a de atra&ccedil;&atilde;o manifestada pelo escritor    escrevendo. A velocidade dos acontecimentos-informa&ccedil;&otilde;es ou dessas    part&iacute;culas-informa&ccedil;&otilde;es chega a se desligar de sua dimens&atilde;o    temporal inicial, facilita sua inser&ccedil;&atilde;o no manuscrito e lhe d&aacute;    a dimens&atilde;o temporal da fic&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; durante    o deslocamento entre a mem&oacute;ria da escritura e o manuscrito que a trajet&oacute;ria    se bifurca bruscamente – a c&oacute;pia ou o pl&aacute;gio confirmam a identidade    do ponto de partida ou do ponto de chegada. Flaubert copiou trechos do <i>&Eacute;tude    critique sur la Bible</i> de Nicolas Michel, por exemplo, mas rasurando-os ou    transformando-os no decorrer das campanhas de reda&ccedil;&atilde;o. Em outras    palavras, ele desligou a trajet&oacute;ria de sua origem e a fez sua. Alexandre    Dumas dizia que "<i>L’homme de g&eacute;nie ne vole pas, il conquiert</i>"    (29). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a18img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Assistimos ent&atilde;o a uma luta entre o escritor-scriptor    e o autor-leitor como testemunham as rasuras. H&aacute; dois tipos de informa&ccedil;&otilde;es:    as da mem&oacute;ria da escritura, que j&aacute; est&atilde;o na mente e aquelas    que, atra&iacute;das pela escritura, explodem de repente, do meio ambiente,    das leituras ou da tradi&ccedil;&atilde;o. A transfer&ecirc;ncia atira esses    dois tipos de informa&ccedil;&otilde;es que se espalham na p&aacute;gina, adquirindo    assim uma exist&ecirc;ncia para o escritor.</font></p>     <p><font size="3">As informa&ccedil;&otilde;es insistem ou desistem e, sob a press&atilde;o    da l&oacute;gica do autor que as ama ou as destr&oacute;i, ou, em linguagem    de informa&ccedil;&atilde;o, que as trate ou n&atilde;o, elas s&atilde;o integradas    ou rejeitadas, e ganham uma exist&ecirc;ncia para o autor.</font></p>     <p><font size="3">Seis conceitos formam a rede at&eacute; agora: o texto m&oacute;vel,    a mem&oacute;ria da escritura, a exist&ecirc;ncia para o escritor e a exist&ecirc;ncia    para o autor, o escritor-scriptor e o autor-leitor.</font></p>     <p><font size="3"><b>UM N&Atilde;O SABIDO GEN&Eacute;TICO</b> A esses seis conceitos    se acrescenta um s&eacute;timo, ao mesmo tempo pr&oacute;ximo e distante da    teoria psicanal&iacute;tica, que eu havia chamado de inconsciente gen&eacute;tico,    mas cujo conte&uacute;do se encaixa melhor no conceito de n&atilde;o sabido    gen&eacute;tico.</font></p>     <p><font size="3">Alguns fatos levantados e analisados nos cento e cinco f&oacute;lios    do manuscrito do primeiro cap&iacute;tulo do conto <i>Herodias</i> ilustram    o conceito de n&atilde;o sabido (30): a pluralidade religiosa do tetrarca e    sua hesita&ccedil;&atilde;o entre as cren&ccedil;as &aacute;rabes, judias ou    romanas, a pouca distin&ccedil;&atilde;o das personagens Antipas e Herodias    vis&iacute;vel nos lapsos de escrita, as rela&ccedil;&otilde;es amorosas de    car&aacute;ter divino entre Iaokanann e Antipas, a nova genealogia tra&ccedil;ada    entre Josu&eacute;, Amos, Iaokanann e Antipas, o anagrama quase perfeito entre    Amasias, o sacerdote de Jerobo&atilde;o II que expulsou Amos e o primeiro nome    do carrasco, Amasa&iacute;, que matar&aacute; Iaokanann, a denega&ccedil;&atilde;o    da ang&uacute;stia em Antipas, a condensa&ccedil;&atilde;o Amos-Josu&eacute;,    a posi&ccedil;&atilde;o irreligiosa do narrador, isto &eacute;, o saber que    decorre da fascina&ccedil;&atilde;o do escritor pela <i>B&iacute;blia</i> e    o <i>Estudo cr&iacute;tico sobre a B&iacute;blia</i> de Nicolas Michel, etc.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Dispersos no manuscrito, esses feitos, subtra&iacute;dos do    texto editado, decorrem de seu n&atilde;o sabido gen&eacute;tico. Fazem parte    de um n&atilde;o sabido para o leitor, mas n&atilde;o de um impensado para o    escritor, que os conhece, condensa ou elimina, nem para o cr&iacute;tico gen&eacute;tico    que decifra os manuscritos. Parecidos com os elementos latentes do sonho, ignorados    do sonhador, mas pensados pelo agenciamento on&iacute;rico, eles s&atilde;o    ativos, desencadeiam o sonho narrado e, aqui, o texto publicado. O manuscrito    se torna assim similar ao sonho em estado latente, se n&atilde;o levarmos em    conta o seu f&aacute;cil acesso e sua possibilidade de interpreta&ccedil;&atilde;o    para o cr&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="3">O n&atilde;o sabido gen&eacute;tico &eacute;, no entanto, diferente    da mem&oacute;ria da escritura porque j&aacute; fez parte da narrativa. </font></p>     <p><font size="3">Se, por um lado, tocamos nas ci&ecirc;ncias cognitivas que se    interrogam sobre o funcionamento do c&eacute;rebro e da mente, por outro lado,    mergulhamos na cr&iacute;tica gen&eacute;tica que estuda essencialmente os m&uacute;ltiplos    circuitos que rasgam o manuscrito para desembocar na constela&ccedil;&atilde;o    estelar da escritura.</font></p>     <p><font size="3">Assim, o n&atilde;o sabido gen&eacute;tico, parte da mem&oacute;ria    da escritura, contribui para formar um universo aberto e sens&iacute;vel &agrave;s    milhares de informa&ccedil;&otilde;es que irradiam o mundo, sem limite, portanto,    para a sensibilidade do escritor. Em expans&atilde;o cont&iacute;nua, esse verdadeiro    universo encontra seu limiar nas dimens&otilde;es da p&aacute;gina ou do cap&iacute;tulo    no final da trajet&oacute;ria, mas enquanto dura o processo, as informa&ccedil;&otilde;es    vindas de toda parte ultrapassar&atilde;o de longe o n&uacute;mero daquelas    contidas no texto publicado. O g&ecirc;nio do escritor, em grande parte inconsciente,    se mede por sua capacidade de sair de suas estruturas para aceitar o imprevisto    que se confunde muitas vezes com a ca&iacute;da das fronteiras entre dois campos;    por exemplo: o da hist&oacute;ria e da literatura para Flaubert, da gram&aacute;tica    e da escritura para M&aacute;rio de Andrade (31), das ci&ecirc;ncias e t&eacute;cnicas    e da fic&ccedil;&atilde;o para Proust.</font></p>     <p><font size="3">No entanto, toda a escritura n&atilde;o &eacute; pensada pelo    escritor. H&aacute; zonas de escrituras suscitadas pelo impensado que explicam    um pouco mais o trabalho da mente. </font></p>     <p><font size="3"><b>O N&Atilde;O SABIDO OU O IMPENSADO DA L&Iacute;NGUA</b> O    impensado se confunde com "o texto m&oacute;vel" que coloquei ao n&iacute;vel    das sensa&ccedil;&otilde;es ou do afeto e ao redor do qual nasce esse novo saber    que aparece no manuscrito. As express&otilde;es "<i>ao redor de</i>"    ou "<i>&agrave; beira de</i>", lembram a descri&ccedil;&atilde;o lacaniana    do inconsciente, que se caracteriza pela falha que conduz e leva o sujeito,    mas n&atilde;o aparece nos rascunhos nem no texto publicado. Esse impensado    aparece nitidamente na excelente obra em sete volumes na qual o fil&oacute;logo    Jacques Damourette e seu sobrinho, psiquiatra e psicanalista, Edouard Pichon,    tentam discernir os mecanismos e as id&eacute;ias da l&iacute;ngua francesa    que constituem o impensado da l&iacute;ngua (32). Falamos sem saber, isto &eacute;,    sem conhecer o impensado da gram&aacute;tica que modela nossa fala. </font></p>     <p><font size="3">Entretanto, devemos distinguir esse impensado social do impensado    do "texto m&oacute;vel", singular e n&atilde;o mais comum a todos,    decorrente tamb&eacute;m de um afeto, mas que na maior parte do tempo ficar&aacute;    desconhecido. Paradoxalmente, os dois impensados se aliam na sua dimens&atilde;o    social. O primeiro pela l&iacute;ngua, como o demonstram suficientemente Damourette    e Pichon e o segundo pelo vi&eacute;s do leitor ou do p&uacute;blico receptor.    O prazer da leitura n&atilde;o &eacute; somente devido a uma cultura reencontrada,    como definia Barthes, mas tamb&eacute;m a uma comunidade de desejos e de afetos    entre o autor e seu leitor. Esbarramos novamente no g&ecirc;nio do escritor    que, com as antenas atentas, ultrapassa os horizontes do homem comum, abre-se    al&eacute;m e aqu&eacute;m do tempo presente e pode reunir seus contempor&acirc;neos    e, muitas vezes, as gera&ccedil;&otilde;es futuras, em um conjunto de aspira&ccedil;&otilde;es    que atravessam os homens, mas que ele verbalizar&aacute;, como os gram&aacute;ticos    fazem com a l&iacute;ngua. &#91;…&#93; Podemos dizer que o impensado, sublinhado por    Damourette e Pichon, associa-se ao passado do inconsciente freudiano, ao passo    que aquele anunciado pelos escritores se aproxima do imprevisto lacaniano, dado    fundamental de sua concep&ccedil;&atilde;o do inconsciente.</font></p>     <p><font size="3">Oito conceitos comp&otilde;em assim a rede intelig&iacute;vel    do manuscrito, cercam o nascimento da escritura e ajudam a entender como funciona    o pensamento: o texto m&oacute;vel; a mem&oacute;ria da escritura; a exist&ecirc;ncia    para o escritor e a exist&ecirc;ncia para o autor; o escritor-scriptor e o autor-leitor;    o n&atilde;o sabido gen&eacute;tico e o impensado da l&iacute;ngua.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Philippe Willemart</b>, &eacute; professor titular de    literatura francesa e coordenador cient&iacute;fico do Laborat&oacute;rio do    Manuscrito Liter&aacute;rio e do N&uacute;cleo de Apoio &agrave; Pesquisa em    Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Em    1985, participou da funda&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o dos Pesquisadores    do Manuscrito Liter&aacute;rio (APML). Ver suas publica&ccedil;&otilde;es no    site: <a href="http://planeta.terra.com.br/arte/ms_psicanalise/" target="_blank">http://planeta.terra.com.br/arte/ms_psicanalise/</a></i></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></FONT></p>     <p><font size="3">1. R&eacute;da Benkirane.Autopo&iuml;ese e &eacute;mergence.    Entretien avec Franscico Varela. <i>La complexit&eacute;, vertiges et promesses</i>.    Paris: Le Pommier, p.174. 2002. </font></p>     <p><font size="3">2. Merleau-Ponty. <i>Fenomenologia da percep&ccedil;&atilde;o</i>.    S&atilde;o Paulo, Martins Fontes, p.22, 1996. citado por Safatle. <i>A paix&atilde;o    do negativo</i>. S&atilde;o Paulo, Unesp, p.76. 2005. </font></p>     <p><font size="3">3. Lacan. Le s&eacute;minaire.<i>Livre XIV. D'un autre &agrave;    l'autre</i>. Paris: Seuil, p.13. 2006. </font></p>     <p><font size="3">4. Ver os romances de Pascal Quignard e Willemart. <i>Al&eacute;m    da psican&aacute;lise, as artes e a literatura</i>. S&atilde;o Paulo: ed.Nova    Alexandria. 1995 e <i>Cr&iacute;tica gen&eacute;tica e psican&aacute;lise</i>.    S&atilde;o Paulo: ed. Perspectiva. 2005.</font></p>     <p><font size="3">5. Determinar a quantidade de energia usada pelo c&eacute;rebro    pela emiss&atilde;o de positron (TEP) ou perceber as partes do c&eacute;rebro    que trabalham durante uma atividade pela resson&acirc;ncia magn&eacute;tica    (RMN) ou pela magnetoencefalografia (MEG).</font></p>     <p><font size="3">6. Mariluce Moura. "Vis&otilde;es intimas do c&eacute;rebro".    <i>Pesquisa FAPESP</i>. S&atilde;o Paulo, agosto 2006. 126. p.38.</font></p>     <p><font size="3">7. Changeux, Pellegrin, Asher, Jeannerod. <i>Le cerveau</i>.    Emiss&otilde;es de Fran&ccedil;a Cultura dos 4. 11. 18 e 25 de mar&ccedil;o    de 2004.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">8. Destacamos tamb&eacute;m o aviso de Jean-Louis Deneubourg    no mesmo volume em que ele se op&otilde;e aos neo-lamarkistas ou anti-darwinistas:    "&eacute; preciso desmistificar o aspecto milagroso da auto-organiza&ccedil;&atilde;o,    pois de fato, houve uma s&eacute;rie de tentativas e de erros que antecederam    este acerto sobre a identifica&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es    ideais &#91;...&#93; a sele&ccedil;&atilde;o natural teve seu papel". <i>Emergence    et insectes sociaux. p.113</i>. </font></p>     <p><font size="3">9. Stevens Kastrup Rehen: Poder&iacute;amos comparar o c&eacute;rebro    a uma sala repleta de computadores, onde cada neur&ocirc;nio &eacute; uma determinada    m&aacute;quina. &#91;...&#93; Cada computador – ou grupo de computadores – tem sua pr&oacute;pria    individualidade. &#91;...&#93; com diferentes velocidades e capacidade de armazenamento.    Sendo assim, numa sala com computadores diferentes &eacute; muito mais dif&iacute;cil    prever a resposta a um determinado problema. <i>Ag&ecirc;ncia Fapesp</i> 24/03/2005    . Entrevistado por Washington Castilhos. Essa posi&ccedil;&atilde;o do c&eacute;rebro-rede    reflete a segunda hip&oacute;tese dos conexionistas.</font></p>     <p><font size="3">10. Sob a dire&ccedil;&atilde;o de Jean Petitot, Francisco Varela,    Bernard Pachoud, et Jean-Michel Roy. <i>Naturaliser la ph&eacute;nom&eacute;nologie.    Essais sur la ph&eacute;nom&eacute;nologie contemporaine et les sciences cognitives</i>    .Paris: CNRS, 2002. </font></p>     <p><font size="3">11. "&Eacute; a imagem do poema de Machado que diz que    n&atilde;o h&aacute; caminho e que o caminho se faz andando".R&eacute;da    Benkirane.Id., p.173.</font></p>     <p><font size="3">12. "A ci&ecirc;ncia cognitiva faz igualmente a hip&oacute;tese    crucial que os processos que sub-entendem o comportamento cognitivo podem ser    explicados a n&iacute;veis diferentes e a graus vari&aacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o,    cada um deles correspondendo a uma disciplina ou a um grupo de disciplinas espec&iacute;ficas.    Ao n&iacute;vel mais concreto, a explica&ccedil;&atilde;o &eacute; biol&oacute;gica,    enquanto que ao n&iacute;vel mais abstrato, ela &eacute; somente funcional &#91;...&#93;    este n&iacute;vel funcional de explica&ccedil;&otilde;es &eacute; assimilado    ao n&iacute;vel psicol&oacute;gico e mental. Em outros termos, a ci&ecirc;ncia    cognitiva mant&eacute;m que n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a essencial    entre o fato de dar uma explica&ccedil;&atilde;o funcional da atividade do tratamento    da informa&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel do comportamento cognitivo de    um organismo, e o de explicar este comportamento em termos mentais. &Eacute;    somente pelo vi&eacute;s dessa hip&oacute;tese suplementar que a ci&ecirc;ncia    cognitiva se torna <i>stricto sensu</i> uma nova forma de teoria do esp&iacute;rito".    <i>Naturaliser la ph&eacute;nom&eacute;nologie. Essais sur la ph&eacute;nom&eacute;nologie    contemporaine et les sciences cognitives</i> . Sous la direction de Jean Petitot,    Francisco Varela, Bernard Pachoud, et Jean-Michel Roy. Paris: CNRS &eacute;ditions.    2002.(1999) p.6.</font></p>     <p><font size="3">13. <i>Idem</i>., p.7.</font></p>     <p><font size="3">14. Para a inser&ccedil;&atilde;o na l&iacute;ngua materna ou    numa l&iacute;ngua estrangeira, reenviarei os interessados ao artigo de Cristina    Casadei Pietraroia : « (Re) lendo a escrita : em que as pesquisas cognitivas    sobre a leitura podem ajudar na compreens&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o    liter&aacute;ria ?. <i>Manuscr&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: ed.Annablume,    6 - p.123. 1996.</font></p>     <p><font size="3">15. Silvia Maria Guerra Anast&aacute;cio. <i>O jogo das imagens    no universo da cria&ccedil;&atilde;o de Elizabeth Bishop</i>. S&atilde;o Paulo    : ed. Annablume. 1999.</font></p>     <p><font size="3">16. J.Fodor. <i>La modularit&eacute; de l'esprit</i>. (trad.A.Gerschenfeld).    Paris: Minuit. 1986.</font></p>     <p><font size="3">17. Celina Borges Teixeira. "Leituras em movimento",    <i>in Manuscr&iacute;tica</i>. 9. S&atilde;o Paulo: ed. Annablume, p.119. 2001.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">18. Alain Berthoz . <i>Le sens du mouvement</i>. Paris: Odile    Jacob. 1997 <i>in</i> Petitot. <i>Op.cit</i>. p.463.</font></p>     <p><font size="3">19. Proust. <i>No caminho de Swann. Em busca do tempo perdido</i>.    S&atilde;o Paulo: Ed.Globo S.A,18ª edi&ccedil;&atilde;o, s/d. p.206.</font></p>     <p><font size="3">20. "Nas teorias das cordas, o que se pensava anteriormente    em termos de part&iacute;culas &eacute; agora representado como ondas de uma    corda de papagaio em vibra&ccedil;&atilde;o. &#91;...&#93; Quanto &agrave;s m&uacute;ltiplas    dimens&otilde;es, &eacute; como a superf&iacute;cie de uma laranja: olhada de    perto, ela &eacute; toda curva e enrugada &#91; ...&#93;. &Eacute; assim mesmo para    o espa&ccedil;o-tempo: na pequena escala, ele tem dez dimens&otilde;es e &eacute;    muito curvo." Stephen Hawking, em <i>Une br&egrave;ve histoire du temps</i>.Paris:    Flammarion. p.198 e p.201. 1988. </font></p>     <p><font size="3">21. Willemart. <i>Al&eacute;m da psican&aacute;lise: a literatura    e as artes</i>. S&atilde;o Paulo: ed. Nova Alexandria, p.101. 1995.</font></p>     <p><font size="3">22. <i>La Quinzaine Litt&eacute;raire</i>, p.16. 15 de janeiro    de 1988.</font></p>     <p><font size="3">23. Paul Ricoeur. <i>Temps et r&eacute;cit. II. La configura&ccedil;&atilde;o    du temps dans le r&eacute;cit de fic&ccedil;&atilde;o</i>. p.214.</font></p>     <p><font size="3">24. Gilles Deleuze. <i>Proust et les signes</i>. Paris, PUF,    p.32. 1983. </font></p>     <p><font size="3">25. Val&eacute;ry. <i>Cahiers</i>.(Organizados por Nicole Ceylerette-Pietri    e Judith Robinson-Val&eacute;ry).Paris: Gallimard, II, p.355. 1988.</font></p>     <p><font size="3">26. Henry Bauchau. <i>L'ecriture et la circonstance repris dans    Oedipe sur la route</i>. Paris: Babel, p.403. 1992. </font></p>     <p><font size="3">27. Benkirane. <i>Autopo&iuml;ese et &eacute;mergence. Entretien    avec Franscico Varela. Op.cit</i>. p.166. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">28. Paul Sporn. Physique moderne et critique contemporaine.    <i>Po&eacute;tique</i>. Paris: Seuil. sept.1986. 67. p.321.</font></p>     <p><font size="3">29. Michel Schneider.<i>Voleur de mots</i>, p.117. 1985.</font></p>     <p><font size="3">30. Willemart. <i>Universo da Cria&ccedil;&atilde;o Liter&aacute;ria</i>.    S&atilde;o Paulo, Edusp, 1993</font></p>     <p><font size="3">31. M&aacute;rio de Andrade. Macuna&iacute;ma. <i>in</i> T&eacute;l&ecirc;    Ancona Lopez.Vontade,Variante-<i>II Encontro de edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica    e cr&iacute;tica gen&eacute;tica</i>.p.323.</font></p>     <p><font size="3">32. "Le style d’un individu n’est rien d’autre que l’histoire    de son &acirc;me et la grammaire donne la description de l’histoire de ce style".    <i>Edouard Pichon et Jacques Damourette. Des mots &agrave; la pens&eacute;e.    Essai de grammaire de la langue fran&ccedil;aise. In</i> Roudinesco. <i>Histoire    de la psychanalyse en France</i>. Paris: Seuil . 1986. T. 1. p.314.</font></p>      ]]></body>
</article>
