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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a23fig01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="4"><b>LANCAMENTO</b></font></P>     <p><font size="4"><b>B<small>RASIL/&Aacute;FRICA: FRONTEIRAS INDISSOCI&Aacute;VEIS</small></b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Num momento em que a hist&oacute;ria da &Aacute;frica e dos    africanos passa a ser obrigat&oacute;ria nos ensinos fundamentais e m&eacute;dios,    iniciativas como a das organizadoras do livro <i>Brasil/&Aacute;frica - como    se o mar fosse mentira</i> devem ser altamente valorizadas. A variedade de temas    e a erudi&ccedil;&atilde;o com a qual, em geral, s&atilde;o tratados, fornecem    grande material de reflex&atilde;o sobre a disciplina de hist&oacute;ria da    &Aacute;frica, a despeito da diferente qualidade dos artigos, ensaios e poemas    que comp&otilde;e o livro.</font></P>     <p><font size="3">A leitura da obra trouxe-me distintas sensa&ccedil;&otilde;es,    ambas diretamente ligadas &agrave; sua grande multiplicidade e heterogeneidade    constitutiva. A primeira delas refere-se &agrave; dificuldade de apresentar    ao leitor, em poucas palavras, um empreendimento t&atilde;o vasto, que cont&eacute;m    artigos de hist&oacute;ria e cr&iacute;tica liter&aacute;ria, al&eacute;m de    ensaios e poemas. Essa &eacute; uma caracter&iacute;stica do livro explicitada    no pref&aacute;cio: a colet&acirc;nea apresenta "uma certa falta de unidade    entre os textos, percorrendo terrenos variados, procurando dar conta da rede    de contatos, do passado &agrave; contemporaneidade, voltando-se alguns para    a &Aacute;frica que permanece no Brasil, ou para os problemas vividos pelos    descendentes dos que viveram o trist&iacute;ssimo cap&iacute;tulo da escravid&atilde;o".</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a23fig02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Essa mesma diversidade, em contrapartida, traz &agrave; tona    uma segunda sensa&ccedil;&atilde;o de grande prazer, ao oferecer m&uacute;ltiplas    leituras sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre &Aacute;frica e Brasil e, junto    com isto, certamente uma amplia&ccedil;&atilde;o do repert&oacute;rio do leitor,    dificilmente versado de antem&atilde;o em tantos campos do conhecimento.</font></P>     <p><font size="3">O livro divide-se em tr&ecirc;s partes. A primeira delas composta    de dois breves ensaios. O de Alberto da Costa e Silva, diplomata de carreira    e estudioso de f&ocirc;lego da hist&oacute;ria da &Aacute;frica e de suas rela&ccedil;&otilde;es    com o Brasil, que relata a mem&oacute;ria de sua primeira visita &agrave; cidade    de Lagos na Nig&eacute;ria, e o segundo, do m&uacute;sico Martinho da Vila,    ressaltando a import&acirc;ncia da influ&ecirc;ncia da m&uacute;sica africana    em diversas express&otilde;es r&iacute;tmicas brasileiras. Este segundo texto    introduz um dos sentidos que permeiam todo o livro: a interinflu&ecirc;ncia    constante entre as duas margens do Atl&acirc;ntico sul. </font></P>     <p><font size="3">A segunda parte, composta por diversos textos de maior densidade    acad&ecirc;mica, apresenta estudos de cr&iacute;tica liter&aacute;ria e de hist&oacute;ria    sempre tendo como tema principal esta via relacional entre &Aacute;frica e Brasil.    Como exemplo, os artigos de Rita Chaves, T&acirc;nia Mac&ecirc;do, Marcelo Bittencourt,    Elisalva Dantas e Carmen Secco trabalham, em linhas gerais, com rela&ccedil;&otilde;es    entre as literaturas brasileira e africanas de l&iacute;ngua portuguesa. Tais    autores fornecem elementos para compreender a apropria&ccedil;&atilde;o criativa    de tem&aacute;ticas ou autores brasileiros por parte de autores africanos, mas    sempre considerando os espa&ccedil;os contextuais de sua produ&ccedil;&atilde;o,    com destaque para o processo de luta pela independ&ecirc;ncia nesses pa&iacute;ses.    Em especial o artigo de Rita Chaves mostra como escritores de Angola, Cabo Verde    e Mo&ccedil;ambique, ao longo do s&eacute;culo XX, <i>criam</i> suas pr&oacute;prias    ra&iacute;zes nativistas ainda que tenham usado imagens ut&oacute;picas de um    Brasil liberto. </font></P>     <p><font size="3">J&aacute; T&acirc;nia Mac&ecirc;do procura mostrar, na literatura    africana, a presen&ccedil;a do "malandro" – um <i>tipo social</i>    que com freq&uuml;&ecirc;ncia julgamos exclusivamente brasileiro, e realiza,    dessa forma, uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre as sociedades dos dois lados    do Atl&acirc;ntico, demonstrando que ambas, marcadamente excludentes, configuram    o terreno para a presen&ccedil;a desse tipo social, que sobrevive nas brechas    sociais, &agrave; margem da ordem. </font></P>     <p><font size="3">Dois dos artigos voltados para o estudo hist&oacute;rico tamb&eacute;m    podem ser tomados como exemplo da pertin&ecirc;ncia da tem&aacute;tica do livro.    Milton Gur&aacute;n e Flavio Gomes preocupam-se com a configura&ccedil;&atilde;o    de identidades de grupos populacionais em ambas as margens do Atl&acirc;ntico.    Gur&aacute;n aborda as especificidades da forma&ccedil;&atilde;o do grupo de    "brasileiros" no Benim, passando por diversos per&iacute;odos hist&oacute;ricos,    desde o per&iacute;odo do tr&aacute;fico escravo at&eacute; a contemporaneidade,    e ressalta a import&acirc;ncia da experi&ecirc;ncia dos escravos em terras brasileiras    como elemento importante para a forma&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os identit&aacute;rios    na &Aacute;frica. Praticamente no sentido inverso, Flavio Gomes apresenta um    estudo sobre a reconfigura&ccedil;&atilde;o das identidades &eacute;tnicas africanas    em cidades brasileiras, levando em considera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas    as diferentes origens culturais africanas dos escravos mas, tamb&eacute;m, o    espa&ccedil;o de sua ressocializa&ccedil;&atilde;o no contexto escravista brasileiro.</font></P>     <p><font size="3">Finalmente, a terceira parte &eacute; de poemas que, de alguma    forma, sintetizam as percep&ccedil;&otilde;es expostas ao longo do livro, mostrando    ao leitor o qu&atilde;o indissoci&aacute;veis s&atilde;o as duas margens do    Atl&acirc;ntico. A id&eacute;ia central &eacute; que as duas margens atl&acirc;nticas    devem ser vistas como fronteiras porosas, plenas de trocas e rela&ccedil;&otilde;es,    e a compreens&atilde;o de cada uma delas s&oacute; se faz poss&iacute;vel com    o conhecimento de ambas. Assim, apesar da possibilidade o <i>mar como mentira</i>,    &eacute; preciso refletir numa nova dimens&atilde;o atl&acirc;ntica, considerando    o pr&oacute;prio oceano como espa&ccedil;o privilegiado de constitui&ccedil;&atilde;o    de hist&oacute;rias africanas e brasileiras.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Alexsander Gebara</i></font></P>      ]]></body>
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