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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a26img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="4"><b>ANTROPOLOGIA</b></FONT></p>     <p><font size="4"><b>A<SMALL>FIRMA&Ccedil;&Atilde;O DA IDENTIDADE IND&Iacute;GENA    NO ESPORTE</small></b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">V&aacute;rias etnias ind&iacute;genas re&uacute;nem-se, todo    o ano, para festas e eventos esportivos no Brasil. S&atilde;o diferentes modalidades    – como cabo-de-guerra, corrida de toras, bola de borracha com cabe&ccedil;a,    arco-e-flecha, canoagem e zarabatana – numa competi&ccedil;&atilde;o onde n&atilde;o    se espera o an&uacute;ncio dos campe&otilde;es: todos s&atilde;o ganhadores.    Alguns pesquisadores que integram a parceria da Universidade Estadual de Campinas    (Unicamp) com a Universidade Polit&eacute;cnica de Madri (Espanha) s&atilde;o    freq&uuml;entadores ass&iacute;duos desses eventos desde 2005, quando iniciaram    sua coleta de material (equipamentos e vestu&aacute;rio), o que possibilitou,    em outubro &uacute;ltimo, realizar a primeira exposi&ccedil;&atilde;o sobre    o tema na capital espanhola. A mostra itinerante vai cumprir um roteiro pelo    pa&iacute;s at&eacute; chegar ao Brasil.</font></p>     <p><font size="3">A equipe &eacute; formada por Maria Beatriz Rocha Ferreira e    Vera Regina Toledo Camargo, da Unicamp, e Manuel Hern&aacute;ndez V&aacute;zquez,    Alicia S&aacute;nchez G&oacute;mez, Pedro Jim&eacute;nez Mart&iacute;n e Diana    Bel&eacute;n Ruiz Vicente, da Polit&eacute;cnica de Madri. O interesse de V&aacute;zquez    no projeto vem de sua experi&ecirc;ncia como diretor do Museu de Desportes do    Instituto Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica (INEF), em Madri,    e, por isso, entusiasta da id&eacute;ia de o Brasil investir em um museu dedicado    ao tema. </font></p>     <p><font size="3">O Brasil &eacute; uma das principais na&ccedil;&otilde;es com    representa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena, distribu&iacute;da em 261 etnias    e mais de 350 mil indiv&iacute;duos. Mesmo assim, ainda h&aacute; poucas exposi&ccedil;&otilde;es    relevantes sobre a cultura ind&iacute;gena e menos ainda sobre seus esportes,    lembram as pesquisadoras da Unicamp. Existem pelo menos quatro museus, encontr&aacute;veis    na internet mas n&atilde;o listados pela Funai: Museu do &Iacute;ndio da Funda&ccedil;&atilde;o    Biblioteca Nacional (RJ), o Museu do &Iacute;ndio Tuk&uuml;na, em Novo Hamburgo    (RS), o Memorial dos Povos Ind&iacute;genas em Bras&iacute;lia (DF) e o Museu    do &Iacute;ndio, em Cuiab&aacute; (MT).</font></p>     <p><font size="3">Em maio, a equipe apresentar&aacute; os primeiros resultados    desse trabalho no F&oacute;rum Social Ind&iacute;gena, para que os &iacute;ndios    sejam informados sobre a pesquisa em que participaram como objeto. A colabora&ccedil;&atilde;o    firmada entre as duas universidades inicia, este ano, a segunda fase e deve    focar-se na divulga&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es colhidas,    por meio de exposi&ccedil;&otilde;es, publica&ccedil;&otilde;es de livros e    artigos, assim como a edi&ccedil;&atilde;o e digitaliza&ccedil;&atilde;o de    filmes capturados por algumas etnias e que correm o risco de se deteriorar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a26img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>TROCAS CULTURAIS</b> Iniciados h&aacute; cerca de dez anos,    os jogos de povos ind&iacute;genas regionais, estaduais e nacionais t&ecirc;m    cumprido o papel, tamb&eacute;m, de estimular o interc&acirc;mbio cultural e    servir de f&oacute;rum para discuss&otilde;es, o que fortalece a cultura das    diferentes tribos. Esses eventos s&atilde;o promovidos pelo Comit&ecirc; Intertribal    – Mem&oacute;ria e Ci&ecirc;ncia Ind&iacute;gena e pelo Minist&eacute;rio dos    Esportes, entre outros apoiadores. Os jogos estaduais j&aacute; ocorreram em    Tocantins, Par&aacute;, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paran&aacute;, Goi&aacute;s    e Bahia.</font></p>     <p><font size="3">Com a divulga&ccedil;&atilde;o de atividades de lazer, rituais    e ritos de sobreviv&ecirc;ncia, os &iacute;ndios t&ecirc;m conseguido n&atilde;o    apenas mostrar a import&acirc;ncia de sua cultura para os n&atilde;o-&iacute;ndios    e outras etnias, como tamb&eacute;m refor&ccedil;&aacute;-la internamente, considera    a antrop&oacute;loga Maria Beatriz, do Laborat&oacute;rio de Antropologia Biocultural    da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica da Unicamp. "O depoimento    de caciques mostra que eles v&ecirc;em o esporte como recrea&ccedil;&atilde;o    e meio de fixar o &iacute;ndio nas aldeias", conta. Al&eacute;m dos problemas    de pobreza, alcoolismo e prostitui&ccedil;&atilde;o que costumam acometer alguns    dos que est&atilde;o pr&oacute;ximos das cidades, o suic&iacute;dio &eacute;    um drama que atinge algumas etnias. Esse &eacute; o caso dos Guarani Kaiow&aacute;    no Mato Grosso do Sul, cuja m&eacute;dia de suic&iacute;dio &eacute; de 50 mortes    ao ano, em uma popula&ccedil;&atilde;o de 38 mil pessoas. Entre as explica&ccedil;&otilde;es    para o fato est&aacute; o "esgotamento de qualquer possibilidade de recuar    no espa&ccedil;o, diante da ‘civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental’, e, simultaneamente,    ter seus valores de dignidade humana aviltados", afirma Anast&aacute;cio    Morgado, da Escola de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Fiocruz em artigo sobre    o suic&iacute;dio na etnia nos <i>Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>    (vol.7, n.4, 1991). "O esporte n&atilde;o vai resolver o problema do suic&iacute;dio,    mas &eacute; um meio minimizar o drama", enfatiza a antrop&oacute;loga    da Unicamp, h&aacute; 15 anos dedicada ao estudo da antropologia desportiva.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Germana Barata</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a26img03.jpg"></p>      ]]></body>
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