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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/mundo.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>MUDAN&Ccedil;AS CLIM&Aacute;TICAS</b></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n2/line_blk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Sucesso de novo acordo depende de envolvimento de na&ccedil;&otilde;es    mais ricas</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Doze anos e a constata&ccedil;&atilde;o de um aquecimento atmosf&eacute;rico    em franca acelera&ccedil;&atilde;o separam Kyoto, no Jap&atilde;o, da capital    dinamarquesa Copenhagen. Em 1997, representantes de 189 pa&iacute;ses se reuniram    na cidade japonesa para elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de    diminuir as emiss&otilde;es dos gases causadores do efeito estufa. Foram estabelecidas    metas de redu&ccedil;&atilde;o e um mercado de cr&eacute;ditos de carbono atrav&eacute;s    do qual pa&iacute;ses industrializados financiam tecnologias limpas em na&ccedil;&otilde;es    em desenvolvimento como forma de compensar sua produ&ccedil;&atilde;o de di&oacute;xido    de carbono (CO<SUB>2</SUB>), o principal g&aacute;s estufa. Tanto o protocolo    como o mercado de carbono fracassaram na tentativa de mitigar o aquecimento    do planeta, segundo o economista Jos&eacute; Eli da Veiga, da Universidade de    S&atilde;o Paulo (USP). Em dezembro deste ano, na Dinamarca, os pa&iacute;ses    voltar&atilde;o a se reunir para debater e estabelecer novos compromissos. Especialistas    apostam que, dessa vez, a hist&oacute;ria ser&aacute; diferente.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a07img01.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A principal esperan&ccedil;a repousa na guinada de postura do    principal ator mundial nessa quest&atilde;o, os Estados Unidos. "Eles ainda    s&atilde;o o maior poluidor mundial e a maior pot&ecirc;ncia geopol&iacute;tica    do mundo e, por n&atilde;o terem assinado o protocolo, atrasaram tamb&eacute;m    as negocia&ccedil;&otilde;es p&oacute;s&#45;Kyoto", comenta o cientista pol&iacute;tico    S&eacute;rgio Abranches, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Barack    Obama, rec&eacute;m&#45;empossado presidente dos EUA, deu ind&iacute;cios positivos    de que sua na&ccedil;&atilde;o poder&aacute; assumir uma face mais amistosa    em rela&ccedil;&atilde;o aos problemas clim&aacute;ticos. Outra pe&ccedil;a    chave nas novas negocia&ccedil;&otilde;es, aponta Abranches, &eacute; a China,    que tende a ser mais colaborativa, a despeito de sua posi&ccedil;&atilde;o irredut&iacute;vel    do passado. "Com a China mais cooperativa, vai ficar dif&iacute;cil para    a &Iacute;ndia e o Brasil tamb&eacute;m n&atilde;o mudarem de posi&ccedil;&atilde;o",    avalia, referindo&#45;se ao fato de o documento de Kyoto isentar os pa&iacute;ses    em desenvolvimento de assumirem compromissos de redu&ccedil;&atilde;o de suas    emiss&otilde;es de gases estufa.</font></P>     <P><font size="3">Muito mais persuasivo do que as mudan&ccedil;as de posi&ccedil;&atilde;o    das grandes pot&ecirc;ncias &eacute; o fato de os pa&iacute;ses viverem os efeitos    delet&eacute;rios das mudan&ccedil;as do clima. A Austr&aacute;lia &eacute;    um caso t&iacute;pico. Inicialmente n&atilde;o signat&aacute;ria de Kyoto, o    pa&iacute;s assinou o protocolo depois da mudan&ccedil;a de seu governo e, principalmente,    porque se viu assolada por cat&aacute;strofes naturais cada vez mais violentas.    "Hoje a Austr&aacute;lia sofre com um inc&ecirc;ndio gigantesco de um lado    e com enchentes na outra costa. Dois extremos clim&aacute;ticos provocados pelo    aumento da temperatura", exemplifica o cientista pol&iacute;tico. </font></P>     <P><font size="3">H&aacute;, tamb&eacute;m, desde a d&eacute;cada de 1990, um    crescente esfor&ccedil;o de reunir dados consistentes que associem o aquecimento    global &agrave; a&ccedil;&atilde;o humana. "Em 1997, ano da Conven&ccedil;&atilde;o    de Kyoto, havia apenas dois relat&oacute;rios do IPCC &#91;Painel Intergovernamental    sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas&#93; sobre o assunto", lembra o secret&aacute;rio executivo do F&oacute;rum    Paulista de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, F&aacute;bio Feldmann. A falta    de mais estudos, &agrave; &eacute;poca, deixou espa&ccedil;o para questionamentos    sobre as origens do aquecimento global, os quais foram usados como pretexto    para que o ent&atilde;o governo norte&#45;americano de George W. Bush n&atilde;o    aderisse ao protocolo de Kyoto. Hoje, subterf&uacute;gios assim dificilmente    funcionariam, pois, apesar de n&atilde;o ser consenso na comunidade cient&iacute;fica,    grande parte dela est&aacute; convencida de que a a&ccedil;&atilde;o humana    &eacute; mesmo respons&aacute;vel por tornar o planeta mais quente. "O    problema &eacute; muito mais grave do que se imaginava", explica Feldmann,    "a situa&ccedil;&atilde;o atual ultrapassa os cen&aacute;rios mais pessimistas    previstos pelo IPCC, o que exige medidas urgentes se quisermos mitigar o aquecimento".</font></P>     <P><font size="3"><b>NOVA ECONOMIA</b> As expectativas em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; reuni&atilde;o de Copenhagen s&atilde;o altas. S&eacute;rgio Abranches    acredita que as metas de emiss&otilde;es devem continuar, ser atualizadas e    ampliadas para outros pa&iacute;ses, mas o cerne da quest&atilde;o &#150; o seu cumprimento    &#150; vai se atrelar gradualmente &agrave; parte mais sens&iacute;vel das na&ccedil;&otilde;es:    os seus cofres. "Com o tempo, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio    dever&aacute; absorver o acordo", prev&ecirc;, "com isso, poder&aacute;    adotar san&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas como sobretaxas para pa&iacute;ses    que n&atilde;o cumprirem metas ou para produtos antiecol&oacute;gicos, por exemplo".    Na mesma dire&ccedil;&atilde;o, Jos&eacute; Eli da Veiga, da USP, defende a    necessidade de um mecanismo que encare&ccedil;a as emiss&otilde;es de carbono.    "Sem medidas de car&aacute;ter econ&ocirc;mico, n&atilde;o haver&aacute;    controle, nem puni&ccedil;&atilde;o". J&aacute; F&aacute;bio Feldmann est&aacute;    otimista que Copenhagen poder&aacute; ser a semente de um novo sistema econ&ocirc;mico    baseado em uma produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel. "Nos pr&oacute;ximos    30 anos, vamos assistir a um processo de mudan&ccedil;a do sistema produtivo    que, aos poucos, vai se 'descarbonizar', diminuir o consumo de combust&iacute;veis    f&oacute;sseis e aumentar consideravelmente os n&iacute;veis de efici&ecirc;ncia    energ&eacute;tica", vislumbra o especialista.</font></P>     <P><font size="3">Ainda &eacute; cedo para comemorar poss&iacute;veis resultados    do futuro acordo clim&aacute;tico, abranda Veiga. Ele enfatiza que, apesar de    reunir os 192 pa&iacute;ses integrantes da ONU, a Conven&ccedil;&atilde;o de    Clima reunir&aacute; apenas uma pequena parte dos respons&aacute;veis pelo maior    volume de emiss&otilde;es de poluentes. Os grandes poluidores est&atilde;o concentrados    principalmente no G20, grupo das 7 na&ccedil;&otilde;es mais ricas do mundo,    al&eacute;m de outras 13 emergentes, entre elas o Brasil, que tamb&eacute;m    figura entre os grandes emissores de carbono por causa das queimadas em suas    florestas. O economista lembra que o futuro clim&aacute;tico do mundo est&aacute;,    fundamentalmente, nas m&atilde;os dessas poucas na&ccedil;&otilde;es. "O    G20 j&aacute; era respons&aacute;vel por 80% das emiss&otilde;es de gases estufa,    essa participa&ccedil;&atilde;o est&aacute; aumentando e, em pouco tempo, eles    ser&atilde;o respons&aacute;veis por quase 100% das emiss&otilde;es desses gases    no planeta", alerta. Por isso, um bom progn&oacute;stico da confer&ecirc;ncia    de Copenhagen poder&aacute; ser tirado da reuni&atilde;o desses pa&iacute;ses,    que ocorrer&aacute; agora em abril. "Devemos observar os encontros do G20    que ocorrer&atilde;o at&eacute; dezembro", aconselha Veiga, "se disserem    que os problemas do clima n&atilde;o cabem na pauta, ser&aacute; um mau sinal."    Mesmo a atual crise financeira n&atilde;o dever&aacute; encobrir os problemas    clim&aacute;ticos, segundo acredita S&eacute;rgio Abranches. "A Confer&ecirc;ncia    das Partes tomar&aacute; medidas para daqui a alguns anos, quando a crise financeira    dever&aacute; estar superada", analisa. Mesmo porque, se a tormenta econ&ocirc;mica    tomar o espa&ccedil;o do aquecimento global nas mesas de discuss&otilde;es dos    pa&iacute;ses ricos, boa parte do planeta dever&aacute; se afogar, n&atilde;o    em d&iacute;vidas, mas em &aacute;gua salgada.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>F&aacute;bio Reynol</i></font></P>      ]]></body>

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