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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">DIREITOS HUMANOS</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as est&aacute; presente    em qualquer classe social</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Estudos sistem&aacute;ticos de organismos internacionais e institui&ccedil;&otilde;es    brasileiras buscam qualificar, quantificar e fornecer par&acirc;metros para    que pol&iacute;ticas p&uacute;blicas se tornem eficientes no combate &agrave;    viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as e adolescentes. As agress&otilde;es sofridas,    sejam de ordem moral, f&iacute;sica e sexual, acontecem nos ambientes mais diversos,    desde a&ccedil;&otilde;es "disciplinadoras" de escolas ou institui&ccedil;&otilde;es    de abrigo, intimida&ccedil;&atilde;o e discrimina&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios    colegas, coa&ccedil;&otilde;es no trabalho, abusos em casa ou situa&ccedil;&otilde;es    de risco, como o tr&aacute;fico e a pornografia. As conseq&uuml;&ecirc;ncias    na forma&ccedil;&atilde;o e na vida futura desses jovens, desde falta de perspectivas    como traumas profundos, s&atilde;o objeto de muita pesquisa e trabalho acad&ecirc;mico.</font></P>     <P><font size="3">Todas essas atitudes desumanas fazem parte do cotidiano de milh&otilde;es    de crian&ccedil;as, sejam elas ricas ou pobres. "O que se verifica &eacute;    que, freq&uuml;entemente, se associa pobreza e maus tratos, atribuindo &agrave;    condi&ccedil;&atilde;o de baixa renda a&ccedil;&otilde;es de neglig&ecirc;ncia    e viol&ecirc;ncia. Na realidade, fam&iacute;lias pobres encontram-se mais vulner&aacute;veis    a serem denunciadas, o que n&atilde;o significa que casos de maus-tratos sejam    exclusivos dessa faixa social; a quest&atilde;o &eacute; que, em fam&iacute;lias    de classe m&eacute;dia e alto poder aquisitivo, tudo &eacute; ocultado".    Para a pesquisadora Z&eacute;lia Maria Mendes Biasoli Alves, do Departamento    de Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o da USP de Ribeir&atilde;o Preto, em qualquer    classe social a vergonha e o medo, tanto das crian&ccedil;as como de seus pais    — no caso de o agressor ser um c&ocirc;njuge, parente, empregador, policial    ou um l&iacute;der comunit&aacute;rio — s&atilde;o fatores que ajudam a camuflar    o problema. </font></P>     <P><font size="3">Um recente estudo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o tema,    sob coordena&ccedil;&atilde;o do pesquisador da USP, Paulo S&eacute;rgio Pinheiro,    mostra que "a viol&ecirc;ncia ainda prevalece em todos os pa&iacute;ses    do mundo e est&aacute; presente em qualquer cultura, classe, n&iacute;vel de    escolaridade, faixa de renda e origem &eacute;tnica. Em v&aacute;rias regi&otilde;es,    a viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as &eacute; um fen&ocirc;meno aprovado    e, freq&uuml;entemente, legal ". Em pelo menos 106 pa&iacute;ses n&atilde;o    se pro&iacute;be o uso de castigos corporais nas escolas, 147 pa&iacute;ses    n&atilde;o os pro&iacute;bem em institui&ccedil;&otilde;es assistenciais alternativas    e somente 16 pa&iacute;ses os proibiram no lar at&eacute; hoje. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"> Em muitos pa&iacute;ses, a legisla&ccedil;&atilde;o se concentra    em penalidades contra a viol&ecirc;ncia sexual ou f&iacute;sica praticada contra    crian&ccedil;as, n&atilde;o levando em considera&ccedil;&atilde;o a viol&ecirc;ncia    psicol&oacute;gica nem medidas de preven&ccedil;&atilde;o, recupera&ccedil;&atilde;o    e reintegra&ccedil;&atilde;o. "Os esfor&ccedil;os para atacar a quest&atilde;o    da viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as s&atilde;o freq&uuml;entemente reativos    e concentrados nos seus sintomas e conseq&uuml;&ecirc;ncias, e n&atilde;o em    suas causas. As estrat&eacute;gias tendem a ser fragmentadas e recursos insuficientes    s&atilde;o alocados para medidas concebidas para atacar o problema. Al&eacute;m    disso, os compromissos internacionais de proteger crian&ccedil;as da viol&ecirc;ncia,    freq&uuml;entemente, n&atilde;o se traduzem em medidas concretas em n&iacute;vel    nacional", avalia Pinheiro no estudo, o primeiro abrangente e global desenvolvido    pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre todas as formas de viol&ecirc;ncia contra    crian&ccedil;as.</font></P>     <P><font size="3">Para Pinheiro, n&atilde;o basta condenar os praticantes da viol&ecirc;ncia;    &eacute; necess&aacute;rio mudar a mentalidade das sociedades e as condi&ccedil;&otilde;es    econ&ocirc;micas e sociais subjacentes que a provocam. O especialista sugere    que o Estado pro&iacute;ba a pena de morte para menores de 18 anos, penalize    a pr&aacute;tica de castigos corporais, promova a capacita&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica de profissionais e leigos que trabalham com crian&ccedil;as,    crie mecanismos seguros de den&uacute;ncia e de coleta de dados e pesquisas.    Ainda sugere que os servi&ccedil;os de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, educa&ccedil;&atilde;o    e previd&ecirc;ncia social incluam programas de visitas domiciliares, orienta&ccedil;&otilde;es    de pais e programas de gera&ccedil;&atilde;o de renda para grupos desfavorecidos.    Recomenda a redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de menores mantidos em institui&ccedil;&otilde;es    judiciais e a reavalia&ccedil;&atilde;o regular das deten&ccedil;&otilde;es,    bem como o combate ao trabalho infantil ilegal. "Medidas para impedir e    responder &agrave; viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as devem ser integradas    a processos nacionais de planejamento at&eacute; 2007", afirma.</font></P>     <P><font size="3"><b>A PERCEP&Ccedil;&Atilde;O DO PROBLEMA</b> Sentimentos d&uacute;bios    predominam nas rela&ccedil;&otilde;es entre as crian&ccedil;as v&iacute;timas    de viol&ecirc;ncia e seus agressores, diz Z&eacute;lia Alves, da USP. "O    que se observa com maior freq&uuml;&ecirc;ncia &eacute; que as crian&ccedil;as    ou negam que est&atilde;o sendo maltratadas ou tendem a justificar a a&ccedil;&atilde;o    dos adultos, considerando que est&atilde;o corrigindo o que fazem de errado.    Chegam a relatar quais eram as situa&ccedil;&otilde;es e comportamentos vistos    como pass&iacute;veis deste tipo de corre&ccedil;&atilde;o", acrescenta.</font></P>     <P><font size="3">A estrutura de amparo existente no Brasil para as crian&ccedil;as    v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia inclui os Conselhos Tutelares e as "casas    de abrigo" (neste caso, perde-se o poder familiar). H&aacute; tamb&eacute;m    a atua&ccedil;&atilde;o de ONGs. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pesquisas    sobre viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as no Brasil, Z&eacute;lia avalia    que se est&aacute; numa dire&ccedil;&atilde;o bem produtiva e, em certos aspectos,    at&eacute; mais adiantados do que outros pa&iacute;ses. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"> <font size="3"><i>Mariana Perozzi</i></font></P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a04fig01.gif"></p>      ]]></body>
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