<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252007000200019</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mostra fotográfica distribui grandes painéis pelas ruas de Salvador]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[Susana]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<volume>59</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>50</fpage>
<lpage>51</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252007000200019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252007000200019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252007000200019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a19img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">I<SMALL>DENTIDADE NEGRA</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a19img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Mostra fotogr&aacute;fica distribui grandes pain&eacute;is    pelas ruas de Salvador</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Salvador recebeu uma grande mostra fotogr&aacute;fica, provavelmente    uma das maiores j&aacute; vistas na capital baiana, entre os dias 8 de janeiro    e 16 de fevereiro deste ano. Ruas, avenidas e pra&ccedil;as se transformaram    em galerias, e a cidade ganhou ares de um imenso museu a c&eacute;u aberto.    Ao todo foram expostos 1.501 pain&eacute;is, com imagens de pessoas consideradas    negras, que integraram o projeto "Salvador Negroamor", do fot&oacute;grafo    e publicit&aacute;rio S&eacute;rgio Guerra e do curador Alberto Pitta.</font></P>     <p><font size="3">As fotografias colocaram em cena pessoas comuns, crian&ccedil;as,    velhos, jovens, comerciantes, m&atilde;es e pais-de-santo, baianas de acaraj&eacute;,    entre outras personagens. Em dimens&otilde;es e formas semelhantes a pe&ccedil;as    publicit&aacute;rias, as fotos causavam estranhamento naqueles que n&atilde;o    sabiam do que se tratava. Os pain&eacute;is concorriam com modelos brancas seminuas,    anunciando diferentes produtos nos <i>outdoors</i>. Alguns aguardavam a propaganda    de produtos que viria depois, uma estrat&eacute;gia de marketing conhecida como    <i>teaser</i>.</font></P>     <p><font size="3"><b>AUTO-ESTIMA</b> A mostra foi pensada visando a constru&ccedil;&atilde;o    de uma imagem positiva da popula&ccedil;&atilde;o negra baiana e a gera&ccedil;&atilde;o    de novas sensibilidades para as discuss&otilde;es sobre as rela&ccedil;&otilde;es    raciais na cidade. A iniciativa soma-se a muitas outras, como a de organiza&ccedil;&otilde;es    culturais, religiosas, pol&iacute;ticas, e tamb&eacute;m &oacute;rg&atilde;os    governamentais, por exemplo, ligados ao turismo, que na Bahia j&aacute; projetam    e utilizam h&aacute; bastante tempo imagens de pessoas consideradas negras.    Para Paula Cristina da Silva Barreto, professora da Faculdade de Filosofia e    Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no longo prazo    e tendo em vista o conjunto dessas interven&ccedil;&otilde;es, &eacute; poss&iacute;vel    que haja um efeito em termos de constru&ccedil;&atilde;o da identidade e de    uma imagem mais positiva dos negros, repercutindo em sua auto-estima. "Cada    iniciativa isolada d&aacute; uma contribui&ccedil;&atilde;o pequena, mais simb&oacute;lica    que material, mas que, quando situada em um contexto mais amplo, tem um efeito    importante na mudan&ccedil;a das representa&ccedil;&otilde;es e das imagens    negativas associadas aos 'negros'", avalia. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a19fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O antrop&oacute;logo Osmundo Pinho, p&oacute;s-doutorando na    Unicamp, tamb&eacute;m acredita que se, de fato, a exposi&ccedil;&atilde;o promoveu    formas de identifica&ccedil;&atilde;o afrodescendente e criou um ambiente positivo    ao reconhecimento da forte presen&ccedil;a negra na constitui&ccedil;&atilde;o    da cidade, &eacute; poss&iacute;vel esperar uma amplia&ccedil;&atilde;o do interesse    pelo tema. Entretanto, "normalmente os processos sociais n&atilde;o s&atilde;o    t&atilde;o lineares e previs&iacute;veis", ressalta Pinho. Para ele, &eacute;    importante perceber que "a reivindica&ccedil;&atilde;o por igualdade racial    e por uma re-qualifica&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a negra, e dos negros,    na sociedade brasileira, produz atores sociais, subjetividades, institui&ccedil;&otilde;es    ou sujeitos pol&iacute;ticos diferenciados. Ou seja, &eacute; a luta, ou os    processos sociais, que produzem os sujeitos", afirma.</font></P>     <p><font size="3"><b>POL&Ecirc;MICAS</b> "Salvador Negroamor" foi alvo    de muito elogio mas tamb&eacute;m de cr&iacute;ticas. Os blocos afros, com dificuldades    financeiras, questionaram o alto investimento na mostra – US$ 1,5 milh&atilde;o    investidos pela Petrobr&aacute;s, atrav&eacute;s da Lei Rouanet. Movimentos    negros criticaram a expectativa da exposi&ccedil;&atilde;o de "devolver    &agrave; Bahia sua verdadeira identidade", desconsiderando toda a luta    da comunidade em andamento h&aacute; muito tempo. Para Osmundo Pinho, as pol&ecirc;micas    e a pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o da mostra fazem parte de um "conjunto    de transforma&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m alterado a paisagem das lutas    culturais e pol&iacute;ticas em torno das rela&ccedil;&otilde;es raciais em    Salvador".</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a19fig02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A emerg&ecirc;ncia dos blocos afros, nas d&eacute;cadas de 1970    e 1980, e a multiplica&ccedil;&atilde;o de entidades pol&iacute;ticas afrodescendentes    evidencia uma mobiliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra na    luta contra "desafricaniza&ccedil;&atilde;o" da cidade, ocorrida nas    primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, diz o antrop&oacute;logo. Ele    explica que a "desafricaniza&ccedil;&atilde;o" das ruas, da cidade    e da vida cultural local era um movimento que pretendia apagar – expurgar    ou assimilar – pr&aacute;ticas culturais que remetessem &agrave; &Aacute;frica    ou &agrave; africanidade, como os candombl&eacute;s, o carnaval negro das batucadas    e afox&eacute;s e outras festas populares. A mobiliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    negra, que resgatou a resist&ecirc;ncia passada, resultou na "recente inclus&atilde;o    nos debates p&uacute;blicos da tem&aacute;tica anti-racista e de valoriza&ccedil;&atilde;o    da contribui&ccedil;&atilde;o negra &agrave; sociedade, for&ccedil;ando a constitui&ccedil;&atilde;o    de ag&ecirc;ncias governamentais, e de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de car&aacute;ter    afirmativo", avalia o antrop&oacute;logo. Os efeitos da exposi&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o, para Pinho, como "ecos da mobiliza&ccedil;&atilde;o secular    pelo reconhecimento da presen&ccedil;a negra na cida de como positividade".    </font></P>     <p><font size="3"><b>ANGOLA E BAHIA</b> A mostra colocou nas ruas da cidade n&atilde;o    apenas fotos de baianos, mas tamb&eacute;m de angolanos. Outro objetivo dessa    interven&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica era produzir aproxima&ccedil;&otilde;es    entre esses povos, como S&eacute;rgio Guerra j&aacute; havia explorado em outra    exposi&ccedil;&atilde;o: "L&aacute; e C&aacute; – S&atilde;o Paulo    e S&atilde;o Joaquim". A exposi&ccedil;&atilde;o apostou nas semelhan&ccedil;as    entre baianos e angolanos para criar uma identidade entre eles. Entre as 16    mil fotos tiradas pelo fot&oacute;grafo, foram selecionadas as que n&atilde;o    deixavam expl&iacute;citas diferen&ccedil;as entre esses povos, por meio de    objetos, lugares, vestes ou cenas. Muitas pessoas passearam pelas ruas sem perceber    que n&atilde;o se tratava apenas de baianos.</font></P>     <p><font size="3">Paula Barreto lembra que outros fot&oacute;grafos, como Pierre    Verger, tamb&eacute;m buscaram evidenciar a continuidade entre a &Aacute;frica    e o Brasil que, em sua opini&atilde;o, acabou n&atilde;o sendo o ponto forte    da exposi&ccedil;&atilde;o. "Tenho a impress&atilde;o que o p&uacute;blico    n&atilde;o percebeu a proposta", diz. Apesar do slogan presente em alguns    poucos an&uacute;ncios do projeto, que diziam: "&Eacute; Brasil. &Eacute;    &Aacute;frica. &Eacute; Bahia. &Eacute; Angola. &Eacute; Salvador Negroamor".    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Susana Dias</i></font></P>      ]]></body>
</article>
