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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n4/noticias.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n4/a21img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">R<SMALL>APOSA</small>/S<SMALL>ERRA DO</small> S<SMALL>OL</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n4/line_bk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Demarca&ccedil;&atilde;o de terras da reserva ind&iacute;gena    aguarda defini&ccedil;&atilde;o do STF </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A hist&oacute;ria da demarca&ccedil;&atilde;o da reserva ind&iacute;gena    Raposa/Serra do Sol, localizada no estado de Roraima, &eacute; antiga. Teve    in&iacute;cio em 1917, com o processo de reconhecimento dos direitos territoriais    dos &iacute;ndios macuxi e jaricuna sobre a terra, por meio da edi&ccedil;&atilde;o    da Lei no.941 do estado do Amazonas. Em 1990, a reserva &eacute; reconhecida    e, oito anos mais tarde, a Portaria 820/98 declara a Terra Ind&iacute;gena Raposa/Serra    do Sol como de posse permanente ind&iacute;gena. Apesar de homologada como &aacute;rea    cont&iacute;nua (na qual apenas &iacute;ndios podem ocupar) pelo presidente    Lula em 2005, sua demarca&ccedil;&atilde;o passa a ser contestada por n&atilde;o&#45;&iacute;ndios    que tamb&eacute;m utilizam as terras. A defini&ccedil;&atilde;o do Superior    Tribunal Federal (STF) sobre o tema deve ocorrer at&eacute; o final do ano,    sob olhares atentos de ind&iacute;genas, rizicultores, antrop&oacute;logos,    agricultores, pol&iacute;ticos, mineiros e empres&aacute;rios. A Raposa/Serra    do Sol &eacute; a &uacute;ltima grande terra ind&iacute;gena da Amaz&ocirc;nia    que aguarda reconhecimento e est&aacute; pronta para ser homologada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Enquanto o julgamento da quest&atilde;o est&aacute; suspenso,    os ministros do STF revisam o processo de homologa&ccedil;&atilde;o das terras,    provavelmente, para ponderarem os pontos mais delicados. A &aacute;rea de mais    de 1,7 milh&otilde;es de hectares &eacute; habitada por cerca de 19 mil &iacute;ndios    das etnias macuxi, ingaric&oacute;, patamona, taurepang e wapichana, entrecortada    por estradas, vilas e munic&iacute;pios (&eacute; o caso de Uiramut&atilde;,    criado em 1996, cuja sede est&aacute; dentro da reserva) e ocupada por rizicultores    cujo cultivo, defendem, gera cerca de 7% do PIB do estado. Sob o solo existem    ainda ricas reservas de minerais, inclusive diamantes. Os usu&aacute;rios n&atilde;o&#45;&iacute;ndios    que utilizam parte das terras que pertencem &agrave; reserva, al&eacute;m de    governantes de munic&iacute;pios, cujos limites tamb&eacute;m est&atilde;o na    reserva, costumam ser favor&aacute;veis a demarca&ccedil;&atilde;o em ilhas,    nas quais teriam autoriza&ccedil;&atilde;o para continuar vivendo e usufruindo    dos recursos das terras. H&aacute; ainda questionamentos sobre a soberania nacional,    por ser &aacute;rea de fronteira.</font></p>     <p><font size="3">Os atritos e rea&ccedil;&otilde;es violentas se intensificaram    ap&oacute;s a homologa&ccedil;&atilde;o, em 2005, e ap&oacute;s o in&iacute;cio    da efetiva&ccedil;&atilde;o do processo de retirada de n&atilde;o&#45;&iacute;ndios    de dentro da &aacute;rea da reserva, o que voltou a ocorrer em abril deste ano,    com a opera&ccedil;&atilde;o Upatakon III, da pol&iacute;cia federal. Enquanto    alguns aceitaram as indeniza&ccedil;&otilde;es do governo, outros, como rizicultores,    que chegaram &agrave; regi&atilde;o nos anos 1970, se recusam a abandonar o    local. </font></p>     <p><font size="3">Por enquanto, apenas o relator do processo, ministro Carlos    Ayres Britto, votou a favor da demarca&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua. Para    a defini&ccedil;&atilde;o final, a suprema corte de justi&ccedil;a do pa&iacute;s    precisa de votos da maioria, ou seja, ao menos seis ministros. Para tanto, o    presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, solicitou que a decis&atilde;o fosse    tomada ainda neste ano.</font></p>     <p><font size="3">O que antrop&oacute;logos e ONGs temem &eacute; que a mudan&ccedil;a    na forma de demarca&ccedil;&atilde;o da reserva coloque em perigo os direitos    territoriais ind&iacute;genas, amea&ccedil;ando, assim, a sobreviv&ecirc;ncia    e perpetua&ccedil;&atilde;o desses povos e suas culturas.</font></p>      ]]></body>
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