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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/brasil.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a03img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">E<small>NERGIA</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n2/line_bk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>O biodiesel que vem da &aacute;gua aguarda produ&ccedil;&atilde;o    em escala industrial</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Esque&ccedil;a a soja, a mamona, o amendoim e o dend&ecirc;.    Est&aacute; em desenvolvimento a produ&ccedil;&atilde;o de uma promissora mat&eacute;ria-prima    para o biodiesel que vem da &aacute;gua. As microalgas est&atilde;o na mira    de institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa e de empresas do setor de energia    e j&aacute; geram uma grande expectativa no mercado de biocombust&iacute;veis.    Em laborat&oacute;rio, elas superaram, e muito, a produtividade dos gr&atilde;os    de oleaginosas, produzindo, em alguns experimentos, dez vezes mais que o dend&ecirc;,    considerada uma das oleaginosas mais rendosas com 4.400 quilos de &oacute;leo    bruto por hectare. A cultura de microalgas ainda apresenta alta absor&ccedil;&atilde;o    de g&aacute;s carb&ocirc;nico, o que alivia a atmosfra j&aacute; sobrecarregada    desse g&aacute;s, rendendo dividendos no mercado de cr&eacute;ditos de carbono.    Al&eacute;m disso, a produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o depende de solo f&eacute;rtil,    pode ser realizada sobre &aacute;reas secas e demanda menos &aacute;gua para    manuten&ccedil;&atilde;o do que as irriga&ccedil;&otilde;es das lavouras. Por    n&atilde;o disputar terras nem plantas com a ind&uacute;stria aliment&iacute;cia,    as microalgas ainda arrefecem a pol&ecirc;mica mundial sobre a falta de alimentos,    um drama no qual os biocombust&iacute;veis figuram como protagonistas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a03img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, &eacute; preciso saber se tantas vantagens anunciadas    encontram viabilidade na produ&ccedil;&atilde;o em larga escala. As primeiras    f&aacute;bricas de combust&iacute;vel de microalgas ser&atilde;o postas &agrave;    prova a partir deste ano. No dia 1º de abril, a americana PetroSun iniciou a    produ&ccedil;&atilde;o de sua primeira planta de biodiesel a partir de microalgas.    Em seu site ela anuncia a pretens&atilde;o de construir, ainda este ano, outras    unidades semelhantes no M&eacute;xico, Austr&aacute;lia e Brasil. O sol, abundante    durante a maior parte do ano, e a experi&ecirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o    de biocombust&iacute;veis faz do Brasil um palco por excel&ecirc;ncia da corrida    mundial pelo &oacute;leo das microalgas. Al&eacute;m da PetroSun, um grupo alem&atilde;o    come&ccedil;ar&aacute; em breve atividades no pa&iacute;s ligadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    dessas algas, afirma o f&iacute;sico Klaus Wagener, que prefere n&atilde;o revelar    o nome da empresa. Wagener participou como pesquisador do programa Energia de    Biomassa da Comunidade Europ&eacute;ia e hoje atua como consultor especialista    em microalgas.</font></p>     <p><font size="3">Outra vantagem verde-amarela &eacute; o conhecimento cient&iacute;fico    nacional nesse tipo de cultivo, com mais de vinte anos de experi&ecirc;ncia.    No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, um tanque de microalgas figurava    entre os carros do estacionamento da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica    do Rio de Janeiro (PUC-RJ). O equipamento fazia parte de um projeto de pesquisa    que teve a participa&ccedil;&atilde;o da esposa de Wagener, a qu&iacute;mica    Angela Wagener. O objetivo era utilizar as microalgas como fontes de prote&iacute;na    alimentar animal e humana. "J&aacute; sab&iacute;amos do potencial das microalgas    na produ&ccedil;&atilde;o de &oacute;leo, mas naquela &eacute;poca os biocombust&iacute;veis    n&atilde;o tinham tanta aten&ccedil;&atilde;o da sociedade", conta a pesquisadora.    V&aacute;rias pesquisas com objetivos semelhantes foram feitas em Cuba e na    &Iacute;ndia, pa&iacute;ses com problemas de d&eacute;ficit alimentar. Mas foi    somente no in&iacute;cio deste s&eacute;culo que os estudos para a produ&ccedil;&atilde;o    de diesel de microalgas se intensificaram.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; cinco anos, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT),    institui&ccedil;&atilde;o ligada ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia,    come&ccedil;ou a pesquisar microalgas, para buscar um suplemento alimentar para    animais, mas o potencial energ&eacute;tico das micro-plantas acabou falando    alto. Atrav&eacute;s de uma parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Mokiti Okada,    o instituto mant&eacute;m hoje um tanque de pesquisa e j&aacute; registrou um    pedido de patente relacionado a um novo sistema de cultivo de microalgas. Por&eacute;m,    para atingir a escala industrial, a produ&ccedil;&atilde;o ter&aacute; de superar    v&aacute;rios obst&aacute;culos, como a viabilidade econ&ocirc;mica do processo,    por exemplo. "At&eacute; agora, os resultados que obtivemos s&atilde;o em escala    de bancada, mas j&aacute; s&atilde;o bastante promissores, o que nos anima a    testar o sistema numa planta-piloto, num projeto que tem exatamente como objetivo    a viabiliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica desse empreendimento", revela a    qu&iacute;mica Cl&aacute;udia Teixeira, pesquisadora do INT.</font></p>     <p><font size="3">Outro desafio &eacute; que as fazendas de microalgas exigem    uma infra-estrutura bem diferente de suas similares com planta&ccedil;&otilde;es    convencionais. Elas podem ser cultivadas em tanques rasos, de 20 cm a 30 cm    de profundidade, com agitadores para garantir uma absor&ccedil;&atilde;o homog&ecirc;nea    de luz pelas plantas. &Eacute; necess&aacute;rio um laborat&oacute;rio equipado    para an&aacute;lises di&aacute;rias, al&eacute;m de equipamentos para a coleta    e absor&ccedil;&atilde;o do &oacute;leo. V&aacute;rios fatores influenciam na    produtividade, como a ilumina&ccedil;&atilde;o, a esp&eacute;cie usada e at&eacute;    o manejo da produ&ccedil;&atilde;o. T&eacute;cnicas de estresse, por exemplo,    podem aumentar a quantidade de &oacute;leo, como explica Cl&aacute;udia: "quando    submetidas &agrave; escassez de nutrientes, algumas esp&eacute;cies aumentam    seu teor de lip&iacute;dios (gordura da c&eacute;lula), s&atilde;o como pessoas    que estocam comida em tempos de guerra".</font></p>     <p><font size="3">Tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; consenso sobre as esp&eacute;cies    de microalgas mais adequadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, pois o universo    de pesquisa &eacute; extremamente amplo. "H&aacute; mais de tr&ecirc;s mil esp&eacute;cies    catalogadas e s&oacute; a nossa equipe estuda mais de 50 delas", exp&otilde;e    o qu&iacute;mico Marcelo Montes D’Oca, da Funda&ccedil;&atilde;o Universidade    Federal do Rio Grande. A equipe de D’Oca atua desde 2006 em parceria com a Universidade    Federal de Santa Catarina e com o Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) em    um trabalho para o desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o de biodiesel de    microalgas. O pesquisador tamb&eacute;m d&aacute; uma id&eacute;ia do farto    material de an&aacute;lise que ainda h&aacute; pela frente. "O combust&iacute;vel    obtido de microalgas &eacute; diferente dos extra&iacute;dos das oleaginosas    e as suas propriedades ainda variam de acordo com o tipo (ou tipos) de microalgas    envolvidos na produ&ccedil;&atilde;o", explica. Isso significa que as caracter&iacute;sticas    f&iacute;sico-qu&iacute;micas desse biodiesel v&atilde;o depender de muitas    vari&aacute;veis que precisam ser definidas e analisadas, entre elas se ter&aacute;    maior ou menor rendimento e se ele vai substituir o diesel convencional e/ou    ser&aacute; usado como aditivo. </font></p>     <p><font size="3"><b>FAZENDA &Agrave; VISTA</b> Uma planta piloto brasileira de    diesel de microalgas deve nascer no in&iacute;cio do pr&oacute;ximo ano no sert&atilde;o    da Para&iacute;ba. Na cidade de Santa Terezinha, a fazenda Tamandu&aacute; tem    se dedicado a duas atividades distintas, o cultivo de microalgas para a produ&ccedil;&atilde;o    de prote&iacute;nas e a fabrica&ccedil;&atilde;o de biodiesel a partir da semente    de pinh&atilde;o manso. A compet&ecirc;ncia adquirida nas duas frentes tem despertado,    na fazenda, o interesse em conduzir experimentos para produzir biodiesel de    microalgas. "Devemos come&ccedil;ar com uns dez tanques de 2,2 por 22 metros    cada", prev&ecirc; o engenheiro florestal Ricardo Almeida Vi&eacute;gas, da    Universidade Federal de Campina Grande, colaborador cient&iacute;fico da fazenda    onde desenvolve v&aacute;rios projetos com estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o    e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Uma parceria com a Universidade Federal    da Para&iacute;ba ser&aacute; estabelecida para desenvolver processos de extra&ccedil;&atilde;o    do &oacute;leo a partir de microalgas. </font></p>     <p><font size="3">Como se n&atilde;o bastassem as possibilidades de ganhos econ&ocirc;micos    e ecol&oacute;gicos, a energia extra&iacute;da das microalgas ainda poder&aacute;    significar avan&ccedil;os no saneamento p&uacute;blico nacional. "As microalgas    podem ser excelentes decompositoras de esgoto", afirma Angela Wagener. Segundo    a qu&iacute;mica, pequenos vilarejos ou bairros podem ter sua pr&oacute;pria    esta&ccedil;&atilde;o de tratamento de esgoto com decomposi&ccedil;&atilde;o    por microalgas. "Por que n&atilde;o utilizar o subproduto do tratamento na produ&ccedil;&atilde;o    de biodiesel? Essas comunidades ou prefeituras ainda poderiam lucrar com isso",    diz a pesquisadora, lembrando que energia e sa&uacute;de p&uacute;blica podem    avan&ccedil;ar simultaneamente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>F&aacute;bio Reynol</i></font></p>      ]]></body>
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