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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a09img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a09fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">SA&Uacute;DE</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a09img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Programa internacional sugere pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    para deter o aumento da obesidade na Europa</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Os &iacute;ndices elevados de sobrepeso e obesidade nos pa&iacute;ses    europeus podem estar com os seus dias contados. &Eacute; o que se pretende conseguir    com as pol&iacute;ticas propostas pelo PorGrow, um programa internacional patrocinado    pela Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia que elegeu vinte op&ccedil;&otilde;es de    medidas para controlar o excesso de peso da popula&ccedil;&atilde;o. Realizado    em nove pa&iacute;ses europeus, o programa elegeu a&ccedil;&otilde;es a serem    implementadas, imediatamente, tais como maior est&iacute;mulo &agrave; pr&aacute;tica    de atividade f&iacute;sica, mudan&ccedil;as no sistema de transporte p&uacute;blico    urbano, controle da publicidade de alimentos industrializados, obrigatoriedade    de rotulagem desses produtos e educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de. Entrevistados    – entre eles representantes de associa&ccedil;&otilde;es de consumidores, da    ind&uacute;stria aliment&iacute;cia e de redes de distribui&ccedil;&atilde;o    de alimentos, agricultores, pol&iacute;ticos dos minist&eacute;rios da sa&uacute;de    e de C&amp;T, e jornalistas especializados – e pesquisadores tiveram que selecionar,    entre as 14 mil op&ccedil;&otilde;es avaliadas, quais eram mais fact&iacute;veis    em cada um dos pa&iacute;ses, at&eacute; chegar a um consenso das pol&iacute;ticas    que seriam aplic&aacute;veis a todos . </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>PORGROW</b> Nome dado pelo coordenador do projeto, o professor    da Universidade de Sussex, Erik Millstone, o PorGrow come&ccedil;ou em 2004,    ap&oacute;s a Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia definir os pa&iacute;ses que participariam    do projeto: Reino Unido, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, Espanha, Pol&ocirc;nia,    Finl&acirc;ndia, Gr&eacute;cia, Hungria e Chipre. Cada pa&iacute;s recebeu cerca    de 80 mil euros de financiamento, e o total investido foi de 700 mil euros.    Segundo Millstone, foram recursos para contratar as equipes e desenvolver o    software de avalia&ccedil;&atilde;o multicriterial, especialmente criado pela    Universidade de Sussex (Inglaterra) para o projeto e finalizado em 2006. No    momento, as equipes trabalham na elabora&ccedil;&atilde;o de um livro sobre    o programa, a ser lan&ccedil;ado este ano.</font></P>     <p><font size="3">O objetivo &eacute; deter o crescimento exorbitante das taxas    de sobrepeso e obesidade na Europa. Nos &uacute;ltimos 20 anos, o fen&ocirc;meno    atingiu propor&ccedil;&otilde;es epid&ecirc;micas n&atilde;o apenas na Europa.    As taxas triplicaram, comparadas aos dados de 1980, na Europa Oriental, na Am&eacute;rica    do Norte, China, Oriente M&eacute;dio, Ilhas do Pac&iacute;fico e Austr&aacute;lia.    Em pa&iacute;ses em desenvolvimento, mesmo com menor disponibilidade de alimentos,    a obesidade cresce em ritmo mais acelerado. No Brasil, por exemplo, 39 % das    mulheres est&atilde;o com excesso de peso e, entre os homens, essa taxa sobe    para 47%, segundo estudo nacional do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de divulgado    em mar&ccedil;o &uacute;ltimo.</font></P>     <p><font size="3"><b>POL&Iacute;TICAS DIFERENCIADAS</b> "O projeto deve trazer    perspectivas de abordagens distintas, para ver quais pol&iacute;ticas podem    ser efetivas em cada pa&iacute;s. Seria irrealista pensar que &eacute; poss&iacute;vel    ter um conjunto de pol&iacute;ticas que funcione em todos eles, mas espero que    o estudo ajude a deter esta ‘jamanta’ da obesidade que est&aacute; rolando sobre    a Europa", afirmou Millstone no lan&ccedil;amento do programa. </font></P>     <p><font size="3">A jamanta a que o professor se refere s&atilde;o taxas de sobrepeso    e obesidade em torno de 42 a 70% entre homens e de 38% a 60% entre mulheres,    com grande varia&ccedil;&atilde;o entre um pa&iacute;s e outro, em dados de    2005. A obesidade j&aacute; &eacute; respons&aacute;vel por 2 a 7% dos custos    com sa&uacute;de e por 10 a 13% dos &oacute;bitos em diferentes regi&otilde;es    da Europa. Dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de apontam    para um n&uacute;mero acima de um bilh&atilde;o de adultos com excesso de peso    no mundo, dos quais 300 milh&otilde;es seriam considerados obesos cl&iacute;nicos.</font></P>     <p><font size="3"><b>HIERARQUIA</b> Cento e noventa pessoas foram entrevistadas    no &acirc;mbito do PorGrow. Representantes, em cada um dos pa&iacute;ses, de    21 setores de alguma maneira envolvidos com a quest&atilde;o do sobrepeso, foram    reunidos em sete grupos: ONGs de interesse p&uacute;blico, grandes ind&uacute;strias    e distribuidoras da cadeia de alimentos, pequenos varejistas de alimentos "saud&aacute;veis"    e &oacute;rg&atilde;os ligados aos esportes, grandes ind&uacute;strias e empresas    comerciais, tomadores de decis&otilde;es, provedores p&uacute;blicos e especialistas    em sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></P>     <p><font size="3">Com a metodologia de avalia&ccedil;&atilde;o multicriterial,    cada um dos entrevistados hierarquizou algumas pol&iacute;ticas sugeridas pelo    projeto para redu&ccedil;&atilde;o do excesso de peso da popula&ccedil;&atilde;o,    podendo, inclusive, sugerir novas op&ccedil;&otilde;es a serem adotadas. Ao    final, foram 20 op&ccedil;&otilde;es selecionadas pelos pesquisadores envolvidos    no estudo, sendo elas classificadas entre essenciais (no total de 7) e secund&aacute;rias    (13).</font></P>     <p><font size="3">Entre as essenciais est&atilde;o mudan&ccedil;as no planejamento    das cidades, maior oferta de transporte p&uacute;blico, para encorajar as pessoas    a praticarem mais exerc&iacute;cios f&iacute;sicos; e facilita&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica de esportes em escolas e comunidades, sejam eles tradicionais,    atletismo, esportes radicais e at&eacute; mesmo a dan&ccedil;a.</font></P>     <p><font size="3">Outra medida de destaque &eacute; o controle da publicidade    de alimentos e bebidas, em especial durante a programa&ccedil;&atilde;o voltada    ao p&uacute;blico infantil. Tal regula&ccedil;&atilde;o incluiria a restri&ccedil;&atilde;o    do uso de personagens de filmes e desenhos animados para a oferta de alimentos    e bebidas. A ind&uacute;stria de alimentos &eacute; o foco de outras tr&ecirc;s    propostas: sobretaxa de alimentos com mais gordura e a&ccedil;&uacute;car; controle    da oferta de alimentos como salgadinhos e bebidas adocicadas em institui&ccedil;&otilde;es    p&uacute;blicas como escolas e hospitais; e obrigatoriedade de rotulagem de    alimentos, indicando a composi&ccedil;&atilde;o dos alimentos e, preferencialmente,    anunciando o n&iacute;vel de densidade energ&eacute;tica de cada alimento. Uma    op&ccedil;&atilde;o seria usar, como j&aacute; se faz no Reino Unido e na Finl&acirc;ndia,    a sinaliza&ccedil;&atilde;o cal&oacute;rica pelas cores usadas no tr&acirc;nsito.    </font></P>     <p><font size="3">Outra medida de impacto na ind&uacute;stria aliment&iacute;cia    seria o aumento de subs&iacute;dios para produtos mais saud&aacute;veis, principalmente    os vegetais, uma vez que o pre&ccedil;o &eacute; um importante fator de escolha.    Tal medida poderia torn&aacute;-los mais atraentes para os consumidores mas,    certamente, n&atilde;o agradaria os pa&iacute;ses em desenvolvimento, j&aacute;    com dificuldades em colocar seus produtos agr&iacute;colas no exterior, por    conta dos subs&iacute;dios existentes.</font></P>     <p><font size="3">Treinamento de profissionais da sa&uacute;de, para que auxiliem    pacientes a adquirirem h&aacute;bitos alimentares mais saud&aacute;veis e pratiquem    exerc&iacute;cios regular e corretamente; inclus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    sobre nutri&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de nos curr&iacute;culos escolares,    cria&ccedil;&atilde;o de um novo &oacute;rg&atilde;o governamental para coordenar    pol&iacute;ticas relevantes de controle da obesidade, novos medicamentos para    preven&ccedil;&atilde;o e controle da obesidade s&atilde;o algumas das demais    propostas, de car&aacute;ter secund&aacute;rio, sugeridas pelos integrantes    do PorGrow. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>M&Uacute;LTIPLA ABORDAGEM</b> Para Erick Millstone, a metodologia    foi bastante oportuna pois permitiu que os entrevistados n&atilde;o apenas pontuem    as op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas apresentadas, mas tamb&eacute;m    que descrevam os crit&eacute;rios usados para formar o julgamento sobre elas.    Al&eacute;m disso, o m&eacute;todo permite a inclus&atilde;o de op&ccedil;&otilde;es    sugeridas pelos entrevistados, n&atilde;o consideradas inicialmente pelos pesquisadores.    O processo de avalia&ccedil;&atilde;o &eacute;, contudo, mais demorado e oneroso.    Foi preciso treinar os entrevistadores na forma de conduzir as entrevistas e    sobre o uso do software. Cada entrevista durou, em m&eacute;dia, meio dia, foi    transcrita e entregue para aprova&ccedil;&atilde;o do entrevistado antes de    ser submetida &agrave; an&aacute;lise das equipes. Os resultados de cada um    dos nove pa&iacute;ses foram cruzados at&eacute; se chegar a um conjunto de    pol&iacute;ticas seriam as mais razo&aacute;veis para eles. Houve dificuldades    em convencer pessoas a participarem do projeto e, como era de se esperar, o    setor que ofereceu maior resist&ecirc;ncia foi a ind&uacute;stria aliment&iacute;cia,    segundo observou Millstone. </font></P>     <p> <font size="3">O coordenador diz que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel avaliar    em quanto tempo a situa&ccedil;&atilde;o de obesidade poderia ser revertida    a partir da implementa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas propostas pelo    grupo. Ainda n&atilde;o h&aacute; consenso em v&aacute;rios pontos, como: quais    pol&iacute;ticas devem ser adotadas no curto prazo; quais as regras para a rotulagem    de alimentos; e nem quanto tempo as ind&uacute;strias aliment&iacute;cias precisam    para mudar o r&oacute;tulo de seus produtos. Millstone acrescenta que muitas    quest&otilde;es n&atilde;o foram respondidas pelo projeto. "Os grupos que    entrevistamos s&atilde;o profissionais de diferentes posi&ccedil;&otilde;es,    mas n&atilde;o entrevistamos cidad&atilde;os comuns. N&atilde;o entrevistamos    m&atilde;es, crian&ccedil;as. Ent&atilde;o, n&atilde;o conhecemos o ponto de    vista dos consumidores". Em sua opini&atilde;o, um estudo nesse sentido    &eacute; necess&aacute;rio e, certamente, produziria resultados diferentes dos    encontrados no PorGrow.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"> <font size="3"><i>Simone Pallone</i></font></P>      ]]></body>
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