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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/expanima.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>LEGAL, LEG&Iacute;TIMO E &Eacute;TICO - AVAN&Ccedil;OS    DA CI&Ecirc;NCIA - BUSCA DO CONHECIMENTO</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Regina P. Markus</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size=5><b>A</b></font> balan&ccedil;a entre a velocidade    com que nos dirigimos para o desconhecido e a adequa&ccedil;&atilde;o de nossa    corrida a princ&iacute;pios &eacute;ticos que validem essa procura volta a estar    no foco das discuss&otilde;es pol&iacute;ticas do pa&iacute;s. No momento, uma    das grandes discuss&otilde;es &eacute; a validade, legalidade e necessidade    do uso de animais de laborat&oacute;rio para o desenvolvimento das ci&ecirc;ncias    biol&oacute;gicas e para a aplica&ccedil;&atilde;o segura de produtos a serem    utilizados por humanos e animais.</font></p>     <p><font size="3">A busca do unitermo <I>animal experimentation </I>retorna 614.000    cita&ccedil;&otilde;es no <I>Google </I>e a inspe&ccedil;&atilde;o dos 200 primeiros    retornos mostra que o tema &eacute; controverso em todo o mundo. Imposs&iacute;vel    negar a import&acirc;ncia da experimenta&ccedil;&atilde;o animal para o desenvolvimento    da biologia. Lembrando apenas alguns dos primeiros achados:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">"A relev&acirc;ncia dos primeiros achados anat&ocirc;micos,      descritos no famoso livro de William Harvey (1578-1657), <I>An anatomical      dissertation on the movement of the heart and blood in animals</i>, publicado      em 1628, e os primeiros achados fisiol&oacute;gicos realizados por Claude      Bernard (1813-1878) s&atilde;o fatos inquestion&aacute;veis e patrim&ocirc;nio      para o nosso entendimento do vivo. At&eacute; hoje ficamos maravilhados com      a demonstra&ccedil;&atilde;o da neurotransmiss&atilde;o, a eleg&acirc;ncia      da abordagem. No entanto, juntamente com o in&iacute;cio do uso de animais      de laborat&oacute;rio surgiram as primeiras preocupa&ccedil;&otilde;es com      a &eacute;tica e bem-estar" (1).</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"Chegando no s&eacute;culo XXI, ser&aacute; que estes conhecimentos      b&aacute;sicos resultaram em algo? H&aacute; poucos dias, recebo e-mail de      uma jovem, na faixa dos trinta anos, que enviava informe fundamentalista sobre      o uso de animais de laborat&oacute;rio e fotos de sua filha. Parei alguns      minutos &agrave; frente da tela, n&atilde;o pude deixar de lembrar a mesma      jovem, a cerca de 8 ou 10 anos diagnosticada com uma doen&ccedil;a neurodegenerativa.      Na sua curta exist&ecirc;ncia j&aacute; tinha tido v&aacute;rios epis&oacute;dios      n&atilde;o-diagnosticados e aquele &uacute;ltimo, que resultou em cegueira      tempor&aacute;ria, era bastante preocupante. Neste curto espa&ccedil;o de      tempo, os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos permitiram que o quadro se alterasse.      A afec&ccedil;&atilde;o ainda existe, mas o curso da mesma pode ser atenuado      pela grande evolu&ccedil;&atilde;o da base de conhecimentos na &aacute;rea      de biologia" (1).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">O crescente debate sobre o assunto no Brasil fica evidente ao    se restringir a busca dos mesmos unitermos <I>animal experimentation </I>para    revistas publicadas na base <I>Scielo </I>(<I>Scientific Electronic Library    On- Line</i>), que &eacute; uma base de dados que abriga revistas brasileiras    selecionadas. Neste caso, foi obtido um retorno de aproximadamente 700 artigos.    Temas como &eacute;tica, m&eacute;todos alternativos e novos tipos de t&eacute;cnica    cir&uacute;rgica encontram importante express&atilde;o. Portanto, o uso de animais    em experimenta&ccedil;&atilde;o tem sido debatido de forma intensa, e n&atilde;o    &eacute; um tema que admite fundamentalismos ou ignor&acirc;ncia. An&aacute;lise,    avalia&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de padr&otilde;es    e condutas &eacute; a forma de alcan&ccedil;ar boas pr&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="3">O debate sobre o tema tem que considerar diferentes vertentes.    Neste n&uacute;mero da <I>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura </I>foram convidados pesquisadores    que trabalham em campos que necessitam da experimenta&ccedil;&atilde;o animal    e dedicam parte de seu tempo para o pensar e o legislar do tema. O objetivo    do presente n&uacute;mero foi propiciar vis&otilde;es complementares sobre a    import&acirc;ncia e os cuidados necess&aacute;rios para a utiliza&ccedil;&atilde;o    de animais em experimenta&ccedil;&atilde;o. A import&acirc;ncia da experimenta&ccedil;&atilde;o    animal para o avan&ccedil;o de conhecimento &eacute; ineg&aacute;vel, mas a    necessidade de ter normas e princ&iacute;pios que norteiem este uso tamb&eacute;m    o &eacute;. A comunidade cient&iacute;fica brasileira vem, h&aacute; mais de    uma d&eacute;cada, se movimentando com o objetivo de legislar as pr&aacute;ticas    para uso de animais de laborat&oacute;rio. Neste n&uacute;mero da <I>Ci&ecirc;ncia    &amp; Cultura </I>foram reunidos pesquisadores que lidam com a experimenta&ccedil;&atilde;o    animal na sua pr&aacute;tica di&aacute;ria e foi solicitado que abordassem temas    espec&iacute;ficos que t&ecirc;m sido debatidos em diferentes f&oacute;runs,    inclusive na SBPC.</font></p>     <p><font size="3">O debate dos modelos animais para o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia    pode ser encontrado nos artigos de Lygia da Veiga Pereira (USP) e Marcelo M.    Morales (UFRJ, SBBf). No primeiro caso &eacute; debatida a import&acirc;ncia    de usar animais com altera&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas. Modelos para    doen&ccedil;as e modelos para o estudo de vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o    e alvos de f&aacute;rmacos.Abrem-se novas avenidas ainda n&atilde;o conhecidas,    mas, para tanto, h&aacute; a necessidade de cruzar as ruelas desconhecidas.    Marcelo Morales, em seu artigo sobre m&eacute;todos alternativos, tra&ccedil;a,    de forma clara, que v&aacute;rias metodologias experimentais s&atilde;o necess&aacute;rias    para solucionar um problema e que v&aacute;rias abordagens s&atilde;o importantes    para se construir um conhecimento t&atilde;o complexo quanto o funcionamento    dos seres vivos. E &eacute;, exatamente, por haver necessidade de uma mir&iacute;ade    de informa&ccedil;&otilde;es que as t&eacute;cnicas que n&atilde;o utilizam    animais de experimenta&ccedil;&atilde;o foram desenvolvidas.</font></p>     <p><font size="3">Nos v&aacute;rios anos de utiliza&ccedil;&atilde;o de animais    de laborat&oacute;rio surge um ramo de conhecimento que visa &agrave; efici&ecirc;ncia    na produ&ccedil;&atilde;o e disponibiliza&ccedil;&atilde;o de animais, ou modelos    animais criados em condi&ccedil;&otilde;es adequadas. A ci&ecirc;ncia do bioterismo    n&atilde;o s&oacute; aperfei&ccedil;oa o cuidar, o criar, mas tamb&eacute;m    permite que haja uma redu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de indiv&iacute;duos    necess&aacute;rios para cada experimento. A ci&ecirc;ncia dos animais de laborat&oacute;rio    &eacute; apresentada em um artigo assinado pelos membros do Col&eacute;gio Brasileiro    de Experimenta&ccedil;&atilde;o Animal (Cobea), Marcel Frajblat, Vera L. L&acirc;ngaro    Amaral, Ekaterina A. B. Rivera. Essa associa&ccedil;&atilde;o vem, de forma    marcante, abrindo seu espa&ccedil;o entre as sociedades de biologia experimental    e servindo para balizar novos paradigmas no uso dos animais de laborat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="3">Animal como objeto de estudo &eacute; o mote da zoologia. Uma    revisita aos nichos da &eacute;tica e da lei com o olhar do zo&oacute;logo pode    trazer uma nova forma de avaliar esse debate. Em artigo que procura ordenar    a forma de se referir aos animais e procura focar os conceitos do estudo da    Animalia – Eleonora Trajano e Lu&iacute;s F&aacute;bio Silveira avaliam conceitos    de conserva&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o dentro da legisla&ccedil;&atilde;o    brasileira. </font></p>     <p><font size="3">O "Entendimento humano da experimenta&ccedil;&atilde;o animal",    apresentado por Wothan Tavares de Lima (USP), tra&ccedil;a os contrapontos de    v&aacute;rias formas de pensar. O uso de alguns termos chaves que possam levar    a uma f&aacute;cil comunica&ccedil;&atilde;o e o abuso de imagens visuais para    impactar a grande comunidade est&atilde;o subjacentes ao que conseguimos entender.    Neste campo tamb&eacute;m contamos com a colabora&ccedil;&atilde;o de um &iacute;cone    no campo da &eacute;tica em experimenta&ccedil;&atilde;o, William Saad Hossne    (Unesp), que coloca a sua experi&ecirc;ncia a favor desse exerc&iacute;cio cient&iacute;fico    que busca abranger os diferentes aspectos da quest&atilde;o. A comunidade brasileira    est&aacute; empenhada em criar condi&ccedil;&otilde;es para que a boa pr&aacute;tica    no uso de animais de laborat&oacute;rio possa ser facilmente entendida e alcan&ccedil;ado    por todos aqueles que tiverem interesse. N&atilde;o temos d&uacute;vida que    isto depende da legitimiza&ccedil;&atilde;o da atividade. Podemos definir legitimar    como: realizar algo necess&aacute;rio de acordo com regras que sigam princ&iacute;pios    aceitos. Portanto, este n&uacute;mero da <I>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura </I>tamb&eacute;m    aborda a legaliza&ccedil;&atilde;o do uso de animais de laborat&oacute;rio.    H&aacute; 12 anos foi apresentado, por S&eacute;rgio Arouca, pesquisador da    Fiocruz, projeto de lei que passou a ser conhecido como Lei Arouca. Este projeto,    aperfei&ccedil;oado ao longo dos anos, encontra enorme respaldo na comunidade    cient&iacute;fica, que vem desenvolvendo uma importante luta para sua legaliza&ccedil;&atilde;o.    Este n&uacute;mero tamb&eacute;m contempla uma vis&atilde;o hist&oacute;rica    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o, feita por Renato    S. B. Cordeiro (Fiocruz).</font></p>     <p><font size="3">Ao apresentar esses artigos, foi decidido que, ao inv&eacute;s    de apresentar grupos que lidam com &eacute;tica em experimenta&ccedil;&atilde;o    animal como foco de estudo, a revista <I>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura </I>apresentaria    a rela&ccedil;&atilde;o das comiss&otilde;es de &eacute;tica em experimenta&ccedil;&atilde;o    animal do Brasil. A busca desses dados permitiu verificar o grande interesse    que todas as institui&ccedil;&otilde;es envolvidas em pesquisa e ensino t&ecirc;m    na r&aacute;pida aprova&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei. Leis servem para    balizar, para unir e para permitir que o conhecimento novo n&atilde;o seja impedido    de ser alcan&ccedil;ado. Esta &eacute; uma lei que est&aacute; pronta para ser    aprovada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Regina P. Markus</b> &eacute; coordenadora do Laborat&oacute;rio    de Cronofarmacologia do Departamento de Fisiologia do Instituto de Bioci&ecirc;ncias    da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), presidente da Sociedade de Farmacologia    e Terap&ecirc;utica Experimental (SBFTE) e conselheira da SBPC.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Paix&atilde;o, R. L. e Schramm, F. R. "Ethics and animal    experimentation: what is debated?". <I>Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica</I>,    Vol.15, Suppl.1, 1999.</font> ]]></body><back>
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