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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/mundo.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">BI&Ocirc;NICA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n3/line_bk.gif"></P>     <P><font size="3"><b>Inspira&ccedil;&atilde;o que vem da natureza exige vis&atilde;o    multidisciplinar na pesquisa</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A hist&oacute;ria parece uma lenda: um belo dia, um certo cientista    estava passeando pelo campo, quando se deu conta dos carrapichos em sua cal&ccedil;a.    Voltando para o laborat&oacute;rio, os observou no microsc&oacute;pio e decidiu    que eles poderiam inspirar um substituto do z&iacute;per ou fechos de roupas.    Se voc&ecirc; pensou velcro, acertou. Mas o que pouca gente pensa &eacute; que    o tal cientista existiu e que a id&eacute;ia veio mesmo do carrapicho que se    agarrou &agrave; cal&ccedil;a do engenheiro su&iacute;&ccedil;o Georges de Mestral.    Sorte ou acaso? N&atilde;o: bi&ocirc;nica (ou biomim&eacute;tica, como alguns    cientistas preferem). </font></P>     <P><font size="3"> A hist&oacute;ria prosaica do velcro ilustra a din&acirc;mica    das pesquisas multidisciplinares que comp&otilde;em a bi&ocirc;nica e que usam    observa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos ou sistemas existentes na natureza    como ponto de partida para desenvolver tecnologias, adaptar solu&ccedil;&otilde;es    e criar produtos inovadores.</font></P>     <P><font size="3">Apesar de ponto de partida para v&aacute;rias inven&ccedil;&otilde;es    ao longo dos s&eacute;culos (como os primeiros estudos de uma m&aacute;quina    voadora mais pesada que o ar), a palavra biomim&eacute;tica, e, consequentemente,    a sua formula&ccedil;&atilde;o como teoria, foi cunhada em 1950 por Otton Herbert    Schimtt, engenheiro biom&eacute;dico da Universidade de Minnesota. J&aacute;    a palavra bi&ocirc;nica foi criada oito anos mais tarde por Jack Steele, pesquisador    americano ligado &agrave; ind&uacute;stria aeron&aacute;utica. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"> A etimologia da palavra &eacute; basicamente a jun&ccedil;&atilde;o    das palavras biologia e eletr&ocirc;nica. </font></P>     <P><font size="3">Desde ent&atilde;o, ambas s&atilde;o usadas como sin&ocirc;nimo    (no Brasil, o termo mais comum &eacute; bi&ocirc;nica) e as &aacute;reas interessadas    no estudo da natureza como fonte de consulta para o desenvolvimento de solu&ccedil;&otilde;es    t&eacute;cnicas aumentaram. </font></P>     <P><font size="3"> O design, a arquitetura, a qu&iacute;mica, as engenharias e    a computa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o algumas das &aacute;reas que atualmente    possuem interesse no estudo da bi&ocirc;nica. </font></P>     <P><font size="3">Inspira&ccedil;&atilde;o, transpira&ccedil;&atilde;o e m&eacute;todo</font></P>     <P><font size="3">Julian Vincent, professor de bi&ocirc;nica na Universidade de    Bath, Inglaterra, &eacute; taxativo. "N&atilde;o preciso de inspira&ccedil;&atilde;o",    afirma, "defino os problemas usando a Triz e procuro por solu&ccedil;&otilde;es    a partir de m&eacute;todos que estamos desenvolvendo", completa. Triz &eacute;    a sigla russa para Teoria da Resolu&ccedil;&atilde;o de Problemas Inventivos,    uma matriz heur&iacute;stica para estrutura&ccedil;&atilde;o de um problema    determinado na engenharia (mec&acirc;nica, por exemplo) e sua readeaqua&ccedil;&atilde;o    para outra &aacute;rea (engenharia civil, digamos). Vincent defende que a bi&ocirc;nica    ainda n&atilde;o possui uma metodologia sedimentada que possa servir de base    para as inven&ccedil;&otilde;es, ainda muito calcada na analogia, e que usar    a Triz seria uma alternativa mais pragm&aacute;tica na transfer&ecirc;ncia de    solu&ccedil;&otilde;es da biologia para as outras &aacute;reas "bio-inspiradas".</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a08img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">J&aacute; Stanislav Gorb, bi&oacute;logo e pesquisador de novos    materiais e bi&ocirc;nica, do Instituto Max-Plank, Alemanha, &eacute; mais comedido.    "Passo 15% do meu tempo de pesquisa em campo e outros 85% no laborat&oacute;rio.    &Eacute; dif&iacute;cil dizer de onde vem a inova&ccedil;&atilde;o", afirma.    </font></P>     <P><font size="3">Segundo Rosana Folz, arquiteta e pesquisadora da Escola de Engenharia    da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), projetos em bi&ocirc;nica podem ser    desenvolvidos de duas formas: "<i>top down</i>, onde o problema define    a pesquisa, e <i>botton up</i>, onde a observa&ccedil;&atilde;o de uma determinada    forma, m&eacute;todo ou processo existente na natureza &eacute; transformado    em um banco de dados que pode ser usado para gerar um produto potencial".    Em design, normalmente, o processo &eacute; <i>top down</i>. Um exemplo recente,    comenta a pesquisadora, &eacute; o Bionic, um carro conceito desenvolvido pela    Mercedes-Benz bio-inspirado no peixe-cofre, uma esp&eacute;cie com "uma    hidrodin&acirc;mica impressionante e uma estrutura &oacute;ssea lev&iacute;ssima".</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>INTERDISCIPLINARIDADE</b> A bi&ocirc;nica &eacute; interdisciplinar    por natureza (com o perd&atilde;o do trocadilho). A uni&atilde;o entre bi&oacute;logos    e pesquisadores com um perfil mais projetual &eacute; necess&aacute;ria para    que as id&eacute;ias potenciais se concretizem. </font></P>     <P><font size="3">"Por&eacute;m, quando se introduz a bi&ocirc;nica aos alunos    de gradua&ccedil;&atilde;o, por exemplo, isso &eacute; feito de forma superficial,    justamente por causa da falta desse contato mais pr&oacute;ximo com bi&oacute;logos",    pontua Rosana.</font></P>     <P><font size="3">Essa dificuldade tamb&eacute;m &eacute; assinalada por Vincent,    que afirma que as universidades inglesas n&atilde;o lidam muito bem com a dissolu&ccedil;&atilde;o    do paradigma das separa&ccedil;&otilde;es entre as &aacute;reas, ao contr&aacute;rio    das alem&atilde;s. "A maioria dos grupos &#91;no Instituto Max-Plank&#93; trabalha    interdisciplinarmente" comenta Gorb. Ainda assim, o Instituto tem dificuldade    para conseguir profissionais com uma vis&atilde;o multidisciplinar para novas    pesquisas. "As universidades continuam a ter uma subdivis&atilde;o cl&aacute;ssica    das disciplinas", lamenta.</font></P>     <P><font size="3"><b>ECOLOGICAMENTE ATUAL</b> A quest&atilde;o do interesse pela    bi&ocirc;nica vem aumentando ultimamente, sobretudo porque est&aacute; inserida    no discurso da sustentabilidade. "Embora n&atilde;o tenha rela&ccedil;&atilde;o    direta com a quest&atilde;o ambiental, quando se estuda a natureza para entender    como os organismos resolveram suas quest&otilde;es ao longo de milh&otilde;es    de anos, desperta-se para princ&iacute;pios b&aacute;sicos de sustentabilidade    que est&aacute; intr&iacute;nsico na natureza e que pode ser transferido para    a sociedade como um todo", finaliza Rosana Folz. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Enio Rodrigo Barbosa</i></font></P>      ]]></body>
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