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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>SISTEMA DE COTAS: UM MULTICULTURALISMO BRASILEIRO?</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Joc&eacute;lio Teles dos Santos e Delcele Mascarenhas Queiroz</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <font size=5><b>U</b></font>ma pergunta que se apresenta    para a din&acirc;mica das rela&ccedil;&otilde;es raciais no Brasil &eacute;:    de que maneira o multiculturalismo como pol&iacute;tica de diversidade educacional    por aqui se apresenta? Por certo, a discuss&atilde;o sobre pr&aacute;ticas educacionais    diversificadas n&atilde;o &eacute; recente no pa&iacute;s e, muito menos, em    pa&iacute;ses democr&aacute;ticos liberais. A inclus&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es    e/ou grupos marginalizados em espa&ccedil;os como o do trabalho e da educa&ccedil;&atilde;o,    assim como a discuss&atilde;o sobre curr&iacute;culo pode ser verificada, ao    longo da segunda metade do s&eacute;culo XX, em pa&iacute;ses como a &Iacute;ndia,    Estados Unidos, Mal&aacute;sia, China, Canad&aacute; ou Inglaterra (1).</font></P>     <p><font size="3">No Brasil, essas pr&aacute;ticas t&ecirc;m se mostrado diferenciadas    se comparadas com esses pa&iacute;ses. No per&iacute;odo da redemocratiza&ccedil;&atilde;o    houve uma grande demanda dos movimentos sociais para a inclus&atilde;o de cap&iacute;tulos    espec&iacute;ficos para negros e ind&iacute;genas, e inclus&atilde;o de tem&aacute;ticas    curriculares no ensino fundamental e m&eacute;dio para essas popula&ccedil;&otilde;es.    Entretanto, no per&iacute;odo dos anos 1980-1990, as respostas institucionais    foram asseguradas basicamente na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e nas Estaduais    com a elabora&ccedil;&atilde;o de cap&iacute;tulos espec&iacute;ficos. Somente    no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI &eacute; que podemos perceber uma significativa    mudan&ccedil;a, posto que v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es do ensino    superior come&ccedil;aram a adotar as denominadas a&ccedil;&otilde;es afirmativas    para negros e ind&iacute;genas, com &ecirc;nfase no sistema de cotas. E, desde    2003, h&aacute; a obrigatoriedade das tem&aacute;ticas hist&oacute;ria e cultura    do negro no Brasil nos curr&iacute;culos escolares, sancionada atrav&eacute;s    da Lei 10.639.</font></P>     <p><font size="3">Cabe ressaltar que nesse processo n&atilde;o se verifica um    simples reconhecimento da contribui&ccedil;&atilde;o das diferentes popula&ccedil;&otilde;es    na forma&ccedil;&atilde;o cultural do pa&iacute;s, algo que ocorreu desde os    anos trinta, notadamente entre intelectuais, e que foi, desde os anos sessenta,    incorporado at&eacute; pelas inst&acirc;ncias governamentais (2) Trata-se, no    &uacute;ltimo dec&ecirc;nio, da reivindica&ccedil;&atilde;o de direitos pelos    movimentos sociais, e da elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas cujo foco    &eacute; um discurso direcionado para a inclus&atilde;o. Nesse sentido, a ado&ccedil;&atilde;o    do sistema de cotas para negros e ind&iacute;genas nas universidades p&uacute;blicas    pode ser incorporada na discuss&atilde;o sobre multiculturalismo em contexto    comparativo. Portanto, h&aacute; que se verificar o que significou pol&iacute;ticas    educacionais diferenciadas em institui&ccedil;&otilde;es que priorizavam, at&eacute;    o &uacute;ltimo dec&ecirc;nio, um discurso universalista baseado no m&eacute;rito.</font></P>     <p><font size="3">Este artigo tem como objetivo trazer alguns dados sobre a educa&ccedil;&atilde;o    superior no per&iacute;odo anterior ao sistema de cotas e nos dois primeiros    anos da ado&ccedil;&atilde;o desse sistema diferenciado. O espa&ccedil;o de    an&aacute;lise &eacute; a Universidade Federal da Bahia (Ufba), a terceira institui&ccedil;&atilde;o    federal de ensino superior a reservar vagas para estudantes oriundos da escola    p&uacute;blica (43%), a&iacute; inclusos os negros (85% dessa reserva) e &iacute;ndios    aldeados (02 vagas para cada curso). O objetivo &eacute; discutir o impacto    de uma nova pol&iacute;tica em uma institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica    de ensino superior, nos dois primeiros anos da ado&ccedil;&atilde;o do sistema.    Afinal, os argumentos contr&aacute;rios ao programa de a&ccedil;&otilde;es afirmativas    priorizaram tanto a manuten&ccedil;&atilde;o do m&eacute;rito quanto a preserva&ccedil;&atilde;o    da ideologia da mesti&ccedil;agem, t&atilde;o caracter&iacute;stica da sociedade    brasileira, posto que nesses argumentos a reserva de vagas teria como conseq&uuml;&ecirc;ncia    um novo modelo de rela&ccedil;&otilde;es raciais no pa&iacute;s – mais polarizado    e, segundo alguns, com menos espa&ccedil;o para os mesti&ccedil;os. Cabe, ent&atilde;o,    priorizar a an&aacute;lise dos dados.</font></P>     <p><font size="3"><b>SELETIVIDADE E MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DE PRIVIL&Eacute;GIOS</b>    Como observou Luiz Serpa (3), a seletividade no ensino superior foi resultante    da pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o do sistema educacional, no in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX. A grande expans&atilde;o das vagas nas universidades, ocorrida    nos anos 1960 e 1970, n&atilde;o foi capaz de mudar essa caracter&iacute;stica.    A amplia&ccedil;&atilde;o do acesso n&atilde;o foi acompanhada por um processo    de democratiza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas    e cursos no interior da universidade. (4). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A tend&ecirc;ncia &agrave; seletividade evidenciou-se n&atilde;o    apenas no acesso ao ensino superior de um contingente melhor aquinhoado em termos    de heran&ccedil;a familiar e educacional, mas, sobretudo, nas escolhas de determinadas    carreiras por candidatos que apresentam perfis socioecon&ocirc;micos muito similares    (5-6). </font></P>     <p><font size="3">Mesmo havendo uma progressiva eleva&ccedil;&atilde;o na participa&ccedil;&atilde;o    de estudantes dos n&iacute;veis s&oacute;cio-econ&ocirc;micos menos elevados    na universidade, essa tend&ecirc;ncia &eacute; ainda bastante modesta. O estudo    de Brito e Carvalho (4), sobre o acesso &agrave; Universidade Federal da Bahia    evidenciava que quanto mais intensa a competi&ccedil;&atilde;o por vaga, mais    os candidatos de status mais alto eram favorecidos. As pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es    e privil&eacute;gios de seu status levavam a que fossem classificados em propor&ccedil;&otilde;es    sempre superiores &agrave; parcela de inscritos do grupo. </font></P>     <p><font size="3">Esses estudos realizados nos anos 1970-1980 revelavam, portanto,    tanto a seletividade no ingresso nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior    quanto a associa&ccedil;&atilde;o ao status e &agrave; renda familiar. O que    demonstrava, sobremaneira, uma an&aacute;lise dos determinantes econ&ocirc;micos    desse processo, sem priorizar o efeito de outros elementos como a cor e o g&ecirc;nero    que, assim como o status, s&atilde;o respons&aacute;veis pela exclus&atilde;o    de consider&aacute;vel parcela da popula&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><b>DESEMPENHO E ORIGEM ESCOLAR</b> Em um estudo sobre o desempenho    de estudantes na Universidade Federal da Bahia, no per&iacute;odo 1993-1997,    j&aacute; se apontava que o desempenho no vestibular n&atilde;o &eacute; um    indicador <i>ips literis</i> do desempenho nos cursos (7). O estudo verificava    o desempenho no vestibular e o rendimento do estudante no terceiro semestre    do curso na UFBA, tendo como refer&ecirc;ncia trabalhos que indicavam a rela&ccedil;&atilde;o    entre acesso ao ensino superior e a manuten&ccedil;&atilde;o de privil&eacute;gios.    </font></P>     <p><font size="3">A an&aacute;lise mostrou que no vestibular e nos semestres cursados    os estudantes oriundos da escola privada, em todos os segmentos raciais, obtinham    melhor desempenho que os oriundos do sistema p&uacute;blico. </font></P>     <p><font size="3">Os estudantes das escolas p&uacute;blicas tiveram rendimento    muito homog&ecirc;neo, independentemente da cor. Com rela&ccedil;&atilde;o aos    oriundos das escolas privadas as dist&acirc;ncias entre os segmentos raciais    eram um pouco mais percept&iacute;veis; o rendimento dos estudantes acompanhava    o gradiente de cor, de modo que a m&eacute;dia mais elevada &eacute; a dos brancos    e a dos pretos a mais baixa. A observa&ccedil;&atilde;o do desempenho no vestibular,    do grupo de estudantes de <i>alto status</i> socioecon&ocirc;mico, oriundos    da escola privada, mostra que os brancos t&ecirc;m a maior m&eacute;dia de ingresso,    sendo dos pretos a mais baixa (8). Entre os estudantes de baixo status oriundos    do sistema p&uacute;blico, os pretos, justamente os que est&atilde;o mais sujeitos    &agrave;s desvantagens, apresentam m&eacute;dia mais elevada tanto no ingresso    quanto no curso.</font></P>     <p><font size="3"><b>CARREIRA E A COR</b> O exame do desempenho do estudante por    carreira, de <i>per se</i>, revela que os estudantes brancos obtinham as maiores    m&eacute;dias de ingresso em quase a metade dos cursos. Os morenos tinham m&eacute;dias    mais elevadas em mais de um ter&ccedil;o, os pretos em 9,5%, e os mulatos em    7,5%. Assim, os <i>claros</i> (brancos e morenos) tinham m&eacute;dias mais    elevadas em mais de quatro quintos das carreiras (9).</font></P>     <p><font size="3">Nas carreiras de todos os n&iacute;veis de prest&iacute;gio,    os <i>claros</i> tinham m&eacute;dias de ingresso mais elevadas em maior propor&ccedil;&atilde;o    que os <i>escuros (mulatos e pretos)</i>. Assim, eles obtinham maiores m&eacute;dias    em mais de quatro quintos das carreiras de <i>alto</i> prest&iacute;gio; sete    d&eacute;cimos nas carreiras de <i>m&eacute;dio alto</i> prest&iacute;gio; quatro    quartos das carreiras de <i>m&eacute;dio</i> prest&iacute;gio; na totalidade    das carreiras de <i>m&eacute;dio baixo</i> prest&iacute;gio e em mais de quatro    quintos das carreiras de <i>baixo</i> prest&iacute;gio. Ao contr&aacute;rio,    quando se tratava do rendimento no curso, eles obtinham uma maior propor&ccedil;&atilde;o    de m&eacute;dias mais elevadas apenas nas carreiras de <i>alto</i> prest&iacute;gio.    </font></P>     <p><font size="3">Isso mostra que &eacute; pelas carreiras de <i>alto</i> prest&iacute;gio    que se encontrava a disputa mais acirrada entre os segmentos raciais, porque    s&atilde;o essas que confeririam maiores vantagens, tanto no mercado de trabalho    quanto como elemento de distin&ccedil;&atilde;o social.</font></P>     <p><font size="3">Embora seja dos <i>claros</i> a situa&ccedil;&atilde;o mais    privilegiada, chamava a aten&ccedil;&atilde;o no grupo de carreiras de <i>alto</i>    prest&iacute;gio o desempenho dos mulatos e pretos em <i>medicina</i>, a carreira    mais prestigiada de todo o <i>ranking</i>. O fato de apresentarem m&eacute;dias    mais elevadas de rendimento, ao lado da sua reduzida presen&ccedil;a na carreira,    aponta para a dimens&atilde;o da seletividade ali presente, indicando que apenas    aqueles de excepcional desempenho entre os mulatos e pretos se sentiam encorajados    a competir pelos cursos mais valorizados. Sendo minorit&aacute;rios na UFBA,    e representando o grupo racial mais sujeito a desvantagem, destaca-se a situa&ccedil;&atilde;o    dos <i>escuros</i> com rela&ccedil;&atilde;o ao rendimento nas carreiras das    demais &aacute;reas, sobretudo quando se trata daquelas altamente prestigiadas,    em que pese o melhor desempenho dos brancos e morenos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ante esse quadro, pergunta-se: qual foi o efeito das cotas na    Universidade Federal da Bahia?</font></P>     <p><font size="3"><b>AS TENTATIVAS DE INGRESSAR NA UFBA</b> Entre 2003 e 2005    ocorreu um aumento crescente no contingente de estudantes que ingressam na Ufba    no primeiro vestibular, tanto entre brancos quanto entre negros (pretos e pardos).    Entre os brancos e entre os pardos esse aumento foi de em torno de 28 pontos    percentuais. Embora menor, tamb&eacute;m houve crescimento entre os pretos,    de 18,3 pontos percentuais. Em todos os anos da s&eacute;rie, est&aacute; entre    os brancos o maior contingente que logrou aprova&ccedil;&atilde;o no primeiro    vestibular, refor&ccedil;ando o que se sabe sobre esse contingente. Isso ocorre    frente a uma sistem&aacute;tica redu&ccedil;&atilde;o no contingente que tenta    o ingresso por mais de uma vez. Entre pretos e entre pardos ocorreu, no per&iacute;odo,    um crescimento do contingente que j&aacute; havia prestado vestibular uma vez    antes. Em todos os segmentos houve uma redu&ccedil;&atilde;o, no per&iacute;odo,    daqueles que haviam prestado vestibular duas vezes ou mais. A amplia&ccedil;&atilde;o    da participa&ccedil;&atilde;o, entre os selecionados, do contingente de pretos    e pardos que j&aacute; vinha de tentativas anteriores de ingressar na Ufba,    deve ser creditada, seguramente, &agrave; pol&iacute;tica de cotas. </font></P>     <p><font size="3">As informa&ccedil;&otilde;es acerca do contingente que ingressou    em 2005, primeiro vestibular com a reserva de vagas, indicam uma mudan&ccedil;a.    Mesmo que de modo discreto, os dados apresentados, a seguir, permitem perceber    que houve modifica&ccedil;&atilde;o do perfil escolar das fam&iacute;lias cujos    filhos ingressam no &uacute;ltimo ano; aumentou a participa&ccedil;&atilde;o    de estudantes oriundos de fam&iacute;lias de baixa escolaridade, tanto se observado    a escolaridade do pai, mostrada nas <a href="#tab01a">tabelas 1a</a> e <a href="#tab01b">1b</a>    (na pag. 42). Num movimento contr&aacute;rio, reduziu-se a participa&ccedil;&atilde;o    dos estudantes oriundos das fam&iacute;lias cuja escolaridade situa-se no n&iacute;vel    superior. Essa redu&ccedil;&atilde;o &eacute; mais expressiva nos contingentes    dos auto-declarados pardos, pretos e ind&iacute;genas.</font></P>     <p><a name="tab01a"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a17tab1a.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><a name="tab01b"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a17tab1b.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O que ocorreu em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade,    tamb&eacute;m se pode perceber acerca do n&iacute;vel de renda das fam&iacute;lias    daqueles que ingressaram na federal da Bahia, em 2005. Embora a faixa de maior    concentra&ccedil;&atilde;o de renda seja a de 5 a 10 sal&aacute;rios m&iacute;nimos,    em compara&ccedil;&atilde;o com o ano de 2004, constata-se um aumento na participa&ccedil;&atilde;o    de estudantes com renda familiar at&eacute; 5 sal&aacute;rios m&iacute;nimos,    e redu&ccedil;&atilde;o na participa&ccedil;&atilde;o dos que informaram renda    superior a este patamar, conforme <a href="#tab02a">tabelas, 2a</a> e <a href="#tab02b">2ba</a>    (na pag. 43).</font></P>     <p><a name="tab02a"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a17tab2a.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><a name="tab02b"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a17tab2b.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A partir desses dados referentes aos vestibulares, anteriores    ao sistema de cotas, o que significou indiv&iacute;duos classificados como cotistas    ingressarem com m&eacute;dias inferiores aos daqueles que concorreram pelo sistema    universal? Se observado o escore m&eacute;dio dos selecionados no vestibular    com cotas e o dois vestibulares anteriores a diferen&ccedil;a &eacute; pequena    (<a href="#tab03">tabela 3</a>).</font></P>     <p><a name="tab03"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a17tab03.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A diferen&ccedil;a entre os dois se expressa quando se observam    o primeiro e o &uacute;ltimo classificado nos dois grupos. Assinalamos abaixo,    alguns cursos onde a presen&ccedil;a de estudantes das escolas p&uacute;blicas,    negros e ind&iacute;genas era de sub-representa&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Esses dados s&atilde;o necess&aacute;rios para compararmos o    desempenho no vestibular e nos dois primeiros semestres cursados pelos dois    grupos.</font></P>     <p><font size="3"><b>DESEMPENHO NOS CURSOS</b> Em 32 dos 57 cursos, ou seja 56    %, os cotistas obtiveram coeficiente de rendimento igual ou melhor que os n&atilde;o-cotistas    no intervalo entre 5,1 e 10,0. O coeficiente de rendimento &eacute; a m&eacute;dia    aritm&eacute;tica de todas as mat&eacute;rias cursadas em um determinado per&iacute;odo,    varia de 0 a 10,0, e o limiar de aprova&ccedil;&atilde;o &eacute; de 5,0.</font></P>     <p><font size="3"> Em 11 dos 18 cursos de maior concorr&ecirc;ncia, ou seja 61    %, os cotistas obtiveram coeficiente de rendimento igual ou melhor que os n&atilde;o-cotistas,    como mostra a <a href="#tab04">tabela 4</a> (na pag. 45).</font></P>     <p><a name="tab04"></a></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a17tab04.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Os coment&aacute;rios que se seguem referem-se ao conjunto de    cursos cuja participa&ccedil;&atilde;o de estudantes oriundos de escolas p&uacute;blicas    era inferior a 30%, antes do sistema de cotas. Ao contr&aacute;rio da expectativa    daqueles que se mostravam resistentes &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o do    sistema de cotas, e que temiam uma desqualifica&ccedil;&atilde;o do ensino pelo    ingresso de estudantes, supostamente despreparados na Ufba, o desempenho dos    estudantes revela resultados bastante animadores, nos cursos das diversas &aacute;reas    de conhecimento. </font></P>     <p><font size="3">Nos cursos da &aacute;rea de matem&aacute;tica, ci&ecirc;ncias    f&iacute;sicas e tecnologia, evidencia-se que em quatro deles (engenharia civil,    engenharia de minas, geof&iacute;sica e qu&iacute;mica) a propor&ccedil;&atilde;o    de estudantes que obtiveram pontua&ccedil;&atilde;o entre 7,6, e 10,0 &eacute;    maior entre os <i>cotistas</i>. Coeficientes de rendimento acima de 7,5 significa    a aprova&ccedil;&atilde;o por m&eacute;dia, n&atilde;o havendo, portanto, a    necessidade do aluno fazer uma prova final. E mesmo naqueles cursos em que &eacute;    maior a propor&ccedil;&atilde;o de <i>n&atilde;o-cotistas</i>, nessa condi&ccedil;&atilde;o,    a presen&ccedil;a dos <i>cotistas</i> &eacute; significativa. Por exemplo, em    engenharia el&eacute;trica, um curso considerado de alto prest&iacute;gio, mais    da metade dos <i>cotistas</i> tem rendimento dentro dessa faixa de pontua&ccedil;&atilde;o.    O mesmo se pode observar em ci&ecirc;ncia da computa&ccedil;&atilde;o em que    a diferen&ccedil;a nas propor&ccedil;&otilde;es dos dois grupos &eacute; de    apenas um ponto percentual em favor dos <i>n&atilde;o-cotistas</i>. Cerca de    um quarto dos estudantes <i>cotistas</i> do curso de arquitetura, cujo prest&iacute;gio    est&aacute; no mesmo n&iacute;vel dos dois anteriores, tamb&eacute;m apresentam    rendimento dentro desta faixa.</font></P>     <p><font size="3">Na &aacute;rea ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas e profiss&otilde;es    da sa&uacute;de s&atilde;o cinco os cursos em que a propor&ccedil;&atilde;o    de estudantes com m&eacute;dia de rendimento elevado &eacute; maior entre os    <i>cotistas</i> (fonaudiologia, agronomia, enfermagem, ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas    e licenciatura em ci&ecirc;ncias naturais). Chama aten&ccedil;&atilde;o o rendimento    dos estudantes <i>cotistas</i> no curso de medicina, considerado o mais seletivo    de todo o elenco de cursos da Ufba. A&iacute;, a propor&ccedil;&atilde;o dos    estudantes com rendimento entre 7,6 e 10,0 pontos &eacute; pequena; a diferen&ccedil;a    &eacute; de cinco pontos percentuais.</font></P>     <p><font size="3">Na &aacute;rea de ci&ecirc;ncias humanas, embora se possa observar    uma maior quantidade de cursos em que a propor&ccedil;&atilde;o de estudantes    com m&eacute;dias de rendimento entre 7,6 e 10,0 pontos &eacute; maior entre    os <i>n&atilde;o-cotistas</i>, a situa&ccedil;&atilde;o dos <i>cotistas</i>    &eacute; bastante confort&aacute;vel. No curso de comunica&ccedil;&atilde;o,    um curso de alto prest&iacute;gio, todos os estudantes <i>cotistas</i> tiveram    rendimento elevado (100%); entre os <i>n&atilde;o-cotistas</i> eles s&atilde;o    62,5%. No curso de direito, outro curso de elevada concorr&ecirc;ncia, a propor&ccedil;&atilde;o    dos que t&ecirc;m m&eacute;dias dentro desses patamares &eacute; maior entre    os <i>n&atilde;o-cotistas</i>. No entanto, entre os <i>cotistas</i> essa propor&ccedil;&atilde;o    &eacute; bastante expressiva; s&atilde;o quase dois ter&ccedil;os. Situa&ccedil;&atilde;o    similar se pode observar no curso de psicologia; se entre os <i>n&atilde;o-cotistas</i>    todos atingiram m&eacute;dias dentro dessa faixa, entre os cotistas a propor&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o &eacute; desprez&iacute;vel: s&atilde;o mais de dois ter&ccedil;os.</font></P>     <p><font size="3">Em quase todos os cursos da &aacute;rea de letras e artes, os    <i>cotistas</i> tiveram maiores propor&ccedil;&otilde;es de estudantes com m&eacute;dias    elevadas. Excetuando-se canto, em que todos os estudantes de ambos os grupos    t&ecirc;m m&eacute;dias dentro dessa faixa de pontua&ccedil;&atilde;o, nos demais    a vantagem &eacute; dos <i>cotistas</i>.</font></P>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Esses resultados confirmam    a hip&oacute;tese do bom desempenho de estudantes negros oriundos da escola    p&uacute;blica, apontados por Queiroz na an&aacute;lise do desempenho de estudantes    no vestibular da Ufba, em 2001(10), num momento em que a universidade n&atilde;o    havia implantado o sistema de cotas. Naquele momento, detectava-se a exist&ecirc;ncia    de um elevado contingente (576) de estudantes pretos e pardos, oriundos de escolas    p&uacute;blicas, que tiveram bom desempenho no vestibular, portanto, foram aprovados    para cursos considerados de alto prest&iacute;gio social, mas n&atilde;o foram    classificados "por falta de vagas" (11). </font></P>     <p><font size="3">Os dados sobre o rendimento dos <i>cotistas</i> nos cursos,    analisados acima, demonstram que o sistema de cotas permitiu que estudantes    de bom desempenho acad&ecirc;mico ingressassem na Ufba; tratava-se de uma demanda    reprimida das escolas p&uacute;blicas que, pelo sistema tradicional, classificat&oacute;rio,    n&atilde;o teriam nenhuma oportunidade na institui&ccedil;&atilde;o.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Como demonstrado, a introdu&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas    no ensino superior em perspectiva multiculturalista teve, de imediato, uma maior    eq&uuml;idade na participa&ccedil;&atilde;o dos estudantes que se auto-classificaram    como pretos e pardos, pois eles comp&otilde;em, majoritariamente, o grupo dos    estudantes que adentraram pelo sistema de cotas. Em termos percentuais tivemos    no ano de 2005 uma representa&ccedil;&atilde;o destes estudantes (74,6%) pr&oacute;xima    do percentual da popula&ccedil;&atilde;o do estado da Bahia (75%) Um dado extremamente    relevante &eacute; que pela primeira vez na hist&oacute;ria da Ufba, e poder&iacute;amos    tamb&eacute;m incluir a UFPR, tivemos a inclus&atilde;o de estudantes oriundos    de sociedades ind&iacute;genas em cursos como agronomia, letras, ci&ecirc;ncias    sociais, enfermagem e artes pl&aacute;sticas. </font></P>     <p><font size="3">A mudan&ccedil;a na distribui&ccedil;&atilde;o da cor em cursos    tradicionalmente competitivos &eacute; um dado que tem chamado a aten&ccedil;&atilde;o    dos professores, pois nas turmas dos calouros nota-se uma maior presen&ccedil;a    dos que se auto-classificaram como pardos. Conseq&uuml;entemente, o n&uacute;mero    de estudantes brancos diminuiu em cursos como medicina e odontologia. O efeito    do novo sistema pode, inicialmente, ser medido tanto em termos estat&iacute;sticos    quanto na percep&ccedil;&atilde;o de docentes desses cursos.</font></P>     <p><font size="3">Mesmo tendo esse impacto imediato a ado&ccedil;&atilde;o do    novo sistema n&atilde;o teve como resultante uma mudan&ccedil;a na estrutura    curricular. A reforma curricular nas universidades p&uacute;blicas federais    imp&otilde;e-se, nesses &uacute;ltimos meses, como uma decis&atilde;o do Minist&eacute;rio    da Educa&ccedil;&atilde;o, sem nenhuma refer&ecirc;ncia &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o    de novas tem&aacute;ticas curriculares ou de novas metodologias que envolvessem    incorpora&ccedil;&atilde;o das demandas de movimentos sociais. </font></P>     <p><font size="3">Se comparado com outros pa&iacute;ses, a ado&ccedil;&atilde;o    de pr&aacute;ticas educacionais multiculturalistas no ensino superior brasileiro    tem caracter&iacute;sticas que se aproximam de outros contextos, pois &eacute;    resultado de demandas de movimentos sociais; mas, se distanciam de outras experi&ecirc;ncias,    j&aacute; que tende a sobrevalorizar a ado&ccedil;&atilde;o de algum sistema    de cotas como resposta &agrave; inclus&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es    marginalizadas. A origem dessa "prescri&ccedil;&atilde;o" para as    desigualdades tem origem na Consolida&ccedil;&atilde;o das Leis do Trabalho    (CLT) que, em 1943, indicava no art.354 uma cota de dois ter&ccedil;os de brasileiros    empregados em empresas individuais ou coletivas como uma resposta &agrave; crescente    imigra&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia e asi&aacute;tica. Nesse sentido, as    pr&aacute;ticas educacionais multiculturais no ensino superior brasileiro s&atilde;o    tanto transnacionais quanto se revestem de um forte nacionalismo na sua origem.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Joc&eacute;lio Teles dos Santos</b> &eacute; professor    do Departamento de Antropologia e diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais    da Universidade Federal da Bahia.    <br>   <b>Delcele Mascarenhas Queiroz</b> &eacute; professora do Departamento.de Educa&ccedil;&atilde;o    da Universidade do Estado da Bahia.</i></font></P>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font>  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1. Sansone, L. "Racismo sem etnicidade: pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas e discrimina&ccedil;&atilde;o racial em perspectiva comparada"    In <i>Dados</i>, 41, 4, p.751-783, 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Teles dos Santos, J. <i>O poder da cultura e a cultura    no poder. A disputa simb&oacute;lica da heran&ccedil;a cultural negra no Brasil</i>.    Salvador: Edufba.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Serpa, Luiz F. "Universidade brasileira centro de    excel&ecirc;ncia ou indig&ecirc;ncia?". <i>Cadernos Expogeo</i>, n. 3,    1992, pp.45-9 .</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Brito, Luiz N. e Carvalho, Inai&aacute; M.de <i>Condicionantes    socioecon&ocirc;micos dos estudantes da Ufba</i>" Salvador, CRH/ Ufba,    1978.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Ribeiro, S&eacute;rgio C. "Mecanismos da escolha    da carreira e estrutura social da universidade". <i>Educa&ccedil;&atilde;o    e Sele&ccedil;&atilde;o</i>, n.3, 1981.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. "Quem vai &agrave; universidade". <i>Ci&ecirc;ncia    Hoje</i>, n.4, 1983.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Queiroz, Delcele M. "Ra&ccedil;a, g&ecirc;nero, e    educa&ccedil;&atilde;o superior", <i>Tese de doutorado</i>, Faced/Ufba,    2001.</font><p><font size="3">8. O <i>status</i> socioecon&ocirc;mico do estudante foi    determinado pela associa&ccedil;&atilde;o entre ocupa&ccedil;&atilde;o e escolaridade    do pai, e resultou numa escala de cinco posi&ccedil;&otilde;es: Alto, m&eacute;dio    superior, m&eacute;dio, m&eacute;dio inferior, baixo superior, baixo inferior.</font></P>     <p><font size="3">9. At&eacute; 1997, a Ufba n&atilde;o havia inclu&iacute;do    o quesito cor nos formul&aacute;rios do vestibular e de ingresso. A classifica&ccedil;&atilde;o    utilizada foi realizada com base na foto dos selecionados, e a autora utilizou    um crit&eacute;rio de grada&ccedil;&atilde;o por ela atribu&iacute;da.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10. V. Queiroz, Delcele. "O ensino superior no Brasil    e as a&ccedil;&otilde;es afirmativas para negros". <i>Revista Universidade    e Sociedade, Andes</i>, ano XII, nº 29, 2003.</font><p><font size="3">11. Era desta forma que a informa&ccedil;&atilde;o era registrada    nos bancos de dados do CPD/ Ufba.</font></P>      ]]></body><back>
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