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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a02img01.gif"></p>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><font size=5><b>Os sindicatos na sociedade contempor&acirc;nea</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size="3"><b>Iram J&aacute;come Rodrigues    <BR>   Jacob Carlos Lima</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><font size=5><b>O</b></font> mundo do trabalho tem se situado    no centro das principais transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas no est&aacute;gio    atual de desenvolvimento do capitalismo. A incorpora&ccedil;&atilde;o das novas    tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e a flexibiliza&ccedil;&atilde;o das    rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o induziram a cria&ccedil;&atilde;o    de novas formas de trabalho (em tempo parcial, tempor&aacute;rio, a domic&iacute;lio    etc.), e mudaram significativamente as caracter&iacute;sticas da classe trabalhadora.    Essa situa&ccedil;&atilde;o afetou de modo significativo as pr&aacute;ticas    sindicais e colocou em xeque as estrat&eacute;gias constru&iacute;das em per&iacute;odos    anteriores do desenvolvimento econ&ocirc;mico.</font></P>     <p><font size="3">A partir dos anos 1950, a a&ccedil;&atilde;o sindical viveu    momentos de fundamental import&acirc;ncia quando a institui&ccedil;&atilde;o    trabalhista foi amplamente reconhecida e seu poder se consolidou enormemente.</font></P>     <p><font size="3">O sistema econ&ocirc;mico e social que emergiu ap&oacute;s a    Segunda Guerra Mundial e at&eacute; in&iacute;cios dos anos 1970, em grande    parte da Europa Ocidental, EUA e Jap&atilde;o, foi respons&aacute;vel por uma    estabilidade que representou um incremento do bem-estar e aumento da riqueza    em todos esses pa&iacute;ses. Durante o per&iacute;odo, al&eacute;m do aumento    do bem-estar e altas taxas de crescimento econ&ocirc;mico, a democracia e o    Estado de Bem-Estar Social foram consolidados e o Estado estimulou o desenvolvimento    da atividade produtiva atrav&eacute;s de empr&eacute;stimos e investimentos    de longo prazo.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Esses investimentos, em cada pa&iacute;s, coordenados pelos    Estados nacionais, embora assumissem alguns aspectos mais espec&iacute;ficos,    tinham como principal caracter&iacute;stica o processo de regula&ccedil;&atilde;o    do Estado no que tange &agrave; pol&iacute;tica macroecon&ocirc;mica, ou seja,    uma decisiva interven&ccedil;&atilde;o do Estado na economia, com o objetivo    de garantir o equil&iacute;brio no campo econ&ocirc;mico e a paz social no terreno    pol&iacute;tico. Essas singularidades se manifestavam em diferen&ccedil;as no    padr&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos, na organiza&ccedil;&atilde;o do sistema    de bem-estar social e na presen&ccedil;a maior ou menor do Estado nas decis&otilde;es    econ&ocirc;micas.</font></P>     <p><font size="3">Desse modo, o complexo de arranjos institucionais e corporativos    se constituiu na ess&ecirc;ncia do que veio a ser denominado compromisso fordista    e foi o principal ponto de apoio de sua estrutura&ccedil;&atilde;o. Vale dizer,    Estado, grandes corpora&ccedil;&otilde;es e sindicatos passaram a ser a nova    base desse regime de acumula&ccedil;&atilde;o que se caracterizava pela produ&ccedil;&atilde;o    em massa de bens padronizados e em s&eacute;rie.</font></P>     <p><font size="3">Nos anos recentes, no entanto, as grandes organiza&ccedil;&otilde;es    industriais que, em alguma medida, representavam a for&ccedil;a do trabalho    organizado foram ficando, paulatinamente, obsoletas. Competi&ccedil;&atilde;o    global, recess&atilde;o e incertezas econ&ocirc;micas crescentes, em alguma    medida, colocaram em crise o sindicalismo e as bases institucionais nas quais    ele se desenvolveu.</font></P>     <p><font size="3">Essas mudan&ccedil;as t&ecirc;m trazido enormes desafios para    a a&ccedil;&atilde;o sindical. As respostas a essa quest&atilde;o, bem como    a compreens&atilde;o de seu significado para a atua&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores    n&atilde;o &eacute; consensual, sendo fonte de debates em &acirc;mbitos diversificados    da sociedade. </font></P>     <p><font size="3">Em linhas gerais, pode-se dizer que os obst&aacute;culos &agrave;    atividade sindical se colocam, principalmente, em decorr&ecirc;ncia de que,    historicamente, as a&ccedil;&otilde;es trabalhistas sempre se pautaram pela    demanda de acesso a bens e/ou poder p&uacute;blicos e privados para o trabalhador    nacional. Por isso, o sindicato tem encontrado muitas dificuldades para enfrentar    a chamada revolu&ccedil;&atilde;o microeletr&ocirc;nica e o fen&ocirc;meno de    globaliza&ccedil;&atilde;o da sociedade. Nesse processo, o que se tem observado    &eacute; que as reivindica&ccedil;&otilde;es, muitas vezes, se espraiam, do    n&iacute;vel econ&ocirc;mico e/ou pol&iacute;tico para a sociedade como um todo    e, de outra parte, em muitos casos, muda do &acirc;mbito nacional, tanto para    a esfera local quanto em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; esfera global.</font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, nesses &uacute;ltimos anos, altera&ccedil;&otilde;es    no mundo do trabalho t&ecirc;m trazido profundas conseq&uuml;&ecirc;ncias para    a a&ccedil;&atilde;o sindical e tendo como um dos seus principais resultados    – al&eacute;m do aumento significativo do desemprego – o crescimento de uma    legi&atilde;o de empregados prec&aacute;rios, parciais, tempor&aacute;rios etc.    Neste in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, observa-se que esses trabalhadores    est&atilde;o se tornando parte cada vez mais significativa da economia. Esse    &eacute;, pois, um obst&aacute;culo adicional ao trabalho organizado.</font></P>     <p><font size="3">De certa forma, a quest&atilde;o do trabalho hoje reafirma elementos    que marcaram sua centralidade na explica&ccedil;&atilde;o do social no s&eacute;culo    XX, ampliando seu escopo na compreens&atilde;o da sociabilidade humana e das    possibilidades de futuro. </font></P>     <p><font size="3">O assalariamento, que caracterizou a rela&ccedil;&atilde;o capital/trabalho    durante largo per&iacute;odo, criou as condi&ccedil;&otilde;es de agrega&ccedil;&atilde;o    de direitos sociais aos contratos de trabalho. J&aacute; a flexibilidade propiciada    pela revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, representada pela informatiza&ccedil;&atilde;o    e a telem&aacute;tica, desterritorializou a produ&ccedil;&atilde;o e o trabalho,    internacionalizando os mercados, desorganizando identidades coletivas fundadas    no local, no regional, no nacional. O "local" &eacute; ressignificado    dentro dos n&oacute;s de uma sociedade em rede, na qual atuam empresas, Estados    e trabalhadores.</font></P>     <p><font size="3">As empresas, por vezes, atuam globalmente, acima dos Estados    nacionais. De outra parte, tentam adequar suas pol&iacute;ticas na atra&ccedil;&atilde;o    de investimentos e procuram se inserir no processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o,    percebido como inexor&aacute;vel e sem volta. A no&ccedil;&atilde;o de "desenvolvimento    nacional" vinculado &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o &eacute; "superada"    pela necessidade de inser&ccedil;&atilde;o produtiva a redes globais. Ser competitivo    significa ter menores custos e acompanhar as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas.    Menores custos representam o corte de trabalho vivo, ou no caso da produ&ccedil;&atilde;o    trabalho-intensivo, procur&aacute;-lo onde &eacute; mais barato.</font></P>     <p><font size="3">Desse modo, os assalariados s&atilde;o os mais afetados pela    nova ordem econ&ocirc;mica mundial. Ganhos sociais resultantes de lutas de um    s&eacute;culo s&atilde;o perdidos em nome da competitividade global. Os trabalhadores,    enquanto atores coletivos, perdem import&acirc;ncia na mudan&ccedil;a social,    por sua fragmenta&ccedil;&atilde;o, dispers&atilde;o geogr&aacute;fica e crescente    vulnerabilidade social. As utopias perdem for&ccedil;a. Assim, novos desafios    s&atilde;o colocados &agrave; a&ccedil;&atilde;o coletiva exigindo um repensar    do trabalho em suas novas-velhas formas e em sua complexidade.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No caso brasileiro, que n&atilde;o fugiu &agrave; regra em termos    das transforma&ccedil;&otilde;es, &eacute; importante discutir a l&oacute;gica    das a&ccedil;&otilde;es sindicais no novo contexto da realidade do trabalho,    considerando diferentes ramos e setores econ&ocirc;micos bem como regi&otilde;es    do pa&iacute;s, tendo em vista avaliar a presen&ccedil;a de mudan&ccedil;as    nas estrat&eacute;gias e implica&ccedil;&otilde;es para os trabalhadores. Como    se configura, pois, a situa&ccedil;&atilde;o no Brasil no que tange &agrave;s    novas estrat&eacute;gias e formas de a&ccedil;&atilde;o sindicais? Qual o grau    de representatividade das institui&ccedil;&otilde;es sindicais?</font></P>     <p><font size="3">O cen&aacute;rio que se constr&oacute;i prop&otilde;e algumas    quest&otilde;es: qual o lugar do trabalho na sociedade do s&eacute;culo XXI,    comparando-se com a realidade do s&eacute;culo XX? Qual a efetiva possibilidade    do desenvolvimento econ&ocirc;mico promover o crescimento do emprego no Brasil    vis-a-vis o quadro internacional de crescimento sem aumento de empregos? &Eacute;    poss&iacute;vel pensar em desenvolvimento social que, escapando de preocupa&ccedil;&otilde;es    meramente econ&ocirc;micas, garanta prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade    e aos trabalhadores para al&eacute;m de seus v&iacute;nculos de trabalho? Estariam    os trabalhadores e sindicatos preparados para enfrentar os marcos trazidos pela    flexibiliza&ccedil;&atilde;o, agora possivelmente chancelada em termos legais?    Qual o papel do governo no que se refere &agrave; prote&ccedil;&atilde;o aos    trabalhadores e benef&iacute;cios diretos (e indiretos) n&atilde;o mais vinculados    somente &agrave; formaliza&ccedil;&atilde;o do mundo do trabalho, que lhes d&ecirc;    mais seguran&ccedil;a em um quadro de crescente instabilidade? Quais os limites    e as possibilidades das pr&aacute;ticas empresariais em um cen&aacute;rio em    que a empresa assume papel de destaque n&atilde;o s&oacute; em termos produtivos    e competitivos, mas tamb&eacute;m em termos de preocupa&ccedil;&otilde;es sociais    e competindo, por vezes, com a a&ccedil;&atilde;o sindical nos locais de trabalho?    Como se desenvolver&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre sindicatos e Estado    no contexto de um governo oriundo do movimento sindical? </font></P>     <p><font size="3">Em resumo, &eacute; importante analisar, de um lado, as novas    caracter&iacute;sticas do trabalho e o perfil da classe trabalhadora que o ciclo    recente da economia mundial e brasileira est&aacute; a demandar, buscando analisar    as implica&ccedil;&otilde;es sociais que da&iacute; decorrem. Por outro lado,    discutir o momento atual no qual s&atilde;o formuladas propostas de mudan&ccedil;as    na legisla&ccedil;&atilde;o sindical e trabalhista, arenas nas quais os atores    pol&iacute;ticos est&atilde;o articulados para defender os seus interesses,    bem como os poss&iacute;veis impactos concretos das mesmas. Analisar a rela&ccedil;&atilde;o    entre Estado e movimento sindical, que na atual conjuntura apresenta caracter&iacute;sticas    particulares tendo em vista a ampla presen&ccedil;a de sindicalistas no interior    do aparelho de Estado. E, por fim, refletir sobre a articula&ccedil;&atilde;o    do movimento sindical com os outros movimentos sociais diante de quest&otilde;es    que afetam significativos setores da sociedade, como o desemprego, a precariza&ccedil;&atilde;o    do trabalho, o tema do trabalho infanto-juvenil, g&ecirc;nero, informalidade,    terceiriza&ccedil;&atilde;o, exclus&atilde;o, imigra&ccedil;&atilde;o, pobreza,    bem como estrat&eacute;gias sindicais voltadas ao desenvolvimento regional e    local em seus respectivos territ&oacute;rios.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute;, nesse sentido, que ganha relev&acirc;ncia a discuss&atilde;o    e reflex&atilde;o sobre esses fen&ocirc;menos contempor&acirc;neos e seus impactos    na realidade brasileira. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Iram J&aacute;come Rodrigues</b> &eacute; professor do    Departamento de Economia e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Sociologia da USP.    <br>   <b>Jacob Carlos Lima</b> &eacute; professor do Departamento de Ci&ecirc;ncias    Sociais da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (Ufscar).</i></font></P>      ]]></body>
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