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</front><body><![CDATA[ <p><FONT size="4"><b>CINEMA</b></FONT></p>     <p><font size="4"><b>P<SMALL>ESQUISADOR DEBATE TESE DE "CINEMATOGAFIA-ATRA&Ccedil;&Atilde;O"</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Autor do livro <i>Du litteraire au filmique: syst&egrave;me    du r&eacute;cit</i> (Paris: Meridien, 1989) e outros trabalhos de destaque no    campo da hist&oacute;ria e teoria do cinema, o professor e pesquisador da Universidade    de Montreal (Canad&aacute;), Andr&eacute; Gauldreault, esteve no Brasil no semestre    passado para uma s&eacute;rie de palestras onde exp&ocirc;s sua tese de uma    "cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o", correspondente ao que se convencionou    chamar per&iacute;odo inicial do cinema, aproximadamente entre 1895 e 1910.    Ou seja, da primeira exibi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do cinemat&oacute;grafo    Lumi&egrave;re, em Paris, &agrave; ascend&ecirc;ncia do cinema narrativo e institucional    – ao cinema comercial que assistimos hoje, dos filmes de cerca de duas horas    que contam uma hist&oacute;ria de forma linear. Gauldreault cumpriu um <i>tour</i>    com sua palestra "O cinema dos primeiros tempos ou a ‘cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o’",    a partir da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), falando, em seguida,    para pesquisadores das universidades federais de Goi&acirc;nia, de Bras&iacute;lia,    Rio de Janeiro e da Bahia.</font></p>     <p><font size="3">O tipo de cinema que se praticava na virada do s&eacute;culo    XIX para o XX era sensivelmente diferente daquele a que estamos acostumados    hoje, diz Gauldreault. Nos filmes dos irm&atilde;os Auguste e Louis Lumi&egrave;re,    da Edison Co., da Path&eacute; Fr&egrave;res ou da Star Film de Georges M&eacute;li&egrave;s,    por exemplo, a curiosidade ou espet&aacute;culo visual – em suma, a "atra&ccedil;&atilde;o"    – tinha privil&eacute;gio sobre a narrativa. Nessas obras, a cor, os efeitos    de trucagem, a performance de dan&ccedil;arinas, m&aacute;gicos ou fisiculturistas    eram os verdadeiros atrativos, com prioridade sobre o enredo ou a pr&oacute;pria    maneira de se contar uma hist&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="3">Gauldreault discorre, com erudi&ccedil;&atilde;o, a respeito    dos instrumentos &oacute;pticos que precederam o cinema e analisa em profundidade    filmes de Edison, M&eacute;li&egrave;s e Lumi&egrave;re, no sentido de provar    que a "cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o" herda uma "circularidade    narrativa" em conformidade com a tecnologia e modo de exibi&ccedil;&atilde;o    cinematogr&aacute;fico de sua &eacute;poca. Para o te&oacute;rico canadense,    o conceito de "cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o" permite dois    movimentos fundamentais: 1. distinguir claramente o per&iacute;odo inicial da    "cinematografia", anterior ao do "cinema" tal como o conhecemos,    e 2. dar uma identidade e esse per&iacute;odo, n&atilde;o s&oacute; t&eacute;cnica    como est&eacute;tica.</font></p>     <p><font size="3"><b>TRUQUES VISUAIS</b> Al&eacute;m disso, Gauldreault demonstra    que, ao contr&aacute;rio do que pensavam os historiadores cl&aacute;ssicos,    os primeiros tempos da cinematografia n&atilde;o foram nada pobres ou rudimentares    em termos de montagem. Baseando-se numa pesquisa minuciosa de pel&iacute;culas,    o pesquisador prova que uma porcentagem razo&aacute;vel dos filmes de Georges    M&eacute;li&egrave;s, e mesmo das "atualidades" ou tomadas ao vivo    dos irm&atilde;os Lumi&egrave;re, apresenta fragmenta&ccedil;&atilde;o decorrente    de artif&iacute;cios como a parada de c&acirc;mera ou a superposi&ccedil;&atilde;o,    o que contraria a velha no&ccedil;&atilde;o de que, nos primeiros tempos do    cinema, praticamente n&atilde;o havia montagem. Um filme como <i>Le diable noir</i>    (1905), de George M&eacute;li&egrave;s, &oacute;timo exemplo de uma "cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o"    baseada em truques visuais, revela uma montagem complexa quando analisado por    Gauldreault, ainda que muito diferente da montagem cl&aacute;ssica que viria    a se consolidar anos depois, por meio da obra de realizadores como o americano    D.W. Griffith. Em compara&ccedil;&atilde;o a <i>Le diable noir</i>, no mesmo    ano de 1905, <i>Rescued by Rover</i>, filme da Hepworth Co., j&aacute; apontaria    o caminho de um cinema narrativo.</font></p>     <p><font size="3">Por fim, Gauldreault aponta que o conceito de "cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o"    n&atilde;o se refere a um "cinema primitivo" que meramente precedeu    o "cinema-institui&ccedil;&atilde;o" que conhecemos hoje. Segundo    o professor canadense, a "cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o" &eacute;    uma voca&ccedil;&atilde;o do cinema que coexiste, at&eacute; hoje, com o cinema    narrativo que foi se impondo como dominante, por volta de 1910. A "cinematografia-atra&ccedil;&atilde;o"    est&aacute; embutida em in&uacute;meros filmes da atualidade, sobretudo nos    de a&ccedil;&atilde;o ou fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, como as s&eacute;ries    de James Bond ou <i>Guerra nas Estrelas</i>. Enfim, essas duas grandes for&ccedil;as    do cinema, a atra&ccedil;&atilde;o e a narra&ccedil;&atilde;o, se complementam    no decorrer do tempo, o passado e o presente se reciclam para o futuro, e a    arte e t&eacute;cnica do cinema continuam a girar, como numa roda de praxinosc&oacute;pio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia</i></font></p>     ]]></body>
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